PIB cai 1,5% no 1º trimestre de 2020

PIB Mundial e do Brasil em 2009 e 2020 - FMI, Paulo Morceiro, Blog Valor Adicionado

O Produto Interno Bruto (PIB) apresentou retração de 1,5% no primeiro trimestre de 2020 (comparado ao quarto trimestre de 2019), na série com ajuste sazonal. Na comparação com igual período de 2019, o PIB teve variação negativa de 0,3%. No acumulado nos quatro trimestres, terminados em março de 2020, registrou aumento de 0,9%, comparado aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

Em valores correntes, o PIB no primeiro trimestre de 2020 totalizou R$ 1,803 trilhão, sendo R$ 1,538 trilhão referente ao Valor Adicionado (VA) a preços básicos e R$ 265,0 bilhões aos Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios.

No primeiro trimestre de 2020, a taxa de investimento foi de 15,8% do PIB, acima da observada no mesmo período de 2019 (15,0%). O material de apoio das Contas Nacionais Trimestrais está à direita desta página.

PIB recua 1,5% em relação ao trimestre imediatamente anterior

Afetado pela pandemia e distanciamento social, o PIB apresentou contração de 1,5% na comparação do primeiro trimestre de 2020 contra o quarto trimestre de 2019, na série com ajuste sazonal. A Indústria (-1,4%) e os Serviços (-1,6%) apresentaram recuo, enquanto a Agropecuária (0,6%) cresceu.

Entre as atividades industriais, a queda foi puxada pelas Indústrias Extrativas (-3,2%), mas também apresentaram taxas negativas a Construção (-2,4%), as Indústrias de Transformação (-1,4%) e a atividade de Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,1%).

Nos Serviços, houve resultados negativos em Outros serviços (-4,6%), Transporte, armazenagem e correio (-2,4%), Informação e comunicação (-1,9%), Comércio (-0,8%), Administração, saúde e educação pública (-0,5%), Intermediação financeira e seguros (-0,1%). A única variação positiva veio das Atividades imobiliárias (0,4%).

Pela ótica da despesa, a Despesa de Consumo das Famílias (-2,0%) registrou queda, enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo (3,1%) e a Despesa de Consumo do Governo (0,2%) tiveram variações positivas em relação ao trimestre imediatamente anterior.

No que se refere ao setor externo, as Exportações de Bens e Serviços tiveram contração de 0,9%, enquanto as Importações de Bens e Serviços cresceram 2,8% em relação ao quarto trimestre de 2019.

PIB varia -0,3% na comparação com o 1º tri de 2019

Quando comparado a igual período do ano anterior, o PIB teve contração de 0,3% no primeiro trimestre de 2020. O Valor Adicionado a preços básicos teve variação negativa de 0,2% e os Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios recuaram em 0,4%.

A Agropecuária registrou crescimento de 1,9% em relação a igual período do ano anterior. Este resultado pode ser explicado, principalmente, pelo desempenho de alguns produtos da lavoura com safra relevante no primeiro trimestre, como a soja, e pela produtividade, visível na estimativa de variação da quantidade produzida vis-à-vis a área plantada.

A Indústria apresentou variação negativa de 0,1%. Nesse contexto, a atividade de Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-1,8%) registrou a maior queda sendo desfavorecida, além da pandemia e distanciamento social, pelo verão mais ameno.

O segundo maior recuo veio da Construção (-1,0%), com queda no emprego e na fabricação dos seus insumos típicos. A Indústria de Transformação (-0,8%) também sofre retração, sendo seu resultado influenciado, principalmente, pela indústria automobilística, confecção de artigos de vestuário e fabricação de outros equipamentos de transporte.

As Indústrias Extrativas (4,8%), por sua vez, tiveram alta, sendo beneficiadas, principalmente, pelo crescimento da extração de petróleo e gás que compensou a queda na extração de minérios ferrosos.

Os Serviços tiveram queda de 0,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior, com destaque para Outras atividades de serviços (-3,4%), com destaque para os serviços prestados às famílias, Transporte, armazenagem e correio (-1,6%), Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (-0,4%). As que tiveram expansão foram Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (2,0%), Atividades Imobiliárias (1,6%), Informação e comunicação (1,3%) e Comércio (0,4%).

O Consumo das Famílias teve queda de 0,7%. Esse resultado pode ser explicado pela pandemia aliada ao distanciamento social que afetou negativamente o mercado de trabalho, prejudicando a demanda, além dos efeitos sobre a oferta.

A Formação Bruta de Capital Fixo avançou 4,3% no primeiro trimestre de 2020. Este crescimento é justificado pelo aumento da importação líquida de máquinas e equipamentos, principalmente para a atividades de petróleo e gás, que compensou a queda da produção nacional de bens de capital e da Construção. A Despesa de Consumo do Governo apresentou estabilidade (0,0%) em relação ao primeiro trimestre de 2019.

No setor externo, as Exportações de Bens e Serviços apresentaram queda de 2,2%, ao passo que as Importações de Bens e Serviços avançaram 5,1% no primeiro trimestre de 2020. Dentre as exportações de bens, aqueles setores que contribuíram mais para o resultado negativo foram: máquinas e equipamentos, extração de minerais metálicos e veículos automotores. Na pauta de importações de bens, a alta se deu principalmente por máquinas e equipamentos; metalurgia e aparelhos elétricos.

PIB cresce 0,9% no acumulado em quatro trimestres

O PIB acumulado nos quatro trimestres terminados em março de 2020 cresceu 0,9% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores. Esta taxa resultou do avanço de 0,9% do Valor Adicionado a preços básicos e de 1,3% nos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios. O resultado do Valor Adicionado neste tipo de comparação decorreu dos seguintes desempenhos: Agropecuária (1,6%), Indústria (0,7%) e Serviços (0,9%).

Na análise da despesa, a Formação Bruta de Capital Fixo apresentou alta de 3,0% e a Despesa de Consumo das Famílias de 1,3%. Já a Despesa de Consumo do Governo teve variação negativa de 0,4%. No setor externo, as Exportações de Bens e Serviços recuaram 2,7%, enquanto as Importações de Bens e Serviços apresentaram crescimento de 2,9%.

Taxa de Investimento foi de 15,8% no 1º trimestre

A taxa de investimento no primeiro trimestre de 2020 foi de 15,8% do PIB, acima do observado no mesmo período do ano anterior (15,0%). A taxa de poupança foi de 14,1% no primeiro trimestre de 2020 (ante 12,2% no mesmo período de 2019).

A Necessidade de Financiamento alcançou R$ 58,3 bilhões ante R$ 57,5 bilhões no mesmo período do ano anterior. O aumento da Necessidade de Financiamento é explicado, principalmente, pela redução de R$ 8,0 bilhões no saldo externo de bens e serviços e pela redução de R$ 6,6 bilhões em Renda Líquida de Propriedade enviada ao Resto do Mundo.

Fonte: Agência IBGE, 29/05/2020 09h00 | Última Atualização: 29/05/2020 11h55.

Desemprego, pobreza, falências e crédito são “grandes desafios” do pós-pandemia, diz Ministério da Economia

Ministério da Economia
Ministério da Economia. Foto: Ernesto Rodrigues/ Estadão

O Ministério da Economia elencou quatro “grandes desafios” para a economia no pós-pandemia:  desemprego, aumento da pobreza, o grande número de falências e a necessidade de mais eficiência na oferta de crédito.

Para o órgão, o Produto Interno Bruto (PIB) negativo em 1,5% no primeiro trimestre de 2020 sobre o último trimestre de 2019, “embora esperado, coloca fim à recuperação econômica em curso” no País. A equipe econômica afirma que os impactos da pandemia de covid-19 reverteram bons indicadores de emprego, arrecadação e atividade no País, com a paralisação das atividades a partir da segunda quinzena de março, último mês do trimestre.

Segundo a pasta, reformas estruturais se fazem necessárias com o final do período e a retomada da agenda de consolidação fiscal é uma condição necessária para a rápida retomada econômica. “Em especial, a manutenção do teto de gastos constitui um pilar fundamental neste processo”, completa. O teto de gastos é a regra constitucional que impede que as despesas cresçam em ritmo superior à inflação.

O ministério considera que a crise também faz com seja necessário “um conjunto amplo de reformas pró-mercado”. Entre as reformas estão a tributária, a aprovação do novo marco regulatório do saneamento básico e do setor de gás natural, a abertura comercial e a agenda de concessões e privatizações.

Fontes: Luci Ribeiro e Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo, 29 de maio de 2020 | 13h17.

Com queda de 1,5% do PIB, Brasil fica em 15° em ranking de crescimento mundial

Comércio fechado
Lojas fechadas no centro de São Paulo após a adoção de medidas de isolamento social. Foto: Tiago Queiroz/Estadão – 20/3/2020

As perdas provocadas pela pandemia da covid-19 na economia global melhoraram a posição do Brasil no ranking mundial, apesar da retração de 1,5% registrada pela economia brasileira de janeiro a março ante o quarto trimestre de 2019. Como os efeitos do novo coronavírus só chegaram ao País nas duas últimas semanas de março, o Brasil ficou na 15ª posição num ranking internacional de desempenho da atividade econômica com 44 países, compilado pela agência de classificação de risco Austin Rating.

Os dados do PIB brasileiro foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que anunciou nesta sexta-feira, 29, os resultados das Contas Nacionais Trimestrais.

O Brasil ficou logo à frente de países como México (-1,6% no primeiro trimestre de 2020 ante o último trimestre de 2019), Holanda (-1,7%), Israel (-1,8%), Dinamarca (-1,9%), Reino Unido (-2,0%) e Alemanha (-2,2%).

Epicentro da pandemia em um primeiro momento, a China ficou na penúltima posição na lista, com uma retração de 9,8% do PIB do primeiro trimestre na margem, atrás apenas da lanterninha Nigéria (-14,3%).

A França ocupou a 32ª posição do ranking, com retração de 5,8% da economia na mesma base de comparação. A Itália, também bastante afetada pela pandemia, ficou na 27ª posição, com queda de 4,7% do PIB. Já os Estados Unidos ficaram em 12º lugar, com recuo de 1,2% no PIB.

Apenas seis países do ranking cresceram no período de janeiro a março. O Chile (3,0%) ocupou a liderança, seguido por Índia (1,1%), Rússia (0,6%), Bulgária (0,3%), Romênia (0,3%) e Finlândia (0,1%).

Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, o Brasil deveria estar mais próximo dos países emergentes no topo da lista e não das economias que foram afetadas primeiro pela pandemia. “O Brasil demorou mais a sofrer os efeitos da pandemia, mas com apenas 15 dias de economia parada o PIB caiu 1,5% no primeiro trimestre. Imagina com dois meses”, destaca.

A Austin revisou seus cálculos para baixo e já prevê uma retração de 10,1% para o PIB nacional no segundo trimestre ante o imediatamente anterior. A previsão, com isso, é que o País volte a ocupar uma posição pior no ranking internacional. Isso porque muitos países que hoje estão na lanterna, como a própria China, começam a retornar à normalidade.

“O País deve ter uma pancada maior que outros países no segundo trimestre e, muito provavelmente, ficar próximo da lanterna do ranking”, prevê Agostini.

Fontes: Daniela Amorim, Mariana Durão e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo, 29 de maio de 2020 | 12h59.

Venda online cresce 480% em maio, mas ainda não sustenta o negócio, diz presidente da C&A

C&A
O presidente da C&A Brasil, Paulo Correa. Foto: C&A

“Eu vejo que chegaremos em dezembro com toda a operação física funcionando. Acho pouco provável que seja com a força que estávamos em março (antes da pandemia), mas acredito que estaremos poderosíssimos em todos os canais de venda.” Essa é a leitura do presidente da C&A, Paulo Correa, sobre como a crise do novo coronavírus deve se desdobrar no decorrer deste ano.

A empresa teve crescimento exponencial nos canais digitais no segundo trimestre. “Chegamos a ter picos de 800% em vendas. Depois do dia 15 de março, todo dia é Black Friday para nós”, diz Correa. Ainda assim, a empresa trabalha com cenários conservadores.

“Por mais que o e-commerce esteja explodindo, ele ainda não segura a companhia. Está longe disso. Por isso, fizemos bem em trabalhar com um cenário mais pessimista do que o que vivemos agora”, afirma, em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast.

No primeiro trimestre de 2020, a C&A registrou alta de 53% nas vendas online. Em maio, o e-commerce atingiu crescimento de 480%, na comparação com o mesmo período de 2019. As vendas por aplicativo representam mais de 50% do comércio eletrônico da companhia. Elas subiram 174% no primeiro trimestre e, em abril, ultrapassaram crescimento de 600%.

Segundo dados do programa de relacionamento com o cliente da C&A, a porcentagem de clientes novos no e-commerce era de 54% no primeiro trimestre do ano e, em abril, chegou a 68%. Além disso, as vendas de produtos de lojas físicas feitas pela internet representam hoje 55% do faturamento do e-commerce. Antes, não passavam de 3%.

A seguir os principais trechos da entrevista, para o Estadão.

O que podemos adiantar do segundo trimestre? Como foi o Dia das Mães na C&A?

O Dia das Mães obviamente foi muito mais fraco do que no ano passado. Tínhamos cinco lojas abertas, das 300. A C&A tem presença maior em São Paulo, Rio de Janeiro e Nordeste, exatamente os focos da pandemia. Hoje já temos de 13% a 14% do total de lojas abertas. Por mais que o e-commerce esteja explodindo, ele ainda não segura a companhia. Está longe disso. Por isso fizemos bem em trabalhar com um cenário mais pessimista do que o que vivemos agora. A certeza é que o Dia dos Namorados será melhor que o Dia das Mães.

Quais são as condições para reabrir as lojas?

Precisa existir convergência entre decretos estaduais e municipais. Se as autoridades e suas respectivas secretarias de saúde não conseguem chegar a um consenso, significa que há dúvidas na história. Então não vamos arriscar. Além disso, precisamos ter para cada um desses lugares o protocolo de segurança implementado, se não tiver, não abrimos. O problema não é o dia que as lojas vão reabrir, mas quando as pessoas vão se sentir seguras para voltar a frequentar esses espaços. Isso talvez vá demorar meses. Acho difícil que os locais mais centralizados tenham abertura antes do final de junho. Mas o pior de tudo é a falta de coordenação entre as diversas esferas federal, estadual e municipal. Esse é nosso pior problema. Poderia ser muito mais coordenado e, em tese, deveria trazer resultados muito melhores do que os resultados que vimos até agora. Essa descoordenação faz o nosso ciclo ser mais longo do que o de outros países. Isso é lamentável, mas nosso papel é ser o mais responsável possível nesse processo.

Como o plano de investimentos de vocês foi alterado?

O digital já estava no nosso programa, mas imaginávamos que chegaríamos a uma parcela do faturamento de dois dígitos em três anos. Isso aconteceu em três semanas. A aceleração foi muito forte, mas porque havíamos preparado várias coisas. Já tínhamos o “ship from store” (vendas de produtos de lojas físicas feitas pela internet) em 80 lojas. Aos poucos fomos reabrindo essas lojas no formato dark (quando a loja é fechada ao público, mas funciona como uma espécie de centro de distribuição). Assim, esse formato, que representava 5% do e-commerce, hoje é 55% dele. Tínhamos vários projetos de lojas físicas engatilhados que não pudemos tocar. Esses gastos automaticamente devem escorregar para o ano que vem, o que liberou investimentos. As reformas de lojas também foram postergadas. Tudo isso permitiu acelerar projetos de online. Nosso investimento nessa área vai ser duas vezes e meia, quase três vezes o que era planejado no início do ano. Ninguém imaginava que cresceríamos tanto. Tivemos picos de 800% de crescimento de vendas. Nem na Black Friday foi assim. Desde o dia 15 de março, todo dia é Black Friday.

Mas as margens de lucro não são muito menores no e-commerce?

As margens do online são um pouco menores em razão do espírito promocional mais agressivo desse segmento. Mas a diferença não é tão grande assim e, à medida que você cresce em escala, começa a dissolver essa diferença que existe para a margem do offline.

Como a C&A vai chegar ao final do ano?

Vamos chegar em dezembro com toda a operação física funcionando. Acho pouco provável que seja com a força que estávamos em março (antes da pandemia), mas acredito que estaremos poderosíssimos no omnicanal (todos os canais de venda). Como nunca poderíamos ter imaginado quando tudo isso começou.

O que o sr. destacaria dos desafios que a crise impôs ao grupo?

Até a crise estávamos vindo progressivamente mais fortes, com crescimento de dois dígitos. Em 48 horas nos vimos obrigados a fechar todas as lojas. A participação do e-commerce nas vendas antes da pandemia era de cerca de 3%. Quando o fechamento das lojas aconteceu, o faturamento despencou para o tamanho que o e-commerce tinha. Obviamente, ter faturamento zero durante duas semanas, desmonta o plano que tínhamos montado em termos de resultados. Montamos um comitê de crise e o primeiro mandato dele era a situação de caixa. Já tínhamos uma operação de crédito em fase final, logo ela foi fechada com uma taxa pré-covid (CDI + 1,09%). Depois fechamos outra de mais R$ 350 milhões (CDI+ 3,45%). Então nossa sustentação ficou garantida. Estávamos trabalhando com o cenário de que nenhuma loja abriria até o final de junho.

E como foi a busca por crédito nessa situação de crise?

Dizer que as medidas do governo facilitaram o crédito para os empresários, na prática, não é o que acontece. O próprio ministro comenta que o dinheiro está empoçado. O nosso cenário era de uma empresa que tinha zero histórico de endividamento. Nosso endividamento era com a matriz e, à medida que saiu o IPO, pagamos. Assim, nossa capacidade e histórico de pagamento tornaram a oferta de crédito mais aberta e disponível que a média. Obviamente o preço mudou com a crise, mas temos tido conversas mais tranquilas com os parceiros. Sei que essa não é a realidade do mercado. Se há patamar de endividamento maior, há mais dificuldade. Se o negócio se trata de uma empresa de pequeno e médio porte, é mais difícil ainda.

Fonte: Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo, 29 de maio de 2020 | 11h15.

Consumo das famílias deixa de sustentar economia e tem primeira queda desde 2016

Base da recuperação econômica após a recessão iniciada em 2014, o consumo das famílias brasileiras caiu 2% no primeiro trimestre de 2020, em relação aos três meses anteriores. É a primeira queda desde 2016 e o pior resultado desde 2001.

O dado foi divulgado nesta sexta-feira (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e explica parte da queda de 1,5% do PIB (Produto Interno Bruto) no período.

consumo das famílias é o principal componente do PIB sob a ótica da demanda, respondendo por quase 70% do cálculo do indicador, e vinha sustentando a lenta retomada da economia nos últimos anos, enquanto investimentos e mercado externo oscilavam.

“Esse resultado pode ser explicado pela pandemia aliada ao distanciamento social que afetou negativamente o mercado de trabalho, prejudicando a demanda, além dos efeitos sobre a oferta”, afirmou o IBGE.

A queda do consumo das famílias levou o setor de serviços, principal motor da economia brasileira pela ótica da produção, a cair 1,6%, na maior retração desde a crise de 2008. Puxou também setores industriais mais voltados ao consumo interno, como a produção de vestuário.

“Os serviços sofreram mais porque foram paralisadas temporariamente mais rápido”, disse a coordendadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis. Eles representam 50% dos gastos das famílias brasileiras.https://s.dynad.net/stack/928W5r5IndTfocT3VdUV-AB8UVlc0JbnGWyFZsei5gU.html

Em 2015, em meio ao período recessivo iniciado em 2014, o consumo das famílias chegou a cair em intensidade parecida com a do primeiro trimestre de 2020. No segundo e no terceiro trimestres daquele ano, as quedas foram de 1,9% e 1,8%, respectivamente.

Mas queda mais intensa do que a verificada agora foi registrada pela última vez no terceiro trimestre de 2001, quando houve recuou de 3,1%. Até o primeiro trimestre de 2020, o indicador acumulava 12 trimestres de alta.

Os números do PIB mostram que os investimentos públicos e privados na economia brasileira, que haviam despencado no final de 2019, voltaram mesmo em meio à pandemia.

A chamada formação bruta de capital fixo, que mede o desembolso em novos projetos e a expansão da capacidade de produtiva, teve alta de 3,1% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao trimestre anterior.

O avanço, porém, é explicado pela maior importação de máquinas e equipamentos, principalmente para o setor de petróleo, que compensoui a queda na da construção e da produção nacional de bens de capital.

construção civil é hoje o principal componente do investimento no país, com participação de quase 50%. O segmento de máquinas e equipamentos responde por cerca de 40%. O setor teve queda de 1% no trimestre.

O consumo do governo avançou 0,2% no trimestre, segundo o IBGE. O resultado é influenciado por fatores como números de matrículas nas escolas públicas, internações no SUS (Sistema Único de Saúde) e gastos com salários do funcionalismo.

Outros dois componentes da demanda são as exportações e as importações. As importações cresceram 2,8% e as vendas de bens e serviços para o exterior caíram 0,9%.

Fonte: Nicola Pamplona e Eduardo Cucolo, Folha de S.Paulo, 29.mai.2020 às 9h25. Atualizado: 29.mai.2020 às 10h02.

Oferta de vagas informais entra em colapso e mercado de trabalho perde seu maior pilar

Trabalho informal segue em alta; país tem quase 12 milhões de | Geral
Arquivo/Agência Brasil

pandemia do novo coronavírus fez com que o pilar que vinha sustentando o mercado de trabalho entrasse em colapso.

O trabalho informal, que vinha batendo recorde atrás de recorde e garantindo a redução da taxa de desemprego, sofreu um forte desgaste no trimestre encerrado em abril, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta quinta-feira (28).

Das 4,9 milhões de vagas fechadas no período, 3,7 milhões eram informais. A taxa de informalidade caiu para 38,8% da população ocupada –um contingente de 34,6 milhões de brasileiros, o menor número da série iniciada em 2016. No trimestre anterior, até janeiro, o percentual havia sido de 40,7%.

Para especialistas ouvidos pela Folha, a queda indica tanto o caráter regressivo desta crise, como a falta de perspectiva para quem perde uma vaga com carteira assinada.

“Antes, a informalidade era um colchão de quem perdia emprego formal. Agora não tem mais isso, a situação dos informais está muito pior”, disse Thiago Xavier, economista da Tendências Consultoria.https://s.dynad.net/stack/928W5r5IndTfocT3VdUV-AB8UVlc0JbnGWyFZsei5gU.html

“Se compararmos o trimestre encerrado em abril deste ano com o mesmo período do ano passado, percebemos que a redução das vagas sem carteira assinada e por conta própria sem CNPJ é muito maior que dos empregos formais”, afirmou Xavier.

Os informais são os empregados do setor privado e trabalhadores domésticos sem carteira assinada, trabalhadores por conta própria e empregadores sem CNPJ e trabalhadores familiares auxiliares.

Os dados compilados por Xavier apontam a diferença. Enquanto as vagas formais caíram 2,8%, os postos sem carteira recuaram 9,7%. O conta própria sem CNPJ caiu 6,7%.

Os dados do IBGE mostram também que, além do pilar ter ficado fraco, o restante da força de trabalho também não se manteve firme.

“O Caged [Cadastro Geral de Empregados e Desempregados] mostrou que em um mês o Brasil perdeu 1,1 milhão de postos. Durante a última crise, perdemos três milhões de vagas formais. Quanto tempo demorou? 2 ou 3 anos? Agora em um mês vimos um terço disso acontecer”, disse.

Considerando o mercado como um todo e fazendo a comparação com a crise de 2015-16, o estrago dos últimos três meses foi forte. A perda de vagas foi 68% superior a todo o período da crise anterior. Naquela época foram cortados 2,9 milhões de postos, enquanto agora foram 4,9 milhões.

Para Cosmo Donato, economista da LCA Consultores, esse pode ser visto como um efeito de composição, com os empregos associados à circulação de pessoas (como ambulantes e comércio) sofrendo primeiro e preservando quem tem remuneração maior.

“Quem tem CLT e até abril não perdeu emprego, nos próximos meses vai estar vulnerável se a crise se prolongar e mostrar ser mais profunda.”

Apesar da perda de 4,9 milhões de postos de trabalho, a taxa de desemprego não refletiu os impactos da pandemia na economia. Isso porque a contabilização engloba apenas quem está procurando trabalho no período da pesquisa. Uma vez que as pessoas não saem de casa, o processo de busca por trabalho trava, sem reflexo nas estatísticas.

A taxa de desocupação fechou em 12,6%, com um aumento de 898 mil desempregados em relação ao trimestre encerrado em janeiro. São 12,8 milhões de pessoas na fila do emprego.

“O melhor indicador é a queda na população ocupada. A taxa de desemprego deve subir com mais vigor quando tiver a flexibilização das medidas de restrição”, analisou Donato, da LCA.

A população fora da força de trabalho –aqueles que não estavam trabalhando nem procurando emprego–, chegou a 70,9 milhões de pessoas, um aumento recorde de 7,9%. Já os brasileiros que desistiram de procurar emprego, os chamados desalentados, cresceram 7%, ou 328 mil pessoas, atingindo 5 milhões.

“Não esperava uma alta tão grande dos desalentados, mas essa saída da força de trabalho pela pandemia eu consideraria que é um movimento pontual, não associado ao desalento. A própria crise provocada pela pandemia, no entanto, fez com que muita gente decidisse sair da força de trabalho. Talvez tenha sido a bala de prata”, disse Donato.

“Quem vai procurar emprego com a economia parada?”, questiona Otto Nogami, professor de economia do Insper. A nossa economia já estava cambaleando quando começou a pandemia. Com essa parada, a coisa vai se agravar. Já se observava antes, apesar de queda no nível de desocupação, um aumento na informalidade”, acrescentou.

Em meio aos 4,9 milhões de empregos perdidos, sete ramos registraram recuos recordes na população ocupada: indústria (-5,6%), comércio (-6,8%), construção (13,1%), transporte, armazenagem e correio (4,9%), alojamento e alimentação (12,4%), serviços domésticos (-11,6%) e outros serviços (-7,2%).

O comércio foi o que registrou a maior queda em números absolutos, com 1,2 milhão de postos de emprego perdidos, reflexo do fechamento de bares, restaurantes, shoppings e comércio como forma de conter o avanço do novo coronavírus.

O isolamento começou em março pelo país, principalmente após a primeira morte registrada, no dia 17 daquele mês, mas foi a partir de abril que os efeitos econômicos passaram a ser sentidos com mais intensidade, já que o distanciamento social durou o mês inteiro.

Se antes da pandemia o país vivia uma retomada da crise passada, os números do mercado e a situação atual da doença no país apontam uma melhora muito distante do horizonte atual, avaliam os especialistas.

“A saída da crise vai ser muito mais lenta. Estamos vendo isso a partir do segundo semestre de 2021 e 2022. Isso se as coisas não piorarem por aqui ainda”, afirmou Donato, da LCA Consultores.

“A economia está ficando mais pobre em relação ao mundo, porque lá fora já se discute como reabrir, enquanto aqui estamos discutindo ainda qual vai ser o baque inicial sobre a nossa economia”, disse Xavier, da Tendências.

Fonte: Diego Garcia e Arthur Cagliari, Folha de S.Paulo, 28.mai.2020 às 23h15.

Pessimismo com economia aumenta e 2 em cada 3 brasileiros temem crise, diz Datafolha

Funcionários medem temperatura de clientes antes de entrar em shopping em Brasília – Evaristo Sá – 27.mai.2020/AFP

A percepção de que a crise causada pelo coronavírus terá efeitos negativos duradouros sobre a economia do país disparou no último mês.

Pesquisa realizada pelo Datafolha nos dias 25 e 26 de maio revela que dois em cada três brasileiros —68% dos 2.069 entrevistados pelo telefone— acreditam que a pandemia afetará a atividade produtiva por muito tempo.

A parcela representa um aumento substancial em relação aos 56% que tinham essa visão em abril.

No primeiro levantamento em que essa pergunta foi feita, em março, metade dos entrevistados achava que o efeito econômico da pandemia seria de longo prazo.

Naquele momento, 44% ainda apostavam que a atividade seria afetada por pouco tempo. Agora, apenas 27% disseram acreditar nesse cenário menos pessimista.https://s.dynad.net/stack/928W5r5IndTfocT3VdUV-AB8UVlc0JbnGWyFZsei5gU.html

A piora de percepção pode ser motivada pelo fato de que muitos já têm sido, diretamente, afetados pela crise.

A pesquisa mostra que, entre os brasileiros que possuem trabalho, 59% relatam terem amargado redução de jornada e renda em consequência da pandemia.

Por trás do número expressivo, há diferenças segundo o tipo de inserção do entrevistado no mercado laboral.

A parcela dos que foram atingidos por cortes de jornada e rendimentos é de 48% entre os que atuam no setor formal e 72% entre os empregados no segmento informal.

Há também distinções de acordo com o tipo de ocupação.

Entre os empregados com carteira assinada, 43% disseram estar trabalhando e ganhando menos. Essa fatia cresce para 51% entre os empregados sem registro e dispara para 78% entre autônomos, profissionais liberais e empresários.

Alguns segmentos da população são, especialmente, críticos à resposta econômica do governo à crise da Covid-19.

A percepção de que as ações nessa área têm sido insuficientes chega a 52% dos brasileiros de 25 a 34 anos, caindo para 41% entre aqueles com mais de 60 anos.

Entre a população com ensino superior, 57% do total acham que o governo faz menos do que deveria. No grupo com ensino fundamental, a fatia dos mais críticos é de 37%.

No recorte por renda, a visão negativa em relação à resposta econômica da gestão Bolsonaro à crise é maior entre os que ganham mais.

Mais da metade dos brasileiros com rendimento familiar mensal acima de cinco salários mínimos acham que o governo tem feito menos do que deveria. Entre os que recebem até 2,5 salários mínimos, os que compartilham dessa visão somam 43% do total.

Fonte: Érica Fraga, Folha de S.Paulo, 29.mai.2020 às 12h00.

Global surveys of consumer sentiment during the coronavirus crisis from McKinsey

Brazil

May 12, 2020 – While countries around the world begin to reopen and pockets of spending return, consumers continue to feel the financial impact of the crisis.

As governments and organizations continue to work toward containing COVID-19 and stem the growing humanitarian toll it is exacting, the economic effects are also beginning to be felt. We are tracking consumer sentiment to gauge how people’s expectations, incomes, spending, and behaviors change throughout the crisis across multiple countries over time. Please check back regularly for updates.

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Survey: Brazilian consumer sentiment during the coronavirus crisis – May 21, 2020 | Survey

In Brazil, pessimism about a quick economic recovery from the COVID-19 crisis has increased as consumers’ income and savings have decreased.

Uncertainty remains the prevailing sentiment in Brazil, and nearly three-fourths of Brazilians have experienced a decline in income in recent weeks. Consequently, consumers have been decreasing spending across most categories for both online and in-person purchases, though positive online shopping intent remains for at-home entertainment and food delivery. Many Brazilians believe the impact of COVID-19 on their routines and finances will last for more than four months.

These exhibits are based on survey data collected in Brazil from May 7–10, 2020. Check back for regular updates on Brazilian consumer sentiments, behaviors, income, spending, and expectations.



Source: McKinsey & Company. About the author(s)

Victor BellemoGuilherme MendesAline Papucci, and Vorah Shin are consultants in McKinsey’s Sao Paulo office, where Pedro Fernandes is an associate partner, Tracy Francis is a senior partner, Fernanda Hoefel and Luiz Lima are partners, Carla Vorlander is a practice manager, and Claudia Zaroni is a specialist.

Market size of the global consulting industry in 2020?

Size of the global consulting industry in 2020

The consulting industry stands to take a sizeable hit from the Covid-19 crisis, and according to the latest estimates, it will be worth around 18% lower at end of 2020 as a result. However, the outlook in many European countries seems to be improving, as they succeed in driving down the number of new coronavirus cases.

Consultants are professionals that provide professional or expert advice in a particular field of science or business, to either an organisation or individual, in return for a fee. As consultants are typically frontrunners in their field of expertise, they can help clients tackle some of their most pressing problems but also play key role in forward-thinking strategies and innovation.

Executives hire external advisors to help them with all manner of issues; from strategy and corporate planning, to support mergers and acquisitions, to market entry into new markets or segments. At the same time, consultants work across every field and sector of the economy, leading to a supremely flexible, multifaceted industry. This adaptability has been at the heart of the consulting industry’s continued success, as over the past decades it has ballooned into a multi-billion dollar industry, becoming one of the largest segments within professional services.

The global consulting industry has grown strongly in the 12 years since the last financial crisis. By the reckoning of Source Global Research, the planet’s consulting scene is now worth a combined $160 billion, but with the coronavirus having pushed many sluggish economies to the brink of a recession, clients are delaying projects, decreasing their scope or cancelling them all together. As a result, the revenue of consulting is taking a big hit.

Previous Consultancy.org analysis of Source Global Research data suggested that the global consulting industry was set to see a collective revenue drop of $30 billion – however two months later the picture has marginally improved. While the drop of $28 billion now forecast is still little short of catastrophic, the fact what was a 19% reduction has eased to one of 18% shows that there may be some inkling amid experts that the end of the current crisis may be in sight.

This improved forecast has largely been buoyed by the continent of Europe, which has improved most substantially of all consulting industry regions. The most recent data available currently points to a decline of 22%, compared to 28% in March. Illustrating this, German consulting has seen a major turnaround in expectations since the emergence of the crisis.

Having initially expected a drop in demand of around 30% – due in part to its large manufacturing base seeing disrupted supply chains – Germany now may see shrinkage of around 18% in consulting demand. Thanks in large part to its comprehensive lock-down, which seemed to effectively stifle Covid-19’s spread in the country – and widespread Government support of businesses and employees, the nation’s consulting industry may well foreshadow a wider economy which will have weathered the storm better than most.

Of course, as was the case with earlier studies, the picture is not the same everywhere – and this can clearly be seen with the state that UK consulting finds itself in. The UK Government’s response could scarcely have been more different to that of Germany, with contradictory messages on the severity of the pandemic, a delayed imposition of a lock-down, and stringent cuts to healthcare spending being maintained during the crisis. While the UK’s outlook is slightly brighter than the 28% fall initially anticipated, the large impact of coronavirus and the continued uncertainty of Brexit mean the UK is still facing a 22% decrease in revenues.

While the outlook still seems cloudy for Britain, however, it pales in comparison to the situation in North America. In March, data suggested that North America would see shrinkage of 15%, but two months later, that figure stands at 18%. By contrast meanwhile, Asia Pacific meanwhile still looks likely to be least severely hit by the coronavirus. As consultants there have benefitted from a stringent response to the outbreak in countries like South Korea and China, many have been able to begin working with clients to try and return life to ‘normal.’

The impact of Covid-19 on consulting by industry vertical

At present, energy and resources looks likely to be the consulting industry vertical most affected by Covid-19. With oil prices having plummeted amid the crisis, as demand for fossil fuels from various forms of transport and industry have dropped to virtually zero, clients in the segment have tightened their belts and scaled back on consulting spending. It is expected consulting revenue in this area will fall by 30%, the joint-highest amount with business services.

Manufacturing is expected to see the next highest fall in consulting revenues, at 23%, due to the closing of most non-essential factories amid the crisis. Oddly, healthcare remains the only other segment anticipating a fall in fees of over 20%, perhaps due to the extent clients like the NHS are having to prioritise treatment over ‘luxuries’ such as digital transformation projects in the immediate fall-out of a pandemic that has pushed them to the brink.

Unsurprisingly, however, pharma consulting is likely to find itself almost in business-as-usual mode, seeing just a 2% fall in revenues. Demand for pharmaceuticals amid the largest public health crisis in a century will be high, meaning there will still be the funds available to invest in consulting projects for many clients. Meanwhile, as companies continue to search for a cure or a vaccine for Covid-19 – and the lucrative patents that could bring with it – they will be keen to bring in experts who can help them get the edge on competing firms.

Source: 26 May 2020, Consultancy.uk

Negócios com baixo índice de contato social tornam-se os mais atraentes

Natalia Dunke, dona de uma microfranquia home based, é exemplo desse mercado. Foto: Leo Martins/Estadão

O que era coisa de ogro passou a ser a bola da vez, negócio sexy e altamente lucrativo, após a chegada da pandemia do novo coronavírus. O olho no olho virou clic to clic e muitos franqueadores assumiram que nunca haviam se relacionado tanto com os franqueados, ensinado e aprendido tanto com suas redes. 

A tecnologia acelerando negócios, pessoas em home office e as perspectivas de redução de custos e de deslocamento, o aumento de produtividade e confiança entre os envolvidos mostram que, em função de uma situação inegociável como o isolamento social, os negócios home based, como as microfranquias, não serão mais encarados como amadores, menos qualificados, para quem não deu certo em negócios ou empregos maiores, ou qualquer outra definição preconceituosa e tosca que já possamos ter ouvido.

Esse universo, do qual fazem parte das microfranquias, está mais valorizado do que nunca! São as empresas que estão em expansão por serem mais acessíveis em termos de investimento, não requerem PDV nem estoque esperando para ser vendido, atuam na grande maioria com tecnologia, permitem que franqueados tenham suas residências com base e trabalhem fora delas e a relação com os franqueadores é estreita, próxima, no mais das vezes.

Ainda assim, há as que requerem espaços comerciais para serem escolas, outras têm como conceito de negócio o presencial, em contato com os clientes, alunos ou pacientes. Houve quem conseguiu se adaptar e quem não, por não haver a chance de se tornar online da noite para o dia e deixar de pautar a qualidade do serviço prestado sem que seja em contato com os clientes. 

Nesta onda, a pandemia acelerou o crescimento dos negócios, de novas franquias, novos serviços e novos canais de distribuição em determinados setores. E, o que já não vinha muito bem, foi potencializado e vai causar o sumiço do mercado. Algumas marcas de microfranquias, com suas unidades em shopping centers fechados e a longa espera pelo retorno, estão sendo muito castigadas e apenas em havendo e-commerce poderão sobreviver até a retomada. 

Como toda crise, ainda que esta seja a pior de todos os tempos, o franchising possibilita novos caminhos aos que perderam emprego, aos que vinham repensando suas vidas e em busca de algo a empreender e os franqueadores objetivando a expansão das redes com franqueados ávidos por assumirem um novo papel na economia.

Os setores que vêm seduzindo investidores para microfranquias, sem dúvida, são as de baixo índice de contato e que atendem as necessidades de um mercado de pessoas físicas e jurídicas.

Dentre elas estão a agência de marketing digital Guia-se, por exemplo, que só fez crescer neste período em termos de novas franquias e de faturamento de seus franqueados. Quem não está fazendo uso de marketing digital hoje em dia? Há muito a fazer e quem faça pelas empresas e profissionais autônomos ou individuais. 

Microfranquias de serviços limpeza comercial e residencial, aplicativos de meio de pagamento, cursos online, algumas de saúde, entre outras, têm apresentado resultados positivos em função do que descrevi até aqui e se tornado mais atrativas. Ainda assim, requerem todos os passos de análise de negócios a investir, como já detalhei inúmeras vezes. 

Mais um bom exemplo hoje é o de empreendedoras ligando até para franqueados de microfranquias brasileiras que estão atuando em Portugal e Estados Unidos para saber como foi todo o suporte na internacionalização, sendo que a ideia delas é tocar o negócio no Brasil. Entende o nível de profundidade de pesquisa e análise antes da decisão? 

Pessoas como estas não serão pegas de surpresa, a não ser que seja com as boas novas!

Fonte: O Estado de S.Paulo, 28 de maio de 2020 | 13h02.* Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e na expansão de negócios em rede.