Normas para envio de “press release”, por SciELO em Perspectiva

A quantidade de press release ou comunicado de imprensa produzidos por dia no Brasil e no mundo, é cada vez maior. Para contribuir com aqueles que estão sempre enviando comunicados de imprensa para informar jornalistas, vale a leitura desse texto publicado originalmente, no SciELO em Perspectiva.

Versão Outubro 2017

press release ou comunicado de imprensa é um texto resumido sobre um artigo científico ou um número temático, publicado nos periódicos das coleções nacionais ou temáticas da Rede SciELO, que pode ser utilizado para promover os elementos principais de uma pesquisa em veículos de divulgação.

Por meio dos press releases, jornalistas são informados sobre o desenvolvimento científico em determinado campo de pesquisa e deles se servem para escrever as matérias sobre ciência para jornais, revistas, sites, blogs e outros meios de comunicação.

press release constitui-se em um instrumento fundamental de popularização da ciência, que contribui para o processo de comunicação científica ao expor o trabalho de pesquisa de modo simplificado para a sociedade, ao destacar um resultado específico, ao promover o trabalho de uma instituição ou de um departamento e ao salientar o suporte financeiro de um patrocinador ou agência de fomento, beneficiando, desta forma, a comunidade científica.

  1. Seleção de artigos ou de temas para press release

Algumas perguntas podem orientar o processo de seleção de artigos que justifiquem a redação de um press release: a pesquisa representa um avanço no conhecimento que merece ser divulgado para a sociedade? Contribui para a popularização do conhecimento científico? Apresenta inovações significativas? Pode ter impacto na sociedade ou na definição de políticas públicas? Além do público-alvo (jornalistas), o press release poderá ser utilizado também por tomadores de decisão, pesquisadores, estudantes e público em geral?

A escolha de um a três artigos de um mesmo fascículo será suficiente para atrair atenção sobre os demais conteúdos. Deve-se evitar vários press releases de uma única edição. Além da publicação de press releases relacionados ao conteúdo dos artigos, pode se referir também aos temas do fascículo, sem se restringir a um resumo de cada um dos artigos que o compõe.

  1. Formato de apresentação do press release

Para a submissão de press releases aos Blogs SciELO em Perspectiva, SciELO em Perspectiva | Humanas e SciELO em Perspectiva | Press Releases, deverão ser considerados os padrões expressos nos itens de 2.1 a 2.9 disponíveis para download no arquivo abaixo:

  1. Considerações sobre a autoria

Os textos podem ser elaborados por autores das pesquisas, pelo editor do periódico ou equipe editorial. Se a equipe editorial contar com o apoio de um profissional de comunicação, os textos podem ser preparados pela equipe e enviados aos autores para aprovação.

Ao submeter o press release aos Blogs SciELO em Perspectiva, SciELO em Perspectiva | Humanas e SciELO em Perspectiva | Press Releases, seu autor abre mão, automaticamente, de quaisquer direitos sobre a publicação deste, libera o trabalho de edição do texto e a reprodução do mesmo por outros veículos, sem pagamentos. Contudo, o nome e afiliação do autor devem estar descritos no texto.

Os conteúdos publicados nos Blogs SciELO em Perspectiva, SciELO em Perspectiva | Humanas e SciELO em Perspectiva | Press Releases são de inteira responsabilidade dos seus autores, não refletindo, necessariamente, a opinião dos Corpos Editoriais de ambos os Blogs ou do Programa SciELO.

  1. Ética de pesquisa e divulgação

press release não pode soar como propaganda de um produto, do periódico ou do próprio artigo. Deve descrever os resultados objetivamente e transmitir dados científicos, sem tentar engrandecer as possíveis descobertas com elogios ao pesquisador, à sua instituição e aos órgãos financiadores. Se houver possíveis conflitos de interesses ou patrocinadores envolvidos, eles devem ser explicitados.

O texto deve se pautar pela ética, usualmente, aceita para as pesquisas científicas. Precisa ser cuidadoso ao informar sobre a utilização de seres humanos e animais em experimentos quando ocorrido e para não induzir à adoção dos resultados obtidos originalmente em modelos, bem como de dados que ainda estejam em fase investigativa.

A redação deve ser sucinta e precisa com o número de palavras necessárias para descrever o fato, evitando adjetivos, como por exemplo, “a renomada Universidade X” ou o “premiado cientista Y”. Em geral, devem ser evitadas também expressões redundantes, tais como “pela primeira vez” e “nunca antes demonstrado”. No entanto, se de fato aquela descoberta nunca foi previamente demonstrada, isto deverá ser ressaltado com informação que demonstre o ineditismo.

O texto pode incluir citações entre aspas do artigo publicado, mas não citações literais, ou seja, transcrições de trechos inteiros.

Antes de remeter o press release, revise a ortografia e gramática cuidadosamente.

  1. Envio e análise das contribuições

Para a submissão de press releases aos Blogs SciELO em Perspectiva e SciELO em Perspectiva | Humanas, deve-se encaminhar e-mails respectivamente para:

As contribuições submetidas para publicação passarão pela análise das respectivas Equipes Editoriais e, se necessário, dos membros do Comitê Editorial. Em caso de alteração do texto original, a versão revisada será submetida à aprovação final do autor.

Serão considerados os seguintes aspectos na análise dos press releases submetidos:

  • Formato de apresentação: a apresentação do press release deve estar de acordo com os padrões definidos no item 2 deste documento. Contribuições fora dos padrões definidos serão devolvidas aos respectivos autores;
  • Simultaneidade: a publicação de press release deve acontecer, simultaneamente, à publicação do artigo na Coleção SciELO Brasil. Admite-se, entretanto, que uma eventual defasagem no cronograma de edição do comunicado possa atrasar a publicação em, no máximo, um mês após à publicação do artigo. Fica a critério dos Corpos Editoriais dos Blogs SciELO em Perspectiva, SciELO em Perspectiva | Humanas e SciELO em Perspectiva | Press Releases a aceitação, ou não, de comunicados que excedam esse intervalo de tempo.
  1. Exemplos de Press releases

Fonte: SCIENTIFIC ELECTRONIC LIBRARY ONLINE. Normas para publicação [online]. SciELO em Perspectiva, 2013 [viewed 03 April 2018]. Available from: https://pressreleases.scielo.org/sobre/normas-para-publicacao/#.WsPfKZVzKUl

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Blogs como forma de comunicação científica na era das redes sociais, por Lilian Nassi-Calò

A despeito da presença ubíqua das mídias sociais em praticamente todas as áreas de atividade da sociedade, a prática de escrever blogs permanece viva e bastante ativa, especialmente na disseminação da ciência, segundo artigo publicado recentemente na Nature2. São inúmeros os motivos pelos quais pesquisadores e estudiosos se empenham em fazê-lo. Paige Jarreau enumera nada menos que 59 razões, divididas em nove categorias, que vão desde o prazer pessoal de escrever sobre algo que se tem interesse até tornar a ciência acessível a várias audiências, corrigir conceitos disseminados erroneamente e inspirar jovens a se interessar por carreiras científicas.

A construção de redes de colaboração e o fortalecimento de comunidades científicas é um dos motivos, aponta Stephen Heard, ecologista evolucional na University of New Brunswick , no Canadá: “Escrever blogs não é para qualquer um, porém é importante que as pessoas percebam que é uma forma dos cientistas falar com seus pares”. Pesquisadores do Karlsruhe Institute of Technology, na Alemanha, realizaram uma pesquisa com 865 pesquisadores das áreas de ciências exatas e da saúde nascidos após 1981. Quinze por cento deles iniciaram um blog, mas poucos escreviam com frequência, alegando falta de tempo e que a prática não era muito popular em seu país. No entanto, percebem que os blogs são apenas um formato digital para a comunicação da ciência e os pesquisadores que não utilizam nenhuma plataforma estão perdendo imensas oportunidades. Esta pesquisa revelou ainda que 70% dos pesquisadores acreditam que manter um blog – ou algum tipo de comunicação científica fora dos periódicos – ajuda a impulsionar a carreira e 90% afirmou que poderia atrair mentes brilhantes para a ciência. Allison McDonald, biologista celular na Wilfrid Laurier University, em Waterloo, Canadá, afirma que seu blog lhe permitiu consolidar uma rede de contatos e serve como fonte de ideias para novos projetos de pesquisa.

Indo ao encontro destes resultados, um recente estudo de pesquisadores brasileiros sobre a relação entre pesquisadores e jornalistas no país evidenciou vários aspectos positivos que decorrem da disseminação pública de resultados de pesquisa científica, como a obtenção de recursos para pesquisa de fontes públicas, melhorar a percepção e o impacto dos pesquisadores perante o público, atrair jovens colaboradores e estudantes e inclusive prestar contas à sociedade dos recursos investidos na pesquisa. Até mesmo uma relação direta foi encontrada entre a veiculação pública de um artigo e o número de citações recebidas.

Os interessados em iniciar um blog, entretanto, não devem esperar altos índices de acesso imediatamente. Heard, no entanto, afirma que o esforço será eventualmente recompensado. Em 2017 ele e outros colegas autores de blogs publicaram um estudo avaliando o impacto de seus blogs destinados à comunidade científica e sites dirigidos a pesquisadores sobre o empreendimento da ciência3. O blog mais popular da amostra considerada pelos autores (n=7) atingiu a mediana de 40.000 visualizações/mês, o segundo atingiu 20.000 e o terceiro, 10.000 visualizações /mês. Os autores salientam, no entanto, que alguns dos mais relevantes impactos dos blogs são impossíveis de quantificar, como reações individuais a determinados posts que motivaram mensagens aos seus autores. Terry McGlynn, um ecologista da California State University em Carson relata que disseminou uma vaga em seu departamento através de seu blog e o elevado número de candidatos que se apresentaram fez elevar seu prestígio na instituição. Como consequência, McGlynn decidiu abrir uma oportunidade a outros em seu blog Rapid Ecology, aceitando contribuições em forma de posts para seu blog de qualquer pesquisador ou estudante de pós-graduação que cumprisse com os seguintes três critérios: ser relevante, ser substancial e ser correto. Assim, até o momento da submissão do artigo, o autor havia recebido contribuições de 30 cientistas que se dispuseram a enviar posts ocasionais.

A rápida disseminação das redes sociais – também na comunicação científica – “diluiu” o impacto dos blogs, segundo Jeremy Caplan, diretor de educação de jornalismo empreendedor na City University of New York Graduate School of Journalism. Contando com Twitter e Facebook para manter-se a par, “as pessoas não querem acompanhar 10, 20 ou 30 diferentes blogs de ciência”. A solução, segundo Caplan, seria postar em um blog e disseminar os posts através das redes sociais, direcionando os leitores para o conteúdo mais detalhado.

McGlynn salienta, entretanto, de que a atividade de criar e manter um blog de ciências não é lucrativa. Se utilizar publicidade como fonte de receita, poderá haver ganhos, da ordem de US$ 10-20 mil por ano, na melhor das hipóteses. Ademais, colegas acadêmicos podem considerar que escrever em um blog ou nas redes sociais constitui uma distração e de certa forma, macular a reputação científica. Alguns autores utilizaram em 2010 pseudônimos ou apenas iniciais para assinar seus posts para desvincular sua identidade acadêmica. Isso pode parecer exacerbado nos dias atuais, porém vale recordar os riscos inerentes à exposição na Internet, podendo predispor os autores de blogs a algum tipo de abuso.

Uma indicação clara de que os blogs de ciência têm relevância e qualidade é o fato de que periódicos renomados mantém coleções de blogs em vários temas. A Nature aparentemente lidera em números, dispondo de uma rede de blogs em várias disciplinas e centenas de categorias. Além da Nature, a Science, a série PLoS, e o BioMed Central mantêm coleções de blogs em vários temas, apenas para citar alguns exemplos. O SciELO lançou em 2013, por ocasião da celebração de seu 15° aniversário, o blog SciELO em Perspectiva, que conta com um blog sobre Comunicação Científica e outro em Ciências Humanas, publicados em português, inglês e espanhol. A Tabela 1 apresenta dados sobre os posts publicados e acessos, que somando os três idiomas, atingem mais de um milhão de page views nos últimos 5 anos.

Ano Posts publicados Número de Acessos
Português Inglês Espanhol Total
GERAL
2018** 5 5 5 15 18.265
2017 38 38 38 114 251.630
2016 40 35 37 112 199.137
2015 57 56 54 167 203.227
2014 62 56 56 174 146.965
Sub-total: 202 190 190 582 819.224
HUMANAS
2018** 10 2 0 11 7.133
2017 139 22 5 146 148.226
2016 146 12 5 165 77.168
2015 124 10 0 132 63.504
2014 74 3 0 76 27.551
Sub-total: 493 49 10 530 323.582
Total geral: 242 239 200 1112 1.142.806
** Até jan/2018.

Tabela 1. Estatísticas do blog SciELO em Perspectiva

A iniciativa ScienceBlogs, criada em 2006 e que contava com mais de 120 blogs ativos em 2013, encerrou suas atividades em outubro de 2017. O ScienceBlogs Brasil, entretanto, continua ativo, com mais de 40 blogs de ciência em várias áreas do conhecimento.

Aqui estão algumas orientações básicas de Stephen Heard para os que se aventurarem nesta tarefa:

  • Escolha uma plataforma web adequada para publicar o blog. Heard utiliza WordPress, porém há outras opções fáceis de manejar.
  • Interaja primeiro com outros blogs antes de lançar seu próprio. Comece comentando sobre outros posts e escreva como autor convidado em blogs já estabelecidos.
  • Aumente a audiência de seus posts: experimente títulos atraentes, use palavras-chave fortes e experimente compartilhar os posts via Twitter e Facebook.
  • Não perca o interesse se as visualizações de sua página forem baixas no início e não espere muitos comentários. Estes, em vez, acontecem mais nas redes sociais do que no próprio blog.
  • Formar uma audiência pode demorar, mas virá com o tempo.

Segundo Allison McDonald, há inúmeras vantagens em manter um blog, pois através dele é possível tomar posição e defender ideias como o ensino de ciências, a participação de mulheres na academia e outros temas que não seriam frequentemente debatidos em artigos de periódicos, e encoraja outros pesquisadores a escrever para blogs existentes ou criar seus próprios canais de comunicação.

Leia o post completo aqui.

Notas

1. BONETTA, L. Scientists Enter the Blogosphere. Cell [online]. 2007, vol. 129, no. 3, pp. 443-445 [viewed 07 March 2018]. DOI: 10.1016/j.cell.2007.04.032. Available from: http://www.cell.com/cell/fulltext/S0092-8674(07)00543-0

2. BROWN, E. and WOOLSTON, C. Why science blogging still matters. Nature [online]. 2018, vol. 554, pp. 135-137 [viewed 07 March 2018]. DOI: 10.1038/d41586-018-01414-6. Available from: https://www.nature.com/articles/d41586-018-01414-6

3. SAUNDERS, M.E., et al. Bringing ecology blogging into the scientific fold: measuring reach and impact of science community blogsR. Soc. Open Sci. [online]. 2017, vol. 4, 170957 [viewed 07 March 2018]. DOI: 10.1098/rsos.170957. Available from: http://rsos.royalsocietypublishing.org/content/4/10/170957

Referências

BONETTA, L. Scientists Enter the Blogosphere. Cell [online]. 2007, vol. 129, no. 3, pp. 443-445 [viewed 07 March 2018]. DOI: 10.1016/j.cell.2007.04.032. Available from: http://www.cell.com/cell/fulltext/S0092-8674(07)00543-0

BROWN, E. and WOOLSTON, C. Why science blogging still matters. Nature [online]. 2018, vol. 554, pp. 135-137 [viewed 07 March 2018]. DOI: 10.1038/d41586-018-01414-6. Available from: https://www.nature.com/articles/d41586-018-01414-6

EVANS, K. 8 Best Blogging Platforms Reviewed (Updated) [online]. Start Blogging Online, 2018 [viewed 07 March 2018]. Available from: https://startbloggingonline.com/blog-platform-comparison-chart/

JARREAU, P. The World of Science Blogging [online]. Macroscope, 2016 [viewed 07 March 2018]. Available from: https://www.americanscientist.org/blog/macroscope/the-world-of-science-blogging

JARREAU, P.B. #MySciBlog Interviewee Motivations to Blog about Science [online]. Figshare. 2015 [viewed 07 March 2018]. DOI: 10.6084/m9.figshare.1345026.v2. Available from: https://figshare.com/articles/_MySciBlog_Interviewee_Motivations_to_Blog_about_Science/1345026/2

MASSARANI, L. and PETERS, H.P. Scientists in the public sphere: Interactions of scientists and journalists in Brazil. An. Acad. Bras. Ciênc. [online]. 2016, vol. 88, no. 2, pp. 1165-1175, ISSN: 1678-2690 [viewed 07 March 2018]. DOI: 10.1590/0001-3765201620150558. Available from: http://ref.scielo.org/jyfz9j

SAUNDERS, M.E., et al. Bringing ecology blogging into the scientific fold: measuring reach and impact of science community blogs. R. Soc. Open Sci. [online]. 2017, vol. 4, 170957 [viewed 07 March 2018]. DOI: 10.1098/rsos.170957. Available from: http://rsos.royalsocietypublishing.org/content/4/10/170957

Links externos

BioMed Central blog <http://blogs.biomedcentral.com/bmcblog/>

Blog SciELO <http://blog.scielo.org/>

Nature blogs <http://blogs.nature.com/>

PLoS blog <http://blogs.plos.org/>

ScieceBlogs Brasil <http://scienceblogs.com.br/>

Science blog <http://blogs.sciencemag.org/pipeline/>

ScienceBlogs <http://scienceblogs.com/>

Sobre Lilian Nassi-Calò

Lilian Nassi-Calò é química pelo Instituto de Química da USP e doutora em Bioquímica pela mesma instituição, a seguir foi bolsista da Fundação Alexander von Humboldt em Wuerzburg, Alemanha. Após concluir seus estudos, foi docente e pesquisadora no IQ-USP. Trabalhou na iniciativa privada como química industrial e atualmente é Coordenadora de Comunicação Científica na BIREME/OPAS/OMS e colaboradora do SciELO.

 

Fonte: NASSI-CALÒ, L. Blogs como forma de comunicação científica na era das redes sociais [online]. SciELO em Perspectiva, 2018 [viewed 03 April 2018]. Available from: http://blog.scielo.org/blog/2018/03/07/blogs-como-forma-de-comunicacao-cientifica-na-era-das-redes-sociais/

Você sabe o que é o Mendeley?

Mendeley é um serviço de gestão e compartilhamento de informação científica muito utilizada por pesquisadores mundialmente. Nesta entrevista com William Gunn são tratadas algumas questões importantes a respeito da operação do Mendeley, das áreas temáticas e seus usuários. A Elsevier fechou contrato com a Mendeley, mas o que isso pode significar para a comunicação científica, segundo a visão de nosso entrevistado? William Gunn é Chefe da Academic Outreach para Mendeley, especializou-se em altmetrics, reprodutibilidade e acesso aberto. Seu doutorado, em 2008, foi realizado em Ciências Biomédicas pelo Center for Gene TherapyTulane University.

1. Quais áreas são mais cobertas pelos usuários do gerenciador de bibliografias Mendeley?

As ciências são nosso principal demográfico, com maior representação de ciências biológicas e representação significativa de medicina, ciência da computação, ciências sociais, química, física, medicina e engenharia. Estamos também ganhando representação em direito e nas humanidades.

2. Os usuários do Mendeley originários de países periféricos ao Mainstream Science registram mais literatura internacional em detrimento da literatura de seus próprios países?

Certamente é verdade que a maioria dos pesquisadores tem uma perspectiva internacional. O que vemos é que a atenção tende a ser alocada ao país do pesquisador de acordo com a percentagem da produção do seu país, com algumas exceções notáveis​​, como Suíça e Suécia, que têm uma alta produção acadêmica per capita. Curiosamente, os pesquisadores argentinos tendem a ter maiores bibliotecas Mendeley, com o Brasil na posição de número 11, à frente dos EUA.

3. Os registros de bibliografias na ferramenta Mendeley podem evidenciar o uso da literatura publicada, mas são preditivos? Há uma correlação entre os registros e as citações futuras?

É muito cedo para ser capaz de prever qualquer coisa, mas vários estudos publicados têm demonstrado que existe uma correlação fraca entre os leitores Mendeley e citações:

  • JASIST@mendeley1
  • Applying social bookmarking data to evaluate journal usage2

Esses estudos também têm demonstrado que Mendeley também capta o impacto da pesquisa que ainda não é refletido em citações. Em outras palavras, muitos artigos da coleção Mendeley de um pesquisador foram lidos, mas o artigo no qual eles serão citados ainda não foi escrito! Além disso, também vemos que Mendeley pode detectar a influência que um trabalho tem sobre os leitores que não publicam – pesquisadores da indústria, médicos, pacientes e o público em geral. Eu estou realmente animado ao ouvir que Open Journal System está agora usando aplicativo de rastreamento de métricas em nível de artigo da PLOS, que incorpora informações de leitores da Mendeley. Acho que isso vai render muitos dados interessantes sobre o uso de artigo em todo o mundo.

4. Depois da aquisição do Mendeley pela Elsevier em 20133, houve uma debandada de usuários da ferramenta?

Tivemos um pequeno grupo de pessoas que pararam, mas a publicidade trouxe muitos novos usuários também. O produto tem melhorado de forma constante ao longo do ano, e o ritmo de desenvolvimento pegou, por exemplo, com o lançamento de nosso novo aplicativo iOS, e vamos continuar trabalhando para surpreender e encantar os pesquisadores que depositaram sua confiança em nós.

5. A Elsevier pretende manter a API (interface externa) do Mendeley aberta?

Absolutamente. Eles veem isso como uma parte fundamental de como Mendeley pode crescer para atender às necessidades de mais pesquisadores. Nunca houve uma boa plataforma para o desenvolvimento de terceiros em torno de dados acadêmicos, e agora estamos perfeitamente posicionados para ser essa plataforma.

Nota

JASIST@mendeley
Applying social bookmarking data to evaluate journal usage
A aquisição ocorreu em abril de 2013, de acordo com: http://techcrunch.com/2013/04/08/confirmed-elsevier-has-bought-mendeley-for-69m-100m-to-expand-open-social-education-data-efforts/

Sobre autor: http://www.scielo15.org/william-gunn/

Fonte: SCIENTIFIC ELECTRONIC LIBRARY ONLINE. Entrevista com William Gunn [online]. SciELO em Perspectiva, 2013 [viewed 03 April 2018]. Available from: http://blog.scielo.org/blog/2013/11/07/entrevista-com-william-gunn/

Cicilia K. Peruzzo e as Ciências da Comunicação no Brasil

Com os 50 anos de existência das Ciências da Comunicação no Brasil, convidamos a professora Cicilia K.Peruzzo para falar dos resultados e dos desafios da área. A Revista Intercomprimeiro periódico de comunicação científica disponibilizado em acesso aberto pela Internet, certamente, é um projeto editorial de fôlego, com indexação SciELO, que vem promovendo, ao longo de muitos anos, a divulgação da pesquisa nacional e internacional, contribuindo para o ensino universitário de Comunicação e para a promoção de um debate cada vez mais amplo sobre essa área e suas relações com outras áreas.

Cicilia  K. Peruzzo é doutora em Ciências da Comunicação (1991) pela Universidade de São Paulo – USP. Realizou Pós-doutorado na Universidade Nacional Autônoma do México. Foi Presidente da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos da Comunicação) 1999-2002. Desde 2006, trabalha como Editora da Intercom – Revista Brasileira de Ciências da Comunicação. Atualmente, é Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo – IMESP; pesquisadora da área da Comunicação nas linhas Comunitária, Alternativa e Mídia Local, além de Relações Públicas, na perspectiva crítica e dos movimentos sociais. E é Vice-Presidente da Federação Lusófona de Comunicação. Coordena o Núcleo de Estudos de Comunicação Comunitária e Local (COMUNI) e o GT Comunicação e Cidadania da Associação Brasileira de Programas de Pós-Graduação em Comunicação (2012-2013).

1. Com base em sua experiência acadêmica como professora e pesquisadora, sobretudo, como Presidente que foi da Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, e também como atual Editora da Intercom – Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, qual o seu parecer sobre os desafios da divulgação científica em Comunicação no Brasil?

Em nível internacional, à primeira vista, o principal desafio é o de se inserir num espaço competitivo que as ciências já consolidadas dominam e participam de suas regras de funcionamento dentro de uma dinâmica de “mercado” que tem por base os padrões editoriais e a cultura científica estadounidenses e anglosaxônicas. No entanto, existe um esforço crescente no campo da Comunicação para ampliar a presença nos circuitos internacionais de circulação do conhecimento e, aos poucos, esse desafio parece que já faz parte do universo acadêmico, principalmente, no âmbito dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação e das associações científicas. Aliás, com o avanço do ensino e da pesquisa em nível de pós-graduação no país também se sinaliza o aumento da quantidade e de qualidade da produção científica no campo e, consequentemente, sua maior oferta e participação nos fóruns nacionais e internacionais. 

No nível nacional, a divulgação do conhecimento científico produzido começa a galgar desafios similares, pois, o número de periódicos científicos bem qualificados é baixo em relação à oferta crescente de artigos produzidos nas universidades, até em decorrência da pressão produtivista que vem se instaurando nos últimos anos. Paralelamente, também nota-se um processo de amadurecimento sobre as demandas, esforços e vontades em se avançar no valor da ciência, tanto a partir de parâmetros tecnocientíficos quanto da contribuição esperada ou necessária dos conteúdos para o avanço do conhecimento e seu papel na sociedade. 

2. Dos 50 anos de formação das Ciências da Comunicação no País – que, aliás, estão sendo comemorados atualmente com o Ciclo de Conferências Fapesp e Intercom –, gostaria que você comentasse um pouco a respeito da especificidade dessa área e seu desenvolvimento e desdobramentos ao longo desse período.

Em primeiro lugar, por tratar-se de algo novo – ou melhor, de uma ciência recente, ousaria dizer –, em processo de desenvolvimento rápido e que, ao mesmo tempo, sofre diuturnamente as transformações tecnológicas e sociais das sociedades, constitui-se em uma área desafiadora porque se revela muito ampla e dinâmica, e com e sem fronteiras em relação a outras áreas do conhecimento. Ou seja, as configurações do universo da Comunicação têm sido alteradas muito rapidamente nas últimas décadas – dos canais, aos meios e mensagens –, dos processos comunicacionais – interpessoais aos organizacionais, massivos e digitais – dos ambientes comunicacionais presenciais e midiáticos aos virtuais – e assim por diante, o que obriga a uma contínua busca pela revisão de conceitos e teorias, suas reelaborações e a formulação de novos conceitos e teorias para se dar conta das transformações. Por outro lado, o campo congrega uma diversidade muito interessante, além de perpassar e ser perpassado por outras ciências.

Quanto ao seu desenvolvimento, do ponto de vista do ensino é algo extraordinário em número de escolas e cursos de graduação (Jornalismo, Publicidade, Relações Públicas, Editoração, Rádio e Televisão, etc.) e de Programas de Pós-Graduação em Comunicação que têm linhas de pesquisa mais abertas de modo a contemplar a diversidade do campo e dar conta também de fenômenos ligados à cultura, à recepção, às relações entre comunicação e educação, às estruturas de meios de comunicação, às políticas públicas relativas ao campo, às expressões de comunicação nos diferentes universos tanto em termos de linguagens (impresso, audiovisual, ciberespaço) quanto de âmbitos (midiático, institucional, comunitário, etc.). Hoje são 64 cursos de pós-graduação (43 de mestrado e 20 de doutorado) reconhecidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), em contraste com o fim dos anos 1980 quando existiam 6 (seis), sendo 3 (três)cursos de mestrado e outro tanto de doutorado). Existem ainda várias associações científicas nacionais, além de uma federação de associações em nível nacional (SOCICOM – Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação), e outra que abarca as associações do mundo lusófono, (CONFIBERCOM – Confederação Ibero-Americana das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação).

3. Que balanço em sua opinião poderia ser feito no âmbito das Ciências da Comunicação, pensando a sua produção científica no plano nacional e no internacional?

É uma produção em ascensão. Nunca se publicou tanto na área como nos últimos anos. Dezenas de coletâneas e livros autorais são lançadas no Congresso Intercom a cada ano. É elevado o número de periódicos científicos em circulação. O número de trabalhos publicados em Congressos da Intercom é equivalente a seis por ano, um nacional e um por região geográfica; por exemplo, isso dá conta de demanda significativa provinda de todas as regiões do Brasil. De 2009 a 2013, foram selecionados 4.524 papers para apresentação nos Grupos de Pesquisa (GP), no conjunto de todos os seis eventos. Esses receberam inscrição de 42 mil participantes nesse mesmo período1. Gostaria de ressaltar que esse movimento corresponde à participação tanto de pesquisadores sêniors como de jovens, o que tem caracterizado uma importante abertura da área para a formação e acolhimento de novos pesquisadores. Nessa perspectiva, há ainda um grande incentivo por parte da Intercom, ao institucionalizar, no âmbito de seus eventos, espaços específicos (Intercom Junior) para apresentação de trabalhos de iniciação científica. 

Num outro sentido, e sem a pretensão de fazer um balanço, diria que, em termos de América Latina e países lusófonos, é crescente a presença de pesquisadores apresentando trabalhos, sendo que a maior presença tem sido de brasileiros. Em outros termos, levantamentos têm mostrado a tendência da presença majoritária de brasileiros – em relação à America Latina e países de língua portuguesa – em eventos internacionais, tais como no Congreso Latinoamericano de Investigadores de la ComunicaciónAnnual Conference of the International Association for Media and Communication Research;  Congresso Internacional Ibercom; Congresso Internacional de Comunicação Lusófona etc.

4. Acesso Aberto, o que isso significa para os editores científicos e os autores dos artigos de periódicos acadêmicos das Ciências da Comunicação? Quais são os resultados obtidos, até o momento, nesse sentido?

Significa uma possibilidade imensurável de democratizar o conhecimento, torná-lo mais acessível e provocar o debate. Dadas as dificuldades de circulação do periódico impresso num país com as dimensões do Brasil e, ainda, devido às características bastante regionais da maioria deles, a disponibilização online realmente potencializa o acesso e a circulação da informação.

5. Você poderia falar sobre a Intercom – Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, tanto em relação à sua história (desde 1977), quanto ao que ela vem representando para a área nessas últimas décadas de mudanças efetivas, em especial com o uso de novas tecnologias?

A Intercom – RBCC foi o primeiro periódico científico a ser disponibilizada para acesso gratuito na internet ainda no início da década passada.  Iniciou como periódico modesto, mas significativo para um campo que dava os primeiros passos em torno de sua organização. Foi se aperfeiçoando no decorrer dos anos, com esforço de vários editores. Atualmente é uma revista científica de alta reputação na área da Comunicação, cujos processos de submissão online de artigos, de seleção, além dos aspectos técnicos e de formatação têm inspirado o aperfeiçoamento de outros periódicos. Sua missão é contribuir para a difusão do conhecimento científico e a reflexão pluralista sobre Comunicação de modo a alcançar seus objetivos, que são: (a) Promover e divulgar a pesquisa científica acadêmica nacional e internacional sobre Comunicação; (b) Contribuir para desenvolver o nível da investigação e do ensino universitário de Comunicação; (c) Servir de espaço para a reflexão sobre temas de interesse público do âmbito da Comunicação.

6. Quais os próximos projetos de melhoria da produção científica vinculados às políticas de ação da Intercom? Há um levantamento sobre os periódicos da área que já estejam indexados na WoSScopus e na coleção SciELO?

Bem, a Intercom é uma associação civil sem fins lucrativos que atua na perspectiva de contribuir para que o campo da Comunicação se desenvolva em bases sólidas, avance e se consolide enquanto ciência, e amplie a conquista de espaço acadêmico-científico nos níveis nacional, regional e internacional. A ela não cabe realizar a pesquisa propriamente dita, nem o ensino regular formal, mas colaborar tornando acessíveis subsídios teóricos à pesquisa, ao ensino e à extensão universitária, proporcionando espaço a pesquisadores, docentes e outros profissionais, além de estudantes, por meio de livros, revistas científicas, congressos, internet etc., como canais de expressão para a comunicação pública do que é produzido de modo que possa ser compartilhado e avaliado pelos pares e apropriado pela sociedade.

No que se refere à indexação de periódicos da área em bases internacionais, infelizmente o número é baixíssimo.  Em estudo que realizei em 2011, pude identificar a existência de 71 periódicos científicos de Comunicação no Brasil, a maioria desse total concentrada na região Sudeste. Desse número, apenas cinco atualmente têm a melhor classificação do sistema Qualis de Avaliação de Periódicos, pela CAPES, obtida na área, a A2. E apenas uma revista, a Intercom – Revista Brasileira de Ciências da Comunicação está indexada no SciELO. A meta agora é indexar nossa revista em outras bases internacionais. Em relação aos indexadores internacionais, todas as cinco melhores revistas estão no Directory of Open Access Journals (DOAJ), nenhuma no Scopus ou WoS. Mas, algumas fazem parte da Red de Revistas Científicas de América Latina y el Caribe, España y Portugal (RedALyC), um projeto impulsionado pela Universidad Autónoma del Estado de México  (UAEM), e um tanto mais próximo ao campo da Comunicação.

Notas

1 Informação transmitida pela diretoria da Intercom com base em levantamento feito recentemente.

Fonte: SCIENTIFIC ELECTRONIC LIBRARY ONLINE. Entrevista com Cicilia K. Peruzzo [online]. SciELO em Perspectiva, 2013 [viewed 03 April 2018]. Available from: http://blog.scielo.org/blog/2013/09/10/entrevista-com-cicilia-k-peruzzo/

Essa entrevista foi publicada no Blog SciELO em Perspectiva em 

Redes sociais e periodismo científico: desafios aos editores, por Viviane Gonçalves de Campos

No v. 40, n. 2, abr./jun. 2014, do periódico “Educação e Pesquisa”, Jaime L. Benchimol, pesquisador titular da Casa de Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz, e editor científico de História, Ciências, Saúde Manguinhos, com Roberta C. Cerqueira e Camilo Papi publicaram o artigo “Desafios aos editores da área de humanidades no periodismo científico e nas redes sociais: reflexões e experiências¹”que traz à tona reflexões sobre as dificuldades e experiências em se produzir, manter e divulgar um periódico de qualidade. Estratificado com A1 Qualis/Capes, HCS-Manguinhos é publicada trimestralmente, seus artigos são publicados no idioma original (português, inglês, espanhol e francês) e possuem traduções para o inglês. Indexada em índices de destaque nacional e internacional, busca ampliar sua visibilidade e citação.

Em três eixos os autores discutem: 1) os processos de hierarquização e internacionalização dos periódicos brasileiros; 2) as formas de divulgação de conteúdo e avaliação do seu impacto; e, 3) as tendências quantitativas e produtivas que cercam o meio acadêmico. Além disso, abordam as dificuldades para internacionalizar o periódico HCS-Manguinhos e a experiência com o uso das redes sociais. Apresentam questões específicas da pesquisa na área de humanas e ponderam sobre o número de periódicos brasileiros em funcionamento (entre três a quatro mil) em detrimento a quantidade/qualidade e como os órgãos avaliativos e as políticas interferem nesse processo.

Cabe ressaltar que os argumentos levantados neste artigo têm sido alvo de discussões por pesquisadores, entidades, grupos, bases de dados, entre outros, dos rumos e alternativas para que a pesquisa brasileira possa se consolidar no meio internacional. Publicações recentes apontam o crescente número de produções versus o baixo índice de tudo que se publica em nosso país.

Pautado nas discussões apresentadas nesta entrevista, Jaime emite seu ponto de vista aos desafios presentes na gestão, publicação e internacionalização de um periódico e com sua experiência auxilia-nos a compreender como intervir no processo de melhoria.

1. O artigo de sua autoria e da equipe do periódico HCS-Manguinhos apresenta um histórico de avanços e conquistas sistemáticas que são notáveis para um periódico da área de humanas – pela sintonia oportuna da direção e gestão do periódico em resposta aos estímulos e demandas externas dos sistemas de indexação, avaliação e ranqueamento como são o Qualis, o SciELO e os índices internacionais WoS e Scopus –. O texto sinaliza que os estímulos e demandas externas implicaram desafios para a condução do periódico, mas o fato é que HCS-Manguinhos passou a ocupar posição destacada enquanto periódico do Brasil com crescente inserção no fluxo internacional de informação científica. Além da liderança do editor-chefe, quais as características da gestão do HCS-Manguinhos que permitiram e/ou facilitaram a conquista desta posição destacada?

Em termos mais imediatos, essa conquista deve-se ao trabalho de uma equipe dedicada, competente, com ótimo entrosamento. O periódico só tem essa equipe e só pôde reunir os recursos materiais e simbólicos para as inovações que implementou até agora porque está inserida numa instituição pública que, primeiro, valoriza seus periódicos científicos, desde o mais tradicional, as “Memórias do Instituto Cruz”, aos mais recentes; e investe neles, o que muitas instituições não fazem, em geral por miopia administrativa; segundo, por estar HCS-Manguinhos numa instituição biomédica que impõe a suas unidades e equipes uma ‘cultura’ na qual a veiculação de conhecimentos em forma de artigos é muito valorizada. Lembro que, quando foi criada a Casa de Oswaldo Cruz, há 28 anos, os historiadores e cientistas sociais chamados a integrá-la eram muito mais afeitos à produção de livros, estranhavam essa hegemonia do periódico, característica da área biomédica e de outros campos científicos, e que só agora contamina por inteiro a área de humanas. Outro valor a que muito cedo tivemos de aderir foi a tendência já cristalizada na Fiocruz de investir na internacionalização de suas produções. Sua trajetória desde o laboratório fundado em fins do século XIX para produzir soro e vacina contra a peste bubônica mostra que as conquistas institucionais dependeram, desde cedo, da repercussão junto às elites letradas do país de êxitos alcançados em âmbito internacional. Por último, mas não menos importante, está o fato de terem assumido, nos anos 1980, o comando da Fiocruz, intelectuais progressistas que lideravam o chamado movimento sanitarista, responsável pela promulgação da reforma sanitária e do SUS no contexto da redemocratização do país. Eram médicos que muito valorizavam a reflexão histórico-social crítica, e que transformaram a história numa das atividades finalísticas dessa instituição biomédica. Tais fatores, em minha opinião, ajudam a explicar porque pudemos responder consequentemente a tendências conjunturais que se impuseram a toda a comunidade acadêmica brasileira a partir dos anos 1990: as políticas e ações de estímulo à internacionalização da ciência brasileira, com suas faces positiva e danosa… Uso esta última palavra para designar a ideologia produtivista burra, burocrática, que impregna muitas instituições e agências governamentais, com sua fome insaciável por números e sua incapacidade de analisar e promover adequadamente a qualidade.

2. Quais as lições que a condução dessa trajetória do HCS-Manguinhos, merecem ser compartilhadas com os outros periódicos?

Em primeiro lugar, a importância da profissionalização do trabalho editorial. Sou do tempo em que se faziam textos com máquina de escrever e periódicos com mimeógrafo. As engrenagens envolvidas hoje na produção, veiculação, indexação e ‘qualificação’ de um periódico, em condições de navegar num mundo cada vez mais globalizado e competitivo, são cada vez mais complexas, e os editores de minha geração (ultrapassei o marco dos 60 anos) têm (acho eu) dificuldade de acompanhar o ritmo acelerado de mudanças que ocorrem nas tecnologias de informação. Editores e grupos de pesquisa que têm o desejo de criar e manter um bom periódico deparam-se com custos altos, e não estou me referindo apenas aos custos financeiros. É preciso aparelhar-se adequadamente e, tão importante quanto conquistar o apoio das agências de fomento, é convencer os dirigentes das universidades ou instituições de que periódicos científicos são indispensáveis e são custosos e complexos e não podem ser feitas à base de improvisações e do voluntarismo de alguns abnegados. Essa é uma luta que associações profissionais como ANPUH e AMPOCS deviam encampar. Nos orçamentos das instituições de ensino superior, a rubrica ‘publicações científicas’ devia ser muito mais valorizada, e esses recursos tanto podem ser destinados ao custeio de periódicos próprios ou interinstitucionais como ao custeio da publicação de artigos pelos docentes das universidades.

3. Os periódicos do Brasil, não obstante os desafios que representam os critérios de qualificação exigidos pelos sistemas de indexação e avaliação, gozam de total liberdade de gestão editorial. No artigo você e sua equipe defendem que “toda a produção intelectual tem direito a um lugar ao sol, e todo periódico, desde o mais rudimentar boletim estudantil, cumpre papel importante na formação de cada autor e da cultura científica em geral”. Mas, muitos periódicos foram (e continuam sendo) criados para responder ao produtivismo científico e assim a liberdade editorial é impregnada pela endogenia, que o artigo assinala como “prima-irmã do compadrio, traço da identidade brasileira muito forte também no meio acadêmico”. Segundo sua experiência, como os editores-chefes e responsáveis dos periódicos podem e devem lucrar com a liberdade de gestão editorial em prol de uma comunicação científica pautada pela ética e mérito?

Escrevemos no artigo em debate que toda a produção intelectual tem direito a um lugar ao sol e cumpre papel importante, mas isso não quer dizer que não sejam estabelecidas de forma inexorável hierarquias de competências, de know-how e de qualidade. Por isso, vemos de forma crítica a proliferação de periódicos endógenos que recorrem a expedientes mais ou menos oportunistas para ‘dourar’ as ‘pílulas’ de conhecimento que distribuem. Digo que vejo de forma crítica porque, como membro por um tempo do comitê SciELO, incumbido de selecionar periódicos para figurar em seu portal, deparei-me com grande quantidade de periódicos endógenos e paroquiais, com aspirações desarrazoadas para a qualidade do que tinham a oferecer. Para muitas instituições ou comunidades de pesquisa que recorrem a essa estratégia de valorização de seu capital simbólico, muito mais razoável e eficaz seria direcionar suas produções de qualidade para periódicos bem conceituados nas áreas de conhecimento pertinentes, periódicos com condições de dar tratamento e visibilidade muito maiores a esses trabalhos. Grupos e instituições podem negociar isso de várias formas com os editores dos periódicos com os quais tem afinidades programáticas. Isso não significa desmerecer os esforços honestos, feitos com seriedade, daqueles que fundam novos periódicos em condições de prosperar pela qualidade, abrangência ou originalidade do que tem a oferecer.

4. As tecnologias de informação e comunicação contribuem com sucessivas inovações em prol do aperfeiçoamento da comunicação científica desde que a publicação online passou a existir a partir dos anos 90. A disseminação e compartilhamento de informação adquiriram uma nova dimensão com as redes sociais na última década. Entretanto, o artigo científico na sua essência permanece inalterado para a maioria dos periódicos. Ao mesmo tempo, o artigo da equipe do HCS-Manguinhos faz uma ode à versão impressa do periódico? Não parecem extemporâneas as alegações de que a versão impressa é essencial frente a possíveis apagões ou para atender leitores excluídos do acesso à Internet, visto que a frequência que ocorrem e o público que se pretendem proteger é mínimo em relação ao volume de leitores que usufruem na publicação online? Em sua opinião, existirão mudanças nos artigos propriamente ditos?

Sua pergunta me faz lembrar aquele hino entoado à época ditadura militar: “Noventa milhões em ação / Pra frente, Brasil … Todos ligados na mesma emoção/ Tudo é um só coração!…” Lembra? Pois é, a pergunta é feita a um camarada de 60 anos que aprendeu a amar os livros e publicações em papel, e em nome dessa geração e das mais novas, que valorizam ainda o objeto impresso (como valorizam os discos de vinil), eu protesto contra a suposição de que este valor seja ‘extemporâneo’. Não é apenas um sentimento, um afeto, é também um modo de ler, refletir e anotar que não pode prescindir do papel, e que não se pode reproduzir nos suportes eletrônicos. Depois, como historiador, sei que a Manguinhos em papel continuará impávida, por séculos, nas prateleiras das bibliotecas, ao passo que os servidores, as nuvens, os HDs que agasalham as edições digitais têm existência muito mais efêmera. Terceiro, que provas há de que é mínimo o volume de leitores que usufruem da publicação em papel? Você pode dizer que a publicação onlinetem poder de difusão incomparavelmente maior, e por isso mesmo investimos decididamente nela. Por último, no ponto de vista deste sexagenário, as edições digitais não têm (ainda) a beleza e a praticidade das edições em papel. Pode ser que essa crença venha a perecer junto com quem a enuncia. Quem viver verá. E o papel enfrenta ameaças poderosas, especialmente custo, tempo e espaço. Este é cada vez mais exíguo, e o viajante que vier a se hospedar num tubo de metal, como já acontece no Japão, certamente terá mais vantagem em ler, digamos, a última obra de Benchimol num celular. Custo é uma variável decisiva, e os tempos de vacas gordas, até para HCS-Manguinhos, estão por um fio. Quanto ao tempo, para aqueles que precisam devorar dez Cervantes por dia e mais um monte de notícias e dados, durante viagens em vagões lotados de metrô, entre muitas reuniões durante jornadas nervosas, estressantes, não há dúvida de que as publicações online são um must. Mas HCS-Manguinhos não quer desatender aqueles que prezam ou tem o privilégio de poder virar as páginas de um livro ou periódico, comodamente e sem pressa.

Ok. Meu argumento é caricato. Há pouco virei fã da portabilidade que um tablet permite, da rapidez com que se pode hoje adquirir e baixar um texto ou livro. Fico assombrado com a quantidade de materiais interessantíssimos que se pode obter via internet, mas gosto de ter também à minha volta, sólidas e reconfortantes prateleiras de livros e periódicos. O ideal a meu ver, e na perspectiva ainda de muita gente, é conciliar os suportes. E digo isso consciente de que às vezes a opção pela veiculação online exclusiva pode ser uma saída para muitos periódicos bons que lutam para sobreviver ou para dar os saltos necessários à internacionalização.

5. Os dados apresentados no artigo favorecem o uso das redes sociais e confirmam a experiência de muitos periódicos do exterior. Entretanto, o artigo expressa a necessidade de reorganização da equipe e de recursos para fazer frente à dinâmica acelerada das redes sociais. Quais as mudanças concretas que o HCS-Manguinhos implantou para a operação regular do periódico para atender tanto a avaliação de manuscritos, editoração e publicação dos artigos, quanto às publicações e interações nas redes sociais?

Nosso fluxograma tornou-se mais complexo. Os trabalhos de redação, revisão e versão aumentaram, e consequentemente também os custos. O periódico e as redes sociais têm ritmos, linguagens e públicos muito diferentes. O sujeito pode ser ‘bam-bam-bam’ na feitura ou avaliação de um texto acadêmico e um desastre nos textos ágeis e concisos que um BlogFacebook ou Twitter exigem. Talvez as gerações mais novas de editores, educadas desde cedo no universo digital, tenham mais facilidade para conciliar tais habilidades. Seja como for, para um periódico, o ingresso nas redes sociais representa custo adicional em termos de força de trabalho e de recursos financeiros, mas se o trabalho for bem feito os resultados compensam largamente. Digo bem feito porque as redes sociais exigem constante atualização de conteúdos. Não vale à pena criar páginas e deixá-las inalteradas por semanas ou dias. O SciELO abriu aos periódicos da área de humanas de sua base a possibilidade de desfrutarem destas novas personas unindo forças. Esse é um caminho. Por outro lado, da mesma forma como se discute hoje a ideia de cobrar dos autores a publicação de seus trabalhos, como já acontece em muitas áreas ou países (um tabu nas humanas), talvez seja o caso de se discutir também as possibilidades que as redes sociais abrem em termos de publicidade e obtenção de recursos (outro tabu).

6. De acordo com o artigo da equipe do HCS-Manguinhos, o processo de gestação e de consumo da pesquisa na área de humanas é diferente das outras áreas. Esta afirmativa está sempre presente no grupo de editores e nas discussões da área. O que fazer para que haja isonomia entre as áreas no processo avaliativo?

Acho que a avaliação deve sempre levar em consideração as peculiaridades de cada área. Esse é o verdadeiro sentido de isonomia.

7. A internacionalização dos periódicos promovida pelo SciELO abrange três aspectos principais. A composição dos corpos editoriais com a participação crescente de editores e pareceristas estrangeiros, o uso predominante do idioma inglês e o aumento de autores com afiliação no exterior. O HCS-Manguinhos possui praticamente todos os pré-requisitos formais para a plena internacionalização – indexação internacional, capacidade de publicação em inglês, capacidade de articulação internacional, etc. Quais são as dificuldades ou barreiras para que o HCS-Manguinhos se posicione como um periódico plenamente internacionalizado.

Acho que já estamos bem encaminhados. É um processo e ele tem seu tempo. A entrada de Marcos Cueto como coeditor científico do periódico, um profissional respeitadíssimo internacionalmente, acelerou a obtenção de pareceristas e autores internacionais. À medida que vamos nos tornando conhecidos fora do país, tende naturalmente a aumentar o número de colaborações vindas de fora. A crise internacional, o crescimento do interesse pelo Brasil nos últimos anos (espero que se mantenha!), os estímulos dados por muitas instituições estrangeiras à publicação em periódicos de acesso aberto favorecem o nosso esforço de internacionalização. HCS-Manguinhos, como outros periódicos da área de humanas, publica textos mais extensos e mais elaborados estilisticamente que os de muitas outras áreas científicas, e o periódico, que já era muito cuidadoso na preparação dos textos na língua vernácula, quer manter esse padrão na língua estrangeira (elegemos o inglês)… Isso dificulta o processo, tanto em termos de custos quanto de qualidade dos profissionais. Estamos com um time muito bom de tradutores, mas não é fácil encontrar bons profissionais. As empresas ou free lancers que dão conta dos textos curtos e muito mais padronizáveis da área biomédica em geral não dão conta dos textos de HCS-Manguinhos. Estou otimista quanto à perspectiva de em breve chegarmos à plena internacionalização tanto do periódico como de suas personas nas redes sociais. Na contramão dos tempos mui modernos, é devagar que se vai ao longe ou, se preferir, a pressa é inimiga da perfeição.

Nota

¹ BENCHIMOL, J. L.; CERQUEIRA, R. C.; PAPI, C. Desafios aos editores da área de humanidades no periodismo científico e nas redes sociais: reflexões e experiências. Educação e Pesquisa. 2014, vol. 40, n. 2, pp. 347-364. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-97022014000200004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt&ORIGINALLANG=pt

Referências

BENCHIMOL, J. L.; CERQUEIRA, R. C.; PAPI, C. Desafios aos editores da área de humanidades no periodismo científico e nas redes sociais: reflexões e experiências. Educação e Pesquisa. 2014, vol. 40, n. 2, pp. 347-364. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-97022014000200004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt&ORIGINALLANG=pt

PACKER, A. L. A eclosão dos periódicos do Brasil e cenários para o seu porvir. Educação e Pesquisa. 2014, vol. 40, n. 2, pp. 301-323. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-97022014000200002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt&ORIGINALLANG=pt

REGO, T. C. Produtivismo, pesquisa e comunicação científica: entre o veneno e o remédio. Educação e Pesquisa. 2014, vol. 40, n. 2, pp. 325-346. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-97022014000200003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt&ORIGINALLANG=pt

Sobre Viviane Gonçalves de Campos

Bibliotecária e mestre em ciência da informação pelas Universidades Federais de Santa Catarina e do Paraná. Atualmente atua como consultora em projetos editoriais incluindo livros, revistas, blogs em âmbito nacional e internacional.

Como citar este post [ISO 690/2010]:
Fonte: CAMPOS, V. G. Redes sociais e periodismo científico: desafios aos editores [online]. SciELO em Perspectiva, 2014 [viewed 03 April 2018]. Available from: http://blog.scielo.org/blog/2014/09/05/redes-sociais-e-periodismo-cientifico-desafios-aos-editores/

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Início das aulas: abril na unidade Nações Unidas, em São Paulo

Inteligência de Mercado
Entre outras coisas, profissional entenderá a relatividade das áreas de conhecimento, fazendo com que a visão da solução de um problema ou da solução relacionada à Inteligência de Mercado seja abrangente e complexa; e aplicará os conhecimentos adquiridos na solução de problemas.
Início das aulas: abril na unidade Paulista, em São Paulo

Marketing Digital
Responde de forma robusta e estruturada o que todos executivos que desejam trabalhar com marketing digital devem saber sobre o futuro do marketing digital.
Início das aulas: março nas unidades Paulista e Nações Unidas, ambas em São Paulo

Técnicas de Liderança para Gestão de Pessoas e de Negócios
Prepara e capacita futuras lideranças para as empresas. Pesquisas apontam para um aumento substancial da complexidade na demanda sobre as lideranças em sua relação com sua equipe, pares e superiores.
Início das aulas: abril na unidade Nações Unidas, em São Paulo

ESPM

MBA e Pós

Big Data e Inteligência de Marketing
A pergunta que se busca responder é como analisar de forma coerente e rápida informações em tempo real e em quantidade não controlada, influenciando de forma estratégicas a tomada de decisão das empresas? Volume, Variedade, Velocidade e Veracidade definem as dimensões básicas do Big Data.
Investimento: 35 vezes de R$ 1.165,04
Início das aulas: março na unidade Joaquim Távora, em São Paulo

Inovação, Design e Estratégia
Prepara gestores para atuar no novo contexto em transformação, por meio do equilíbrio entre fundamentos teóricos, estudos de caso e práticas de mercado.
Investimento: 35 vezes de R$ 1.165,04
Início das aulas: março na unidade Joaquim Távora, em São Paulo

Ciências do Consumo Aplicadas
Conhecer as informações que influenciam nas decisões de consumo deve ser uma das estratégias de negócios adotadas por uma empresa para o alcance do sucesso.
Investimento: 35 vezes R$ 1.366,21
Início das aulas: março na unidade Joaquim Távora, em São Paulo

Atualização

Gestão da Inovação
Aprender principais conceitos e ferramentas para inovar. Prevê aulas dinâmicas, com atividades individuais e em grupo, para entender como criar modelos de negócios inovadores por meio do design thinking, da cocriação e do uso de ferramentas simples.
Investimento: 6 vezes de R$ 343,73
Início das aulas: maio na unidade Joaquim Távora, em São Paulo

Inteligência artificial e as novas tecnologias que estão revolucionando o marketing
A utilização da Inteligência Artificial no Marketing não é futurista, é presente. Curso quer apresentar essa nova realidade e como aplica-las nos negócios.
Investimento: 6 vezes de R$ 488,53
Início das aulas: abril na unidade Joaquim Távora, em São Paulo

Inteligência competitiva voltada para resultados
Desenvolver competências sobre coleta, análise e gerenciamento de informações, fatores essenciais para o processo de tomada de decisão em ambientes complexos.
Investimento: 6 vezes de R$ 343,73
Início das aulas: março na unidade Joaquim Távora, em São Paulo

FGV

A Fundação Getúlio Vargas abriu processo seletivo 2018 para seus mais de 90 cursos de MBA, nas unidades de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. As novidades para o próximo ano são cursos nas áreas de compliance, gestão estratégica de pessoas e contabilidade. As aulas começam a partir de fevereiro, no período noturno (duas vezes por semana) ou aos sábados (quinzenalmente).

Além dessa grade, a FGV tem mais 40 cursos livres de curta duração, nas unidades de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Os cursos variam de dois dias até, no máximo, oito meses e abrangem os seguintes temas: empreendimentos culturais; big data; economia; estatística; negócios digitais; finanças para empreendedores; controladoria; contabilidade; gestão de franquias; gerenciamento do preço e venda; negócios audiovisuais; gestão de pessoas; inovação; gerenciamento de projetos; neurobusiness; social media marketing; gestão de competência; advocacy e políticas públicas; danos morais, assédio, discriminação e acidente do trabalho; liderança; gestão estratégica em negócios de moda; análise de dados aplicada à gestão de pessoas; trade e shopper marketing e negócio do vinho.

No RJ, os destaques são:

MBA em Gestão: Tecnologia da Informação
Apresenta conceitos e técnicas associados à gestão estratégica que vão capacitar o profissional a identificar/implementar soluções de TI a partir de uma visão integrada e alinhada às demais áreas da empresa.
Investimento: R$ 32.081,00 – condições especiais para matrículas antecipadas e ex-alunos da FGV
Início das aulas: março, na unidade Botafogo

MBA em Business Analytics e Big Data
Tornar o executivo capaz de analisar problemas empresariais e utilizar técnicas analíticas neste atual cenário caracterizado pela complexidade, diversidade e alto volume de dados digitais (Big Data). Será possível desenvolver competências gerenciais, analíticas (data science) e de engenharia de dados (data engineering) que o permitirão criar e implementar soluções analíticas viáveis e inovadoras.
Investimento: R$ 32.081,00 – condições especiais para matrículas antecipadas e ex-alunos da FGV
Início das aulas: março, na unidade Botafogo

MBA em Gestão: Business Process
Promove discussão sobre conceitos e técnicas associados à Gestão de Processos. Talento será capacitado para identificar e implementar soluções em sua empresa a partir de uma visão integrada e alinhada estrategicamente com todos os demais processos organizacionais.
Investimento: R$ 32.081,00 – condições especiais para matrículas antecipadas e ex-alunos da FGV.
Início das aulas: fevereiro, na unidade Barra

FDC

A Fundação Dom Cabral (FDC) conta com programas de prateleira e customizados para líderes. Confira abaixo algumas opções:

Programa Customizado: foco em equipes
A construção da Solução Educacional Customizada contempla um diagnóstico do funcionamento da equipe para identificar seus pontos de melhoria; o planejamento da intervenção conforme o impacto da atuação de cada membro; e a definição de mecanismos para acompanhar o seu desenvolvimento.

Liderança Transformadora
Programa propicia a base para que os executivos vençam o desafio de liderar equipes de alto desempenho, apresentando os novos paradigmas da liderança e como exercê-los.
Investimento: R$ 15,9 mil
Início das aulas: junho, em Nova Lima, Minas Gerais

Transformação digital e novos modelos de negócios
Programa no qual as organizações serão estimuladas a refletir, apresentar problemas e buscar soluções relacionadas à sua cultura organizacional. Sempre com foco na aplicabilidade de novas tecnologias e processos transformadores.
Investimento: R$ 7,9 mil
Início das aulas: maio

IED

Design Thinking 
Apresenta os fundamentos do Design Thinking na prática, promovendo uma experimentação do Design centrado nas pessoas. Espera-se, ao final do curso, que os participantes estejam aptos a atuar em projetos reais de inovação e ter a oportunidade de multiplicar este conhecimento.
Investimento: R$ 2.830
Início das aulas: abril (com término em junho), em São Paulo

Design Estratégico e Inovação
Alunos serão apresentados a novos modelos de negócios, apoiados por uma visão criativa, sustentável, responsável e colaborativa, traduzindo valores e aspirações humanas em soluções viáveis, tendo o Design como catalisador do processo de geração de valor.
Investimento: 18 vezes de R$ 2.150
Início das aulas: março (com 18 meses de duração), em São Paulo

Fonte: Redação, CIO. Publicada em 30 de janeiro de 2018 às 07h19 

Cinco tendências de Inteligência Artificial que dominarão 2018

Todos estão falando sobre Machine Learning, Deep Learning e AI. Mas antes colocá-las em produção, será preciso investir em áreas como gestão de dados. Sua empresa está preparada?

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Em 2017 vimos uma explosão de uso do Machine Learning em produção, e Deep Learning e outras áreas da Inteligência Artificial sendo alavancadas para aplicações práticas.

“As aplicações estão em todos os lugares”, diz Kenneth Sanford, cientista de dados da Dataiku, apontando para os “super-outdoors” do Piccadilly Circus, em Londres, que sustentam câmeras escondidas dedicadas à coleta de dados sobre o tráfego rodoviário, incluindo a marca e o modelo dos veículos que passam, para fornecer anúncios direcionados.

Então, onde esses frameworks e ferramentas de IA, Machine e Deep Learning nos levarão em 2018?

Falamos com uma série de líderes de TI e especialistas da indústria sobre o que esperar este ano.

As empresas começarão a usar a IA em áreas mais nobres  

A Inteligência Artificial já está entre nós, quer a reconheçamos ou não.

“Muitas organizações já estão usando IA, mas podem não se referir ao que fazem como ‘IA’ ‘, diz Scott Gnau, diretor de tecnologia da Hortonworks. “Por exemplo, qualquer empresas que lance mão de chatbots baseados em linguagem e natural e reconhecimento de voz para  contato com clientes está usando Inteligência Artificial”.

Mas muitas das implementações que utilizam tecnologias e ferramentas IA foram de pequena escala. Espere por aplicações mais relevantes em 2018.

“As empresas passaram os últimos anos se educando em várias estruturas e ferramentas de IA”, diz Nima Negahban, CTO e co-fundadora da Kinetica. “À medida que a IA se destaca, ela vai além das experiências de pequena escala, com as empresas buscando por ferramentas para automatizar, gerenciar e agilizar mais aplicações de Machine Learning e Deep Learning relacionadas com aplicações core.”

Mas o hype ainda será maior que o ROI

Ramon Chen, diretor de produto da Reltio, é menos otimista. Chen diz que houve repetidas previsões, durante vários anos, sobre os potenciais avanços no uso da IA ​​e do Machine Learnings, mas a realidade é que a maioria das empresas ainda não viu benefícios mensuráveis ​​para seus investimentos nessas áreas.

Para ele, até o momento, vivemos um hype exagerado e a maioria das empresas segue relutante em começar devido a uma combinação de ceticismo, falta de experiência e, o mais importante de tudo, falta de confiança em seus conjuntos de dados.

“A maioria das empresas tem que se dedicar a uma tarefa árdua, que antecede o investimento em IA: organizar seus dados de forma a garantir que eles possam ser reconciliados, refinados e relacionados, para descobrir informações relevantes que suportem a execução eficiente de negócios em todos os departamentos, sem perder de vista questões de compliance no tratamento desses dados”, diz Chen.

Chad Meley, vice-presidente de marketing da Teradata, concorda que 2018 será o ano da reação ao hype da IA, mas acredita que uma abordagem mais equilibrada da Deep Learning e aplicação do Machine Learning para oportunidades de negócios emergirá como resultado.

Embora possa haver uma reação contra o hype, isso não impedirá as grandes empresas de investir em IA e tecnologias relacionadas. Nem na arrumação da casa para receber a nova tecnologia.

“IA é o novo Big Data: as empresas vão correr para experimentar, precisando ou não”, diz Monte Zweben, CEO da Splice Machine.

Meley  menciona a edição 2017 do estudo State of Artificial Intelligence for Enterprises, lançado recentemente pela Teradata, que identificou a falta de infraestrutura de TI como o maior obstáculo para a obtenção de benefícios de IA, superando questões como acesso a talentos, falta de orçamento e casos de negócios fracos ou desconhecidos. “Os fornecedores já preparam soluções de IA de nível empresarial na nuvem e ofertas de suporte que superem as dores crescentes associadas à adoção de IA”, diz Meley.

Conjuntos de dados de treinamento continuarão sendo um desafio
Chen, da Reltio, não está sozinho em sua convicção de que as empresas precisam organizar seus dados, antes de qualquer iniciativa relacionada à IA. Tomer Shiran, CEO e co-fundador da startup de análise Dremio, envolvida no projeto open source Apache Arrow, acredita que um debate mais aprofundado sobre os conjuntos de dados necessários para as aplicações de IA se tornará ainda mais necessário em 2018.

“As empresas estão adicionando IA aos seus produtos para torná-los mais inteligentes, mais eficientes e até autônomos”, diz Shiran. “Em 2017, ouvimos argumentos concorrentes para saber se a IA criaria empregos ou iria eliminá-los, com alguns chegando até mesmo a vaticinar o fim da raça humana. O que começou a emergir como parte fundamental da conversa é que sem conjuntos de dados para  treinamento, capazes de moldar o comportamento dos modelos de IA, não chegaremos a lugar algum”.

Shiran alerta que esses modelos serão tão bons quanto os dados de treinamento usados por eles e o desenvolvimento de um conjunto de dados de treinamento representativo e efetivo é muito desafiador.

“Os seres humanos são irremediavelmente tendenciosos, e a questão para a IA se tornará se podemos fazer melhor em termos de preconceitos, ou se faremos pior, como chegou a acontecer com o bot da Microsoft no Twitter.

Este debate se concentrará na propriedade dos dados – quais dados possuímos sobre nós mesmos e quais dados empresas como Google, Facebook , Amazon, Uber, etc possuem sobre nós, capazes de gerar enormes conjuntos de dados que alimentariam nossos modelos “.

A IA deve resolver o problema da “caixa preta” com trilhas de auditoria

Uma das grandes barreiras para a adoção da IA, particularmente nas indústrias reguladas, é a dificuldade em mostrar exatamente como uma IA chegou a uma decisão. Negahban, da Kinetica, diz que a criação de trilhas de auditoria de IA será essencial.

“A IA está sendo aplicada cada vez mais a aplicações como a descoberta de medicamentos ou controle do carro autônomo, e essas aplicações podem ter um impacto prejudicial na vida humana se uma decisão incorreta for tomada”, diz Negahban. “Detectar exatamente o que causou a decisão incorreta, que provoque um problema sério, é algo que as empresas começarão a olhar em 2018. A auditoria e o rastreamento de cada entrada e cada pontuação que uma estrutura produz ajudará a detectar o qu exatamente  acabou por causar o problema, a nível de código.”

A adoção da nuvem irá acelerar para apoiar a inovação em IA

Horia Margarit, principal cientista de dados para Qubole, concorda que as empresas procurarão melhorar suas infraestruturas e processos para apoiar a aprendizagem de máquinas e os esforços de IA.

“À medida que as empresas procuram inovar e melhorar com o Machine Learning e a Inteligência Artificial, ferramentas mais especializadas serão adotadas na nuvem para suportar casos específicos de uso, como soluções para mesclar entradas sensoriais multimodais para interação humana (através dos cinco sentidos) ou soluções para fundir imagens de satélite com dados financeiros para catapultar capacidades de negociação algorítmica “, diz Margarit.

“Esperamos ver uma explosão em soluções baseadas na nuvem que acelerem o ritmo atual de coleta de dados e demonstrem a necessidade de computação disponível em provedores de nuvem gerenciada”, acrescenta.

Fonte: Redação, CIO com Thor Olavsrud (CIO/EUA). Publicada em 27 de janeiro de 2018 às 11h44