Pequenos negócios trazem flexibilidade a setor de construção

Detalhes do edifício Ybyrá, da construtora Paes e Gregori, na Vila Madalena. Foto: Projeção digital

Em um mercado dominado por gigantes,pequenas incorporadoras e construtoras conseguem fazer uma diferenciação em seu modelo de negócios justamente pela estrutura mais enxuta. Sem o formato de lançamento em massa e produção de projetos pré-fabricados, elas operam em um modo com maior velocidade na aprovação dos detalhes, liberdade para criações arquitetônicas autorais e proporcionam ao consumidor a chance de morar em um prédio ou casa customizada e com referências estéticas próprias.

As pequenas e médias não só ocupam uma fatia importante do segmento imobiliário da cidade de São Paulo como também têm maior facilidade para encontrar espaços físicos para construção. De acordo com o CEO da Paes & Gregori Incorporadora, Guilherme Gregori, uma das vantagens de ter uma construtora com tamanho menor é que eles podem focar em terrenos menores e que ficam em lugares que a maioria das concorrentes não leva em consideração.

“Existe no mercado imobiliário um efeito manada em que muitas empresas estão disputando a mesma área. Nós estamos fora desse movimento. Quando eu ofereço um projeto de valor geral de venda a R$ 70 milhões, por exemplo, a concorrência nem olha pra mim. E isso é ótimo, cada um atuando no seu nicho, porque tem projetos que, sem dúvida, eu não tenho a menor capacidade de tocar por causa do meu tamanho”, afirma.

Essa é uma estratégia que também fez parte do escopo de planejamento da construtora Sequência na época em que ainda atuava com a construção de empreendimentos próprios – a última foi um loteamento com 86 casas em 2016. O diretor de obras, Alexandre Mariutti, reforça que, como a cidade está muito ocupada, os terrenos maiores e em áreas mais nobres estão cada vez mais escassos, o que gera uma alta substancial nos preços. “O ideal é atacar os terrenos médios e pequenos, que não interessam para essas grandes do mercado e acabam servindo perfeitamente aos interesses das pequenas empresas”, explica.

De faturamento e valor geral de venda a quantidade de lançamentos, a nomenclatura que classifica as empresas de acordo com seus portes é relativa, segundo o professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie Valter Caldana. Para ele, incorporadoras que lançam até quatro empreendimentos por ano podem ser chamadas de pequenas, a partir de cinco já são médias, e as grandes são as que têm capital aberto.

O professor avalia que buscar áreas que ainda tenham um gargalo de construção e focar em determinadas regiões é uma característica muito presente entre as menores. Para ele, esse segmento se divide em dois grupos: um que se dedica a criações que valorizam a qualidade do design e da arquitetura autoral – como IdeaZarvos e MaxHaus – e outro que é formado por empresas mais tradicionais e focam em regiões específicas da cidade.

“O perfil desse segundo grupo é de empresas familiares, que normalmente já existem há 20, 30 anos e atua em nichos específicos de mercado, sobretudo no ponto de vista regional. Elas carregam a vantagem de conhecerem profundamente o público-alvo e de construírem uma credibilidade como negócio, mas, por outro lado, muitas vezes acabam sendo obrigadas a reproduzir modelos de construção que eventualmente não respeitam aspectos importantes e característicos do local”, comenta.

Pequenas e autorais

De olho em um consumidor cada vez mais ávido pelo personalizado e pelo exclusivo, o outro grupo citado por Caldana se preocupa com projetos mais voltados para o urbanismo e o design, além da inovação em sistemas e instalações construtivas. Essa é também uma liberdade frente à realidade de muitas das grandes que, na opinião de Guilherme Gregori, acabam lançando empreendimentos padronizados por estarem mais voltados a metas e volumes de novas construções para dar conta de uma estrutura inflada.

Com seus 25 anos de fundação e uma história familiar, a Paes & Gregori já nasceu com um pé na arquitetura. Criada inicialmente em Jundiaí, interior de São Paulo, por meio de uma parceria entre o pai (engenheiro civil), a filha e o genro (arquitetos), a empresa carrega o lema de não padronizar as construções. O lançamento mais recente fica na Vila Madalena e traz como diferencial soluções sustentáveis para um perfil de morador que se preocupa com o ambiente. A ideia é olhar com cuidado cada projeto e lançar entre três a cinco por ano, conta o neto Guilherme, que desde 2015 assumiu a diretoria do negócio.

“A gente não quer ter que gerar projetos para pagar uma estrutura física, por isso tentamos manter de uma forma que seja flexível. O trabalho intelectual e de criação é todo feito dentro de casa, mas a gente terceiriza os braços de construção e execução das fundações, por exemplo. Temos um perfil muito artístico, de design, que virou uma diretriz estratégica da empresa. Por isso, muitas vezes fazemos como se fosse o único projeto do ano. O conceito é dar um passo de cada vez, sem aquela lógica de replicação”, afirma.

O investimento nesse nicho não é exclusividade das empresas menores, comenta Caldana. Mas, para o professor, quando as pequenas apostam no autoral, elas podem desempenhar um papel educador no mercado, agitando os concorrentes e incentivando a busca por inovação. Por outro lado, devido ao tamanho reduzido, muitas vezes os preços acabam sendo mais altos do que a média do mercado e isso pode dar uma falsa sensação de que a qualificação gera uma elevação de custos, o que, ainda segundo Caldana, não é obrigatoriamente verdade.

No âmbito da construção de casas, com 16 anos de mercado, a Eco House é outra construtora que defende o empreendimento que tem investimento em arquitetura e design. Para o arquiteto da empresa, André Del Guerra, o portfólio totalmente personalizado é o ponto forte da empresa na batalha para continuar no mercado. “As construtoras grandes acabam criando e dando a cara do lugar, a gente faz diferente, a gente encontra o lugar. Cada obra é um cliente, um detalhe, uma história. Nós vamos pelo garimpo, um a um, comprando casas antigas e demolindo para construir mais cinco, por exemplo”, explica André, que também entrou na área por causa de um histórico familiar. O pai, engenheiro, é quem fundou a construtora.

Inicialmente os projetos da Eco House traziam casas de madeira pré-fabricadas e tinham como principal característica os recursos sustentáveis. O foco agora é outro: pensar casas que possam ser customizadas com kits de obras que serão feitas após a venda (como pisos alternativos, sistema de reúso de água) ou a concepção de um projeto do zero para atender os clientes. Sem serviços terceirizados, também devido ao perfil dos empreendimentos, a empresa conta 38 funcionários e vai entregar em 2021 um condomínio com cinco casas personalizadas no Alto da Boa Vista, zona sul de São Paulo.

Velocidade de aprovação

flexibilidade burocrática também está na cesta das pequenas e médias incorporadoras e construtoras. Com menos interfaces durante os processos de aprovação e definição dos projetos, esses movimentos fluem com mais agilidade do que nas empresas maiores, conforme conta Mariutti, que realizou, na construtora Sequência, algumas obras de terceiros, em parceria com gigantes do mercado.

“Lá funciona assim: cada decisão que precisa ser tomada sobre a obra ou a compra de um terreno precisa passar por conselhos e às vezes até por um escritório de advocacia que é terceirizado, por exemplo. Esses processos são tão demorados que, em alguns casos, a empresa acaba perdendo uma oportunidade pela falta de velocidade”, diz.

Fonte: Julliana Martins, O Estado de S.Paulo, 8 de dezembro de 2019 | 06h00

97,2% dos lares brasileiros possuem TV

Com pouco acesso a cinemas, museus e teatros, a TV é o grande bem cultural do brasileiro
97,2% dos lares brasileiros possuem TV Foto: Hélvio Romero/Estadão

RIO – A cultura no Brasil ainda é um luxo para poucos. Levantamento divulgado nesta semana, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que a grande maioria dos municípios do País não tem cinemasmuseus ou teatrosO grande bem cultural do brasileiro segue sendo a televisão, presente em praticamente todos os lares, sem distinção de raça, gênero e classe social; agora também em versão de tela plana.

As razões são diversas, como demonstra o Sistema de Informações e Indicadores Culturais 2007-2018, que faz um cruzamento de dados de diversas pesquisas do IBGE. As verbas públicas destinadas à área perderam importância ao longo dos anos e o número de empresas privadas do setor diminuiu. Em tempos de crise econômica, a cultura também está longe de ser uma prioridade na destinação do orçamento familiar.

“A crise dos anos recentes levou a uma queda generalizada na capilaridade geográfica dos equipamentos culturais e meios de comunicação entre as medições de 2014 e 2018”, aponta a pesquisa.

Os cinemas, por exemplo, estão presentes em apenas 10% dos municípios. Os museus aparecem em 25,9% das cidades e os teatros em 20%. As livrarias tiveram uma queda acentuada desde 2001, quando podiam ser encontradas em quase metade dos municípios (42,7%), e 2018 (17,7%). Uma nota dissonante são as bibliotecas públicas. Presentes em 87% das cidades.

“Houve políticas públicas específicas durante muitos anos para aumentar a capilaridade das bibliotecas, o que explica a discrepância”, explicou o coordenador do setor de População e Indicadores Sociais do IBGE, Leonardo Athias.

A evolução tecnológica e as mudanças nas formas de consumo de cultura, claro, também influenciam essas estatísticas. Videolocadoras, lojas de disco e lan houses, que já tiveram presença significativa nos municípios, praticamente desapareceram em 2018.

O provedor de internet, por sua vez, já alcança 58% dos municípios, cobrindo praticamente 85% da população do país. O telefone celular também está bastante difundido no país. Segundo o levantamento, 78,2% das pessoas com mais de dez anos de idade têm um telefone móvel para uso pessoal.

O eletrodoméstico mais presente na casa dos brasileiros é a televisão, que está em nada menos que 97,2% dos lares. Diferentemente de qualquer outro bem de consumo, “a posse da televisão não apresenta diferenças significativas em relação à cor ou raça, grupos de idade, nível de instrução e gênero”, sendo, de longe, o aparelho mais democrático do país. A TV de tela plana, por sua vez, já está em 74% das casas.

“A TV está praticamente em todos os municípios e, com a popularização das novas tecnologias e barateamento de preços, tem ainda um potencial de crescimento”, disse Leonardo Athias, citando as plataformas de streaming.

Os gastos com cultura, como era de se esperar, aparecem em quarto lugar no orçamento das famílias, abaixo de alimentação, habitação e transporte. O gasto médio mensal é de R$282,86 e representa 7,5% do consumo total.

Esse percentual varia um pouco de acordo com as classes sociais. Entre os mais pobres, é de 5,9%; entre os mais ricos, chega a 8%. E como não poderia deixar de ser, a maior parte desse orçamento é destinado à aquisição de eletrodomésticos, telefonia, TV e internet.

Na análise de Leonardo Athias, o percentual não é tão baixo assim. “O mundo todo tem uma estrutura de gastos parecida, com prioridade para alimentação, habitação e transporte.”, disse o analista. “Mas o gasto com cultura é bem parecido com o destinado à saúde, por exemplo, então me parece um percentual relevante.”

GASTOS PÚBLICOS

Os gastos públicos em cultura aumentaram de uma maneira geral entre 2011 e 2018, passando de R$ 7,1 bilhões para R$ 9,1 bilhões. No entanto, a verba cultural perdeu importância quando comparada ao total de gastos (de 0,28% para 0,21%).

O número de empresas e organizações voltadas para a cultura também caiu. De 353,2 mil (8% do total), em 2001, para  325,7 mil (6,5% do total), em 2017. O número de pessoas ocupadas neste setor também caiu, passando de 4,2% para 3,7% no mesmo período.

O setor segue o padrão de desigualdade geral do país. Em 2017, a região sudeste concentrava 58,5% dos assalariados nas atividades culturais. O setor tem mais ocupados da cor branca do que pretos e pardos, mas o percentual de negros está aumentando: de 42,3%, em 2014, para 45,7, em 2018. Entre 2014 e 2018 a participação feminina no setor cresceu de 43,7% para 50,5%, mas elas continuam ganhando o equivalente a 67% do salário deles.

“Aqui, tenho certeza de que o cinema seria o mais procurado”

Ninguém quer só televisão. A atendente de farmácia Lívia da Silva Oliveira, de 20 anos, moradora de Moeda, a 60 quilômetros de Belo Horizonte, quer também cinema e teatro. A cidade, de aproximadamente 5 mil habitantes, está entre os municípios brasileiros que não contam com salas de exibição de filmes ou para encenação de peças, e têm na televisão um dos principais meios de entretenimento. “Faz muita falta. Para mim, muito em função de reunir os amigos. Aqui, tenho certeza de que o cinema seria o mais procurado. Ver filme na televisão não é a mesma coisa”, compara.

Lívia conta haver muita reclamação entre os amigos. “O cinema mais próximo fica em um shopping em Belo Horizonte. Às vezes, a turma combina e vai até lá”. A diversão na cidade, fora a televisão, conforme a atendente, acaba sendo saídas para bares e restaurantes. “Seria algo bem legal ter cinema e teatro aqui”, afirma.

A última experiência relacionada ao cinema na cidade ocorreu em meados da década de 1990. A proprietária de um bar decidiu colocar no fundo do estabelecimento um telão e cadeiras. As sessões aconteciam nas tardes de domingo. “Não era cobrado nada. Fazia porque o pessoal era muito gente boa”, lembra a comerciante Maria Obete de Oliveira, de 51 anos, idealizadora do projeto, que durou cerca de um ano. Um dos filmes projetados foi Velozes e Furiosos. Maria, hoje, tem uma pizzaria na cidade.

A secretária municipal de Cultura, Imaculada dos Santos Alves, defende que tanto o cinema como o teatro são importantes, mas o fato de não existirem no município, não quer dizer que a cultura está abandonada. “Nesta época do ano acontecem as mostras dos alunos com base em projetos na área da literatura desenvolvidos ao longo do ano juntamente com os professores. Muitos produzem peças de teatro”, exemplifica.

Segundo a secretária, em relação ao cinema, filmes ainda podem ser vistos na televisão ou plataformas de streaming. “Em relação ao teatro, porém, isso não acontece”, reconhece.

Imaculada Alves também rememora que a cidade já chegou a ter cinema, muitas décadas atrás, e que a falta de recursos do poder público é um obstáculo para que o equipamento volte a existir na cidade. “Diversão, lazer são fundamentais, mas, no caso de cidades pequenas como a nossa, com poucos recursos, não dá para retirar dinheiro da saúde, por exemplo, para investir no setor”, argumenta.

Fonte: Leonardo Augusto, especial para O Estado de S.Paulo.

GOL divulga os resultados prévios de tráfego do mês de Novembro de 2019

SÃO PAULO, 6 de dezembro de 2019 /PRNewswire/ — A GOL Linhas Aéreas Inteligentes S.A. (B3: GOLL4 e NYSE: GOL), a maior companhia aérea por participação de mercado, anuncia os números prévios de tráfego do mês de Novembro de 2019. As comparações referem-se ao mesmo período de 2018.
Destaques

  • No mercado doméstico, a oferta (ASK) da GOL aumentou 8,9% e a demanda (RPK) da GOL aumentou em 6,3%. A taxa de ocupação doméstica da GOL foi 81,7%. A leve redução na taxa de ocupação foi principalmente devido a disciplina da GOL no gerenciamento de yields e um spill resultado de uma suspensão temporária de vendas em voos impactados por manutenções não programadas. O volume de decolagens aumentou 8,5% e o total de assentos aumentou 11,6%, em relação a Novembro de 2018.
  • No mercado internacional, a oferta (ASK) e demanda (RPK) da GOL reduziram 9,3% e 13,2%, respectivamente, e a taxa de ocupação foi 72,8%. A redução na taxa de ocupação internacional foi principalmente devido a menor demanda na Argentina e no Chile.
  • A oferta total (ASK) da GOL foi superior em 6,4% devido ao aumento de 11,0% no total de assentos e aumento de decolagens em 7,9%. A demanda total (RPK) da GOL aumentou em 3,8% em relação a Novembro de 2018 e a taxa de ocupação consolidada foi 80,7%.

FONTE GOL Linhas Aéreas Inteligentes S.A.

Comportamento do consumidor: Conteúdo no streaming se multiplicou e mudou hábitos do público de ir ao cinema

Para descobrir as preferências do público, as bilheterias mundiais dos cinemas servem como verdadeiras bússolas sobre os hábitos dos consumidores e os futuros de uma grande produção. O que mudou desde o surgimento das plataformas de streaming é que, para conhecer seus consumidores, não é preciso ir tão longe nem mesmo sair do lugar: basta que ele aperte o play. Diante do crescimento das plataformas e da corrida por lançamento de conteúdos exclusivos, o Estado conversou com consumidores de vídeos sob demanda para entender o que está em jogo. Está valendo a pena ir ao cinema? Vamos ter que assinar cada vez mais plataformas?

Para o advogado e produtor cultural paulistano Leandro Brasilio, que assina Netflix e Amazon Prime, não há nada igual a ter o conteúdo ao toque das mãos. “A facilidade de poder assistir onde quiser, mesmo offline, foi muito atraente quando chegou ao Brasil.” Em 2021, a Netflix vai completar dez anos de atividade no Brasil e já atingiu o número de 10 milhões de assinantes, 6% de sua base no mundo. Já o streaming da Amazon desembarcou aqui há quase três anos. 

A estudante Rúbia Avelar, de Florianópolis (SC), também assina a plataforma da Amazon, por conta do baixo preço, em comparação com as outras (leia abaixo), além de Netflix, HBO Go e Globo Play. Nem tudo é para ela. A plataforma da Globo foi um pedido da mãe. “Ela pediu para assinar porque queria assistir a uma novela antiga. Com o tempo, acabei descobrindo algumas série como Killing Eve, além de poder assistir a programas da TV aberta, como Lady Night.”

A qualidade da transmissão foi o que atraiu o visual merchandiser Bruno Laurence, de São Paulo. Antes, o hábito era sempre comprar DVDs e Blu-Rays para assistir a seus filmes preferidos. “Tenho algumas coisas da Disney, filmes clássicos, shows. O problema das plataformas é seu catálogo: o usuário corre o risco de buscar uma produção específica e ela não estar mais disponível.” 

Laurence está entre os fãs da Disney que aguarda com ansiedade o lançamento da Disney +, anunciado para 2 de novembro, nos EUA (ainda sem data no Brasil). E a gigante não fará por menos. Um dos objetivos é bater a líder mundial Netflix, e já há movimentos nessa direção. Basta imaginar a infinidade de franquias da companhia – Marvel, Star Wars, os sucessos da Pixar, além das animações da Disney e suas live-action.

Desde que foi deflagrada a chamada ‘streaming wars’, outros estúdios, como a Warner, não estão renovando seus contratos de transmissão com a Netflix. Com o tempo, a plataforma pode ter seu catálogo enxugado. Laurence afirma que estará entre os assinantes da Disney +. “É bom que o conteúdo na plataforma seja cativo. Isso, sim, significa poder ver o que quiser e quando quiser.”

Conteúdo se multiplicou no streaming e mudou hábitos do público de ir ao cinema
Novidades. Leandro Brasilio quer assinar plataformas de nicho Foto: TABA BENEDICTO / ESTADAO

Essa forma de renovação do catálogo pode ser diferente em plataformas menores de nicho, como a Mubi, focada em clássicos – Cidadão Kane, Persona – produções independentes e títulos nacionais, de Glauber Rocha a Rogério Sganzerla. A assinatura permite o acesso a 30 filmes, inicialmente. Quando o usuário termina de assistir a uma produção, ela sai do catálogo para dar lugar a outra. “Ajuda muito para quem sempre fica indeciso diante de tanto conteúdo”, diz Brasilio. “Ainda não assinei a Mubi, mas o fato de ser uma curadoria de filmes é bem interessante.”

Outra vantagem são os pacotes-família, que permitem o uso de várias telas em uma única conta. “Com o tempo, você sempre usa a conta de um amigo e também compartilha a sua com alguém. Se assinar sozinho, não vale a pena, porque vai custar o preço de uma assinatura de TV paga”, ressalta Laurence. 

Streaming traz novos hábitos

Mas e quando o conteúdo não está em nenhum serviço, como filmes mais antigos e raridades? Para a analista e desenvolvedora de sistemas catarinense Solange Gamboa, os catálogos precisam se diversificar justamente para conquistar todos os públicos. “Antes de assinar qualquer plataforma, eu não encontrava alguns animes no Brasil e baixar via Torrent era a única opção.” Geralmente associado à pirataria, o Torrent é uma maneira de compartilhar arquivos entre os usuários, sem que o material esteja armazenado em um servidor ou computador – e as plataformas de streaming interromperam seu sucesso. 

Os novos hábitos do público também interferiram no cinema. Os entrevistados divergem. Para alguns, a relação não mudou nada. “Continuo frequentando umas duas vezes por mês. Acho que o sentimento de ver na telona nunca vai perder o encanto para mim”, diz Rúbia. Para Brasilio, o streaming colocou em perspectiva o que significa ir ao cinema. “É preciso se organizar, conferir os horários, comprar os ingressos, sair de casa e ainda enfrentar o trânsito.” Laurence afirma que só faz esse esforço quando vale a pena. “Tem que ser uma atriz ou um ator que eu goste muito, mas em geral são os blockbusters.” 

Este ano continua favorável para os super-heróis. Antes de Vingadores: Ultimato bater o recorde de AvatarCapitã Marvel e Homem-Aranha: Longe de Casa já faziam boas temporadas, superando O Rei LeãoAladdin e Toy Story 4. Nesse cenário, todos os entrevistados concordam que a situação não parece favorável para a TV aberta e mesmo a TV paga. Rúbia diz que a assinatura da TV a cabo continua na casa. “Mas minha família vê ocasionalmente.” 

Fonte: Leandro Nunes e Thaís Ferraz, especial para O Estado 02 de agosto de 2019 | 03h00

Lançamento livro Líderes de Marketing

Após o sucesso da obra Mulheres do Marketing e para celebrar os 60 anos da ABA – Associação Brasileira de Anunciantes, a presidente executiva da ABA, Sandra Martinelli, ao lado da diretora de Projetos e CEO da Editora Leader e Andréia Roma, especialista na criação de projetos coletivos e biografias empresariais, além de Tatyane Luncah, fundadora e presidente do Grupo Projeto, renomadas profissionais da área, vislumbraram possibilidade e, mais do que isso, a necessidade de construir um livro que unisse homens e mulheres para levar aos leitores um conteúdo relevante e que propicie transformações.

Na publicação, 29 profissionais de Marketing foram convidados a compartilhar suas histórias profissionais, e para tornar ainda mais interessante a leitura, contaram também suas experiências pessoais relacionadas ao marketing. O livro tem, ainda, o prefácio de Nelcina Tropardi, presidente da ABA e vice-presidente de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos da Heineken.

São histórias de como esses coautores chegaram ao Marketing, como se especializaram, investiram em suas carreiras, até chegar ao sucesso, tornando-se referência em sua atuação. Portanto, ao ler este livro, é possível encontrar o dia a dia da profissão, o quanto foi preciso adquirir de conhecimento, como o Marketing mudou nos últimos anos, a sua importância crescente para as empresas, assim como os obstáculos, as dificuldades e situações inusitadas para se trabalhar nas mais diferentes organizações.

Todo esse conteúdo, composto de experiências verdadeiras, reais, tem como objetivo ser um verdadeiro guia para quem ainda não se decidiu por uma profissão, mas também para quem já trabalha com Marketing e quer atingir o topo, ser bem-sucedido e se tornar um líder de Marketing.

Diversos coautores relatam sua trajetória em grandes empresas, toda a responsabilidade que o cargo de liderança exige, mas optam por continuar nas corporações. Outros, compartilham sua vivência em empresas próprias, após fazerem parte do quadro de empresas.

Qualquer que seja a posição do leitor, ou se ainda estiver em dúvida sobre qual caminho profissional seguir, com certeza Líderes de Marketing – Uma visão estratégica e divertida da nossa realidade pode ajudá-lo nessa importante decisão.

A presidente executiva da ABA, Sandra Martinelli e a fundadora e presidente do Grupo Projeto, Tatyane Luncah, falam de tendências, transformações, seus pontos de vista diante de tantas mudanças que ocorrem com rapidez e precisam ser acompanhadas pelos profissionais e as empresas para que não se tornem obsoletas ou desapareçam do mercado.

“Num mundo globalizado onde as redes sociais predominam na entrega de informação, o cliente passou a ter uma outra expectativa sobre a imagem e atuação de uma empresa. Não é somente a qualidade e o preço do produto que importam. A decisão de compra pode ser – e com certeza será – influenciada pelo posicionamento em questões políticas, econômicas, ambientais e sociais que afetam não apenas o mercado em que a companhia está inserida, mas também todo o planeta”, reflete Nelcina Tropardi, no prefácio da obra.

Na obra, Sandra Martinelli vai explicar, ainda, por que o Marketing é diálogo e Tatyane Luncah vai abordar o Marketing Digital.

São muitas dicas e informações valiosas não só para quem está na área, mas para quem quer estar bem informado sobre um tema que afeta a toda a sociedade.

A presidente executiva da ABA, Sandra Martinelli e a CEO da Editora Leader, Andréia Roma, destacam a importância da obra para o mercado, unindo as experiências masculina e feminina em torno do tema, e agradecem a cada um dos coautores por compartilhar seu conhecimento e oferecer o que muitas vezes não se encontra na formação acadêmica.

O lançamento acontecerá no dia 5 de dezembro, às 19:00 horas, na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi e com bebidas escolhidas a dedo fornecidas pelas empresas Pernod Ricard e Grupo Petrópolis.

O mundo mudou. Bem, isso talvez não seja nenhuma novidade. O que pode nos passar despercebido, no entanto, é o quanto essa mudança global reflete na comunicação e no relacionamento entre indivíduos. E mais além: no relacionamento entre consumidores e marcas”, diz Nelcina Tropardi, no prefácio da obra.

“Seria um grande erro limitar a atuação da ABA na defesa dos interesses dos anunciantes. Como toda empreitada de sucesso, a ABA é movida por um propósito e, em nosso caso, trabalhamos pela Mobilização do Marketing para Transformar os Negócios e a Sociedade. Contribuir com este material é um dever nosso enquanto profissionais de Comunicação, considerando o poder de influência que temos em mãos”, declara Sandra Martinelli.

Os coautores convidados para compor este livro foram: Adriana Moucherek, Ana Paula Castello Branco, Ana Paula Duarte Rocha, André Chevis Svartman, Andrea Naccarati de Mello, Celio Ashcar Jr., Daniel Calderoni, Daniela Cachich, Daniela de Fiori, Edmar Bulla, Elisa Prado, Ênio Vergeiro, Fabiana Araujo, Fernando Cosenza, Gisele Alves, Jose Saad Neto, Loraine Ricino, Fernando Guntovitch, Marcelo Albertottii, Marcia Esteves, Marina Mizumoto, Patricia Macedo Garcia, Renata Brasil, Renato Camera, Sandra Martinelli, Sarah Buchwitz, Suzana Pamplona, Tatyane Luncah, Vivian Haag Leite e Wagner Mendes.

Obra celebra os 60 anos da ABA

O livro também prestigia a ABA, que completa 60 anos em 2019. A entidade tem o objetivo de representar, defender interesses comuns e contribuir para a contínua evolução e profissionalização das empresas anunciantes, além de transformar e gerar valor para as suas associadas, promovendo a excelência e as melhores práticas do marketing e da comunicação.

Ao longo de mais de seis décadas, a ABA conquistou reconhecimento internacional, sendo integrante do Conselho Executivo da WFA – World Federation of Advertisers, única organização global que representa os interesses comuns das empresas anunciantes.

Com mais de 140 empresas associadas, a ABA, durante toda a sua história, vem exercitando o protagonismo colaborativo e o marketing para transformar os negócios e a sociedade.

Mais informações, aqui.

Nova edição da Revista Inteligência Competitiva v.9, n.3 (2019)

Acaba de ser publicada mais uma edição da Revista Inteligência Competitiva: v. 9, n. 3 (2019)

Sumário

Editorial

Julho a SetembroPDF
Alfredo Passos da Silvai-v

Artigos

AS CONTRIBUIÇÕES DO CURSO DE LATU SENSO EM GESTÃO DE EQUIPE E LIDERANÇA NO DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS DOS ALUNOSPDF
Maiara Silva das Neves, Neusa Maria Francisco Mendel, Uiliam Hahn Biegelmeyer, Maria Emilia Camargo, Zaida Cristiane dos Reis1-21
FUNDOS DE INVESTIMENTO: APLICAÇÕES EM RENDA FIXAPDF
Carla Teixeira da Mota, Daniele Nespolo, Ana Cristina Fachinelli22-34
ANÁLISE DOS ELEMENTOS DA QUALIDADE NA VISÃO DE CLIENTES INTERNOS NA GESTÃO PÚBLICA: O CASO DE UMA INSTITUIÇÃO DE MATO GROSSOPDF
Mirtes Refosco, Adriana Santos Caparróz Carvalho, Michele Jackeline Andressa Rosa, Renato Neder, Sandro Ribeiro da Costa35-56
SISTEMA DE INFORMAÇÃO DE MARKETING: uma abordagem qualitativa na empresa NATURAPDF
Bruno Capparotti Lima, Kandy Xavier Costa, Maicon Marcio Paiva, Mayara D’arc Silva Brito, Luciano Augusto Toledo57-78
AUSÊNCIA OU SOBRECARGA DE INFORMAÇÃO: EIS A QUESTÃO!PDF
César Ricardo Maia de Vasconcelos, Alda Cristina Mariano Pimentel79-99
USO DA INTELIGÊNCIA COMPETITIVA POR MICRO, PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS: estudo de caso nas empresas associadas à ACITA, Itabira(MG), BrasilPDF
Frederico Cesar Mafra Pereira, Rodrigo Baroni de Carvalho, Arnaldo de Ávila Quintão100-122

Revista Inteligência Competitiva

Inteligência Competitiva: Plataformas de streaming brasileiras apostam na segmentação

A Marca do Zorro
‘A Marca do Zorro’ (1920), de Fred Niblo e Theodore Rigo, é um dos títulos do catálogo da Oldflix Foto: United Artists/Divulgação

Mapear filmes antigos ou raros, incentivar a produção independente ou facilitar acesso a subgêneros específicos do cinema – são diversos os objetivos de novas plataformas de streaming que se assemelham à Netflix, mas oferecem produtos completamente diferentes. No Brasil, a tendência também começa a tomar forma: ao menos três grandes plataformas criadas por aqui já estão de pé.

Lançada em 2016, a Oldflix é uma iniciativa brasileira – mais especificamente, do Rio Grande do Norte. Com mensalidades de R$ 12,90, a plataforma oferece um acervo de clássicos ‘retrô’ da TV e do cinema, como A Marca do Zorro, Jornada nas Estrelas e King Kong. À exemplo da Netflix, todo o conteúdo é transmitido por streaming, e pode ser assistido em qualquer aparelho conectado à internet e compatível com a plataforma. 

Com proposta mais comercial, a Looke, que debutou em 2015, também funciona a partir de streaming de filmes e séries por demanda. Na plataforma, é possível fazer uma assinatura mensal por valores que vão de R$ 16,90 a R$ 25,90, e alugar ou comprar títulos específicos, a partir de R$1,89 e R$14,90, respectivamente. O catálogo é amplo: vai de Tubarão a conteúdos do Sesc TV, incluindo produtos destinados ao público infantil.

Com lançamento previsto para esta sexta-feira,17, a Darkflix, do empresário Ernani Silva, quer atrair um segmento de público bastante específico: apaixonados por terror e ficção científica, principalmente por clássicos. No catálogo, estarão títulos como Poltergeist – O Legado, A Dama Oculta e Amazing Stories. “Sempre trabalhei com material segmentado, desde a época de distribuição de home vídeo em VHS”, conta o empresário. Após lançar uma revista voltada aos gêneros de horror e ficção científica, Ernani passou a trabalhar apenas com essa segmentação.

Foi uma crise que trouxe a gênese da plataforma. “Todo mundo acreditou que o mercado do DVD ia migrar para o Blu-Ray, mas isso não aconteceu”, conta Ernani. “Tentei montar um canal de TV segmentado, a cabo, mas era muito complicado.” 

Agora, frente ao serviço de streaming, Ernani tem um projeto ambicioso. Além dos filmes disponíveis na plataforma, a Darkflix contará, também, com um canal de TV 24 horas, gratuito. E vai além: quadrinhos do gênero também ganharão espaço na plataforma.

Os desafios são inúmeros: transmitir filmes antigos com qualidade, licenciar filmes nacionais e estrangeiros e chegar ao autossustento da plataforma são alguns deles. 

De olho em públicos específicos, serviços de streaming precisam ter cuidado especial com a curadoria, afirma Ernani. “Minha preocupação é ter um diferencial, deixar o cliente surpreso”, conta. Para isso, a plataforma investe em ainda mais segmentação: “Descobrimos quase 80 categorias dentro da categoria do fantástico. A ideia é que, em algum momento, um cliente que goste de filmes de alienígenas, por exemplo, consiga especificar ainda mais o seu gosto, e encontrar nichos próprios dentro dessa categoria”, diz. 

Fonte: Thaís Ferraz, Especial para O Estado de S.Paulo,12 de maio de 2019 | 15h35

Google limita anúncios políticos; Facebook lança ferramenta de segurança para marcas

O Google, da Alphabet, informou na última quarta-feira que não irá mais permitir a publicação de anúncios políticos muito direcionados em sua plataforma, fragmentando ainda mais as regras definidas pelos gigantes de tecnologia do Vale do Silício para se proteger contra informações falsas.

Pelas novas regras, os publicitários não poderão mais direcionar anúncios políticos baseados nos interesses dos usuários coletados de sua navegação ou do histórico de pesquisa. Apenas serão permitidos anúncios políticos direcionados por idade, gênero e localização do usuário.

O chamado microdirecionamento, pelo qual os publicitários podem focar seus anúncios para pequenos grupos de pessoas com base em suas preferências pessoais ou comportamento on-line, tem sido criticado por permitir a identificação de grupos suscetíveis à informações falsas.

O lançamento das novas regras será dentro de uma semana no Reino Unido, antes da eleição geral de 12 de dezembro. Na União Europeia, o lançamento será até o fim do ano e no restante do mundo até 6 de janeiro, informou a empresa em uma postagem em seu blog.

Facebook

Por outro lado, o Facebook lançou, nesta quinta-feira, ferramentas de segurança para marcas, com o objetivo de melhorar a transparência e dar aos anunciantes mais controle sobre as publicações.

A empresa afirmou que “a melhor maneira de contribuir para a segurança das marcas é impedir que o conteúdo prejudicial surja nos nossos serviços” e assinalou os esforços na remoção de conteúdo que viola a política da rede social. Entre as novas ferramentas, há a possibilidade de criar listas de bloqueio, obter relatórios de entrega e selecionar filtros.

Fonte: Dow Jones Newswires — Nova York 21/11/2019, publicado no Valor Econômico.

Sete em cada dez projetos de inteligência artificial em empresas falham, diz estudo

Segundo levantamento da consultoria BCG e do MIT, companhias precisam envolver diferentes áreas para serem bem sucedidas com algoritmos; para consultor, máquinas não vão substituir humanos

Na mesa. Empresa deve discutir com sindicatos sobre futuro do emprego, diz Duranton
Na mesa. Empresa deve discutir com sindicatos sobre futuro do emprego, diz Duranton

No mundo corporativo de 2019, tornou-se lugar comum dizer que uma empresa que não investe em inteligência artificial (IA) tem grandes chances de ficar ultrapassada. Mas não basta simplesmente criar um projeto que use algoritmos para conquistar a chave para o futuro – pelo menos é o que diz um estudo recente da consultoria Boston Consulting Group, realizado em parceria com o Massachusetts Institute of Technology: de cada 10 projetos de IA realizados por companhias, sete deles não dão resultados ou têm retorno mínimo para as corporações. 

“IA é bem diferente de engenharia: não é o caso de fazer um plano e executá-lo, mas sim de aprender com os erros. Também é uma questão de cultura: não é um problema só da área de tecnologia, mas sim do negócio todo”, explica o francês Sylvain Duranton, um dos consultores que participaram da pesquisa.

Realizado em 97 países, com mais de 2,5 mil profissionais de 19 indústrias diferentes, o estudo mostra ainda cresceu o receio dos executivos sobre a implementação de IA em suas empresas – hoje, 45% tem esse medo, contra 37% há dois anos. “Há ainda outro fator complicado: as empresas perceberam que podem ficar para trás se não forem capazes de usar o poder das máquinas de forma escalável.” 

Na entrevista ao Estado, Duranton, que é advogado de formação, dá mais detalhes sobre a pesquisa e mostra a receita das empresas que podem ser consideradas “pioneiras da IA”. Para ele, a inteligência artificial deve complementar o trabalho humano – e não substitui-lo. Caso contrário, sem as devidas precauções, corre-se o risco de criarmos uma “algocracia” – um sistema que mistura a “desumanidade” das burocracias com a velocidade do mundo digital. A seguir, os principais trechos da entrevista. 

Fala-se muito em IA, mas a pesquisa mostra que poucas empresas acertam. Por que isso acontece? 

Acredito que há uma desconexão entre a comunicação das empresas e a realidade. No estudo, percebemos que não há países que estejam extremamente adiantados ou indústrias atrasadas – em todos os setores, há pioneiros e gente que ficou para trás. Ainda há muito exagero e mistificação sobre a tecnologia. Porém, os executivos já perceberam que quem não conseguir achar um modo de usar essa tecnologia em escala estará fora do jogo. Para isso, porém, não basta só desenvolver soluções: é preciso ter cultura. Quando um projeto de IA é reportado para a área de tecnologia da empresa, ele tem duas vezes menos chances de dar certo do que quando está sob o comando da área de negócios ou do presidente executivo. Além disso, é melhor investir em IA para crescimento do que para produtividade. 

Qual é a diferença? 

Um programa de IA para crescimento pode ajudar os times de vendas a ter melhores preços ou ofertas, a partir de uma plataforma que ajuste o inventário. Já um projeto para produtividade ou eficiência pode, por exemplo, trocar pessoas por robôs de conversa. Ambos podem dar certo, mas os de crescimento tendem a ser melhores. 

Há países que estão mais adiantados que outros? 

Nas pesquisas que fizemos, vimos que a China e os EUA estão à frente. Depois, o Reino Unido, a Europa e por fim o Japão. Creio que é menos uma questão de talento e mais sobre a cultura. A Europa – e imagino que o Brasil seja parecido – tem uma cultura de engenharia. Pense assim: se você quer mandar um foguete para a Lua, é fácil. Basta fazer um plano, que pode levar três anos, convencer todo mundo e construir o foguete. IA já é diferente: é um trabalho sobre testar e errar, aprendendo com os erros. Uma empresa que é bem-sucedida com IA têm um ciclo muito rápido de inovação e trabalha com times ágeis – algo raro nas empresas europeias, que visam a perfeição da engenharia. O pragmatismo é melhor que a perfeição, nesse caso. 

Muito se discute sobre o risco da IA tirar empregos dos humanos. O que o sr. pensa sobre isso? 

Este é um tema que provoca muito estresse. Um terço das pessoas acha que seu trabalho não existirá em cinco anos. Outro até acredita que o emprego estará lá, mas não será qualificado. A questão é que IA não é um tsunami que vai matar dois terços dos trabalhos em cinco anos. É muito difícil conseguir automatizar completamente uma tarefa – se você conseguir que uma máquina realize 90% do trabalho de um humano, ainda será necessário alguém para cumprir os outros 10%. O melhor jeito de usar IA é complementando o trabalho – gosto de pensar que a sigla deveria significar “inteligência amplificada”, ajudando as pessoas a fazer seu trabalho de uma maneira melhor. 

E como isso pode ser feito? Dá para se preparar? 

Dá. Estimo que 80% dos empregos serão afetados por IA, mas de jeitos diferentes. Alguns deles serão racionalizados. Pense no Uber e nos taxistas de antigamente: com um GPS, o motorista do Uber só precisa seguir; já o taxista precisava ter todos os caminhos na cabeça. A IA pode tomar conta de um trabalho pouco valioso e deixar as coisas mais simples. Outro caminho vai na linha da amplificação: para um advogado, é preciso estudar as decisões de determinado juiz para preparar a argumentação para um caso. É algo que leva tempo – e que um algoritmo pode reduzir esse trabalho, deixando mais espaço para que o advogado trace a estratégia. É uma questão de adequação, não de perda de empregos. Mas é preciso se preparar: as empresas não podem se esconder no passado. Elas têm de se preocupar, discutindo com sindicatos e o departamento de recursos humanos sobre como adequar a força de trabalho. O quanto antes isso for feito, mais fáceis e suaves as coisas serão no futuro. 

Quais são os riscos da implementação de inteligência artificial em larga escala? 

As máquinas têm dificuldade de lidar com o contexto – em especial, com o contexto humano. Hoje, nos EUA, já há algoritmos que constroem preços. Eles têm padrões: se percebe que uma loja em uma determinada vizinhança é pouco sensível a preço, a máquina aumenta o preço. Isso pode gerar distorções se não houver contexto: às vezes, as pessoas podem ser insensíveis a preço não porque não têm dinheiro, mas sim porque vivem num bairro pobre e sem opções. Não é algo bom: um humano nunca teria feito isso. Se confiarmos cegamente na inteligência artificial, isso poderá acontecer muitas vezes. É um problema: nas empresas de hoje, todos querem ser ágeis. A agilidade é tida como o oposto da burocracia – que nada mais é um conjunto de regras e padrões criados porque não se confia em julgamento individual. Ora, IA é nada mais que um conjunto de regras gerados por uma máquina. Há o risco de criarmos uma nova burocracia, ainda mais complexa: é o que chamo de algocracia. 

O que é isso? 

Imagine um sistema de algoritmos que funcione de forma automática, sem correções “humanizadas”. Se descobrirmos que um algoritmo pode causar danos, ele precisa ser detido e repensado – especialmente em áreas sensíveis como acesso a escolas, crédito, seguros ou tratamentos de saúde. Não basta apenas usar bancos de dados que não tem viés para gerar um algoritmo que não seja enviesado – a vida não é assim, porque sempre haverá viés. É preciso trabalhar com ética, antecipando os efeitos colaterais das armadilhas da IA. A diferença entre personalização e manipulação de dados é muito pequena. 

No Brasil, a lentidão ligada à burocracia é tida como um dos maiores problemas do País. Uma algocracia não poderia ser melhor, porque é mais rápida? 

Uma algocracia é mais rápida, mas seus danos causam mais estrago. Numa grande burocracia, há o fator humano: apesar das regras, as pessoas tentam se comprometer com o que é certo. O tempo também evita que grandes distorções aconteçam. Já um algoritmo tomará decisões instantâneas – podendo afetar toda a justiça social do planeta em questões de segundos, por exemplo. É algo muito complexo. 

Fonte: Bruno Capelas – O Estado de S. Paulo, 13/11/2019

Palestra: “Como se preparar para ser um Especialista em Inteligência de Mercado?”

Programação do evento:

  • Lançamento e Apresentação do Curso Pós Especialista em Inteligência de Mercado
  • Palestra “Como se preparar para ser um Especialista em Inteligência de Mercado?”

Na palestra, os temas que serão tratados:

  • Quais competências serão necessárias no futuro para o profissional de Inteligência no Brasil? Por que Inteligência de Mercado?
  • Estas questões relevantes para profissionais das mais diversas áreas da administração serão abordadas durante este encontro, através da discussão sobre as macrotendências que impactam o futuro do trabalho e a atividade do profissional de Inteligência nos próximos anos.
  • Com base nas mudanças políticas, econômicas, sociais e tecnológicas serão apresentados os principais conhecimentos para aperfeiçoar o processo de tomada de decisão empresarial por meio do melhor uso de informações de mercado, com atitude empreendedora e ética.

Breve currículo do(s) palestrante(s):

Prof. Dr. Alfredo Passos
Doutor em administração. Primeiro profissional da América Latina a receber o SCIP Catlyst Award da Strategic and Competitive Intelligence Professionals nos Estados Unidos. Trabalhou em empresas como Rede Globo, Grupo Saint-Gobain e EDS (atual HP Company). Foi professor da ESPM, professor convidado da FGV e PUC-RS. Atua em inteligência competitiva para ativação de clientes e crescimento através da Atelier Brasil em projetos que envolvem a análise de dados para melhor oferta de produtos, serviços e retorno sobre investimentos.

Prof. Me. Agnaldo Antonio dos Santos

Mestre em Administração pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), atualmente, é Professor Universitário na disciplina de Gestão das Operações e de Gestão de Clientes dos cursos de Pós-Graduação da UNIP, Professor dos cursos técnicos e de Graduação em Tecnologia da Informação, Comunicação e Marketing das Faculdades Sumaré, de Graduação em Tecnologia da Informação nas Faculdades Anhanguera e Professor da disciplina de Governança Corporativa dos cursos de Pós-Graduação do Centro Universitário SENAC, participante do Programa de Mestrado e Doutorado em Gestão Internacional (PMDGI), bolsista da revista acadêmica Internext, da ESPM (2012-2013), e Consultor de Empresas. Possui graduação em Administração de Empresas pela ESPM (2008) e Filosofia pela UNIFAI (1992) e Técnico em Processamento de Dados pelo Colégio Radial (1989).

Centro Universitário Senac – Santo Amaro – São Paulo, SP – Sala I-328 (Acadêmico II)

27 de novembro de 2019, 19h-21h

Inscrições aqui