Trabalhadores mais velhos mantêm produtividade

Pesquisa indica que trabalhadores com mais de 60 anos não são menos produtivos e que a manutenção deles no mercado não cria desemprego para os jovens (foto: Wikimedia)

Uma pesquisa conduzida a cada dois anos, em 27 países da Europa e em Israel, vem desfazendo alguns mitos sobre o impacto do envelhecimento da população na economia. 

Os resultados colhidos desde 2004 mostram que trabalhadores mais velhos não são menos produtivos e que a manutenção deles no mercado não cria desemprego para os jovens. Ao mesmo tempo, a aposentadoria não necessariamente leva a uma melhora na saúde das pessoas.

Os dados foram apresentados por Axel Börsch-Supan, pesquisador do Instituto Max Planck para Lei e Política Social, em palestra no Frontiers of Science Symposium FAPESP Max Planck, organizado pelo Instituto Max Planck e pela FAPESP.

Börsch-Supan é coordenador-geral da iniciativa, chamada de SHARE (Pesquisa de Saúde, Envelhecimento e Aposentadoria na Europa, na sigla em inglês) e composta por longos questionários, com as mesmas pessoas ao longo do tempo, a fim de entender como trabalho, saúde e renda são afetados pelo aumento do número de pessoas com mais de 65 anos.

“O envelhecimento da população é o desafio do século 21. Em 2050, haverá muito mais pessoas velhas do que jovens na Europa. Isso cria todo tipo de problema. Será caro pagar as aposentadorias e os jovens de hoje é que vão pagar por isso, querendo ou não”, disse o pesquisador. A estimativa é que, na metade deste século, 28% da população europeia terá mais de 65 anos. Atualmente, essa faixa corresponde a 23%.

No Brasil, a população com mais de 60 anos vai triplicar até 2050, chegando a 29,3%, segundo o IBGE. 

“No Brasil, há esse mesmo padrão em que se tem mais gente na meia-idade do que nas idades jovens e isso vai ter um crescimento não tão rápido e não tão forte como na Europa, mas que também afeta o país num grau significante, mais do que outros países como o México”, disse Börsch-Supan.

Esse padrão se reflete no custo da previdência, assunto discutido há alguns anos no Brasil e que voltou à pauta recentemente. Para Antonio Carlos Campino, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), o problema não ocorre apenas no Brasil.

Campino citou um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) que afirma que problema semelhante acontece em outros países da América Latina e Caribe. “O que se gasta em aposentadoria está se tornando um problema importante para os governos, para as finanças públicas, de forma que há que se chegar, de alguma maneira, a uma solução”, disse à Agência FAPESP.

Segundo ele, os gastos com os mais velhos são muito maiores do que com os jovens. Em 2015, o Brasil gastou com os idosos (60 anos ou mais) 3,8 vezes o que gastou com os jovens (até 19 anos). Enquanto no primeiro grupo o custo foi de R$ 19.705 per capita, com os jovens foi de R$ 5.136 per capita.

“No Brasil, a consolidação do ensino primário público não ocorreu antes que a maioria da população mais velha começasse a receber aposentadoria”, disse. Com isso, “o desenvolvimento econômico baseado em substituição de importações aumentou a importância do sistema de seguridade social, ao mesmo tempo que negligenciou investimentos em educação e saúde”, disse Campino.

Mitos do envelhecimento

A pesquisa europeia já teve sete edições e coleciona números grandiosos. Foram 350 mil entrevistas, com 130 mil pessoas, em 39 línguas diferentes, além de 27 mil amostras de sangue coletadas. 

“Precisamos observar os indivíduos ao longo de seu curso de vida. Essa pesquisa tem que olhar para várias décadas de mudança. Não se pode simplesmente comparar os jovens de hoje com os idosos também de hoje, porque eles vêm de diferentes momentos da história. Basta pensar que o Brasil, por exemplo, teve uma grande mudança nos últimos 50 anos”, disse Börsch-Supan.

Por isso que na SHARE as mesmas pessoas são entrevistadas repetidamente conforme envelhecem. Além das condições econômicas, são levantados detalhes como a rede social da família (com quantas pessoas eles falam), além de se fazer testes cognitivos e serem coletadas amostras de sangue.

As medidas são ainda acompanhadas de dados sobre a produtividade dos trabalhadores. Como é algo difícil de medir, algumas das fontes dos pesquisadores foram observações coletadas pelas próprias empresas sobre os empregados. No total, foram analisados 5 milhões de observações. 

Uma das conclusões é que pessoas mais velhas cometem, sim, mais erros, em setores como a indústria automotiva. No entanto, os erros cometidos pelos jovens são muito mais graves. 

Um mito derrubado a partir da análise das observações é de que funcionários mais velhos seriam menos produtivos. “Vimos que a produtividade se mantém bastante estável, talvez até com um leve aumento à medida que se envelhece”, disse Börsch-Supan.

Outro engano é pensar que ao manter os mais velhos trabalhando por mais tempo tira-se o emprego de jovens. “Nos países em que muitas pessoas se aposentam cedo, há muito pouco desemprego”, disse o pesquisador, que afirmou que esse é um bom sinal, pois a aposentaria precoce custa caro aos cofres públicos.

Pode-se pensar ainda que se aposentar deixaria o trabalhador mais saudável. Segundo Börsch-Supan, isso é apenas parcialmente verdade. “Porque não condiz com acadêmicos, por exemplo, mas faz sentido para quem sempre fez trabalhos pesados”, disse. 

Ao mesmo tempo, as medições das capacidades cognitivas ao longo das sete edições do SHARE mostram que pode haver uma queda depois da aposentadoria, seja qual for o setor em que a pessoa trabalhou.

Na França, há uma perda mais significativa da memória entre aposentados do que na Suécia e nos Estados Unidos. E os franceses se aposentam mais cedo que suecos e norte-americanos. 

“Se você apenas fica em casa vendo TV, e aqui estou falando de um extremo, sua capacidade cognitiva decai. Essa é uma razão pela qual é preciso pensar duas vezes antes de dizer que aposentadoria melhora a saúde. É mais complicado do que isso”, disse Börsch-Supan.

O pesquisador ressaltou a importância de se fazer comparações internacionais a fim de tirar conclusões sobre causa e efeito de certas intervenções nas leis trabalhistas e nos investimentos em saúde e aposentadorias.

Fonte: André Julião  |  Agência FAPESP 

Inovação e a nova paisagem urbana de São Paulo

Ao longo de três dias, o grupo visitou dezenas de empresas, incubadoras, aceleradoras, hubs de empreendedorismo que integram do ecossistema de inovação em São Paulo (foto:seminário no iDexo/Raquel Sodré)

O ecossistema de inovação na cidade de São Paulo cresce rapidamente, nucleado por corporações que enxergam na parceria com startups oportunidades de negócios, por universidades e por hubs de empreendedorismo tecnológico. Essa expansão está constituindo uma paisagem urbana particular, em que prevalecem a mobilidade compartilhada, o uso de aplicativos para solicitação e pagamento de serviços, entre outras inovações baseadas em tecnologias digitais.

Parte dessa nova geografia paulistana foi percorrida por 54 empresários, pesquisadores e investidores de todo o país, a convite da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), entidade vinculada à Confederação Nacional da Indústria (CNI), no âmbito do Programa de Imersões em Ecossistemas de Inovações. A iniciativa teve o apoio da FAPESP.

“Esta é a 14ª edição do programa e a terceira realizada no Brasil. O objetivo é contribuir para fomentar política de investimentos mais eficazes, incentivar a inovação e aprimorar o sistema de financiamento”, afirmou Gianna Sagazio, diretora de Inovação da CNI e superintendente nacional do Instituto Euvaldo Lodi (IEL).

Ao longo de três dias, o grupo visitou dezenas de empresas, incubadoras, aceleradoras, hubs de empreendedorismo, entre outros, num percurso entremeado por seminários sobre temas estratégicos para a consolidação do ecossistema.

O ponto de partida foi um encontro na sede da FAPESP, onde participantes foram apresentados às soluções do Sebrae-SP para startups e ao Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), que apoia, com recursos não reembolsáveis, iniciativas de pesquisas inovadoras de pequenas e médias empresas. “A Fundação recebe em torno de mil solicitações por ano e seleciona cerca de 250. Impressiona o número crescente de empresas com projetos nas áreas de manufatura avançada e tecnologias digitais”, disse Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fundação.

A FAPESP também sediou o primeiro seminário do programa, com o tema Hubs de Startups, do qual participaram a 100 Open StartupsEndeavorAnjos do Brasil e Baita Aceleradora. Operando com o conceito de open innovation, a 100 Open Startups articula grandes corporações e startups por meio de metodologia que envolve desafios tecnológicos e ranking das melhores empresas com soluções para 20 áreas temáticas. “Em três anos, 439 startups fecharam acordo com mais de 300 empresas”, disse Bruno Rondani, CEO da 100 Open Startups.

A Endeavor tem foco em iniciativas que promovam o crescimento de startups. “Empreendedores de alto impacto são os grandes protagonistas”, sublinhou Camilla Junqueira, diretora-geral da Endeavor, citando o exemplo da Ebanx – startup de processamento de pagamentos estrangeiros, com clientes como Alibaba e Airbnb –, que cresceu mais de 700% nos últimos três anos.

O roteiro no ecossistema paulistano de inovação incluiu o Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), gestor da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica de São Paulo USP/Ipen – Cietec, no campus do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), na Cidade Universitária.

Criado há 20 anos, o Cietec tem 112 empresas incubadas, 85 delas residentes, entre elas a Reciclapac e a Alchemy, ambas apoiadas pelo PIPE da FAPESP, e a 3D Criar (Para saber mais sobre a Reciclapac acesse pesquisaparainovacao.fapesp.br/725).

“As incubadas faturaram mais de R$ 35 milhões por ano e geraram 557 empregos em 2017”, contou Claudio Rodrigues, diretor-presidente do Cietec. O Centro prepara o início das operações do Cietec II, em área de 20 mil metros quadrados também cedida pelo Ipen. “A meta é chegar a 200 empresas”, afirmou Rodrigues.

Investimento de risco

A visita ao Cubo, hub de empreendedorismo do Itaú Unibanco em parceria com a Redpoint eventures, foi uma das mais longas. Instalado num prédio de 12 andares na Vila Olímpia, a iniciativa conecta 80 startups a 20 empresas mantenedoras, entre elas a Accenture, Dasa, TIM, brMalls, Kroton, e investidores. “As empresas selecionadas têm que apresentar soluções reais para o mundo real com produtos escaláveis”, resumiu Flavio Pripas, ex-diretor do Cubo e atual corporate venture officer da Redpoint eventures.

Desde a criação do Cubo, em 2015, startups residentes fecharam 728 contratos com grandes empresas, 65 deles com o Itaú Unibanco. Apesar dos bons resultados, a conexão de grandes empresas com startups não é simples, a começar pelo cumprimento de exigências para a contratação desses fornecedores, na maior parte das vezes recém-chegados ao mercado. “É preciso simplificar esse processo”, sugere Pripas.

Para empreendedores, tampouco é simples atrair investimentos de venture capital. “Investir em startup se compara a uma curva em formato de J longa e profunda. É preciso resiliência”, diz Erich Acher, sócio-fundador da Monashees, fundo de venture capital criado em 2006, durante seminário sobre essa modalidade de investimento, realizado no Cubo.

“Buscamos empreendedores de alto impacto que, com tecnologia e venture capital, revolucionam o mercado e o país. Já investimos em 81 empresas, inclusive na 99 [a primeira “unicórnio” do Brasil, cujo controle foi adquirido em janeiro de 2018 pela chinesa Didi Chuxing ]. Foram 12 anos para o primeiro retorno.” Unicórnios são as startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão.

O pragmatismo dos investidores privados fez com que a SP Ventures fosse constituída, em 2007, como seed funding do setor público. “Qualificamo-nos como gestor regional do Fundo Criatec do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)”, lembra Francisco Jardim, CEO da SP Ventures. Nesse primeiro fundo, foram apoiadas oito empresas, metade na área de agronegócios.

Em 2013, a SP Ventures deixou o BNDES, compôs o seu segundo fundo com aporte de recursos da Desenvolve SP, Finep, FAPESP, Sebrae-SP, CAF e Jive Investments e priorizou investimentos nas Agtechs – empresas de tecnologias agropecuárias. Apesar das dificuldades na relação com órgãos reguladores e com as universidades, Jardim afirma que a SP Ventures “está conseguindo criar alguns unicórnios”, já que a agricultura brasileira dá escala para grandes negócios (Para mais informações sobre o Fundo de Inovação Paulista leia matéria nesta edição).

Andrea Calabi, coordenador do projeto de implantação de ambientes de inovação e criatividade no Estado de São Paulo, implementado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) com o apoio da FAPESP, pondera que a articulação entre empreendedores, startups, venture capital e as universidades deveria ser provida pelo setor público, citando o exemplo da FAPESP.

Participaram do seminário sobre Venture Capital também a Dgf-Investimentos e a e-Bricks Ventures.

A caminho do mercado

O roteiro do programa de imersão no ecossistema paulistano de inovação incluiu visitas à Melicidade, sede do Mercado Livre; ao Eretz bio, incubadora de startups da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein; ao Google Campus; ao hub de inovação Wayra, aceleradora de startups criada em 2011 pela Telefônica; à Estação Hack Facebook; e ao InovaBra Habitat, ambiente de coinovação do Bradesco.

O roteiro encerrou no iDexo, instituto sem fins lucrativos mantido pela Totvs, Banco ABC e Salute, para conectar startups, empreendedores e desenvolvedores. “Prestamos serviços para grandes empresas, contratando serviços de startups”, resumiu Bianca Guimarães, community manager do iDexo. A visita encerrou com um seminário sobre Corporate Ventures.

“O programa foi impactante”, avaliou Cândida Oliveira, coordenadora do Programa Imersões em Ecossistemas de Inovações. “Não tínhamos noção do dinamismo e de quão rápido essas empresas estão mudando a cidade de São Paulo.”

Taynara Tenório Cavalcanti Bezerra, engenheira da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), no Amazonas, participou do programa que lhe permitiu conhecer o ecossistema paulista e iniciar contatos que permitissem levar a “cultura de inovação” para Manaus.

O ganês Salomon Kweku Sagoe Amoah, pesquisador do Laboratório CertBio, em Campina Grande, na Paraíba – instituição certificada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e acreditada pelo Inmetro para análise de toxicidade em prótese mamária e em material volátil –, aderiu ao programa com um interesse específico: buscar alternativas para levar ao mercado um biomaterial desenvolvido pelo laboratório e já patenteado. “A visita ao Eretz bio foi muito importante. Não tínhamos noção da dimensão dessa área. Precisamos mapear grupos, empresas e incubadoras que possam nos ajudar nessa empreitada.”

Fonte: FAPESP, Claudia Izique | Pesquisa para Inovação

“O novo código da cultura”, livro de Sandro Magaldi e José Salibi Neto

A urgência da transformação digital tem preocupado muitos gestores que já perceberam a realidade imposta pelos novos modelos de negócios na era em que vivemos. Porém, esses gestores não sabem o que fazer, na prática, para se reinventar e continuar existindo. A resposta guarda um paradoxo instigante: se, por um lado, o principal vetor da transformação no mundo dos negócios é a tecnologia, por outro, na essência das mudanças, estão as pessoas.

Este é o tema abordado no livro O novo código da cultura – Transformação organizacional na gestão do amanhã”, de Sandro Magaldi e José Salibi Neto.

“Pesquisas e Estudos apontam que existe uma visão clara junto aos principais líderes empresariais do Brasil acerca dos desafios de transformar uma organização devido à sua cultura organizacional. A despeito dessa constatação, o tema é pouco discutido e refletido de forma estruturada por esses líderes. Talvez sua intangibilidade e abstração expliquem essa contradição”, reflete Magaldi.

“Considerando que uma empresa é um agrupamento de pessoas reunidas em prol de um objetivo comum – ou, pelo menos deveria ser assim –, é a cultura organizacional que dá o tom unindo todo esse ecossistema. Em uma tradução sintética: a cultura de uma empresa é o jeito que ela utiliza para ‘fazer as coisas acontecerem’”, diz Salibi Neto.

Há também um desdobramento importante quanto à implementação de novas tecnologias nas empresas. Para os autores, o êxito no processo de adaptação ao novo não está relacionado exclusivamente às transformações tecnológicas, mas sim a como as pessoas encaram essa nova perspectiva nas organizações e abraçam – ou não – as transformações tecnológicas.

Nesta obra, os autores trazem uma nova vertente a esse questionamento para ajudar o empreendedor a começar a transformação do seu negócio, realizando um desdobramento de diversos conceitos apresentados no livro anteriormente publicado pelos autores: Gestão do Amanhã. Os conteúdos são apresentados com vários exemplos de como diversas empresas têm aplicado as questões de cultura organizacional para implementar as transformações necessárias em seu negócio.

Alguns dos temas presentes no livro são:

  • Como enfrentar os desafios da transformação da cultura organizacional na prática;
  • Quais são os elementos de um projeto de transformação cultural;
  • Quais são os caminhos para iniciar o processo de transformação cultural;
  • Qual é o papel dos princípios organizacionais na transformação de uma cultura;
  • Como garantir a força da Cultura Organizacional de Aprendizado em uma expansão acelerada.

O livro está sendo lançado apenas 7 meses após o lançamento do “Gestão do Amanhã”, obra de ambos os autores que tem crescido suas vendas sistematicamente e já está na 5ª edição. “Fizemos isso por entender a relevância e necessidade de refletirmos sobre o tema com urgência. As organizações e seus líderes estão pressionados por soluções em um ambiente em transformação. Buscam diversas alternativas, porém, se não modelarem suas culturas ao novo, não obterão êxito”, diz Magaldi.

Ficha técnica

O novo código da cultura – Transformação organizacional na Gestão do amanhã
Autores:
 Sandro Magaldi e José Salibi Neto
Editora: Gente
Páginas: 141 
Preço: R$ 49,90

Sobre os autores

Sandro Magaldi
Um dos maiores especialistas em gestão, negócios e vendas do Brasil. Atuou como vice-presidente de clientes e negócios do Grupo TV1, um dos maiores grupos de comunicação do país, e como diretor comercial da HSM do Brasil durante nove anos. Tem cerca de trinta anos de experiência em liderança e vendas. Em sua carreira acadêmica, atuou por mais de quinze anos como professor do MBA na Escola de Propaganda e Marketing (ESPM), na Fundação Instituto de Administração (FIA) e na Fundação Dom Cabral (FDC). Foi também cofundador do meuSucesso.com, startup dedicada a incentivar o empreendedorismo no Brasil e, como palestrante, apresentou-se em eventos para organizações, como Oracle, Toyota, Unilever, Cimed, Coca-Cola e Unimed Seguros, dentre outros. É pós-graduado pela ESPM e tem mestrado acadêmico em Administração pela PUC-SP. É mentor do Instituto Endeavor, do Oracle Startup Accelerator Program; conselheiro do projeto social Gerando Falcões e autor dos livros Movidos por ideias: Insights para criar empresas e carreiras duradouras, Vendas 3.0: Reposicionando o vendedor, a equipe de vendas e toda a organização, e Gestão do Amanhã, já em sua 5ª edição apenas seis meses após o lançamento.

José Salibi Neto

Conviveu e trabalhou, por mais de duas décadas, com todos os principais pensadores da gestão como Peter Drucker, Jack Welch, Michael Porter e Philip Kotler e líderes mundiais como Bill Clinton, Tony Blair e Rudolph Giuliani, entre outros. Graduou-se pela Moore School of Business, da Universidade da Carolina do Sul (EUA), e obteve o MBA em International Business pela mesma instituição. Seu nome é imediatamente associado à introdução no Brasil dos principais conceitos da Gestão Contemporânea nos últimos 25 anos, provocando a transformação de milhares de empresas, executivos e empreendedores em nosso país. Também é cofundador da HSM, empresa líder em Educação Executiva. Atualmente Salibi dedica-se a ajudar empresas e profissionais a atingir seu potencial máximo e tomar decisões que podem determinar o futuro de seus negócios e carreiras. Seus clientes incluem empresas como Amil, Algar, Public Broker, Delta Medical, Grupo MGB (Mambo/Giga) e Novo Pare, entre outras. É autor do best-seller Movidos por ideias e do Gestão do Amanhã, ao lado de Sandro Magaldi.

Os 7 pilares da economia criativa, segundo Tom Fleming

O especialista inglês Tom Fleming fala no EXAME Fórum Cultura e Economia Criativa 2018
Fórum: o especialista inglês Tom Fleming fala no EXAME Fórum Cultura e Economia Criativa 2018 (Flávio Santana / Biofoto/EXAME)

São Paulo – Talentos, lugares, propriedade intelectual, infraestrutura, dinheiro e alavancagem: estes são os pilares que sustentam uma economia criativa, de acordo com Tom Fleming.

Uma das maiores autoridades mundiais na área, ele falou nesta sexta-feira (14) em transmissão no EXAME Fórum Cultura e Economia Criativa em São Paulo.

“A economia criativa não é algo que você pode replicar baseado no que outros países fizeram”, diz Fleming, mas há algumas lições a serem aprendidas.

“A economia criativa não é algo que você pode replicar baseado no que outros países fizeram”, diz Fleming, mas há algumas lições a serem aprendidas.

O primeiro tijolo da economia criativa são as pessoas: há uma disputa mundial por atenção e por talentos, e em uma economia onde a robotização vai dominar os processos automáticos, criatividade será o diferencial.

Um ponto que ele destaca é que como o sucesso na economia criativa acaba dependendo muito de capital social, é preciso cuidado para validar e preservar talentos para que eles não sejam desperdiçados e para que o campo não fique perigosamente homogêneo e insulado.

O segundo tijolo da economia criativa são os lugares onde elas ocorrem, e para isso é necessário criar e preservar espaços de criatividade tanto físicos quanto virtuais.

“Politica nacional é importante, mas a politica urbana é igualmente importante”, diz Fleming, citando como referência o exemplo de Bogotá, na Colômbia.

O terceiro princípio é a propriedade intelectual, onde entra a necessidade de “alfabetizar especialistas” para que as a criação intelectual possa ser monetizada, e o quarto princípio é a infraestrutura digital, pois é impossível ter economia digital sem meios de acesso para sua produção e consumo.

Nesse aspecto, o Brasil vai mal em alguns pontos de velocidade e preço médio, apesar do acesso aos smartphones ter explodido e do engajamento em redes sociais ser alto na comparação internacional.

O chamado retrato aparece como quinto princípio da economia criativa, um desafio mundial pois as formas de medir os resultados econômicos ainda estão baseadas no passado e tendem a mudar.

Sem dados e inteligência, é difícil criar políticas públicas efetivas ou até mesmo criar a narrativa para mostrar para a sociedade o tamanho e a importância da economia criativa.

O sexto princípio citado por Fleming é o dinheiro: é preciso investir, mas a boa notícia é que o resultado aparece, seja em empregos ou atividade ou mesmo, como Londres demonstra no vigor de seu turismo.

Em último lugar está a chamada alavancagem. Fleming diz que o Brasil precisa usar seu soft power e transformar sua imagem positiva em dinheiro e influência internacional.

Fonte: João Pedro Caleiro, EXAME, 14 dez 2018, 13h58 

Confira as 20 profissões que mais cresceram no Brasil entre 2007 e 2017, segundo dados do Ministério do Trabalho

São Paulo – Na última década, as profissões que mais cresceram no mercado de trabalho brasileiro estão nas áreas de saúde, educação infantil, agroindústria e tecnologia da informação.

O dado da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, mostra as 20 carreiras que mais tiveram acréscimo de profissionais entre 2007 e 2017.

Com alta de 547%, o número de cuidadores de idosos no Brasil passou de 5.263 para 34.051. A ocupação foi a que mais cresceu no período estudado, principalmente nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Do total de profissionais, 85% são mulheres com ensino médio completo.

Com alta de 547%, o número de cuidadores de idosos no Brasil passou de 5.263 para 34.051. A ocupação foi a que mais cresceu no período estudado, principalmente nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Do total de profissionais, 85% são mulheres com ensino médio completo.

A segundo profissão com maior aumento foi a de professor de nível superior na educação infantil, crescendo 398% e registrando 42.391 trabalhadores em 2017. Homens entre 30 e 49 anos representaram o maior acréscimo no grupo.

Em seguida, os preparadores físicos tiveram aumento de 327%, ocupando a terceira posição no ranking. São 20.952 profissionais, com maior participação masculina, na faixa etária de 25 a 39 anos.

Segundo o ministro do Trabalho, Caio Vieira de Mello, o mercado é dinâmico e exige atualização na qualificação dos profissionais para atender novas demandas, como mostra o aumento de cuidadores de idosos no país.

“O trabalhador qualificado é aquele que será empregado. Dado o desenvolvimento do mundo, todos precisam estar preparados para ter um futuro assegurado”, disse ele.:

Confira o ranking completo das 20 profissões com a maior expansão da década. Ocupação:

1. Cuidador de idosos

2. Professor de nível superior na educação infantil (0 a 3 anos)

3. Preparador físico

4. Operador de colheitadera

5. Analista de informações (pesquisador de informações em rede)

6. Instalador-reparador de redes telefônicas e de comunicação de dados

7. Técnico de enfermagem

8. Operador de telemarketing técnico

9. Técnico de rede (telecomunicações)

10. Técnico em saúde bucal

11. Fisioterapeuta geral

12. Técnico em manutenção de máquinas

13. Analista de folha de pagamento

14. Técnico de garantia da qualidade

15. Gerente de logística (armazenagem e distribuição)

16. Controlador de entrada e saída

17. Economista do setor público

18. Analista de recursos humanos

19. Professor de educação física no ensino superior

20. Pedagogo

Fonte: Exame, Luísa Granato, 15 dez 2018, 06h00. Mais aqui.

Livro apresenta história e estilo de administrar de 12 presidentes

Resultado de imagem para livro A NOVA GERAÇÃO DE CEOS

O filho caçula do executivo Eduardo Mufarej teve de esperar alguns dias para ganhar um nome. O pai, que liderava a empresa Somos Educação, negociava a compra de outra companhia e faltou tempo para discutir a questão com a mulher.

“Comandar a Somos foi uma experiência incrível, mas tenho consciência de que minha família pagou um pouco da conta, o que não é exatamente justo”, conta ele em texto publicado no livro “A Nova Geração de CEOs”.

Sua história aparece em um dos depoimentos da obra, que apresenta o perfil de líderes na faixa dos 40 anos à frente de companhias como Amazon, Peugeot, Microsoft, CPFL, Kroton e Gol no Brasil.

Bem ao estilo de quem não tem muito tempo a perder, os textos, em boa medida, são de uma objetividade quase seca.

Todos partem da trajetória profissional dos executivos, passando pela escolha do curso de graduação à chegada ao posto de comando de uma grande empresa.

No mais das vezes, o começo é parecido. Estudaram administração, engenharia ou direito e, ao menos nos textos, subiram os degraus do mundo corporativo sem muita dificuldade ou insegurança. 

Daí em diante, os profissionais se dedicam principalmente a explicar seus desafios à frente das empresas e seu modo de gerenciá-los.

Alguns textos têm desfiles detalhados dos indicadores usados pelo presidente para gerenciar a companhia (caso do texto de Rodrigo Galindo, da Kroton). 

Outros despertam simpatia por mostrar a curiosidade e a vocação do executivo pelo trabalho desde a infância (Paulo Kakinoff, da Gol) ou por dar um panorama dos desafios de uma empresa jovem (Paulo Veras, da 99).

Ana Theresa Borsari, diretora-Geral das marcas Peugeot, Citroën e DS no Brasil – Carine Wallauer -25.mai.2018/Uol

Mais marcante, pela personalidade forte e determinada, é o depoimento de Ana Theresa Borsari, responsável pela Peugeot e Citroën no Brasil.

Além de apresentar tema atual, o avanço de mulheres nos cargos de liderança, ela, que trabalhou na França e na Eslovênia, não teme apontar os desafios de comandar no Brasil, onde vê falta de foco.

“Posso estar generalizando um pouco, mas aprendi que, no Brasil, tenho de desconfiar e controlar para ver se o que pedi vai rolar mesmo.”

O livro oferece boas ideias de gestão e dá uma primeira impressão de líderes de destaque e seu estilo. Nas frestas, às vezes deixa escapar algo mais sobre a pessoa atrás do cargo. Poderia discutir mais o que os convence a pagar conta tão salgada por ele.

CONVERSA DE CEO

“Duas semanas depois de assumir a presidência, estabeleci que, se estivesse no Brasil, reservaria a manhã de quinta-feira para viajar com a Gol para algum destino, saindo do aeroporto de Congonhas”
Paulo Kakinoff, presidente-executivo da Gol

“Meu marido resolveu pedir demissão e me acompanhar [quando comecei minha carreira internacional]. Acho que foi a maior prova de amor que eu poderia ter, porque ele fez isso pela família”
Ana Theresa Borsari, diretora-Geral das marcas Citroën e DS no Brasil

“Tivemos de fazer ajustes que nunca tínhamos feito. Eu sabia quanto cada loja gastava com a conta de luz. Estimulávamos os gerentes a desligar o ar-condicionado duas horas antes de a loja fechar e ligar uma hora depois de abrir”
Frederico Trajano, presidente-executivo do Magazine Luiza

“Setenta por cento do meu tempo é dedicado aos clientes. Tenho um algoritmo na minha agenda que avisa quando essa taxa cai abaixo de 70%. Se isso acontece, mudo a agenda para voltar a meta”
Paula Bellizia, presidente-executiva da Microsoft para o Brasil

“Ordem e progresso só existem juntos na bandeira do Brasil. Na prática, se você quer ter ordem, abdica do progresso, porque ela engessa um monte de coisas. A empresa ordeira de mais pode ser muito eficiente, mas cresce pouco e cria muito lentamente”
Paulo Veras, cofundador da 99

“Temos uma diretriz, que é o Falha Zero. Toda organização tem problemas. Quando um é identificado no radar, ele é encaminhado para a equipe do Falha Zero, que tem a missão de identificar a causa-raiz”
Rodrigo Galindo, presidente-executivo da Kroton

Fonte: Filipe Oliveira, Folha de S.Paulo, 

A NOVA GERAÇÃO DE CEOS

  • Preço R$ 59,90, 182 págs.
  • Autor Pierre Moreau, Giuliana Napolitano, Jair Ribeiro e Celso Loducca (org.)
  • Editora Portfolio Penguin

Presidente do Itaú conta como o banco se tornou o melhor para os jovens

Presidente do Itaú, Candido Bracher
Presidente do Itaú, Candido Bracher: “Minha preocupação é que o negócio tenha continuidade” (Germano Lüders/VOCÊ S/A)

São Paulo – Desde 1981, o paulistano Candido Botelho Bracher, de 59 anos, atua no mercado financeiro. Sua trajetória começou na Suíça, como estagiário em um banco em Zurique.

De lá para cá, passou por empresas como o Banco Itamarati e participou desde o início do banco de investimento BBA, fundado por seu pai, Fernão Bracher, em 1998, e comprado pelo Itaú em 2002.

Antes de assumir a atual função em abril de 2017, Candido presidia o Itaú BBA. Seu desafio, além de tomar para si o lugar de Roberto Setúbal, sobrinho-neto do fundador do Itaú, é preparar o banco para o futuro.

“Não sou candidato político, não tenho de me preocupar com reeleição, nem inaugurar nenhuma obra. Minha preocupação é que o negócio tenha continuidade. Gostaria que, daqui a alguns anos, quando comentarem sobre minha gestão, digam que foi uma fase de foco no cliente e de capacitação para enfrentar os processos de transformações aceleradas”, diz Candido em entrevista a VOCÊ S/A.

Desde o ano passado, o Itaú Unibanco está se tornando um local mais flexível, com a extinção do dress code e a adoção do home office. Por que colocaram essas novidades em prática?

É um projeto de transformação contínua. A área de gestão de pessoas é o principal instrumento de uma empresa, especialmente de uma de serviços. Mas o fato é que as pes­soas mudam e você precisa geri-las de acordo com as novas expectativas. O que os profissionais querem é que haja a menor distância possível entre a pessoa que eles são e a pessoa que esperam que sejam no trabalho. Isso precisa ser reduzido ao mínimo para que você consiga ser no trabalho a pessoa que é. As mudanças que temos implementado vão nessa direção. Tanto que o programa de dress code foi batizado de “Eu venho como sou”. No caso do home office, nem é preciso vir. Também adaptamos o ambiente de trabalho para favorecer o contato entre os profissionais e estimular a troca de ideias.

Em um local com tanta diversidade geracional é comum que ocorram alguns conflitos. Um dos mais frequentes é quando os seniores acreditam que apenas os novatos têm oportunidades. O que fazer para lidar com isso?

Há dois anos, num encontro entre líderes com 12.000 pessoas, um profissional me perguntou se os mais velhos tinham chance de ser promovidos no banco. E eu respondi: “Enquanto a pessoa tiver disposição de aprender, ela pode crescer no banco”. Quase falei que tinha 58 anos e havia sido promovido [risos]. O que acontece, e isso é uma reflexão que talvez eu nem devesse fazer em público, é que uma pessoa que parou de se provocar e estacionou em determinada posição dificilmente vai passar a agir de outra maneira. Desafiar-se é um modo de viver. É um contínuo na vida e independe da idade.

Algum feedback o levou a refletir sobre sua gestão?

Muitas vezes, o feedback vem de maneira informal. Tenho escutado mais e prestado atenção nos outros, pois o modo como as pessoas reagem à sua forma de orientar ensina muito. O dress code é um exemplo. Quando eu estava no BBA, era radicalmente contra a roupa ca­sual nas sextas-feiras. Adorava repetir uma frase de um antigo professor de educação física: “O uniforme predispõe para a atividade”. Falava em tom de piada, mas real­mente acreditava nisso. Até que comecei a dar valor a outras coisas e entendi que o que ­predispõe para a atividade é você sentir que pode ser você mesmo, saber que tem autonomia para fazer as coisas. Se a empresa não deixa o funcionário escolher nem a roupa que vai usar, que ­mensagem está passando quando cobrar por iniciativa?

Ter autonomia também é poder empreender internamente. Como isso acontece no Itaú?

Temos um grande caminho a percorrer. Mas estimulamos cada vez mais a provocação, procurando reconhecer as ideias que surgem e rees­truturando a forma de funcionar. Estamos saindo dos silos para gerar comunidades. O empreendedorismo pode vir a desempenhar um papel mais importante aqui dentro.

De que maneira as fintechs influenciam essa mudança de mentalidade?

Um filósofo de que eu gosto muito, chamado Ortega y Gasset, diz que “eu sou eu e minhas circunstâncias”. As fintechs fazem parte de nossas circunstâncias e chamam a atenção. Temos de olhar o que elas estão fazendo de bom e procurar reproduzir. Elas nos estimulam a buscar inovação e a ter um senso de urgência maior.  As fintechs afetam nosso mundo não apenas na competição pelos clientes mas também na luta pela força de trabalho. Se quero atrair jovens que gostam de startups, preciso fazer diferente e pensar em inovações nas quais elas ainda não estejam pensando.

Outro aspecto importante para os jovens é a diversidade. Quais os desafios e os benefícios de tornar o banco um local mais diverso?

É bom fazer algo sem pensar em quais são os benefícios, apenas levando em conta que essa é a coisa certa a fazer. Mas, além disso, há inúmeras vantagens na diversidade. A primeira é que você precisa se esforçar para que ela aconteça. Se ficarmos parados aqui selecionando do modo como sempre fizemos, não vamos mudar. É preciso fazer um esforço para conseguir a diversidade, ir atrás das pessoas. E isso se aplica a outros desafios, como o fato de que, embora 50% da base seja formada por funcionárias, temos apenas uma mulher no comitê executivo. Uma coisa que alteramos foi o cálculo do bônus durante a licença-maternidade. Antigamente, se a pessoa ficasse afastada por quatro meses, receberia o pagamento proporcional. Mas isso costumava gerar insatisfação das mulheres com a carreira. Agora, elas recebem o valor integral.

Falando um pouco de sua carreira, quais as diferenças entre os jovens que atuavam no setor bancário quando você ingressou no mercado e os profissionais de hoje?

Quando eu me lembro do meu comportamento no começo da carreira, tenho a impressão de que tinha um respeito reverencial às coisas como elas eram. Aquela era uma época em que as mudanças ocorriam mais lentamente do que ocorrem hoje. O fato de os ciclos serem mais curtos dá às pessoas em geral — e aos jovens especificamente — a sensação de que são capazes de transformar as coisas e se sentem autorizadas a trabalhar pela modificação daquilo que encontram. São mais atuantes do que antigamente. Comecei a trabalhar em 1981 em um banco de Zurique. Eu me lembro que estava conversando com meus amigos estagiários suíços e um deles me disse que escolheu a empresa porque o plano de aposentadoria era muito melhor do que o dos concorrentes. Essa conformidade não acontece mais. Hoje espera-se o ativismo.

Quais são seus conselhos para quem quer começar a carreira no Itaú?

Mantenha a curiosidade, faça perguntas e pense com a própria cabeça sobre as respostas que lhe derem.

Qual livro indicaria para um jovem?

Gosto muito de ler, mas não fico procurando respostas nos livros. É melhor quando eles trazem perguntas. Acho que todo jovem deveria ler Os Irmãos Karamázov [Editora 34, 118 reais], mas não é porque lá existam respostas. Há um trecho, chamado “O grande inquisidor”, que é um diálogo entre Cristo, que voltou para a Terra em 1400 em Sevilha, e o Grande Inquisidor. Cristo é preso como herege e o Grande Inquisidor vai visitá-lo na cadeia. Ele diz: “Não me importa se você é Cristo ou não é. Se você for um impostor, é um herege e tem que morrer no garrote vil. Se não for um impostor, cometeu um erro quando se negou a converter a pedra em pão para dar ao homem a liberdade de procurar o próprio pão. Nós, da Igreja, fizemos o contrário e dissemos ao homem: ‘Me dê sua liberdade que eu te dou o pão’ ”. Eu usei essa história no banco uma vez para dizer que você não deve nunca abrir mão da liberdade de procurar as próprias respostas. 

Fonte: Elisa Tozzi,  Exame. Publicado em 10 dez 2018, 15h00

Livro reúne histórias de mulheres do marketing

Livro Mulheres do Marketing

Capa do livro ‘Mulheres do Marketing’, da Editora Leader

O livro Mulheres do Marketing, que reúne 39 histórias de executivas por trás de decisões comerciais e de marca de empresas como Avon, Coca-Cola, Disney Brasil, Globosat e Nestlé, será lançado nesta quarta-feira, às 19h, na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi, em São Paulo. 

O projeto foi coordenado por Tatyane Luncah, fundadora e presidente da agência Grupo Projeto, e por Andréia Roma, fundadora da Editora Leader. A elaboração do livro teve ainda o apoio da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA).

Segundo Andréia, o projeto foi pensado para servir de inspiração para profissionais que estão dando os primeiros passos no setor de marketing. A editora, que trabalha há anos com autobiografias, afirma ter reunido 40 boas histórias de superação de desafios e de renúncias profissionais e pessoais que podem servir de ensinamento para estudantes de diferentes disciplinas do marketing.

Uma das histórias relatadas no livro é a de Sandra Martinelli, atual presidente executiva da ABA, que já foi diretora da agência de publicidade Ogilvy, do grupo WPP, e também teve passagens pelos departamentos de marketing dos bancos Unibanco e do Santander. 

Para Sandra, resiliência é qualidade fundamental para quem quer trabalhar em marketing. “Cheguei rapidamente, aos 26 anos, ao cargo de diretora da Ogilvy”, lembra Sandra. “Mas, antes disso, perdi a conta de quantas vezes dormi na gráfica para garantir que minhas peças impressas saíssem com as cores certas. Tinha até um cobertor separado para essas noites.”

O livro traz relatos sobre os desafios que a carreira em marketing pode impor à vida pessoal dos profissionais da área. Não são poucas as histórias de solidão, divórcio e adiamento da maternidade. “Acho que o livro mostra que a natureza não dá pulos. Ou seja: toda conquista exige um pouco de estrada, uma jornada a ser cumprida”, diz a executiva da ABA.

Participação feminina

Em um momento em que a discussão sobre a participação feminina na tomada de decisões está em alta, o marketing é um dos poucos segmentos em que as mulheres conseguiram uma posição mais equânime em cargos de chefia, na comparação com os homens.

Segundo a presidente executiva da ABA, esse foi um processo que se intensificou ao longo dos últimos anos. Sandra conta que, quando chegou à ABA, em 2014, a presença feminina entre conselheiros, gestores e diretores da entidade era de 20%. Agora, conta ela, 55% desses cargos são ocupados por mulheres. “A situação se inverteu. Acredito que o que acontece dentro da associação reflete bem o que ocorre hoje no mercado.”

Fonte: O Estado de S.Paulo,12 Dezembro 2018 | 05h00

Acaba de ser publicado novo número da Revista Inteligência Competitiva – out/dez 2018

Prezados (as) leitores (as),

A Revista Revista Inteligência Competitiva acaba de publicar seu mais recente número. Disponível aqui 

Convidamos a navegar no sumário da revista para acessar os artigos e outras informações de seu interesse.

Agradecemos seu interesse e apoio contínuo em nosso trabalho.

Prof.Dr.Alfredo Passos, Editor Chefe, Revista Inteligência Competitiva

v. 8, n. 4 (2018)

Sumário

Editorial

Editorial outubro a dezembro de 2018 PDF HTML
Alfredo Passos i-viii

Artigos

A PERCEPÇÃO DOS COLABORADORES DIANTE DA ESTRATÉGIA DE INCORPORAÇÃO NO SETOR BANCÁRIO: UM ESTUDO DE MULTICASOS PDF
Angélica Letícia de Souza Santos, Pedro Henrique Camargo de Abreu, Leonardo Augusto Amaral Terra 1-31
INTERAÇÃO DA SMART CITY COM O DESEMPENHO DA SUPPLY CHAIN MANAGEMENT PDF
César Ricardo Maia de Vasconcelos, Glauber Ruan Barbosa Pereira 32-49
Inteligência Competitiva: um estudo bibliométrico na base de dados ISI Web of Science de 1956 a 2016 PDF
Vera Lúcia Cruz, César Ricardo Maia Vasconcelos, Mayara dos Santos Silva 50-69
CARACTERISTICAS DOS GESTORES NO PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO ESTRATÉGICA EM ORGANIZAÇÕES: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA PDF
Leonardo Alves de Oliveira Casimiro, Sandra Mara Stocker Lago 70-88
Estudo de embalagens em localidades estratégicas de produtos com base em suco de tomates PDF
luciano augusto toledo, Felix Hugo Aguero Diaz Leon 89-103
MANUFATURA ENXUTA: METODOLOGIA A3, MAPEAMENTO DE FLUXO DE VALOR E KAIZEN VOLTADOS À MANUFATURA ENXUTA PDF
Bruno Barbieri, Zaida Cristiane dos Reis, Paula Patrícia Ganzer, Cassiane Chais, Vandoir Welchen, Juliana Matte, Pelayo Munhoz Olea 104-120
Impacto da Marca versus Impacto do Preço para a Decisão de Compra do Consumidor: Um Estudo Teórico Oriundo de uma Pesquisa Bibliométrica na Base de Dados Scopus PDF
Lucas Tartarotti, Deise Taiana de Ávila Dias, Deonir De Toni 121-140

Estudo de Caso

ALOCAÇÃO DE CUSTOS EM UM CENTRO DE DIAGNÓSTICO POR IMAGEM HOSPITALAR: ESTUDO DE CASO NA SOCIEDADE HOSPITALAR SÃO JOSÉ/RS PDF
Geovani Endrigo Klock, Diego Luís Bertollo, Maria Emília Camargo, Beatriz Salvador Bizotto 141-162



Leia nova edição da Revista Inteligência Competitiva: outubro – dezembro 2018

v. 8, n. 4 (2018)

Sumário

Editorial

Editorial outubro a dezembro de 2018 PDF HTML
Alfredo Passos i-viii

Artigos

A PERCEPÇÃO DOS COLABORADORES DIANTE DA ESTRATÉGIA DE INCORPORAÇÃO NO SETOR BANCÁRIO: UM ESTUDO DE MULTICASOS PDF
Angélica Letícia de Souza Santos, Pedro Henrique Camargo de Abreu, Leonardo Augusto Amaral Terra 1-31
INTERAÇÃO DA SMART CITY COM O DESEMPENHO DA SUPPLY CHAIN MANAGEMENT PDF
César Ricardo Maia de Vasconcelos, Glauber Ruan Barbosa Pereira 32-49
Inteligência Competitiva: um estudo bibliométrico na base de dados ISI Web of Science de 1956 a 2016 PDF
Vera Lúcia Cruz, César Ricardo Maia Vasconcelos, Mayara dos Santos Silva 50-69
CARACTERISTICAS DOS GESTORES NO PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO ESTRATÉGICA EM ORGANIZAÇÕES: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA PDF
Leonardo Alves de Oliveira Casimiro, Sandra Mara Stocker Lago 70-88
Estudo de embalagens em localidades estratégicas de produtos com base em suco de tomates PDF
luciano augusto toledo, Felix Hugo Aguero Diaz Leon 89-103
MANUFATURA ENXUTA: METODOLOGIA A3, MAPEAMENTO DE FLUXO DE VALOR E KAIZEN VOLTADOS À MANUFATURA ENXUTA PDF
Bruno Barbieri, Zaida Cristiane dos Reis, Paula Patrícia Ganzer, Cassiane Chais, Vandoir Welchen, Juliana Matte, Pelayo Munhoz Olea 104-120
Impacto da Marca versus Impacto do Preço para a Decisão de Compra do Consumidor: Um Estudo Teórico Oriundo de uma Pesquisa Bibliométrica na Base de Dados Scopus PDF
Lucas Tartarotti, Deise Taiana de Ávila Dias, Deonir De Toni 121-140

Estudo de Caso

ALOCAÇÃO DE CUSTOS EM UM CENTRO DE DIAGNÓSTICO POR IMAGEM HOSPITALAR: ESTUDO DE CASO NA SOCIEDADE HOSPITALAR SÃO JOSÉ/RS PDF
Geovani Endrigo Klock, Diego Luís Bertollo, Maria Emília Camargo, Beatriz Salvador Bizotto 141-162

Revista Inteligência Competitiva, o estado da arte em pesquisas sobre Inteligência no Brasil.