As maiores lições do criador de Star Wars, por Renato Bernhoeft, Valor

SÃO PAULO ­ O livro “George Lucas — Skywalking — A vida e obra do criador de Star Wars”, de autoria do professor de cinema, escritor e produtor Dale Pollock, é uma leitura que pode interessar não apenas aos que se tornaram fãs da série “Guerra nas Estrelas”. Investigando e descrevendo as características pessoais e profissionais da personalidade de George Lucas, o autor nos permite compreender as origens da sua determinação ao enfrentar grandes dificuldades para produzir a série.

Influenciado desde muito cedo por uma cultura familiar americana e calvinista de austeridade, e evitando qualquer ostentação, Lucas preservou os ensinamentos do pai, George Walton Lucas, que lhe foram martelados desde a infância: “Trabalhe duro para melhorar a sua própria sorte, não a dos outros”. No auge da sua fama, tanto financeira como de reconhecimento público, Lucas usava US$ 50 mil por ano para viver, certamente uma provisão nada extravagante. Segundo o autor, ele se permitiu alguns prazeres cheios de culpa: investiu na Supersnipe, uma galeria em Manhattan especializada em histórias em quadrinhos — literatura que foi uma das suas primeiras influências na adolescência — e comprou uma Ferrari esportiva.

Mas, evidentemente, uma Ferrari usada. O próprio George Lucas, quando descreve a forma como dirigiu e produziu “Star Wars”, diz: “Quando você está dirigindo um filme, tem de acordar às 4h e meia da manhã, tomar seu café às 5h, sair do hotel às 6h, dirigir até a locação durante uma hora, começar a filmar às 8h e acabar as filmagens por volta das 18h. Daí você vai até seu escritório e organiza o próximo dia de trabalho. Você volta para o hotel lá pelas 20h ou 21h, com sorte come alguma coisinha, e daí você vai para o seu quarto e começa a preparar a lição de casa, como vai filmar as cenas dos próximos dias, e então você deita para dormir.

Na manhã seguinte começa tudo de novo.” Ele viveu dessa maneira durante setenta dias, entre março e julho de 1976, no clima hostil e imprevisível do deserto da Tunísia, rodeado de pessoas que pensavam que ele era louco, e tendo que enfrentar vários desastres e contratempos. Conflitos e acidentes com os atores, trajes espaciais que dificultavam os movimentos, e um cronograma muito ajustado, com frequentes atrasos. Segundo seu depoimento, a característica determinada da sua personalidade foi provocada por um acidente de carro — que ele dirigia em alta velocidade, na provinciana Modesto, na Califórnia, onde vivia com a família — no dia 12 de junho de 1962.

Ele viu a própria finitude, o que o transformou. “O acidente me tornou mais consciente de mim mesmo e dos meus sentimentos. Comecei a confiar no meu instinto. Tinha o sentimento de que deveria ir à faculdade, e fui. Tive o mesmo sentimento, mais tarde, de que deveria entrar numa escola de cinema, embora todo mundo achasse que eu estava louco. Tive o mesmo sentimento quando decidi fazer ‘Star Wars’, mesmo quando meus amigos disseram que era um doido. São coisas que precisam, simplesmente, ser realizadas, e eu sinto como se tivesse que fazê­las”. O resultado dessa determinação já conhecemos.

Segundo Dalle Pollock, Lucas dirigiu apenas quatro filmes e produziu outros quatro, mas responde por três e, quem sabe por quatro, dos dez filmes de maior sucesso já produzidos. “Star Wars: Uma nova esperança” (1977) e “Star Wars: O império contra­ataca” (1980), os dois primeiros da série, renderam US$ 888 milhões em ingressos vendidos em todo o mundo. “Loucuras de verão” (American Graffiti – 1973) , o segundo filme de Lucas como diretor, é a fita mais rentável da história de Hollywood em termos de custo (US$ 750 mil) versus receita de (US$ 117 milhões). “Indiana Jones e os caçadores da arca perdida” (1981), que Lucas concebeu e produziu, seguiu as posições dos seus “Star Wars” na lista de maiores sucessos de bilheteria de todos os tempos. A determinação para seguir um caminho guiado pelos seus instintos, que Lucas adotou na vida real, também aparece em “Star Wars”.

Descrita várias vezes como uma metáfora para os dogmas do cristianismo, budismo, judaismo ou islã, Lucas busca instilar nas crianças a crença em um ser supremo. Não um Deus religioso, mas uma divindade universal, que ele apelidou de “a Força”, uma fonte de energia cósmica que integra e consome todo ser vivo.

Ele reafirma sempre, tanto na vida pessoal como em seus filmes, “que não podemos fugir do nosso chamado ou missão na vida, temos o dever de cumprir o que é esperado de nós”. É leitura válida para jovens ou adultos que tenham interesse no que pensa e como age uma das figuras mais revolucionárias e admiradas da produção cinematográfica dos últimos anos, e também pode servir como lição para quem busca um próprio caminho na vida profissional.

Fonte: Renato Bernhoeft é fundador e presidente do conselho de sócios da höft consultoria. Publicado no Jornal Valor Econômico, 20/05/2016 ­ 09:46

Inteligência Competitiva Farmacêuticas: Sucesso dos genéricos muda ranking do setor

Oito das dez maiores farmacêuticas do mercado brasileiro produzem genéricos e quatro entre as cinco maiores nesse ranking são também líderes nas vendas desse medicamento no país, segundo dados da consultoria IMS Health. Desde 1999, quando foi regulamentado, a aposta em genéricos, cujo consumo cresceu quase cinco vezes em 17 anos, deu o tom à evolução do setor no Brasil. “A chegada dos genéricos trouxe uma revolução ao mercado farmacêutico”, diz Telma Salles, presidente­executiva da Pró­Genéricos, entidade que representa essa indústria.

Maior laboratório segundo o ranking da IMS, o brasileiro Aché tem hoje 15% de seu faturamento proveniente da venda de genéricos, que entraram em seu portfólio com a aquisição da Biosintética em 2005. A EMS, vice­líder, é hoje a maior fabricante de genéricos do país. Na quarta colocação do ranking geral, atrás da Sanofi ­ que é dona da Medley, segunda maior fabricante de genéricos ­, a Eurofarma é a terceira maior no segmento de genéricos.

Já a Neo Química, da Hypermarcas, é a quinta maior em operação no Brasil e quarta em genéricos. De 1999 para cá, segundo levantamento da PróGenéricos, o volume de vendas desses medicamentos no país cresceu 343%, enquanto o mercado farmacêutico em geral, sem considerar os genéricos, avançou 242%. “Mais gente passou a cuidar da saúde a partir do acesso ampliado a medicamentos”, diz Telma. Em boa medida, o maior acesso deveu-­se ao preço dos genéricos. “É uma economia real para a população, independentemente do momento econômico.”

Levantamento da PróGenéricos mostra que os consumidores economizaram R$ 72 bilhões nos últimos 17 anos com a compra de genéricos, considerando-­se o desconto mínimo de 35% frente ao preço do medicamento de referência. Se considerado nesse cálculo o desconto médio de 60% oferecido nos últimos cinco anos, essa economia supera R$ 120 bilhões.

O caminho dos genéricos, porém, não foi fácil. Inicialmente, diz a executiva, havia pouca informação sobre esse medicamento, o que gerou desconfiança no mercado. Hoje, o portfólio é composto principalmente por medicamentos de uso contínuo, o que demonstra a eficácia em relação aos produtos de referência.

Levantamento recente mostra que os genéricos ampliaram o acesso, por exemplo, a produtos para tratamento do câncer. Conforme a PróGenéricos, no conjunto de produtos para essa finalidade em que há versões genéricas, houve alta de 80% no volume comercializado.

E os genéricos respondem por quase metade das vendas. No Brasil, os genéricos representam cerca de 30% das vendas totais, em unidades, de remédios, enquanto em mercados desenvolvidos, como Europa e Estados Unidos, essa fatia chega a 80%.

Fonte: Stella Fontes, Valor Econômico, 20/05/2016 ­ 05:00

Marina Abramovic: Artista de alta performance

“Arte é o que posso fazer, do meu jeito, para ajudar”, observa Marina, no Manioca, em São Paulo.

“Arte é o que posso fazer, do meu jeito, para ajudar”, observa Marina, no Manioca, em São Paulo.

Qualquer pessoa que tenha visto Marina Abramovic em ação sente o quanto a artista performática se expõe. Seja ao vivo, seja em apresentações recriadas mundo afora ou nos milhares de vídeos com sua obra e palestras no YouTube, Marina está lá, testando os limites do corpo, infligindo-­se dores, saindo da zona de conforto, criando incômodos profundos nela e em seu público. Nua de alma e, muitas vezes, de corpo, pouco se importou em aparecer descabelada, sangrando, gritando ou tendo uma flecha apontada para seu coração, com o arco tão esticado que o desfecho fatal parecia quase iminente. Só que, pouco antes de começar este “À com o Valor”, no restaurante Manioca, em São Paulo, ela pediu um tempo à fotógrafa. Sacou da bolsa um pó compacto Laura Mercier e, com um sorriso, justificou-­se, passando a esponja de espuma pelo rosto: “Brilho. Muito brilho”

Pronta. Não sem antes pedir, num inglês com sotaque do Leste Europeu, um suco de limão com capim limão e explicações sobre como deveria posicionar­se para aparecer nas imagens. Pediu também para ver as fotos ao fim da entrevista. “Por que não?”, pergunta, sempre sorrindo, diante da estranheza com o cuidado sutil da aparência. “Sou cheia de contradições, essa é só mais uma delas.”

O visual devastado em atos performáticos e filmes é tão necessário quanto a maquiagem benfeita para capas de revistas, entrevistas, campanhas publicitárias e suas outras dezenas de atividades. “Os dois [momentos] são verdadeiros”, afirma. “Quando estou num filme, a maquiagem não importa. O que importa é a ideia.” Já, numa entrevista, ela quer aparecer o melhor que puder. “Por que não?”, repete novamente.

Seus olhos esverdeados são tão intensos que chega a ser difícil para o interlocutor se concentrar no que ela diz. As câmeras quase não captam sua sedução e intensidade, mesmo mostrando­a com veemência, como no documentário “Marina Abramovic ­ A Artista Está Presente”, de 2012. Tanto que, pouco depois de falar da maquiagem, ela já ia longe, emendando numa reflexão sobre como artistas mulheres e atrizes, de modo geral, só querem mostrar um aspecto de si mesmas. Nunca as coisas das quais se envergonham. “Mostro tudo. Mostro minhas contradições para o público o tempo inteiro”, afirma. “É como me conecto com as pessoas, porque todos temos muitos dentro de nós. Temos muitas faces.” A mesma face vaidosa pediu que não houvesse almoço neste encontro, realizado pouco depois de uma exibição do documentário “Espaço Além ­ Marina Abramovic e o Brasil”, numa manhã de terça­feira. Acostumada a longos jejuns em suas obras e em seu método Abramovic, ela optou por líquidos. Mais uma decisão para aparecer bem ­ e que se transformou em outro momento “gente como a gente”. Afinal, muitas pessoas, por mais seguras que sejam, querem estar bem nas fotos.

A estratégia de conexão com o público tem dado certo. Mas muito certo mesmo: ela é a oitava pessoa mais influente da arte contemporânea, segundo a prestigiada “ArtReview”. A sérvia Marina Abramovic já era uma das mais importantes artistas da segunda metade do século XX quando resolveu falar para o mundo. Não queria mais se dirigir apenas às pessoas do meio e continuar explicando, depois de 40 anos, se o que fazia era arte ou não. Marina Abramovic, a oitava pessoa mais influente na arte contemporânea: em outubro será lançada uma biografia dela assinada pelo autor de livro sobre a vida de Frank Sinatra Como tudo em sua vida, foi radical.

Usou o evento mais importante de sua carreira até então ­ uma retrospectiva que ocuparia vários andares do Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York, em 2010 ­ como mote para expor suas contradições muito humanas em “A Artista Está Presente”. Por um ano, viveu com microfone de lapela. Entregou à equipe de filmagem a chave de seu loft no SoHo, onde mora. Muitas vezes, às seis da manhã eles já estavam lá, gravando antes mesmo de ela acordar ou quando vomitava em um vaso sanitário. Criou uma nova performance para a mostra na qual, aos 63 anos de idade, passou 70 dias olhando nos olhos de quem quisesse sentar­-se à sua frente e encará-­la. De segunda a sábado, de oito a dez horas por dia, sem se levantar. Foram 736 mil minutos sem comer. Sem beber água. Sem ir ao banheiro. “Treinei durante um ano”, diz. “Só bebia água à noite, por exemplo.”

Depois de semanas praticamente imóvel, passou a ter dores lancinantes. Nos dias finais da mostra, filas enormes e pessoas dormindo na porta do MoMA disputavam uma senha e o privilégio de encarar Marina. Muitos não seguravam as lágrimas. Foi o maior público do museu, numa única exibição, com 850 mil visitantes. Marina olhou nos olhos de quase 2 mil deles. Tudo devidamente filmado por vários ângulos e câmeras, registrado, exibido e vendido em larga escala. Mesmo com todo o sucesso, foi uma única cena desse documentário que tornou Marina ídolo pop em todo o mundo: seu encontro com Ulay, seu maior amor e parceiro de vida e trabalho por 12 anos, de quem se separara em 1988. Viralizado, o trecho foi visto por pelo menos 24 milhões de pessoas.

Como uma Maria Callas vestida em lindos vestidos vermelhos (usados em março), azul petróleo (em abril) e brancos (maio) e com uma trança desarrumada pendurada nos ombros, Marina baixava os olhos, entre cada um dos visitantes que sentava-­se à sua frente, durante a performance. Ao levantar o rosto e deparar com Ulay, que chegara de surpresa, Marina não conseguiu esconder o brilho no olhar. Nem segurar as lágrimas. Finalmente, saiu da imobilidade, se inclinou sobre a mesa e os dois tocaram as mãos. Ele tampouco escondeu a emoção. Nem o espectador da cena. Os comentários mais comuns, quando o vídeo se tornou febre nas redes sociais, em 2013, eram: “Chorei!”, “muito lindo!” e “quero um amor desses pra mim!”. Em vários países e muitas línguas.

A história que apareceu na internet ­ de que seria o primeiro encontro depois de 22 anos ­ não é exatamente verdadeira. Eles já haviam estado juntos algumas vezes, inclusive pouco antes do encontro no MoMa. Mas não deixa de ser um episódio tocante, numa história de amor. No início de sua carreira, Marina foi de sua Belgrado natal a Amsterdã filmar “Thomas Lips”, performance na qual, entre outras coisas, desenhava um pentagrama com uma lâmina de barbear na barriga. O dono da galeria pediu ao também jovem artista alemão Frank Uwe Laysiepen, o Ulay, que a buscasse no aeroporto. Era 30 de novembro de 1975, dia do aniversário de ambos ­ sinal que ela considerou cármico. A química entre os dois foi imediata, o romance avassalador significou uma parceira simbiótica e prolífica na arte de ambos.

A união durou de 1976 a 1988. Eles se diziam um corpo só, feito de duas cabeças, mas com a mesma identidade e propósito artístico. Durante cinco anos viajaram pela Europa num pequeno furgão Citröen preto, como artistas nômades, sem dinheiro. Ulay é filho de soldado nazista, nascido num abrigo antibombas. Marina é filha de heróis militares comunistas, de alta graduação no governo do marechal Tito.

Fruto dessa época conturbada, dizem os especialistas, sua obra refletiu o momento tenso. São peças clássicas da arte performática as fortes bofetadas que ambos se dão; a troca de ar num beijo entre os dois, sem respirar, até desfalecer; seus corpos nus se arremessando com força contra pilares que os deixaram roxos; os dois novamente nus como duas cariátides, apoiados nos umbrais de um porta, obrigando os passantes desconfortáveis a se apertarem para entrar numa exposição, enquanto escolhem quais deles irão encarar.

Esse início de carreira é considerado seminal e com as obras mais fortes e impactantes de ambos. Até que, com tamanha energia, a união se desgastou. Ulay a traiu e engravidou outra mulher. Ela o traiu com um amigo. Resolveram colocar o ponto final com uma performance histórica, a obra “The Lovers”. Ela saiu de uma ponta da Grande Muralha da China. Ele partiu do lado oposto. Por meses caminharam quilômetros, até se encontrarem no meio do caminho, onde deram um abraço de adeus.

No restaurante barulhento, em São Paulo, mesmo depois das duas da tarde, Marina se esquiva respondendo com outro assunto à pergunta sobre se a incomodava, mesmo com tamanho sacrifício pela arte, o fato de ela ter ficado conhecida globalmente por causa da cena com Ulay. Diante da insistência na questão, ela responde: “São efeitos colaterais. Num panorama maior, não é isso o que importa: um dia é notícia, no outro não é mais. O que importa é o que se quer atingir com seu trabalho. Ok, 24 milhões de pessoas a assistiram.Talvez alguns milhões, dentre esses 24 milhões, se interessaram em ver mais sobre arte performática. É como uma chave para algo maior. Foi bom.”

Outra pergunta sobre Ulay, ela sequer disfarça: não responderá. O motivo é simples. O processo no qual ele questiona na Justiça o direito sobre a obra de ambos e pede o pagamento de direitos autorais, bem como uma indenização por seu uso, será julgado em 28 de junho, em Amsterdã. “Depois disso, poderei falar”, diz. “Mas, quer saber? Estou muito feliz que tudo isso vá acabar. Faz 28 anos que terminamos e ainda não conseguimos descobrir como lidar com o nosso trabalho juntos.”

Ela não fala, não porque o processo seja sigiloso. Mas para não dar munição a Ulay. “Ele está dando um monte de entrevistas que me detratam, mas, ao mesmo tempo, elas são boas para mim, porque terei material para contradizê­lo junto à corte”, afirma.

Depois da separação, Marina comprou de Ulay o acervo que desenvolveram juntos. Aos 40 anos, disse em diversas entrevistas, se sentia gorda, feia, sozinha e não amada. Também estava sem dinheiro e sem trabalho. Pagou aos poucos e se recuperou voltando à ativa. Mesmo sem querer falar do processo na Justiça, não resiste a um comentário: “É engraçado e inacreditável como um monte de mulheres está ao lado de Ulay: elas dizem ‘a máquina Abramovic vai destruir esse pobre homem’. Só que ‘esse pobre homem’ não trabalha muito. Sou a única que trabalha”.

Desenfreadamente, diga-­se. “Nunca paro. Acordo de manhã e só corro”, comenta. “Agora, tenho menos energia. Mas meus assistentes são sempre muito jovens e logo ficam derrubados. Pergunto: ‘O que há de errado com vocês, garotos? Acabamos de começar'”. Diz isso e vira-­se para Hugo Huerta Marin, designer gráfico que trabalha com ela em Nova York e a acompanha na entrevista, bem como a assessora de comunicação Sofia Carvalhosa: “Você acha que tenho energia suficiente? Quero dizer, não diminuiu ao longo dos anos?”. Ao que ele responde, levantando o cenho: “Oh, my God! Tá brincando?!!”. As atividades de Marina, que aparenta ter no mínimo dez anos a menos do que seus quase 70, são tão variadas quanto a direção artística da coleção primavera-­verão 2016 de Givenchy, em Nova York. Ou a releitura de audições das “Variações de Goldberg”, de Bach, em dezembro, com o russo Igor Levit.

Aos 27 anos de idade, ele foi considerado o melhor pianista do século pelo “The New York Times”. Ao falar desse trabalho, pede que Marin busque no celular o concerto de Bach realizado no City Park Avenue Armory, também em Nova York, para que o mostre à repórter. Como numa versão do método Abramovic, que aplica nos jovens aprendizes no Instituto Marina Abramovic (MAI), ela fez com que a plateia do espetáculo deixasse fora da sala objetos eletrônicos, celulares, relógios e distrações.

Cada espectador ganhou um fone de ouvido que não permitia ouvir qualquer som. Sentaram­se em cadeiras confortáveis, dispostas em círculos, e esperaram por meia hora em completo silêncio, antes de o concerto começar. Foi uma imersão na pureza do ouvir. E um sucesso absoluto de público e crítica. Essa fome feroz por ação e o sucesso com a imagem de diva “pop star” capitalista é o maior alimento de seus críticos. Eles a acusam de ser venal e ter criado o mercado em que vive, graças ao culto de seu ego.

Também questionam a recriação de obras que, pela sua natureza, são imateriais e só poderiam acontecer uma única vez. Ela os desdenha e diz estar mais preocupada em passar sua experiência aos jovens no MAI, criado para manter a arte performática viva, ou em outros eventos pelo mundo. “Faço coisas com os artistas brasileiros e os mostro internacionalmente porque são ótimos”, diz. “Outros artistas não fazem isso, mas essa é minha função: uma curadoria.”

As criações de Marina, diga-­se, parecem nunca ser gratuitas. Ligadíssima em moda (fez questão de dizer que estava vestida de Sônia Pinto neste “À Mesa com Valor”), foi convidada pelo estilista Riccardo Tisci para a direção artística do desfile da Givenchy. Num bilhete a ele colado nos bastidores (fotografado e divulgado graças ao Instagram de Carine Roitfeld, ex­editora­chefe da “Vogue” Paris), ela falava do peso da responsabilidade naquele evento. O desfile foi realizado no dia 11 de setembro, no Pier 26, em frente à Freedom Tower, prédio construído no lugar das Torres Gêmeas. Marina escreveu nesse bilhete sobre o material reciclado que usaram e a escolha das músicas de seis diferentes culturas e religiões e o poder de unir pessoas, sem discriminação. “Como diretora artística, quis criar algo respeitoso e humilde […]

O evento que criamos juntos [Riccardo] é sobre perdão, inclusão, vida nova, esperança e, acima de tudo, amor”, escreveu. Como nesse trecho do bilhete, seu discurso é sempre pontuado por objetivos nobres. Em frases como “Eu amo a vida” ou “Acredito em uma causa”, quando fala de si e seu trabalho. Poderia soar ingênuo e até oportunista, sobretudo numa pessoa de 69 anos. Mas a humildade, a disciplina para o trabalho e o brilho nos olhos com a aparente genuína vontade de aprender ajudam a diminuir essa impressão. “Estava lá como artista e como um simples ser humano para aprender sobre algo que não conheço”, afirma, quando a conversa entra no documentário “Espaço Além ­ Marina Abramovic e o Brasil”, desde ontem em cartaz em diversas capitais do país. “Estava interessada na jornada de aprendizado e não para me expor.

Queria mostrar pessoas que, na verdade, sabem mais do que eu.” “Espaço Além” também nasceu de seu coração partido. Capaz de transformar a dor física num estado que já descreveu como sendo de “leveza, harmonia e força” depois de certo ponto, Marina não consegue lidar com as dores do amor. Novamente, chegou ao fim uma união de 12 anos, agora com o escultor e videoartista italiano Paolo Canevari, que a deixou por uma mulher mais jovem. “Só falava dele, só pensava nele, só sonhava com ele, aliás, não dormia pensando nele. Meus amigos não aguentavam mais”, comentava Marina, pouco antes desta entrevista. “Faz parte dos meus princípios jamais me envolver com artistas, mas fiz duas vezes a mesma bobagem.”

Conhecia um pouco do misticismo brasileiro e sentiu que precisava fazer a viagem, atrás de um processo de cura. Em 2012 e 2013, percorreu 6.000 km pelo país, com a equipe comandada pelo diretor Marco Del Fiol. Marina buscava experiências espirituais e conseguiu encontrá­las em cidades tão diferentes como Abadiânia (GO), Corinto (MG), Curitiba e Salvador, entre outras. O filme conecta­-se com a mostra “Terra Comunal ­ Marina Abramovic”, que ocorreu no Sesc Pompeia, em São Paulo, no ano passado.

Os mais céticos dirão que a viagem também ocorreu em outro sentido. Há no filme xamãs, mães e pais de santo, curandeiros, especialistas em ervas, espíritas, cristais, cachoeiras e energias variadas. Há o choque de cirurgias espíritas a frio, com bisturis cortando sem anestesia nem higiene e uma faca de cozinha raspando um globo ocular. Ela ao lado, ajudando. Há a overdose de Marina com o chá de ayahuasca, que descreve como uma das piores experiências de sua vida.

A agonia de 17 horas é mostrada com imagens belas e fortes. Ao mesmo tempo em que narra e analisa o que vive, o filme tem uma linguagem romanceada, com cenas plásticas, e atravessa uma linha tênue, que gerou questionamentos sobre o fato de ele ser ou não um documentário, no sentido estrito da categoria. “Acredito em qualquer ‘mumbo jumbo’ [coisa supersticiosa] que me disserem”, afirma Marina, quando questionada sobre se, de fato, acreditava que seu DNA vem de outro planeta, como foi dito pela xamã Denise Maia e mostrado no filme. “Sabe quando você é criança, o sol entra em seu quarto e mostra o ar cheio de poeiras e partículas?

Acredito que são pequenos planetas, de diferentes galáxias, nos visitando. Até hoje. Acredito no não crível e no inacreditável.” Segundo ela, é o que permite ter portas abertas para outros mundos, em que adora estar e criar. “Não sou racional”, diz. “É tão chato ser racional” E abre aí uma ponte para o verdadeiro objetivo do filme: os sete minutos finais, em que se revela a arte como uma ferramenta para conectar pessoas de diferentes contextos, crenças e raças.

Como cura, essa conexão se dá pela exploração da sensibilidade e pela busca do autoconhecimento, principalmente nas grandes cidades. É contextualizada, então, a mostra em São Paulo, no Sesc Pompeia. “Arte é o que posso fazer, do meu jeito, para ajudar”, diz, sem querer comentar as grandes dificuldades globais. Sejam elas a crise dos refugiados na Europa, a candidatura de Donald Trump nos EUA ou a crise brasileira. “Não critico, porque sempre há algum conflito no mundo, sempre houve”, diz.

“Percebi que o único jeito de ajudar a humanidade é mudar a si mesmo. Se você mudar a si mesmo, é possível mudar centenas e milhares.” Marina dá como exemplo, é claro, a si mesma. Se 30 pessoas assistissem a seus eventos, nos anos 70, eram uma grande multidão. “Agora, são milhares. Centenas de milhares”, afirma. “Há algo de que as pessoas sentem falta e estão encontrando na forma de arte que faço, que é imaterial. Não é uma commodity. Não se pode vender uma experiência que muitos estão procurando.”

Já curada da dor de amor, no fim do filme ela entra numa caverna e diz que irá explorá­la. “Eu me retiro. O público é a obra.” Isso significaria uma possível aposentadoria? “Jamais”, diz. “Nunca vou parar. Há tantas ideias diferentes e tantas coisas sempre acontecendo. Me apresente algo interessante e estarei lá.” O moto­contínuo vem de seus pais. Os oficiais do exército comunista que impuseram rigidez, disciplina ­ e também a falta de amor e a carência ­, deram origem à sua energia, à sua compulsão e a seu resgate pelo trabalho.

Ao mesmo tempo em que leva adiante uma obra tão séria, Marina parece leve. Tanto nos filmes quanto no encontro no Manioca. “Adoro piada suja”, diz, rindo. “Muitas coisas no meu ‘Memoirs’ começam com piadas impróprias, são minhas favoritas. Adoro dar risada.”

O livro vem sendo escrito há dois anos e será lançado em 24 de outubro, como parte das celebrações de seu 70º aniversário. “Não é um livro sobre arte e segue o mesmo motivo pelo qual eu fiz ‘A Artista Está Presente’: para o público em geral entender sobre perfomance e não ficar entediado”, afirma.

“O ghost­writer é muito bom, um best­seller do ‘New York Times’. Foi o mesmo que escreveu a biografia de Frank Sinatra. É ótimo: Frank Sinatra e eu! Vamos ver o que acontece.” E dá risada.

Fonte: Cristiane Barbieri, Valor Econômico, 20/05/2016 ­ 05:00

Livro: Memorial da Fraude – segredos obscuros de Wall Street, de Jorge Volpi, Objetiva

“Memorial da Fraude” é um livro incomum: além de ser uma investigação das raízes da crise financeira de 2008 e uma reflexão sobre a América Latina em tempos de instabilidade econômica, também é um experimento narrativo em torno da relação entre autor e leitor. O livro, lançado pela Objetiva no Brasil, é assinado pelo mexicano Jorge Volpi, de 47 anos, um dos principais nomes do “movimento crack”, que, na metade dos anos 90, reagiu ao predomínio sufocante do realismo fantástico na produção literária da região.

“Estamos festejando 20 anos de nosso manifesto e seguimos tentando fugir dos clichês e da grande tradição do boom da literatura da região”, diz. Leia, a seguir, trechos da entrevista:

Valor: “Memorial da Fraude” oferece uma perspectiva latino­americana da crise? Jorge Volpi: Inevitavelmente. Minha perspectiva é latina e mexicana, apesar de o tema ser a crise financeira de 2008, um evento global. Por outro lado, este livro tem um componente pessoal, quase autobiográfico: ainda que a história tenha como cenário essencialmente os EUA, ela é o resultado do meu entendimento da série de crises econômicas que vivemos no México e na América Latina nas últimas décadas.

Valor: Como teve a ideia para o livro?

Volpi: Foram duas ideias que acabaram por se encontrar. Enquanto escrevia outro livro, havia chegado quase que por acaso à história de Harry Dexter White [1892­1948], subsecretário do Tesouro dos EUA e fundador do FMI, que, muito provavelmente, era um espião soviético. Mas também estava, por conta própria, pesquisando o mundo das altas finanças com o objetivo de entender as causas da crise econômica global e de nossas crises latino­americanas. Somadas, essas duas narrativas sobre fraudes me impulsionaram a escrever o livro.

Valor: O quão importante White tornou­se para seu livro?

Volpi: White é um personagem fascinante. Não era comunista ou espião tradicional, mas há poucas dúvidas de que ele passou informação confidencial para os soviéticos, inclusive com o objetivo de manter a aliança estratégica entre os dois países durante a Segunda Guerra. A complexidade de sua personalidade e de seus objetivos fizeram dele um personagem ideal para ser “entendido” no universo da ficção.

Valor: O narrador do livro se chama J.Volpi. Quando percebeu que iria criar um alter ego e que ele seria um personagem desprezível, um vilão da crise de 2008?

Volpi: No momento em que percebi que a história que iria contar era uma de sucessivas fraudes. Aí vi que deveria criar uma personalidade alternativa e, bem, oferecer mais uma fraude: a de que eu seria, de fato, o narrador da história. É uma fraude a mais para o leitor.

Valor: Em meio a tantas passadas de pernas, qual foi a parte mais difícil da pesquisa?

Volpi: Tentar entender o mundo financeiro e sua linguagem. Nunca havia estudado economia, mas era imprescindível compreender, até certo ponto, esse mundo e fazer com que o leitor entendesse do que se tratava. Era importante que o leitor tivesse consciência da magnitude da fraude que provocou a crise, de uma das maiores transferências de dinheiro da classe média para os ricos na história recente da humanidade.

Valor: No momento mais dramático da crise, o senhor morava na Espanha. O país foi afetado duramente pela crise, mas também viu o surgimento de uma nova esquerda, mais interessada na experiência da democracia direta…

Volpi: Para mim foi particularmente interessante e triste observar os resultados mais diretos da crise na Espanha. Os altos índices de desemprego foram devastadores, especialmente porque afetou toda uma geração, os mais jovens foram sacrificados no altar das políticas de austeridade fiscal. O Podemos é um partido político que não pode ser entendido fora desse contexto. O que ainda me surpreende é que em outros países não se viu a capacidade de organização necessária para que o descontentamento também se traduzisse em uma ação política institucional e direta.

Valor: No livro, o senhor oferece pistas falsas. O leitor não sabe o que é fato, o que é ficção. Trabalha sem medo com a falta de confiança do leitor não apenas no narrador, mas em relação à própria narrativa?

Volpi: Ora, este é um livro sobre como fomos todos enganados politicamente. Abundam personagens com vidas duplas. Queria que meu livro jogasse o tempo todo com essas incertezas e que fizesse o leitor se recordar disso permanentemente. Cabe, sim, ao leitor decifrar o que é real e o que é falso. A estrutura do livro deriva de seu tema. Era como se a narrativa lembrasse o leitor, a cada minuto, “não acredite no que lhe dizem, nem mesmo quando o narrador sou eu”.

Valor: O senhor escreve que “a fraude é a maior marca de nossos tempos”. Tristes tempos os nossos, não? Como nós, cidadãos, podemos nos proteger contra a fraude de cada dia?

Volpi: Precisamos fiscalizar mais nossas elites políticas e econômicas. Destrinchar seus verdadeiros motivos, revelar suas intenções. Com a crise que vive o Brasil no momento, por exemplo, seria necessário que os cidadãos se inteirassem de fato das posições de cada partido e de cada político, não se deixando levar pelas aparências. A desconfiança cidadã é o único escudo que temos para nos proteger dos que abusam do poder.

Valor: Parece inevitável pensar no Brasil, ao ler seu livro, incluindo o niilismo político, a crise das esquerdas, a ressurreição da extrema direita, as discussões sobre o funcionamento das instituições e o modelo democrático…

Volpi: Não me surpreende o fato de que o livro seja lançado no Brasil em meio a essa crise. Uma crise política e econômica, mas também de confiança. Depois de anos de crença no sonho da prosperidade, descobre­se que o crescimento econômico era um santo com pés de barro e que políticos de todos os partidos se aproveitaram da época de vacas gordas para se locupletarem do erário e ficarem mais ricos. Em um ambiente tão polarizado politicamente, fica difícil saber em quem acreditar. Os mesmos que denunciam a corrupção participaram da mesma. Não se vê possibilidade clara de uma verdadeira reforma política que impeça o abuso continuado das elites.

Fonte: Eduardo Graça, Valor Econômico, 20/05/2016 ­ 05:00

Objetiva

Transitando entre realidade e ficção, Jorge Volpi conduz o leitor da construção do capitalismo moderno aos segredos obscuros de Wall Street

No auge da crise imobiliária de 2008, um dos mais respeitados gênios financeiros de Nova York é acusado de desfalcar seus clientes em quinze bilhões de dólares – uma fraude histórica que o alça ao rol dos grandes criminosos financeiros de nossa época. Enquanto narra suas confissões, o protagonista admite: “sou um canalha e um ladrão”. Ao mesmo tempo, faz questão de expor outros criminosos que atuam no mercado financeiro e cometem fraudes ainda piores.

Em Memorial da fraude, Jorge Volpi mistura realidade e ficção e retrata a mente inescrupulosa de um fraudador, revelando o cinismo daqueles que lucraram sem limites durante a maior crise econômica dos últimos tempos.

Inteligência Competitiva Empresas: Bayer vende negócio de jardinagem para a francesa SBM Développement

SÃO PAULO ­ A multinacional alemã Bayer anunciou hoje a assinatura de um acordo para a venda do negócio de consumo de sua unidade de Ciências Ambientais para a francesa SBM Développement.

O negócio engloba a “Bayer Garden” e a “Bayer Advanced”, que oferecem produtos para jardinagem na Europa e na América do Norte. Os termos financeiros da transação não foram revelados. A SBM é líder no mercado de produtos para casa e jardim na França.

Com a aquisição, a empresa pretende expandir sua atuação na Europa e marcar sua entrada na América do Norte. Em comunicado conjunto, as companhias informaram que a expectativa é que a transação seja concluída em outubro deste ano.

Nesse intervalo, os 250 funcionários dos dois negócios devem ser transferidos para a SBM, “desde que todas as aprovações regulatórias necessárias e condições habituais de fechamento sejam cumpridas”.

A divisão de Ciências Ambientais da Bayer movimentou 819 milhões de euros em 2015, dos quais 239 milhões de euros vindos dos negócios agora adquiridos pela SBM.

Fonte: Mariana Caetano, Valor Econômico, 19/05/2016,­ 13:55

Livro: GEORGE LUCAS – SKYWALKING

Reservado e discreto, George Lucas sempre optou por revelar poucos detalhes de sua vida e suas obras. George Lucas é o livro para os curiosos em conhecer o perfil do criador do Mestre Jedi, sua personalidade e seu comportamento nos sets de filmagem.

Nesta obra, sua vida revela-se desde a infância e a adolescência rebelde que inspirou Loucuras de verão, passando pelos primeiros filmes na faculdade e culminando no enorme sucesso confirmado pela franquia Star Wars.

Dale Pollock fez um extenso trabalho jornalístico ao trazer à tona fatos marcantes: os bastidores das filmagens de sucessos como Loucuras de verão, Star Wars, O Império contra-ataca, Indiana Jones e a arca perdida e O retorno de Jedi; detalhes de seu casamento com Marcia; sua amizade com nomes de peso no mundo cinematográfico como Spielberg e Milius, além da parceria e desavenças com Coppola.

The Journal of Strategic Security (JSS)

The Journal of Strategic Security (JSS) is a double-blind peer-reviewed professional journal published quarterly by Henley-Putnam University with support from the University of South Florida Libraries. The Journal provides a multi-disciplinary forum for scholarship and discussion of strategic security issues drawing from the fields of intelligence, terrorism and counterterrorism studies and protection, among others. JSS is indexed in SCOPUS, the Directory of Open Access Journals, and several EBSCOhost and ProQuest databases.

Book Reviews

Current Issue: Volume 9, No. 1, Special Issue Spring 2016: Designing Danger: Complex Engineering by Violent Non-State Actors

Nonagon – Technology Park of San Miguel – Azores Portugal Case Study (Competitive Intelligence)

The world is undergoing a period of rapid and overwhelming changes, led mainly by the digital revolution and the integration of people and businesses through the Internet and social networks. The greater power provided by IT towards people and organizations by means of the access to information and innovations in processes, products and services, does not recognize the economic power of the rich countries and provides opportunities to all those who decide to make use of new tools for technological, economic and social development. Globalization and the increased competition between countries and companies increase the constant search for innovation and more innovation within the premises of open innovation.One factor that makes room for open innovation to bear fruits in organizations is a Technology Park. In order to obtain such results, however, it is necessary that the park holds an efficient technological intelligence. In this context, the present study is concerned with the competitive and technological intelligence system selected to the technology park, Nonagon, Technological Park of Sao Miguel, Azores, Portugal which is here perceived as an organization of multiple components (resident companies) for which technical information is made available. The overall objective of this research is to characterize the process of exploration of technological information, in NONAGON, proposing contributions to the formal processes of technological forecasting consistent with the multifunctional nature of the park. To this end, this research is designed as a qualitative exploratory study using a single case. The main results have indicated that the prospecting system of information technology is recognized as an existing one, but it is not perceived as a formal system within the park. We conclude that although the organization has a global vision of a prospecting system of innovation for a multifaceted environment, in case of a technology park, the information system is still not as agile as such information is not always promptly available for instant access.

Source: PASSOS, Alfredo

Competitive Intelligence Technology
Innovation
Information Technology Prospecting
Nonagon – Technology Park of San Miguel – Azores Portugal
Case Study

 

Tese: Sistema de prospecção da inovação em ambiente multifacetado: o caso do parque tecnológico Nonagon

Autor: Passos, Alfredo
Primeiro orientador: Rodrigues, Leonel Cezar
Primeiro membro da banca: Campanario, Milton de Abreu
Resumo: O mundo passa por um período de mudanças rápidas e avassaladoras, comandadas, principalmente, pela revolução digital e a integração de pessoas e negócios por meio da Internet e das redes sociais. O poder maior proporcionado pela TI às pessoas e organizações, pelo acesso às informações e inovações em processos, produtos e serviços, não reconhece a força econômica dos países ricos e abre oportunidades a todos que decidem lançar mão dos novos instrumentos de desenvolvimento tecnológico, econômico e social. A globalização e o aumento da competição entre países e empresas aumentam a busca constante por inovação e cada vez mais pela inovação dentro das premissas da inovação aberta. Um dos fatores que dá espaço para que a inovação aberta dê seus frutos nas organizações é um Parque Tecnológico. Para isso, no entanto, é necessário que o parque detenha um eficiente sistema de inteligência tecnológica. Nesse contexto, a presente pesquisa ocupa-se com o sistema de inteligência competitiva tecnológica de parque tecnológico selecionado, o Nonagon, Parque Tecnológico de São Miguel, Açores, Portugal é aqui percebido como uma organização de múltiplos componentes (empresas residentes) para os quais disponibiliza informações de caráter técnico. O objetivo geral dessa pesquisa é caracterizar o processo de prospecção de informações tecnológicas, no NONAGON, propondo contribuições aos processos formais de prospecção tecnológica compatíveis com a natureza multifuncional do parque. Para tanto, desenhou-se essa pesquisa como qualitativa exploratória, utilizando-se do estudo de caso único. Os principais resultados indicaram que o sistema de prospecção de informações tecnológicas é reconhecidamente existente, mas não percebido como um sistema formal dentro do parque. Conclui-se que embora a organização possua uma visão global de um sistema de prospecção da inovação para um ambiente multifacetado, caso de um parque tecnológico, o sistema de informações ainda não é tão ágil, pois essas informações nem sempre estão disponibilizadas para acesso imediato.

URI: http://localhost:8080/tede/handle/tede/699

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Uma definição para Inteligência Competitiva

A ótica de Kahaner não difere significativamente da definição de Tyson:
“Inteligência Competitiva é um programa sistemático para a obtenção da informação sobre as atividades dos competidores e sobre as tendências gerais dos negócios, com a finalidade de alcançar os objetivos da empresa”. (KAHANER, 1996, p. 92).

Fonte: Tese apresentada ao Programa de Mestrado e Doutorado em Administração da Universidade Nove de Julho, como requisito parcial para a obtenção do grau de Doutor em Administração. Sistema de prospecção da inovação em ambiente multifacetado: o caso do parque tecnológico Nonagon. Orientador: Prof. Leonel Cezar Rodrigues

 

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