Inteligência Competitiva e Por que ler Michael Porter, por Alfredo Passos

Ao iniciar um curso sobre Inteligência Competitiva procuro sempre, apresentar um breve histórico sobre a transposição dos ensinamentos de Inteligência para a área empresarial. E neste contexto, um professor e autor, tem um papel fundamental: Michael Porter.

Afinal é preciso entender quem são os autores importantes atualmente, suas teorias, metodologias e influências em Inteligência, independente do sobrenome que venha a levar,  como no Brasil: Inteligência Competitiva, Inteligência Estratégica, Inteligência de Mercado, Inteligência de Negócios, Inteligência Comercial, diferente de outros países, sociedades e mercados.

Embora com vários sobrenomes e novas teorias sobre cada uma, trata-se na verdade de variações sobre o tema. Ou as especializações de marketing, como marketing farmacêutico, marketing de turismo, marketing hospitalar, marketing de consumo, marketing industrial, não levam em consideração a mesma definição da American Marketing Association, os famosos 4 P´s, ou as teorias de Philip Kotler?

O mesmo acontece com Inteligência. Querer discutir estratégia, competição, competitividade, técnicas para análise de setores e da concorrência sem Porter, é impossível, para não dizer miopia.

Porter foi fundamental para a fundação da Strategic and Competitive Intelligence Professionals (SCIP), ou Sociedade dos Profissionais de Inteligência Competitiva, nos Estados Unidos da América em 1986, hoje com milhares de associados em todos os continentes.

Por isso, é oportuno voltar um pouco no tempo para lembrar os fundamentos e as bases da disciplina, para evitar enganos. Afinal, quantas disciplinas nas “ciências” exatas, humanas ou biológicas, ainda é possível conversar com os autores que estão desenvolvendo e publicando suas teorias.

Se considerar-se a fundação da SCIP como uma referência, estamos falando de um novo campo de trabalho com 29 anos.

Porter por Porter

Um livro resiste ao tempo, exemplo muito pouco comum quando se fala de gestão, onde teorias são multiplicadas a cada segundo; Competitive Strategy.

Mas, foi através de uma pesquisa sobre economia industrial, que o Professor Porter iniciou sua tese de doutorado e preparou um curso de Política de Negócios na HBS em 1975.

Posteriormente, este material foi utilizado em um curso denominado Análise Competitiva e Industrial, que vem sendo ministrado aos alunos e executivos ao longo dos últimos anos, foram a origem deste livro.

E assim, é publicado em 1980, Competitive Strategy (Free Press) ou Estratégia Competitiva em português, editado pela Elsevier, 2004.

Neste livro, Porter apresenta a Estratégia Competitiva e suas disciplinas essenciais – Análise Setorial, Análise da Concorrência e Posicionamento Estratégico.

Estratégia Competitiva segundo o autor, é um livro que oferece uma rica base conceitual para a compreensão das forças subjacentes à concorrência nos setores, capturada pelo conceito das “cinco forças”.

Essa base conceitual revela importantes diferenças entre os setores e a evolução dos setores, ajudando empresas a encontrarem uma posição singular.

Vale lembrar que Porter, mestre em Administração de Empresas, depois PhD em Economia, ao utilizar estudo de casos para ensinar profissionais, desafio importante da Harvard Business School, revela a lacuna entre a competição real e os modelos estilizados.

E o que mudou deste a publicação do livro?

Segundo o autor, tudo. Novas tecnologias, novas ferramentas gerenciais, novos setores em crescimento e novas políticas governamentais.

Mas as idéias do livro resistem ao tempo porque abordam os aspectos fundamentais importantes à competição de uma forma independente das especificidades de concorrência entre as empresas.

Ou seja, através do conhecimento sobre setores e empresas, oriundos de muitos estudos de caso, Porter afirma ter sido possível oferecer uma visão mais sofisticada da competição nos setores e proporcionar alguma estrutura à questão de como uma empresa poderia ter um desempenho melhor do que suas rivais.

Portanto, a estrutura dos setores envolve cinco forças. Sinalização do mercado, mudança nos custos, barreiras à saída, custos versus diferenciação e estratégias amplas versus estratégias focalizadas foram alguns dos novos conceitos apresentados em Competitive Strategy.

Embora há quem critique o livro por implicar uma base conceitual estática em um mundo de rápidas mudanças, cada parte da base conceitual – análise da concorrência, análise da competição, posicionamento competitivo – enfatiza as condições sujeitas à mudança.

Ainda segundo o Professor Porter, grande parte do grupo trata de entender e lidar com a mudança: por exemplo, evolução de setores; setores emergentes; como lidar com a maturidade do setor; setores em declínio e globalização.

Finalizando, Porter lembra em uma de suas citações: “as empresas nunca podem parar de aprender sobre o setor em que atuam, suas rivais ou formas de melhorar ou modificar sua posição competitiva.”

Se é preciso conectar os fins (a posição da empresa no mercado) e os meios competitivos (que elementos possibilitam a obtenção dessa posição) não é apenas crucial, mas essencial, é importante ler Michael Porter.

Fonte: Porter, Michael. Estratégia Competitiva: técnicas para análise de indústrias e da concorrência. 2.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

*Alfredo Passos, alfredopassos@uol.com.br, Professor universitário, Especialista em Inteligência Competitiva. Autor de Inteligência Competitiva Tecnológica, NEA.

” Nenhuma parte deste artigo poderá ser reproduzida, guardada pelo sistema retrieval ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, seja eletrônico, mecânico, de fotocópia, de gravação, ou outros, sem prévia autorização, por escrito, do autor, conforme lei federal nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.” 

O Sistema de Prospecção da Inovação: Inteligência Competitiva Tecnológica, por Alfredo Passos

Há mais de 50 anos, o economista Joseph Schumpeter descreveu como “destruição criativa” o padrão dinâmico, por meio do qual, novas empresas inovadoras desbancavam firmas estabelecidas. Enquanto a maioria dos economistas do século XX concentrava-se na concorrência sob condições de equilíbrio estático, Schumpeter (1984), insistia em que o desequilíbrio era a força condutora do capitalismo. Hoje há poucas dúvidas de que a economia é conduzida por empresas capazes de capitalizar as “novas combinações” descritas por Schumpeter: as tecnologias da era do carvão deram lugar às da era do petróleo, que agora estão cedendo terreno às da era da informação. A cada mudança, a infraestrutura tecnológica e econômica da sociedade sofre transformações drásticas, com novas instituições, empreendimentos e padrões geográficos de desenvolvimento, afirma Hart (2006, p. 101).

Hart (2006) comenta que, uma revolução nas tecnologias de informação e comunicação se desdobrou diante dos olhos da sociedade, mudando a forma como vivemos e acelerando a divulgação de informações e ideias. Segundo o autor, “a nova economia baseada em informações aumentou em muito a transparência, promoveu a auto-ajuda local e facilitou a expansão da democracia por todo o mundo…”. (HART, 2006).

Como consequência, o ambiente de negócios na qual as empresas operam está se tornando cada vez mais complexo e mutante. As empresas sentem crescentes pressões competitivas forçando-as a responder rapidamente às novas condições de operação e de se obrigarem a inovar na maneira como operam, afirmam Turban et al. (2009).  Para esses autores, essas atividades exigem das empresas agilidade, tomadas de decisão rápidas e frequentes, sejam elas estratégicas, táticas e operacionais, algumas delas hoje, em nível crescente de complexidade.

Tomar decisões, no entanto, pode exigir quantidades consideráveis de dados oportunos e relevantes, além de informações e conhecimento. Ainda esses autores, ressaltam que o processamento dessas informações, na estrutura dos processos decisórios, deve ser feito de forma rápida, com frequência em tempo real e, comumente, exige algum apoio computadorizado.

E em se tratando de apoio computadorizado, o mundo comunica-se cada vez mais rápido por meio da TI e está se dando conta de que é guiado pelos paradigmas da economia do conhecimento, afirmam Rodrigues e Riccardi (2007). Para estes autores, é neste contexto que se localiza o novo campo de batalha de distribuição de poder: acesso à informação, construção do conhecimento e geração de inovações.

O acesso à informação, a construção do conhecimento para geração de inovações, tem na informação tecnológica, as etapas do processo de inovação: concepção, desenvolvimento e testes, produção, comercialização e assistência, sendo um elemento vital do processo.  Ao gerar um novo produto ou processo, as organizações são potenciais demandantes de informações sobre patentes, normas, certificação de qualidade, regulamentos técnicos, laboratórios de ensaio e de calibração, catálogos de equipamentos, dados econômicos e de mercado, ofertas tecnológicas, financiamentos, oportunidades de negócios, monitoramento tecnológico, entre outros, afirma Rozados (2005).

Sendo a informação tecnológica “[…] todo o tipo de conhecimento sobre tecnologias de processo, de produto e de produção que favoreça a melhoria da qualidade e a inovação no setor produtivo”. (ALVARES, 1998, p. 66). Um serviço de informação tecnológica deve ser capaz de disponibilizar informação oportuna e útil que irá se traduzir em produtos e serviços de alta qualidade, maior competitividade e adequada aos processos decisórios das organizações.

A crescente importância do acesso à informação para o bom desempenho das organizações de produtos e serviços, não deixa de ser verdadeira para organizações de apoio ao desenvolvimento de empresas, como os parques tecnológicos (PqT).  Parques Tecnológicos como suporte ao desenvolvimento industrial, não é ideia nova, mas suas funções como provedor de informações permitem maior eficiência nos processos de maturação tecnológica das empresas neles residentes, colocam-no à parte no complexo universo do desenvolvimento de competências industriais.  Reconhece-se aí o papel do Estado como veículo promotor de competências, mas não se pode prescindir do papel do próprio parque como elemento de união da experiência tecnológica pela aproximação física das empresas e pela disponibilização de informações críticas ao desenvolvimento e consolidação de suas residentes.

O caráter estratégico do conhecimento como fator de geração de valor colocou um novo pressuposto nos projetos de criação de Parques Tecnológicos – PqT. (ZOUAIN; PLONSKI, 2006; HANSSON, 2007).  Para possibilitar que objetivos relativos à geração de valor sejam atingidos, um PqT deve ser mais do que um habitat geográfico para seus atores. O PqT pode estimular e gerenciar o fluxo de conhecimento e tecnologia entre universidades, instituições de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), indivíduos e grupos especialistas, empresas residentes e mercados.

Para que Parques Tecnológicos possam auxiliar de forma eficiente suas residentes na criação de valor é preciso ser capaz de disponibilizar informações das mais diversas origens e fins, em especial, informações de caráter tecnológico. Para tanto, é necessário que Parques Tecnológicos, como organizações, possuam um consolidado sistema de coleta e disseminação de informações, porque “é preciso ver por completo e à frente do mais rápido concorrente, componente crítico no arsenal de negócios, que deveria estar presente no trabalho de todos”, afirma Fuld (2007), ao explicar o sentido de Inteligência Competitiva. Mas afinal, o que é Inteligência Competitiva? Trata-se de um sistema de coleta e análise de informações que fornece aos tomadores de decisão, isto é, aos gestores de uma organização, insights (ideias) que possibilitam obter vantagem competitiva melhorando a posição de suas organizações no mercado, diz esse autor.

Similarmente à informação de caráter negocial, a informação tecnológica orienta-se para as necessidades de caráter técnico nas organizações.  Informações sobre conteúdo tecnológico, inovações, tecnologias embutidas, experiência técnica de especialistas, patentes, tecnologias de processo e similares, permitem ao extrato de especialistas técnicos tomarem decisões mais inteligentes, gerar soluções mais apropriadas e de menor custo e estabelecer estratégias de domínio tecnológicos mais eficientes. Certamente, um sistema dessa natureza e funções permite à organização incrementar sua capacidade de inovar, somando-se à resultante competitiva da organização. Um sistema de coleta, análise e disseminação de informações de caráter técnico, portanto, distingue-se do sistema de informações de caráter negocial e é chamado de Inteligência Competitiva Tecnológica.

Admitindo-se que a inovação é um dos fatores propulsores de nossa economia, então admite-se que seja ela o sustentáculo da estrutura econômica futura. Ninguém deseja um produto, que não encontre compradores, sugere Tessun (2002, p. 309) e ressalta: “o que precisamos entender fundamentalmente, é que o futuro não é apenas uma continuação do passado”.

E para entender este “futuro”, será preciso desenvolver continuamente novos produtos e tecnologias que explorem avanços que não podem ser previstos no dia de hoje, afirma Budd (2002). Mas, para alcançar este marco, é preciso melhorar a eficácia da tomada de decisão executiva, buscar diminuir ou administrar riscos, conclui Bryant (2002), ao ressaltar a importância da utilização da metodologia e técnicas de Inteligência Competitiva Tecnológica. Ou seja, a coleta de informações de modo sistemático, sobre novas tecnologias.

É natural esperar que os PqT, enquanto habitats de inovação, por um lado, procurem a conjugação e a convergência de ações de gestão.  Por outro lado, é de se esperar igualmente, que seus gestores incluam na geração de políticas eficientes como fatores de indução, acompanhamento e avaliação da prospecção de informações tecnológicas nos PqT.

Por outro lado, segundo Radjou e  Prabhu (2012), as multinacionais estão aumentando as suas capacidades nas economias emergentes, com a abertura de mais laboratórios de P&D – Pesquisa e Desenvolvimento, fábricas, escritórios de vendas e de marketing, que podem projetar, desenvolver e vender produtos e serviços relevantes para os locais onde estão sendo instalados. Entre 2003 e 2007, as multinacionais investiram em mais de 1.100 centros P & D na Índia e na China, um total de US $ 24 bilhões. O resultado: mais e mais produtos e serviços comercializados pelas multinacionais em mercados emergentes.

Entretanto, observa-se na literatura um hiato de propostas de instrumentos que visem avaliar as práticas de prospecção da informação tecnológica em parques tecnológicos. Por isso, o objetivo geral dessa pesquisa, foi o de caracterizar o processo de prospecção de informações tecnológicas, no NONAGON, parque tecnológico de São Miguel dos Açores – Portugal, propondo contribuições aos processos formais de prospecção tecnológica compatíveis com a natureza multifuncional do parque.

Em síntese, a unidade de análise da pesquisa foi um parque tecnológico, percebido como uma organização, ou como um sistema com múltiplos componentes (empresas residentes) para os quais é necessário disponibilizar informações de caráter técnico.  No parque, objeto dessa pesquisa, o sistema de prospecção de informações tecnológicas é reconhecidamente existente, mas não percebido como uma instituição dentro do parque como organização.

A essência do caso, portanto, concentra-se na análise do conjunto de estratégias emergentes que, por vezes, combinam prioridades de obtenção da informação com facilidade de acesso a fontes cognitivas externas, como fundamento da sistematização ou, por vezes, combinam as especialidades das fontes críticas das informações sob busca, como a lógica da prospecção.  Assim, o estudo do caso e sua dissecação em seus elementos constitutivos e suas funções no processo, com base em de teorias de sistematização da prospecção de informações tecnológicas, como a de Rodrigues, Heringer e França, (2010), transformam-se na essência do caso. Trata-se aqui, em outras palavras, de identificar as estratégias de prospecção de informações tecnológicas existentes e seus elementos de maturidade em uso da inteligência.   Dessa forma, a pergunta de pesquisa que aqui se insere, volta-se para a resposta à caracterização de quais as estratégias emergenciais de busca e acesso à informação tecnológica que caracterizam o corrente processo de prospecção das informações tecnológicas existentes ou praticadas no parque?

O objetivo geral dessa pesquisa foi caracterizar o processo de prospecção de informações tecnológicas, no NONAGON, parque tecnológico de São Miguel dos Açores – Portugal, propondo contribuições aos processos formais de prospecção tecnológica compatíveis com a natureza multifuncional do parque.

            Os objetivos específicos da pesquisa foram reduzidos aos listados abaixo:

  1. a) Identificar as características estruturais e operacionais da prospecção de informações tecnológicas no Parque Nonagon, envolvendo em especial a forma de combinação de recursos, capacidades, processos e tecnologia (experiência), utilizados para prospectar.
  2. b) Caracterizar o perfil das estratégias correntes das formas de prospecção de informações tecnológicas, em vigor no Parque.
  3. c) Propor, com base na literatura especializada e nas características do Parque estudado, um modelo de prospecção de informações tecnológicas adequado àquelas características.

            Quanto à relevância, o estudo dos processos de prospecção da Inteligência Competitiva Tecnológica no Parque Tecnológico de São Miguel, Açores, Portugal – representa uma importante contribuição à base de conhecimento e à construção da teoria em Inteligência Competitiva Tecnológica, o que justifica plenamente, sob ponto de vista científico, a proposta desta pesquisa. Em primeiro lugar, a complexidade das funções, das fontes e das formas de prospecção da informação tecnológica do parque e a rara exploração de suas características sob o ponto de vista científico, sustentam a possibilidade de contribuições por originalidade de uma pesquisa neste contexto.  Pode-se dizer, em outras palavras, que o Parque Tecnológico de São Miguel, Açores, Portugal, constitui-se numa grande oportunidade para importantes contribuições à base de conhecimento e à construção da teoria em Inteligência Competitiva Tecnológica.

Em segundo lugar, a literatura especializada em inteligência competitiva tecnológica concentra-se na prospecção de informações tecnológicas para empresas e organizações de natureza monolítica, não plural, como é o caso de um parque.   No parque, o objeto da pesquisa não são as empresas que o integram, mas estruturas que realizam as funções do parque.  Assim para cada conjunto de empresas que fazem parte do parque, há uma área de especialidade de informações para a qual se usa processos e conteúdos informacionais específicos, que requerem tratamento igualmente específico, para serem eficientes.  Daí nasce os formatos estruturais dos sistemas de inteligência competitiva tecnológica que servem os parques. Dadas as naturezas funcionais de cada parque, tem-se aí um fértil campo que oferece oportunidade única de sofisticação e avanço da teoria científica relativa aos processos de prospecção tecnológica, revertendo-se em contribuições científicas expressivas para o avanço do conhecimento acumulado na área em questão.

Em terceiro lugar, estudos dessa natureza, atendem a carências identificadas na literatura de Inteligência Competitiva Tecnológica, ao associar os resultados no âmbito da análise organizacional ao ambiente de parques tecnológicos.  Como apontado acima, a literatura em inteligência competitiva tecnológica concentra-se quase que exclusivamente no âmbito de empresas como objeto desses sistemas.  Empresas, por sua vez, são sistemas, em tese, mais simples do que parques.  Dessa forma, estudando sistemas mais complexos, pode-se contribuir de maneiras singulares e mais avançadas para a maior sofisticação de sistemas mais simples e que lhes deem mais eficiência.

Por fim, estudos dessa natureza, podem contribuir, em adição, para o avanço das técnicas gerenciais da gestão da inteligência competitiva tecnológica, servindo diretamente à prática gerencial mais eficaz de profissionais e gestores de sistemas ou organizações de qualquer natureza. O entendimento e domínio funcional dos fatores, elementos e prioridades, suas inter-relações e suas implicações funcionais no processo de prospecção de informações tecnológicas pode certamente contribuir para o avanço da práxis na área da Administração, possibilitando intervenções – tomadas de decisão e formulação de estratégias – com maiores chances de sucesso.

Parte do livro, Inteligência Competitiva Tecnológica de Alfredo Passos.

Mais Brasil no mundo, por Armando Monteiro, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil

O mercado internacional nos oferece mais oportunidades que ameaças. Existe um PIB (Produto Interno Bruto) equivalente a 32 “Brasis” além de nossas fronteiras, onde se encontram 97% dos consumidores do planeta. É olhando para esse mundo de oportunidades que o governo coloca no centro da agenda para retomada do crescimento um Plano Nacional de Exportações.

Esse plano nasceu de um amplo debate com o setor privado e busca conferir um novo status ao comércio exterior do nosso país, com ações estruturais que vão além de uma visão de curto prazo.

Temos muito espaço para crescer. O Brasil é a sétima economia do mundo, mas alcança apenas o 25º lugar no ranking global de exportações. Um dos pilares essenciais é a ampliação do acesso a mercados para os nossos produtos.

O Brasil precisa buscar maior inserção nos fluxos comerciais do mundo, por meio de uma ampla rede de acordos nos planos bilateral, regional e multilateral –em especial com as regiões de maior dinamismo econômico.

Nesse sentido, a visita da presidenta Dilma Rousseff aos EUA na próxima semana é tradução do esforço para consolidar iniciativas, já em curso com aquele país, de convergência regulatória e facilitação de comércio, abrindo caminho para remover barreiras comerciais e inaugurar nova fase nas relações entre os dois países.

Os acordos de cooperação e facilitação de investimentos assinados com México, Angola e Moçambique serão também firmados com outros países no curto prazo. A integração com países sul-americanos da bacia do Pacífico será ampliada, em especial com Chile, Colômbia e Peru. Além disso, um passo importante será dado até o final deste ano, com a troca de ofertas entre o Mercosul e a União Europeia.

A promoção e a inteligência comercial serão reforçadas com atuação em 32 países estratégicos e por meio de um forte apoio a pequenas e a médias empresas potencialmente exportadoras.

Outro pilar trata de um desafio essencial: a facilitação de comércio, com a desburocratização e a simplificação de procedimentos administrativos e aduaneiros. Um instrumento fundamental é o Portal Único de Comércio Exterior (portal.sis comex.gov.br), que reduzirá os prazos de exportação de 13 para 8 dias, e os de importação de 17 para 10 dias.

Até dezembro, será eliminado o uso de papel nos controles administrativo e aduaneiro das operações de comércio exterior, com integração dos 22 órgãos intervenientes ao módulo de anexação eletrônica de documentos do Portal.

Com relação ao financiamento e às garantias às exportações, o Proex (Programa de Financiamento às Exportações) será fortalecido e terá maior previsibilidade, evitando descontinuidades e viabilizando aos exportadores brasileiros condições equivalentes às praticadas internacionalmente. Criam-se também condições para ampliar os mecanismos privados de crédito e a atuação de bancos privados.

Teremos um ambiente tributário mais favorável, aprimorando o PIS-Cofins, o Recof (Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado) e o “drawback” –que possibilita a suspensão ou eliminação de impostos sobre itens importados que serão usados em produtos exportados–, permitindo redução do acúmulo de créditos, simplificação e maior acesso aos regimes de desoneração tributária de insumos e matérias-primas utilizadas nos produtos exportados.

Ao dar centralidade ao comércio exterior, o governo busca construir as bases para dinamizar e tornar mais competitiva a nossa economia. As exportações são um poderoso canal de incentivo para inovação e aumento da produtividade. São fonte de crescimento para o país, geração de emprego e renda.

Se nos últimos anos o Brasil avançou significativamente com o fortalecimento do seu mercado doméstico, para preservar essas conquistas precisamos olhar para além das nossas fronteiras. É um caminho irrecusável para o projeto de desenvolvimento do Brasil.

ARMANDO MONTEIRO NETO, 63, é ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

Publicado na Folha de S.Paulo, 24/06/2015

Inteligência Competitiva Moda: As supermodelos das redes sociais

Kendall Jenner: a top de 19 anos é filha de Caitlyn Jenner e irmã de Kim Kardashian

Kendall Jenner: a top de 19 anos é filha de Caitlyn Jenner e irmã de Kim Kardashian

Gigi Hadid, Kendall Jenner, Karlie Kloss e Cara Delevingne. Mais do que um rostinho bonito, as top models da nova geração têm seguidores no mundo todo (inclusive no Brasil) e faturam alto graças ao lifestyle que vendem em seus perfis no Instagram

Gigi Hadid: em passagem-relâmpago pelo Brasil, ela deu mais de uma dezena de entrevistas e ganhou festa no novo Eataly

Gigi Hadid: em passagem-relâmpago pelo Brasil, ela deu mais de uma dezena de entrevistas e ganhou festa no novo Eataly

Você pode até nunca ter ouvido falar de Gigi Hadid, mas a moça de 20 anos, 1,78 m de altura e carinha de menina é superpoderosa. Só no Instagram ela tem 3,9 milhões de seguidores, que curtem e comentam suas selfies, seus looks e suas viagens mundo afora – muitas delas em companhia das amigas e colegas de profissão, Karlie Kloss e Kendall Jenner (também conhecida como a filha de Caitlyn Jenner e a irmã mais nova de Kim Kardashian). Ao lado da top rebelde Cara Delevingne, Gigi, Kendall e Karlie são a cara – e o corpo – da nova geração de supermodelos que lançam mão das redes sociais para mostrar personalidade e atitude. “É uma ferramenta que uso para ser mais que um rosto em um pedaço de papel”, disse Gigi Hadid, em entrevista ao Estado na última terça, 9, quando esteve em São Paulo para lançar a campanha de verão da grife Rosa Chá. “As modelos hoje têm mais espaço. Posso me tornar a preferida de alguém por ter senso de humor ou por gostar de uma comida ou um tipo de roupa, pois há identificação.”

Cientes deste novo momento da moda, as grifes estão investindo alto para contarem com a força das influenciadoras digitais. “Contratar uma personalidade que tenha uma projeção grande em redes sociais pode ser mais interessante para a marca do que o próprio resultado da campanha, pois é mais fácil que as pessoas tenham conhecimento do conteúdo por lá do que pelos veículos tradicionais”, afirma Jorge Grimberg, especialista em tendências e colunista do Estadão. O Grupo Restoque, dono das marcas Rosa Chá, Le Lis Blanc, John John e Bo.Bô, está entre as empresas que apostam no poder das modelos-celebridade para gerar mídia, atrair jovens clientes e vender mais.

Além de Gigi, a empresa trouxe ao Brasil recentemente Kendall Jenner, que causou comoção durante sua “special appearence” (era esse o termo escrito no convite) na loja da Le Lis Blanc da rua Oscar Freire, no bairro paulistano dos Jardins. Kendall integra o clã Kardashian-Jenner, a família americana que começou mostrando sua rotina em um reality show na TV e acabou virando sinônimo de fama em tempos de Instagram. Vale lembrar que, na última semana, Caitlyn Jenner, o pai de Kendall, quebrou a internet ao anunciar seu novo nome (antes ela se chamava Bruce) e mostrar o resultado do processo que passou para se tornar mulher na capa da revista Vanity Fair.

Supermodelos sociais

Apesar da família polêmica, Kendall conseguiu traçar um caminho próprio – além de ter 28,3 milhões de seguidores no Instagram, frequenta passarelas internacionais de grifes como Chanel e Givenchy, é estrela de capas de revistas de moda renomadas e integra o seleto rol das 50 modelos mais importantes do mundo, segundo o ranking do Models.com. Em sua conta na rede, além de fotos espontâneas, ela posta imagens estabelecidas em contrato, a exemplo de quando anunciou que seria a nova garota-propaganda da Calvin Klein. “Apostamos em rostos que traduzem a geração atual”, diz Kevin Carrigan, diretor criativo da grife americana. É claro que no perfil da jovem de 19 anos há também fotos de festas ao lado das amigas Gigi Hadid, Karlie Kloss e Cara Delevingne.

Cara, aliás, é a menina rebelde da turma. Face da YSL, garora-propaganda da Burberry e queridinha do estilista Karl Lagerfeld, a modelo britânica vive mostrando suas caretas para seus 13,6 milhões de seguidores e não hesita em exibir seu lado ‘trash’. Por isso mesmo, coleciona contratos milionários. A ascenção da geração Millenium ao topo do olimpo fashion vem promovendo uma reação em cadeia. “As modelos que começaram suas carreiras antes do boom das redes tiveram que mudar. Hoje em dia, elas não podem apenas desfilar ou fotografar bem. Precisam compartilhar o seu dia-a-dia, assim como as Kardashian-Jenner fazem”, afirma Daniela Falcão, diretora de redação da revista Vogue. “Um dos exemplos é a modelo Candice Swanepoel. Apesar de não ser frequentadora das principais passarelas, ela vem conquistando muitos seguidores por dividir sua rotina dela e, não adianta, o que ela publica também vende.”

Fonte: Giovana Romani e Renata Brosina – Especial para O Estado de S. Paulo, 12 Junho 2015 | 07h 00

Inteligência Competitiva Varejo: H&M aposta em sustentabilidade e ética para impulsionar as vendas

Melhores salários e maior controle sobre a cadeia produtiva estão entre as medidas anunciadas pela rede de fast fashion

Abertura de uma loja da H&M em Macau; a marca vai apostar em medidas mais sustentáveis e éticas
Abertura de uma loja da H&M em Macau; a marca vai apostar em medidas mais sustentáveis e éticas

Sustentabilidade virou a palavra de ordem para a marca de roupas sueca Hennes & Mauritz, a H&M. A rede de fast fashion anunciou que vai apostar em medidas mais sustentáveis e éticas, de olho, é claro, nos consumidores, que se mostram interessados em saber a forma como as roupas são produzidas e o impacto ambiental que o processo pode causar. A ideia é impulsionar as vendas a longo prazo – algo que a empresa tem conseguido, considerando o aumento de 18% nas vendas no ano passado em relação ao anterior em suas mais de 3.600 lojas no mundo inteiro.

Entre as medidas anunciadas, a companhia se comprometeu a garantir salários justos a trabalhadores que atuam em confecções terceirizadas até 2018. Também afirmou que pretende produzir todo o algodão de forma sustentável até 2020, um avanço em relação aos 20% atuais. Além disso, a grife pretende ter maior controle da cadeia produtiva, mapeando e auditando fornecedores – dois anos atrás, a H&M foi uma das primeiras grandes empresas de varejo a divulgar uma lista de seus fornecedores.

“Transparência total é a visão”, diz a diretora de sustentabilidade da H&M Anna Gedda. Ela aponta ainda para a possibilidade de no futuro traçar toda a trajetória da peça na etiqueta, algo considerado importante para mais da metade dos consumidores, de acordo com uma pesquisa divulgada recentemente pelo instituto Nielsen. Anna ressalta, porém, que os custos de melhorar o padrão da produção não vão ser repassados aos clientes.

Mas as opiniões sobre as mudanças divergem. O grupo Clean Clothes Campaign, que defende o direito de trabalhadores, acusou a H&M de usar a sustentabilidade como uma jogada de marketing. “Eles não terão credibilidade se não apoiarem o discurso com ações”, afirma Carin Leffler, uma representante do grupo, que critica também o fato da H&M não quantificar o que considera ser um salário justo e diz duvidar da capacidade da empresa de alcançar a meta até 2018.

Ainda assim, um ranking da revista Corporate Knights aponta a H&M como uma das marcas mais sustentáveis do mundo. Entre as 100 empresas que aparecem na lista, ela está na 75º posição e é uma das únicas do setor de vestuário, ao lado da britânica Marks & Spencer (16º lugar) e da alemã Adidas (3º lugar). Na opinião de Anna, a companhia fará o possível para a visão da revista prevalecer. “Essa é a condição para o crescimento futuro. Nós ganhamos de volta aquilo em que investimos agora e crescemos porque permanecemos relevantes”, afirma.

Investidores

Empresas que apostam em sustentabilidade ganham atenção dos investidores, que percebem a importância do fator para as vendas e para a diminuição de riscos na produção, visto que atualmente podem haver interrupções, como protestos nas fábricas ou crises de água. Recentemente, a fabricação em Bangladesh e no Camboja, grandes fornecedores da H&M, foi prejudicada por protestos de trabalhadores da indústria têxtil que pediam melhores salários e condições de trabalho. Na opinião de Anna, o compromisso de melhorar os salários e as condições de trabalho vai ajudar garantir uma produção mais estável.

Fonte: Anna Ringstrom – Reuters/Estadão, 30 Junho 2015 | 19h 16

Inteligência Competitiva – Comportamento: Quatro a cada 5 brasileiros estão pessimistas com a economia

Segundo a FGV, o indicador que mede o grau de satisfação do consumidor com a situação da economia desabou 15,5% em junhoProporção dos que avaliam o momento econômico como ruim atingiu 79,1%, o maior nível da sérieProporção dos que avaliam o momento econômico como ruim atingiu 79,1%, o maior nível da série

A percepção dos consumidores em relação à situação atual da economia voltou a piorar em junho e quatro a cada cinco brasileiros avaliam o momento corrente como ruim, de acordo com dados da Sondagem do Consumidor divulgada pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Já a perspectiva com o futuro melhorou um pouco, embora o número de pessimistas ainda supere o dos que aguardam melhora para os próximos meses.

Após dois meses de estabilidade, o indicador que mede o grau de satisfação com a situação da economia local desabou em junho. A queda foi de 15,5% frente ao mês anterior, resultado que puxou o recuo de 1,4% na confiança do consumidor no período. Isso porque a proporção dos que avaliam o momento econômico como ruim atingiu 79,1%, o maior nível da série, iniciada em setembro de 2005. As análises positivas são apenas 4,2%.

As expectativas para o cenário econômico nos próximos meses, por sua vez, melhoraram pelo quarto mês consecutivo. O indicador de otimismo com a evolução da situação econômica nos seis meses seguintes subiu 2,5%. Mesmo assim, ele ainda se mantêm em nível muito baixo historicamente, destacou a FGV.

A proporção de consumidores que preveem melhora da economia cresceu de 17,1% para 18,1% entre maio e junho. Já a parcela dos que consideram que irá piorar caiu de 39,9% para 39,0%. “Este foi o 17º mês em que são registrados mais consumidores pessimistas do que otimistas com o rumo da economia nos seis meses seguintes. Antes deste período, iniciado em fevereiro do ano passado, o recorde havia sido de apenas seis meses, entre outubro de 2008 e março de 2009″, disse a FGV.

Em junho, três das quatro faixas de renda acompanhadas pela instituição registraram queda na confiança, mas o resultado mais negativo veio das famílias com ganhos mensais acima de R$ 9,6 mil. Nessa faixa, o recuo foi o dobro da média, com baixa de 2,8%.

“O resultado do ICC retrata um consumidor preocupado com a situação econômica geral e da família, tendo a inflação como principal vilã, seguida pelo mercado de trabalho. O resultado reflete insatisfação com a situação presente e a ausência, até o momento, de sinais de reversão da fase negativa no curto prazo”, avalia a economista Viviane Seda, coordenadora da Sondagem, em nota oficial.

Segundo a FGV, o levantamento abrange amostra de mais de 2,1 mil domicílios em sete capitais, com entrevistas entre os dias 01 e 23 deste mês.

Fonte: Idiana Tomazelli – O Estado de S. Paulo, 26 Junho 2015 | 08h 29. Foto: Wesley Santos/Estadão.

Early Warning: A recessão será mais forte, avalia a FGV

Se o Banco Central prevê queda de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015, como consta do Relatório de Inflação divulgado na semana passada, o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, estima um recuo de 1,8%, segundo o Boletim Macro Ibre de junho. “Para quem esperava razão para otimismo nessa virada de semestre, é melhor não procurar apoio nos resultados dos indicadores conjunturais recém-divulgados”, afirmam os economistas Regis Bonelli, Armando Castelar Pinheiro e Silvia Matos, responsáveis pelo boletim – um estudo dividido em capítulos escritos por especialistas conhecidos.

Além da redução do PIB, as previsões para este ano são de uma inflação de 8,9%, perda de renda dos trabalhadores, déficit na conta corrente do balanço de pagamentos de 4,5% do PIB, pressão dos juros reais elevados sobre o endividamento público e, afinal, um desempenho econômico medíocre também em 2016.

A contração do PIB estimada para o trimestre abril/junho é de 1,6%, mas o ritmo da queda cairá para 0,1%, no terceiro trimestre, e, “mantidas as tendências atuais, o PIB só voltará a crescer no último trimestre deste ano (0,2%)”.

Nas projeções do Ibre, o consumo das famílias cairá 1,1% neste ano; o consumo do governo, 1,2%; a formação bruta de capital fixo cederá 7,1%; a importação será 6,1% menor; e a exportação crescerá apenas 1,2%. Só o PIB da agropecuária deverá crescer (2,8%), prevendo-se queda de 6,7% da indústria de transformação (e alta de 7,4% da extrativa), recuo de 2,9% da construção civil e de 1,1% dos serviços. A taxa média de desemprego de 2015 deverá ser de 8,1% (+1,3 ponto porcentual em relação a 2014) e a estimativa de queda da renda real é de 3%.

Cai a renda e também o consumo, afetando setores que pesam muito no PIB: a crise no setor automotivo deverá contribuir, isoladamente, para 0,5 ponto porcentual da queda do PIB neste ano, segundo reportagem recente do Estado.

No boletim da FGV, Silvia Matos nota que “as perspectivas para a economia mundial ainda continuam muito incertas” e que a economia doméstica, “nos últimos meses”, continuou “em processo de deterioração”. A demanda interna deverá se contrair mais que o PIB, devido ao ajuste macroeconômico. E há “um grande desafio no curto e no médio prazos na área fiscal”. O cumprimento da meta de superávit primário de 1,2% neste ano e de 2% em 2016 “é missão quase impossível”.

Fonte: O Estado de S. Paulo, 30 Junho 2015 | 06h 32

Inteligência Competitiva – Sinais de Mercado: Joalherias e centros de sobrancelhas puxam as tendências deste ano na feira de franquias da ABF

Centros de design de sobrancelhas, lojas de joias e as sempre presentes escolas de idiomas e de alimentação formam neste ano os pesos pesados entre as tendências de expositores da feira de franquias de São Paulo.

Lojas de joias e semijoias ganham destaque na feira da franquia em 2015
Lojas de joias e semijoias ganham destaque na feira da franquia em 2015. Foto: Estadão
 Em sua 24ª edição, o evento que é organizado pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) reuniu até sábado, 27 de junho, 345 empresas de diversos portes e segmentos da economia, mas que, em comum, compartilham a estratégia de entregar ao apetite dos franqueados os seus planos de expansão.

Em volume de participantes, como sempre acontece, o grande destaque fica por conta das empresas de refeição fora do lar posicionadas dentro e fora da praça de alimentação dos shoppings centers. O segmento é de praxe o mais representativo para o franchising brasileiro, que em 2014 movimentou R$ 127 bilhões, contra R$ 118 bilhões em 2013.

No entanto, ganha relevância em 2015 os centros de estética dedicados ao cuidados das sobrancelhas, com sete marcas especializadas ou posicionadas para atender o nicho, uma tendência que já vem do ano passado e é seguida de perto por algo de fato novo, as redes de franquia que comercializam joias ou semijoias, as tradicionais bijuterias. São seis marcas para esse segmento, algumas suportadas por unidades de fabricação própria, outras dependentes de fornecedores externos, dentro e fora do País.

As redes de cuidados para sobrancelhas têm investimento inicial a partir de R$ 70 mil (Centro das Sobrancelhas), chegando a R$ 100 mil (para uma loja da marca Sóbrancelhas). Esses franqueadores prometem faturamento mensal médio a partir de R$ 35 mil.

Já as lojas de joias ou semijoias têm desembolso inicial a partir de R$ 100 mil e algumas, como a marca My Gloss, oferecem como atrativo um markup que chega a 3,25 (o markup é um índice obtido por meio do preço final dividido pelo preço custo de cada unidade).

“Esse é um negócio que a gente até se assustou com o desempenho das vendas no começo”, afirma Jamil Machado da Mapa da Mina, franquia carioca de bijuterias que está em sua décima unidade e promete um markup de 3,4 (o preço médio de venda das peças é de R$ 17 para um preço de custo de R$ 5).

Idiomas. Mas de volta à tradição, as escolas de ensino de idiomas também sustentam seu lugar entre as ofertas mais recorrentes da feira da ABF. são 13 marcas e se há alguma movimentação relevante nesse nicho é o posicionamento cada vez mais específico das empresas.

Neste ano, as opções vão desde marcas para as crianças, como é o caso da Pearson que aproveitou o evento para lançar a Wizard Kids, com foco em alunos de quatro a 12 anos, até marcas como a rede Yes!, que foca sua atenção em bolsões de baixa renda, como a Rocinha, Cidade de Deus e, em São Paulo, a favela do Paraisópolis.

Fonte: Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo, Franquias, ESTADÃO PME » Informação » notícias, 25 de junho de 2015 | 7h 19

Inteligência Competitiva Empresa: Bauducco vai produzir panetones em Miami

Casa Bauducco lançou franquias neste ano 

Fabricante de panetones vai inaugurar, no ano que vem, a 1ª fábrica da empresa fora de território brasileiro; localizada em Miami, a unidade vai produzir, inicialmente, waffer e panetones para abastecer, além do mercado americano, o Canadá e Porto Rico

A fabricante de panetones e biscoitos Bauducco vai inaugurar, no ano que vem, uma fábrica nos Estados Unidos – a primeira da empresa de Guarulhos (SP) fora de território brasileiro. Localizada em Miami, a unidade vai produzir, inicialmente, waffer e panetones para abastecer, além do mercado americano, o Canadá e Porto Rico.

A pedra fundamental da unidade americana foi lançada há uma semana, numa cerimônia que contou com a presença dos executivos da Bauducco Luis Perez-Codina e Stefano Mozzi, e do cônsul do Brasil em Miami, Hélio Vitor Ramos Filho. As obras já começaram. Avessa à divulgação de maiores informações sobre sua operação, a empresa não deu detalhes do investimento nem informou em que mês a unidade deve entrar em funcionamento.

Fundada por um imigrante italiano há 69 anos, a Bauducco pertence ao grupo Pandurata, que também detém as marcas Visconti e Tommy. O grupo possui ainda uma joint-venture com a americana Hershey’s no País. A empresa tem cinco fábricas, com capacidade de produzir 200 mil toneladas de alimentos por ano. Por aqui, ela lidera com folga a venda de panetones, com participação de mercado de 47%. Nos Estados Unidos, onde atua há mais de 40 anos com produtos importados, a marca Bauducco responde por 54% do segmento de panetones, segundo informou a própria companhia.

Questionada sobre o que levou a empresa a abrir uma fábrica nos EUA, a assessoria de imprensa do grupo afirmou que “em 2005, abriu uma operação dedicada em Miami e a fábrica é uma resposta ao bom resultado que vem alcançado naquele mercado”.

Em 2013, a família Bauducco, que controla a companhia, chegou a colocar uma fatia do negócio à venda para um sócio estratégico e também cogitou uma abertura de capital – planos que não se concretizaram. Na época, o mercado avaliou a empresa em cerca de R$ 3 bilhões.

No início deste ano, a empresa começou a selecionar franqueados para a rede Casa Bauducco, uma mistura de cafeteria e empório, onde são comercializados os produtos premium da marca. As primeiras lojas próprias foram abertas em 2012, chegando a cinco unidades no início deste ano. A meta é chegar a 50 lojas até 2017.

Fonte: NAIANA OSCAR – O Estado de S. Paulo, 30 Junho 2015 | 21h 10. Foto: Divulgação.

Inteligência Competitiva Tecnológica Livro: “Como Chegamos Até Aqui”: A história das inovações que fizeram a vida moderna possível

A forma como nomeamos as coisas reflete muito a época. Na passagem do século XX para o XXI, a palavra “invenção” parece ter caído em desuso. Vive-se agora a era da inovação. Novas descobertas são processos inovadores. É bem verdade que as diferenças de significado – ou de compreensão – revelam mudanças tecnológicas e culturais ao longo do tempo. Um dos aspectos culturais que marcam a virada do século são os modismos que passaram a compor o figurino de muitas disciplinas.

Foi assim com a administração – especialmente, com a tecnologia e a inovação. É desse caldo que surgem o que a mídia convencionou chamar de gurus. O americano Steven Johnson é um deles. Seu campo é a tecnologia. Mas, ao contrário de muitos de seus pares, foge do estilo professoral e assume um tom que vai do provocador ao iconoclasta. Em um de seus livros, “Tudo Que É Ruim É Bom Para Você”, ele faz a defesa dos videogames e contesta aqueles que dizem que os jogos eletrônicos são prejudiciais. Em “De Onde Vêm as Boas Ideias”, diz que o mercado protegido por patentes não é tão eficiente para gerar inovações. Em “Como Chegamos Até Aqui”, Johnson está mais contido, e troca o chapéu de nerd pelo de historiador.

Mesmo assim, faz questão de se diferenciar. Inverte os papéis e procura se colocar no lugar das máquinas e não dos humanos, para falar das invenções. Fingindo ser “um robô inteligente”, seu objetivo, mais do que explicar como as coisas funcionam, é mostrar como as descobertas afetaram o dia a dia das pessoas e influenciaram outras inovações em campos completamente diferentes.

“Inovações geralmente surgem como tentativa de resolver problemas específicos, mas, uma vez que entram em circulação, acabam provocando outras mudanças, que teriam sido difíceis de prever”, diz. O sistema de impressão de Gutenberg, por exemplo, fez crescer a demanda de óculos para leitura, que estimulou a evolução das lentes, até se chegar ao microscópio. E por aí vai o livro, em seis áreas temáticas: vidro, frio, som, higiene, tempo e luz.

A visão de Johnson é sempre multidisciplinar e com viés darwinista na análise evolutiva das descobertas. Os trabalhos do autor de “A Origem das Espécies”, sempre mencionados, servem para explicar uma das teses preferidas de Johnson, a de que as grandes inovações estão relacionadas a processos colaborativos, nos quais a sobrevivência do mais apto resulta em algo positivo para todos, e não em um jogo de soma zero. É o que ocorre na evolução de insetos, entre micro-organismos em um banco de corais, no processo de polinização das flores, assim como no Google e na Apple.

A simbiose entre floração das plantas e insetos, segundo Johnson, criou a oportunidade para que os beija-flores desenvolvessem uma forma própria de mecânica de voo para extrair o néctar das plantas. Vem daí a denominação de “efeito beija-flor” que ele dá às correntes de influência nos processos de inovação. Ao contrário do “efeito borboleta”, da teoria do caos – em que o bater de asas do inseto na Amazônia provoca um furacão na costa da África – o conceito de Johnson exibe uma causalidade perceptível e clara nas ocorrências evolutivas.

Johnson colocou no papel aquilo que faz para a TV. “Como Chegamos Até Aqui” é o mesmo nome da série que apresenta nas redes BBC, britânica, e a rede pública americana PBS, focada em programas educativos. Uma coisa originou a outra. Pelo visto, ele próprio se transformou em beija-flor e vem desenvolvendo habilidades para permanecer sempre em evidência. O livro, de qualquer modo, tem o mérito de ampliar a compreensão do campo da inovação e desmistificar a figura do empreendedor genial e solitário da garagem.

Mesmo Steve Jobs – talvez o maior ícone nesse sentido – não prosperaria se ficasse preso a um escritório ou sala de aula. A criatividade inovadora flui quando experiências e vivências diferentes se entrecruzam e rompem limites desta ou daquela disciplina. Um bom exemplo desse ambiente colaborativo, que o livro não menciona, é a empresa de design Ideo, localizada no Vale do Silício. Aquilo que Johnson prega como decorrência da teoria de Darwin aplicada à inovação, os criadores do Ideo há quase uma década colocam em prática e vêm espalhando essa cultura de trabalho e pensamento por meio de cursos on-line. A proposta é criar líderes para o futuro capazes de estabelecer ambientes de trabalho multidisciplinares.

Johnson resume a essência dessa nova cultura inovadora no trecho de discurso que Jobs fez em Stanford. Obrigado a deixar a Apple, ele lançou a Pixar, dos filmes de animação, e criou o computador NeXT. “O peso de ser bem-sucedido – explicou Jobs – foi substituído pela leveza de ser novamente um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me libertou para entrar em um dos períodos mais criativos da minha vida.”

Livro: “Como Chegamos Até Aqui”Steven Johnson. Tradução: Claudio Carina. 248 págs., R$ 44,90 (Zahar)

Fonte: Edson Pinto de Almeida, Valor, São Paulo, 30/6/2015

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