Por que o Brasil é uma ótima oportunidade para as healthechs

Robson Capasso, professor associado da Universidade de Stanford (Foto: Divugação)
ROBSON CAPASSO, PROFESSOR ASSOCIADO DA UNIVERSIDADE DE STANFORD (FOTO: DIVUGAÇÃO)

Envelhecimento da população, aumento no número de casos de diabetes, “epidemia” de depressão e uma população altamente dependente do sistema público. Esse é o retrato do futuro da saúde no Brasil, segundo Robson Capasso, professor associado do departamento de Otorrinolaringologia de Stanford e empresário de tecnologia. Capasso participou do Brazil at Silicon Valley, encontro promovido por estudantes e ex-alunos brasileiros de Stanford no Vale do Silício, onde mediou um debate sobre o futuro das healthtechs.

O especialista conversou com Época NEGÓCIOS sobre os insights gerados no evento e a importância das startups de saúde no Brasil. Para o professor, o exaurido modelo brasileiro não vai aguentar muitos anos — se é que aguenta hoje. “Do jeito que está, não vai dar”, afirma. No seu entendimento, passou da hora de empresários, universidades e poder público trabalharem em conjunto com a tecnologia para atender melhor a população.

Capasso tem experiência na área. Além de professor associado, ele é sócio e conselheiro de algumas healthtechs norte-americanas, como a Arterys, plataforma que usa inteligência artificial para a produção de imagens no setor de radiologia. No Brasil, entretanto, o cenário é diferente dos Estados Unidos. Segundo o especialista, o ecossistema de inovação ainda é incipiente por aqui.

Isso se dá em decorrência da estrutura do mercado brasileiro de saúde. Para essa realidade mudar, em sua opinião, seria preciso dar maior celeridade ao poder público. Entidades como a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) são as responsáveis pela regulação do uso de novas tecnologias na saúde do país. As aprovações poderiam ser bem mais velozes, na visão de Capasso.

Outro lado em questão é o das sociedades médicas, que também deveriam buscar inovação e tecnologia no seu dia a dia. Também entra na conta o interesse dos empreendedores no setor. Para o professor, as healthtechs brasileiras ainda estão focadas demais em soluções simples, como prontuários eletrônicos e consultórios médicos mais acessíveis. “A formação de um ecossistema transparente entre governos, associações e universidades precisa começar a ser feita”, diz.

Passo para trás

Para essa realidade mudar, é preciso analisar com frieza a estrutura brasileira e deixar de investir em ideias que não são necessariamente úteis para a população, defende o professor. É o que Capasso chama de inovação baseada na necessidade. “Não se pode desenvolver a tecnologia para depois pensar em como aplicá-la.” É preciso assertividade.

O que só acontecerá se as healthtechs brasileiras se derem conta da importância do corpo médico no time de empreendedores e da oportunidade tremenda que é ter uma quantidade massiva de clientes embaixo do Sistema Único de Saúde (SUS), diz o professor. “Quando você tem dado de qualidade em larga escala, fica muito fácil”, afirma.

Por isso, ele defende que empreendedores, estudantes e representantes dos setores de saúde trabalhem para adicionar tecnologia ao SUS. Uma saída, na sua visão, seria dividir os esforços pelo número de doentes. “Por que não criar um contrato para cuidar exclusivamente da vertical dos pacientes com diabetes?”.

Tal movimento seria providencial para a obtenção de dados de qualidade. “Com informação razoável de milhões de pessoas, você tem uma riqueza enorme para padronizar e criar soluções com inteligência artificial e machine learning. Imagine isso no SUS”.

Ética

Ao mesmo tempo, Capasso sabe a importância de se ter cuidado com esse tema. Para o professor, há desafios éticos a trabalhar dentro das healthtechs. Questões como privacidade devem ser prioridade para os empreendedores. Além disso, indagações mais reflexivas, como contar ou não a um paciente sobre sua predisposição a doenças, devem entrar no radar das startups. “Você quer saber se o seu código genético é predisposto a ter Alzheimer? É preciso criar sistemas seguros que respeitem tais decisões.”

Fonte: Época Negócios, 17/04/2019 – 06H01 – POR RENNAN A. JULIO

Escolas no Vale do Silício não usam computadores e tablets

YouTube decidiu que não vai permitir 'pegadinhas que causem desgaste emocional a crianças, que sejam graves a ponto de deixar uma criança traumatizada por toda a vida' (Foto: Getty Images via BBC)
CRIANÇAS NORTE-AMERICANAS DE ZERO A OITO ANOS PASSARAM, EM MÉDIA, 48 MINUTOS POR DIA NO CELULAR EM 2017 (FOTO: GETTY IMAGES VIA BBC)

Filhos de executivos de grandes empresas do Vale do Silício (EUA) crescem em um dos centros que está transformando a sociedade do século XXI. Mas se engana quem pensa que essas crianças aprendem com tablets e computadores de última geração. Cresce na região a oferta de escolas do ensino fundamental onde alunos estudam da mesma forma que seus pais, décadas atrás: só com lápis, borracha e papel.

Em certas escolas de Palo Alto, nem mesmo livros didáticos são impressos —  são as próprias crianças que elaboram o conteudo à mão. No Brasil, a Waldorf of Peninsula, escola particular, telas de computador e gadgets só entram nas salas de aula quando os jovens chegam ao ensino médio.

“O que desencadeia o aprendizado é a emoção, e são os seres humanos que produzem essa emoção, não as máquinas. Criatividade é algo essencialmente humano. Se você coloca uma tela diante de uma criança pequena, você limita suas habilidades motoras, sua tendência a se expandir, sua capacidade de concentração. Não há muitas certezas em tudo isso. Teremos as respostas daqui a 15 anos, quando essas crianças forem adultas. Mas queremos correr o risco? “, questiona Pierre Laurent, presidente do conselho da escola Waldorf e engenheiro de computação que trabalhou na Microsoft e na Intel

O engenheiro destaca o que parece ter virado consenso no Vale do Silício: os adultos querem que seus filhos se afastem de aparelhos tecnológicos na infância por avaliarem que o benefício de gadgets na educação é limitado e o risco de dependência é alto.

Bill Gates, por exemplo, criou regras para uso de tecnologia em sua casa. O cofundador da Microsoft declarou impor limites durante a criação dos filhos. Até os 14 anos, seus três herdeiros não tiveram o próprio celular. “Eles reclamavam que as outras crianças já tinham”, disse em entrevista ao Mirror.

Os filhos de Gates, hoje, têm 15 ,18 e 21 anos. Assim, os aparelhos já foram liberados para todos, mas não durante as refeições — isso também se aplica aos adultos. E eles também foram criados com regras sobre o uso perto do horário de dormir.

Tecnologia como vício
Para especialistas, o problema da relação das crianças com a tecnologia é que seu uso se transforme em vício. Pesquisa da Common Sense Media aponta que crianças norte-americanas de zero a oito anos passaram, em média, 48 minutos por dia no celular em 2017, três vezes mais que em 2013 e 10 vezes mais que em 2011.

Controlar a rotina dos filhos é ainda mais difícil quando os pais trabalham fora. Segundo a pesquisa, adolescentes de famílias de baixa renda gastam duas horas e 45 minutos por dia a mais em computadores e gadgets do que aqueles de famílias de alta renda.

Para frear essa tendência, dois grandes investidores da Apple, Jana Partners e CalSTRS (fundo de aposentadoria de professores da Califórnia), enviaram uma carta aberta aos líderes da companhia pedindo que atuem contra o vício das crianças em celulares. “Analisamos as evidências e acreditamos que há uma clara necessidade da Apple de oferecer aos pais mais opções e ferramentas para ajudá-los a garantir que os jovens consumidores usem seus produtos da melhor forma”, escreveram eles.

Em resposta ao pedido, a Apple apresentou o Screen Time — ferramenta que ajuda a controlar e limitar o uso de dispositivos móveis. Para não perder mercado, o Google incorporou uma ferramenta semelhante, o Digital Wellbeing.

Para os críticos, contudo, os sistemas não atacam a raiz do problema: a natureza viciante dos equipamentos tecnológicos. Até que isso seja solucionado, os pais serão responsáveis pela orientação dos filhos nesta era digital.

Fonte: 17/04/2019 – 19H27 – POR ÉPOCA NEGÓCIOS ONLINE

8 anos da Revista Inteligência Competitiva: leia nova edição

Revista Inteligência Competitiva - e-ISSN:2236-210X
RIC 8 anos

Caro leitor (a)

Graças aos autores (as), aos pesquisadores (as), aos professores (as), estudantes de graduação e pós-graduação, profissionais com atuação nos setores de marketing, administração, engenharias e tecnologias da informação, pareceristas ad hoc, a equipe editorial, Comitê Científico e Conselho Editorial, a Revista Inteligência Competitiva completa 8 anos.

Publicar uma revista acadêmica e científica no Brasil, está longe de ser uma tarefa fácil.

Mas, quando um grupo de pessoas do Brasil e do exterior se unem para fomentar pesquisa e ciência, os resultados aparecem.

Boa leitura, clique aqui para ler a nova edição. Ou selecione um artigo:

v. 9, n. 1 (2019)

Sumário

Editorial

janeiro a março PDF
Alfredo Passos i-iv

Artigos

INTELIGÊNCIA MARKETING: O CASO HBSA PDF
Thiago Lopes de Sousa, Luciano Augusto Toledo 1-14
CONSIDERAÇÕES EM RELAÇÃO A EXPATRIAÇÃO E GLOBALIZAÇÃO: INTERFACES COM O ESPORTE PDF
Ivan Wallan Tertuliano, José Maria Montiel, Silvia Deutsch, Afonso Antonio Machado 15-30
A INFLUÊNCIA DO LÍDER GLOBAL NO AMBIENTE MULTICULTURAL PDF
Paola Reis do Amaral, Neusa Francisco Mendel, Uiliam Hahn Biegelmeyer, Maria Emilia Camargo, Munique Rech 31-54
O USO DE ATAQUES DIRETOS E PESSOAIS DA ENGENHARIA SOCIAL PARA A OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES DE UMA CORPORAÇÃO PDF
Eurico dos Santos Moreira 55-72
PERCEPÇÃO E AQUISIÇÃO DAS COMPETÊNCIAS ADQUIRIDAS DURANTE A GRADUAÇÃO EM ADMINSTRAÇÃO PDF
Cassiane Chais, Adrieli Alves Pereira Radaelli, Oberdan Teles da Silva, Maria Emília Camargo, Eric Charles Henri Dorion, Pelayo Munhoz Olea 73-93
MARKETING DE RELACIONAMENTO COM O CLIENTE: ESTUDO DE UMA BOUTIQUE NA CIDADE DE SÃO JOSÉ DAS PALMEIRAS PR PDF
Luana Pereira França, Claudio Antonio Rojo 94-108

Relato Técnico-Científico

COMPLIANCE DIGITAL: TRANSPARENCIA E ACESSIBILIDADE NA GESTÃO PUBLICA PDF
Alexandre Domingues 109-116

Conar abre processo contra anúncios da Empiricus, que diz não ter sido notificada

Bettina Rudolph, famosa por ser a Bettina do comercial da Empiricus (Foto: Reprodução Youtube)
BETTINA RUDOLPH, FAMOSA POR SER A BETTINA DO COMERCIAL DA EMPIRICUS (FOTO: REPRODUÇÃO YOUTUBE)

O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) decidiu nesta sexta-feira, 22, abrir processo contra os anúncios da Empiricus Research após um vídeo da companhia viralizar nas redes sociais nesta semana. Na peça, veiculada no YouTube, a administradora Bettina Rudolph alega ter começado a investir em ações aos 19 anos e com apenas R$ 1.520,00. “Três anos depois, tenho mais de R$ 1 milhão. Simples assim”, diz Bettina. Segundo o Conar, a representação foi aberta por causa do número de denúncias feitas por consumidores, que questionam a veracidade dos ganhos de Bettina.

Ao longo da semana, a jovem deu diversas entrevistas esclarecendo como virou milionária, numa estratégia que inclui aportes frequentes – inclusive um proveniente de uma doação de seu pai no valor de R$ 35 mil.

A representação do Conar engloba não só o vídeo de Bettina, mas também outras cinco peças: “Dobre seu salário em tempo recorde”, “+251 todos os dias na sua conta”, “Receba todo mês R$1.823,53 de aluguel”, “Milionário com ações” e “O dobro ou nada”.

Consultada, a Empiricus disse não ter sido notificada e ressaltou que não é associada ao Conar, ainda que o respeite. Segundo o órgão, assim que receber a comunicação, a Empiricus tem cinco dias úteis para se manifestar e, mesmo que isso não aconteça, o Conar ainda assim julgará o caso. O resultado deve sair dentro de 40 ou 50 dias.Na quinta-feira, 21, a repercussão do caso fez a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) se manifestar, reiterando que a Empiricus não tem autorização para prestar serviço de análise de valores mobiliários. Desde o ano passado há um processo administrativo em curso para avaliar as atividades da empresa.

Hoje autodenominada “publicadora de conteúdo” por seus sócios, a Empiricus já travou alguns embates com os reguladores do mercado de capitais por conta de seu marketing considerado agressivo. Em 2017, três analistas da companhia foram denunciados à Associação de Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) por causa de e-mails que prometiam ganhos espetaculares, um deles com o título “A estratégia capaz de transformar R$ 1.500 em mais de R$ 227 mil em apenas um mês”.

Naquele ano, a Empiricus fez a primeira alteração no registro de sua atividade econômica na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), que constava como “consultoria em gestão empresarial”. Na mudança mais recente, a companhia classifica seu objeto social como “edição de revistas” e afins, além de “outras atividades de ensino não especificadas anteriormente”.

Fonte: 22/03/2019 – 17H04 – ATUALIZADA ÀS 17H04 – POR ESTADÃO/Época Negócios


Como ter ideias para um novo produto? Conheça o SCAMPER

No mundo contemporâneo, cada vez mais as pessoas precisam ter novas ideias ou pensar em diferentes soluções para um problema. Este é um desafio contínuo e muitas vezes não sabem por onde começar.

A 3M apresenta o SCAMPER, uma poderosa técnica de estímulo ao pensamento criativo que lhe ajudará a exercitar sua criatividade, propondo 7 ângulos para você gerar ideias.

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Engajar profissionais na construção de um trânsito mais seguro: esta é a missão do 3M Mobiliza

Programa usa a emoção para sensibilizar agentes públicos e privados a adotar soluções capazes de poupar as 45 mil vidas perdidas em acidentes a cada ano

A cada ano, 45 mil pessoas morrem no Brasil em acidentes de trânsito. No mundo são quase 1,25 milhão de vítimas, índice que fez com que a Organização das Nações Unidas colocasse em sua agenda de desenvolvimento sustentável a meta de reduzir pela metade estes números globalmente.

Diante dos dados, a 3M procurou uma forma de contribuir com este objetivo no Brasil. Há 80 anos a companhia atua na oferta de produtos de sinalização para as vias, especialmente com materiais refletivos. “Há muitos programas de conscientização dos motoristas. Decidimos nos engajar em uma iniciativa com os profissionais dos setores envolvidos na segurança no trânsito”, conta Paula Abreu, 44, gerente de negócios da divisão de Segurança no Trânsito da 3M.

As discussões internas começaram em 2016 e, depois de formatar o plano de ação e de realizar pilotos para ajustes, foi divulgado o 3M Mobiliza no ano seguinte, programa desenhado para que a companhia possa compartilhar o que sabe sobre segurança viária com empresas, concessionárias, prefeituras e outros órgãos públicos.

A ideia é justamente mobilizar, engajar todos os agentes na busca de soluções mais inteligentes e eficientes para o trânsito por meio de debates e treinamentos, com ênfase no âmbito técnico, mas almejando benefícios públicos de redução de acidentes e respeito à vida.

A ideia é justamente mobilizar, engajar todos os agentes na busca de soluções mais inteligentes e eficientes para o trânsito por meio de debates e treinamentos, com ênfase no âmbito técnico, mas almejando benefícios públicos de redução de acidentes e respeito à vida.

Fonte: 3M

Sinais de Mercado: 40% da indústria fechou o ano passado em crise

RIO – Depois que a recessão ficou para trás, a recuperação gradual da atividade econômica em 2017 trouxe esperança de dias melhores no setor industrial. Mas 2018 revelou-se como uma sucessão de baldes de água fria. Quatro em cada 10 segmentos da indústria de transformação encerraram o ano em crise, segundo levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) obtido com exclusividade para o Estadão/Broadcast.

Dos 93 subsetores industriais investigados, 37 enfrentavam uma crise de moderada a fulminante, ou seja, 40% dos segmentos industriais acumularam uma queda na produção maior que 1% no ano em relação a 2017. Outros 14 segmentos ficaram estagnados.

O levantamento foi feito com base na Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física, apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o Iedi, 2018 trouxe maior fragilidade para a recuperação industrial, com uma desaceleração bastante disseminada entre os segmentos pesquisados.

Segundo Rafael Cagnin, economista-chefe do Iedi, os segmentos que fecharam em queda são muito ligados aos fluxos de renda e à desaceleração do setor industrial como um todo. “Entre os que estão com melhor desempenho, há vários que tinham uma base de comparação muito baixa ou com perfil muito exportador, como fabricantes de papel e celulose, produtos de carnes, caminhões e ônibus, tratores e equipamentos agrícolas.”

Pelo menos cinco dos 37 subsetores em crise em 2018 pertenciam à indústria têxtil. “Os anos de 2015 e 2016 foram uma catástrofe. Em 2017, crescemos. Terminamos o ano numa trajetória positiva, e nosso prognóstico para 2018 era um PIB com crescimento em torno de 3%”, lembrou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Valente Pimentel.

Segundo Pimentel, 2018 ia razoavelmente bem até abril. Em maio, a greve de caminhoneiros começou a mudar o rumo do setor. “Esse quadro foi muito frustrante”, definiu Pimentel.

A greve dos caminhoneiros provocou uma desorganização da produção industrial brasileira, reforçou Bernardo Almeida, analista da Coordenação de Indústria do IBGE. “Além disso, as incertezas eleitorais prejudicaram as decisões tanto de consumo quanto de investimentos.”, enumerou Almeida.

A indústria nacional cresceu 2,3% no primeiro semestre de 2018, em relação ao mesmo período do ano anterior. No segundo semestre, a conjuntura menos favorável se traduziu num freio na produção, houve apenas ligeira alta de 0,1%, de acordo com os dados da Pesquisa Industrial Mensal, do IBGE.

Almeida lembra que a indústria encerrou o ano com avanço de 1,1%, mas ainda sustentada pelo desempenho positivo do início de 2018. “Nós corremos o risco de trocar um processo de recuperação por um processo de banho-maria, de andar de lado”, alertou Rafael Cagnin, do Iedi. “A contar pelo quarto trimestre de 2018, o primeiro trimestre de 2019 vai ser difícil, há um ajuste. Foi um freio muito forte ao longo do ano passado inteiro. O ano de 2019 vai depender muito de quais indicativos que a equipe econômica vai dar. Apesar dos indicadores econômicos mais favoráveis, ainda há incertezas no cenário doméstico”, acrescentou.

As perspectivas para este ano, porém, ainda são otimistas. Em 2019, o mercado externo deve atrapalhar menos a indústria, enquanto a demanda doméstica pode ajudar mais, prevê o superintendente de Estatísticas Públicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), Aloisio Campelo.

“O desempenho deve ser melhor do que no ano passado ao longo dos trimestres, mas não será exuberante, até porque a Pesquisa Industrial Mensal traz um carregamento estatístico negativo”, disse Campelo. “No segundo semestre, a indústria pode ganhar um pouco mais de ritmo, dependendo da aprovação das reformas que estão sendo apresentadas pelo governo”, reforçou.

Crise prolongada

Uma das mais tradicionais confecções de Sorocaba, no interior de São Paulo, a Rota Uniformes está desde 2014 com quase a metade de suas máquinas paradas. “Naquele ano, quando as vendas começaram a despencar, estávamos com 93 funcionários. Hoje, temos 47 e só conseguimos sobreviver porque demitimos no momento certo. Se a gente esperasse mais, talvez não tivesse como pagar os encargos trabalhistas”, diz o empresário João Francisco Guariglia.

O dono da Rota conta que a expectativa era de que a retomada fosse mais rápida, mas a crise se prolongou. “Em 2017, havia expectativa de melhora, mas no setor de confecções ela não ocorreu. Depois de atingir o fundo do poço em 2016, conseguimos estabilizar, mas não houve crescimento em 2017 nem no ano passado.” A queda nas vendas das confecções reduziu a produção e atingiu também as indústrias de tecidos. “Apenas as grandes indústrias têxteis sobreviveram à duras penas”, diz.

Este ano, a Rota espera crescer 5% em produção e vendas. “É uma meta que temos de alcançar para manter o quadro de funcionários e a saúde da empresa. Estamos vivos, mas na UTI. Para voltar ao quarto ainda leva um tempo.” A empresa produz em média 15 mil peças por mês, volume que, no pico da produção, em 2014, era de 25 mil peças. Do total, 40% são uniformes escolares e 60% são vestimentas profissionais.

A Rota trabalha só com tecidos nacionais, em razão da melhor qualidade, segundo Guariglia. Muitos uniformes têm o selo antipilling (bolinhas) e proteção contra raios ultravioletas.

O empresário afirma que um lance de sorte, em 2014, ajudou a empresa a sobreviver. “Numa feira, em Santa Catarina, encontrei uma máquina de corte e enfestadeira automática de R$ 1,1 milhão. Estava quase pegando dinheiro a juros bancários, quando vi uma linha de crédito no BNDES. Foi sacramentar o negócio e, dias depois, a linha foi suspensa. Quem financiou em banco não aguentou”. 

Segundo o empresário, se houver retomada rápida, vai faltar mão de obra. “Preciso de costureira e não acho. Como a crise foi longa, quem saiu foi para outra atividade. Procurei um mecânico que trabalhou com a gente, mas agora ele faz transporte escolar. Começou com uma van e está com três, não tem como voltar para o setor.”

A tradição da família Guariglia em confecção começou há 60 anos, quando a mãe de João começou a bordar enxovais para recém-nascidos. Logo ela e o marido montaram uma pequena loja, no centro de Sorocaba, que se transformou na Cirandinha, com foco na confecção de enxovais para batizados. Em 1986, João e seu irmão, ambos engenheiros, começaram a produzir uniformes profissionais. Em 2000, ele deixou a sociedade para fundar a Rota, a maior do segmento na região. “Passamos por muitas situações difíceis, mas nenhuma crise foi tão séria quando esta”.

Fontes: Daniela Amorim e José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo,12 Fevereiro 2019 | 04h00

Toyota vai produzir primeiro carro híbrido a etanol ainda neste ano

9 - TOYOTA COROLLA - 18.197 UNIDADES
O modelo que receberá a tecnologia será o Corolla fabricado na unidade de Indaiatuba (SP).

Toyota vai iniciar a produção do primeiro carro híbrido a etanol no último trimestre do ano. Embora não confirme oficialmente, o modelo que receberá a tecnologia por enquanto exclusiva para o Brasil será o Corolla fabricado na unidade de Indaiatuba (SP).

“Além do mercado interno, nossa intenção é exportar a tecnologia pois há outros locais no mundo que usam etanol, mesmo que não seja de cana de açúcar”, disse Rafael Chang, presidente da Toyota do Brasil.

O grupo também aguarda aval da matriz japonesa para a produção local de um utilitário-esportivo (SUV). Para isso, a empresa precisará de novos investimentos.

A Toyota espera para este ano um crescimento de 9,5% em suas vendas, abaixo do esperado para o mercado total de automóveis e comerciais leves, de 11,3%. Em 2018, a marca japonesa vendeu 200,9 mil veículos – o melhor desempenho de sua história. O volume representou alta de 5,4% em relação ao ano anterior, índice também inferior ao mercado, que cresceu 13,8%. “Temos problemas de capacidade, pois estamos trabalhando no limite das duas fábricas”, justificou Chang.

A produção deve crescer 7,6%, para 225 mil veículos, dos quais 28% serão exportados para a América Latina. Segundo Chang, as duas fábricas do grupo em São Paulo operam em capacidade plena. A de Sorocaba, onde são produzidos o Etios e o Yaris, trabalha em três turnos, assim como a unidade de motores em Porto Feliz. A fábrica de Indaiatuba, que faz o Corolla, opera em dois turnos. Ao todo, emprega quase 7 mil trabalhadores.

Em toda a América Latina a Toyota vendeu 400 mil veículos no ano passado, 5% a mais do que em 2017. Esse volume representa apenas 3,8% das vendas globais da marca, que somaram 10,5 milhões de unidades.

Em 2018, a Toyota celebrou 60 anos no Brasil. Nos últimos três anos a marca concluiu um ciclo de mais de R$ 2,6 bilhões em investimentos para produção do modelo Yaris e modernização das fábricas de carros e motores.

Fonte: Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

The state of the competitive intelligence (CI)

This is the recording of the Council of Competitive Intelligence Fellows’ January 2019 kick-off the Council’s webinars series.

Council President Cynthia Cheng Correia and Vice President Dr. Craig S. Fleisher lead an introductory discussion exploring the state of the competitive intelligence (CI) practice community and questions the community should be asking.

This webinar is part of the CI 20/20 discussion series conducted by Craig and Cynthia across webinars, conference and meeting events, and tweet chats.

Source: Council of Competitive Intelligence Fellows’

Inteligência Competitiva – Sinais de Mercado: “Business intelligence” está no topo das demandas corporativas

Carolina Marra, da Ânima Educação: competências sócio-emocionais são importantes para a tecnologia compartilhada

Um novo ciclo tem empurrado para o centro do mercado de trabalho profissões até então desconhecidas do grande público. E todas do mundo tecnológico digital.

As posições mais demandadas em 2019 devem ser relacionadas ao business intelligence (BI), ao marketing digital, suplly chain e sales and operations execution (S&OP), segundo levantamento da consultoria Randstad.

“O BI, primeiro do ranking, tem demanda alta porque as empresas não podem errar, pois a concorrência é alta e os consumidores estão mais criteriosos na tomada de decisão”, explica Winston Kim, gerente regional da Randstad no Brasil.

Considerado estratégico, o BI faz análise de dados para identificar em quais produtos e serviços a empresa deve investir, com base em tendências e projeções de mercado.

Já o marketing digital, que ocupa a segunda posição, usa ferramentas de análise do comportamento do consumidor e trabalha com a experiência do usuário (UX) para analisar seu perfil e atender às suas demandas de forma mais customizada. “Voltado para públicos específicos, consegue cruzar informações e fazer campanhas direcionadas”, diz Kim.

Áreas focadas na otimização da cadeia de suprimentos, que atuam para evitar perdas e melhorar o tempo de resposta e entrega, sem comprometer a qualidade, como supply chain e o sales and operations execution (S&OP), também estão em alta.

Para muitos especialistas, é natural que as novas competências venham de áreas que misturem conhecimento específico com o tecnológico digital, pois as pessoas vivem uma nova experiência de consumo que impõe isso. “A integração entre o presencial e o virtual é cada vez mais comum e as profissões têm que se adequar.

Elas surgem para dar sustentação ao novo modelo de negócio. É o que chamamos de mindset digital, onde a tecnologia atravessa todas as áreas da empresa”, diz Carolina Marra, vice-presidente acadêmica da Ânima Educação. E não só as empresas estão tendo que se adaptar ao novo cenário.

As escolas também. “Vimos que novas competências, como a forma de se comunicar, a atitude empreendedora e a abertura ao aprendizado são valorizadas pelas empresas.

As competências sócio-emocionais e a colaboração são importantes por conta da tecnologia compartilhada”, afirma Carolina. Mas nem todos apostam que daqui dez anos essas profissões ainda estarão em alta. Hoje elas são fundamentais porque as empresas estão passando pela transformação digital.

“Mas não diria que elas devem aparecer em um ranking em 2029”, arrisca Eduardo Senise, diretor de educação continuada, da Estácio. Para ele, daqui uma década, especializações ligadas a nanotecnologia, bioengenharia e inteligência artificial é que terão vez.

“Grandes analistas de BI e de marketing digital são fundamentais hoje. Mas, à medida que os novos ciclos vão se impondo, eles devem enfraquecer”, acredita. E, diante de tanta inovação, a dúvida é: como ficam profissões tradicionais como direito, engenharia, contabilidade e medicina?

A resposta vem de um dos grandes escritórios jurídicos do país, o Mattos Filho Advogados. A solução encontrada foi híbrida. Como depende de conhecimento especializado em cada uma de suas áreas, o Mattos Filho resolveu combinar BI com advocacia.

Na área de gestão do conhecimento, vem utilizando advogados com grande conhecimento de tecnologia para fazer análises de dados e gerar informações estratégicas para os negócios.

“O que queremos é agregar valor à advocacia. Uma alternativa é capacitar os nossos profissionais, desenvolvendo provas de conceitos para aplicá-las no escritório. É importante, neste caso, que ele conheça bem as terminologias e os processos jurídicos”, explica Leonardo Bruno Brandileone, diretor de tecnologia e conhecimento do Mattos Filho.

Para o executivo, o futuro está nessa combinação. “Na minha equipe, 20 pessoas da diretoria de tecnologia formadas em direito deixaram a prática profissional para se dedicar à tecnologia.

Isso é o melhor do que eu poderia ter”, indica Brandileone. O escritório, que conta com 542 advogados e 145 trainees, prefere formar as pessoas dessas áreas internamente. Para isso, se vale também da academia Mattos Filho, por meio da qual dá treinamentos e convida palestrantes não só da área jurídica, mas também de outros ramos.

Fonte: Roseli Loturco, Valor Econômico, 30/1/2019