Crise pela qual passamos é política, econômica e também ética, diz presidente da Alpargatas

Retrato de Márcio Utsch, presidente da Alpargatas

Retrato de Márcio Utsch, presidente da Alpargatas – Jardiel Carvalho/Folhapress

Márcio Utsch diz que Previdência é reforma inevitável e espera um presidente atento a saneamento, tecnologia e educação

Ao escolher em quem vai votar para a Presidência do Brasil neste ano, Márcio Utsch, o presidente da Alpargatas, não está preocupado se o candidato prometeu reformar a Previdência.

Para ele, a escolha deve estar pautada em projetos de longo prazo, como educação, saneamento e infraestrutura.

“Eu não votaria no candidato que vai fazer ou não vai fazer reforma da Previdência. Qualquer um vai ter de lidar com esse problema”, diz.

A indefinição em torno do cenário eleitoral que suspendeu os investimentos é um problema que não vai passar após a eleição, diz Utsch.

A dúvida vai apenas se modificar. “Seja lá quem for o candidato, para reduzir essa outra inércia que será gerada a partir da eleição, deverá vir a público e declarar com clareza o que vai fazer.”

Esse clima de indefinição afeta a Bolsa. Ele também afeta consumo ou não faz diferença?

Se você tem a dúvida sobre quem vai ganhar, você vai deixar de comprar um chinelo? Não, porque chinelo é barato. Essa aposta não é radical.

Mas, se for para comprar uma casa, é diferente porque a dúvida paralisa as apostas mais radicais.

Esse alto risco então explica um pouco o fato de as empresas terem paralisado investimento?

Se forem apostas radicais, explica. Investir é fazer uma aposta. Um fator muito importante para a gente é o preço do petróleo e o preço de câmbio. Na Alpargatas nós consumimos muito insumos oriundos do petróleo.

Frio no hemisfério Norte com mais uso de calefação, a questão entre Irã e EUA são pressões que elevam o preço. E tem o câmbio, que está na faixa de R$ 4. Isso traz dúvida, mas eu não posso parar de produzir. Não sei se o câmbio vai ser R$ 6 ou R$ 3,50. O câmbio tem variação grande de acordo com as políticas econômicas e com quem vai ser eleito.

E dá para aumentar preço nesse cenário?

E eu pergunto se dá para ter prejuízo. Se não se pode aumentar preço, o que é uma possibilidade, se pode mexer no mix de produtos, no sistema de produção ou fazer alguma coisa, porque a produção não pode parar.

O sr. já estão pensando nessas alternativas?

Claro. Temos uma área com gente só fazendo isso o tempo todo. Tem produto que consome menos borracha. Temos uma turma preparada para desenhar e colocar produtos em evolução.

O sr. está há 21 anos na Alpargatas e como presidente há 15, pegou vários governos e acionistas. Comparando o período atual com outros de indefinição, há peculiaridades?

A população vai se conscientizando do ponto de vista político e isso leva a outra consciência social mais importante. As coisas são evolutivas.

Na época do apagão, tivemos de desligar a luz. Todo o mundo aprendeu a economizar água na crise da seca. A crise pela qual estamos passando é política, econômica, mas também é ética.

Retrato de Márcio Utsch, presidente da Alpargatas – Jardiel Carvalho/Folhapress

Mas as pesquisas eleitorais mostram dois candidatos liderando, seriam eles o resultado de uma evolução da consciência da população sobre ética?

Eu entendo o voto útil. Pode ser que as pessoas queiram um candidato que diga que vai quebrar tudo e começar de novo. E há as pessoas que, por outro lado, têm suas memórias afetivas.

Hoje alguém comenta sobre ditadura, dívida externa, inflação? Não, porque já acabou. Eu não votaria em quem vai fazer ou não vai fazer reforma da Previdência. Qualquer um vai ter de lidar com esse problema.

Então eu levaria três coisas em consideração.

A primeira é educação, e leva 20 anos para formar uma pessoa, não apenas para se alfabetizar, mas para ter profissão e visão clara do mundo.

A segunda seria um programa de saneamento e acesso à internet, o que é de longo prazo, e a terceira, um programa de infraestrutura.

O sr. está em busca de um estadista? Temos um estadista hoje?

Se temos uma estadista, eu ainda não achei ou não me contaram.

O sr. mencionou a questão ética. A Alpargatas teve a Camargo como sócia e depois da Lava Jato foi para a J&F, que também teve crise ética e foi novamente vendida. Isso impactou as marcas? Como conseguir se desvencilhar da situação dos acionistas antigos?

Quem passou por isso não foi a Alpargatas. A Camargo Corrêa tinha aproximadamente 44% do capital da Alpargatas, não era dona. Vendeu para a J&F, e esta, por sua vez, vendeu.

Essas empresas tiveram problemas e ainda têm. Não tenho contato, portanto não sei em que estágio estão de solução. A Alpargatas não tem nenhum problema com nada disso.

Nós temos em torno de 5.500 acionistas. A companhia é uma sociedade anônima, tem políticas e formas de trabalhar. A empresa tem governança própria.

Hoje, nós somos a empresa mais antiga com capital aberto em Bolsa no Brasil.

Essas empresas foram criadas bem depois da Alpargatas. Os lojistas, atacadistas e pessoas que compram nas lojas entenderam isso.

Ainda na política. Essa insegurança toda tem data para acabar após o segundo turno seja quem for o presidente?

Esse problema não passa. Ele se modifica.

Não haverá mais a dúvida sobre quem será a pessoa eleita, mas passa outra dúvida: o que essa pessoa vai fazer? Vai cumprir todas aquelas promessas? Resolver segurança, financeiro?

Dá para resolver tudo? Muito pouco provável.

O que vem primeiro? Aumentar imposto, reduzir dívida? Reduzir o tamanho do estado ou não?

Seja lá quem for o candidato, para reduzir essa outra inércia que será gerada a partir da eleição, ele deverá vir a público e declarar com clareza ou mandar um documento dizendo: “Terminou a eleição e está aqui o que eu vou fazer”.

O que o sr. achou da capa da revista The Economist sobre Jair Bolsonaro?

Achei muito pequeno o artigo para o tamanho da capa. Se você olha a capa, pensa que dentro tem um negócio bombástico. Mas a reportagem é pequena e tem um bando de coisa errada.

A impressão que eu tenho é que a pessoa que escreveu torce para alguma coisa, ela não é isenta. Tenho a sensação de que, se a pessoa se basear naquilo que leu lá, vai pensar que o negócio está pior do que está. Não acho que seja exatamente como está colocado. É minha hipótese de interpretação.

O protesto dos caminhoneiros pegou vocês de surpresa?

Totalmente. Nossa frota é terceirizada, mas foi um caos. Tivemos de parar todas as fábricas. Chegou a um ponto que não tinha entrada de matéria-prima para produção e não tinha saída de produto acabado para liberar o depósito.

Não tinha como levar os funcionários para trabalhar. Não tinha como transportar diariamente a comida do refeitório. São quatro fábricas principais e seis que a gente chama de satélite. Ficamos com fábrica parada 11 dias.

A paralisação teve um rescaldo porque vieram a tabela do frete e o subsídio do diesel. O setor agrário grita muito contra a tabela do frete. E o seu setor?

Também acho um absurdo. Acho que o caminhoneiro tem de ter uma remuneração decente, mas não tem espaço mais para tabela.

O que mudou com a reforma trabalhista?

Foi fantástico. A relação do emprego é muito melhor. Neste ano, depois da greve dos caminhoneiros, nós contratamos mil pessoas. A aposta não é mais radical.

Contratamos na CLT tradicional, mas hoje ela é muito mais arejada.

Eu teria feito isso antes? Com certeza não. Faria um pouco de hora extra. O índice de reclamação trabalhista era muito alto. Agora o sujeito tem de pagar uma parte disso. Tem uma responsabilidade.

Márcio Utsch, 59

Graduado em administração de empresas e bacharel em direito, com MBA em gestão de negócios; foi superintendente de compras e de operações da Mesbla, diretor comercial e logística de distribuição da Gradiente e empresário do setor de calçados e utilidades domésticas; ingressou na Alpargatas em 1997, que preside desde 2003.

Fontes: JOANA CUNHA e Alexa Salomão, Folha de S.Paulo, 7.out.2018 às 2h00

Generation gap: Established firms try dancing to a millennial tune

OLDER people are not the only ones to try too hard to be hip and youthful. Long-established firms can, too. Just look at Procter & Gamble (P&G), one of the world’s largest consumer-goods firms, which this year applied to America’s federal patent office to trademark LOL, NBD, WTF and FML, abbreviations commonly used in text messages and social media. If it succeeds, the 181-year-old firm plans to use the phrases to market soap, cleaners and air fresheners to young buyers. Its move is the intellectual-property equivalent of Dad dancing. But it is a sign of large firms’ eagerness to woo millennial consumers.

To many firms they are a mystery. KPMG, a consultancy, reckons nearly half do not know how millennials—typically defined as those born between 1980 and 2000—differ from their older counterparts. That may be because such differences are overblown. According to Ipsos-MORI, a pollster, millennials are “the most carelessly described group we have ever looked at”. Many claims about them are simplified or wrong. It is often said, for example, that they ignore conventional ads; in fact they are heavily influenced by marketing.

Given such misconceptions, it is little wonder that firms sometimes get it wrong. In February, MillerCoors, an American brewer, released Two Hats, a light fruit-flavoured brew the beer-maker said would suit millennials’ tastes and budgets (tagline: “Good, cheap beer. Wait, what?”). Consumers just waited; the beer was pulled from shelves after six months. But some stereotypes about millennials have roots in reality. Companies are finding that three broad approaches do succeed when trying to sell to them: transparency, experiences (over things) and flexibility.

On the first of these, transparency, younger brands have led the way. In clothing, one example is Everlane, an online clothing manufacturer based in San Francisco. It discloses the conditions under which each and every garment is made and how much profit it generates as part of its philosophy of “radical transparency”.

Some large companies have made dramatic changes. ConAgra, an American food giant, has simplified its recipes and eliminated all artificial ingredients from many of its snacks and ready meals. After years of falling sales, it is growing again; millennials now account for 80% of its customer growth. “Bringing in these folks has been absolutely critical to growing the brands,” says Bob Nolan, ConAgra’s senior vice-president of insights and analytics.

Millennials’ appreciation of experiences over “stuff” is also real. Online platforms such as Airbnb have capitalised on youngsters’ taste for splurging on holidays, dinners and other Instagrammable activities, but so too have some older bricks-and-mortar firms. In 2016 JPMorgan Chase, a bank, launched Sapphire Reserve, a premium credit card that offers generous rewards for spending on travel and dining. Touted as “a card for accumulating experiences”, the $450-a-year product has been a hit with well-off millennials, who represent more than half of cardholders.

Younger consumers also have more debt, fewer assets and less job security than previous generations. In this regard, flexibility matters. Ally Bank, a subsidiary of Ally Financial, the former financial wing of General Motors, for example, does not charge its current-account customers any maintenance fees or require them to hold minimum balances. Such features have earned it the loyalty of millennials.

Business models are being revamped to serve commitment-phobic millennials. Big carmakers, including GM, Volvo and BMW, offer subscription services for their cars, offering access to new vehicles without lengthy financial obligations.

Yet many firms still have too homogeneous a view of millennials, says Laura Beaudin, a partner at Bain & Company, a consultancy. “If you want to resonate with a group that prides itself on diversity, having a one-size-fits all solution does not make sense,” she says. Some firms do embrace customers’ individuality—in May, Gucci, an Italian fashion house, introduced customised versions of a popular tote bag and pair of sneakers as part of a campaign called Gucci DIY. Gucci reportedly maintains a cadre of under-30 staffers to advise its boss. Expect more companies of a certain age to hark back to youth.

This article appeared in the Business section of the print edition under the headline “Millennial longing”

Inteligência Competitiva Brasil – Sinais de Mercado: Bozano já tem plano para saída de Paulo Guedes

Paulo Guedes

Paulo Guedes é cotado para Ministério da Economia. Foto: Sergio Moraes/Reuters

BRASÍLIA – Já há um plano para a mudança da estrutura da instituição financeirapresidida pelo assessor econômico de Jair Bolsonaro, a Bozano Investimentos. Em caso de vitória do candidato do PSL, Paulo Guedes deverá ocupar o previamente anunciado novo Ministério da Economia. Por isso, uma empresa especializada preparou o caminho para a saída do executivo em um modelo semelhante ao usado em outros casos, como de Armínio Fraga que também deixou o mercado financeiro para ocupar cargo na capital federal.

Esse plano de sucessão já está na gaveta de Guedes e será anunciado imediatamente após eventual vitória do candidato do PSL e a nomeação dele para o ministério. O trabalho foi realizado por um escritório de advocacia que já assessorou outros nomes famosos que entraram no governo e o plano prevê a adoção de todas as formalidades em até dois meses.

A Bozano foi constituída como uma sociedade entre os executivos, o que facilita a sucessão. Hoje, sete sócios compõem o comitê executivo e um deles deve substituir Guedes. No mercado, há percepção de que Guedes já deixou a linha de frente da Bozano há algum tempo. Apesar de continuar com o cargo de presidente da instituição nos documentos entregues à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o assessor de Bolsonaro acompanharia com certo distanciamento a gestão dos fundos tradicionais, além das participações em empresas. Em dezembro de 2017, a Bozano cuidava de R$ 2,3 bilhões de 2.640 pessoas físicas e investidores institucionais, sendo dois terços alocados em participações acionárias – venture capital e private equity – e um terço em fundos tradicionais.

As quatro carteiras abertas da Bozano Investimentos têm registrado rendimento pior que dos concorrentes em todos os segmentos: multimercado, ações e renda fixa. Com isso, o patrimônio da Bozano Asset Management caiu 58% no ano. No restante do mercado houve crescimento de 8%. Em 2 de outubro, a gestora de Guedes mantinha R$ 316,3 milhões sob sua gestão nos quatro fundos. É uma carteira pequena e representa apenas 0,007% de todo o mercado de fundos do Brasil.

Procurada, a Bozano Investimentos informou, em nota, que os fundos multimercados da instituição têm gestão diferente do mercado. Enquanto carteiras tradicionais são administradas levando-se em conta a expectativa para o futuro dos ativos, a carteira usa o método quantitativo que se vale de dados, estatísticas e modelos econométricos para calcular o melhor retorno dos ativos e, assim, decidir onde investir. “Os fundos multimercados são 100% quantitativos e, portanto, não comparáveis a fundos tradicionais da categoria”, cita a nota.

Sobre eventual vitória de Bolsonaro, a Bozano informou que “é uma gestora independente de recursos e que, na hipótese de qualquer sócio tomar a decisão de se migrar para a administração pública, serão tomadas todas as providências cabíveis”. Com relação à atuação de Guedes, a Bozano informou, em nota, que “ele não participa das decisões de investimentos nem tem responsabilidade fiduciária perante a CVM sobre os fundos citados”.

Fonte: Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo, 06 Outubro 2018 | 04h00

Maior investidor do país vê vitória de Bolsonaro e amplia compra de ações

Luis Stuhlberger, gestor do Fundo Verde, conta sua estratégia em relatório nesta sexta (5)

O empresário Luis Stuhlberger, um dos mais respeitados investidores do país por sua gestão do Fundo Verde, elevou as aplicações em Bolsa no mês de setembro antecipando a possibilidade de Jair Bolsonaro (PSL) avançar na preferência dos eleitores em um segundo turno contra Fernando Haddad (PT).

Em relatório a investidores, que foi distribuído nesta sexta-feira (5), Stuhlberger afirma que acreditava no crescimento de Bolsonaro no segundo turno, quando o capitão reformado do Exército passaria a sofrer menos ataques de opositores, ao mesmo tempo em que poderia se alavancar com a rejeição ao PT.

“A grande surpresa foi que esse processo de rejeição à esquerda ocorreu de maneira muito acelerada, especialmente nos últimos dias. Com isso, o cenário que vislumbrávamos ocorrer ao longo de outubro foi antecipado”, diz em relatório.

“A eleição ainda é extremamente apertada, não podemos esquecer. Com os mercados nos preços atuais, parte da assimetria existente – o que considerávamos excesso de pessimismo – desapareceu”, acrescenta o investidor.

O fundo Verde foi criado em 1997 e entrou para história como o mais bem sucedido do mercado brasileiro, acumulando alta superior a 15.000% no período.

No mercado, porém, a cautela substituiu a euforia que predominou no mercado financeiro durante a semana. Nesta sexta, a Bolsa brasileira fechou em queda. O dólar também recuou e encerrou no menor patamar desde 9 de agosto, quando a corrida eleitoral começava a se desenhar.

AMBEV

Outro executivo que também tenta se aproximar do candidato é o do presidente da Ambev, Bernardo Pinto Paiva, que em uma iniciativa discreta pediu para agendar um encontro com Bolsonaro, de acordo com pessoas próximas do candidato.

Procurada, a fabricante de bebidas confirmou a informação, mas não quis se manifestar sobre o assunto.

Segundo a assessoria de imprensa da Ambev, o executivo também procurou outros candidatos líderes de pesquisas, tanto na corrida para a Presidência quanto para os governos dos estados. 

Fonte: Tássia Kastner, Folha de S.Paulo, 5.out.2018 às 17h34


Disrupção tecnológica combina com planos de carreira? Por Leonardo Trevisan

Foto: Pixabay

A percepção parece bem clara: sobrevivência empresarial, seja qual for o setor, depende de “novos negócios”. A expectativa inclui rol conhecido de novos pilares. Inovação tecnológica é o mais citado. Robótica vem logo a seguir como mantra sagrado, resguardado algum espaço para a lembrança de que é preciso novos ecossistemas de trabalho. Este último é mencionado sempre com muito cuidado quanto ao impacto no universo de negócios tradicionais da empresa.

Nenhum canto do mundo está imune a esta mudança. Pesquisa da Accenture, divulgada em setembro, mostrou que 97% dos 141 altos executivos do Brasil, Argentina, Chile e Colômbia, dos setores de bens de consumo, serviços, indústria automotiva, química, mineração e energia, declaram ser “extremamente importante” transformar os negócios e buscar novas fontes de receita já neste próximo triênio. Deles, 64% falam em adotar novas tecnologias como estratégia prioritária.

Essa necessidade é indiscutível. Curioso é a ausência de debate sobre o que muda com “novos negócios” na estrutura organizacional do trabalho. Um fato: novas tecnologias devem mudar, por inteiro, o desenvolvimento de carreiras nas organizações. Talvez, seja obrigatório reconhecer que planos de carreira, como os conhecemos, podem não combinar mais com a disrupção tecnológica apontada como necessária.

O problema é que a mentalidade de expectativas escalonadas de cargos e salários, pensados de forma linear, está tão enraizada nas empresas quanto a demanda por inovação tecnológica. Repetir que essas projeções de carreira funcionavam no mundo pré-digital, quando o processo decisório não dependia de big data (para falarmos na Fase 1 da disrupção) é tarefa complicada. Insistir que as ideias básicas que sustentam os atuais planos de carreira são quase incompatíveis com dinâmicas produtivas baseadas em inteligência artificial parece obrigatório.

A sobrevivência do modelo mental que pressupõe protagonismo de carreira organizacional – mesmo a sustentada pelo próprio indivíduo – está algo desconectado com a flexibilidade de desempenho exigida por um mercado que obedece, apenas, aos sinais emitidos pelo Fast Data. Não há, ainda, nem na academia, nem na gestão de pessoas organizacional, preocupação relevante com repensar lógicas e dinâmicas de carreira a partir da nova realidade digital de produção.

Aliás, não são só planos de carreira que precisam ser revistos porque o mundo da produção mudou. Artigo da The Economist (disponível em https://www.economist.com/business/2018/09/29/the-annoying-habits-of-highly-effective-people) discute atitudes autocráticas de alguns chefões, inclusive das big techs. Esse texto confirma tanto a velocidade dessas mudanças, como os resultados obtidos pelos que não entendem que mundo corporativo digital quer dizer mudança de mentalidade. De todos. Sem exceção. Quem duvida pode pensar um pouco sobre o que aconteceu na Tesla. Para citar um único exemplo.

Fonte: Leonardo Trevisan, Professor da PUC-SP. Publicado no Estadão.

The annoying habits of highly effective people

ONE of the time-honoured tropes of writing on business is the detailed description of the life of a corporate titan. Readers are expected to marvel at the stamina of Tim Cook, for example. Apple’s chief executive rises at 3.45am to deal with emails. Spare a thought for his underlings, whose iPhones buzz at 4am every morning. Some subordinates may have the fortitude to sleep through it all; many will be guilt-tripped into answering the boss. Highly effective people often inflict all their idiosyncrasies upon their hapless juniors.

Perhaps the aim of admiring biographies and articles is to prompt their readers to emulate the work ethic of such leaders. But they will not reach the top of an S&P 500 firm if they do. All this columnist would achieve if he rose at 3.45am every morning is a divorce from Mrs Bartleby.

Source: The Economist Newspaper Limited 2018

Brazil’s voters worry about the integrity of their elections

Photo: AFP

ON OCTOBER 7th 147m Brazilians, scattered across an area nearly as big as the United States, will cast votes for 1,654 executive and legislative jobs, including the presidency. Brazil will know the results an hour or two after polls close. It was the first country to make voting fully electronic, in 2000. A half-million machines the size of desktop printers tally votes both in cosmopolitan São Paulo and in remote villages in the Amazon, to which they are brought by riverboat. Results from the Amazon are beamed by satellite to Brasília, the capital.

Brazilians have no reason to doubt that the vote count will be accurate. The 22 years since the country first tried electronic voting “have not produced a single solid case” of tampering that affected the results, says Gerardo de Icaza of the Organisation of American States. But in this year’s election, marked by popular disgust with the corrupt political establishment, many voters are not taking that for granted. The percentage of Brazilians who see elections as honest, which has been declining for years, has now reached a record low of 14%, according to Gallup, a pollster (see chart).

Source: The Economist Newspaper Limited 2018, Americas, | SÃO PAULO 

Discover the global trends impacting your career

The global trends impacting your career

Our special report on lifelong education analyses the most important factors shaping career paths and the future of work. Download your free report now.

Companies are embracing learning as a core skill, as technological change demands stronger and more continuous connections between education and employment. This special report delves into:

  • The role of employers who are embracing learning as a core skill
  • The return of the MOOC
  • Career planning – how to turn a qualification into a salary
  • How the emerging system of lifelong learning will do little to reduce inequality

Source: The Economist, Feb 6th 2018

Inteligência Artificial – Que tal descobrir o que temos dentro dessa caixa preta ?

De acordo com um estudo recente do IBV, 82% das empresas consideram usar Inteligência Artificial em seus negócios. Porém, 60% dos líderes temem por problemas de compliance e 63% declararam que não possuem habilidades internamente para gerenciar com confiança a tecnologia.

A Inteligência Artificial ainda é vista como uma espécie de caixa preta. As empresas não têm tanta clareza sobre como IA toma decisões, estão preocupadas se suas recomendações são isentas de qualquer viés e precisam de recursos qualificados para gerenciar tudo isso.

Para quebrar com essa barreira de adoção a IBM lançou globalmente uma tecnologia que dá às empresas uma nova transparência na IA. O novo software como serviço é capaz de aumentar a confiança na máquina ao mostrar de forma fácil como a IA toma decisões e se essas decisões podem estar enviesadas.

A nova ferramenta que roda na IBM Cloud pode ajudar clientes e parceiros não só no uso do Watson, mas também no treinamento de outras soluções cognitivas do mercado.

Veja o vídeo abaixo com explicações e um Q/A das principais questões.:

 

 

Fonte: Thiago Viola, Head of Watson & Cloud Platform Sales Brazil
MBA Cloud Computing Teacher

E-mail: thiagoviola@yahoo.com.br
LinkedIn: br.linkedin.com/in/thiagoviola
Blog: https://thiagoviola.wordpress.com/
Twitter: @ThiViola
YouTube Channel: https://www.youtube.com/user/tviola87
Slide Share: http://www.slideshare.net/ThiagoViola

Millennials e o consumo consciente: nem sempre o pensar e o agir caminham juntos por Helio Mattar

Diego Borghi, diretor-executivo da Ducati – Karime Xavier/Folhapress

Os estudos sobre o comportamento de consumo de cada geração são fundamentais para as empresas atenderem e, mais do que isso, anteciparem as demandas de cada novo grupo de consumidores. E são essenciais para os que procuram acelerar mudanças de comportamento, por exemplo, em direção a atitudes mais sustentáveis.

Para isso, é preciso não apenas buscar um entendimento mais aprofundado sobre as características do público-alvo para estreitar e impulsionar a relação de marcas e serviços com esses clientes, mas também voltar o olhar para o ambiente interno e avaliar que tipo de mensagem a empresa está transmitindo e como está sendo percebida pela comunidade, independentemente da geração à qual pertence esse consumidor.

São comuns os estudos que segmentam as gerações e, embora não seja a mais recente, a geração Y, também conhecida como millennials (pessoas, hoje, entre 23 e 38 anos), se mantém no foco das pesquisas por apontar tendências, por abraçar novos comportamentos, pela representatividade no mercado de trabalho e, consequentemente, aumento do poder aquisitivo, e também por ser grande influenciadora nas compras das residências e dos amigos.

As preferências e atitudes dos millennials, juntamente com a ruptura de alguns valores, se traduziu em mudanças nos hábitos de consumo.

Isso foi tão intenso e amplamente noticiado que acabou virando meme na internet norte-americana, em que a expressão “Millennials are killing” tornou-se manchete recorrente para se referir a alguma norma social ou a algum segmento do comércio de bens e serviços que foram “assassinados” pelos jovens dessa geração. A lista de “homicídios” passa por relacionamentos monogâmicos, por franquias de restaurantes, pela indústria hoteleira, pelo comércio de diamantes, entre outros exemplos.

Buscando entender os motivos por trás dessas mudanças, felizmente com menos sensacionalismo, há artigos que apontam para uma disposição dos millennials a ganhar menos para trabalhar em algum lugar “com propósito”, o que orienta os empresários quanto à forma de atrair e reter estes profissionais.

Outras pesquisas indicam que esse grupo gastaria mais para adquirir produtos de origem sustentável ou responsável, além de dar mais valor a experiências do que a bens materiais (escrevi sobre esse assunto aqui), uma mudança prática no comportamento dessa geração para atitudes menos materialistas frente a outras gerações.

Se essas mudanças forem intencionais, com a consciência de promover impactos mais positivos para o próprio bem-estar e para a sociedade como um todo, poderíamos concluir que essa é a geração mais social e ambientalmente consciente até o momento.

E isso talvez tenha ocorrido por ter tido mais contato, de maneira mais frequente, ampla e direcionada, com esses temas desde a infância. Isso seria, então, uma boa notícia para quem trabalha em prol do desenvolvimento sustentável, e também para as marcas que se propõem a oferecer produtos que atendam a essa demanda.

Mas podemos, realmente, tomar essas constatações de pesquisas como fatos e interpretá-las ao pé da letra?

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que a metodologia de muitas pesquisas avalia a percepção que as pessoas têm sobre si mesmas, o que não significaria, necessariamente, que as atitudes práticas serão coerentes com o discurso, mas sim que se trata de uma projeção do que o entrevistado acredita ser correto –ou do que ele acredita que a sociedade enxerga como correto– ou ainda de algo que ele pretende implementar em sua vida.

Por exemplo, uma pessoa afirmar que está disposta a pagar mais por determinado bem ou produto não significa que isso ocorra no dia a dia. No caso dos millennials, mais conectados que as gerações anteriores e, nesse sentido, mais influenciados pelas mídias sociais, pelas campanhas de marketing e pelos comportamentos de grupos que valorizam a opinião alheia sobre o que é “politicamente correto” e “socialmente bem visto”, tal afirmação pode refletir essas influências mais do que um comportamento estabelecido.

Como vivemos a era do julgamento digital, ter opinião divergente da maioria pode criar um sentimento de exclusão em relação ao grupo, o que pode ser muito desconfortável.

Por outro lado, há aparentes contradições reveladas nos resultados da pesquisa lançada pelo Instituto Akatu, em julho deste ano, a respeito de os millennials terem maior predisposição para seguir o caminho da sustentabilidade e do consumo consciente.

O estudo apontou que as gerações mais jovens, em especial os millennials, são significativamente menos conscientes em relação aos impactos de seu consumo do que as pessoas mais velhas. Esse ponto mereçe atenção, visto que tal constatação é baseada em declarações feitas pelos jovens de que determinados comportamentos são adotados.

Intrigado com esse resultado, e buscando possíveis explicações para isso, o Akatu analisou outras pesquisas e informações que pudessem explicar ou contextualizar essa possível desconexão entre valores, atitudes e consciência dessa geração. Um dos países que mais acompanha essas alterações nos hábitos de consumo entre as gerações são os Estados Unidos.

Uma análise de dados da Secretaria de Estatísticas Trabalhistas (Bureau of Labor Statistics) daquele país demonstrou que a geração Y –os millennials– está, de fato, gastando menos com produtos de perfumaria e higiene pessoal, tabaco, roupas, alimentos, entre outros. A razão para isso está ligada ao fato de seus gastos com serviços essenciais como educação, saúde, previdência privada e aluguel terem aumentado muito no período entre 1988/89 e 2015/16.

Só o gasto com educação aumentou em 154%. Em um orçamento apertado, essa geração é obrigada a fazer escolhas e o consumo de experiências, não tangível, é o caminho adotado, menos por consciência e mais por limitação financeira.

Ou seja, um fator adicional que deve ser considerado na investigação dos motivos pelo quais os millennials são “assassinos de mercados” é que, talvez, eles não sejam menos materialistas por escolha, mas porque são obrigados a gastar mais com serviços essenciais do que outras gerações o foram, restando menor disponibilidade financeira para os bens materiais.

Embora sejam dados norte-americanos, não é difícil imaginar que a situação seja parecida em outros lugares, inclusive no Brasil, onde as eventuais mudanças nos comportamentos diários dessa geração podem estar ocorrendo mais por questões externas, de um contexto mais difícil e mais multifacetado, do que propriamente por uma consciência socioambiental.

Outro ponto importante a acrescentar é que as atitudes das pessoas são diretamente relacionadas às normas sociais, que as levam a agir, sem questionamento algum, de uma certa maneira. Essa é uma tendência do comportamento humano que perpassa qualquer geração e que, muitas vezes, contribui para que as pessoas tenham atitudes que nem sempre condizem com os seus valores e que não são pautadas pela própria consciência.

Portanto, dizer que os millennials são mais conscientes parece ser precipitado. E, considerando todo esse contexto, uma conclusão parcial é que, se de um lado houve mudanças significativas nos valores e no comportamento dessa geração em direção a um consumo mais responsável, de outro lado o grau de consciência dessa população parece não ter ainda evoluído na mesma proporção.

O que isso significa? Que ser consciente é uma coisa e ter atitude mais sustentável é outra. Assim, muito provavelmente algumas dessas mudanças ocorreram, em boa parte, em função de fatores externos, por necessidade ou por percepção de uma nova norma social, e de maneira quase que inconsciente por parte das pessoas.

Dentre todos os questionamentos levantados, o que é possível afirmar, então, é que ambas as frentes –a presença de fatores externos que, de um lado, condicionam as pessoas a agirem em uma certa direção e, de outro lado, a um aumento da consciência e do engajamento– fazem com que se intensifique a busca por alternativas de consumo com menores impactos negativos associados.

De qualquer forma, é absolutamente necessário engajar as pessoas rapidamente na direção de comportamentos mais sustentáveis. Deve-se aproveitar a oportunidade já aberta pela predisposição das pessoas em agir diferente, mesmo que os comportamentos nem sempre se manifestem da forma como as pesquisas preveem.

Como o engajamento não ocorreu tão rápido quanto se esperava, houve continuidade das mudanças ambientais negativas nos últimos anos em ritmo acelerado. Nesse sentido, compreender que consumir de forma consciente não significa consumir menos, mas diferente e melhor, pode fazer toda a diferença para o bem-estar e para desenvolvimento nas relações das futuras gerações com o próximo, com o meio ambiente e com as empresas.

Helio Mattar, Diretor-presidente do Instituto Akatu, foi secretário de Desenvolvimento da Produção do Ministério da Indústria e Comércio Exterior (1999-2000).