Inteligência Competitiva Empresas: Adidas cancela 6 mil vendas por falha no site durante Black Friday

Adidas liderou ranking de reclamações do Procon­SP no período e afirma que vai devolver dinheiro a clientes

A grife de artigos esportivos Adidas liderou o ranking de reclamações durante a Black Friday deste ano, realizada no dia 25. Segundo a Fundação Procon­SP, órgão vinculado à Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania do Governo do Estado de São Paulo, das 1.198 reclamações recebidas, 284 se referem à Adidas. A empresa registrou mais de 6 mil cancelamentos de compras, alegando problemas em seu site.

De acordo com comunicado divulgado pelo Procon­SP, o órgão vai chamar a Adidas para pedir o cumprimento das ofertas feitas no dia, que não foram efetuadas. Procurada pelo Valor, a Adidas informou que, devido aos “problemas operacionais”no seu site, ocorridos no dia 26/11/16, das 6:00 às 15:00, todos os pedidos efetuados no período foram cancelados. O período promocional previsto pela Adidas para a Black Friday foi de sexta (25) a domingo (28), além da segunda (29), com a Cyber Monday.

“Os preços de diferentes artigos foram alterados para R$ 129,99, em alguns casos reduzindo drasticamente seu valor de venda, e, em outros, deixando o produto mais caro que seu preço original”, afirma a filial da multinacional alemã. Além disso, muitos produtos que não estavam na promoção também passaram a ter descontos aleatórios superiores a 50%, o que contradiz a divulgação da própria empresa, que prometia “descontos de até 50%”, durante a Black Friday e a Cyber Monday.

A Adidas informou que está entrando em contato com cada um dos clientes que realizaram compras no dia, cujos valores serão integralmente devolvidos. Os motivos da falha estão sendo investigados por equipes do Brasil e da Alemanha, segundo a companhia. “Com o intuito de não prejudicar nenhum consumidor, o eCommerce da adidas foi colocado em manutenção e ficou off­line por aproximadamente cinco horas, para que nossos técnicos pudessem verificar e corrigir a acurácia de todos os dados variáveis impactados”, informa a companhia.

“A Adidas é uma empresa comprometida com os seus consumidores e sempre busca atendê-­los com o mais alto nível de excelência”. Sobre o Procon, a empresa informou que já está em contato com a entidade e “segue à disposição para quaisquer esclarecimentos.”

O plantão montado pelo Procon­SP para a Black Friday deste ano registrou 1.198 atendimentos e 342 pedidos de orientação sobre o evento promocional.

Os principais problemas relatados foram: pedido cancelado sem justificativa (23,8%); mudança de preço ao finalizar a compra (14,4%); produto/serviço anunciado indisponível (13,2%); e “maquiagem”do desconto (10,5%). Na edição do ano passado, a “maquiagem”do desconto havia liderado as queixas, com participação de 28,3%, seguida por produto/serviço indisponível (26%) e mudança de preço ao finalizar a compra (16,4%). No ano passado, a empresa mais reclamada foi a B2W (Americanas.com, Submarino e Shoptime).

Fonte: Daniele Madureira, Valor Econômico, 02/12/2016,­ 05:00. Foto: Krisztian Bocsi, Bloomberg.

Inteligência Competitiva Brasil 5: “Geração canguru” atinge no Brasil maior parcela em 11 anos

RIO – ­ Continuou avançando no Brasil a chamada “geração canguru” no país, jovens de 25 a 34 anos que permanecem vivendo com os pais, ou voltam a morar com eles por opção, mesmo com independência financeira, continuou avançando no país. Nessa faixa etária, subiu de 24,3% para 25,3% a fatia dos que tinham a condição de filho nos domicílios entre 2014 e 2015.

Foi a maior parcela em 11 anos, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados fazem parte da pesquisa Síntese de Indicadores Sociais – Uma análise das condições de vida da população brasileira – 2016. A principal fonte do levantamento divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Pnad 2015.

Resultado de imagem para foto “Geração canguru”

O termo “geração canguru” foi popularizado por um estudo de 2010 sobre o tema feito pelas pesquisadoras do IBGE Ana Lúcia Sabóia e Barbara Cobo, citado na pesquisa. Na Síntese de Indicadores, o IBGE chama atenção para o fato de que, em 2015, o percentual de ocupação no mercado de trabalho de jovens nesta faixa etária que viviam com os pais era de 7 1,7 %, muito semelhante ao percentual de ocupação das demais pessoas entre 25 e 34 anos que não viviam com os pais, de 7 5,1%.

Isto sugere que a permanência na casa dos pais não está diretamente associada à falta de trabalho, avaliou o instituto. Além disso, as pessoas nesta faixa etária que viviam com os pais eram mais escolarizadas. Assim, a opção de permanecer na casa dos pais pode estar associada ao prolongamento de estudos, analisou o IBGE. Segundo IBGE, 35,1% da geração canguru tinham ensino superior incompleto ou nível mais elevado; a média de anos de estudo foi de 10,7 anos; e 13,2% no grupo ainda estudavam.

Para aqueles que não residiam com os pais, na mesma faixa etária em 2015, os indicadores apresentaram valores mais baixos: 20,7 % tinham ensino superior incompleto ou nível mais elevado; a média de anos de estudos era de 9,8 anos; e somente 7 ,2% ainda estudavam. Em 2015, o IBGE identificou 7 1,2 milhões de arranjos familiares, presentes em 68,17 7 milhões de domicílios particulares. Estes arranjos poderiam ser sem parentesco ou com parentesco.

Os dados do levantamento mostraram, ainda, que nos arranjos familiares com parentesco, o núcleo familiar mais comum no país continuou a ser formado por casal com filhos. Mas há queda da participação desta classificação, que diminuiu 50,1% a 42,3% do total dos arranjos familiares, de 2005 a 2015.

Em 2014, era de 42,8%. Em contrapartida, a proporção de famílias compostas por casal sem filho se tornou mais expressiva, de 15,2% a 20,0% entre 2005 e 2015.

Em 2014, era de 19,9% do total de arranjos familiares. Já o núcleo familiar formado por mulher sem cônjuge e com filhos coabitando ficou relativamente estável no período, na análise do instituto, e passou de 18,2% para 16,3% de 2005 a 2015. Em 2014 era de 16,2%.

Fontes: Alessandra Saraiva, Robson Sales e Rafael Rosas, Valor Econômico, 02/12/2016, 11:33

Inteligência Competitiva Brasil 4: Brasil conta com mais lares chefiados por mulheres, diz IBGE

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Elas na chefia: A secretária Joice Hurtado, com o irmão (à esquerda) e os três filhos: responsável pelas despesas – Gabriel de Paiva / O Globo

RIO ­ O número de casas chefiadas por mulheres cresceu na última década, revelou a Síntese de Indicadores Sociais, que analisou as condições de vida da população brasileira em 2015. Baseado em informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), em 2015, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que em 40,5% dos domicílios as mulheres eram a pessoa de referência.

Em 2005, elas eram a chefe da família em 30,6% dos lares brasileiros. O Nordeste é a região do país em que há, proporcionalmente, mais mulheres na posição de referência ­ em média, 42,9% das casas. Esse percentual é maior que o do Sudeste, onde 40,7 % dos lares têm mulheres como líder. Essa proporção é de 39,4% na região Norte, 36,9% no Sul e 39,5% no Centro-­Oeste.

Para o IBGE, “a queda da fecundidade, o aumento da escolaridade e da inserção das mulheres no mercado de trabalho são alguns fatores que produzem alterações nos arranjos familiares. Uma dessas mudanças foi o aumento da proporção de mulheres que se encontravam na condição de pessoa de referência da família”. A posição de chefia da mulher na família tem ficado mais evidente também dentro das casas que o casal tem filhos.

Em relação a todos os domicílios do país, 15,7 % dos lares tem como pessoa de referência do casal com filhos a mulher e 53,9%, o homem. Uma década antes, em 2005, esse percentual era de 4,8% e 66,3% respectivamente. O IBGE apontou ainda que em 26,8% dos domicílios com filhos de casais separados era a mulher a pessoa de referência. Entre os homens, essa proporção era de 3,6%. No total de domicílios em que o pai e a mãe estão separados, em 88,2% dessas casas é a mulher a pessoa de referência.

Se em casa elas estão assumindo o comando publicamente, no mercado de trabalho ainda há diferenças. Mesmo se ambos estiverem em cargos de chefia, o homem vai ganhar mais, em média. Segundo o IBGE, eles tem rendimento médio mensal de R$ 5.222 e elas, R$ 3.57 5, uma diferença de 31,5%.

Em 2015, entre todas as mulheres ocupadas, 4,7 % estavam em cargos no alto escalão. Entre os homens essa proporção chegava a 6,2%.

Fontes: Robson Sales, Alessandra Saraiva e Rafael Rosas, Valor,02/12/2016,­ 10:55

Inteligência Competitiva Brasil 3: Cerca de um em cada quatro jovens não trabalhava nem estudava em 2015

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RIO ­ A parcela de pessoas entre 15 e 29 anos que não trabalham nem estudam, os chamados “nem­nem”, representava em 2015 quase um quarto do total dos jovens nesta faixa etária do país. Além disso, a fatia foi a maior, nesta categoria, em 11 anos. As informações constam da pesquisa Síntese de Indicadores Sociais – Uma análise das condições de vida da população brasileira – 2016.

A principal fonte do levantamento divulgado hoje foi a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Pnad 2015, apresentada na semana passada. Do total de jovens de 15 a 29 anos em 2015, 22,5% dos jovens não estudavam nem trabalhavam na semana de referência, percentual mais alto do que os 20% encontrados em 2014.

Para o IBGE, a informação deve ser entendida num contexto de aumento do desemprego entre os jovens. O instituto lembrou que, apesar de ser indicador pouco conhecido no início dos anos de 2000, os “nem­nem” ganharam peso por evidenciar problemas como o desemprego, evasão escolar precoce e desalento com o mercado de trabalho.

Sobre evasão escolar, o IBGE informou ainda que, em 2015, grupo etário de 18 a 24 anos é o maior na população dos jovens não estudam nem trabalham, com 27 ,4%, seguido pelo grupo de 25 a 29 anos, com 24,1%. Para o instituto, os dados mostram que não estudar nem trabalhar é característica mais marcante entre os jovens que já deveriam ter concluído o ensino médio.

Ao analisar geograficamente a presença dos “nem­nem” no país, a maior parcela de jovens nesta categoria está no Nordeste, representando 26,6% do total de jovens de 15 a 29 anos daquela região, seguido por Norte (24,5%); Sudeste (21,5%); Centro-­Oeste (19,2%); e Sul (17 ,4%). Entre os Estados, a maior parcela de “Nem­Nem” foi registrada entre os jovens de Alagoas (33,3%), e a menor parcela, em Santa Catarina (14,4%).

Fontes: Alessandra Saraiva, Robson Sales e Rafael Rosas, Valor Econômico, 02/12/2016,­ 10:22. Foto: Fabio Arruda.

Inteligência Competitiva Brasil 2: IBGE: Grupo dos 10% mais ricos detém 40,5% de todo rendimento do país

Fotos Públicas

RIO – ­ A concentração de renda entre os 10% mais ricos está diminuindo ao longo da última década, mas esse seleto grupo de brasileiros detém 40,5% de todos os rendimentos do país, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2005, essa proporção chegava a 45,3%, segundo números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

O grupo dos 40% da população com os menores rendimentos passou a deter 13,6% da renda total no ano passado. Uma década antes, essa fatia era de 11%. O Centro-­Oeste é a região com maior concentração de renda, 41,4% dos recursos estão nas mãos daqueles 10% mais ricos.

No Sudeste, esse percentual era de 39,9% e no Sul caía para 37 %. No Nordeste, segundo o IBGE, essa fatia era de 40,2% e no Norte, 38,7 %. A desigualdade caiu também analisando sob a ótica do Índice de Palma, que compara a evolução do décimo superior com o conjunto dos quatro décimos inferiores.

Em dez anos, o indicador passou de 4,1, em 2005, para 3,0 em 2015. Distribuição dos rendimentos A desigualdade de renda entre brancos e negros diminuiu na última década, mas a distribuição de rendimentos ainda é desproporcional e tem cor ­ 7 9,5% dos brasileiros mais ricos são brancos, revelou a Síntese de Indicadores Sociais, que analisou as condições de vida da população brasileira em 2015. Por outro lado, apenas 18,2% daqueles integrantes do grupo formado pelo 1% da população com maiores rendimentos mensais domiciliares per capita eram negros e pardos.

Entre os 10% mais pobres, 7 6% são negros e 22,6%, brancos. “Observando a desigualdade de renda que, apesar de arrefecimento nos últimos anos, a população permanece segmentada por cor”, destacou o IBGE. Em 2005, 7 3,9% dos 10% mais pobres eram negros e 25,7 %, brancos. No topo da pirâmide dos rendimentos, entre os 1% mais ricos na década passada, 86,2% eram brancos e apenas 10,9%, pretos ou pardos.

Os negros e pardos também sofrem com a maior informalidade no mercado de trabalho, segundo dados da Pnad. Em 2015, 48,3% da população negra estava em trabalhos informais. Entre os brancos essa fatia é bem menor, 34,2% desse grupo estava na informalidade. Em 2005, a informalidade entre os negros era ainda maior. Há dez anos, 61,7 % dos pretos ou pardos não tinham vínculo empregatício formal.

A proporção superava a média brasileira, que tinha naquele período 53,8% dos ocupados na informalidade, de acordo com a Pnad. Os brancos, desde 2005, sempre tiveram mais da metade da população na formalidade ­ a parcela saiu de 53,6% naquele ano para 65,8%, em 2015.

Fontes: Robson Sales, Alessandra Saraiva e Rafael Rosas, Valor Econômico, 02/12/2016,­ 10:50. Fotos públicas

Inteligência Competitiva Brasil 1: SIS 2016: 67,7% dos idosos ocupados começaram a trabalhar com até 14 anos

De 2005 para 2015, a proporção de idosos de 60 anos ou mais na população do Brasil passou de 9,8% para 14,3%. Ao mesmo tempo, observou-se queda no nível de ocupação dos idosos de 30,2% para 26,3%. O perfil do grupo de idosos que trabalham sofreu mudanças: diminuiu a proporção de idosos ocupados que recebiam aposentadoria, de 62,7% para 53,8%, e aumentou a participação de pessoas com 60 a 64 anos entre os idosos ocupados, de 47,6% para 52,3%.

Entre os idosos ocupados, 67,7% começaram a trabalhar com até 14 anos de idade. As pessoas de 60 anos ou mais inseridas no mercado de trabalho possuem baixa média de anos de estudos (5,7 anos) e 65,5% delas tinham o ensino fundamental como nível de instrução mais elevado.

Entre os jovens 15 a 17 anos de idade, entre 2005 e 2015, aumentou de 59,3% para 70,9% a proporção dos que somente estudavam, diminuindo a proporção daqueles que estudavam e trabalhavam na semana de referência, de 22,3% para 14,1%.

Porém, a taxa de escolarização para esse grupo avançou lentamente entre 2005 e 2015, crescendo somente 3,4 pontos percentuais (de 81,6% para 85,0%). Houve redução de 36,9% para 26,4% na taxa de distorção idade-série (proporção de estudantes no ensino regular com idade dois anos ou mais acima da esperada para a série que frequentavam, em relação ao total de estudantes), mas o atraso escolar ainda afeta 40,7% dos estudantes de 15 a 17 anos com menores rendimentos, cinco vezes mais do que para os estudantes com maiores rendimentos.

Cerca de um em cada quatro (22,5%) jovens de 15 a 29 anos não frequentava escola nem trabalhava na semana de referência em 2015, os chamados “nem-nem”, sendo que essa proporção cresceu 2,8 pontos percentuais frente a 2005 (19,7%). Já a proporção de pessoas de 25 a 34 anos de idade que estavam na condição de filho no arranjo familiar passou de 21,7%, em 2005, para 25,3%, em 2015.

Essas e outras informações estão no estudo Síntese de Indicadores Sociais (SIS): uma análise das condições de vida da população brasileira 2016. A partir de informações do IBGE e de outras fontes, como os Ministérios da Educação, da Saúde e do Trabalho, a SIS sistematiza um conjunto de informações sobre a realidade social do país, analisando os temas aspectos demográficos, famílias e arranjos, grupos populacionais específicos (crianças e adolescentes, jovens e idosos), educação, trabalho, padrão de vida e distribuição de renda e domicílios.

O estudo mostra ainda que, se, por um lado, mais da metade da população brasileira em 2015 era composta por pretos e pardos (54,0%), por outro, estes representavam 75,5% das pessoas dos 10% com menores rendimentos (contra 23,4% de brancos). Ao mesmo tempo, eram apenas 17,8% das pessoas entre o 1% da população com os maiores rendimentos (contra 79,7% de brancos). Em 2005, pretos e pardos representavam 74,1% dos 10% com menor renda e 11,4% do 1% com maiores rendimentos.

A publicação completa, com todos os resultados da Síntese de Indicadores Sociais 2016 pode ser acessadaaqui.

Aspectos demográficos: fecundidade na adolescência cai 22,1% em dez anos

De 2005 a 2015, a fecundidade das mulheres de 15 a 19 anos caiu de 76,3 para 59,4 filhos por mil mulheres, uma redução de 22,1%. Em 2015, o Acre apresentou taxa específica de fecundidade mais elevada para este grupo etário, de 104,3 filhos por mil mulheres, enquanto no Distrito Federal o indicador foi o mais baixo, de 40,0 filhos por mil mulheres.

Já a taxa de fecundidade total para o Brasil passou de 2,09 filhos por mulher, em 2005, para 1,72 em 2015, representando uma queda de 17,7%. A faixa etária de maior fecundidade era a das mulheres de 20 a 24 anos (90,0 filhos por mil mulheres em 2015).

Uma em cada cinco pessoas de 15 anos ou mais vive em união consensual

Em 2015, 56,3% das pessoas de 15 anos ou mais viviam em união, sendo que 36,5% eram casadas no civil e/ou religioso e 19,8% viviam em união consensual. Cerca de uma em cada cinco (18,3%) pessoas nessa faixa de idade não viviam, mas já tinham vivido em união, e uma em cada quatro (25,4%) nunca viveram em união.

Para os homens, em 2015, a proporção que vivia em união conjugal foi crescente com a idade, mantendo níveis elevados (entre 70,0% e 80,0%) acima de 30 anos de idade; para as mulheres o indicador foi crescente até os grupos de 30 a 39 e 40 a 49 anos de idade, atingindo valores próximos a 70,0% das pessoas nestas faixas de idade, passando a decrescer nos grupos a partir dos 50 anos de idade.

Razão de dependência ainda mostra queda, apesar do envelhecimento populacional

Enquanto as proporções de idosos de 60 anos ou mais e de adultos de 30 a 59 anos cresceram de 2005 a 2015 (respectivamente 4,5 e 4,8 pontos percentuais), caíram as proporções de crianças de 0 a 14 anos (5,5 p.p) e de jovens de 15 a 29 anos (3,8 p.p), demonstrando uma clara tendência de envelhecimento demográfico.

Ainda assim, a razão de dependência total, medida pela razão entre as pessoas economicamente dependentes (jovens até 15 anos e idosos com 60 anos ou mais de idade) e aquelas potencialmente ativas (15 a 59 anos de idade), caiu na última década, passando de 57,2 pessoas economicamente dependentes por 100 pessoas em idade potencialmente ativa, em 2005, para 54,7, em 2015.

Porém, quando se observam os grupos etários, a razão de dependência de jovens diminuiu significativamente, passando de 41,7 para 32,5; enquanto a razão de dependência dos idosos aumentou de 15,5 para 22,2 no mesmo período.

Grupos populacionais específicos: 65,5% dos idosos no mercado de trabalho têm apenas ensino fundamental incompleto

De 2005 para 2015, o perfil do grupo de idosos que trabalham sofreu mudanças: diminuiu a proporção de idosos ocupados que recebiam aposentadoria, de 62,7% para 53,8%, e aumentou a participação de pessoas com 60 a 64 anos entre os idosos ocupados, de 47,6% para 52,3%. No entanto, o nível de ocupação dos idosos caiu de 30,2% para 26,3% no mesmo período, indicando a vulnerabilidade dos idosos no mercado de trabalho.

A baixa média de anos de estudo das pessoas de 60 ou mais ocupadas (5,7) contribui para essa vulnerabilidade. Entre as pessoas ocupadas de 15 a 29 anos de idade, a média de anos de estudo era de 10,1, e entre as de 30 a 59 anos, 8,9.

Assim, 65,5% dos idosos inseridos no mercado de trabalho tinham o ensino fundamental (ou equivalente) incompleto como nível de instrução mais elevado, o que revela uma inserção em postos de trabalho de menor qualificação. Os idosos ocupados tiveram inserção precoce no mercado de trabalho, com 24,7% deles tendo começado a trabalhar com até 9 anos de idade e 43,0% com 10 a 14 anos.

Esses indicadores evoluíram desde 2005 – fruto do envelhecimento da população mais escolarizada – quando a média de anos de estudo dos idosos ocupados era de 3,7, 81,8% tinham apenas o ensino fundamental (ou equivalente) incompleto, 32,9% haviam ingressado no mercado de trabalho com até 9 anos e 45,8% com 10 a 14 anos de idade

Aumenta o percentual de crianças que vivem em domicílios com menos de 1/4 de salário mínimo per capita

De 2014 para 2015, no Brasil, cresceram os percentuais de crianças e adolescentes que residiam em domicílios com rendimento mensal per capita de até 1/4 do salário mínimo, passando de 15,2% para 17,6% das crianças de 0 a 4 anos e de 15,9% para 18,4% das crianças e adolescentes de 5 a 14 anos. Porém, houve redução em relação a 2005, quando esses percentuais eram de 22,4% e 20,7%, respectivamente.

O percentual de crianças de 0 a 4 anos que viviam em domicílios sem acesso a nenhum serviço de saneamento (abastecimento de água por rede geral, esgotamento sanitário por rede coletora ou pluvial e coleta direta ou indireta de lixo) caiu de 15,3% em 2005 para 8,1% em 2015. Observa-se, porém, disparidades regionais: enquanto no Sudeste esse percentual foi de 2,6%, na região Norte, 18,0% das crianças de até 4 anos viviam em domicílios sem saneamento em 2015.

Mais da metade dos jovens ocupados trabalham de 40 a 44 horas semanais

Entre 2005 e 2015, aumentou de 59,3% para 70,9% a proporção dos jovens de 15 a 17 anos que somente estudavam, diminuindo a proporção dos que estudavam e trabalhavam na semana de referência, de 22,3% para 14,1%.

No mesmo período, observou-se uma melhora nas condições de trabalho para o grupo de 15 a 29 anos, com quedas no percentual dos que não tinham rendimento (de 11,6% para 6,1%) e aumento na proporção dos que recebiam mais de 1 a 2 salários mínimos (de 32,6% para 43,8%). Além disso, 13,7% dos jovens deixaram de trabalhar mais de 44 horas semanais e passaram a trabalhar de 40 a 44 horas, totalizando 50,9% dos jovens ocupados nessa faixa.

Em 2015, 27,4% dos jovens de 18 a 24 anos não trabalhavam nem estudavam

Cerca de um em cada quatro (22,5%) jovens de 15 a 29 anos não frequentava escola nem trabalhava na semana de referência em 2015, os chamados “nem-nem”, sendo que essa proporção cresceu 2,8 pontos percentuais frente a 2005 (19,7%). O grupo de 18 a 24 anos apresentou o maior percentual de “nem-nem” em 2015, com 27,4%.

Mesmo com o crescimento no percentual de homens que não estudavam nem trabalhavam, de 11,1% em 2005 para 15,4% em 2015, o percentual de mulheres nessa condição ainda é muito superior (29,8%). Isso pode estar relacionado às barreiras para a entrada de mulheres no mercado de trabalho e dedicação aos afazeres domésticos, visto que o percentual de mulheres jovens que não estudavam, nem trabalhavam, nem procuraram trabalho na semana de referência (inativas) é de 21,1%, enquanto o das que não estudavam, nem trabalhavam, mas procuraram trabalho (desocupadas) é de 8,7%, e que 91,6% de todas as mulheres “nem-nem” cuidavam de afazeres domésticos, dedicando-lhes em média 26,3 horas semanais.

Já o percentual de homens jovens não estudantes inativos é quase o mesmo que o de não-estudantes desocupados (7,6% e 7,8%, respectivamente) e 47,4% de todos os homens “nem-nem” cuidavam de afazeres domésticos por, em média, 10,9 horas semanais.

Famílias e arranjos: 63,7% das pessoas que moram sozinhas têm mais de 50 anos

Do total de 71,2 milhões de arranjos residentes em domicílio particular, 14,6% eram do tipo unipessoal, 0,3% eram multipessoais sem parentesco, e as famílias correspondiam a 85,1%. O arranjo corresponde a uma pessoa ou grupo de pessoas, ligadas ou não por laços de parentesco, que morem em um domicílio particular.

Entre 2005 e 2015, observa-se uma tendência de aumento da proporção de arranjos unipessoais, de 10,4% para 14,6%, relacionada ao envelhecimento populacional, uma vez que a proporção de arranjos unipessoais formados por pessoas de 50 anos ou mais passou de 57,3% para 63,7%.

Nos arranjos multipessoais com parentesco, o núcleo familiar mais comum era formado por casal com filhos, mas tem-se notado queda de participação, que passou de 50,1% a 42,3% do total dos arranjos, de 2005 a 2015. O arranjo casal sem filho aumentou de 15,2% para 20,0%, e o arranjo formado por mulher sem cônjuge com filhos passou de 18,2% para 16,3%.

Observa-se, ainda, no período 2005-2015, aumento da proporção de mulheres como pessoa de referência da família, de 30,6% para 40,5%. Nos arranjos formados por casal com filhos, essa proporção passou de 6,8% para 22,5% e, nos arranjos de casal sem filhos, passou de 8,4% para 22,0%.

Jovens de 25 a 34 anos que moram com os pais são mais escolarizados

A proporção de pessoas de 25 a 34 anos de idade que estavam na condição de filho no arranjo familiar passou de 21,7%, em 2005, para 25,3%, em 2015. Em 2015, o nível da ocupação das pessoas nessa faixa etária que viviam com os pais (71,7%) foi semelhante ao daquelas que não viviam (75,1%), o que sugere que a permanência na casa dos pais não esteja diretamente associada com a falta de trabalho.

No entanto, as pessoas que viviam com os pais eram mais escolarizadas, uma vez que 35,1% tinham ensino superior incompleto ou nível mais elevado; a média de anos de estudo foi de 10,7 anos; e 13,2% no grupo ainda estudavam. Para aqueles que não residiam com os pais os indicadores apresentaram valores mais baixos: 20,7% tinham ensino superior incompleto ou nível mais elevado; a média de anos de estudos era de 9,8 anos; e somente 7,2% ainda estudavam.

Educação: taxa de escolarização dos jovens de 15 a 17 anos cresce apenas 3,4 pontos percentuais em uma década

A taxa de escolarização das crianças de 0 a 3 anos subiu de 13,0%, em 2005, para 25,6% em 2015. Na faixa etária de 4 e 5 anos, o indicador foi de 62,8% para 84,3% no mesmo período. Para as pessoas de 6 a 14 anos, a taxa de escolarização se aproximou da universalização na década de 1990, atingindo 98,6% em 2015. Por outro lado, o acesso à escola dos jovens de 15 a 17 anos de idade avançou lentamente entre 2005 e 2015 e cresceu somente 3,4 pontos percentuais, passando de 81,6% em 2005 para 85,0% em 2015.

Atraso escolar na faixa de 15 a 17 anos caiu entre 2005 e 2015, mas ainda afeta 40,7% dos estudantes com menores rendimentos

De 2005 para 2015, houve redução de 36,9% para 26,4% na taxa de distorção idade-série (proporção de estudantes no ensino regular com idade dois anos ou mais acima da esperada para a série que frequentavam, em relação ao total de estudantes) para os estudantes de 15 a 17 anos.

A proporção de estudantes nessa faixa etária que frequentavam a rede pública com distorção idade-série era 3,6 vezes maior do que na rede particular. Além disso, os 20% com os menores rendimentos mensais domiciliares per capita (1º quinto) possuíam uma taxa de distorção idade-série de 40,7%, cinco vezes maior do que os pertencentes aos 20% com os maiores rendimentos (5º quinto).

O efeito do atraso escolar também pode ser observado entre os jovens de 15 a 17 anos que estavam fora da escola. No Brasil, em 2015, 15,0% (1,6 milhão) dos adolescentes dessa faixa etária não estudavam. Entre os jovens que haviam evadido a escola precocemente sem terminar o ensino médio (1,3 milhões de jovens), 61,4% abandonaram a escola sem concluir o ensino fundamental.

Apesar do aumento, percentual de estudantes pretos e pardos no ensino superior continua bem abaixo do de brancos

A frequência escolar líquida (proporção de pessoas que frequentam escola no nível de ensino adequado à sua faixa etária, excluindo as que já completaram esse nível) no ensino superior cresceu de 11,4% em 2005 para 18,4% em 2015, quase metade dos 33% pretendidos pela Meta 12 do Plano Nacional de Educação até 2024.

O percentual de pretos ou pardos de 18 a 24 anos que cursavam o ensino superior, em 2015, era de 12,8%. Essa taxa teve um crescimento significativo em relação a 2005 (7,3 p.p), mas ainda ficou abaixo do percentual alcançado pelos jovens estudantes brancos em 2005 (17,8%) e 2015 (26,5%).

Um dos fatores responsáveis por agravar essa desigualdade é o atraso escolar, que afeta mais os estudantes pretos ou pardos em comparação aos brancos. Em 2015, 53,2% dos estudantes pretos ou pardos nessa faixa etária cursavam níveis de ensino anteriores ao ensino superior, como o fundamental e o médio, enquanto apenas 29,1% dos estudantes brancos estavam nessa mesma situação.

Trabalho: ainda é baixo o percentual de empregados domésticos que contribuem para a previdência social

O Brasil registrou um aumento de 39,9% no número de pessoas em trabalhos formais entre 2005 (46,2%) e 2015 (58,2%). Um fator que contribuiu para a manutenção das taxas de formalização entre 2014 e 2015 foi o aumento do percentual de trabalhadores por conta-própria que contribuíam para a Previdência Social, de 27,7% em 2014 para 28,9% em 2015.

Os trabalhadores domésticos são a categoria com a menor taxa de formalização. Em 2015, o percentual de trabalhadores domésticos sem carteira que contribuíam para a previdência social individualmente era 13,4%; no caso dos empregados sem carteira o percentual era 24,3% e a taxa entre os trabalhadores por conta-própria era 28,9%.

A taxa de contribuição previdenciária é bastante diferenciada entre o grupo de trabalhadores domésticos mensalistas (que possuem jornada de 40 horas ou mais por semana) e diaristas (com jornada de até 39 horas). Enquanto a proporção dos que contribuem para a previdência entre os mensalistas cresceu de 50,3% em 2012, quando foi aprovada a PEC das domésticas, para 59,1% em 2015, entre os diaristas essa proporção passou de 20,3% para 22,0%.

Trabalhadores formais recebem, em média, o dobro do rendimento dos informais

O rendimento médio real (corrigido pela inflação) da população ocupada em trabalhos formais e informais seguiu uma trajetória ascendente entre 2005 e 2014; no entanto, em 2015, houve uma queda de 4,6% em relação ao ano anterior. O rendimento médio em trabalhos formais (R$ 2.195) foi quase o dobro dos informais (R$ 1.174).

Em 2015, o rendimento-hora das pessoas com 12 anos ou mais de estudo era 4,3 vezes o rendimento-hora da população com até quatro anos de estudo (R$ 35,11 e R$ 8,20, respectivamente). Contudo, em 2005, essa relação era ainda mais elevada, 5,3 vezes.

Jornada de trabalhos domésticos das mulheres é o dobro da masculina

Os padrões de gênero na sociedade brasileira continuaram praticamente inalterados na última década em relação às jornadas no mercado de trabalho e o cuidado com afazeres domésticos. Em 2015, assim como em 2005, a jornada masculina com afazeres domésticos foi de 10 horas semanais, metade do tempo da feminina para essas mesmas atividades.

Já a jornada de trabalho dos homens, em 2015, foi de 40,8 horas e a das mulheres, 34,9 horas. Assim, juntando o tempo dedicado às atividades de dentro e fora de casa, as mulheres trabalham, em média, 55,1 horas semanais, o que representa cinco horas a mais que os homens.

Em 2015, 6,2% dos homens ocupados de 25 anos ou mais estavam em cargos de gerência ou direção, entre as mulheres, essa proporção era de 4,7%. A desigualdade salarial também é elevada, visto que as mulheres nesta posição recebiam, em média, 68,0% do rendimento médio dos homens.

Padrão de vida e distribuição de renda: 75,0% das pessoas com os menores rendimentos eram pretas ou pardas

A desigualdade de renda no Brasil, ainda que decrescente nos últimos anos, reflete a segmentação por cor e raça. Pretos ou pardos representavam, em 2015, 54,0% do total da população, mas eram 75,5% das pessoas com os 10% menores rendimentos (contra 23,4% de brancos). Ao mesmo tempo, representavam apenas 17,8% das pessoas entre o 1% da população com os maiores rendimentos (contra 79,7% de brancos).

Em 2015, o Índice de Palma mostrou que os 10% com os maiores rendimentos da população concentravam três vezes mais do total de rendimentos que os 40% com os menores rendimentos, o que representou estabilidade frente a 2014 (3,1). Em relação a 2005 (4,1), houve redução significativa da desigualdade.

Condições de vida e riscos para a saúde afetam de forma desigual a população, com fortes desigualdades raciais e regionais

Com dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2013, 37,8% da população adulta preta ou parda avaliou sua saúde como regular, ruim ou muito ruim, contra 29,7% da população branca. Pretos ou pardos (38,7%) também estavam mais expostos a viver em um domicílio com condições precárias (sem acesso simultâneo a abastecimento de água por rede geral, esgotamento sanitário por rede geral ou fossa séptica e coleta de lixo) do que brancos (22,3%). Ao mesmo tempo, 53,1% das pessoas pretas ou pardas de 18 anos ou mais de idade estavam em domicílios sem máquina de lavar, contra 27,2% da população branca.

Em 2013, 42,7% das pessoas de 18 anos ou mais que moravam em domicílios sem acesso a serviços básicos classificaram sua saúde como regular, ruim ou muito ruim, contra 29,9% das que moravam em domicílios com acesso a esses serviços.

Havia em 2013 uma maior proporção de pessoas, nos estados das regiões Norte e Nordeste, com autoavaliação da saúde em regular, ruim e muito ruim e que não foram ao médico nos últimos 12 meses, indo de 15,1% da população adulta do Maranhão e 14,2% no Pará, entre as maiores exposições, contra 2,7% e 2,8%, respectivamente, em Santa Catarina e São Paulo.

Domicílios: cresce a proporção de domicílios em ônus excessivo com aluguel

Entre os domicílios alugados (17,9% do total), a proporção em ônus excessivo com aluguel (situação em que o valor do aluguel mensal iguala ou supera 30,0% da renda domiciliar mensal) era 24,3% em 2005 e passou para 32,0% em 2015. Quando considerado o total de domicílios, independentemente da condição de ocupação, a proporção em ônus excessivo com aluguel passou de 3,9% em 2005 para 5,7% em 2015.

Em relação ao tipo de arranjo domiciliar, o ônus excessivo era mais comum nos unipessoais (10,0%) e naqueles em que a família era formada por mulher com filhos (8,7%), sendo menor nos domicílios onde os arranjos domiciliares eram formados por casal com filho (4,1%) e casal sem filho (4,0%).

A redução do número médio de moradores por domicílio de 3,5 em 2005 para 3,0 em 2015, em conjunto com redução na proporção de domicílios com menos de quatro cômodos (de 10,8% para 7,6%), tem provocado uma redução do adensamento domiciliar excessivo (domicílios onde há mais de três moradores por cômodo utilizado como dormitório). Por esse critério, 6,0% dos domicílios particulares permanentes estavam excessivamente adensados em 2005, número que se reduz para 3,0% em 2015.

Já o número de domicílios com banheiro ou sanitário de uso exclusivo dos moradores passou de 93,6% em 2005 para 97,7% em 2015.

Fonte: IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Comunicação Social. Foto: Wang Tom, 123RFBrasil

Inteligência Competitiva – Indústria 4.0: Modelo pode reverter desindustrialização

José Borges Frias, diretor de estratégia da Siemens: a indústria 4.0 é uma boa forma de dar salto de produtividade

A indústria 4.0 pode funcionar como instrumento para reverter o processo de desindustrialização e recuperar a participação do setor industrial no PIB brasileiro. Criado na Alemanha, com o objetivo de utilizar a tecnologia digital para aumentar a produtividade industrial e fortalecer a economia do país face ao abalo da crise financeira global de 2008-­2009, o modelo pode ajudar a indústria brasileira a dar um salto de competitividade, acredita José Borges Frias Jr., diretor de estratégia, inteligência de mercado e business excellence para as divisões digital factory e process industries and drives da Siemens Brasil.

“A indústria brasileira, se quiser participar das cadeias globais de valor, precisa ter melhor produtividade e a indústria 4.0 é uma boa forma de dar esse salto”, diz o executivo. Grandes empresas globais de setores como o automotivo, químico, de papel e celulose, bens de capital e bens de consumo são as que se destacam hoje no país na adoção desse conjunto integrado e conectado de tecnologias, que permite o uso mais racional de materiais e energia, menor custo e maior eficiência na fabricação, logística e distribuição dos produtos.

Utilizando tecnologias como internet das coisas (IoT) e computação em nuvem, o novo modelo também permite a customização em massa, eliminando a necessidade da produção de grandes lotes de um único modelo para obter­se economia de escala. Uma mesma linha pode comportar vários modelos, sem encarecer o produto, como ocorre hoje com a Volkswagen, cliente da Siemens, na fábrica de São José dos Pinhais (PR), onde são produzidos os modelos Golf, Audi e Fox em uma mesma linha de montagem.

No setor de papel e celulose, a Fibria investiu em um sistema de análise preditiva da SAP aplicado a projetos como o desenvolvimento de novos clones de eucalipto e melhores práticas de manejo florestal. No agronegócio, a Stara, fabricante de máquinas agrícolas, desenvolveu em conjunto com a SAP um protótipo de trator com a tecnologia IoT que permite ao agricultor monitorar on­line e em tempo real os processos de plantio, preparo, adubação e correção do solo, pulverização e colheita.

Os dados podem ser integrados ao sistema de gestão da fazenda, possibilitando análise em tempo real. A SAP, que nos últimos cinco anos investiu € 10 bilhões em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias, vai destinar € 2 bilhões, até 2020, apenas à IoT. Mário Rachid, diretor executivo de soluções digitais da Embratel destaca a solução de internet das coisas aplicada a automóveis, que permite acionar autofalantes e microfones do sistema hands­free, travar portas a distância, conectar aplicativos e solicitar à central de uma montadora o acompanhamento em rotas perigosas. A tecnologia já é usada pela GM no Brasil nos modelos Médio Cruze 2016 e no novo Cobalt da Chevrolet.

A Volvo aplicou a solução no modelo XC60. Entre os serviços oferecidos pela Embratel para a indústria 4.0 estão a transmissão de dados, cloud computing, M2M/internet das coisas e datacenter. Para Rachid, a facilidade de acesso e a flexibilidade da nuvem contribuem para melhorar a produção e o gerenciamento de fábricas e escritórios. “Por meio de aplicações em nuvem, as indústrias podem aumentar sua capacidade em momentos de pico e reduzir quando for necessário, otimizando gastos e investimentos”, afirma. A indústria 4.0 baseia­se em padrões abertos e pressupõe colaboração e parcerias entre fabricantes, integradores, companhias de telecomunicações e usuários.

“Colaboração é a palavra chave do sucesso nesse novo mundo digital”, diz Orlando Cintra, vice-­presidente sênior da área de digital enterprise platform da SAP. Em setembro, SAP e Bosch firmaram parceria para interligar suas plataformas de internet das coisas e indústria 4.0. “Foi uma parceria para facilitar a inteligência de nossos projetos de indústria 4.0 com o sistema SAP de produção e informação que já utilizamos”, diz Júlio Monteiro, diretor industrial da Bosch.

Segundo ele, as parcerias nascem sempre de uma necessidade. “Mesmo neste período de crise estamos conseguindo implementar atividades da indústria 4.0, porque elas trazem um ganho”, afirma Monteiro. Um torno equipado com um sistema de manutenção on­line introduzido na fábrica da Bosch de Campinas (SP) em novembro de 2015 já propiciou redução de 35% em manutenção corretiva e de 12% em manutenção preventiva entre janeiro e julho deste ano, em comparação com igual período de 2015.

Como integradora e consultora para o novo cenário da indústria digital, a HP Enterprise Services (HPE) trabalha com uma gama grande de parceiros globais em áreas nas quais não atua, como empresas de automação, sensorização, telecomunicações e outras de soluções específicas para alguns nichos.

“Nós não temos todas as peças, mas sim as de Tecnologia da Informação e precisamos capacitá-­las a trabalhar melhor as informações, que são a matéria-­prima desse conceito”, diz Reinaldo Lorenzato, diretor de soluções da HPE para as áreas de manufatura e agronegócio.

Fonte: Gleise de Castro, Valor Econômico, 29/11/2016,­ 05:00

ICT – Inteligência Competitiva Tecnológica para sair da crise

O interesse conceitual pela inovação não é recente. Em 1934, Joseph Schumpeter lançou a idéia da “destruição criadora”, onde velhas tecnologias são destruídas pelas novas.  Seu principal argumento era de que o desenvolvimento econômico é conduzido pela inovação por meio de um processo dinâmico em que novas tecnologias substituem antigas, o que foi por ele denominado de “destruição criadora”, melhorando a produção e baixando custos. 

Segundo Schumpeter, inovações radicais engendram rupturas mais intensas, enquanto inovações incrementais dão continuidade ao processo de mudança.

O autor propôs uma lista de cinco tipos de inovação:

i) introdução de novos produtos (que os consumidores não conheçam ou de qualidade nova);

ii) introdução de novos métodos de produção (ainda não testado no meio industrial em questão);

iii) abertura de novos mercados;

iv) desenvolvimento de novas fontes provedoras de matérias-primas e outros insumos;

v) criação de novas estruturas de mercado em uma indústria (1982).

Até Schumpeter (1982) a academia e o mundo empresarial haviam pouco se preocupado com a inovação, como alavanca de desenvolvimento econômico.   Sob o ponto de vista das funções e de seu papel nos negócios, a inovação foi estudada de forma gradativa. Schumpeter, ele mesmo preocupou-se essencialmente com as implicações da inovação sobre a lucratividade e continuidade dos negócios, nas décadas de 1930 e 40.  Mas por seu foco mais econômico, Schumpeter não deu nenhuma dispensou atenção ao estudo da inovação, em termos de sua natureza, de suas formas e do fenômeno como um todo.

A inovação começou com Schumpeter, passou por Von Hippel, Chesbrough, Christensen, Santos, Doz, Williamsom, até os dias de hoje ter a estrutura de um sistema de Inteligência Competitiva Tecnológica, para sair da crise que paralisa profissionais e empresas atualmente

Inovação foi novamente retomada somente no final da década de 1960 em diante, mas as abordagens dos estudos aí realizados retringiram-se à análise do fenômeno da inovação (ALBERNATHY,1978; CAMPBEL,1969).

Em outras palavras, as abordagens voltavam-se para a análise de como acontecem as descontinuidades tecnológicas e de qual a lógica que subsidia os modelos de mudanças de inovações tecnológicas, como os propostos pelo modelo sociocultural Evolucionário de Variação Tecnológica (CAMPBELL, 1969; JENKINS, 1975; LANDES, 1983), ou por modelos mais simples, como os de Variação Tecnológica (ALBERNATY, 1978; HUGHES, 1983; 1987, DAVID, 1985) e o do ciclo de mudanças tecnológicas (BASALLA, 1988).

Por volta da década de 1980, a estratégia da inovação na indústria considera as descontinuidades tecnológicas como mecanismo dominante do processo de inovação, como alavanca impulsionadora da evolução industrial. Tushman; Anderson (1986) definiam a descontinuidade tecnológica como a competência de uma inovação sobre uma tecnologia dominante em aperfeiçoá-la ou destruí-la e substituí-la.

A partir do início da década de 1990, porém, as abordagens para concepção e estudo do fenômeno da inovação passaram a ser processualísticas e formais. Em outras palavras, estudar os processos e as formas de inovação passou a ganhar os espaços nas pesquisas e publicações dos estudiosos da inovação e praticantes da gestão de sistemas de inovação.

Desde meados da década de 1980, Von Hippel (1986) apontava a contribuição de usuários para o processo da inovação.  A princípio com pouca atenção da academia, suas contribuições, porém, foram resgatadas no início da década de 2010.

Tarapanoff (2001) apresenta a visão de inovações como causadoras de novos ciclos econômicos, científicos e tecnológicos, dentro das provocações de Schumpeter. Inovações podem causar rupturas no ciclo anterior, causando alterações em cascata do ponto de vista social, comportamental e cultural, nas pessoas e nas organizações.

Durante a última década do século XX, contudo, estudos importantes dos processos e formas de inovação, como os processos de exploração interna e externa propostos por March (1991), começam a estabelecer as bases para os conceitos de inovação aberta propostos por Chesbrough (2003; 2007).

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Por que Inteligência Competitiva?

Inteligência Competitiva: “Quem”, “Quando”, “Como”, “Onde” e “Por quê”?

O principal para se dizer a respeito de Inteligência Competitiva é que um profissional busca insights exclusivos e relações até então não detectadas entre os dados

  • Quem usa Inteligência Competitiva?

Em uma organização, empresa com fins lucrativos, profissionais tomadores de decisão – em pesquisa e desenvolvimento, marketing, planejamento estratégico, gestão produtos, vendas – procuram obter informações antecipadas sobre os movimentos do mercado, seus clientes e consumidores.

À medida que aumenta o número e a complexidade dessas informações, aumenta o número de profissionais para processá-las. E desse processo nasce o processo de “Inteligência Competitiva”.

E nesse processo, informação, integração e acesso formam as condições fundamentais para que um profissional, uma área ou um departamento possa dar suporte à tomada de decisões que qualquer gestor moderno necessite.

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