Inteligência Competitiva é…

Mitos sempre tiveram lugar na cultura dos povos. Quem nunca se divertiu com as travessuras do Saci Pererê, no percurso obrigatório de Monteiro Lobato?

O problema é quando a fantasia ultrapassa as portas da realidade e uma atividade digna, ética e racional como os serviços de inteligência das empresas acaba se confundindo com as aventuras rocambolescas das novelas policiais.

Assim como na tradição popular, geralmente, uma lâmpada é o bastante para transformar um monstro terrível numa realidade palpável, racional e, no caso presente, extremamente rentável.

Esta deve ter sido a primeira intenção dos profissionais que resolveram somar as suas experiências na elaboração deste compêndio que você tem nas mãos.

Provavelmente a necessidade de esclarecimento sobre Inteligência Competitiva, foi tomando a forma de um mapa dessa disciplina, atualizada em encontros regulares mantidos, ao longo dos últimos anos, entre profissionais de várias partes do mundo, igualmente vistos como arapongas, sherloks e outros apelidos pouco lisonjeiros.

Pessoas que, na percepção da maioria, só conhecem através de teleobjetivas e trocam informações por meio de envelopes deixados em bancos de locais públicos.

O fato é que as características, objetivos e forma de operação da inteligência competitiva são pouco conhecidas pelas próprias corporações que dela se utilizam e menos ainda pelos gestores que querem levar o país a um novo patamar da economia global, seja no plano de suas competências naturais, como o agro-negócio, a manufatura e a produção cultural, seja no das oportunidades que ainda o aguardam, como os serviços off shore (inclusive na área de tecnologia).

Afinal, o que é Inteligência Competitiva? 

Uma das atribuições da inteligência competitiva neste post claramente definida como um processo ético, sistemático e analítico (e mensurável) é justamente, separar o verdadeiro do falso, o preconceito da ideia e a informação do boato, combinando esses ingredientes com os fundamentos da economia, uma visão de conjuntura e a boa percepção de tendências, para transformar ameaças em oportunidades, minimizar riscos ou maximizar investimentos.

Para somar valor às empresas, a inteligência competitiva deve ser encarada como um processo contínuo e não como surtos.

Também não deve ser confundida com os sistemas, chamados de business intelligence e que se traduz por um pacote de soluções que pode até ser encarado como uma ferramenta pela área de inteligência da empresa.

É, portando, a associação de elementos diversos que geralmente incluem até informações convencionais das próprias empresas, como mapas de vendas, planilhas de custos etc e acima de tudo, as análises dessa massa de informações reconhecidas como relevantes pelo sistema de inteligência da organização que vão determinar o papel tático ou estratégico de uma análise ou recomendação colocada a serviço do tomador de decisão.

A ele, nesse momento, caberá julgar se a informação será ou não capaz de produzir os resultados esperados.

Esta é, aliás, a sugestão que eu apresento a você, leitor, que encara este post como uma primeira aventura ou àquele que vem em busca dos diferentes prismas de uma atividade até certo ponto mitológica no mundo corporativo: despir-se dos preconceitos e buscar extrair desta expedição as lições que vão ajudá-lo a empregar melhor a inteligência competitiva no seu dia-a-dia.

Ou, quem sabe, confundir-se nessa paisagem, que lhe parecerá cada vez mais lógica e complexa, ainda que indispensável ao mundo dos negócios com o qual nem o Saci Pererê, nem James Bond jamais sonharam.

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4 hábitos de pessoas que sempre aprendem novas habilidades

Trabalhando com o aprendizado online, descobri que todo final de ano há uma explosão no número de inscrições de funcionários em busca de aprender novas habilidades. Talvez seja por causa das resoluções de ano novo ou uma reação ao ver seus amigos e colegas, todo início de ano, fazer grandes mudanças na carreira.

Infelizmente, com demasiada frequência, esse compromisso inicial com o aprendizado desaparece. Estudos descobriram que 40% a 80% dos alunos abandonam as aulas online.

Quem desiste sai perdendo. Em uma pesquisa com mais de 50 mil alunos que completaram MOOCs (sigla em inglês para Curso Online Aberto e Massivo) no Coursera, 72% relataram benefícios de carreira, como fazer seu trabalho atual de forma mais eficaz, encontrar um novo emprego ou receber um aumento.

Tendo trabalhado em RH em um grande banco e em consultoria de RH estratégica, vi os efeitos do aprendizado e do desenvolvimento na mobilidade de carreira — e o que leva as pessoas a deixá-lo de lado. Com o tempo, trabalhando com usuários e com especialistas em aprendizado, descobri que quatro hábitos cruciais podem fazer uma tremenda diferença.

Foque as habilidades emergentes. Com tantas opções de aprendizado disponíveis atualmente, muitas vezes, as pessoas se deixam levar pela tentação de ir ao Google, digitar alguns termos gerais de pesquisa e começar um dos primeiros cursos que aparecem. Isso é uma perda de tempo.

Os requisitos de trabalho estão evoluindo rapidamente. Para garantir que seja relevante, você precisa se concentrar em aprender as mais recentes habilidades emergentes. Você pode fazer isso de duas maneiras.

Primeiro, acompanhe quais habilidades os líderes do seu setor estão procurando. Veja os recentes anúncios de emprego das principais empresas e veja quais qualificações aparecem repetidamente. Em segundo lugar, procure as pessoas em sua rede de contato ou no LinkedIn que tenha o emprego que você deseja. Se você quiser saber quais habilidades e tecnologias de vendas estão se destacando, converse com alguns vendedores de alto nível. Pergunte a eles o que precisam aprender para ter sucesso em seu trabalho e quais habilidades eles acham que alguém precisa adquirir para se tornar um candidato viável.

Talvez você não se sinta à vontade para pedir ajuda. Mas descobri que, na maioria das vezes, as pessoas ficam felizes em compartilhar essas informações. Elas querem, cada vez mais, que candidatos capazes e antenados com as tendências preencham as vagas.

À medida que você percebe quais habilidades deve aprender, pergunte a esses especialistas se eles podem recomendar cursos online específicos com valor prático. Também olhe com cuidado as descrições dos cursos para encontrar conteúdo que será útil no trabalho, em vez de fornecer, principalmente, insights acadêmicos. Por exemplo, você pode procurar instrutores que sejam especialistas em seu setor ou conteúdo criado em conjunto com empresas que você admira.

Fique sincronizado. Hoje me dia, o micro-aprendizado — o uso de ferramentas de aprendizado online onde e quando for conveniente — ocupa um espaço muito maior da área de treinamento e desenvolvimento. Isso tem seus benefícios, incluindo liberdade, conveniência e conteúdo fácil de digerir.

Mas também há uma desvantagem. Essas experiências assíncronas geralmente são solitárias. E sem pelo menos alguma interação em tempo real, seja pessoalmente ou online, muitos alunos perdem a motivação. Pesquisadores descobriram que “o senso de isolamento” de alguns aprendizes online “pode fazer a diferença entre um ambiente de aprendizado online bem-sucedido e um malsucedido”. Eles se beneficiariam de mais experiências síncronas. Outros também identificaram interação e colaboração como fatores críticos na aprendizagem frutífera.

Em meu trabalho, percebi consistentemente que, quando os alunos online inscrevem-se em um curso ao vivo, no qual interagem com um professor e entre si em um horário determinado pelo menos uma vez por semana, permanecem por mais tempo e aprendem mais. Muitas vezes, esses tipos de programas oferecem material de estudo individual. Mas a camaradagem pode servir como um grande motivador, assim como o desejo de não ficar atrás do grupo.

Quando não há um curso ao vivo disponível, incentivo os alunos a encontrar uma “corte síncrona” — um amigo ou conhecido com objetivos de aprendizado semelhantes. Faça um pacto para estudar juntos online semanalmente. Vocês podem aprender muito ouvindo as dúvidas um do outro e explicando as coisas um ao outro à medida em que vocês avançam, já que o ato de ensinar pode melhorar a a compreensão, a memória e a aplicação do conteúdo.

Aplique o aprendizado imediatamente. Pesquisas mostram que executar as tarefas que você aprendeu é crucial, porque “a prática aprimora a memória, servindo como uma estratégia de codificação elaborada”.

Isso é parte do problema que muitos engenheiros enfrentam ao procurar empregos quando saem da faculdade: ficaram presos no “território da teoria”, com pouca experiência prática para usar o que aprenderam. O mesmo problema acontece com o aprendizado online. Por exemplo, posso passar semanas assistindo a vídeos sobre como configurar um sistema de computação distribuído. Mas se eu não for ao Amazon Web Services e implantá-lo — rapidamente — vou esquecer muito do que aprendi.

Então, em qualquer área de estudo, encontre oportunidades de usar suas novas habilidades. (Além de aumentar a “aderência”, isso também lhe dá a chance de descobrir desafios imprevistos.) Dependendo da habilidade, você pode participar de um projeto colaborativo no trabalho, por exemplo, ou criar seu próprio projeto em pequena escala na sua casa. Ou você pode encontrar uma simulação online semelhante à experiência real.

Defina um benchmark fundamental. Assim como os corredores de uma maratona, os alunos onlineprecisam ter um objetivo claro para se manterem focados. Um retorno sobre o investimento (em termos de tempo e dinheiro gastos) é difícil de avaliar no curto prazo. Mas aqueles que perseveram geralmente estão de olho em um prêmio maior — um novo emprego, uma promoção ou a chance de liderar um projeto. Encorajo as pessoas a determinar um objetivo de carreira específico e mantê-lo em mente enquanto aprendem.

Claro, esse benchmark vai mudar conforme você se desenvolve. A aprendizagem é um processo de longa duração. Depois de atingir um grande objetivo, concentre-se no próximo. É assim que você faz do aprendizado parte de sua rotina normal. Quanto mais você fizer isso, menor a probabilidade de você parar.
Mike Kehoe é co-fundador do BitTiger. Ele foi consultor da Deloitte e analista de RH do Citibank.

Publicado na Harvard Business Review Brasil em 20 de Abril de 2018

Facebook Interruptus

Exposed

In Exposed: Desire and Disobedience in the Digital Age, Bernard Harcourt assays the deeply troubling implications of pervasive surveillance in our age of lives lived online, and the degree to which we willingly trade our privacy for the fleeting rewards of digital affirmation. To Harcourt, a professor of law and political science at Columbia University and the author most recently of The Counterrevolution: How Our Government Went to War Against Its Own Citizens, Facebook founder Mark Zuckerberg’s appearance before Congress last week was a pageant that will do nothing to address the perilous dynamic of our society of exposure. Meaningful reform will come only when we recognize the libidinal allure of today’s digital platforms, as Harcourt explains below.

The Facebook hearings last week were quite the spectacle. Mark Zuckerberg deftly deflected his inquisitors and misled them, while share price rose 4.5% in a single day. Senators and representatives postured for their constituents and got free prime-time media exposure. Privacy experts crowed and gloated that they had always been right, but unfairly ignored. The media and the Internet harvested abundant costless content. And social media lit up, abuzz. Between the schadenfreude and the glee, and the plain-old gawking and goggling, everybody seemed to pleasure themselves. It was win-win—except, perhaps, for the ordinary digital subjects who were left high and dry: pleasantly entertained, but totally exposed.

In the end, the Facebook hearings were nothing more than another tantalizing but anxious digital distraction. The greatest paradox, perhaps, is how much personal data and digital exhaust we all emitted and how many digital traces we shed watching Zuckerberg and simultaneously fretting over our privacy.

If anything, the Facebook hearings confirm the dreadful bind in which we find ourselves: social media and the Internet companies have us all in the palms of their hands because the digital experience itself is so seductive, consuming, and self-gratifying. Their Faustian business model works because their platforms tap directly into our pleasure centers and trigger deep reward circuits. Seeing our selfies online, tracking our likes and shares, counting our followers and retweets—these stimuli are almost more reinforcing than food or sex. We find ourselves going from one digital platform or device to another, swiping and clicking, pressing the levers like a rat in Skinner’s box, desperately seeking more stimulus and gratification.

And unless and until we come to grips with the place of desire and of our libidinal and at times narcissistic urges in relation to these new digital technologies, we won’t make any progress, we won’t get anywhere. Yes, the #DropFacebook campaign just gained Susan Sarandon and Apple co-founder Steve Wozniak. But the vast majority of the users of Facebook—as well as Instagram, Twitter, YouTube, etc.—will stay put because these platforms satisfy their desires, provide the gratification, and remain the easiest way to enjoy social relations today, even when they do make us anxious about our privacy.

The fact is, power circulates differently in the digital age, and the social media powerhouses have tapped deep into our pleasure centers and egos. The dark analogies to George Orwell’s 1984 or to Foucault’s “panopticon” just do not capture the present moment, nor will they alone stop us from sharing and liking.

Today, we are no longer being coerced to give up our privacy, as Winston and Julia were by Big Brother. We are no longer confined to a panoptic cell, naked before the all-seeing guard tower. There is no telescreen forcibly anchored into our apartment walls. Instead, today we share our personal information jubilantly, out of love and desire, and for self-affirmation. We post selfies on Instagram, status updates on Facebook, screeds on Twitter. We invite Echo into our homes. We build personal websites open to all. And it feels so good, it’s so pleasurable, that even when we are warned about how much of our private information the social media and Internet companies have, we cringe but go on.

We are lustful and hooked on projecting ourselves onto the public screen. Even when we resist and try to tame that lust, it becomes obvious, so utterly obvious that it is practically impossible to live an active life today without shedding our data and leaving traces everywhere. Searching the web, buying online, finding directions—the truth is, we are exposed even when we try to resist. Yes, you can start the search on DuckDuckGo, but pretty soon you’ll be on another site that installs cookies and culls your data, or you are inputting personal information into another service provider without any way to avoid it. There are, to be sure, ways to protect yourself, but you need the time, expertise, and resources to buy your server or learn TOR (as if that were safe!). And most of us are already so distracted and stimulated by the next ping, alert, popup, or notification that we’ve already forgotten what the problem was and ignore the greatest risk.

That risk is not just Big Brother or Foucaultian discipline, but the larger mode of governing that all the collected data feed into: the NSA surveillance that enables total information awareness as the first prong of a counterinsurgency warfare paradigm of governing our own citizens. We are so distracted by our digital screens and by the “attention merchants”—and now by a presidential Reality-TV management style that produces early morning Twitter screeds and daily TV episodes—that we cannot even see the new danger we face, our new form of governing through fictitious internal enemies.

Facebook’s business model works because we thrive on it. We love to see ourselves projected onto the screen. We like to be liked. We want to be shared. We thrive on that attention.

And now that we are locked into this digital pleasure circuit, there won’t likely be a way out, in terms of our privacy—or the privacy of the vast majority of us—unless and until we find a template that pleases us more. That is more gratifying. There will not be the political will, even less the political space, to address the privacy issues until we discover a better design to lever our pleasure centers.

That’s what we need to figure out now. That’s where we need to invest. We need better, more seductive platforms that satisfy our libido and protect our privacy. It’s not going to happen by putting ourselves on a diet—our digital lust is too virtual, unlike our weight. We need to invent entirely new possibilities.

One option might be to privatize personal data so that the digital subjects would be the ones making the profit and controlling the information flow—in effect, to increase the stimulus, but motivate it toward privacy. This was an approach pioneered by the 18th century Scottish Enlightenment—the method of unleashing self-interest to tame the passions so artfully described by Albert Hirschman in The Passions and the Interests: Political Arguments for Capitalism Before Its Triumph. But I will confess, that feels too crass and base. It would involve embracing the worst of our natures in order to fix our addictions. And it’s also hard to imagine that the small monetary sums at the individual level—it’s the aggregate that really matters in this business—would be sufficient to motivate proper monitoring of our privacy on our part. There could be aggregators, to be sure; but we would have to study closely what business model they would operate under, too.

Another option would be to nationalize the social media and Internet companies, turn them into non-profits, and treat them as public utilities. Pull the plug on the financial drivers, set up a range of non-profit businesses, and give free reign to reputational competition and rewards. Here we might turn to other critical traditions to cultivate the commons. And here too, of course, there are endless possible objections. But that can’t stop us.

None of these options will be uncontested. None of them will be unopposed. But the first step, the essential place to begin, is by recognizing that we’re in this spot because of our desires and appetites. It’s because these digital platforms are so seductive and pleasurable. And until we recognize and address those libidinal dimensions and our own narcissism, we will not be able to interrupt the flow of digital pleasure and exposure.

Source: Posted on 19 April 2018, Harvard University Press Blog.

Inteligência Artificial: IA eliminará milhões de empregos e criará milhões de novos

Em artigo para o website do Fórum Econômico Mundial, Davos, Suíça, Joe Kaeser, President and Chief Executive Officer, Siemens AG, “The world is changing. Here’s how companies must adapt”, em 25/1/2018, comenta que a Quarta Revolução Industrial, embora ainda no começo, é a maior transformação que a civilização humana já conheceu. As outras revoluções industriais não tiveram esse poder de mudanças.

O Presidente e CEO da Siemens, ressalta que a Quarta Revolução Industrial está transformando praticamente todas as atividades humanas; a maneira como fazemos as coisas, como usamos os recursos do nosso planeta, como nos comunicamos e interagimos com os outros seres humanos, como aprendemos, como trabalhamos. O jeito de governar; e como fazemos negócios. Seu escopo, velocidade e alcance são sem precedentes.

E nos leva as seguintes reflexões: Há 10 anos, não havia nada como um smartphone. Hoje, ninguém sai de casa sem ele. Há algumas décadas, os computadores estavam conectados à Internet em alguns sites. Hoje, praticamente todos os seres humanos podem se conectar a uma rede que abrange o mundo inteiro e fornece acesso ao maior repositório de informações e conhecimento já criado pela humanidade.

Enorme poder implica grande risco. Sim, as apostas são altas. A digitalização vai beneficiar os quase 10 bilhões de seres humanos que habitam nosso planeta no ano de 2050. Se errar, as sociedades serão divididas em vencedoras e perdedoras, agitação social e a anarquia vai surgir, a ligação que deixarão de acreditar que os governos são capazes de cumprir seu propósito de reforçar o Estado de direito e fornecer segurança.

Por isso a Quarta Revolução Industrial não é apenas sobre tecnologia ou negócios; é sobre a sociedade. É fascinante quando um computador bate o melhor jogador humano, quando bots escrevem textos, e máquinas “falam” entre si. No entanto, são os humanos que definem os algoritmos que controlam máquinas e não o contrário. E não se engane sobre isso: vamos escrever agora, o código que vai moldar o nosso futuro coletivo.

Indústria 4.0

Isso está acontecendo na indústria nesse momento, agora, diz o Presidente Kaeser. O que se chama de Indústria 4.0, é a possibilidade de se criar um “gêmeo-digital”, que mostre do laboratório a fábrica, projetos, simulações e testes de produtos sofisticados no domínio virtual, antes de produção de um protótipo (físico). E claro, antes de se programar uma linha de produção e iniciar-se a produção real.

Ainda, softwares ajudam a otimizar cada um dos processos e cada tarefa, se executadas por humanos ou máquinas. Quando tudo funciona no mundo virtual, os resultados são transferidos para o mundo físico (as máquinas), e assim se inicia um novo ciclo de volta ao mundo virtual.

“Cyber-physical systems”

A integração dos mundos virtual e físico é chamada “cyber-physical systems” é o grande avanço que pode ser visto hoje. Sem diminuir todas as conquistas da indústria até agora, como nas revoluções industriais anteriores, é previsto que esta Quarta Revolução Industrial eliminará milhões de empregos e criará milhões de outros empregos.

Mas, uma questão se apresenta: o que pode ser feito para que cidadãos possam ser beneficiários desta Quarta Revolução Industrial?

Para o autor, sua primeira sugestão se alinha com os aprendizados do passado. Em meados do século 20, líderes do pensamento, como o economista Alfred Müller Armack, desenvolveram a chamada economia de mercado social, o modelo de sucesso da Alemanha até hoje.

Alfred Armack, previu uma sociedade aberta que visa “unir o princípio do mercado livre com aquela da distribuição justa de prosperidade”. Essa visão é mais relevante hoje do que nunca porque ele aponta o caminho para uma forma inclusiva do capitalismo e a um modelo sustentável econômico e bem-estar social. E o Presidente e CEO da Siemens, Joe Kaeser, acredita que o próximo passo no caminho para inclusão deve elevar os padrões de forma significativa para os negócios tanto quanto as preocupações com a responsabilidade social e a sustentabilidade.

Segundo o Presidente e CEO da Siemens, essa teoria é contrária à do economista americano, Milton Friedman, que pensa que o “negócio do negócio, é o negócio”.

Mas, hoje, os investidores, clientes, acionistas, fornecedores, funcionários, líderes políticos, enfim, a sociedade como um todo, esperam que as empresas assumam uma maior responsabilidade social, como por exemplo: proteção ao clima, lutar por justiça social, ajudar refugiados, treinar e educar os trabalhadores.

Na Siemens, afirma o Presidente e CEO, “o negócio do negócio é criar valor para a sociedade”. E chama isso de “negócios à sociedade”.

O segundo aspecto para responder à pergunta (o que pode ser feito paraque cidadãos possam ser beneficiários desta Quarta Revolução Industrial?), é a necessária revolução em treinamento e educação. Nesse aspecto, governos e empresas devem unir forças para promover aos trabalhadores, as habilidades e qualificações necessárias para participação destes, na economia digital. Um exemplo, é a capacidade de explorar as oportunidades criadas pela Inteligência Artificial – IA. Pois, se a mão-de-obra, não acompanhar os avanços neste conhecimento ao longo de suas vidas, como esses novos empregos serão preenchidos?

O terceiro aspecto para responder à pergunta (o que pode ser feito para
que cidadãos possam ser beneficiários desta Quarta Revolução Industrial?), é o incentivo a inovação e a capacidade de se adaptar. As tecnologias digitais permitem novos modelos de negócios e estes permitem novos modelos sociais. Um deles é a economia do compartilhamento. Essa nova forma de negócios, desafia um dos preceitos fundamentais da ordem econômica, que é o papel da propriedade. Se é bom ou ruim, é essa a realidade.

O quarto aspecto para responder à pergunta (o que pode ser feito para que cidadãos possam ser beneficiários desta Quarta Revolução Industrial?), é a coragem dos líderes abordarem as questões difíceis. Exemplo: como garantir o futuro das tarefas que serão eliminadas pelas máquinas? Uma renda garantida? Impostos sobre softwares e robôs? Quais as regras e regulamentos a partir desta única questão? Quais as liberdades e direitos individuais que devem ser preservados na era digital?

Perguntas difíceis sem dúvida. Mas, para começar as respostas pode-se voltar ao livro “Retrotopia” de Zygmunt Bauman, através de um trecho em sua introdução:

Eis o é o que Walter Benjamin tinha a dizer em suas Teses da Filosofia da História, escritas no início dos anos 40, sobre a mensagem transmitida por Angelus Novus (renomeado Anjo da História), uma pintura de 1920 de Paul Klee:

“A face do Anjo da História está voltada para o passado. Onde nós percebíamos uma cadeia de eventos, ele vê uma catástrofe única que continua empilhando destroços e jogando-os diante dos seus pés. O anjo gostaria de ficar, acordar os mortos, e tornar inteiro o que foi esmagado. Mas uma tempestade está soprando do paraíso; o anjo ficou preso em suas asas com tal violência que não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impulsiona irresistivelmente em direção ao futuro, para o qual ele dá as costas, enquanto a pilha de escombros cresce, diante dele, rumo ao céu. A tempestade é o que chamamos progresso.”

Fosse alguém olhar de perto a pintura de Klee, um século, quase, depois que Benjamin produziu seu insight insondável e incomparavelmente profundo, poderia mais uma vez capturar o Anjo da História em pleno voo. O que mais pode impactar, a ele ou a ela, é o anjo mudando de direção – o Anjo da História apanhado no momento de uma volta de180º. Sua face está girando do passado para o futuro, suas asas sendo puxadas para trás pela tempestade, golpeando esse tempo do futuro imaginado, precipitado e antecipadamente temido em direção ao paraíso do passado (ele próprio imaginado retrospectivamente, depois de ter sido perdido e reduzido a ruínas). E as asas estão agora sendo pressionadas, como eram pressionadas antes, com violência igualmente poderosa, de modo que agora, como então, “o anjo não pode mais fechá-las.

Passado e futuro, pode-se concluir, estão no processo de trocar seus respectivos vícios e virtudes, relacionados – como sugeriu Benjamin – por Klee há cem anos. Agora, o futuro é que está marcado no lado do débito, denunciado inicialmente por sua não-confiabilidade e por ser incontrolável, com mais vícios que virtudes; enquanto a volta ao passado, com mais virtudes que vícios, é marcada na coluna do crédito – como um lugar ainda de livre escolha e do investimento ainda não-desacreditado de esperança”.

E para concluir, o Presidente e CEO da Siemens, Joe Kaeser, ressalta: “olhar
para a frente, mostrar as oportunidades e riscos da Quarta Revolução Industrial, arregaçar as mangas e criar respostas que possam funcionar para a geração atual e para as futuras gerações”.

Inteligência Competitiva: 25 ferramentas de gestão (3) – Gestão

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Para Julian Birkinshaw e Ken Mark, gestão é a arte de fazer o que deve ser feito por meio de outras pessoas. Envolve mobilizar uma série de recursos para atingir os objetivos desejados.

Oportuno fazer uma distinção dos termos “gestão” e “liderança”.

Gestão implica fazer o trabalho por meio de pessoas, e liderança é um processo de influência social.

Liderança envolve o modo como as pessoas veem o líder.

Fonte: BIRKINSHAW, Julian e MARK, Ken. 25 ferramentas de gestão – um guia sobre os conceitos mais importantes ensinados nos melhores MBAs do mundo. São Paulo: HSM, 2017.

Inteligência Competitiva: 25 ferramentas de gestão (2) – Modelo, Estrutura, Conceito e Ferramenta

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Muitos modelos e sistemas são aplicados no mundo dos negócios, e é difícil manter-se a par de todos eles. Este livro foi escrito para ajudar, especialmente, profissionais de Inteligência Competitiva (grifo meu), apresentando suas origens, as situações em que podem ser aplicados, como utilizá-los, seus maiores benefícios e pontos fracos.

Os autores, Julian Birkinshaw e Ken Mark dividiram o livro em cinco partes, cada uma correspondendo a uma área básica dos programas de MBA.

Segundo os autores deste livro, as pesquisas para escrever o livro, partiu do currículo das escolas as quais trabalham: London Business School, Ivey School of Business, Wharton School, Insead e a Harvard Business School. Assim buscaram identificar os modelos, sistemas e conceitos mais importantes apresentados no curso básico.

Nesta escolha foram contemplados modelos “clássicos” e “contemporâneos”, em cada uma das partes.

Dois modelos incluídos neste livro, os 4Ps do marketing e as cinco forças, demonstram que teorias clássicas, portanto atemporais, continuam fazendo parte dos melhores MBAs do mundo. Esse fato poderá impactar aqueles, no Brasil, ao acreditar que estes modelos estão ultrapassados.

O livro não inclui nenhum modelo que descreva o ambiente “macro” de negócios, nem os relacionados com a teoria econômica e com políticas públicas, nem os relativos a legislação e a regulamentações comerciais. Ainda, os autores, evitaram ferramentas e modelos estatísticos básicos e reservaram pouco espaço a questões psicológicas de nível individual ou às dificuldades de abrir um negócio do zero.

Uma importante consideração é quanto a palavra “modelo”. Em seu sentido mais amplo, abrange estruturas, conceitos, sistemas e ferramentas.

“Modelo” é uma versão simplificada de algo mais complexo para nos ajudar a entender um fenômeno específico, identificando seus principais elementos.

“Estrutura” é um meio de elaborar nosso entendimento de um fenômeno multifacetado, muitas vezes agregando uma série de elementos diversos.

“Conceito” é uma ideia ampla, que nos possibilita ver o mundo de uma nova perspectiva.

“Ferramenta” é uma forma prática de aplicar um modo de pensar para realizar determinada tarefa.

Fonte: BIRKINSHAW, Julian e MARK, Ken. 25 ferramentas de gestão – um guia sobre os conceitos mais importantes ensinados nos melhores MBAs do mundo. São Paulo: HSM, 2017.

Inteligência Competitiva – Modelos Analíticos (1)

Que o mundo dos negócios nunca foi tão desafiador, não há dúvidas. Ainda, o risco de desestabilização digital vem afetando a maioria dos setores. Nunca, em toda a nossa vida, vimos tamanha incerteza política.

Quem serão os candidatos à presidência da República Federativa do Brasil em outubro? Quem será eleito Presidente? Estas duas perguntas estão quase todos os dias nos veículos de comunicação. E as respostas são as mais incertas possíveis.

Esse cenário, incertezas, tem afetado empresários do mundo todo, mas especialmente aqueles que atuam no Brasil, uma vez que não faltou emoção,  nessas últimas décadas no país.

Os escândalos políticos e os empresariais só vieram para deixar a imagem do país, em baixa.

Porém, “25 ferramentas de gestão – um guia sobre os conceitos mais importantes ensinados nos melhores MBAs do mundo”, de Julian Birkinshaw e Ken Mark, apresenta para gestores e profissionais de Inteligência, 25 modelos e sistemas que ocupam o centro do currículo de qualquer curso de MBA.

Modelos clássicos (atemporais) como o das cinco forças, os 4Ps do marketing e as ferramentas financeiras básicas necessárias para avaliar uma empresa, são fundamentais para esses tempos de complexidade.

Fonte: Julian Birkinshaw

BIRKINSHAW, Julian e MARK, Ken. 25 ferramentas de gestão – um guia sobre os conceitos mais importantes ensinados nos melhores MBAs do mundo. São Paulo: HSM, 2017.