A negligência do Shopping Center Norte

Isabella Menta Braga*

As 331 lojas que ocupam os 110 mil metros quadrados do Shopping Center Norte, bem como seus restaurantes e demais estabelecimentos, terão que fechar suas portas até o próximo dia 30 de setembro. A partir das 12h, quando se esgota o prazo de 72 horas determinado pela Prefeitura de São Paulo, nada poderá funcionar no local. A determinação da Prefeitura para que o shopping interrompa por completo suas atividades foi exarada no último dia 29 de setembro.

A decisão foi adotada após o shopping não ter cumprido as exigências impostas pela CETESB – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental – no sentido de que fosse instalado no subsolo um sistema de extração de gases, visando a afastar o risco de explosão na área do empreendimento, o que culminou com a aplicação de multa de R$ 2 milhões pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente.

Considerando que passam pelo local, diariamente, cerca de 80 mil pessoas, número esse que atinge os 120 mil durante os finais de semana, e que não existe previsão de reabertura, como fica a situação dos donos dos estabelecimentos instalados no shopping? O que eles devem fazer, já que, do dia para a noite, terão que encerrar suas atividades e perderão todos esses clientes, faturamento e vendas?

É do conhecimento da maioria que aquele que causar dano a outro deve repará-lo, e ao caso do Shopping Center Norte se aplica essa hipótese. Ciente da situação, dos riscos e da necessidade de adotar providências, desde 2010, o shopping não deu ouvidos às autoridades e às medições e manteve seu funcionamento, chegando ao ponto de ser multado.

O que se pode afirmar é que o Shopping Center Norte agiu com negligência e imprudência. Ou seja, sem as devidas cautelas, com falta de atenção e da reflexão necessária, e deixou que a situação chegasse ao ponto que agora se apresenta.

Tendo adotado tal postura e assumindo o risco de suas decisões, não pode o Center Norte pretender que todos aqueles que têm estabelecimentos comerciais naquele empreendimento fiquem de braços cruzados.

Certamente, todos que têm suas atividades comerciais ligadas ao shopping terão seu faturamento impactado pelo fechamento. E, levando-se em conta que não contribuíram para que isso ocorresse e que sequer sabiam do risco que estavam correndo, podem e devem buscar seu direito de reparação dos danos.

A culpa do shopping pela situação que se instalou e se agrava a cada dia faz surgir para os lojistas o direito de pleitear judicialmente todos os valores que vão deixar de lucrar em razão do fechamento. Valores que podem ser determinados com base na média mensal de faturamento.

Aliás, os danos não se restringem somente ao faturamento, já que os comerciantes têm contratos assinados com produtores, fornecedores e distribuidores, cujo inadimplemento poderá acarretar ainda maiores danos. Vale lembrar também os valores com os quais terão que arcar com a dispensa de funcionários, já que não poderão ser mantidos por tempo indeterminado, até a reabertura do shopping.

Todos esses valores podem ser demandados perante o Poder Judiciário. É certo que o shopping irá utilizar todas as medidas jurídicas a fim de impedir seu fechamento e emitir notas de esclarecimentos no sentido de que está tomando as medidas e providências necessárias à regularização da situação.

Porém, certo também é que muitos consumidores deixaram de frequentar o Shopping Center Norte por receio daquilo que poderia acontecer, o que, certamente, já afetou as vendas e o faturamento, sendo de direito de todos aqueles que foram afetados a recuperação desses valores.

Além de tudo que já foi colocado aqui, poderíamos pensar no abalo da credibilidade sofrido pelos lojistas, nos danos à saúde aos quais foram expostos os frequentadores do shopping, especialmente com a utilização dos estacionamentos, valores que foram investidos pelos donos dos estabelecimentos quando da abertura de seus negócios. Enfim, várias são as consequências da situação que há bastante tempo é conhecida pelo Center Norte, mas deixemos isso para uma próxima oportunidade.

* Isabella Menta Braga é advogada especialista em Processo Civil pela PUC-SP e sócia fundadora do escritório Braga & Balaban Advogados – isabella.braga@bragabalaban.com.br

BlogCaso – A Comunicação e a Gestão de Crise: Cetesb diz que falta prazo para laudo e Shopping Center Norte pode fechar

Técnicos usaram detectores de gases portáteis

Em Comunicação Integrada de Marketing, Duda Pinheiro e José Gullo, escrevem que “o comportamento de uma pessoa, é influenciado pela sociedade como um todo, pelos valores e crenças que formam sua cultura e pelos agentes (públicos) com os quais convive e se relaciona. É um sistema amplo e complexo, afirmam os autores.

Por esse motivo, é muito difícil para as ferramentas de comunicação, atuar com efetividade em suas missões de divulgar, promover e dar suporte às vendas de produtos/marcas, continuam os autores.

E acrescentam “nesse sentido, a credibilidade, a naturalidade e a espontaneidade são características fundamentais para obter-se a confiança dos consumidores.”

Neste fato apresentado pela CETESB referente ao Shopping Center Norte, podemos estudar e ver as aplicações possíveis, dos conceitos para orientar o desenvolvimento de planos de comunicação de marketing, e das atividades de relações públicas, em particular.

Vale lembrar que relações públicas, segundo Duda Pinheiro e José Gullo, é uma ferramenta constituída por uma variedade de técnicas que são utilizadas para elevar e proteger a imagem de uma empresa, de seus produtos e de suas marcas. E acrescentam, as mensagens de rp baseiam-se em duas características fundamentais:

  1. Credibilidade
  2. Atmosfera natural e espontânea
Leia matérias e comunicados da CETESB sobre os fatos ocorridos:
28/09/2011 – 17h03

EDUARDO GERAQUE
DE SÃO PAULO

O shopping Center Norte, na Vila Guilherme (zona norte de São Paulo), pode ser fechado na próxima sexta-feira se a prefeitura mantiver seu discurso de que apenas uma posição oficial da Cetesb impede a interdição do local. A administração municipal quer laudo atestando que o risco potencial de explosão no local está controlado.
Leia mais ao clicar aqui.

20/09/2011

CETESB vistoria Shopping Center Norte e mantém multa diária

Técnicos constataram, nesta terça-feira, que sistema de extração de gases ainda não foi instalado

Técnicos do Departamento de Áreas Contaminadas, do Setor de Atendimento a Emergências e da Agência de Santana, da CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, estiveram hoje, 20/09, vistoriando o Shopping Center Norte, na zona norte da capital, e constataram o não atendimento à exigência de instalação do sistema de extração de gases, visando afastar o risco potencial de explosão na área do empreendimento. Por isso, a CETESB manteve a aplicação de multa diária, no valor correspondente a R$ 17.450,00, que se iniciou ontem, 19/09.

Os técnicos da CETESB procederam a medições em redes subterrâneas, lojas e poços de monitoramento de gases nos corredores internos do centro de compras e lazer. Realizaram o monitoramento de índices de  explosividade e encontraram índices de 100% do Limite Inferior de Inflamabilidade em vários pontos de monitoramento, incluindo uma pilastra no meio dos corredores internos do shopping, junto a uma tomada de energia elétrica, que motivou o imediato desligamento da energia e a instalação de um sistema de exaustão para diminuir a concentração de gases.

A aplicação da multa diária, válida pelo período de 30 dias, teve início ontem, 19/09, e persistirá até que a direção do Shopping atenda às exigências da CETESB, que consistem não só na implantação do sistema de extração dos gases, como também na complementação da investigação detalhada e da avaliação de risco nas áreas do Center Norte, Lar Center e supermercado Carrefour, e, ainda, implementar os Planos de Monitoramento, de Comunicação e Gerenciamento do Risco e Contingência.

Texto: Mário Senaga. Fotografia: José Jorge

19/09/2011

CETESB aplica multa diária ao Shopping Center Norte

Multa diária é de R$ 17.450,00, por não atender às exigências da agência ambiental

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo – CETESB aplicou multa diária de R$ 17.450,00 ao Shopping Center Norte, localizado na zona norte da capital, por não ter atendido exigência de implantar sistema emergencial de drenos de extração de gases, medidas de intervenção necessárias para afastar o risco potencial de explosão na área do empreendimento. A área do Shopping, ao lado da Marginal Tietê, entrou para a Lista de Áreas Contaminadas Críticas da CETESB, em função da existência de gás metano no terreno, que durante décadas – antes da construção do centro de compras e lazer – , serviu como depósito de lixo.A emissão da multa diária foi feita na última sexta-feira, 16/9, e persistirá até que a direção do Shopping atenda às exigências da CETESB, que consistem não só na implantação do sistema de extração dos gases, como também na complementação da investigação detalhada e da avaliação de risco nas áreas do Center Norte, Lar Center e supermercado Carrefour, e, ainda, implementar os Planos de Monitoramento, de Comunicação e Gerenciamento do Risco e Contingência.Representantes da empresa de consultoria ambiental contratada pelo Shopping, acompanhados pelos advogados do empreendimento, estiveram reunidos hoje (19/9) na sede da CETESB, para conversarem previamente sobre as medidas de intervenção que ainda serão apresentadas para avaliação da agência ambiental.

16/09/2011

Shopping Center Norte entra para a lista de Áreas Contaminadas Críticas

Empreendimento permanecerá nessa classificação até que a situação seja considerada sob controle

A área do Shopping Center Norte, ao lado da Marginal Tietê, na capital paulista, entrou para a Lista de Áreas Contaminadas Críticas da CETESB. A área havia sido inserida no Banco de Áreas Contaminadas, em 2004, como Área Suspeita – AS, e posteriormente, em 2011, sua classificação foi atualizada para Área Contaminada sob Investigação – AI, em função da existência de gás metano no terreno, que durante décadas – antes da construção do shopping, no início dos anos 80 – , serviu como depósito de lixo.

Conceitualmente, a classificação como área contaminada crítica refere-se aos locais que, em função dos danos causados ou dos riscos que oferecem, geram inquietação na população ou conflito entre os atores envolvidos, havendo a necessidade de um procedimento de gerenciamento diferenciado que contemple a definição de estratégias de intervenção, de comunicação de risco e de gestão da informação. A coordenação das ações relativas a essas áreas é realizada pelo Grupo Gestor de Áreas Contaminadas Críticas – GAC, da CETESB.

Segundo os membros do GAC, os responsáveis pelo Shopping Center Norte já foram autuados e há exigências de caráter emergencial ainda não cumpridas, como a instalação de drenos para o gás metano em toda a área do empreendimento, objetivando afastar quaisquer eventuais riscos de explosividade, em consequência de uma concentração do gás em espaço confinado.

A área foi objeto de disposição de resíduos sólidos de origem desconhecida, existindo a possibilidade da existência de resíduos industriais além daqueles de origem doméstica e entulhos. Esses resíduos não foram removidos para a construção do Shopping, não estando determinados, com precisão, sua distribuição espacial e volume. Conforme informações dos próprios responsáveis pelo empreendimento, como medida de segurança, durante a construção do shopping foram instalados respiros para os gases subterrâneos, existindo relatos desses respiros em combustão nessa época. Atualmente, só existem respiros na calçada, na área externa.

Investigação detalhada apresentada pelo responsável legal no final de 2010, conforme solicitação da CETESB, mas que não abrangeu a área do Lar Center, mostrou concentrações de metano acima do limite inferior de inflamabilidade (LII), caracterizando uma situação de risco em diversas partes do Shopping. Todas as sondagens realizadas durante a investigação mostraram a existência de uma grande quantidade de lixo enterrada, não sendo encontrado solo natural até 10 metros de profundidade. Concentrações de gás metano também foram detectadas em galerias de águas pluviais e elétricas. Mais recentemente, em 2011, foram constatadas concentrações de gás metano em algumas lojas.

As autuações emitidas contra o empreendimento até o momento incluem, em 2009 e 2010, duas Advertências. Em maio de 2011, foi emitida uma multa no valor de 500 UFESPs (Unidades Fiscais do Estado de São Paulo, cujo valor unitário corresponde a R$ 17,45). E em 12/08 último, a empresa foi autuada em 1.000 UFESPs, por não ter cumprido integralmente as exigências anteriores feitas pela CETESB.

Entre as exigências pendentes estão a implantação de medidas de intervenção na área com vistas à prevenção das situações de risco à segurança das pessoas que utilizam as instalações do shopping, a apresentação de planos de contingência e gerenciamento dos riscos, bem como a complementação das investigações, estendendo-as às áreas do Lar Center e do Carrefour.

Pelo fato de a empresa não ter cumprido satisfatoriamente reiteradas exigências da CETESB, visando à solução do problema, a agência ambiental paulista deverá tomar medidas cada vez mais restritivas, acompanhadas das devidas autuações. Em 31/8 a direção do shopping entregou algumas propostas de ações na área, que embora estejam sendo analisadas pela CETESB, não atendem às medidas integrais de intervenção que estão sendo solicitadas pela agência desde 2004, para garantir a segurança do local.

A CETESB encaminhou hoje ofícios à Coordenação Geral do Centro de Apoio Operacional – CAO, do Ministério Público Estadual; à Defesa Civil Estadual; ao Departamento de Controle do Uso de Imóveis (CONTRU) e à Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, do município de São Paulo; e ao Centro de Vigilância Sanitária, descrevendo a situação constatada no Shopping Center Norte e  considerando a necessidade de planejamento e adoção de medidas de controle no âmbito da atuação desses órgãos.

A divulgação sistemática de informações acerca das áreas contaminadas críticas é uma prática instituída pela CETESB de forma a assegurar à população o direito à informação.

BlogCaso – Nota Importante:

Vale lembrar que o BlogCaso destina-se tão somente a discussão em sala de aula, não pretendendo demonstrar práticas gerenciais eficazes ou não. O BlogCaso será postado na maioria das vezes exclusivamente a partir de dados secundários, sendo indicado as fontes originais de sua ou suas publicações.

Análise Estratégica: Estudos de futuro no contexto da Inteligência Competitiva

Lançamento do livro “Análise Estratégica: Estudos de Futuro no contexto da Inteligência Competitiva”, de Elaine Marcial, no dia 04 de outubro, a partir da 18:30 h, no Carpe Diem da 104 Sul.

O livro representa o Volume II de uma coleção formada por oito livros sobre Inteligência Competitiva da Thesaurus Editora.

Que organização gostaria de não ser surpreendida pelas mudanças ambientais? Qual executivo que não desejaria dispor da informação certa, na hora certa para apoiar suas decisões? Leia a Coleção Inteligência Competitiva, da Thesaurus Editora, e você encontrará o caminho!

Sobre o livro 

Análise Estratégica: Estudos de futuro no contexto da Inteligência Competitiva

A incerteza ambiental passou as ser uma certeza na vida cotidiana da sociedade da informação. A incerteza não está só presente, mas aumenta na mesma proporção que essa sociedade evolui.

Nesse ambiente, a tomada de decisão tornou-se um grande desafio para os executivos de hoje em dia, independente do local onde atuam, seja em um setor econômico específico ou no Estado. Como tomar decisões e planejar o futuro se o próprio presente se encontra muito incerto e nos surpreende a todo instante?

O profissional de Inteligência tem um grande papel a exercer, nesse contexto. Por meio dos métodos de estudos de futuro, principalmente os de construção de cenários, ele é capaz de identificar os sinais existentes no ambiente e, pautado na intuição informada, antecipar movimentos que poderão ocorrer, imaginar o inusitado e evitar que a organização seja surpreendida.

Os estudos de futuro fazem parte do dia a dia do profissional de Inteligência e é seu dever produzir informações que evitem que as organizações sejam surpreendidas, mesmo em ambientes de grande incerteza. Para tanto, é necessário analisar os impactos das informações produzidas sobre o futuro e propor ações. A Inteligência produzida deve apoiar tanto as decisões de curto, quanto às de médio e longo prazo e conduzir a organização à ação.

O livro Análise Estratégica: Estudos de futuro no contexto da Inteligência Competitiva oferece ao público em geral e, em especial, aos executivos e aos profissionais que atuam nas áreas de Inteligência Competitiva, estratégia, marketing, gestão de risco, engenharia de produção e biblioteconomia esclarecimentos sobre o que são os estudos de futuro, seus métodos e sua relação com a atividade de Inteligência Competitiva.

Por meio de uma abordagem teórica e prática, que integra essas duas áreas, mostra como produzir informação acionável que apóie o processo decisório e conduza a organização a se uma construtora do futuro.

Seja você também um construtor do futuro! Produza Inteligência e aja!

Fonte: Elaine Marcial

Viagens pela Escrita: 100 Anos de Turismo em Portugal

MOSTRA | 27 Setembro 2011 – 7 Janeiro 2012 | Sala de Referência | Entrada livre

turismo O Turismo também se escreve. Nos guias, roteiros, monografias, ensaios, teses, dicionários, revistas e literatura de viagens, em distintas abordagens e para diferentes fins, tipologias complementadas pelos cartazes, bilhetes-postais e mapas, sempre tão sugestivos. Observamos, assim, um amplo leque de opções que tornaram o Turismo um tema diverso na literatura e nos estudos técnicos e científicos.

Nas páginas escritas e na iconografia associada, viajamos pelos ensinamentos da Geografia, Economia, Arquitectura, Sociologia, Antropologia, entre outras áreas do saber, ou pelos mundos da Hotelaria, dos Operadores Turísticos, da Gastronomia, dos Eventos, do Lazer e Recreação, do Ambiente, dos Recursos e Produtos Turísticos, envolvendo todas as áreas humanas e da Natureza.

Na evolução dos tempos, o primeiro êxito editorial de uma publicação dedicada às viagens e ao Turismo, em Portugal, remonta à Gazeta dos Caminhos de Ferro (desde 1888), na qual se destacam as rubricas “Viagens e Transportes” e “Termas, Campos e Praias”, bem como variadas crónicas e sugestões de viagem aos leitores.

O director desta publicação, Leonildo de Mendonça e Costa, seria um dos principais dinamizadores da criação, em 1906, da Sociedade Propaganda Portugal, em cujos fins se inscrevia a publicação de “itinerários, guias e cartas roteiras de Portugal”. O seu Boletim mensal (a partir de 1907), distribuído gratuitamente aos sócios, incluía as realizações da Sociedade e propostas de viagens no país e divulgação do nosso património – “A Arte e a Natureza em Portugal”, que já em 1902 era bem patente no Álbum de photographia com descripções; clichés originaes; cópias em phototypia inalterável; monumentos, obras d’arte, costumes, paisagens, um verdadeiro inventário, feito pela arte fotográfica de Emílio Biel, que acompanhou a escrita.

Simultaneamente ao Boletim, a Sociedade Propaganda de Portugal publicou ao longo dos anos várias outras obras, como monografias, dépliants e outras brochuras de divulgação, algumas noutros idiomas.

A primeira publicação inteiramente dedicada ao sector, editada após a institucionalização do Turismo em Portugal (1911), abrangia “propaganda, viagens, navegação, arte e literatura”, para “desenvolver o gosto das viagens” (Revista de Turismo, 1916), à semelhança do que acontecia noutros países. O articulista enuncia, por esta ordem, França, Suíça, Itália e Espanha. Sublinha as condições climáticas do país, as suas paisagens, costa marítima e águas minerais, pelo que seria “preciso, pois, defender as preciosidades com que a Natureza tão prodigamente nos dotou, e é esse o principal objectivo da nossa campanha para o que possuímos uma excepcional boa vontade e uma coragem transcendente.”

Aliás, nos primeiros tempos, foram as revistas os principais veículos de divulgação do Turismo, como a Ilustração Portuguesa (desde 1903). Já no Estado Novo, a edição de uma revista “dirigida aos que gostam de viajar e ainda àqueles que, por suas favoráveis condições de vida, podem adquirir esse gosto que instrui e aristocratiza o espírito” (Viagem, 1940) e de uma outra, esta editada pelo Secretariado de Propaganda Nacional e dirigida por António Ferro (Panorama, 1942), foram as primeiras publicações de Turismo do Antigo Regime, com a colaboração dos melhores escritores, jornalistas e fotógrafos da época.

Nos anos 50, foi o tempo dos anuários (Portugal País de Turismo) e da edição de boletins municipais, “a bem servir a terra portuguesa” (Boletim da Comissão Municipal de Turismo da Figueira da Foz, 1941), tarefa aliás a que também se dedicou a própria estrutura central, no “órgão de divulgação e propaganda do turismo em Portugal (Jornal de Turismo, 1957), como “paladino de uma causa de interesse nacional”.

O mundo do Turismo alarga-se para além de Portugal, na “revista europeia de actualidades, cultura e turismo, dedicada a Portugal, ao Mundo, às ciências, à vida quotidiana, às artes, aos espectáculos, aos desportos, ao turismo”. Abrangente, também, porque uma “revista é para todos” (Sol, 1963).

A coincidir com o ano da criação da Direcção-Geral de Turismo, surgem, em 1968, a nova Revista Turismo – Arte, Paisagens e Costumes de Portugal, num olhar abrangente pelos recursos turísticos, e o quinzenário Publituris, ainda hoje em publicação, inicialmente para cobrir a dispersa informação especializada em promoção do Turismo, aviação, cruzeiros, hotelaria, excursões e eventos. Deste, em 1973 foi lançada uma versão em inglês e, dois anos depois, os seus responsáveis seriam os promotores da Associação dos Jornalistas e Escritores Portugueses de Turismo.

A partir dos anos 70, assistiu-se a uma maior dinamização da imprensa turística. Novas revistas de grande divulgação; revistas de grupos, cadeias de hotéis, transportadoras aéreas e cruzeiros; boletins e revistas associativas impressas; e portais na internet. Expansão relacionada com a própria diversificação do Turismo Interno. Alguns órgãos generalistas publicam secções de Turismo, incluindo suplementos semanais de Turismo, ou mesmo guias e roteiros, estes últimos como literatura utilitária acarinhada e consultada neste arco de tempo de um século, relacionando-se com a Geografia – pela apreensão do território –, a História da Arte – pela definição em cada época do património valorizado – e a História Económica – pelo relato do progresso. São destinados a viajantes e excursionistas, assim como aos profissionais do sector, incluindo as publicações monográficas locais e as edições dos órgãos de promoção turística.

Muitos periódicos editaram publicações complementares, e as próprias revistas da especialidade interessaram-se em editar guias e roteiros, propondo circuitos, quase sempre incluindo plantas e mapas, com a informação geográfica ou cartográfica mais relevante para o turista, e anúncios de publicidade de estabelecimentos hoteleiros, termais e comerciais, de indústrias e empresas de transportes.

Relevamos, também, o espólio do antigo Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo (SNI), do qual se expõe um conjunto notável de guias e roteiros, editados por este organismo, em português e noutros idiomas, e outros editados por entidades estrangeiras, que expressam diversas visões sobre Portugal.

Os guias, roteiros e mapas, enquanto fontes históricas, têm ultimamente aberto novas linhas de investigação, no universo onde existem cada vez mais estudos técnicos e científicos, manuais sobre teorias, práticas e teses associadas ao desenvolvimento do sector e dos múltiplos ramos que o integram, incluindo publicações de carácter estatístico.

O saber imprime-se e divulga o trabalho crescente das universidades, com pioneirismo (Revista Turismo & Desenvolvimento, a partir de 2004), na primeira publicação científica da área do Turismo em Portugal, promotora de uma rede nacional de cientistas, que passou a servir de apoio ao sistema de revisão anónima (blind referee), através do qual têm sido analisados e avaliados todos os artigos.

Mas esta profundidade que as universidades emanam não faz esquecer todo o campo literário dedicado a edições temáticas ou crónicas de viagens em Portugal. Oferta bastante diversificada e actualizada de destinos e costumes, escritos por autores de mérito consagrado e por jornalistas de prestígio.

Há quem nos faça “um convite a passear” (Viagem a Portugal, 1981), quase sempre numa aposta de cuidada aparência, compatibilizando “um formato de divulgação com um mais técnico-científico” (Portugal Património. Guia Ilustrado, 2007). O Guia de Portugal (a partir de 1924) é o antecessor mais completo, e dele conhecemos e divulgamos, também, preciosos manuscritos.

Viaja-se pelos cafés, que sempre assumiram um aspecto literário e político, mas também turístico; pelos grandes hotéis de Portugal, com “todas as comodidades e confortos para todos os gostos e fortunas” (Grandes Hotéis de Portugal, 2001); pelo Turismo de Saúde e pela arquitectura termal, suporte das nossas termas e origem do nosso Turismo.

Por estas Viagens pela Escrita têm passado a estratégia e a política de desenvolvimento turístico do nosso país: “ainda num passado recente olhado com desconfiança e alguma displicência, o turismo é já hoje uma realidade incontestada no país e um dos sectores prioritários na política económica nacional sendo considerado como sector chave do processo de desenvolvimento económico” (Política de Turismo, 1997).

Conclui-se o percurso com o que fica destas comemorações, desde o Congresso, em Maio passado, celebrando a institucionalização do Turismo em Portugal, às exposições em diferentes pontos do país, marcando a evolução do Turismo, visto em diversas perspectivas, como sejam as do empreendedorismo, da administração pública, da imprensa e da fotografia. No desenho de um bilhete-postal, assinalando este centenário, vemos muitos outros, mais antigos, reproduzindo imagens de Portugal e impressões escritas. Estas e outros importantes fragmentos manuscritos e presentes nesta Mostra são testemunhos guardados nesta Casa da Memória que os cuida com afecto e rigor técnico na sua conservação, porque, também na evolução escrita e imagética do Turismo, é necessário considerar a importância da Memória, enquanto criadora do sentido de pertença colectiva, de que o futuro se não pode desligar.

Biblioteca Nacional de Portugal, Setembro de 2011

Fonte: A Comissão Nacional do Centenário do Turismo em Portugal

Açores – história e cultura

Descobertos em 1427, os Açores cedo suscitaram a fixação de gentes oriundas das mais diversas partes, facto que permitiu um crescimento demográfico sustentado desde o período do povoamento (cerca de 17 000 habitantes nos finais do século XVI) até à actualidade (241 763 habitantes), divididos por 19 concelhos e 5 cidades.

A localização geoestratégica destas ilhas tornou-as num notável espaço de migrações: primeiro, como zona de imigração, atraindo gentes oriundas de Portugal Continental, Madeira, Europa, África e até do longínquo Oriente; depois, como espaço de emigração dirigida para o Brasil, Canadá, EUA, Bermudas, entre outras zonas.

Deste cruzamento de influências e civilizações nasceu uma cultura riquíssima, de que são registos não só o património subaquático, parte dele ainda escondido nas profundezas dos mares açorianos, como também o património terrestre, materializado em belíssimas edificações, como igrejas, palácios, casas rurais e jardins. As constantes preocupações com os terramotos e sismos, que sempre acompanharam a vivência insular, tiveram uma importância marcante na construção da matriz cultural dos açorianos, da qual podemos destacar as festas do Divino Espírito Santo, a procissão do Senhor Santo Cristo e as touradas.

Fonte: Universidade dos Açores

Como prevenir uma recessão

Os mais recentes dados econômicos sugerem que a recessão está voltando nas economias mais avançadas, com os mercados financeiros atingindo agora níveis de desgaste semelhantes aos registrados quando do colapso de 2008. Os riscos de uma crise econômica e financeira ainda pior que a anterior -e agora envolvendo países insolventes- são significativos.

Assim, o que se poderia fazer para minimizar as consequências adversas de nova contração econômica e prevenir uma depressão mais profunda e um colapso financeiro?

Primeiro, devemos aceitar que medidas de austeridade, necessárias para evitar um desastre fiscal, acarretam efeitos recessivos sobre a produção. Assim, se os países na periferia da zona do euro se virem forçados a adotar medidas de austeridade fiscal, outras nações capazes de prover estímulo em curto prazo deveriam fazê-lo, adiando seus esforços de austeridade.

Segundo, embora a política monetária tenha impacto limitado quando os problemas são dívida excessiva e insolvência, em vez de falta de liquidez, um relaxamento mais amplo das condições de crédito, em lugar de um simples relaxamento quantitativo, pode se provar útil.

Terceiro, para restaurar o crescimento do crédito, os bancos da zona do euro e os sistemas bancários subcapitalizados deveriam ser reforçados via financiamento público em um programa que abarcaria toda a União Europeia. Para evitar nova compressão de crédito à medida que os bancos reduzam seu nível de endividamento, os requerimentos de capital e liquidez que os bancos precisam cumprir poderiam ser relaxados por um breve período.

Quarto, é necessário prover liquidez em larga escala para os governos solventes, a fim de evitar uma disparada nos “spreads” e a perda de acesso a mercados que podem transformar a falta de liquidez em insolvência. Mesmo com mudanças de política econômica, governos precisam de tempo para restaurar sua credibilidade. Até que isso aconteça, os mercados manterão pressão sobre os “spreads” das dívidas nacionais, o que torna provável que o temor de uma crise ajude a criá-la.

Quinto, dívidas acumuladas que não possam ser reduzidas via crescimento, poupança ou inflação devem ser tornadas sustentáveis por meio de reestruturações ordenadas, redução de dívidas e conversão de dívida em capital.

Sexto, mesmo que a Grécia e outros países periféricos da zona do euro obtenham perdão de porção significativa de suas dívidas, o crescimento econômico não será restaurado até que a competitividade seja restaurada. E sem um retorno rápido ao crescimento, novos calotes, e novas inquietações sociais, não poderão ser evitados.

Sétimo, o motivo para o alto desemprego e o crescimento anêmico das economias avançadas é estrutural e inclui competição mais acirrada vinda de mercados emergentes. A resposta correta a mudanças de tamanha abrangência não está no protecionismo.

Oitavo, as economias de mercado emergente dispõem de mais ferramentas de política monetária que as economias avançadas, no momento, e deveriam relaxar sua política fiscal e monetária. O FMI e o Banco Mundial podem servir como recurso final de empréstimos aos mercados emergentes que corram risco de perda de acesso aos mercados financeiros, desde que aceitem reformas estruturais.

Os riscos que nos aguardam não são de uma amena recessão de duplo mergulho, mas sim de uma contração severa que poderia se transformar em nova Grande Depressão, especialmente se a crise na zona do euro escapar ao controle e resultar em colapso financeiro mundial.

Políticas econômicas incorretas e teimosas geraram guerras comerciais e cambiais, na primeira Grande Depressão, acompanhadas por calotes desordenados, deflação, alta na disparidade de renda e riqueza, pobreza, desespero e instabilidades econômicas e sociais que terminaram por produzir regimes autoritários e a Segunda Guerra.

A melhor maneira de evitar o risco de que essa sequência se repita é uma ação audaciosa e agressiva das autoridades econômicas mundiais -e já.

NOURIEL ROUBINI é presidente da Roubini Global Economics, professor da Escola Stern de Administração de Empresas (Universidade de Nova York) e coautor do livro “Crisis Economics”.
Este artigo foi distribuído pelo Project Syndicate.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

Publicado na Folha de S.Paulo, 25/9/2011

Livro Inteligência Competitiva: Como Fazer IC Acontecer na Sua Empresa é nas Casas Bahia

Este livro apresenta as principais estratégias, ferramentas e técnicas para implantação ou desenvolvimento de uma área de Inteligência Competitiva em empresas, por especialistas brasileiros.

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A experiência dos autores neste tema, em empresas nacionais e internacionais, com unidades de IC implantadas, vai permitir que você compreenda os métodos de coleta e análise de dados para identificar e avaliar os pontos fortes e fracos de empresas concorrentes.

Além disso você pode aplicar as ferramentas e técnicas para transformar informações em inteligência e assim gerar ações com resultados para o negócio da empresa.

O leitor poderá identificar competidores existentes e emergentes, suas potenciais estratégias competitivas e por último comunicar as implicações, resultantes de análises que enriquecem o processo de tomada de decisão.

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