Facebook anuncia parceria com Estadão e outros veículos para apoiar jornalismo profissional

Desde 2018, o Facebook afirma ter investido mais de US$ 600 milhões para apoiar a indústria de notícias ao redor do mundo
Desde 2018, o Facebook afirma ter investido mais de US$ 600 milhões para apoiar a indústria de notícias ao redor do mundo

Facebook anuncia nesta quinta-feira, 16, uma parceria com veículos de imprensa do Brasil, incluindo o Estadão, para apoiar o jornalismo local por meio de investimentos no setor e do impulsionamento de notícias nas redes sociais da empresa.

A companhia de Mark Zuckerberg assinou um acordo com 20 organizações de notícias brasileiras, entre elas o EstadãoFolha de S.Paulo, Grupo Abril, Grupo Bandeirantes, Grupo RBS e UOL. O intuito da iniciativa é expandir o alcance do conteúdo noticioso compartilhado nas plataformas da empresa, incluindo as chamadas “centrais de informação”, as páginas oficiais da plataforma que agrupam diversas notícias e informações sobre temas específicos, como covid, ciência e clima.

“O objetivo é aumentar o acesso à informação de qualidade e ampliar o público do Estadão, reforçando o propósito de gerar impacto positivo na vida das pessoas e do País, através de uma relação próxima e de confiança com a sociedade, por meio de conteúdos úteis, confiáveis e relevantes. É também uma forma de ampliar nossos esforços no combate à desinformação, um dos maiores problemas atuais, através do nosso jornalismo”, afirma o diretor executivo de estratégias digitais do Estadão, Leonardo Contrucci.

“Estamos comprometidos em apoiar o ecossistema de notícias no Brasil e felizes em anunciar nosso investimento e colaboração contínua com veículos e associações no País”, acrescenta a diretora de parcerias de notícias do Facebook para a América Latina, Claudia Gurfinkel.

O Facebook também irá investir cerca de US$ 2,6 milhões em projetos desenvolvidos em parcerias com associações de notícias, como a Associação de Jornalismo Digital (Ajor), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ), além do International Center for Journalists (ICFJ).

O objetivo da rede social é apoiar as organizações de notícias na transformação digital, criando modelos de negócio sustentáveis, buscando novas audiências e fortalecendo a cobertura jornalística pelo Brasil.

Em parceria com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o Facebook pretende treinar jornalistas e estudantes de comunicação pelo terceiro ano consecutivo — desde 2019, a união entre a associação e a empresa já criou mais de 10 mil vagas de treinamentos pelo País.

Ainda, pelo quarto ano, a gigante das redes sociais irá auxiliar na elaboração do “Atlas da Notícia”, estudo sobre a presença do jornalismo local no Brasil feito pelo Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor). 

Desde 2018, o Facebook afirma ter investido mais de US$ 600 milhões para apoiar a indústria de notícias ao redor do mundo, com a meta de desembolsar mais US$ 1 bilhão nos próximos três anos.

Fonte: Redação Link – O Estado de S. Paulo, 16/09/2021.

Campari tenta fugir da fama de ‘bebida de velho’

Negroni
Negroni: alvo da Campari para crescer em drinques Foto: Codo Meletti|Estadão

Para uma empresa centenária sobreviver, ela precisa se transformar sempre para não ficar para trás da concorrência. O Grupo Campari, com mais de 160 anos de história e marcas como a própria Campari, o Aperol Spritz e o conhaque Dreher, vem tocando uma mudança na sua operação brasileira para recuperar participação no mercado local, mas também para tentar atrair jovens para consumir as suas bebidas – boa parte delas com sabor bem amargo. Resumidamente, a Campari quer ser menos vista como uma marca de bebida apreciada pelos mais velhos.

Para fazer essa mudança, a Campari contratou em abril o executivo Gustavo Rela Bruno como diretor-geral no País – depois de ter passado os últimos três anos como um dos principais executivos da fabricante de brinquedos Mattel na América do Sul. Além de deixar a marca mais jovem, ele também tem a missão de reverter uma queda na participação de mercado de destilados. Segundo dados da Euromonitor, a Campari saiu de um fatia de 7,7% no Brasil, em 2015, para 6,7% no ano passado. “A minha missão é fazer essa transição”, diz Bruno. 

O caminho escolhido para contornar essa situação é a mixologia, que é a prática de preparação de coquetéis, e a educação de bartenders, rota similar à tomada por rivais como a Diageo, dona do uísque Johnnie Walker, e a Pernod Ricard, da vodca Absolut. Em julho deste ano, a empresa lançou a Campari Academy, espécie de plataforma educacional para impulsionar receitas realizadas com as bebidas da marca.

A empresa quer surfar melhor a onda do crescimento dos coquetéis e de um em particular: o negroni, feito com o próprio Campari, vermute e gim. Não por acaso, em junho, a empresa criou um desafio do melhor negroni do Brasil, que atraiu mais de 300 bartenders e agora está na disputa entre os dez melhores. Entre os avaliadores está o chef Henrique Fogaça, dono do restaurante Sal e também um dos jurados do programa Masterchef.

Professor de marketing da ESPM, Alan Kuhar afirma que as empresas de destilados precisam entrar de cabeça no mercado de coquetéis, pois o consumo por aqui é bem diferente do estilo de outros mercados. “Na Europa, por exemplo, existe uma cultura da bebida de aperitivo e do drinque digestivo. Os coquetéis são um caminho mais natural para a expansão no mercado brasileiro”, diz Kuhar. 

Pensando nisso, a Campari quer popularizar mais os drinques que levam as suas bebidas. Hoje, os principais carros-chefe são o negroni e o Aperol Spritz, um portfólio que Bruno quer aumentar – inclusive para ampliar as vendas do gim Bulldog e da cachaça Sagatiba. Porém, a Campari não quer deixar de lado as classes de menor poder aquisitivo, que se tornaram grandes consumidores das marcas. 

Mesa de bar

Em qualquer boteco de periferia que se preze, as bebidas do grupo estão expostas nas prateleiras, seja o próprio Campari, o conhaque Dreher e o licor Cynar. Este último, inclusive, é o ingrediente-chave para um dos coquetéis mais consumidos no Brasil, o rabo de galo, que leva Cynar e cachaça. Aliás, o nome “rabo de galo” vem de uma tradução literal para “cocktail”. 

De acordo com Bruno, a empresa também quer começar a fazer um trabalho mais forte com os bares mais populares para mostrar a rentabilidade que essas bebidas podem ter, ainda mais em um momento em que tantos estabelecimentos fecham as portas. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), mais de 300 mil estabelecimentos encerraram as atividades desde o início da pandemia. “A ideia é mostrar que os drinques podem ser parceiros. Imagine um dono de bar que fez um rabo de galo e gastou R$ 1,60 para colocar as doses de Cynar e cachaça. Se ele vender por R$ 3, é um lucro de quase 100%. “Somos a marca com um portfólio de destilados para todos os bolsos.”

Fonte: André Jankavski, O Estado de S.Paulo, 06 de setembro de 2021

Mulheres lideram entre celebridades mais influentes

Iza
Cantora Iza tem atributos de solidariedade e empatia, segundo a Ipsos. Foto: Rodolfo Magalhães

Dois anos e uma pandemia podem mudar muita coisa – até admiração que as pessoas nutrem pelas celebridades. É o que mostra a terceira edição do estudo “Most Influential Celebrities” (Celebridades mais influentes), feito pela empresa Ipsos, de pesquisa de mercado.

Dos mais influentes de 2019 – um grupo que incluía o jornalista Evaristo Costa, o ator Paulo Gustavo (que morreu em maio), a cantora Ivete Sangalo e as atrizes Paola Oliveira e Juliana Paes –, só a compositora baiana continuou no ranking. Desta vez, a cantora Iza aparece na liderança, seguida pela modelo Gisele Bündchen, Ivete, Juliette Freire (vencedora do Big Brother Brasil 21) e, na quinta posição, a atriz global Jéssica Ellen. 

A pesquisa da Ipsos realizou 6 mil entrevistas na primeira semana de julho, com 2 mil pessoas maiores de 16 anos, pela internet. “Passamos de um ranking liderado por homens – e majoritariamente branco – para um no qual figuram só mulheres, duas negras, duas nordestinas e uma conhecida por defender a pauta da sustentabilidade”, diz Cíntia Lin, diretora da área de pesquisas em comunicação da Ipsos no Brasil. “Isso mostra o quanto nesses dois anos as pessoas mudaram, o quanto o olhar do consumidor evoluiu”, diz a executiva.

As marcas adoram pegar carona na fama e nas características das celebridades. É como se o famoso abrisse as portas da casa do consumidor para a marca. Mas a admiração das pessoas pelos famosos muda toda hora. É por isso que grandes anunciantes encomendam esse tipo de pesquisa. E num período em que a vida das pessoas se transformou drasticamente por conta da pandemia, o levantamento ganha ainda mais importância.

Na edição anterior, por exemplo, figuras da TV e principalmente das novelas eram as mais admiradas. Agora, ganha destaque quem se posiciona mais nas redes sociais, principalmente no YouTube – canal pelo qual, segundo a Ipsos, 74% das pessoas seguem as celebridades. Em seguida, vêm o Instagram (66%), o Facebook (54%) e o Tik Tok (46%); a TV aberta aparece com 39%.

A queda do primeiro colocado de 2019, Evaristo Costa, ilustra bem essa mudança de meio: agora, ele está na 15ª posição. “Geralmente, quem está aparecendo na TV no momento ganha muita influência. Mas, como a maior parte das novelas nesse período eram repetidas, conquistaram mais espaço as personalidades da internet e também as dos reality shows.” 

Efeito ‘BBB’

O BBB, no entanto, teve um papel fundamental nesta edição. Como diz o próprio nome, esse gênero mostra a realidade da pessoa, sem filtros. Diferentemente das redes, onde o famoso faz pose e edita fotos, no reality conflitos aparecem. É por isso que, entre as pessoas “menos influentes” do ranking (que avaliou 200 nomes), estão, em primeiro lugar, a cantora Karol Conká, seguida do rapper Projota, do ator Fiuk e do cantor Rodolffo – todos do BBB 21. 

“O Fiuk, por exemplo, se vitimizou muito no BBB”, diz a especialista. E isso vai contra dois dos atributos que as pessoas mais amam nas celebridades: o sucesso e a autenticidade. Alegria, carisma e a confiança também contam muito. Já Karol Conká fomentou a cultura do cancelamento e saiu muito rejeitada. Foi contra os atributos de alegria e autenticidade. Outra pessoa que também não figurou bem no ranking desta vez foi a atriz Juliana Paes. Tombou do 5º lugar, em 2019, para o 47º. 

Por isso, o comportamento dos famosos na pandemia também foi levado em conta na avaliação dos atributos de cada influenciador. Contaram quesitos como solidariedade e empatia, nos quais se destacaram o humorista e youtuber Whindersson Nunes e a apresentadora Ana Maria Braga, além de Iza.

“Nunca imaginei que eu estivesse presente em uma pesquisa como essa, e me sinto muito honrada de verdade”, diz Iza. “Em tempos de pandemia, quando todo mundo começa a se questionar se está tudo bem e se estamos no caminho certo, receber esse tipo de validação é um impulso muito grande”, afirma a cantora.

Iza já fez propaganda para várias marcas. Seus contratos vigentes incluem Universidade Anhanguera, PicPay, Garnier, Tim, Devassa, Smirnoff, Olympikus, Risqué e Valisere. “A Iza é uma artista que fala com diferentes públicos, independentemente de faixa etária e classe social”, diz o empresário da cantora, Rafael Rossatto. 

Já a veterana do ranking, Ivete Sangalo, tem contratos com Britânia, pilhas Panasonic, Vivo, Huawei, Plié, Piracanjuba, Perdigão, Gerovital, Ali Express, Neutrox e Wella. “A forma espontânea com que Ivete leva a vida, nas mais diversas circunstâncias, a torna mais próxima ainda das pessoas”, diz Fábio Almeida, empresário da cantora e sócio-diretor da Iessi, empresa que ele tem junto com Ivete. 

Fonte: Lílian Cunha, Especial para o Estadão, 30 de agosto de 2021

Tendência de concentração e competitividade serão obstáculos do varejo nos próximos anos

Comércio da 25 de março
Pequenos varejistas terão de se proteger de tendência de concentração. Foto: Alex Silva/Estadão – 24/6/2021

Nos próximos três anos, a vida no varejo não será fácil: a competitividade e a concentração das empresas devem aumentar, enquanto a rentabilidade do negócio deve cair. Uma das saídas para esse cenário mais hostil traçado pelos próprios empresários do setor é avançar no comércio online. A digitalização, iniciada na “marra” por muitos varejistas por causa da pandemia, virou mote de sobrevivência.

Isso é o que revela a segunda edição da pesquisa para saber qual será o futuro do varejo, feita pelo do Centro de Excelência em Varejo da FGV/SP em parceria com a Gouvêa Experience. Os resultados serão apresentados hoje no Latam Retail Show 2021, o maior evento do setor.

Concluída na primeira semana deste mês, a pesquisa ouviu mais de 150 executivos, a maioria em cargos de direção e presidência de grandes companhias de diferentes segmentos. De acordo com a pesquisa, 87% dos entrevistados acreditam que o nível de competitividade no varejo deve aumentar. É um avanço de 8 pontos porcentuais em relação a 2020.

Também mais da metade deles (52%) espera queda na rentabilidade das vendas. E 63% acreditam que a fatia das cinco maiores varejistas deve crescer. 

“Os três pilares pioraram em relação ao ano passado”, afirma Maurício Morgado, chefe do centro de varejo. Muitas empresas quebraram ou deixaram de operar em 2020 por causa da pandemia. E as que sobraram passaram a ter de competir com as gigantes que são ecossistemas. Estas travam uma disputa acirrada por preço, serviço e pela melhor entrega. Fora isso, o pano de fundo é uma economia que dá sinais de que não deve se recuperar rapidamente, com um consumidor mais exigente e comprando online.

Um ponto que chama atenção é a alta representatividade das vendas online. A crença dos varejistas é que o e-commerce responda por quase 35% as vendas do seu setor em três anos. “É um número surpreendentemente alto”, diz Eduardo Yamashita, diretor de operações da Gouvêa Ecosystem.

Essa marca é alcançada só pela China. No Reino Unido e na Coreia do Sul, a fatia do e-commerce no varejo total é de 22%. E nos EUA, no Canadá e na França está na faixa de 10%. No Brasil, o total do e-commerce chegou a 5% com a pandemia. Mas, dependendo do segmentos, está em 30%, como em eletroeletrônicos. A perspectiva, diz, é de que o online responda por 10% das vendas em seis anos.

‘Me chama no WhatsApp’

Morgado diz que a chacoalhada provocada pela pandemia que fez avançar o braço digital deve, a partir de agora, crescer ainda mais e também se sofisticar. “O me chama no WhatsApp não basta e para virar o jogo.”

É preciso começar a tocar o negócio de uma forma menos intuitiva e mais científica, baseada em dados. É exatamente nessa direção que a quase cinquentenária Caedu, rede de artigos de vestuário para classe C, com 67 lojas na Grande São Paulo, está caminhando. Antes da pandemia, a rede não vendia online, conta a presidente do Conselho de Administração, Leninha Palma.

Com o lockdown, a rede começou a vender por WhatsApp, que chegou a representar o faturamento de uma loja média. Em setembro, a companhia já estava com o próprio site. Agora, estrutura o banco de dados para conhecer os clientes.

Leninha quer ingressar num marketplace e criar o próprio ecossistema. Hoje, a lição de casa da varejista é respaldar cada passo com dados sobre a clientela. “Não existe mais aquele comércio de abrir as portas, deixar a loja bonita e ficar esperando o cliente”, afirma.

Fonte: Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo, 16 de setembro de 2021.

Walmart vai fazer entregas sem motorista ainda neste ano, em parceria com a Ford

Walmart — Foto: AP Photo/Elise Amendola

O Walmart fechou uma parceria com a Ford e com a startup de direção autônoma Argo AI para lançar um serviço de entrega sem motorista em três cidades dos Estados Unidos.

Os testes começarão em três cidades ainda este ano: Miami; Austin, Texas; e Washington, disse a Argo em comunicado na quarta-feira. A Ford entra na parceria com seu modelo híbrido Escape equipado com a tecnologia de direção autônoma da Argo para entregar produtos alimentícios e outras mercadorias no que é anunciado como o primeiro serviço de direção autônoma multicidades do Walmart.

O Walmart, maior varejista do mundo e líder em logística, tem redobrado a aposta na possibilidade de entregar produtos por robôs. Também está testando entregas sem motorista com a Cruise, da General Motors, Waymo, da Alphabet, com a startup de entregas autônomas Nuro, e com a empresa de entrega autônoma Gatik. Com a expansão das compras online impulsionando a demanda, analistas dizem que entregas autônomas pode se tornar um mercado de US 1 trilhão.

Oferecer entrega em três cidades densamente povoadas dos EUA é o que distingue a parceria Argo-Ford de outros programas piloto de direção autônoma do Walmart, disse Cynthia Kwon, vice-presidente de estratégia da Argo.

O teste começará com uma loja do Walmart por cidade e será entregue em uma região geográfica limitada ao redor de cada unidade, disse Kwon. Os consumidores farão o pedido dos produtos e terão a opção de que sejam entregues de forma autônoma, desde que haja alguém em casa para recebê-los. Não haverá cobrança extra para a entrega sem motorista, disse Kwon.

Fonte: Valor, Bloomberg, 15/09/2021

Bancos terão que incluir mudança climática em gerenciamento de riscos até julho de 2022

Presidente do BC, Roberto Campos Neto, durante coletiva de imprensa na sede do Banco Central, em Brasília – Adriano Machado – 9.jan.2020/Reuters/File Photo

O BC (Banco Central) publicou, nesta quarta-feira (15), uma série de medidas ESG (sigla em inglês para boas práticas ambientais, sociais e de governança) para instituições financeiras. Uma delas obriga a inclusão de mudanças climáticas no gerenciamento de riscos dos bancos a partir de julho de 2022.

Com a mudança, o BC passa a exigir que os bancos incorporem potenciais perdas com choques climáticos no cálculo de riscos, que impacta, por exemplo, análises para concessão de crédito.

O documento cita condições climáticas extremas, incluindo seca, inundação, enchente, tempestade, ciclone, geada e incêndio florestal. Além disso, o BC elenca alterações ambientais permanentes, como aumento do nível do mar, escassez de recursos naturais, desertificação e mudança em padrão pluvial ou de temperatura.

Os bancos devem monitorar os eventos ambientais e criar iniciativas de prevenção, incluindo essas questões em testes de estresse –quando é simulado o pior cenário econômico e como o sistema financeiro se comportaria.

As medidas geram efeitos práticos dentro do balanço financeiro dos bancos. Resultados ruins nos testes de estresse, por exemplo, vão requerer mais capital para fazer frente aos riscos.

As instituições financeiras já tinham que incluir questões sociais e ambientais no cálculo de riscos, mas não havia a obrigação de mensurar mudanças climáticas especificamente.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que os riscos climáticos afetam a economia em diversas frentes.

“Choques ambientais e climáticos podem afetar a taxa de inflação. Esses choques são difíceis de prever, afetam a oferta e, assim, são mais difíceis para a política monetária”, disse.

“De fato, no período recente temos presenciado diversos choques climáticos adversos com impactos negativos sobre a inflação, como ondas de calor, geadas, secas e outros eventos têm afetado os preços de alimentos e energia”, pontuou o presidente do BC.

Campos Neto destacou ainda que esses choques podem ter efeitos duradouros. “Afetam a produtividade e o crescimento econômico de longo prazo, e a taxa de juros neutra”, disse.

Segundo o titular do BC, um dos efeitos da vulnerabilidade do sistema financeiro aos choques climáticos é a mudança na avaliação de ativos, que geram perdas.

O BC também determinou que os bancos elaborem e divulguem uma Política de Responsabilidade Social, Ambiental e Climática e estabeleceu critérios.

Antes, as instituições eram obrigados a criar suas políticas de responsabilidade social e ambiental –sem a exigência de incluir o clima–, mas não havia determinação sobre os critérios que deveriam utilizar.

As normas trazem ainda mudanças em processos internos do BC, como redução do impacto ambiental nos meios circulantes (produção e distribuição de papel-moeda) e a publicação anual de um relatório de riscos socioambientais para prestação de contas. O primeiro foi publicado nesta quarta.

As resoluções criam critérios de sustentabilidade para a seleção de contrapartes na gestão de reservas internacionais a partir de dezembro deste ano.

Além disso, o BC vai criar uma linha financeira de liquidez sustentável, uma espécie de empréstimo para bancos, a partir de novembro deste ano.

O tema sustentabilidade foi incluído na agenda institucional do BC em setembro do ano passado, após pressão de investidores e empresas por uma retomada econômica mais sensível às causas ambientais. Em outubro, Campos Neto admitiu que risco climático faz com que o Brasil receba menos recursos de estrangeiros.

Entre as medidas também está a criação do Bureau de Crédito Rural Sustentável, que cria critérios sociais, ambientais e climáticos na concessão de financiamentos ao setor agrícola a partir de dezembro de 2022, e medidas de incentivo à implementação desses critérios.

Fonte: Larissa Garcia, Folha de S.Paulo, 15.set.2021 às 11h29. Atualizado: 15.set.2021 às 12h29

Facebook sabia que mudança de algoritmo aumentou desinformação, diz jornal

mudança de algoritmo do Facebook anunciada em janeiro de 2018 aumentou a desinformação, a violência e os conteúdos agressivos na rede social, de acordo com reportagem publicada nesta quarta-feira (15) no Wall Street Journal. Esse resultado foi inesperado, mas a empresa teria resistido a resolver o problema.

A notícia faz parte de uma série de reportagens que o jornal americano está publicando com base em documentos internos da big tech aos quais diz ter obtido acesso.

Segundo os documentos, os funcionários já haviam alertado a empresa de que os efeitos estavam sendo contrários ao esperado. Uma pesquisa interna teria registrado que conteúdos tóxicos, violentos e de desinformação eram muito comuns entre os compartilhamentos.

Em 2018, já imersa em polêmicas sobre os potenciais danos à saúde mental dos usuários e a disseminação de notícias falsas, a companhia dizia que o objetivo da mudança do algoritmo era aumentar as interações entre familiares e amigos e diminuir o consumo passivo, que envolvia conteúdos jornalísticos.

A reportagem afirma que esse não foi o único motivo, no entanto: à época, o Facebook estaria enfrentando um momento de baixas interações, o que explicaria a inação da empresa frente às conclusões da pesquisa.

Os funcionários responsáveis teriam proposto uma série de medidas para reverter os efeitos negativos da mudança.

Em 2020, uma das funcionárias do Facebook, Anna Stepanov, teria escrito a colegas após uma reunião com Mark Zuckerberg, fundador e presidente-executivo da rede social, que ele não estava disposto a aceitar as propostas se elas fossem reverter os impactos da mudança de algoritmo.

Há um mês, a empresa anunciou que estava colocando menos peso em compartilhamentos ou comentários de conteúdos políticos.

Em entrevista, o vice-presidente de engenharia do Facebook, Lars Backstrom, disse que qualquer algoritmo pode acabar promovendo conteúdo danoso ou questionável para parte dos usuários.

“Como qualquer otimização, poderão arranjar maneiras de explorar e tirar proveito”, disse. “É por isso que temos uma equipe de integridade que está tentando rastreá-las e descobrir como mitigá-las da forma mais eficiente possível.”

Fonte: Daniela Arcanjo, Folha de S.Paulo, 15.set.2021 às 14h06

Americanas anuncia aquisição da Skoob, maior rede social para leitores do País

RIO – A Americanas – resultado da fusão de Lojas Americanas e B2W (Americanas.com, Submarino, Shoptime e Sou Barato) – acaba de anunciar a compra da Skoob, maior plataforma digital para leitores do País, com mais de 8 milhões de usuários. O valor da operação não foi revelado.

Lançada em 2009, a Skoob tem entre suas funcionalidades uma biblioteca virtual que permite a organização de leituras (concluídas e desejadas), além do acesso a resenhas e avaliação de obras. É possível interagir com leitores, editoras e autores. A plataforma e o app permitem interatividade com outras redes sociais.

Segundo a Americanas, as avaliações de livros (reviews) funcionam como alavancas de vendas, aumentando em até 40% a conversão da categoria de livros. E a Skoob tem mais de 45 milhões de reviews de obras feitas por seus usuários, que são, majoritariamente, jovens na faixa etária de 16 a 34 anos.

Além disso, o segmento de livros se destaca no e-commerce brasileiro como uma porta de entrada de novos clientes, com um CAC (custo de aquisição de cliente) 3,6 vezes menor do que a média. A frequência de compras seria 50% maior que a média. O aumento da recorrência é um dos objetivos da Americanas.

A aquisição, realizada por meio da IF Capital, motor de inovação e aquisição da Americanas, está alinhada com os objetivos da empresa de ser mais presente no dia a dia dos clientes e oferecer a melhor experiência de consumo, engajando os clientes com mais conteúdo e gerando efeito de rede.

Fonte: Bruno Villas Bôas, O Estado de S.Paulo, 15 de setembro de 2021 | 18h16

Com o Brasil quase falido, é preciso repensar os gastos públicos, diz Arminio Fraga

Arminio Fraga
Arminio Fraga prega avaliação de desempenho para servidores públicos. Foto: Jota

O economista Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, afirmou hoje que, quantitativamente, o Estado brasileiro está em situação pré-falimentar e que é preciso repensar as prioridades dos gastos públicos para mudar essa situação. “Algo precisa acontecer, pois hoje essas prioridades espelham a captura do Estado, o sistema político nacional”, destacou ele, em evento do grupo ‘Derrubando Muros’, movimento que reúne empresários, investidores, políticos e intelectuais em oposição ao governo de Jair Bolsonaro.

Para Arminio, a comparação internacional mostra que o Estado brasileiro é grande para um País de renda média. Avaliando os dados pré-pandemia, o gasto ficou entre 30% e 35% do Produto Interno Bruto (PIB). Nesse cenário, os gastos sobem e os investimentos caem. “O Brasil tem uma característica fora da curva global. Quase 80% de seus recursos são gastos com folha de pagamento e previdência. Esse número supera em uns 20% o topo dos demais países.”

Junta-se a isso o fato de o déficit primário estar negativo desde 2014. Isso significa que o Brasil está tomando dinheiro emprestado para pagar juros, o que eleva ainda mais a dívida, hoje acima de 90% do PIB. “Esse é um número alto para um país com a nossa história.” Na avaliação de Arminio, em algum momento será preciso encarar os problemas de frente e repensar as prioridades dos gastos. Trazer o saldo primário para o terreno positivo não será suficiente para equilibrar a situação, disse o ex-presidente do BC.

Mas ele disse acreditar que um governo bom e com projeto desenhado conseguirá colocar o País nos trilhos do crescimento. Hoje, diz o economista, há espaço para crescer em todas as áreas e melhorar os serviços. “Precisamos evoluir muito. Estamos há 40 anos com crescimento muito baixo, mesmo nos melhores momentos, como FHC e Lula (1.º governo). A pergunta que temos de fazer é por que nós, como nação, não conseguimos nos organizar e fazer melhor as coisas de forma inclusiva e sustentável?”

Em relação à reforma do Estado, Arminio afirmou acreditar que é possível atacar o problema de forma rápida e eficaz com instrumentos já existentes. Um desses caminhos está na Constituição e permitiria avaliar o servidor público. “Não consigo entender como não se avalia um servidor público. Isso está há 23 anos esperando.”

O economista disse que, no geral, o Estado pouco planeja, administra mal e quase não avalia. “É fundamental que se crie uma cultura de justificar tudo que se faz. É preciso administrar com rigor e avaliar. O Brasil preciso de um modelo de RH para melhorar as coisas.”

Tradicionalmente otimista com as questões políticas e econômicas do País, Arminio disse que infelizmente “chegamos a um ponto em que temos de contar um pouquinho mais com a sorte para as coisas darem uma ajeitada”. Mas ele ainda disse acreditar que há tempo para encontrar uma terceira via, mesmo que seja para melhorar o debate eleitoral. “No curto prazo, não é para se desesperar, mas é preciso se preocupar com certeza.”

Fonte: Renée Pereira, O Estado de S.Paulo, 14 de setembro de 2021

Impact and Influence of Shell Scenarios

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