Você passaria neste teste em finanças? Por Michael Viriato

Enquanto debatemos quais temas deveriam contemplar o currículo de nossos jovens, um parece estar longe dos holofotes, mas é crucial para o desenvolvimento pessoal e do país. Embora já faça parte do currículo de várias escolas, a educação financeira ainda tem uma abordagem tímida dada sua importância.

No entanto, o atraso nesta modalidade de educação não é uma exclusividade de nós brasileiros. Com o intuito de demonstrar que esta é uma necessidade internacional, a Financial Industry Regulatory Authority (FINRA) desenvolveu pesquisas e testes com cidadãos americanos e encontrou resultados decepcionantes.

Estudos comprovam que aqueles com maior educação financeira são mais prósperos, possuem planejamento de aposentadoria e de reservas financeiras, além de adotarem comportamentos financeiros de consumo e crédito mais equilibrados.

Realizei algumas alterações nos testes da FINRA para adaptá-los às nossas características. Eles abordam assuntos como orçamento, impacto de juros, investimento, crédito e atualidades. A média de acerto é de 50%.

Teste seus conhecimentos, mas entenda que se acertar tudo, não quer dizer que não precise evoluir. Como disse Albert Einstein:

‘The more I learn, the more I realize how much I don’t know.’ (Quanto mais eu aprendo, mais eu percebo o quanto eu não sei).

As respostas estão no link ao final do questionário.

1 – Suponha que você tenha R$100 em um investimento que rende 1% ao mês. Depois de cinco meses de investimento, quanto você deve ter?

a) menos que R$105
b) exatamente R$105
c) mais que R$105

2 – Considere que os juros que remuneram suas aplicações são de 0,5% ao mês e a inflação mensal é de 1%. Depois de um ano, você acredita que o patrimônio final nos seus investimentos será capaz de:

a) comprar menos que hoje
b) comprar o mesmo que hoje
c) comprar mais que hoje

3 – Se você tem aplicações em títulos de renda fixa prefixados ou que remunerem IPCA+juros prefixado, o que deve ocorrer com o preço dos títulos se as taxas de juros subirem?

a) o preço dos títulos não se altera
b) o preço dos títulos deve cair
c) o preço dos títulos deve subir

4 – Assumindo a mesma taxa de juros, um financiamento imobiliário com duração de 15 anos, usualmente, resulta em um pagamento mensal mais elevado que o pagamento de um financiamento por 30 anos. Entretanto, o que é possível afirmar sobre o montante de juros pago?

a) será maior no financiamento por 15 anos
b) será igual em ambos
c) será maior no financiamento por 30 anos

5 – Comprar ações de uma única grande empresa, relativamente a investir em um fundo de ações, usualmente, é uma atitude

a) mais arriscada
b) igualmente arriscada
c) menos arriscada

6 – Considere que você deixou de pagar o cartão de crédito e o juros cobrado é de 10% ao mês. Se você esquecer de pagar, em quanto tempo sua dívida deve dobrar de valor?

a) em menos de seis meses
b) entre seis meses e um ano
c) depois de um ano

7 – Quanto foi a inflação anual média medida pelo IPCA nos últimos 5 anos (entre outubro/2013 e outubro de 2018)?

a) menos de 5,5% ao ano
b) entre 5,5% e 7,0% ao ano
c) mais de 7,0% ao ano

8 – Atualmente (out/2018), qual a remuneração mensal da taxa DI, conhecida como CDI?

a) mais de 1% ao mês
b) entre 0,6% e 1% ao mês
c) menos de 0,6% ao mês

9 – Se uma empresa declara falência qual dos investidores da empresa apresenta maior risco de NÃO receber qualquer valor sobre seu investimento?

a) os investidores em ações da empresa
b) os investidores em títulos de crédito da empresa
c) ambos os investidores nunca recebem nada

10 – Quais das seguintes definições melhor explica a diferença entre retorno nominal e retorno real?

a) retorno real é aquele ajustado pela inflação
b) retorno real é aquele líquido de impostos
c) retorno real é aquele líquido de taxas

As respostas estão aqui.

Fonte: Folha de S.Paulo, Michael Viriato é professor de finanças do Insper e sócio fundador da Casa do Investidor.

Que diabos aconteceu com o Brasil? Por Paul Krugman

Cédula de dinheiro brasileiro com moedas e cores da bandeira do Brasil

Brasil parece ter sido atingido por uma tempestade perfeita de má sorte e más políticas – Diego Herculano/Folhapress

Acho que agora posso me afastar por algum tempo da crise política nos Estados Unidos para falar sobre os acontecimentos em outros lugares. Assim, que diabos aconteceu no Brasil?

Na verdade não estou falando da recente eleição, na qual os eleitores brasileiros escolheram alguém que parece ser literalmente fascista. Isso me horroriza como horroriza a todo mundo mais. Mas a verdade é que não tenho qualquer conhecimento sobre a política brasileira. Por outro lado, o pano de fundo para eleição foi a extraordinária crise econômica do Brasil em 2015 e 2016: um país que vinha em trajetória ascendente e parecia ter deixado para trás seu legado de instabilidade sofreu uma terrível recessão e está registrando recuperação muito lenta. E macroeconomia é um assunto sobre o qual supostamente sei alguma coisa.

O que aconteceu, então?

Surpreendentemente, não houve muita discussão internacional sobre a experiência brasileira, ainda que ela tenha sido severa e que o Brasil seja uma economia bem grande (o PIB do país, em termos de paridade de poder aquisitivo, é cerca de dez vezes maior que o da Grécia). Mas estávamos todos distraídos com a crise política no Ocidente –Trump, a saída britânica da União Europeia, etc. De qualquer forma, venho tentando montar uma história da crise brasileira, embora esteja bastante ciente de que posso estar desconsiderando aspectos importantes.

Em minha opinião, a situação é a seguinte: o Brasil parece ter sido atingido por uma tempestade perfeita de má sorte e más políticas, com três aspectos principais. Primeiro, o ambiente mundial se deteriorou acentuadamente, com uma queda forte nos preços para as commodities exportadas que continuam cruciais para a economia brasileira. Segundo, o consumo privado interno também despencou, talvez por conta de um acúmulo excessivo de dívidas. Terceiro, a política econômica, em lugar de combater a desaceleração, a exacerbou, ao adotar medidas de austeridade fiscal e aperto da política monetária no momento em que a economia entrava em queda.

Talvez a primeira coisa que precise ser dita sobre a crise brasileira é aquilo que ela não foi. Nas últimas décadas, as pessoas que acompanham a macroeconomia internacional mais ou menos se acostumaram a crises de “parada súbita”, nas quais os investidores abandonam abruptamente um país que eles amaram muito, mas de modo insensato. Foi essa a história da crise do México em 1994-5, a da crise asiática de 1997-9, e, pelo menos em alguns aspectos importantes, a da crise do sul da Europa depois de 2009. Também é o que estamos vendo na Turquia e na Argentina agora.

Sabemos como essa história transcorre: o país atingido sofre uma depreciação cambial (ou, no caso dos países do euro, uma disparada nas taxas de juros). A desvalorização cambial usualmente gera estímulo para uma economia, ao tornar seus produtos mais competitivos nos mercados mundiais. Mas os países que sofrem parada súbita em geral têm dívidas pesadas em moeda estrangeira, e por isso a desvalorização devasta os balanços e causa queda severa na demanda interna. E as autoridades econômicas têm poucas opções razoáveis: elevar as taxas de juros para sustentar a moeda simplesmente abalaria a demanda de outra maneira.

Mas embora se pudesse presumir que o caso do Brasil foi parecido –o declínio de 9% que a renda per capita do país sofreu na crise se compara ao de outras crises de parada súbita no passado–, na verdade não foi isso que aconteceu. O fato é que o Brasil não tem muita dívida denominada em moeda estrangeira, e os efeitos do câmbio sobre os balanços não parecem ter desempenhado papel importante na história. O que aconteceu, então?

Para começar, o ambiente econômico internacional virou negativamente, e em escala considerável. O Brasil se diversificou um pouco, para a indústria, mas continua pesadamente dependente da exportação de commodities, cujos preços despencaram. Os termos de comércio internacional do Brasil –a relação entre os preços de exportação e os preços de importação– sofreu um grande baque.

Isso teria sido ruim por si só. Mas veio acompanhado por uma forte queda no consumo interno. Atif Mian e seus colegas de pesquisa nos dizem que isso está associado a uma alta nas dívidas domiciliares nos anos precedentes –ou seja, que o Brasil passou por algo mais parecido com a deflação de dívidas que os países avançados sofreram em 2008 do que com uma tradicional crise de mercado emergente.

O que realmente acabou com a economia brasileira, porém, foi a maneira pela qual o país reagiu a esses choques: com políticas fiscais e monetárias que agravaram muito as coisas.

Do lado fiscal: o Brasil tem problemas de solvência em longo prazo. Mas resolvê-los requer soluções de longo prazo. O que aconteceu em lugar disso foi que o governo Rousseff decidiu impor fortes cortes de gastos no meio de uma desaceleração econômica. O que eles estavam pensando? É incrível, mas eles parecem ter aceitado a teoria da austeridade expansiva.

E além disso, a política monetária também se tornou fortemente contrativa, com alta forte nas taxas de juros. A que isso poderia servir?

Minha melhor hipótese é a de que o real se desvalorizou principalmente por conta do choque nos termos de comércio, causando uma alta temporária da inflação. E o banco central entrou em pânico, e se fixou na questão da inflação, em detrimento da economia real. Agora que a alta de preços causada pela mudança no panorama cambial acabou, a inflação na verdade está baixa, pelos padrões históricos do país, mas o estrago já foi causado.

É uma história notável, e deprimente. E essa combinação de má sorte e más políticas certamente desempenhou um papel no desastre político que se seguiu.

Fonte: Paul Krugman, Folha de S.Paulo, 14.nov.2018.  Tradução de Paulo Migliacci. 

Paul Krugman é Prêmio Nobel de Economia, colunista do jornal The New York Times.

Salvar a indústria, por Antonio Delfim Netto

Terminada a eleição, é preciso aceitar os seus resultados e conformar-se. Ao vencedor, caberá o exercício do governo de 2019 a 2022. Enquanto ele respeitar os princípios fundamentais e garantir os direitos e deveres individuais e coletivos da Constituição de 1988, deve merecer um voto de confiança de todos os cidadãos.

O que se espera dele é que priorize as linhas mestras do discurso com o qual ganhou as eleições:

1) enfrentar com seriedade e inteligência o desesperador problema da “segurança” pessoal e resolver o embaraçoso incesto posto a nu pela Lava Jato e

2) o cumprimento do art. 173 da Constituição, no qual se afirma que a “exploração direta da atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos de segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definido em lei”, o que dá suporte às privatizações.

As missões foram entregues, respectivamente, a Sergio Moro e Paulo Guedes, dois obstinados e inteligentes operadores.

Por outro lado, circulam sugestões na área de comércio exterior que são puras fantasias. Precisamos mesmo voltar a nos abrir para o exterior e reconectar nossa indústria às cadeias globais de valor, mas com ponderação e firmeza.

Lembremos, desde logo, que “vantagem comparativa” não é destino. Principalmente num país com 210 milhões de habitantes e renda média que pode abrigar economias de escala em muitos setores.

O Brasil já fez isso com o programa “Exportar é o que importa”, a partir de 1967, com:

1) uma reforma das tarifas efetivas;

2) um “draw-back” verde-amarelo que tornava livre e ágil as importações de insumos para produtos exportados;

3) o financiamento de exportação rápido e com taxas de juros iguais às externas;

4) a devolução de todos os impostos que oneram a exportação (até mesmo os impostos menores, como o IPTU) e

5) uma taxa de câmbio estável e competitiva. Hoje ela pode ser a do mercado enquanto a taxa de juro real interna for igual à taxa de juro real externa somada ao risco Brasil.

A relação entre o valor das exportações industriais brasileiras e o valor das exportações industriais do mundo cresceu a 15% ao ano entre 1967 e 1980, quando a indústria nacional era a mais sofisticada dos países emergentes.

De meados dos anos 80 até hoje, ela decresce a cerca de 1,2% ao ano. Este é o verdadeiro índice da desindustrialização. É, basicamente, o resultado da cuidadosa desmontagem do programa de exportação e da insistência numa taxa de câmbio valorizada (às custas de indecentes taxas de juros reais internas) para combater a inflação, que praticamos nas últimas três décadas.

Fonte: Antonio Delfim Netto. Economista, ex-ministro da Fazenda (1967-1974). É autor de “O Problema do Café no Brasil”. Publicado na Folha de S.Paulo

Leia novos artigos – Revista Inteligência Competitiva – v. 8, n. 3 (2018)

Sumário

Editorial

Julho a SetembroPDF
Alfredo Passosi-v

Artigos

PRODUCT PRICING WITH MARKETING DATA UNDER RISK USING BUSINESS INTELLIGENCEPDF (ENGLISH)
Hamed Fazlollahtabar1-53
INTELIGÊNCIA COMPETITIVA E A RESILIÊNCIA EM EMPREENDIMENTOS SOCIAIS – Um Estudo MulticasosPDF
Lúcia Regina Silveira Auozani54-73
PROPOSTA DE IMPLANTAÇÃO DAS FERRAMENTAS CANVAS E ANÁLISE SWOT EM UMA EMPRESA DE PEQUENO PORTEPDF
Laís Viera Trevisan, Camila Borges Fialho, Daniel Arruda Coronel74-91
A GERAÇÃO DE INOVAÇÃO ATRAVÉS DA INTELIGÊNCIA COMPETITIVA: UMA ANÁLISE DOS DADOS DISPONÍVEIS NA PINTECPDF
Cesar Tirso92-108
COMPOSTO PRODUTO SOB A ÓTICA DA COCRIAÇÃOPDF
Isabella Morais, Karen Perrota de Almeida Prado, Sérgio Dantas, Evange Elias, Luciano Augusto Toledo109-122
TECNOLOGIAS MÓVEIS E REDES SOCIAIS NO MERCADO DE TRABALHO: Visão dos gestores organizacionaisPDF
João Batista Ferreira, Izabela Fernandes Flores123-139

Estudo de Caso

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL APLICADA A NEGÓCIOSPDF
Mauro Segura140-149
INTELIGENCIA ARTIFICIAL – COMO AMPLIAR SUA ADOÇÃOPDF
Viviane Oliveira150-155

Relato Técnico-Científico

DIAGNÓSTICO E PROPOSIÇÃO DE MELHORIAS NA GESTÃO DE UMA EMPRESA DE AVICULTURA DE POSTURA COMERCIALPDF
Cibely Delabeneta, Claudio Antonio Rojo156-163

Revista Inteligência Competitiva

Lições de Ray Dalio em livro: Princípios

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Ray Dalio, lenda viva do mercado financeiro nos Estados Unidos, patrimônio pessoal em 18 bilhões de dólares, há décadas faz análises sobre economia acompanhadas com muita atenção por investidores.

Mas, nesse último ano, passou a se dedicar a uma nova missão: transmitir as lições e os métodos de gestão que aprendeu na carreira e sem os quais, em suas palavras, ele e o Bridgewater não teriam prosperado com tanto êxito.

Princípios

O resultado é o livro “Princípios” (Editora Intrínseca).

Para Ray Dalio, vida, gestão, economia e investimentos podem ser sistematizados em regras. Entre as centenas de lições do livro, erguidas em torno de seus alicerces de “verdade radical” e “transparência radical”, Dalio oferece uma abordagem clara e direta para a tomada de decisões e ensinamentos valiosos para a formação de equipes sólidas e eficientes.

Em entrevista ao jornalista Marcelo Sakate de Veja (7/11/2018), comenta as razões para falar de sua carreira.

Estou com 69 anos, um estágio da vida em que prefiro ajudar os outros a alcançar o sucesso a trabalhar para ser mais bem-sucedido. Há cinco anos, disponibilizei um arquivo na internet reunindo esses conselhos e 3,5 milhões de pessoas fizeram o download. Quando realizei a transição para deixar de ser o CEO do Bridgewater, no ano passado, decidi me dedicar à transmissão dessas ideias“.

A crise que rouba livros

Atoladas em dívidas, a Livraria Cultura e a Saraiva pressionam o mercado de livros. O futuro das editoras, que dependem das duas grandes redes, é incerto

Quando a septuagenária rede de livrarias Laselva entrou com um pedido de recuperação judicial em 2013, com dívidas acumuladas em R$ 120 milhões, poucos imaginavam que aquilo seria um presságio de maus tempos para o setor editorial brasileiro.

A empresa, que chegou a ter 83 pontos de venda – a maioria em aeroportos –, não conseguiu arcar com o plano traçado para a sua recuperação, deixando mais de 600 credores e centenas de funcionários na mão. Como consequência, a Laselva teve de fechar suas últimas três lojas em março deste ano, data em que a Justiça de São Paulo decretou sua falência.

Durante esse mesmo período de declínio da tradicional rede, os dois principais nomes do mercado, Cultura e Saraiva, experimentavam uma expansão acelerada pelo País, financiada por linhas de crédito do BNDES e empréstimos com os bancos privados.

A aposta no crescimento, no entanto, deu errado. Desde o fim de 2013, o setor editorial acumula perdas consecutivas, com um decréscimo de R$ 1,73 bilhão em suas receitas. Com dívidas elevadas, Saraiva e Cultura lutam para manter as portas abertas. “Isso era uma crise anunciada, pois existe uma pressão de custos que é insuportável, tanto fiscal quanto operacional”, diz Bernardo Gurbanov, presidente da Associação Nacional das Livrarias (ANL).

“O mercado de livros vai ter que voltar às origens. Esse efeito sanfona de expansão e retração está mostrando os seus limites.” Voltar às origens significa trabalhar com menos lojas e com espaços reduzidos, mas mantendo o foco em livros, uma alternativa possível para voltar a crescer.

A Saraiva, por sua vez, também apresenta problemas financeiros de longa data. Uma análise dos resultados trimestrais dos últimos dez anos mostra que as margens da atividade principal vêm encolhendo de maneira gradual, mas irreversível. No segundo trimestre de 2008, ao faturamento – corrigido pela inflação – de R$ 343 milhões corresponderam um lucro bruto de R$ 140 milhões, com margem de 40,8%. A última linha do balanço, porém, já mostrava um prejuízo líquido de R$ 22,3 milhões, decorrente de um salto nas despesas administrativas naquele trimestre.

Fonte: ISTOÉ Dinheiro, Felipe Mendes, 

Inteligência Competitiva – Sinais de Mercado: os robôs, as pessoas e o futuro do trabalho

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Pesquisa inédita mostra que os brasileiros subestimam o impacto da transformação digital e superestimam suas próprias qualidades. novos profissionais e ceos apontam o caminho para se manter tão relevantes quanto as máquinas

No maior fundo de pensão privado da Finlândia, Ilmarinen, a sigla HR, tradicionalmente indicativa de “Recursos Humanos” em inglês, agora significa Humanos & Robôs. A mudança tem sua dose de marketing. Mas acerta ao traduzir, de forma sintética, desafios e ansiedades da maioria dos profissionais.

A inteligência artificial avança sobre diferentes aspectos de nossas vidas e ganha adjetivos cada vez mais humanos — entre eles, “empática” e “emocional” (se ainda não ouviu, vai ouvir a respeito em breve).

Ao mesmo tempo, escapam dos laboratórios e aproximam-se do mercado diversas tecnologias que já teriam potencial revolucionário se avançassem individualmente. Combinados, tornam-se difíceis de imaginar os efeitos de inteligência artificial (I.A.), robótica, big data, internet das coisas, impressão 3D, blockchain, drones, veículos autônomos — e isso se ficarmos só no mundo da tecnologia da informação, sem pensar nos desdobramentos de edição genética, neurociências e chips implantados.

CEOs, diretores de RH e outros profissionais em postos estratégicos precisam lidar com essas ondas consecutivas como indivíduos, pois seu próprio trabalho é afetado; e também como integrantes-chave de suas organizações, que precisam definir políticas e se posicionar a respeito.

A mudança provoca ansiedade compreensível. Vamos finalmente desfrutar o luxo de trabalhar apenas algumas horas por semana, enquanto os bots lidam com as tarefas mais desagradáveis? Ou robôs vão roubar também empregos hoje considerados sofisticados e estratégicos, deixando muitos de nós como uma espécie de subclasse inútil?

Fonte: Revista Épóca Negócios, Editorial

Inteligência Competitiva: Disney revela detalhes de serviço de streaming que vai desafiar a Netflix

 

Star Wars: O Despertar da Força (Foto: Divulgação)

STAR WARS TERÁ SEU UNIVERSO EXPANDIDO NO DISNEY+, NOVO SERVIÇO DE STREAMING DA DISNEY (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Presidente do conselho e CEO da Walt Disney Company’s, Bob Iger, revelou — em conferência para comentar os resultados trimestrais da empresa — os tão esperados detalhes sobre a nova plataforma de streamingque vem sendo especulada há algum tempo: o Disney+ (Disney Plus).

O sistema deve ser lançado, segundo o gestor do estúdio, no segundo semestre de 2019 nos Estados Unidos — ainda não há confirmação de quando ele será expandido para o resto do mundo.

Iger revelou também informações sobre algumas das primeiras produções originais do site, que deve se tornar o principal competidor da Netflix. As franquias recentemente adquiridas, como os universo de Star Wars e dos super-heróis da Marvel, serão os carros-chefes do lançamento.

O CEO confirmou que a primeira série live-action de Star Wars está sendo produzida para o Disney+. Chamada The Mandalorian (em referência a uma das raças do universo), ela terá como protagonista o espião rebelde Cassian Andor, um dos personagens do filme Rogue One: Uma História Star Wars, de 2016. A série se passará antes do filme que foi o primeiro derivado da linha principal da série cinematográfica.

Para os fãs dos Vingadores, a principal atração será uma série centrada no personagem Loki, irmão de Thor e presença constante na série de filmes do Universo Cinematográfico Marvel. Não ficou claro, pelas palavras de Iger, se ambas as produções já serão lançadas junto com o próprio Disney+.

Certo é que as novidades não param por aí. Outras atrações serão novos filmes e séries relacionados a títulos adorados pelo público infanto-juvenil como Monstros S.A. e High School Musical. No site criado para que fãs se cadastrem para receber mais informações do Disney+ também está presente a logomarca do National Geographic, indicando que o canal também terá conteúdos no serviço.

Experiência bem-sucedida

A aposta no serviço de streaming de uma das principais empresas do entretenimento audiovisual vem não só da necessidade de estar presente na nova tendência lançada pela Netflix no consumo desses conteúdos, mas de uma fórmula testada já com sucesso pela Disney.

Usando sua rede de canais televisivos ESPN, a empresa lançou, em abril deste ano, o ESPN+, em que os usuários podem assistir jogos de uma série de esportes e ligas por um preço fixo e em um mesmo site. Em apenas cinco meses, o serviço alcançou a marca de um milhão de assinantes.

A Disney tem também uma participação no Hulu, plataforma de streaming criada em conjunto por NBC, Fox, Comcast e AT&T, além do próprio estúdio que criou o Mickey Mouse. A influência da empresa sobre o serviço, aliás, deve aumentar quando for concluída a compra dos estúdios da Fox. No momento, apenas alguns entraves regulatórios, devido a exigências de autoridades concorrenciais preocupadas com a constituição de um monopólio no setor, impedem a transação de ser concluída.

Não ficou claro ainda qual será a estratégia da Disney com o Hulu quando seu próprio serviço de streaming for lançado. Hoje, estão no site produções como Up – Altas Aventuras, Hannah Montana e Lili & Stich. Certo é que, na Netflix, a Disney não terá mais conteúdos.

Também não se sabe como ficará a relação do estúdio com o próprio cinema. Especula-se até mesmo que a Disney poderia fazer mais dinheiro com lançamentos feitos diretamente em streaming do que em salas de cinema, que retêm 40% do valor do ingresso.

Na Netflix, isso já é feito com frequência  mas a empresa não tem nenhuma relação íntima com estúdios cinematográficos. Resta saber como será na Disney, que está a apenas cinco anos de completar seu centenário.

No quarto trimestre fiscal recém-encerrado, a Disney superou suas prórpias expectativas e as de Wall Street, com lucro de US$ 14,3 bilhões após uma previsão de US$ 13,7 milhões dos analistas de mercado.

Fonte: 09/11/2018 – 18H32 – ATUALIZADA ÀS 18H33 – POR ÉPOCA NEGÓCIOS ONLINE 

USP inaugura Centro de Ciências de Dados em parceria com Itaú Unibanco

Centro de Ciências de Dados, na Escola Politécnica da USP (Foto: Divulgação)CENTRO DE CIÊNCIAS DE DADOS, NA ESCOLA POLITÉCNICA DA USP (FOTO: DIVULGAÇÃO)

A Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo) inaugurou nesta quarta-feira (7) o Centro de Ciências de Dados, espaço destinado a estudantes e professores. O projeto foi realizado em parceria com o Itaú Unibanco. Chamado de c2d, o centro científico tem objetivo de fomentar a pesquisa no setor de arquitetura de dados, analytics e inteligência artificial e aproximar os profissionais do banco dos jovens estudantes da USP — tudo isso para promover um intercâmbio de informação entre iniciativa privada e universidade.

“Queremos levar os problemas cotidianos das empresas para os estudantes. Assim, eles vão aprender na prática”, explica Estevão Lazanha, diretor do Itaú Unibanco.

De acordo com o executivo, a constante transformação tecnológica exige sistemas cada vez mais modernos. A escassez de talentos no Brasil, contudo, é um empecilho para avanço no segmento. Com o novo espaço, o Itaú Unibanco espera descobrir jovens profissionais para integrar seu time. “Temos interesse enorme de evoluir e gente talentosa, como encontramos na Poli, certamente tem lugar no banco”, garante.

Equipe responsável pelo desenvolvimento do C2D; à esquerda, o diretor Estevão Lazanha (Foto: Divulgação)ESTEVÃO LAZANHA (PONTA ESQUERDA), RICARDO GUERRA, VALÉRIA MARRETO E ANDRÉ SAPOZNIK (PONTA DIREITA), DO ITAÚ UNIBANCO (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Não à toa, o banco vai patrocinar bolsas de mestrado e doutorado para cursos da USP voltados à engenharia de dados.  Na avaliação de Antonio Carlos Hernandes, vice-reitor da Universidade, o debate entre jovens pesquisadores e profissionais renomados do mercado vai trazer vantagens competitivas ao próprio país.

“Agora temos um grande grupo de pessoas pensando em dados. “Essa parceria [universidade e banco] será útil para entregarmos projetos à sociedade”, afirma ele, que é doutor em física.

Parceria com MIT
Além da Escola da Politécnica da USP, o Itaú Unibanco também tem parceria com o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), em São José dos Campos (SP), e com o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Este mês, inclusive, o banco tornou-se membro do FinTech@CSAIL, laboratório de tecnologia financeira do MIT. Nove outras empresas também são cofundadoras do centro, entre elas a startup Alibaba, a Ripple (de tecnologia de pagamentos) e a Nasdaq, bolsa de valores dos EUA.

Fonte: Época Negócios, 08/11/2018 – 17H13 – ATUALIZADA ÀS 18H12 – POR PATRÍCIA BASILIO