The Desperate CI Professional? By Ben Gilad

In May of this year I posted an article on LinkedIn titled, “Is Competitive Intelligence dead? Yes. No. Depends.” It had 59 comments, which was gratifying. Yesterday there was an advert for a webinar posing an ominous heading of “the end of line for CI?” OK, so it’s riding on the theme of my post, which is OK. I am used to it. Imitation is the best flattery or something like that.

What was interesting from the above blurb was that it reached the opposite conclusion from mine. That’s terrific. That’s the best sign of the struggle within the competitive intelligence community for the direction and evolution of the profession. It would be thrilling to witness it (since now I know who is winning) if it wasn’t for the fact that I wrote an article for (now defunct) Competitive Intelligence Magazine in 2008 (!) describing this battle. So I am either a prophet (I am not, I don’t even remember where I put my keys) or I repeat myself (I do, I do). But those who read it then, and took it to heart, are far from the end of the line. Actually, they are thriving.

In the 2008 piece, I argued that a few of us (Ken Sawka, Jan Herring, Liam Fahey) were pushing the profession away from focusing on  collection and toward analysis and insight. In contrast, the information professional “wing” (librarians, archivists, search experts led by information vendors) tried to mostly improve collection techniques. My prediction in 2008 was that if competitive intelligence analysts fall into the information practitioners “more data, better data” trap they will lose relevance as technology and outsourcing will replace them.

Lo and behold, the above 2019 webinar by an information practitioner decries the “death” of the profession and recommends, no, urges, “CI” professionals to adopt more technology to the rescue.

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Bolsas de pós-graduação para quê? Corte de recursos terá impacto direto na sociedade, por Vahan Agopyan

Vahan Agopyan, professor e reitor da USP – Mathilde Missioneiro – 16.jul.19/Folhapress

Nas últimas semanas, um assunto recorrente tem sido as dificuldades enfrentadas pelas agências federais em manter o número de bolsas de estudo e honrar os auxílios já concedidos decorrentes do contingenciamento financeiro. 

Nesse quadro, destacam-se as bolsas de pós-graduação. Elas beneficiam jovens talentosos dos cursos de mestrado e doutorado do país, que estão se preparando paras as carreiras de pesquisador e de docente. Essas instituições oferecem outros tipos de bolsas, como as de iniciação científica, para os alunos de graduação, e as de pós-doutoramento, destinada aos novos doutores que se envolvem em projetos de pesquisa, sem vínculo empregatício.

Os dirigentes das principais agências —como a Capes, vinculada ao Ministério da Educação, e o CNPq, ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações— estão se desdobrando para reduzir o impacto negativo da restrição orçamentária no ambiente científico nacional, mas os orçamentos dessas instituições precisam ser recompostos com medidas emergenciais neste ano e na proposta orçamentária de 2020.

Os jovens que estão envolvidos ou pretendem seguir na pós-graduação stricto sensu terão suas aspirações frustradas. Muitos deles poderão abandonar o sonho de desenvolver uma pesquisa e ingressar na vida profissional. Outros, mais persistentes, devem continuar como alunos de pós-graduação em tempo parcial, prolongando suas atividades na universidade por longos anos.

Esse quadro é sombrio. A produção científica mundial é fortemente apoiada nas pesquisas desenvolvidas nos programas de pós-graduação. Mesmo nas instituições científicas não universitárias, a pesquisa depende dos pós-graduandos e dos pós-doutorandos. 

Portanto, a redução do número de bolsas está diretamente relacionada à diminuição do volume de pesquisas e do ritmo de formação de recursos humanos qualificados —e, em última instância, do desenvolvimento econômico, tecnológico, social e cultural do nosso país. 

As universidades são inábeis na divulgação de suas atividades e, por isso, muitos perguntarão se de fato a redução da pesquisa trará prejuízos para o Brasil. Você que lê este artigo, por exemplo, provavelmente já se beneficiou de algum estudo conduzido na USP, mas este é um tema que não pode ser discutido em um espaço reduzido como este.

O corte dos recursos não surtirá efeitos negativos apenas no aspecto acadêmico das instituições, mas terá impactos diretos na sociedade e na qualidade da vida das pessoas.

O número de bolsas disponíveis não é grande. A USP, que é o maior centro de pós-graduação do país, com 30 mil alunos e 7.000 mestres e doutores formados por ano, recebe 12 mil bolsas em todas as áreas do conhecimento, das quais 75% são oriundas das agências federais.

Mesmo que parte considerável dos alunos não necessite de bolsa, pois tem empregos que estimulam esse tipo de atividade, a universidade teria capacidade para receber mais 5.000 ou 6.000 bolsas, já que os programas de pós-graduação da USP são muito concorridos e os ingressantes passam por seleção rigorosa, com grande potencial de sucesso. Se tivéssemos mais bolsas de pós-graduação, o volume de pesquisa da USP seria ainda maior.

As universidades estaduais paulistas, que respondem por quase 40% da produção científica brasileira, são afetadas pela crise das agências de fomento federais. Um eventual colapso nesse sistema terá reflexos nas instituições e em toda a pesquisa nacional.

Talvez seja uma falha da academia ter suposto que era óbvia para a sociedade a compreensão de que o investimento em ensino e pesquisa é garantia de um futuro melhor para a nação. Devemos assumir a mesma abordagem dos países que são considerados por muitos como modelos, caso de Coreia do Sul e Israel, que nunca deixaram de investir em ensino e pesquisa, mesmo nos momentos mais desfavoráveis, como em meio à guerra e à fome.

Fonte: Vahan Agopyan. *Reitor da USP e professor titular da Escola Politécnica. Publicado na Folha de S.Paulo

‘A melhor empresa para abrir é aquela que está dentro da sua zona de conforto’

Não empreenda
Empreendedor Fabio Rodrigues, autor do livro ‘Na dúvida, não empreenda’ diz que medo de perder emprego não é motivo para abrir empresa Foto: Arquivo pessoal

empreendedor Fabio Rodrigues trabalhou durante 14 anos como executivo numa multinacional. Saiu e criou uma empresa. Depois vieram outros negócios que ficaram pelo meio do caminho. Com experiência de sobra, ele acaba de escrever o livro Na dúvida, não empreenda, voltado especialmente para executivos que sonham com o negócio próprio. A seguir trechos da entrevista.

O que o motivou a escrever o livro?

Alguns amigos da empresa onde trabalhava começaram a me procurar querendo saber como era empreender e se eu já estava rico. Na percepção deles, eu tinha mais qualidade de vida e não corria mais o risco de perder o emprego. Na realidade, eu ganhava menos do que quando era diretor, afinal tinha acabado de abrir a empresa, e trabalhava muito mais. Podia ir buscar meu filho na escola, mas às 10 horas da noite tinha de fazer planilhas ou alguma apresentação. E todos os dias eu acordava e tinha de ir atrás do meu salário. Comecei a perceber que as pessoas queriam empreender por medo de perder o emprego. E essa não é razão para empreender. 

Quais as dicas para quem quer um plano B?

Primeiro é saber muito bem o que vai fazer. A melhor empresa para abrir é aquela que está dentro da sua zona de conforto. Empreender sozinho já é muito confuso. Então a grande dica é fazer algo que você tenha conhecimento, que vai melhorar um processo, serviço ou produto de algo que já vivencia e o incomoda. Resolva um problema real. O preparo para abrir uma empresa tem de ser grande e adequado. Tem de ter backup financeiro. Um erro é achar que para abrir a empresa precisa ter só o dinheiro da empresa. Mas e o dinheiro que você precisa para viver enquanto a empresa não dá lucro? Tudo isso deve entrar na conta de empreender. Se não você vai falir pessoalmente antes da empresa.

No fundo, você não está dizendo para não empreender, mas estudar e se preparar antes.

Sou um entusiasta do empreendedorismo. Abri quatro empresas depois que saí do grupo onde trabalhava. Uma delas acabou se transformando numa que hoje está bem. A primeira era de eventos corporativos e demandava muito fluxo de caixa e não tinha grande diferencial no mercado. Migrei para o negócio de multiplicação de artes de marketing para grandes empresas. Toda grande empresa tem uma agência de marketing.

Como saber a hora de empreender?

O frio na barriga sempre vai ter. Mas é preciso ter certeza do que se está fazendo, se está empreendendo só por medo de ficar desempregado ou porque assistiu a três palestras e achou que é o momento ou porque todo mundo fala em empreender. Essas não são razões para empreender, mas para trocar de emprego. Empreender é a coisa mais séria que você pode fazer com o seu dinheiro. É preciso um planejamento da vida. É preciso se perguntar: ‘Eu tenho dinheiro, tenho vocação, aguento a ansiedade de não ter um salário ou de não ter um sobrenome famoso (da empresa), aguento não ter uma rotina’. 

Quais cuidados? 

Imagina pegar todo o dinheiro aplicado no banco e colocar num negócio sem estar preparado. Pode-se perder todo o dinheiro e ter de começar do zero para reconstruir o patrimônio. Quando falo ‘Na dúvida, não empreenda’ quero dizer: Pisa no freio, avalia de verdade se você pode começar sozinho um negócio e se consegue se sustentar enquanto a empresa não dá lucro. Se não, procura outro emprego, espere um pouco mais e tente mais tarde. E até mais que isso: a chance de quebrar no primeiro negócio é grande. Não tem problema, desde que você não quebre tão forte que não possa fazer de novo. É que nem emprego, a gente pode ser demitido e conseguir outro. 

Qual o lado negativo de ter uma empresa?

Na época como executivo, quando entregava um pedido grande, eu não acompanhava que aquele dinheiro da venda virava logística, compra de peças, pagamento de salários e um monte de coisa que eu não tinha acesso. Quando você vira patrão, tudo cai na sua cabeça. Se caiu a internet, você que tem de ligar para resolver; demitir, contratar, aumentar salário, comprar cadeira, marcar reunião, tudo é você que faz.

O maior erro é a falta de planejamento?

Sim, o planejamento está em tudo. Uma coisa muito comum é que as pessoas começam a ficar incomodadas com o emprego, com o chefe e a chance de ser demitido e se junta com um amigo do próprio departamento para montar uma empresa. São duas pessoas do marketing, por exemplo. Daqui a um ano a empresa vai ter dois diretores de marketing e nenhum diretor de logística. As pessoas se juntam por afinidades. Mas para você ter um sócio é preciso complementaridade. Não basta ser amigo. 

Há também modismos.

Tem a moda e tem a ‘glamourizada’. Hoje ficaria mais feliz de ser dono de 30 carrocinhas de cachorro-quente pela cidade em vez de um food truck. Um food truck sozinho custa R$ 80 mil só o veículo. Para atuar, tem de ter a licença do local. Na carrocinha, é possível vender em qualquer lugar. Mesmo com as licenças, é uma forma mais lucrativa de fazer a mesma coisa só que sem glamour. Além disso, as pessoas abrem negócios iguais, com mercado saturado, apenas por modismo. 

Fonte: Renée Pereira, O Estado de S.Paulo, 09 de setembro de 2019 | 05h00


GM demite pelo menos 185 engenheiros, diz sindicato

O Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul (SP) informou que a General Motors demitiu pelo menos 185 engenheiros em suas unidades de São Paulo. De acordo com o Sindicato, foram 125 cortes na fábrica de São Caetano, por meio de um plano de demissão voluntária (PDV), e outras 60 demissões na unidade do campo de provas da montadora, em Indaiatuba. 

A GM, porém, não confirma os números das demissões. Em nota, diz apenas que o PDV de São Caetano ficou aberto entre 28 e 30 de agosto. “A General Motors abriu um Plano de Demissão Voluntária (PDV) no dia 28 de agosto de 2019 para algumas áreas funcionais alocadas no Complexo de São Caetano do Sul com o objetivo de ajustar a estrutura às necessidades do negócio. O prazo para adesão ao PDV foi até 30 de agosto de 2019”, disse.

Fonte: Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo, 9 de setembro de 2019 | 13h24

‘Agora é a economia que vai pautar a política’, diz consultor americano

Eurasia
O cientista político Christopher Garman Legenda, da consultoria de risco Eurasia. Foto: Richard Jopson/Eurasia – 12/4/2016

O cientista político americano Christopher Garman, responsável pela área de Américas da Eurasia, uma consultoria internacional de avaliação de riscos, tem um retrospecto notável em suas previsões sobre o Brasil.

Em 2014, logo depois das eleições, Garman antecipou a formação de uma “tempestade perfeita” contra Dilma Rousseff, com a combinação de vários fatores negativos: um governo com sustentação política limitada e baixa credibilidade perante o mercado, um escândalo de corrupção “já contratado”, como o petrolão, e um cenário econômico complicado no exterior. Deu no que deu.

Em maio de 2018, quando os principais analistas do País apostavam na repetição do embate entre o PSDB e o PT ou numa disputa entre o PSDB e o PDT de Ciro Gomes, que subia nas pesquisas, ele acertou mais uma vez, ao afirmar que Jair Bolsonaro tinha grandes chances de chegar ao segundo turno e que sua candidatura deveria ser levada “mais a sério”, por representar o sentimento anti-establishment predominante na população de baixa renda e na classe média.

Nesta entrevista ao Estado, Garman diz que, ao contrário do que aconteceu nos últimos cinco anos, “agora é a economia que vai pautar a política”. Segundo ele, a “retórica belicosa” de Bolsonaro “não é o principal motivo” de retração dos investidores internacionais. O cenário externo nebuloso, também não. Em sua visão, o que mais afeta hoje a percepção dos estrangeiros em relação ao Brasil é a lenta recuperação da economia.

O senhor mantém contato frequente com investidores, bancos e grandes empresas internacionais. Qual é a percepção deles em relação ao atual cenário político e econômico do Brasil?

Eu diria que tanto as empresas multinacionais como o mercado financeiro reconhecem que, diante da grave crise macroeconômica do País, com forte desequilíbrio fiscal, a reforma da Previdência era necessária para haver qualquer recuperação da economia. Passada essa etapa, que deve ser concluída até meados de outubro, com a aprovação da reforma pelo Senado, é claro que você tira um risco do horizonte. Mas a pergunta é: isso vai ser suficiente para voltar a atrair investimentos externos? A resposta provavelmente é não.

Por que? O que impede a volta dos investimentos externos ao País?

O que atrapalha mais é que a economia não está se recuperando. A recuperação ainda é bem modesta. O investidor de fora vê com bons olhos a ampla agenda de reformas que a equipe econômica e o próprio Congresso estão articulando. Vai de reforma tributária à abertura comercial e à reforma administrativa, passando por uma série medidas microeconômicas, como a autonomia do Banco Central e a liberalização do mercado de petróleo e gás. Mas os detalhes dessas reformas ainda não foram apresentados e não se sabe a profundidade que elas terão. Então, há um reconhecimento de que o Brasil está tendo alguns avanços, mas com pouca clareza se essa agenda de reformas, que têm mais impacto na produtividade, vai levar a um crescimento mais robusto nos próximos anos.

Várias declarações do presidente Jair Bolsonaro tiveram grande repercussão no exterior. Que efeito isso tem nesse quadro?

Algumas coisas atrapalham, sim. Há uma visão desse governo muito ruim fora do Brasil, uma cobertura da imprensa que transmite todas as declarações polêmicas do presidente, embora o maior impacto em termos de reputação tenha sido com a crise na Amazônia. Acredito que essa retórica não é o principal motivo de os gringos não estarem vindo para o Brasil. O Brasil está menos atraente porque a recuperação está muito mais lenta do que as pessoas imaginavam no início do ano. Isso contamina tudo. Esse é o fator mais importante.

Como as declarações do presidente estão afetando o mercado?

Essa retórica belicosa, controversa, esse ruído atrapalha mais as empresas multinacionais do que o mercado financeiro. É também um problema maior na Europa do que nos Estados Unidos. As empresas europeias são mais sensíveis à questão do meio ambiente, embora seja também uma preocupação das multinacionais americanas. Se a economia estivesse se recuperando, acredito que isso teria um impacto menor. A retórica tem um efeito multiplicador, mas o peso maior vem do fato de que a retomada está muito lenta.

O que explica essa percepção diferente das multinacionais e do mercado financeiro em relação às declarações do presidente?

As empresas multinacionais têm um horizonte mais longo e ficam pouco focadas no dia a dia das reformas e mudanças em Brasília, que podem impactar os preços dos ativos. Elas são um pouco mais influenciadas por essa retórica e pela cobertura da imprensa internacional. Na visão delas, é um governo que parece não estar indo na direção correta, apesar de as administrações locais das multinacionais tentarem fazer um contraponto, mostrando outros lados à direção e ao conselho das companhias, que estão sendo mais influenciados por essas manchetes. O mercado financeiro é um pouco mais influenciado pelas reformas, que estão andando, mas o baixo crescimento incomoda.

O senhor está dizendo que, apesar das reformas, há uma certa frustração lá fora em relação ao Brasil? É isso?

A grande dúvida é se o Brasil caiu numa armadilha de baixo crescimento. Essas reformas podem aumentar a produtividade, mas não são coisas de curto prazo. São reformas mais estruturantes, com efeitos de médio e longo prazos. Isso dificulta. Também não ajuda o fato de o Brasil estar entrando numa fase mais construtiva em termos de aprovação de reformas, num momento externo ruim, com a aversão a risco aumentando por causa da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. Além disso, há uma preocupação com o desaquecimento em vários lugares – na Alemanha, na China e possivelmente nos Estados Unidos – e uma saída do mercado de ações. Hoje, o mercado financeiro olha para o Brasil e diz: “Bom, os preços já subiram bastante, já me queimei lá antes, o jogo não parece atraente agora”. É uma avaliação um pouco mais fria. O Brasil está pagando um preço por entrar nesse ciclo de reformas mais construtivas num cenário mundial incerto, de desaquecimento global.

“Se a economia não se recuperar no ano que vem, vai ‘bater’ o pânico no Congresso”

Como as privatizações e as concessões se encaixam nesse cenário? Os investidores externos não vão participar?

Acredito que esse cenário não atrapalha esse investidor. Há apetite externo para ativos que estão sendo colocados à venda. Há ativos bem atraentes. O Brasil é o principal mercado da América Latina e ninguém pode ficar fora do País. Por isso, as consultorias internacionais estão apostando pesado no Brasil. Talvez o preço seja um pouco menor, mas não acho que é um empecilho para essa agenda de privatização andar. É claro que, se isso tiver êxito, ajuda um pouco na melhora da percepção externa. Há ganhos de eficiência, de arrecadação para o governo.

As últimas pesquisas mostraram que houve uma queda considerável nos índices de popularidade do presidente Bolsonaro. Como o senhor avalia essa questão?

A queda de aprovação do presidente foi até mais rápida do que a gente imaginava. Mesmo a gente, que achava que a lua de mel do governo iria durar pouco, não imaginava que os índices poderiam cair de pouco mais de 60% para 41% no aprova/não aprova e de 44% para 29% no ótimo/bom. A queda foi muito forte entre fevereiro e maio. Depois, se estabilizou e deu uma nova quedinha em agosto. Mas esse é um fenômeno que está ocorrendo em vários países. Na América Latina, se você observar os índices do Ivan Duque (presidente da Colômbia), ele está com uma taxa de aprovação mais baixa que a do Bolsonaro. Ele foi eleito seis meses antes, tem um pouco mais de estrada, mas a taxa de aprovação dele está em 34% no aprova/desaprova. O ótimo, bom, regular, ruim, péssimo é uma métrica que outros países não usam. Então, tem de usar a pergunta binária aprova/desaprova para fazer a comparação. O Sebastián Piñera (presidente do Chile) também está num patamar mais baixo, com 29% a 32% de aprovação. O eleitorado está muito insatisfeito com o status quo. Não está contente com serviços públicos, quer o enfrentamento da questão da corrupção. São demandas difíceis de entregar. É claro que cada um tem a sua razão para a queda nas pesquisas, mas essa lua de mel mais curta com o eleitorado não é algo que aconteceu só no Brasil.

Para concluir, como o senhor vê as perspectivas do País daqui para a frente? O cenário atual deve mudar para melhor ou para pior?

Vai depender muito da economia. Se a gente olhar o que aconteceu no Brasil nos últimos cinco anos, a política é que pautou a economia. Grandes eventos políticos pautaram a economia. Dilma ganha a reeleição ou não ganha, vai ser “impeachada” ou não vai? O Temer vai ou não vai fazer reforma? Quem vai ganhar a eleição presidencial, o Haddad ou alguém amigável ao mercado? O novo presidente vai fazer a reforma da Previdência? São grandes eventos políticos cujos resultados influenciavam qualquer projeção econômica. Agora, acredito que isso se inverteu. Então, para mim, o resultado da economia nos próximos 12 meses vai ter repercussões políticas bem importantes.

Que tipo de repercussão política o desempenho da economia pode ter?

Se a economia não se recuperar no ano que vem e o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) ficar abaixo de 1,5%, com o índice de desemprego em dois dígitos, a relação com o Congresso vai começar a piorar. Vai “bater” o pânico no Congresso, em decorrência dessa situação, e ele pode começar a tomar medidas ruins. Hoje, nós temos um governo que não tem maioria, mas as lideranças no Congresso estão alinhadas com a agenda amigável ao mercado, por questão de sobrevivência própria. Se a economia ficar patinando, o Congresso pode começar a pensar em aumentar o salário mínimo um pouquinho, flexibilizar o teto, esse tipo de coisa. Num contexto de ajuste fiscal incompleto, uma agenda negativa pode até ter mais apelo que a agenda positiva. Aí, você reforça essa visão ruim do investidor estrangeiro e a gente entra numa fase ruim. Agora, se a economia crescer 2,2% no ano que vem e aumentar para 2,5% no ano seguinte, as lideranças no Congresso começam a ver que o retorno do ajuste e das reformas está vindo. Se isso acontecer, a percepção externa melhora, a agenda reformista continua e você consegue ter um circuluzinho virtuoso.

Fonte: José Fucs, O Estado de S.Paulo, 09 de setembro de 2019

Transformação digital do setor bancário ‘nos angustia toda noite’, diz Setubal, do Itaú

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‘Vamos nos reinventar, nos adaptar’, disse Setubal. Foto: ANDRE DUSEK/ESTADAO

O presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, afirmou que o banco não tem as respostas que deseja, dentro do cenário de grande transformação no setor financeiro, mas que está aberto a se reinventar e se adaptar. “Estamos vivendo um mundo em grande transformação. Não temos resposta para o que queremos e isso nos angustia toda noite… Fintechs estão batendo na nossa porta todo dia. Estamos discutindo bastante isso no banco”, admitiu ele, em reunião com analistas e investidores, na tarde desta terça-feira, 3.

Olhando dez anos para frente, Setubal enxerga um banco diferente e a necessidade de o Itaú estar preparado para isso e também capacitar os colaboradores da instituição. “Queremos estar daqui a dez anos no mesmo nível de desempenho e destaque. Mas é essencial se preparar para esse mundo de transformação”, destacou.

Ele sinalizou ainda que o banco não tem uma “grande aposta” para o futuro. “Não gosto de apostas. Grande aposta é sempre um risco muito grande de dar errado e normalmente dá errado. A governança tem o papel de manter a coisa controlada, mas o banco está aberto a transformações em um ambiente em que o mundo está mudando”, disse.

O cenário de grande transformação do sistema financeiro não é uma realidade só do Brasil, conforme Setubal, mas em todo o mundo. Novas empresas estão surgindo, mas, segundo ele, não significa que players tradicionais, grandes bancos, têm sumido.

“O sistema financeiro é uma coisa que evolui muito e continua crescendo. É uma mega indústria no mundo. Dificilmente alguma outra indústria é do tamanho do sistema financeiro”, disse Setubal.

Apesar de ser “muito grande”, o setor financeiro tem muito espaço para evoluir, seja via tecnologia ou novas regulamentações que estão abrindo oportunidades para o segmento. “Estamos em um desses momentos de grande transformação. Alguns players certamente terão sucesso, alguns não. Um deles que certamente estará é o Itaú Unibanco”, garantiu ele.

De acordo com Setubal, muitas coisas vão mudar, inclusive produtos, mas o banco vai conseguir se perpetuar, atuando de uma forma diferente. “Saberemos enfrentar desafios que estão surgindo. Algumas coisas não vão mudar… Vamos nos reinventar, nos adaptar. O futuro está aí. O banco sabe dos desafios que tem”, finalizou.

Complacência

Também presidente do banco, Pedro Moreira Salles afirmou que o maior risco para uma empresa é a complacência. “Não estamos com esse tipo de síndrome dentro do Itaú Unibanco. O ato de se questionar para sabermos se já fizemos o suficiente é constante”, disse ele.

Segundo Moreira Salles, o ato de questionar e saber se já fizeram o suficiente é constante dentro do banco. “Não vejo nenhum sinal de complacência, em que pese a grande empresa ter tendência a isso”, reforçou ele, acrescentando que o Itaú Unibanco procura não deixar “nenhum terreno aberto e se manter vivo a todo instante”.

Questionado sobre transformações no sistema financeiro, ele disse que o banco soube se adaptar ao longo do tempo, uma vez que poucas empresas conseguem atravessar a barreira de um século de existência, mas que é necessário criar capacidade para os desafios que o momento impõe. “Em que pesem aflições e angústias que todos nós incumbentes temos no mundo atual, olho com muito entusiasmo o que virá para frente”, afirmou Moreira Salles.

O Itaú Unibanco tem, conforme ele, conjunto de atributos dificilmente reproduzíveis, mas que daqui a dez anos as instituições financeiras terão de adotar uma nova maneira de atendimento e de distribuição de produtos. “Saberemos encontrar respostas à medida que as perguntas aparecerem. Essa é parte essencial do trabalho, de controladores e membros do Conselho. Temos de criar capacidade para o banco aos desafios que o momento impõe.”

Fonte: Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo, 3 de setembro de 2019 | 18h45

Febre da papelaria atinge público crescente interessado em fazeres manuais

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Foco da Acraft são itens para montar planners, que incluem cadernos, adesivos, canetas, washi tapes (fita adesiva) e pingentes Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Papéis, fitas, carimbos, planners, scrapbooks e canetas das mais variadas cores, tons e modelos. Na contramão do universo digital, a febre da papelaria surge na tendência do feito a mão. Para além da papelaria tradicional – dos afazeres do dia a dia e do material escolar – o nicho voltado para a estética e para a arte, movido pelo artesanal e pelo lettering (como tem sido chamada a arte de desenhar letras), tem impulsionado negócios na área. 

“Há uma alta no setor de papelaria, que vem com uma cara modificada. Não é mais o foco na industrialização, mas a volta ao artesanal”, explica a consultora de negócios do Sebrae Juliana Segallio.

Apostando nessa tendência do artesanal e da papelaria, o casal André Pimenta e Ana Becker fez do hábito de comprar presentes para amigos em viagens a porta de entrada para o empreendedorismo e, em 2013, criou a loja Veio na Mala. “Percebemos que aumentou a demanda do feito a mão, com um papel importante das feiras de rua nisso. A gente consegue mostrar para as pessoas que é possível fazer algo grandioso mesmo sendo pequeno”, conta André.

Os designers começaram anunciando os produtos em um blog e recebiam um pedido por semana. Sete anos depois, hoje eles mantêm um e-commerce, uma loja física no shopping Center 3, inaugurada há quatro meses, e um faturamento mensal de R$ 150 mil. As projeções são de que a empresa cresça 10% no próximo ano.

Ao lado de produtos importados, eles investem também em confecções próprias. “Nós entendemos que precisávamos sair da mesmice e tentamos entender melhor o público para fazer a nossa linha”, explica André. A loja vende produtos como agendas, canetas, planners (cadernos com divisórias para a programação da semana e dos meses) e itens para scrapbooks (em que o usuário customiza seus cadernos), mas tem nos carimbos o carro-chefe. São mais de 500 modelos desenvolvidos por eles.

Para Juliana, o ideal é que a marca de papelaria consiga investir em um ponto físico, seja uma loja ou a participação em feiras, mas a presença nas redes sociais e em marketplaces (shoppings virtuais) também é essencial. Só na plataforma Elo7, marketplace para venda de produtos artísticos e autorais, existem mais de 40 mil lojistas cadastrados na categoria “papel e cia”. Entre os produtos mais vendidos estão planners, carimbos, etiquetas personalizadas e álbuns de scrapbook. 

Com foco no e-commerce, o casal de engenheiros Luiz Ikeda e Liana Uehara criou a Acraft em 2014. A papelaria online nasceu de um hobby de Liana pelo artesanato. “Começamos com um investimento de R$ 2 mil e o dinheiro que entrava usávamos para recomprar produtos. Testamos muito e passamos a comprar apenas aquilo que vendia mais. Daí acabamos tendendo para o lado da papelaria”, conta Luiz. O foco da empresa são itens para montar planners, que incluem cadernos, adesivos, canetas, washi tapes(fita adesiva) e pingentes. 

Para conseguir cuidar da loja, os dois largaram seus empregos como funcionários de empresas, mesmo que para inicialmente ganhar menos. Hoje, têm uma equipe de seis funcionários, conseguiram crescer dez vezes em quatro anos e alcançaram a renda que tinham em seus trabalhos anteriores.

Espaço para microempreendedores

Dentre os mais de 2.900 microempreendedores individuais (MEIs) registrados no comércio varejista de artigos de papelaria no Estado de São Paulo, segundo o Portal do Empreendedor, está Andreia Anjos, criadora da DIY Scrap. O interesse pela papelaria artesanal fez com que ela apostasse em um negócio inédito, um clube de assinaturas de scrapbooking.

Após dez anos criando projetos por hobby, Andreia decidiu que precisava fazer algo diferente para se destacar. “Fiz bastante pesquisa e vi que os clubes de assinaturas no País têm crescido muito e não existia nenhuma versão para scrapbooking.” Para começar o negócio, ela investiu R$ 10 mil de capital próprio.

Criado em dezembro do ano passado, o clube reúne 36 assinantes, todas mulheres entre 12 e 60 anos, que contratam o serviço por hobby ou para aprender novas técnicas. Para a consultora do Sebrae Juliana, o público da papelaria artesanal não é mais só feito de “vovozinha”. “O pessoal com menos de 30 anos está descobrindo que é gostoso trabalhar de outras formas e os mais velhos veem essa parte da papelaria como um resgate de velhos hábitos.”

Na caixa enviada mensalmente para as clientes do DIY Scrap vão produtos escolhidos por Andreia, como decalques, régua, papéis e cadernos, e uma apostila com instruções para confeccionar os projetos de scrapbooking. Ao finalizar as obras, as assinantes são incentivadas a compartilhar os resultados em um grupo de Whatsapp, onde a empreendedora também tira dúvidas. Cada assinatura custa R$ 149,90 por mês.

Fonte: Marina Dayrell, O Estado de S.Paulo, 28 de agosto de 2019 | 06h15.

Desmatamento na Amazônia: do alerta de cientistas à crise geopolítica​

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Amazônia vive recorde de queimadas em 2019 – Foto: Reprodução

A quantidade de queimadas na região amazônica repercutiu muito esta semana. Na segunda-feira, uma chuva atípica mostrou que a fumaça proveniente dos focos de incêndio já estava atingindo a Região Sudeste, indicando a extensão do problema. Em resposta, o presidente Bolsonaro disse que “pode estar havendo, pode, não estou afirmando, a ação desses ‘ongueiros’ para chamar a atenção para minha pessoa (sic)”. E completou: “foi para lá o pessoal [de ONGs] para filmar e depois tacaram fogo (sic). Esse é o meu sentimento”. Nesta sexta-feira (23), a presidência francesa anunciou: “O presidente Bolsonaro decidiu não respeitar seus compromissos climáticos nem se comprometer com a biodiversidade” e, assim, a França se opõe ao acordo com o Mercosul. O governo finlandês já recomendou o banimento da importação de carne brasileira à União Europeia (UE).

Já na quinta-feira (22), Emmanuel Macron havia comentado a situação no Twitter: “Isso é uma crise internacional. Membros do G7, vamos discutir essa emergência”. O premiê canadense, Justin Trudeau, tomou o lado do francês nas redes. O primeiro-ministro irlandês Leo Varadkar pôs em xeque o avanço do acordo comercial UE-Mercosul, em anúncio na mesma noite. “Bolsonaro alegou que não admitiria participar de fóruns onde a soberania do Brasil sobre a Amazônia fosse contestada. Isso nunca aconteceu na realidade. A Amazônia Legal brasileira sempre foi soberana. Mas o governo transforma um problema local em geopolítico, com sua negligência”, argumenta o professor Pedro Luiz Côrtes, do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE), no Jornal da USP no Ar.

Segundo dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e acessíveis a todos, desde o dia 1º de agosto até dia 22 do mesmo mês, o número de focos na Amazônia Legal brasileira foi igual a 356.422. Em 2018, no mesmo período, esse número foi igual a 71.710 focos. “Ou seja, tivemos um aumento de cinco vezes no número de focos de incêndio, apenas na região Amazônica”, aponta Côrtes. Além do que, o cientista fez um resgate dos dados de anos anteriores, para uma análise da série histórica. “Até hoje (23), já eram 359.911 focos. Em 2017, foram 152 mil; 2016, 120 mil; 2015, 145 mil”.

Este ano, os campeões foram Pará (com 29,6% dos focos), Rondônia (24,7%), Amazonas (22,4%) e Mato Grosso (19,3%), conforme informações do Inpe. “No ano passado, esses mesmos Estados também ocupavam a liderança”, lembra o professor. Todos esses Estados fazem parte da Amazônia Legal brasileira e fazem parte da fronteira agrícola.

Côrtes recorda que fechar o Ministério do Meio Ambiente estava entre as propostas de campanha do presidente. “Esse tipo de atitude tem repercussões na exportação. Enquanto os números de desmatamento assustam, não se vê reação direta do governo. Bolsonaro disse que criará uma comissão ou força tarefa, e esperamos que surja algo positivo. Mas, há vários meses, ele foge do assunto. A fiscalização foi extremamente abrandada nos últimos meses”, afirma.

Nesse meio-tempo, ruralistas reclamam da posição do governo. “Quem é que não está vendo, mais do que nós, agricultores, que as chuvas mudaram, a temperatura mudou, rios que não secavam antes, que eram perenes, e hoje secam? Quem nega isso está fora da realidade”, argumentou a senadora da bancada ruralista Kátia Abreu, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. “Corremos o risco de sofrer boicote às nossas exportações, a pressão dos consumidores e ambientalistas tende a aumentar e o Brasil pode perder mercado”, alegou Blairo Maggi, ex-ministro da Agricultura e acionista da maior trading de grãos de capital brasileiro.

A reação inicial do Governo Federal foi tentar negar a dimensão desse problema. “Primeiro, demitiu o diretor do Inpe. Esta semana, o ministro da Agricultura, Ricardo Salles, chegou a dizer que a chuva com material particulado e o céu escuro em São Paulo eram fake news. E, depois, veio a insinuação de que esses focos seriam promovidos por ONGs interessadas em atingir a imagem presidencial”, analisa o especialista.

O Laboratório de Estudos em Química Atmosférica do Instituto de Química (IQ) da USP analisou uma amostra, indicando a presença de reteno na água da chuva, um marcador de queimada e produto da queima de biomassa. “Dez dias atrás, olhei as imagens dos nosso sensores dos satélites em órbita e eles mostravam claramente os focos de calor separados, com colunas de fumaça enormes saindo daquelas áreas da fronteira agrícola”, alegou Douglas Morton, chefe do Laboratório de Ciências Biosféricas do Centro Goddard de Voo Espacial da Nasa, em Maryland, nos Estados Unidos, ao jornal Folha de S. Paulo.

Côrtes alerta sobre uma possível estratégia do governo Bolsonaro: “O governo está licitando um novo sistema de monitoramento, com uma maior precisão técnica. Esse novo sistema é desnecessário. O Deter (método de monitoramento do Inpe para desmatamento) opera com uma resolução de 30 metros. Isso significa que cada ponto na tela equivale, em campo, a uma área de 30 metros de diâmetro. As copas das árvores na região amazônica têm entre 20 m e 30 m de diâmetro. Portanto, ele tem sensibilidade suficiente para detectar se uma única árvore foi suprimida. Isso é o suficiente e o necessário para alertar a respeito do desmatamento”.

“Então, qual é a jogada? Com a adoção de um novo sistema de monitoramento, o governo vai iniciar uma nova série histórica sobre o desmatamento. Ele vai alegar que o sistema novo é mais completo e sofisticado do que o atual e que a comparação entre os dois não é possível. Assim, não será possível aferir se o desmatamento aumentou em relação a anos anteriores”, supõe o professor. Isso significaria outro retrocesso na fiscalização, já que a ciência trabalha com informações distribuídas ao longo do tempo.

Dessa maneira, “o boicote se aproxima. O governo abre a possibilidade para que aconteça um monitoramento internacional por imagem da Amazônia Legal. Dá espaço para outros países se organizarem e tomarem uma posição em relação à floresta. Isso seria um desastre”, alega Côrtes. A Amazônia tem impacto sobre o clima de toda a América do Sul. É responsável pelo regime de chuvas na Regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste do Brasil e de outros países como Argentina, Paraguai e Uruguai. O Pacífico Equatorial também está sob a sua área de influência. Fora isso, é uma imensa reserva de carbono. Sua queima aumenta a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. “As repercussões são globais e não são apenas ONGs se posicionando. São governos”, defende o cientista ambiental.

Fonte: Jornal da USP/Pedro Teixeira – Editorias: AtualidadesJornal da USP no ArRádio USP – URL Curta: jornal.usp.br/?p=267844

“A sociedade mudou, e nós não percebemos”

Os reitores Marcelo Knobel (Unicamp), Vahan Agopyan (USP) e Sandro Valentini (Unesp) e o jornalista Herton Escobar durante debate sobre educação – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

As universidades precisam interagir mais com a sociedade, e se comunicar melhor com ela, reconhecendo que as demandas e a percepção pública dessas instituições estão em constante evolução.

“Esse é o nosso grande desafio”, disse o reitor da USP, Vahan Agopyan. “Não porque a universidade ficou isolada numa torre de marfim”, como se costuma dizer, mas porque “a sociedade mudou, e nós não percebemos”, completou.

Os comentários foram feitos na última edição do USP Talks, que reuniu os reitores das três universidades estaduais paulistas para falar sobre os desafios da educação no Brasil, no último dia 20, em São Paulo.

Segundo Vahan, a sociedade hoje é “mais exigente, mais preparada e tem expectativas maiores” do que antigamente, que precisam ser levadas em conta na maneira como as universidades se relacionam com ela. “Não adianta falar em número de papers ou prestígio do paper, porque não é o que a sociedade deseja”, disse. “Quero que a sociedade entenda que a universidade é onde ela vai conseguir ter as suas discussões e o seu desenvolvimento. Essa é a nossa meta.”

Comunicação com a sociedade, melhor formação e internacionalização foram alguns dos temas destacados pelos reitores no evento especial do USP Talks  – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

O reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marcelo Knobel , falou sobre a necessidade de dar mais flexibilidade ao sistema e ampliar a multidisciplinaridade da formação universitária, buscando melhorar a preparação dos alunos para os novos desafios do século 21 — incluindo a capacidade de se adaptar rapidamente a novas carreiras e novas tecnologias que deverão surgir, muitas vezes de forma inesperada.

“Estamos indo na contramão do mundo inteiro no que se refere à maneira de ensinar e ao que ensinamos”, disse Knobel. “Nosso sistema é engessado, extremamente conteudista, rígido e muito, muito complicado. Tudo no sentido contrário do que a tendência mundial indica.”

“Sem dúvida precisamos avançar e começar a educar para o século 21, e não continuar ensinando como no século 19”, destacou, também, o reitor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Sandro Valentini. Ele lembrou da sua origem simples no interior paulista, filho de um funileiro mecânico, e disse que entende a educação como uma forma de emancipação. “Todos os jovens deveriam ter essa oportunidade.”

Valentini destacou também o papel da internacionalização, “não apenas para atingir rankings, mas para transformar os jovens”; e a importância de demonstrar o impacto social das pesquisas feitas nas universidades, “muito importante para recuperar ou fortalecer a nossa legitimidade perante a sociedade”.

Cada reitor fez uma apresentação individual de 15 minutos, e na sequência participaram de um debate com a plateia, em que foram levantados diversos temas. Entre eles, o programa Future-se, do governo federal, e a CPI das universidades, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

Os vídeos do evento estão disponíveis abaixo e no canal do USP Talks no YouTube, onde é possível assistir também a todos os eventos anteriores do programa.

Serviço

O USP Talks é uma iniciativa da USP, com o objetivo de aproximar as universidades da sociedade. Os eventos são realizados mensalmente, no auditório do Museu de Arte de São Paulo (Masp), com entrada gratuita e transmissão ao vivo pela internet. Para saber mais e acompanhar a programação, siga nossas páginas nas redes sociais: FacebookYouTube e Twitter.

O próximo evento será no dia 24 de setembro, sobre o tema empreendedorismo.

Fonte: Jornal da USP, 23/8/2019