Natura anuncia compra da Avon

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Sede da Natura, em São Paulo: brasileira agora é dona da gigante Avon  Foto: CLAYTON DE SOUZA/ESTADÃO

A brasileira Natura anunciou nesta quarta-feira, 22, a compra da Avon, em uma operação de troca de ações. Segundo a companhia, o negócio vai criar o quarto maior grupo de cosméticos do mundo. O acordo traz uma quarta marca para a holding da Natura, que já controla a própria Natura, a britânica The Body Shop e a australiana Aesop. 

O mercado financeiro reagiu bem ao negócio. As ações da Natura fecharam o dia em alta de 9,43%, cotadas a R$ 61,50, após a brasileira admitir pela manhã que o acordo com a Avon estava prestes a ser fechado.

Fonte: Fernando Scheller, O Estado de S. Paulo, 22 de maio de 2019 | 17h50

Setorial Aeroespaço e Defesa: 2010 – 2018

A coletânea BNDES Setorial Aeroespaço e Defesa (A&D); reúne 23 artigos sobre o setor publicados entre 2010 e 2018. Os estudos foram agrupados em quatro seções temáticas: análises de mercado, necessidades e meios de financiamento, contribuições do BNDES, e panoramas e projeções

A publicação, disponível em versão digital, oferece um amplo panorama do setor de A & D no Brasil e no mundo, além abordar como se dá o apoio do Banco ao setor.  

Fonte: BNDES, link para publicação.

Lançamento da Aliança Global de Plataformas de Comunicação Científica em Acesso Aberto para democratizar o conhecimento

Encontro de Plataformas de Acesso Aberto na sessão intitulada “Acesso à Informação Científica – Estamos prontos para o Sul Global e os ODS?” no Fórum WSIS 2019

Nas Sociedades do Conhecimento Inclusivas, as pessoas têm acesso imediato aos recursos de informação e comunicação, em idiomas e formatos que lhes convêm e elas possuem as habilidades para interpretá-las e utilizá-las.

Neste contexto, a promoção do acesso à pesquisa científica (no sentido mais amplo) continua a ser um desafio central para a maioria dos Estados-Membros. A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), com seus parceiros, continua a buscar este objetivo por meio de seus programas sobre Ciência Aberta e Acesso Aberto, bem como em parceria com outros atores-chave.

Em uma sessão organizada pela Unesco em 8 de abril no Fórum WSIS 2019 em Genebra, os coordenadores de seis plataformas – AmeliCA, AJOL (African Journals Online), Érudit, J-STAGE (Japan Science and Technology Information Aggregator, Electronic), OpenEdition e a Rede SciELO acordaram em unir esforços para democratizar o conhecimento científico  seguindo uma abordagem multicultural, multitemática e multilíngue.

A Aliança Global de Plataformas de Comunicação Científica em Acesso Aberto(Global Alliance of Open Access Scholarly Communication Platforms – GLOALL) foi lançada com o reconhecimento do princípio de que o conhecimento científico e acadêmico é um bem público global essencial para a consecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

A sessão abordou diretamente a linha de ação C3 da WSIS (World Summit on the Information Society) sobre Acesso à Informação e Conhecimento e a linha de ação C7 sobre e-Ciência.

Além de promover a democratização do conhecimento gerado em TODOS os lugares, temas e idiomas, a GLOALL transmite uma visão que promove o desenvolvimento de padrões, produtos e serviços de comunicação científica multilíngues. A aliança busca aprimorar a interoperabilidade operacional e subjetiva, a fim de fortalecer o envolvimento com a pesquisa em todo o mundo.

Abel Packer, do SciELO Brasil, compartilhou sua visão mais ampla da aliança como “um espaço informal onde convergimos para aprender mais do que ensinamos”. Ele imagina que a aliança teria três funções: “Primeiro, defender o Acesso Aberto. Segundo, de que forma poderíamos desenvolver metodologias, ferramentas, serviços e soluções para plataformas. Terceiro, desenvolver conjuntamente mecanismos, ferramentas e políticas para dar visibilidade à pesquisa.”

Links externos

African Journals Online (AJOL) <https://www.ajol.info/>

AmeliCA <http://www.amelica.org/>

Érudit <https://www.erudit.org/>

J-STAGE <https://www.jstage.jst.go.jp/>

OpenEdition <https://www.openedition.org/>

UNESCO <http://www.unesco.org/>

Fonte: Scielo. SCIENTIFIC ELECTRONIC LIBRARY ONLINE. Lançamento da Aliança Global de Plataformas de Comunicação Científica em Acesso Aberto para democratizar o conhecimento [Publicado originalmente no site da UNESCO em abril/2019] [online]. SciELO em Perspectiva, 2019 [viewed 22 May 2019]. Available from: https://blog.scielo.org/blog/2019/04/23/lancamento-da-alianca-global-de-plataformas-de-comunicacao-cientifica-em-acesso-aberto-para-democratizar-o-conhecimento-publicado-originalmente-no-site-da-unesco-em-abril-2019/

Desemprego cresce em São Paulo e mais 13 Estados no 1º trimestre, aponta IBGE

Santa Catarina (7,2%), Rio Grande do Sul (8,0%), Paraná e Rondônia (ambos com 8,9%) tiveram as menores taxas; os piores resultados foram registrados no Amapá (20,2%), Bahia (18,3%) e Acre (18,0%)

A taxa de desocupação no Estado de São Paulo subiu de 12,4% no quarto trimestre de 2018 para 13,5% no primeiro trimestre deste ano, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados na manhã desta quinta-feira, 16, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No primeiro trimestre de 2018, a taxa de desemprego em São Paulo estava em 14,0%. A taxa de desocupação no total do País no primeiro trimestre de 2019 foi de 12,7%, ante 13,1% no primeiro trimestre de 2018, como já havia divulgado o IBGE no fim de abril. No quarto trimestre do ano passado, a taxa de desocupação era de 11,6%.

Na passagem do quarto trimestre de 2018 para o primeiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego subiu de forma estatisticamente significativa em 14 das 27 unidades da federação.

As maiores taxas de desemprego foram registradas no Amapá (20,2%), na Bahia (18,3%) e no Acre (18,0%). No Rio, a taxa de desemprego ficou em 15,3% e, em Minas Gerais, em 11,2%.

As menores taxas foram observadas em em Santa Catarina (7,2%), Rio Grande do Sul (8,0%) e Paraná e Rondônia (ambos com 8,9%).

Longa procura por trabalho

Um quarto dos 13,387 milhões de brasileiros desempregados no primeiro trimestre estão há dois anos ou mais em busca de trabalho, segundo a Pnad Contínua.

Do total de desempregados no primeiro trimestre, 24,8%, ou 3,319 milhões de pessoas, estão nessa condição há dois anos ou mais. Outros 6,074 milhões de trabalhadores estão desempregados de um mês a menos de um ano, o equivalente a 45,4% do total de desempregados, enquanto 2,108 milhões (15,7%) buscam trabalho há menos de um mês e 1,886 milhão (14,1% do total) o fazem há de um ano a menos de dois anos.

Fonte: Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo, 16 de maio de 2019 | 09h11

Sinais de mercado: País em marcha lenta faz lucro das empresas diminuir 5,7% no 1º trimestre

Bolsa de Valores
Além dos reflexos da crise e da demora na aprovação de reformas, o cenário internacional não tem ajudado. Foto: WERTHER SANTANA/ESTADÃO

A paralisia da economia afetou a rentabilidade das empresas listadas em Bolsa no primeiro trimestre. Levantamento feito pela consultoria Economática mostra que o lucro líquido de 231 companhias abertas totalizou R$ 20 bilhões, queda de 5,74% sobre janeiro a março de 2018. Os dados, que têm como base os balanços entregues até as 18h de quarta-feira, 15, excluem os bancos, a Vale, a Petrobrás e a Oi, por distorcerem os resultados.

“Criou-se uma expectativa grande no mercado financeiro de que a economia do País iria se recuperar com a troca de governo”, diz Istvan Kasnar, professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ebape). “Essa retomada não se concretizou nos primeiros cem dias e ainda há incertezas para os próximos meses. A queda da rentabilidade das empresas refletiu, em boa parte, essa frustração de expectativas.”

Ainda que o faturamento das empresas tenha crescido nos últimos meses, boa parte das companhias de capital aberto teve suas margens de lucro afetadas por aumento de custos represados anteriormente, afirmou Roberto Padovani, economista-chefe do Banco Votorantim. Para ele, as empresas ainda vão demorar a atingir os patamares pré-crise, de 2014. “Houve recuperação entre 2017 e 2018, mas boa parte das companhias ainda é afetada pelos choques de custos, como energia e efeitos cambiais, por exemplo”, diz.

Com uma das energias mais caras do mundo, a indústria tenta levar adiante a pauta da redução de preços no governo. O plano do “choque de energia barata”, anunciado pelo governo em março, que previa a redução em 50% no custo do gás natural, ainda não saiu do papel.

Além dos reflexos da crise que se estendem desde 2014, e da demora na aprovação de reformas estruturais, que causaram impacto na confiança de consumidores e investidores, o cenário internacional não tem ajudado.

A crise argentina, por exemplo, derrubou o saldo comercial brasileiro no primeiro quadrimestre. Segundo o Indicador de Comércio Exterior (Icomex), da FGV, a balança comercial com a Argentina passou de superavitária para deficitária em US$ 3,1 bilhões.

A Volkswagen, por exemplo, colocou em férias coletivas os funcionários das fábricas de São Bernardo do Campo e Taubaté (SP). O motivo foi a queda no consumo da Argentina, seu principal destino de exportações. Apesar de a montadora não ter capital aberto no País, a iniciativa afeta fornecedores, como siderúrgicas e autopeças.

Já a crise entre EUA e China derrubou o comércio internacional, avaliam os economistas. Segundo estimativa da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a perda potencial do País com a disputa é de cerca de US$ 30 bilhões.

Fonte: Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo, 16 de maio de 2019 | 05h46

Sinais de mercado: Amazon lança máquinas que embalam pedidos e substituem funcionários

A Amazon pretende instalar duas máquinas em dezenas de armazéns
A Amazon pretende instalar duas máquinas em dezenas de armazéns

Amazon está implementando máquinas para automatizar um trabalho mantido por milhares de trabalhadores: encaixotar pedidos de clientes. Essas instalações normalmente empregam mais de duas mil pessoas – a automação do trabalho resultaria em um corte de mais de 1,3 mil funcionários da empresa. Com a mudança, a Amazon pretende gastar US$ 1 milhão por máquina, mais as despesas operacionais.

“Estamos testando essa nova tecnologia com o objetivo de aumentar a segurança, acelerar os prazos de entrega e adicionar eficiência em toda a nossa rede”, disse uma porta-voz da Amazon em comunicado. “Esperamos que a economia de eficiência seja reinvestida em novos serviços para os clientes, onde novos empregos continuarão a ser criados.”

A tecnologia escaneia mercadorias que chegam por uma esteira e as embala segundos depois em caixas personalizadas para cada item, disseram à agência de notícias Reuters duas pessoas envolvidas no projeto. A ideia da Amazon é instalar duas máquinas em dezenas de armazéns, removendo pelo menos 24 funções em cada local. 

A empresa espera recuperar os custos da automação em menos de dois anos. As mudanças não foram concluídas ainda porque a verificação da tecnologia antes de uma implementação importante pode levar muito tempo.

O plano mostra como a Amazon está tentando reduzir mão-de-obra e aumentar lucros, já que a automação da tarefa mais comum do armazém – que é pegar um item – ainda está fora do seu alcance. A Amazon é famosa por sua iniciativa de automatizar o maior número possível do seu negócio, seja no preço de mercadorias ou no transporte de itens em seus depósitos. Mas a empresa está em uma posição precária ao considerar a substituição de empregos que lhe renderam subsídios e boa vontade pública.

Fonte: Agências – Reuters/Estadão, 13/5/2019

Em um país com desemprego de 13%, sobram vagas na área de tecnologia

Para encontrar um profissional para seu time de desenvolvedores, a fintech Warren, de Porto Alegre, foi longe: após meses de procura, contratou um funcionário que trabalha de casa, em Sinop, polo do agronegócio de Mato Grosso, a 3 mil km de distância.

O caso ilustra como o setor de tecnologia se descolou da realidade do mercado de trabalho brasileiro. Em um país de 13,4 milhões de desempregados, ou 12,7% da força de trabalho, o segmento tem no momento 5 mil vagas abertas apenas em startups (empresas nascentes).

Considerado todo o ecossistema de tecnologia, as companhias poderiam abrir até 70 mil novas vagas em 2019 – meta que deve ficar longe de ser cumprida por falta de mão de obra capacitada. 

abertura de empregos no setor é turbinada por várias frentes. Uma delas é a criação de novas empresas de tecnologia. Segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups), apenas entre janeiro e abril deste ano, nada menos que 2 mil empresas foram fundadas nesse setor. Até dezembro, mais 3 mil podem começar a operar. Do lado dos negócios mais maduros, aponta a Brasscom, que reúne companhias de tecnologia da informação, a demanda de transformação digital em diversos negócios pode garantir que a receita do setor dobre até 2024, somando R$ 200 bilhões. Para chegar a essa cifra, as companhias vão precisar de 420 mil trabalhadores até 2024, segundo o presidente executivo da associação, Sérgio Paulo Gallindo. 

Mas, se há tanta gente procurando emprego, como se explica a dificuldade de unir trabalhadores ávidos por oportunidades às vagas disponíveis? Embora a demanda por profissionais de tecnologia deva ficar em torno de 70 mil pessoas ao ano entre 2019 e 2024, Gallindo explica que as universidade só formam 45 mil profissionais em áreas ligadas a TI por ano. “Desse total, a metade está em cursos como análise e desenvolvimento de sistemas, que estão defasados em relação ao que o mercado exige hoje”, diz. Ou seja: só um quarto da necessidade de profissionais da área é suprida pelo canal tradicional, que são as universidades.

Como a escassez não será resolvida facilmente, empresas e entidades de classe tentam remendar o problema, relaxando critérios para a contratação, pelo menos no que diz respeito à formação universitária. “As empresas estão contratando pessoas que não são formadas em TI e dando um ‘banho de loja’ (treinamento intensivo)”, diz Amure Pinho, presidente da Abstartups. A gaúcha Warren, que foi até Sinop para encontrar um programador, já se adaptou aos novos tempos: “A pessoa formada em Ciência da Computação é ideal, mas temos programadores formados em Direito”, afirma André Gusmão, cofundador da empresa.

Fontes: Fernando Scheller, Mônica Scaramuzzo, O Estado de S. Paulo, 05 de maio de 2019 | 05h00

Sinais de mercado: plataformas de streaming brasileiras apostam na segmentação

Mapear filmes antigos ou raros, incentivar a produção independente ou facilitar acesso a subgêneros específicos do cinema – são diversos os objetivos de novas plataformas de streaming que se assemelham à Netflix, mas oferecem produtos completamente diferentes.

No Brasil, a tendência também começa a tomar forma: ao menos três grandes plataformas criadas por aqui já estão de pé.

A Marca do Zorro
‘A Marca do Zorro’ (1920), de Fred Niblo e Theodore Rigo, é um dos títulos do catálogo da Oldflix Foto: United Artists/Divulgação

Lançada em 2016, a Oldflix é uma iniciativa brasileira – mais especificamente, do Rio Grande do Norte. Com mensalidades de R$ 12,90, a plataforma oferece um acervo de clássicos ‘retrô’ da TV e do cinema, como A Marca do Zorro, Jornada nas Estrelas e King Kong. À exemplo da Netflix, todo o conteúdo é transmitido por streaming, e pode ser assistido em qualquer aparelho conectado à internet e compatível com a plataforma. 

Com proposta mais comercial, a Looke, que debutou em 2015, também funciona a partir de streaming de filmes e séries por demanda. Na plataforma, é possível fazer uma assinatura mensal por valores que vão de R$ 16,90 a R$ 25,90, e alugar ou comprar títulos específicos, a partir de R$1,89 e R$14,90, respectivamente. O catálogo é amplo: vai de Tubarão a conteúdos do Sesc TV, incluindo produtos destinados ao público infantil.

Com lançamento previsto para esta sexta-feira,17, a Darkflix, do empresário Ernani Silva, quer atrair um segmento de público bastante específico: apaixonados por terror e ficção científica, principalmente por clássicos. No catálogo, estarão títulos como Poltergeist – O Legado, A Dama Oculta e Amazing Stories. “Sempre trabalhei com material segmentado, desde a época de distribuição de home vídeo em VHS”, conta o empresário. Após lançar uma revista voltada aos gêneros de horror e ficção científica, Ernani passou a trabalhar apenas com essa segmentação.

Foi uma crise que trouxe a gênese da plataforma. “Todo mundo acreditou que o mercado do DVD ia migrar para o Blu-Ray, mas isso não aconteceu”, conta Ernani. “Tentei montar um canal de TV segmentado, a cabo, mas era muito complicado.” 

Agora, frente ao serviço de streaming, Ernani tem um projeto ambicioso. Além dos filmes disponíveis na plataforma, a Darkflix contará, também, com um canal de TV 24 horas, gratuito. E vai além: quadrinhos do gênero também ganharão espaço na plataforma.

Os desafios são inúmeros: transmitir filmes antigos com qualidade, licenciar filmes nacionais e estrangeiros e chegar ao autossustento da plataforma são alguns deles. 

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Cena da série ‘Poltergeist – O Legado’, dos anos 1990 Foto: Darkflix/Divulgação

De olho em públicos específicos, serviços de streaming precisam ter cuidado especial com a curadoria, afirma Ernani. “Minha preocupação é ter um diferencial, deixar o cliente surpreso”, conta. Para isso, a plataforma investe em ainda mais segmentação: “Descobrimos quase 80 categorias dentro da categoria do fantástico. A ideia é que, em algum momento, um cliente que goste de filmes de alienígenas, por exemplo, consiga especificar ainda mais o seu gosto, e encontrar nichos próprios dentro dessa categoria”, diz. 
Fonte: Thaís Ferraz, Especial para O Estado, 12 de maio de 2019 | 15h35

Sinais de mercado: imóvel em São Paulo perde 10 metros quadrados nos últimos dez anos

O engenheiro Rodney Schiavon em seu apartamento de 35 metros quadrados na Bela Vista. Foto: JF Diorio/Estadão

O engenheiro civil Rodney Schiavon adquiriu um estúdio de 35 m² na região da Bela Vista, após mais de seis anos morando de aluguel. Segundo ele, a escolha do imóvel e da localização foi estratégica. “Eu queria um apartamento cujo preço estivesse adequado à minha realidade financeira. Além disso, vou para o trabalho a pé em 15 minutos.”

Exemplos como o de Rodney reforçam a mudança que o estilo de morar vem sofrendo nos últimos anos. A busca por apartamentos cujo preço cabe no bolso – mesmo com tamanho reduzido, porém bem localizados – levou construtoras a investirem em empreendimentos com unidades de metragens cada vez menores. Em 2008, segundo estudo do Secovi (Sindicato da Habitação), a área útil mínima de um apartamentode um dormitório em São Paulo era de 28,12 m². Hoje, é em média de 17,66 m².

Segundo Arthur Igreja, professor da FGV-RJ e especialista em inovação, a crise econômica foi um dos principais fatores que levaram ao encolhimento dos imóveis. “As pessoas não conseguiam mais comprar apartamentos amplos com a redução da renda e o preço deles corrigidos acima da inflação. Acabaram optando por apartamentos menores, porém tiveram a oportunidade de morar em bairros mais bem localizados sob o ponto de vista da mobilidade.”

Soma-se a isso, segundo Lucas Araújo, superintendente de marketing da construtora Trisul, o aumento do preço dos terrenos e dos materiais de construção. Araújo conta que, há dez anos, predominavam apartamentos menores em regiões comerciais como Paulista e Berrini. “Havia grande oferta de flats e hotéis. E alguns estúdios.” Hoje, estão espalhados por vários bairros da cidade, como Pinheiros, Vila Mariana, Higienópolis, Santa Cecília, Paraíso, Pompeia, Campo Belo, Cerqueira César, Perdizes e Moema.

“Nós levamos em conta a estrutura em volta do terreno antes de fazer a construção do empreendimento. As pessoas querem ter a vida em torno de sua moradia”, explica Davi Rubinsohn, diretor estatutário e sócio da construtora You, focada em imóveis para esse segmento.

Na Grande São Paulo também já existem alguns movimentos nesse sentido. A construtora Danpris está apostando em apartamentos com metragens entre 30 m² e 42 m² em locais como Osasco, Barueri e Carapicuíba. “Procuramos locais que privilegiem o acesso fácil às estações de trem, escolas, hospitais e comércio para facilitar a vida do morador”, afirma Dante Seferian, CEO da empresa.

Extensão da casa

O perfil de pessoas que habitam os apartamentos com metragem reduzida é variado. Envolve estudantes, executivos, divorciadas, casais de aposentados e também investidores, pois são unidades com boa liquidez. “Nos prédios feitos pela MAC para esse mercado, entre 12% e 18% das unidades são ocupadas por casais que preferem morar em locais menores após os filhos terem saído de casa”, enfatiza Ricardo Pajero, gerente comercial.

A aposentada Izabel Arieta e o engenheiro Roberto Arieta decidiram comprar um apartamento de 20 m² na região central da cidade, após anos de sufoco. “Nós morávamos na Penha e eu demorava duas horas para chegar na empresa de carro. E de metrô eu mal conseguia entrar no vagão no horário de pico.” Logo nos primeiros dias do novo imóvel, os ganhos já foram sentidos. Roberto agora leva 20 minutos a pé para ir ao trabalho. “Ainda consigo chegar a tempo de ir à academia do prédio”, diz. E Izabel está aproveitando para conhecer o centro da cidade.

Para contrabalancear os espaços internos reduzidos dos apartamentos, as construtoras apostam nas áreas comuns como extensões das unidades. Os condôminos podem usufruir de lounge, lavanderia, cozinha gourmet, coworking e até espaço para armazenar alimentos e para compartilhar utensílios. “O objetivo é não deixar faltar nada no dia a dia desse cliente”, destaca Piero Sevilla, diretor de incorporação da Cyrela. Na visão de Marcelo Dzik, diretor comercial e de clientes da Even, os ambientes permitem que o morador conviva fora da unidade.

Para os entrevistados, empreendimentos com esse perfil é um caminho sem volta. “Apesar de uma retomada tímida da economia, o Brasil só vai voltar a crescer de fato daqui a alguns anos. Enquanto isso, o brasileiro vai continuar com a renda mais enxuta, investindo em imóveis menores”, analisa o professor Arthur Igreja.

Lançamentos pequenos

You
Bairro: Pinheiros (a partir de 25 m²)

Trisul
Bairro: Vila Mariana (a partir de 27 m²)

MAC
Bairro: São Judas (a partir de 25,6 m²)

TPA
Bairro: Centro (a partir de 19,7 m²)

Even
Bairro: Bela Vista (a partir de 23 m²)

Cyrela
Bairro: Ibirapuera e Centro (a partir de 27 m²)

Fonte: Júlia Zillig, 12 de maio de 2019 | 06h10, especial para o Estado de S.Paulo