Inteligência Competitiva – País: Os 11 livros que Antonio Candido considerava fundamentais para entender o Brasil

  1. O Povo Brasileiro”, de Darcy Ribeiro – “livro trepidante, cheio de ideias originais, que esclarece num estilo movimentado e atraente o objetivo expresso no subtítulo”.
  2. Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda – “análise inspirada e profunda do que se poderia chamar a natureza do brasileiro e da sociedade brasileira a partir da herança portuguesa, indo desde o traçado das cidades e a atitude em face do trabalho até a organização política e o modo de ser”.
  3. História dos Índios do Brasil”, organizada por Manuela Carneiro da Cunha – “redigida por numerosos especialistas, que nos iniciam no passado remoto por meio da arqueologia, discriminam os grupos linguísticos, mostram o índio ao longo da sua história e em nossos dias, resultando uma introdução sólida e abrangente”.
  4. Ser Escravo no Brasil”, de Kátia de Queirós Mattoso – “uma excelente visão geral desprovida de aparato erudito, que começa pela raiz africana, passa à escravização e ao tráfico para terminar pelas reações do escravo, desde as tentativas de alforria até a fuga e a rebelião”.
  5. Casa Grande e Senzala”, de Gilberto Freyre – “Verdadeiro acontecimento na história da cultura brasileira, ele veio revolucionar a visão predominante, completando a noção de raça (que vinha norteando até então os estudos sobre a nossa sociedade) pela de cultura; mostrando o papel do negro no tecido mais íntimo da vida familiar e do caráter do brasileiro; dissecando o relacionamento das três raças e dando ao fato da mestiçagem uma significação inédita”.
  6. Formação do Brasil Contemporâneo, Colônia”, de Caio Prado Júnior – “É admirável, neste outro clássico, o estudo da expansão demográfica que foi configurando o perfil do território – estudo feito com percepção de geógrafo, que serve de base física para a análise das atividades econômicas (regidas pelo fornecimento de gêneros requeridos pela Europa), sobre as quais Caio Prado Júnior engasta a organização política e social, com articulação muito coerente, que privilegia a dimensão material”.
  7. A América Latina, Males de Origem”, de Manuel Bonfim – “depois de analisar a brutalidade das classes dominantes, parasitas do trabalho escravo, mostra como elas promoveram a separação política para conservar as coisas como eram e prolongar o seu domínio”.
  8. Do Império à República”, de Sérgio Buarque de Holanda – “expõe o funcionamento da administração e da vida política, com os dilemas do poder e a natureza peculiar do parlamentarismo brasileiro, regido pela figura-chave de Pedro II”.
  9. Os Sertões”, de Euclides da Cunha – “livro que se impôs desde a publicação e revelou ao homem das cidades um Brasil desconhecido, que Euclides tornou presente à consciência do leitor graças à ênfase do seu estilo e à imaginação ardente com que acentuou os traços da realidade, lendo-a, por assim dizer, na craveira da tragédia”.
  10. Coronelismo, Enxada e Voto”, de Vitor Nunes Leal – “análise e interpretação muito segura dos mecanismos políticos da chamada República Velha”.
  11. A Revolução Burguesa no Brasil”, de Florestan Fernandes – “uma obra de escrita densa e raciocínio cerrado, construída sobre o cruzamento da dimensão histórica com os tipos sociais, para caracterizar uma nova modalidade de liderança econômica e política”.

Fonte: Rodrigo Casarin, Blog Página Cinco, UOL, 12/05/2017 10h35

Estratégia, por Michael Porter

Ouço por aí que as empresas grandes, as corporações gigantes, são justamente as que precisam conduzir seus negócios com estratégia. Que as empresas menores, mais empreendedoras, ao contrário, não precisam de estratégia – porque podem procurar outras alternativas para atingir sucesso nos negócios. Minha opinião é exatamente o contrário. Diferente do que se dá com as empresas gigantes, a sobrevivência dos negócios pequenos não pode depender da inércia do mercado. Nem pouco podem essas empresas ser bem-sucedidas pelo uso da força, despejando recursos sobre os problemas. Ao contrário, as empresas pequenas precisam perceber o ambiente competitivo com maior clareza e delimitar e proteger uma posição que tenham condições de defender.

Isso é que é estratégia – escolher a posição que a empresa vai ocupar em seu ambiente competitivo.

Como ponto de partida, o pensamento estratégico envolve a colocação de duas questões críticas. Primeira, qual é a estrutura da sua indústria e qual a sua tendência de evolução com o passar do tempo?

Se o campo de atividade na qual ela se encontra não é muito atraente – e logo adiante será visto como medir essa atratividade – pode-se deixá-lo ou encontrar um modo de redefini-lo.

Segunda, qual é a posição relativa da sua empresa nesse ramo? Não importa quão atraente seja o jogo, não é possível ter êxito quando não se tem um bom posicionamento. Inversamente, é possível pertencer a um setor sem brilho, com baixa rentabilidade média – e, não obstante, ter bons resultados se a empresa conseguir ocupar exatamente o nicho certo. O raciocínio estratégico mostra como estabelecer e defender essa posição.

A cada ramo, independentemente do produto ou serviço, há cinco forças básicas que regem a competição. Em conjunto, elas determinam a atratividade da indústria e sua rentabilidade a longo prazo.

A primeira, é o caráter da rivalidade entre os concorrentes. Se a competição dentro do seu ramo se assemelha a uma guerrilha, se há sempre alguém atacando sua posição, isso torna o ramo menos atraente e menos rentável. Se a competição focalizar mais a imagem e o serviço do que a redução de preços, o ramo como um todo será mais rentável.

Em seguida, há a ameaça da entrada de novos concorrentes. Se for fácil para alguém mais entrar no negócio, acrescentar nova capacidade e corroer preços, isto também provocará a redução dos lucros. Porém, se houver barreiras eficientes dificultando a entrada, todas as empresas do setor se sairão melhor.

Outro fator: a ameaça de produtos ou serviços substitutos. Se você fabrica janelas de alumínio, você tem que se preocupar com os fabricantes de janelas de vinil. Se os consumidores tiverem à sua disposição uma variada gama de possibilidades de escolha, o lucro da empresa daquele setor será prejudicado.

O poder de negociação dos fornecedores determina até que ponto eles podem forçar o aumento do preço do produto que você precisa comprar.

Se a maior parte do que você compra são commodities e há facilidade de troca de fornecedores, estes não poderão exercer muita influência. Entretanto, se você depende de fornecedores de produtos especiais de um ou dois principais, terá de pagar o que pedirem.

O poder de negociação dos compradores igualmente determina o grau da liberdade de movimento em sua política de preços. Se os seus consumidores são muitos mais poderosos que você, podem forçar o preço para baixo, podem forçá-lo a oferecer inúmeros serviços gratuitos, ou a manter estoques grandes envolvendo custo e risco. Isso pode eliminar o lucro de sua atividade.

O equilíbrio dessas cinco forças irá determinar o potencial de lucro fundamental em qualquer ramo.

* Michael Porter é considerado um dos maiores especialistas mundiais em estratégia empresarial. Escreveu 12 livros, entre os quais “Vantagem Competitiva”, que está em sua 19ª edição, e “Estratégia Competitiva”, tido como o melhor trabalho na área.

Inteligência Competitiva Análise – 1 ano Governo Temer: Henrique Meirelles tem tido a habilidade de transformar derrotas em vitórias

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O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles Foto: Fábio Motta/Estadão

BRASÍLIA – No jogo da linguagem do poder em Brasília, uma das máximas que vale para os ministros da Fazenda de todos os governos é a de que eles não podem mostrar, em hipótese nenhuma, que saíram derrotados em algum embate dentro e fora da Esplanada dos Ministérios.

Completando um ano no comando da economia, depois de assumir o ministério mais poderoso do governo em meio a mais longa recessão da história do País, Henrique Meirelles tem tido a habilidade de transformar derrotas ou meias derrotas em vitórias.

Escolhido pelo presidente Michel Temer para tirar as contas públicas do buraco e garantir a recuperação econômica, o ex-presidente do Banco Central do governo Lula conseguiu implementar uma política de ajuste fiscal gradual que vai manter por alguns anos ainda déficits robustos.

O déficit fiscal acumulado até o final do governo, em 2018, terá chegado a R$ 422 bilhões, na hipótese esperada de que as metas fiscais serão cumpridas à risca. Mas apesar do tamanho do rombo, que assusta e coloca a dívida pública em trajetória de alta pelo menos até 2020, Meirelles obteve a confiança necessária dos agentes econômicos e investidores para implementar o seu plano sem grandes sobressaltos e volatilidade dos mercados, estancando a sangria econômica do País que marcou 2015 e os primeiros meses do ano passado.

Se não fosse essa confiança, avaliam auxiliares do presidente, muito provavelmente Temer já teria sido obrigado a tomar medidas ainda mais duras para mostrar compromisso firme com o fim do desequilíbrio fiscal, apontado por boa parte dos economistas como a principal razão para a recessão.

Não é à toa que Meirelles não pensou duas vezes ao responder pergunta do Estado, em entrevista no seu gabinete em Brasília, sobre qual seria a sua principal conquista até agora na Fazenda: “Eu diria que a primeira vitória foi a reversão das expectativas”. A lista é seguida pela queda da inflação, apontada por ele como resultado não só da política monetária do BC, mas também fruto do ajuste fiscal em curso. Em terceiro lugar, Meirelles cita a retomada do crescimento. “Já está acontecendo. Estamos com resultado positivo no primeiro trimestre”, diz ele.

O ministro não se cansa de repetir que o ambiente econômico é de inflexão e que o crescimento de 0,8% esperado para os primeiros três meses do ano é muito bom. “Excelente”, diz. “Bem maior do que a expectativa dos analistas. O crescimento de 0,8% no trimestre é muito forte, dá uma alta anualizada, isto é um ritmo da economia, acima de 3%”, completa.

Se o crescimento não veio em 2016 como era esperado, o governo completa agora um ano com a atividade econômica em trajetória de recuperação, as metas fiscais sendo alcançadas, inflação e juros em queda e o teto do gasto aprovado pelo Congresso – o mecanismo de controle do crescimento das despesas é a medida fiscal mais importante lançada desde a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Apesar das incertezas que ainda rondam a votação, a reforma da Previdência avança no Congresso. Há quase noves meses, quando o presidente tomou posse depois do impeachment, muitos ainda tinham dúvidas se a proposta seria enviada. Cinco meses depois, a proposta foi aprovada pela comissão especial da Câmara nesta semana e caminha para a principal batalha: a votação em primeiro turno no plenário, prevista para o final deste mês.

O governo já teve que abrir mão até agora de parte da economia calculada com a sua aprovação, mas a avaliação dos principais especialistas é a de que ela é crucial. A oposição rebate. E escolheu o ministro como alvo principal dos ataques nos debates no Congresso. Para as lideranças oposicionistas, a política de Meirelles aprofundou a recessão e o desemprego.

“O que é isso ministro?”. Mas é gradualismo fiscal que tem sustentado até agora a decisão do presidente de não aumentar tributos. Em doze meses de governo, não houve aumento de novos impostos, mas sim a retirada das desonerações tributárias setoriais concedidas durante o governo do PT e que contribuíram para o tombo da arrecadação e o aumento dos déficits. Se até agora a carga tributária não foi elevada, a medida, porém, não está totalmente afastada.

Foi o debate público em torno da possibilidade de aumento de impostos para fechar as contas este ano, durante a definição do corte do Orçamento, que provocou um dos momentos mais tensos para Meirelles. Em reação à possibilidade, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) publicou, em maio, anúncio com um ataque direto a ele: “O que é isso, ministro?”, a Fiesp afirma que “causa total indignação a fala do ministro da Fazenda, que preanuncia aumento de impostos”

Meirelles não comprou a briga pública. Telefonou para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e o convidou para uma conversa no seu gabinete. No encontro, apresentou números e Skaf diminuiu os ataques. Quando o corte foi anunciado junto com a oneração da folha de pagamento, as críticas dos empresários estavam amansadas. “Ele antecipa e observa tendencia e corrige no dia seguinte uma notícia negativa”, diz um interlocutor.

Como ocorreu com a Fiesp, o ministro também preferiu agir nos bastidores e não respondeu à provocação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que afirmara que “não precisava dizer amém para Meirelles” durante a votação de projeto de ajuda aos Estados. As negociações com os Estados representaram até agora as maiores perdas para Meirelles, de acordo com técnicos da própria  área econômica. E a solução da crise financeira dos Estados ainda não está totalmente encaminhada.

Tucanos. Quando começou a ser atacado, no final do ano, por lideranças da base aliada, sobretudo do PSDB, o ministro seguiu o mesmo roteiro. Os tucanos capitanearam a irritação dos políticos com o crescimento que não veio e a queda lenta dos juros. Isso depois de a equipe econômica ter dito que, com a aprovação do teto do gasto, a economia iria melhor. Mas ao contrário, as projeções de PIB caíram.

“Foi um momento delicado para o ministro e todo governo. Os políticos estavam perdendo narrativa para justificar o que o governo estava fazendo depois da aprovação do teto e aí teve esse embate”, resumiu um auxiliar do presidente.

Meirelles conversou com os insatisfeitos e logo depois estava anunciando ao lado do ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, um pacote de medidas de estímulo ao crescimento. As criticas diminuíram. O BC, que estava sendo acusado de atrasar a retomada, começou a acelerar a queda dos juros.  O alívio tomou conta do governo. Além das reformas, agora, novas batalhas estão sendo travadas e renovadas. A principal delas: a retomada do emprego esperada para o ultimo trimestre do ano.

Fonte: Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo, 12 Maio 2017 | 05h00

Inteligência Competitiva Empresas: Petrobrás mostra recuperação e registra lucro de R$ 4,4 bi no 1º trimestre

Petrobrás

Plano de venda de ativos favoreceu números da estatal Foto: Agência Petrobrás

A Petrobrás teve lucro de R$ 4,449 bilhões no primeiro trimestre deste ano e reverteu o prejuízo de R$ 1,246 bilhão visto no mesmo período do ano passado. O presidente da estatal, Pedro Parente, afirmou estar satisfeitos com os resultados. “Em termos gerais, os resultados operacionais e financeiros foram positivos. Foi um bom trimestre para a companhia”, disse.

Ao participar da coletiva para divulgar os números, o executivo destacou a geração de caixa da companhia. O Ebitda de R$ 25,5 bilhões registrado nos três meses encerrados em março foi um recorde histórico. A margem Ebitda é a maior desde 2009.

A expectativa era que o resultado do período de janeiro a março deste ano fosse positivo em R$ 3,5 bilhões, segundo analistas consultados pelo Broadcast, sistema de informações em tempo real do Grupo Estado. No último trimestre de 2017, a petroleira também registrou lucro, de R$ 2,510 bilhões, já mostrando recuperação.

O resultado do primeiro trimestre foi influenciado pela queda de 27% nas despesas recorrentes  e de 11% nas despesas financeiras, ambas na comparação trimestral. Além disso, a política de preços de combustíveis permitiu à empresa se adaptar aos preços do petróleo no exterior, o que também resultou em ganhos. Na expectativa da divulgação dos números positivos, as ações da Petrobrás fecharam em alta de 0,61% na PN (preferência no recebimento de dividendos, papéis mais líquidos).

Petrobrás coloca à venda refinaria de Pasadena e subsidiária na África

De acordo com a petroleira, o resultado foi determinado por menores gastos com importações de petróleo e gás natural, pela maior participação do óleo nacional na carga processada e pela maior oferta de gás nacional.

Além disso, houve aumento de 72% nas exportações, que atingiram 782 mil barris/dia, com preços médios de petróleo mais elevados; pela redução de 27% nas despesas com vendas, gerais e administrativas; pela queda de 11% nas despesas financeiras líquidas e por menores gastos com baixa de poços secos e/ou subcomerciais e com ociosidade de equipamentos.

Segundo especialistas, o resultado do primeiro trimestre passou ao largo do impacto da recessão nas vendas internas de combustíveis. A queda na produção (8%) e nas vendas (5%) de gasolina, diesel e demais derivados, na comparação com o primeiro trimestre de 2016, foi compensada pelo aumento nas exportações.

Com isso, a produção total de petróleo da estatal, no Brasil e no exterior, cresceu 9% em relação ao primeiro trimestre de 2016, para 2,248 milhões de barris/dia. “Estamos satisfeitos com esses resultados”, disse o presidente da estatal, Pedro Parente. “Reduzimos gastos com ganhos de produtividade e aumento da produção.”

​Para o analista Flávio Conde, da consultoria WhatsCall Research, o resultado foi “forte”, principalmente por causa da maior eficiência operacional. O balanço financeiro da estatal mostrou que, no primeiro trimestre, houve redução de 27% nas despesas com “vendas, gerais e administrativas” e de 11% nas despesas financeiras líquidas. Com o avanço do plano de incentivo ao desligamento voluntário (PIDV), o efetivo total encolheu 17% na comparação com o primeiro trimestre de 2016, somando agora 65,2 mil funcionários.

O anúncio da conclusão da venda de 90% das ações do gasoduto NTS (Nova Transportadora do Sudeste) para a Brookfield também ajudou no resultado positivo deste primeiro trimestre. A operação, concluída no mês passado, rendeu US$ 4,23 bilhões à Petrobrás.

O endividamento da petroleira também caiu. A alavancagem – ou o quanto o patrimônio da empresa está comprometido com dívidas – caiu de 3,54 vezes para 3,24 vezes em relação ao quatro trimestre do ano passado. A dívida bruta caiu 5% em relação ao nível do fim de 2016, passando para R$ 364,8 bilhões. A dívida líquida ficou em R$ 301 bilhões. Grande parte do movimento se deveu à queda do dólar: na moeda americana, a dívida líquida caiu só 1%, para US$ 95 bilhões.

A petroleira continua a ser uma das companhias mais endividadas do mundo, mas o índice de alavancagem está caindo a patamares que nem a diretoria projetava. A estatal se comprometeu com a meta de reduzir esse índice a 2,5 no fim do próximo ano. Para Conde, mantido o ritmo atual, a meta parece factível.

Segundo Edmar Almeida, professor da UFRJ, o resultado mostra que a Petrobrás está em recuperação, mas, além das cotações do petróleo e da venda de ativos, a estatal dependerá muito da economia brasileira para atingir suas metas.

Além das exportações, a variação cambial ajudou ainda a melhorar os números da dívida, denominada em dólar. No entanto, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) questiona, por meio de oito processos, a contabilidade de operações de hedge da petroleira, usadas para proteção contra variações no câmbio.

Além da forma como a petroleira contabiliza esses números, o órgão regulador também investiga atrasos na entrega de informações financeiras e a atuação de auditores independentes na análise das informações prestadas pela companhia.

Fontes: KARIN SATO,  MÁRCIO RODRIGUES, FERNANDA NUNES E VINÍCIUS NEDER, O Estado de S.Paulo, 11 Maio 2017 | 18h07

Inteligência Competitiva Comunicação: Posicionamento do Bradesco muda para refletir Brasil atual

Fachada de agência do banco Bradesco (Foto: Reprodução/Facebook)

O Bradesco está fazendo a maior mudança em sua comunicação dos últimos anos. No início deste ano, a instituição financeira abriu uma concorrência para mudar de agência de publicidade – saiu a WMcCann, que tinha a conta desde 2012, e entraram Publicis (atendimento institucional) e Leo Burnett Tailor Made (produtos). Agora, o segundo maior banco privado do país se prepara para lançar um novo posicionamento, calcado na noção de que o brasileiro quer seguir adiante após uma crise aguda, mas com responsabilidade.

É assim que o Bradesco dará adeus à assinatura “Tudo de BRA”, que pautou a marca durante a ativação do patrocínio à Olimpíada de 2016, e estreará uma campanha com o mote “Pra Frente”. O tom, mais sóbrio, propõe uma reflexão em relação aos objetivos de vida, contando histórias de brasileiros que estão buscando alcançar suas metas.O primeiro filme dessa nova fase, criado pela Publicis, estreou ontem no intervalo do Fantástico, da TV Globo. A ideia é que, na sequência, as propostas de produtos trabalhem o mesmo conceito.

O Bradesco é um dos maiores anunciantes do Brasil – em 2016, de acordo com a Kantar Ibope Media, foi o quarto banco que mais gastou em publicidade, atrás de Caixa, Banco do Brasil e Itaú. Os gastos somaram R$ 925 milhões, ainda segundo a Kantar Ibope, mas os dados não levam em conta os descontos concedidos pelos veículos de comunicação, que não raramente giram em torno de 80% do valor de tabela, segundo fontes de mercado.

De acordo com Márcio Parizotto, diretor de marketing do Bradesco, o banco acredita que o brasileiro tem condições de superar o mau momento atual – depois de dois anos de recessão que elevaram o desemprego a 13,5% -, mas decidiu evitar o discurso vazio de otimismo. “Acho que o brasileiro vai ver esse novo período de ascendência de forma mais responsável, consciente e madura”, diz o executivo. “A campanha é uma voz de comando do próprio brasileiro, que se vê hoje sem outra opção senão seguir adianta”.

Na avaliação do Bradesco e da Publicis, o novo discurso tem sintonia com o posicionamento do banco. “Nossa avaliação, ao fazer o planejamento, foi que o Bradesco passou por todo tipo de situação no Brasil em 74 anos, das maiores crises aos principais momentos de expansão”, ressalta Hugo Rodrigues, presidente da Publicis. O executivo do Bradesco lembra que a compra do HSBC foi fechada durante o turbulento ano de 2015. Foi a maior aquisição feita pelo banco em sua história, ao custo de R$ 16 bilhões. A instituição nacional bateu concorrentes como Itaú e Santander na disputa pelo ativo.

Presidente Luiz Carlos Trabuco

Outra característica histórica do banco que também reflete a posição “Pra Frente”, na avaliação do presidente da Publicis, é o fato de ter a tradição de criar talentos dentro de casa – a maior parte de seus principais executivos, incluindo o presidente Luiz Carlos Trabuco, que tem 40 anos de casa, fez a maior parte da carreira na instituição. Seria mais um indício de que a instituição valoriza o trabalho construído aos poucos, em vez de grandes saltos de expansão.

Trajetórias

Além do filme que dará o pontapé inicial na campanha, o Bradesco também usará histórias de vida de brasileiros em vídeos que serão exibidos online. Serão relatos sobre pessoas que estão se arriscando para realizar projetos de vida. “A ideia é mostrar um brasileiro que toca seus projetos, mas de uma forma mais pragmática.”

Fonte: 17/04/2017 – 09h32 – Atualizada às 09h38 – POR ESTADÃO CONTEÚDO/Época Negócios

Inteligência Competitiva: Os dados viraram o ‘petróleo da era digital’ e isso requer uma nova abordagem por parte das autoridades antitruste

Foto: EFE/MICHAEL NELSON
Amazon

O fundador do portal de vendas online Amazon, Jeffrey P. Bezos

Novas commodities dão origem a atividades lucrativas e de crescimento acelerado, levando as autoridades antitruste a intervir para coibir os que controlam seu fluxo. Há cem anos, o recurso em questão era o petróleo. Agora surgem preocupações semelhantes em relação aos colossos corporativos que lidam com dados, esse petróleo da era digital.

Nada parece ser capaz de deter as gigantes do setor – Alphabet (holding que controla o Google), Amazon, Apple, Facebook e Microsoft. Em valor de mercado, são as cinco maiores empresas de capital aberto do mundo. Seus lucros estão nas nuvens: juntas, embolsaram mais de US$ 25 bilhões em lucros líquidos no primeiro trimestre de 2017. A Amazon abocanha US$ 0,50 de cada US$ 1 que os americanos gastam em compras online. No ano passado, praticamente todo o aumento da receita de publicidade digital nos EUA ficou com Google e Facebook.

Tal domínio levou alguns a propor que as gigantes de tecnologia sejam divididas em companhias menores, como se fez com a petrolífera Standard Oil no início do século 20. No passado, The Economist se posicionou contrariamente a medidas drásticas desse tipo. Tamanho, por si só, não é crime. O sucesso dos colossos da internet tem trazido benefícios para os consumidores. Pouca gente gostaria de viver sem o mecanismo de buscas do Google, sem as entregas em um dia útil da Amazon ou sem o “feed de notícias” do Facebook. Essas empresas tampouco parecem problemáticas quando avaliadas segundo os critérios tradicionalmente adotados pelas autoridades antitruste. Longe de explorar os consumidores com preços abusivos, muitos de seus serviços são gratuitos (os usuários pagam por eles oferecendo acesso a ainda mais dados). Suas fatias de mercado, quando as concorrentes offline são incluídas no cálculo, não parecem tão alarmantes. E o surgimento de estrelas ascendentes, como o Snapchat, indica que o mercado não está fechado para novos concorrentes.

Apesar disso, há motivo para preocupação. O controle que as empresas de internet têm sobre os dados digitais lhes confere um poder imenso. O tipo de análise com que, na era do petróleo, determinava-se o grau de competição em dado setor de atividade não parece dar conta dessa que se convencionou chamar de “economia dos dados”. Faz-se necessária uma nova abordagem.

A quantidade tem uma qualidade toda própria. O que mudou? Os smartphones e a internet tornaram os dados abundantes, onipresentes e muito mais valiosos. Hoje, quando a pessoa sai para correr, liga a TV ou simplesmente se vê parada no trânsito, todas as suas atividades deixam rastros digitais, isto é, mais matéria-prima para as refinarias de dados. Com um sem-fim de dispositivos, de relógios a automóveis, conectados à internet, esse volume só faz crescer: pelos cálculos de alguns analistas, cada carro autônomo gerará 100 gigabytes de dados por segundo. Por sua vez, certas técnicas de inteligência artificial, como o aprendizado de máquina, extraem ainda mais valor dos dados. Com o auxílio de algoritmos, pode-se prever em que momento determinado consumidor está pronto para realizar uma compra, quando a turbina de um avião precisa ser encaminhada à manutenção ou quando uma pessoa corre o risco de adoecer. Gigantes industriais, como GE e Siemens, hoje se apresentam como empresas de dados.

A natureza da competição é modificada pela abundância de dados. As gigantes de tecnologia sempre tiraram proveito dos “efeitos de rede”: quanto mais usuários o Facebook tem, mais atraente a rede social se torna para outras pessoas. No caso dos dados, há efeitos de rede adicionais. A coleta de um volume cada vez maior de dados deixa determinada empresa em melhores condições de aperfeiçoar seus produtos, coisa que, por sua vez, atrai mais usuários, gerando ainda mais dados, e assim por diante. Graças ao volume crescente de dados que coleta com seus carros autônomos, a Tesla aprimora cada vez mais seu sistema de autocondução — coisa que explica, em parte, o fato de a montadora, que vendeu apenas 25 mil veículos no primeiro trimestre deste ano, valer mais que a GM, que comercializou 2,3 milhões. Assim, grandes repositórios de dados funcionam como barreiras de proteção contra o surgimento de novos concorrentes.

O acesso aos dados também protege as empresas de outra maneira. No setor de tecnologia, a concorrência era garantida, até pouco tempo atrás, pela possibilidade de que startups de fundo de quintal deixassem na poeira empresas estabelecidas e de grande porte, ou de que estas fossem atingidas por inesperadas mudanças tecnológicas. Na era dos dados, é menor a probabilidade de que isso aconteça. Os titãs da internet estão a par do que se passa em todos os cantos da economia: o Google vê o que as pessoas procuram; o Facebook, o que elas compartilham; a Amazon, o que elas compram. Suas lojas de aplicativos e sistemas operacionais, assim como o poder computacional que alugam para startups, proporciona a essas empresas uma visão abrangente, quando não absoluta, das atividades desenvolvidas em seus mercados e em inúmeros outros setores da economia. Alertadas sempre que um novo produto ou serviço começa a fazer sucesso, podem copiá-lo ou simplesmente comprar a startup que o criou, antes que ela se torne uma ameaça.

Muitos avaliam que os US$ 22 bilhões que o Facebook pagou pelo WhatsApp, aplicativo de mensagens operado por menos de 60 funcionários, só se justificam quando o negócio é visto por esse lado. Atuando como barreira de acesso e alerta para o surgimento de novos rivais, os dados têm o potencial de restringir a competição.

E agora, caçadores de monopólios? A natureza dos dados digitais torna menos eficazes os remédios antitruste do passado. A divisão de uma companhia como o Google em cinco Googlezinhos não impediria que os efeitos de rede continuassem a produzir concentração: com o passar do tempo, uma das novas empresas voltaria a se tornar dominante. O problema tem de ser enfrentado com um novo paradigma. Por ora, duas ideias se destacam nesse esforço.

A primeira é que as autoridades antitruste precisam deixar a era industrial para trás e ingressar definitivamente no século 21. Ao avaliar uma fusão, por exemplo, o tamanho das empresas envolvidas no negócio costumava ser o fator que determinava sua intervenção. Agora, para se determinar o impacto de um negócio é preciso levar em consideração a extensão dos ativos de dados controlados pelas empresas que pretendem se fundir. O preço de aquisição pode servir como indício de que uma empresa estabelecida está abocanhando uma ameaça nascente. Se esses critérios estivessem em vigor, o fato de o Facebook ter se disposto a pagar valor tão elevado pelo WhatsApp, que nem receitas gerava, teria acionado o alerta vermelho. Os caçadores de monopólios também precisam sofisticar a utilização de dados ao analisar a dinâmica de mercado, passando a realizar, por exemplo, simulações para identificar algoritmos que contribuem para a prática de preços abusivos, ou para encontrar a melhor forma de estimular a concorrência.

A segunda ideia é retirar parte do controle que os provedores de serviços online têm sobre os dados que coletam e transferi-lo para os usuários que os fornecem. Aumentar a transparência ajudaria: as empresas poderiam ser obrigadas a revelar aos consumidores as informações de que dispõem a seu respeito e o valor das receitas obtêm com elas. O surgimento de novos serviços seria incentivado se os governos ampliassem o acesso a seus bancos de dados ou passassem a gerir como infraestrutura pública certos segmentos fundamentais da economia dos dados, como faz a Índia com o Aadhaar, seu sistema de identidade digital. As autoridades também poderiam tornar obrigatório o compartilhamento, com o consentimento do usuário, de certos tipos de dados. É o que a Europa está fazendo com suas instituições bancárias.

Não será fácil reformular os paradigmas das autoridades antitruste e adequá-los à era da informação. Isso implicará novos riscos: ampliar o compartilhamento de dados pode ameaçar a privacidade, por exemplo. Mas, se não quiserem que a economia dos dados seja dominada por alguns poucos titãs, as autoridades governamentais precisam entrar rapidamente em ação.

Fonte: Estadão/The Economist, 06 Maio 2017 | 10h41, © 2017 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. TRADUZIDO POR ALEXANDRE HUBNER, PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM

Competição, Competitividade e Inteligência Competitiva é na Revista Inteligência Competitiva

Sumário

Editorial

Editorial Janeiro – Março PDF
Alfredo Passos

Artigos

Comprometimento Organizacional: Estudo do Modelo Tridimensional em uma Cooperativa de Crédito na Capital Gaúcha PDF
Sheila Cristina Tavares de Oliveira Bassani, Flávia Camargo Bernardi, Mikael Dalberto, Maria Emilia Camargo, Uiliam Hahn Biegelmeyer 1-43
Qualidade sobre rodas: o nível de satisfação de consumidores sobre os serviços de alimentação em Food Trucks PDF
Pyetro Pergentino de Farias, Joelma Ferreira da Silva, Jammilly Mikaela Fagundes Brandão 44-71
Mercado de Transferências de Atletas de Futebol e o Processo de Globalização: Correlação entre os valores do Transfermarkt e do jogo eletrônico Football Manager PDF
Eric Matheus Rocha Lima, Ivan Wallan Tertuliano, André Luis Aroni, Afonso Antonio Machado, Carlos Norberto Fischer 72-90
Fusão entre ALL – América Latina Logística e Rumo Logística Operadora Multimodal: Uma Análise a partir da Visão Baseada em Recursos. PDF
Anderson Aquiles Viana Leite, Cristiane Teresinha Agnolin, Carlos Eduardo Carvalho 91-128
MAPEAMENTO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA SOBRE APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL: UM ESTUDO NA BASE SPELL PDF
Mayara Pires Zanotto, Juliano Uecker de Lima, Diego Luís Bertollo, Adrieli Pereira Radaeli, Fabiano Larentis, Eric Henry Charles Dorion 129-153
Perspectivas Teóricas do Mainstream da Administração Estratégica: Uma Meta-Síntese PDF
Jonathan Simões Freitas, Júlia Araújo Tiso Mudrik, Paulo Vítor Guerra, Lin Chih Cheng, Carlos Alberto Gonçalves 154-182

Estudo de Caso

IN SEARCH OF INNOVATION: LOOKING OUTSIDE THE COMPANY PDF (English)
Celso dos Santos Malachias, Luiz Carlos Di Serio 183-214

Relato Técnico-Científico

Notas críticas acerca das Estruturas Organizacionais Competitivas PDF
luciano augusto toledo, Guilherme de Farias Shiraishi, Conceiçao Aparecida Barbosa 215-231
EMPREENDEDORISMO DIGITAL: UM ESTUDO SOBRE O USO DA TECNOLOGIA COMO ALAVANCAGEM DE NEGÓCIOS EM UMA STARTUP EDUCACIONAL PDF
Alexandre Albuquerque Domingues, Kathryn Floyd-Wheeler 232-261
Balanceamento da remuneração estratégica da força de vendas como vantagem competitiva PDF
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