Inteligência Competitiva Empresas – Folha entrevista o presidente da Monsanto no Brasil: Biotecnologia trará soluções contra a mudança climática

O presidente da Monsanto no Brasil aposta que as empresas de biotecnologia se dedicarão nos próximos anos a criar plantas menos sensíveis às variações do clima, fazendo com que o aquecimento global não impeça o aumento da produção de comida.

Nesta entrevista à Folha, Rodrigo Santos defende que o agronegócio tem de melhorar a sua comunicação: “O setor é muito desconhecido por quem está na Vila Madalena ou em Moema”. Sem biotecnologia, não haverá como produzir mais alimentos sem aumentar a área plantada, diz.

Segundo ele, é natural que a Monsanto seja alvo tradicional de grupos como o MST. “Alguns movimentos se opõem ao agronegócio, à tecnologia no campo. E nós somos uma empresa que representa tudo isso”, afirma.

FOLHA – Em uma entrevista recente à Folha, o presidente da Embrapa disse estar preocupado com a grande concentração no setor de biotecnologia.

Rodrigo Santos – A nossa percepção é que o movimento hoje é o contrário. Você tem vários produtos tanto de empresas privadas, como a DuPont, Syngenta, Bayer, quanto do setor público, como a Embrapa. No exterior, há também muitas universidades pesquisando. Além do milho e da soja, há muitas novas iniciativas. A berinjela na Índia, o mamão-papaia no Havaí. No Brasil, agora teremos eucalipto transgênico.

A imagem dos transgênicos tem melhorado? Até porque, querendo ou não, hoje quase 90% do milho e da soja plantados no Brasil são transgênicos… Quando você fala na rua que é presidente da Monsanto, sente mudança na reação?

Sim, houve evolução. Era natural que, no começo, houvesse certa incerteza ou insegurança de quem não conhecia tecnicamente ou cientificamente o tema. Explicar biotecnologia não é tão simples.

Por muito tempo, e até hoje, grupos radicais antitransgênicos tomaram a Monsanto como metonímia do setor de biotecnologia inteiro.

Esse foi o maior desafio. Talvez a gente não tivesse essa percepção. Os cientistas da Monsanto, quando começaram a trabalhar com transgênicos, pensaram “poxa, temos aqui algo bom”. Mas não tivemos a percepção do desafio de comunicação que havia aí, e talvez não tenhamos ido muito bem nesse campo.

Mas o problema ainda existe, não? Eu até trouxe aqui uma fala do João Pedro Stedile [líder do MST], no ano passado. “A burguesia vai voltar a se assustar com nós quando voltarmos a fazer ocupação com 2.000 famílias. A burguesia vai se assustar quando nós ocuparmos a Monsanto, quando ocuparmos usina. Aí vão nos respeitar.”

A gente se dedicou muito a entender isso. Acho que o problema é até anterior. Um dos desafios que temos no Brasil é que o agronegócio é muito desconhecido por quem está na Vila Madalena ou em Moema, nas cidades. No colegial, a gente sempre ouviu falar na agricultura na linha “ah, é uma atividade primária”. Mas, em 20 anos, a evolução da agricultura no Brasil e no mundo é fantástica em tecnologia e inovação.

A lacuna de percepção, porém, ainda existe. Se atribui coisas como o desmatamento ao agronegócio. As pessoas sempre se surpreendem em saber que, no Brasil, 60% da cobertura vegetal nativa está preservada.

Alguns movimentos se opõem ao agronegócio, à tecnologia no campo. E nós somos uma empresa que representa e é muito associada a tudo isso –a Monsanto só trabalha com agricultura.

O agronegócio é uma área que representa 25% do PIB, mais de 35% dos empregos. A atividade poderia ter uma percepção muito melhor na sociedade em geral. A gente precisa de um trabalho de comunicação muito melhor.

O Roberto Rodrigues [ex-ministro da Agricultura] fala muito da necessidade de mostrar que a biotecnologia é importante para a segurança alimentar. Quer dizer, o sujeito da cidade muitas vezes não associa a comida que compra no supermercado ao agronegócio.

Sim. Eu e o Roberto Rodrigues fizemos Esalq, em Piracicaba. Eu faço 20 anos de formado em outubro. Ele é da turma de 1965. Todas as vezes que você reúne um grupo de pessoas do agronegócio, surge esta conclusão: o mundo tem o desafio de aumentar a produção de alimentos sem aumentar a área plantada significativamente. A resposta passa pela tecnologia.

Quando você pensa na sua época na Esalq, nos seus colegas de turma, de república”¦ Aliás, você morava em república? Como chamava?

“UTI”. [Risos.]

Bom, comparando com o pessoal da turma ou da UTI, o destino dos formandos atuais será muito diferente?

Sim. Cada vez mais, o cara que quer trabalhar com agricultura, que vai estudar na Esalq, precisa saber que vai lidar com biotecnologia e com agricultura de precisão. Essa é a nossa plataforma futura: trazer o “big data” para a agricultura. Quando eu estava na Esalq, o que se fazia de agricultura de precisão era o mínimo. Agora há muitos alunos se dedicando a isso.

É meio impressionante. Todo mundo com quem a gente fala, em quase todos os setores, está fascinado com o impacto das ferramentas de análise de dados na produtividade.

Sim. Um agricultor, para plantar soja ou milho, toma de 40 a 50 decisões por ano. Em que dia ele vai plantar, qual fertilizante vai usar, qual fungicida. O grande ideal é contribuir para que essas decisões sejam baseadas em dados, em algoritmos, em análises estatísticas, aumentando muito a produtividade.

Antigamente, a gente dava recomendações muito gerais. “No cerrado você faz assim; no Sul, de tal forma.” Com o tempo, fomos reduzindo: diretrizes para o oeste da Bahia, para o sudoeste goiano. Daqui um tempo vai ser assim: “Nestes cinco metros quadrados da fazenda, você planta esta variedade e põe tal adubação; naqueles outros cinco, mais férteis, você aumenta a densidade das plantas”.

A gente tem descoberto produtividades elevadíssimas em determinados pedaços de solo. O desafio é levar tudo para o mesmo nível. Para isso, você precisa usar os dados. As decisões podem ser até automatizadas, com sensores. Compramos uma empresa de ciência da computação na Califórnia porque acreditamos que esse é o futuro. O “big data” vai transformar o mundo.

Além do “big data”, se eu voltar aqui em 15 anos e perguntar “e aí, o que tem de novo”, qual seria sua aposta?

Eu diria duas coisas. Acho que a importância da biotecnologia perante as mudanças climáticas vai ficar cada vez mais clara. Podemos desenvolver plantas com maior tolerância à seca, maior tolerância a variações de temperatura, germinação mesmo em condições não ideais.

A outra tendência é agregar valor para o consumidor final. O arroz dourado é um dos maiores exemplos [geneticamente modificado para ser enriquecido com vitamina A]. Isso vai ajudar até na aceitação da biotecnologia. No começo, o impacto era grande no produtor, mas não era tão percebido pela sociedade. Na Monsanto, temos mais de 400 pessoas no Brasil só dedicadas à pesquisa.

Eu queria falar também sobre a questão da rotulagem de alimentos transgênicos.

Para nós, faz todo sentido o consumidor ter informação. A gente tem muita segurança sobre os transgênicos, é completamente tranquilo.

Muita gente no agronegócio defende que faria mais sentido que os rótulos tratassem da ausência de transgênicos. Se alguém faz um produto livre de transgênicos, nada o impede propagandear como quiser.

É o mais fácil. Isso é muito discutido nos EUA. Em termos de custo para as empresas, é o caminho mais simples.

Fonte: RICARDO MIOTO, EDITOR-ADJUNTO DE “COTIDIANO”, FOLHA DE S.PAULO, segunda-feira, 25 de maio de 2015

Inteligência Competitiva Empresas: Google lidera ranking de 30 maiores empresas de mídia do mundo

O Google se mantém em 2015 como o maior grupo de mídia do mundo e continua ampliando a sua liderança. Agora tem uma receita de mídia 136% maior que a da Disney, segunda colocada. Em 2014, era 115% maior.

Os dados são do levantamento “Os 30 Maiores Donos de Mídia em 2015″, divulgado nesta semana pela consultoria ZenithOptimedia, vinculada ao conglomerado francês de publicidade e relações públicas Publicis.

Para o ranking, a consultoria considera receita de mídia como “toda receita derivada de negócios que dão suporte para publicidade”. Seu propósito com a lista é “determinar quais são as empresas mais importantes para o setor de marketing”.

A ZenithOptimedia credita o resultado do Google à maior penetração de aparelhos móveis no período, abrindo “novas oportunidades para atingir consumidores com anúncios, componente importante de seu negócio”.

Divulgação
Google é maior empresa de mídia do mundo; empresa que formula ranking atribui resultado à maior penetração da companhia em aparelhos móveis
Google é maior empresa de mídia do mundo; empresa que formula ranking atribui resultado à maior penetração da companhia em aparelhos móveis

Os aparelhos móveis também explicam o resultado do Facebook, o primeiro dos 30 grupos em aumento da receita de mídia –saltou 63% de um ano para outro. A rede social passou de 24ª para 10ª maior no mundo.

Os dois grupos seguintes em aumento da receita de mídia foram o chinês Baidu (cresceu 43%, ao passar do 28º para o 14º lugar na lista) e o brasileiro Grupo Globo (avançou 15%, do 20º para o 17º posto).

No caso do Baidu, que deixou para trás os seus concorrentes americanos Yahoo! (18º) e Microsoft (21º), pesaram o próprio crescimento do mercado publicitário chinês e também “melhorias na tecnologia de busca”.

No caso do Globo, “como o Baidu, beneficiou-se da presença num mercado publicitário emergente, mas as recentes dificuldades do Brasil devem limitar crescimento maior no curto prazo”.

“Ainda que alguns enfrentem desafios no curto prazo, nós prevemos que outros donos de mídia de mercados emergentes entrem na lista nos próximos poucos anos”, afirmou Jonathan Barnard, chefe de Previsões da ZenithOptimedia.

AS 30 MAIORES EMPRESAS DE MÍDIA EM 2015

1 Google

2 Walt Disney Company

3 Comcast

4 21st Century Fox

5 CBS Corporation

6 Bertelsmann

7 Viacom

8 Time Warner

9 News Corp

10 Facebook

11 Advance Publications

12 iHeartMedia

13 Discovery

14 Baidu

15 Gannett

16 Asahi Shimbun Company

17 Grupo Globo

18 Yahoo!

19 Fuji Media Holdings

20 CCTV

21 Microsoft

22 Hearst Corporation

23 JC Decaux

24 Yomiuri Shimbun Holdings

25 Mediaset

26 Axel Springer

27 ITV plc

28 ProSiebenSat.1

29 NTV

30 Sanoma

Fonte: Folha de S.Paulo, Mercado, 16/05/2015, 02h00

 

Early Warning: Estilistas derrubam fronteiras entre roupa masculina e feminina

503235-400x600-1-mediumO questionamento sobre a divisão clássica entre vestuário masculino e feminino ganhou as passarelas do mundo. A última temporada de moda internacional misturou de vez os guarda-roupas convencionalmente atribuídos a cada um dos sexos.

Não se pode aqui falar em androginia. A proposta de estilistas que exibiram suas coleções em fevereiro e março não é a masculinização da imagem da mulher.

Agora, é tudo bem diferente da atitude sugerida nos anos 1960, quando o francês Yves Saint Laurent criou o smoking para elas.

MISTURANDO AS BOLAS

A sacada de grifes como as italianas Prada e Gucci, que desfilaram em Milão, e das americanas Michael Kors e Diane Von Furstenberg, duas das principais marcas que se apresentam na semana de Nova York, foi misturar as bolas para cravar terninhos com saias ou cores adocicadas e silhuetas ajustadas, imagens que se contrapõem à androginia fria vendida em ensaios de moda ao longo dos anos.

Esse movimento não se confunde com uma “tendência” ou onda passageira.

A corrente “boyish” (termo fashion para visual masculino em roupa de mulher) é tão forte que emblemas da feminilidade como Gucci e a francesa Givenchy fundiram alfaiataria militar a um teor romântico –expresso em laços, volumes nas saias e florais.

O Brasil também está nessa mistura de closets. “Não cabe mais discutir se é roupa de mulher ou de homem. Isso tudo soa ultrapassado aos olhos do consumidor de moda. O importante é o que cada roupa transmite”, disse a estilista Raquel Dawidovicz, da grife Uma, dias antes de mostrar seu verão 2016 na São Paulo Fashion Week.

Na passarela, a conhecida androginia oferecida por Dawidovicz em temporadas passadas ganha contorno feminino, silhueta mais colada ao corpo e novas formas, muitas vezes em linhas assimétricas.
O mix de gêneros é um ingrediente a mais neste momento em que a moda ensaia uma revisão no seu manual de regras, tanto criativas quanto mercadológicas.

A grande mudança cantada pela indústria para os próximos anos é o fim das estações. Vender ainda é a prioridade, mas questões como “para quem”, “onde” e “em qual contexto” se tornam mais importantes do que elucubrações sobre a tendência ou o clima da temporada.

Exemplo disso é a italiana Versace, maior defensora da alteração no calendário internacional. Em plena temporada de inverno 2016, a grife colocou transparências e pernas nuas na passarela, apresentando como tecido a própria pele da mulher.

Fonte: PEDRO DINIZ, ENVIADO ESPECIAL A NOVA YORK E PARIS 17/04/2015 02h00, FOLHA DE S. PAULO. 

Foto: Richard Drew/Associated Press

11 campanhas de comunicação inesquecíveis da TV brasileira

Após uma crise que começou em 2003 com fraudes contábeis na Itália e quase tirou a Parmalat do mercado brasileiro, a empresa tenta uma volta à velha forma resgatando a campanha dos mamíferos.

Sucesso na década de 1990, os comerciais trazem uma sucessão de crianças vestidas de bichinhos fofos. O novo comercial mira a nostalgia dos consumidores, e mantém a música do anúncio original.

Resta saber se ele será o suficiente para reacender a força que a marca já teve no país. A Folha relembra a campanha original e outros 10 comerciais que marcaram a década de 90:

1) Mamíferos da Parmalat

A campanha que está sendo usada no revival da marca surgiu na década de 1990 e encantou com crianças usando fantasias de mamíferos e o bordão “Tomou?”.

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2) O Baixinho da Kaiser

Uma das criações do diretor de arte francês Francesc Petit, o Baixinho da Kaiser é um dos personagens mais longevos da propaganda brasileira. Ele já estava na televisão na década 80, passou pela década de 90 e ainda aparece na TV.

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3) O mordomo Jaime dos sucos Tang

Outro marco da década de 90 foi a propaganda em que o mordomo Jaime tem que lidar com um patrão mimado que clama por suco. Sem laranjas, a solução é usar o suco em pó.

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4) Tio da Sukita

Vivido pelo ator Roberto Arduin, o Tio da Sukita tinha qualquer tentativa sua de flertar com a garota que bebia o refrigerante abortada quando essa o chamava de “tio”. Mais tarde, ele daria o troco, em uma propaganda para uma marca de carro, na qual é ela quem mostra interesse – mais pelo veículo do que por ele.

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5) Menino hipnotizador que pede Baton

Outro marco da década de 1990 foi o menino que hipnotizava a telespectadora dona de casa para que comprasse o chocolate Baton. “Compre Baton, compre Baton, compre Baton”, repetia.

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6) Tartarugas canibais da Tortuguita

Uma conversa em que uma tartaruga de chocolate chama a outra de estúpida termina, claro, com a ofendida comendo a cabeça de chocolate da colega. E chamando ela de estúpida.

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7) Poupança Bamerindus

Comprado pelo banco BTG Pactual em 2013 por R$ 418 milhões, o Bamerindus “propagandeava” a segurança de sua caderneta de poupança na década de 1990 com o seu jingle em um estilo musical por propaganda. “O tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus continua numa boa…”.

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8) DDD

A campanha da Embratel usava três garotos –o D, o D e o D – para divulgarem os números usados na discagem direta à distância para cada capital.

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9) Garoto Bombril

Vivido pelo ator Carlos Moreno a partir de 1978, o Garoto Bombril entrou para o “Guinness” como o “garoto propaganda” mais longevo já em 1994. Naquela década, ele fez uma campanha em que era demitido pela Bombril, mas depois recontratado – por esforço das donas de casa que compravam a esponja de aço e decoravam todas as suas 1001 utilidades.

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10) Biotônico Fontoura

A dupla Sandy & Junior estrelou o comercial do fortificante e estimulante de apetite Biotônico Fontoura.

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11) Coca-Cola e as pizzas ahhh!

As pizzas ahhh eram acompanhadas de um brinde surpresa – um refrigerante –que não agradava a todos, levando o telespectador a achar que a Cola-Cola seria a melhor escolha.

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Artigo: Sem mais delongas, por Pedro Luiz Passos

Apesar do intenso debate que a grande crise de 2008 ainda provoca pelo mundo, no âmbito dos acordos comerciais a maioria dos governos não sugere hesitação.

Os casos do Trans-Pacific Partnership (TPP) e do Transatlantic Trade and Investment Partnership (TTIP), ambos com os EUA à frente, o primeiro entre 12 países, o segundo com a União Europeia, atestam essa movimentação à margem do multilateralismo.

Com dimensões monumentais, é natural que tais acordos tenham evolução incerta, apesar do empenho redobrado dos governos dos países envolvidos para que as negociações cheguem a bom termo. O que os une é a convicção de que o caminho mais seguro para suas economias voltarem a crescer está no comércio entre as nações.

Em artigo no jornal espanhol “El País”, Roberto Azevêdo, diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), observa que durante 50 anos as relações comerciais avançaram a uma taxa equivalente ao dobro da evolução do PIB global. Nos últimos quatro anos, o processo foi revertido, de forma que o comércio deixou de ser motor do crescimento econômico mundial.

É preciso agir para não ficarmos para trás. Uma reviravolta na estratégia de comércio exterior deveria começar pela revisão dos laços que nos atam ao Mercosul.

É o que já fizeram, na prática, nossos principais parceiros, Argentina e Venezuela. Premidos por graves crises, viraram as costas para o bloco e foram cuidar de seus interesses, fechando acordos, sobretudo, com a China, mas muito mais amplos que os firmados pelo governo brasileiro, nesta semana, com o premiê chinês, Li Keqiang.

Não faz sentido marcar passo com a negociação que se arrasta por quase uma década com a União Europeia à espera sabe-se lá do que –e, do mesmo modo, ignorar o potencial dos Estados Unidos, mercado mais promissor para nossos produtos manufaturados.

Como tantos países que abriram de modo responsável seus mercados ao dinamismo do comércio mundial, não podemos nos dar ao luxo de ignorar os seus frutos, sob a forma de maior crescimento e de mais empregos com melhor remuneração.

Em nosso caso, na verdade, tal aspiração pode galgar mais um degrau, induzindo a adoção de normas de condutas, públicas e privadas, promotoras da eficiência da produção, da qualidade da regulação econômica e da fruição do processo inovador e da produtividade.

Estreitar as relações com o exterior será uma espécie de cartão de visitas para a modernidade da economia, o que implica que se faça acompanhar de políticas internas para não perder uma parte ou a totalidade do que a reinserção externa poderá aportar.

Um exemplo é a revisão da estrutura tarifária. Nossas tarifas de importação são elevadas para os padrões de qualquer economia nos tempos atuais. Além disso, desde a última revisão, há quase 25 anos, as distorções foram se acumulando, sobretudo ao acentuar o grau de proteção de bens intermediários em relação aos produtos finais.

É preciso dar prazo para os setores econômicos se adequarem a outro padrão tarifário, complementado por ações que removam as distorções tributárias, de financiamento e de logística.

Melhor ainda seria centralizar toda a política de comércio exterior em uma agência, tal como há nos principais países exportadores. O silêncio das lideranças políticas e empresariais sobre tal agenda é sintoma da falta de clareza para formular o caminho do crescimento.

Fonte/Autor: Pedro Luiz Passos. Empresário, presidente do IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) e conselheiro da Natura. Escreve às sextas na Folha de S.Paulo, quinzenalmente. 22/5/2015

Inteligência Competitiva Tecnológica: USP e FGV vão oferecer disciplina conjunta sobre empreendedorismo

A FGV (Fundação Getúlio Vargas), melhor escola particular de administração do país, e a Poli-USP, melhor pública em engenharias, vão assinar nesta quinta-feira (21) uma parceira inédita para oferta de uma disciplina conjunta em empreendedorismo. A ideia do curso é capacitar alunos de graduação das duas escolas para a criação de novos negócios de base tecnológica, ou seja, novas soluções que evolvem tecnologia.

O curso, denominado “Criação de negócios tecnológicos”, será opcional para os alunos de graduação das duas escolas. As aulas serão cada semana em uma instituição, de forma alternada, e vão contar com docentes da Poli-USP e da FGV.

Essa será a primeira vez que o curso será oferecido nesse formato. As duas escolas já tinham feito uma experiência em caráter embrionário com 30 alunos da FGV e da Poli-USP –mas as aulas aconteciam só na FGV e os docentes também eram apenas da escola de administração.

Esse grupo “embrionário”, de acordo com Tales Andreassi, professor e vice-diretor da Escola de Administração de Empresas da FGV-SP, também contou com mentores. São empreendedores convidados para dar coaching aos grupos, falar sobre suas respectivas trajetórias e ensinar a empreender.

Entre os negócios que estão em desenvolvimento pelos alunos do grupo “embrionário” estão, por exemplo, uma solução de otimização de uso da água para irrigação agrícola e uma solução para monitoramento remoto de saúde de pacientes.

ALÉM DOS MUROS

A experiência conjunta das duas escolas –uma privada e uma pública– é interessante porque aproxima duas áreas que ainda estão separadas por muros nas instituições de ensino superior do Brasil: o conhecimento em administração e em tecnologia, imprescindível para boa parte dos empreendedores. Juntas, uma escola se beneficia do conhecimento da outra.

Quem já empreende sabe o quanto é importante aliar administração e tecnologia. Em entrevista à Folha há cerca de um ano, o criador da empresa Buscapé, Romero Rodrigues, que se formou na Poli-USP há mais de dez anos, contou que chegou a fazer algumas disciplinas na vizinha FEA-USP, em gestão e em marketing, enquanto estudava engenharia.Ele fez isso por conta própria, nas poucas horas vagas que tinha durante o curso de engenharia.

Agora, a disciplina conjunta da FGV e da Poli-USP sinaliza uma preocupação das duas escolas no sentido de interdisciplinariedade, de misturar conhecimentos e de estimular alunos para empreender. No lugar de usar horas vagas para estudar empreendedorismo, a tendência é que os alunos dessas escolas tenham o empreendedorismo cada vez mais como sua prioridade. É assim, aliás, que funciona nas melhores instituições de ensino do mundo.

A Poli-USP já tem sinalizado há alguns anos uma preocupação cada vez maior em empreendedorismo e inovação. Há dois anos, colocou em funcionamento o InovaLab@POLI, um laboratório multidisciplinar aberto, dentro da Poli-USP, que pode ser utilizado pelos alunos da USP para a realização de trabalhos de diversas disciplinas. De acordo com o professor Eduardo Zancul, vice-coordenador do InovaLab@POLI, mais da metade dos frequentadores do espaço vem de cursos fora das engenharias.

I am SCIP

Por que pertencer a uma organização internacional? Assista a este vídeo, clique aqui

Strategic and Competitive Intelligence Professionals – SCIP

Providências devem ser tomadas para garantir o bom funcionamento da memória

O colunista Carlos Alberto Pastore conversou sobre o assunto com os apresentadores Haisem Abaki e Alessandra Romano.

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Agência francesa de design chega ao Brasil para ir além do luxo

Papiernik, Lisa (centro) e Valéria da Centdegrés (Foto: Divulgação)

Papiernik, Lisa (centro) e Valéria, da Centdegrés (Foto: Divulgação)

Com clientes como Cartier e Hermès, Centdegrés abre escritório no País com proposta que vai de perfumaria a arquitetura

Foi um sobrado, na Vila Madalena, o local escolhido pela Centdegrés, agência francesa de design, para se instalar no Brasil. Conhecida por trabalhos para marcas como Hermès, Cartier, Givenchy e Veuve Clicquot, a butique desembarcou no País para reforçar sua atuação em perfumaria, mas também para apresentar outros segmentos em que trabalha, como a indústria de bebidas e a arquitetura para saúde (como, por exemplo, projetos voltados para atender as necessidades de idosos).

Agência independente, fundada há quase 30 anos pelos designers Elie Papiernik e David Nitlich, a Centdegrés tem sede em Paris e escritórios em Hong Kong, Xangai, Dubai e Casablanca e Genebra. Especializada na construção em design de marca, desenvolve desde conceitos e embalagens de produtos, à arquitetura de lojas e estratégias de inovação.

A forma de trabalho da agência é baseada na cocriação. Um dos cases mais reconhecidos da companhia foi o desenvolvimento do perfume La Pathère, da Cartier. “Tradicionalmente os vidros de perfumes são esculpidos por fora”, explica Valéria Grossman, executiva que, juntamente com a francesa Lisa Baron, está à frente do escritório brasileiro. “Nesse caso, pela primeira vez na história dos frascos, um vidro foi esculpido por dentro.”

O projeto, que traz a cabeça de uma pantera, símbolo da Cartier, foi feito em parceria com o grupo Pochet, um dos mais tradicionais fabricantes franceses de frascos. “Criamos a inovação antes mesmo de ter o cliente”, complementa.

Consultora em marketing e estratégia olfativa, com passagens por Natura, Unilever e Givaudan, indústria de fragrâncias, Valéria foi por três anos representante da Centdegrés no Brasil. A decisão, segundo a executiva, de a empresa investir em um escritório no País, mesmo em tempos de crise, foi motivada pelas mudanças pelas quais o varejo brasileiro está passando. “A forte abertura para marcas internacionais exige uma reação das marcas locais”, explica. A empresa já tem projetos encaminhados no País com Natura, Boticário e Eudora.

Com 50% do faturamento global vindos do segmento de beleza, a Centdegrés diversificou a atuação nos últimos anos, investindo fortemente em arquitetura. O design para hospitais é a mais nova aposta da empresa.

Fonte: Cátia Luz, Estadão, Economia & Negócios, 18 maio 2015 | 07:29

Drawing the Battle Lines Between Market Research and Competitive Intelligence by Upfront Analytics

All’s fair in love and war, and on the battleground that is business, intelligence is more than fair: It’s the biggest difference between the company that claims victory and the one licking its wounds and limping home.

Market research is a first line of defense for every organization, but it can leave out important details about an adversary’s next move and the overall business landscape. Competitive intelligence takes market research a step further, allowing a bird’s eye view of trends, competition, and consumer behavior to come up with accurate predictions of where the market is headed. Not a substitute for solid market research, competitive intelligence gives you a better chance of anticipating a battle’s outcome.

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