Acordo com a Boeing vai abrir novos mercados, diz a campeã Embraer

Símbolo de inovação, a Embraer, pela quarta vez consecutiva campeã do prêmio Valor Inovação Brasil, completa 50 anos em 2019 em plena metamorfose.

Diante do acordo com a Boeing, ela está transferindo o negócio de aviação comercial para uma nova empresa, a Boeing – Brasil Commercial, e compartilhará forças com a rival americana também na área de Defesa, na qual permanece controladora dos negócios.

E a meta, após essa mudança, é manter a trajetória vencedora construída ao longo de cinco décadas

“A Embraer vai continuar sendo uma empresa de referência em geração de conhecimento no Brasil. Temos um histórico de 50 anos de sucesso em pesquisa e desenvolvimento que nos permitirá continuar inovando não somente para o desenvolvimento de produtos e serviços, mas também em novos negócios, com foco na sustentabilidade da companhia”, diz o vice-presidente de Estratégia, Inovação e Transformação Digital da empresa, Luís Carlos Affonso.

Nos últimos anos, a Embraer investiu cerca de 10% do faturamento em pesquisa, desenvolvimento e inovação, em um setor reconhecido pelos ciclos longos, emprego de alta tecnologia e intensivo no uso de capital.

Em dez anos, foram cerca de US$ 5 bilhões para desenvolver aeronaves e conquistar mercados. Em 2018, esse percentual foi um pouco menor e ficou em torno de 6,5%, diante do avanço e conclusão de programas relevantes, como os do Praetor 600 e do KC-390. Em 2019, diz Affonso, a expectativa é repetir o índice do ano passado.

“Estamos no ciclo final do desenvolvimento de uma nova geração de aeronaves para o mercado de aviação comercial, executiva e defesa que posicionam a Embraer de forma bastante competitiva.

“Para os próximos anos, o volume de investimentos dependerá das oportunidades de mercado e terá como base a nova visão que está sendo construída para a empresa. A empresa também tem sentido os efeitos da demora na recuperação da economia.

 “A gente sente, principalmente, por causa dos negócios com a Defesa brasileira”, disse o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto. O executivo lembrou que quando a economia “não anda”os orçamentos são contingenciados.

“Consequentemente nossos projetos com a Força Aérea, agora com a Marinha e também com o Exército sofrem com esse contingenciamento”, destacou Gomes Neto durante a entrega do prêmio Valor Inovação Brasil.

 “Estamos torcendo para que a reforma da Previdência seja aprovada. Para ao menos trazer uma motivação para que a confiança do consumidor volte, a economia comece a andar.” O acordo com a Boeing pode abrir novos mercados para produtos já existentes da Embraer e possibilitar o compartilhamento de tecnologias entre dois gigantes da indústria aeroespacial.

Uma série de acordos de suporte garantirá benefícios mútuos e maior competitividade entre a companhia americana, a brasileira e as joint ventures resultantes do acordo comercial. .

A EmbraerX, subsidiária para inovação disruptiva, é uma das grandes apostas para o futuro.

“As atividades da EmbraerX são um exemplo dessa frente, em busca do desenvolvimento de ecossistemas que transformem a vida das pessoas, gerando negócios globais”, diz Affonso.

Com sede nos Estados Unidos, ela tem como missão desenvolver negócios que transformem o transporte aéreo do futuro, com a agilidade e a mentalidade de uma startup. Entre os projetos em evolução, um dos destaques é uma aeronave elétrica com capacidade de decolagem e pouso na vertical.

Fontes: Stella Fontes. Colaborou Marli Olmos. Valor Econômico, 3/7

Mesmo com PIB fraco não é possível deixar inovação de lado, dizem empresas

Para dirigentes de algumas das maiores empresas do país, apesar do cenário difícil para a economia neste momento, não dá para abdicar do investimento em inovação, sob o risco de poderem ficar para trás quando a recuperação ganhar força.

O vice-presidente do Bradesco André Cano afirmou ontem que a inovação independe de ciclo econômico, está cada vez mais disruptiva e virou necessidade absoluta das empresas, sob o risco de “sucumbirem.”

“No nosso caso específico, continuamos investindo da mesma forma em inovação durante a crise. Sem dúvida, para estarmos bem posicionado na retomada.”

De acordo com ele, a economia não está no ritmo que o banco imaginava no início do ano, mas continua otimista com o país. “Assim que a reforma da Previdência for aprovada, começará um processo de maior confiança, que vai levar à atração maior de capitais, inclusive externos”, afirmou o executivo.

O Bradesco foi vencedor no Valor Inovação Brasil 2019. Para o presidente da credenciadora de cartões Cielo, Paulo Caffarelli, o crescimento da economia abaixo do esperado impacta a empresa mais sob a ótica do volume de captura de pagamentos do que na inovação.

“Sentimos a volatilidade na captura, mas em nenhum momento deixamos de investir em inovação, na criação de novos produtos e serviços. Precisamos fazer bem o dia a dia, mas pensar a empresa no longo prazo”, afirmou.

A Cielo foi uma das premiadas no Valor Inovação. Ele afirmou que a Cielo crescerá neste ano em volume de transações e número de clientes e que a crise e a competição obrigaram a companhia a ser mais eficiente. Empresa de R$ 2 bilhões, a Cielo foca hoje em “market share”, em vez de rentabilidade.

Segundo ele, o Brasil é um celeiro de tecnologia e inovação. “Se conseguir superar os pontos para retomada do crescimento, como a reforma da Previdência, o Brasil não deixa a desejar em nada, principalmente na nossa área de meios de pagamento. Somos referência no mundo pelo trabalho que aqui é desenvolvido.”

Segundo Caffarelli, com a retomada do crescimento, haverá atração de investimentos ao país, seja pela demanda interna represada, seja pelo “pipeline”de projetos para infraestrutura.

No caso da Andrade Gutierrez, outra das ganhadoras, a estratégia foi juntar-se a startups para acelerar o desenvolvimento de novos processos de engenharia. Para o diretor de estratégia, excelência e inovação, Guilherme de Sousa Pinto, é em momentos de crise que a empresa mais busca inovação “para conseguir um processo de melhoria contínua”.

O programa de startups é feito duas vezes por ano e envolve entre cinco e dez empresas novatas. No último, 250 concorreram às vagas. “Em vez de ficarem em laboratórios, as empresas parceiras trabalham no canteiro da obra”, afirmou o executivo.

O presidente do Hospital Albert Einstein, Sidney Klajner, diz que existe uma tendência, nas empresas, de imaginar que a área de inovação será a mais prejudicada numa necessidade de corte de custos. “É claro que é preciso manter a máquina andando, mas, ao mesmo tempo, na área de saúde investir em inovação é uma forma de alcançar eficiência a custos mais baixos”, disse. Segundo ele, nos últimos tempos, o hospital tem investido, em média, 3% da receita em projetos inovadores. “Esse percentual passou a ser aplicado mais recentemente. Hoje estamos cada vez mais focados nessa estratégia.”

Fontes: Flávia Furlan e Marli Olmos, Valor Econômico, 3/7/2019

Crise reduz ritmo de investimento em pesquisa

Silvia Costanti/Valor
Prêmio Valor Inovação Brasil 2019

Os números apurados pelo anuário Valor Inovação Brasil 2019 apontam, em relação ao ano passado, uma redução de cinco pontos percentuais no número de empresas cujos orçamentos de inovação ficaram acima da média mundial – que é de 4,5% sobre a receita.

A pesquisa feita pela Strategy&, consultoria estratégica da PwC, mostra que no ranking das 150 companhias mais inovadoras tem havido avanços e recuos nos últimos três anos.

Na edição de 2017, o percentual de empresas que destinavam 5% de seus orçamentos ou mais na atividades de pesquisa e desenvolvimento e inovação (PD&I) era de 21%.

No anuário de 2018, foi registrado um salto para 30%, percentual que agora caiu para 25%. Houve, porém, nesse período, um avanço entre as empresas que aplicam entre 4% e 5% da receita em pesquisa.

O percentual subiu de 7 %, em 2017 , para 9%, em 2018, e alcançou 11% neste ano. Para Ricardo Pierozzi, sócio da Strategy&, os números revelam que a crise econômica que se arrasta no país tem exigido disciplina dos executivos para manter firmes as estratégias de PD&I.

Além disso, o perfil do mercado brasileiro é de pouca ousadia, observa o consultor. Segundo a pesquisa, as empresas aplicam mais recursos (56%) nas chamadas inovações incrementais – conjunto de ações para aprimorar bens, serviços e processos existentes.

O desenvolvimento de novas tecnologias (inovação radical) consome 20%. Para novos modelos de negócios são destinados 16%, e, para projetos revolucionários, 9%. Humberto Pereira, presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), afirma que a falta de ousadia é reflexo de um ambiente de negócios conturbado, pouco estimulante para os projetos de inovação.

“A crise atrapalha, mas nossa dificuldade é estrutural, não circunstancial”, alerta. Como exemplo, ele cita a indústria brasileira, que apresenta baixos índices de produtividade e está à margem da cadeia global de valor.

“Talvez esta crise tenha surgido porque não fizemos a lição de casa”, enfatiza. Estimular a inovação e o empreendedorismo no Brasil – criando condições para um salto de competitividade – requer articulação política.

As demandas são velhas: reduzir a burocracia, melhorar a infraestrutura e modernizar as regras de negócios. “Precisamos de um direcionamento estratégico para a inovação”, defende Pereira. O que já era preocupante para o futuro da pesquisa científica e da inovação em 2018 tornou-se ameaçador neste ano.

Em função da estagnação econômica, o governo Jair Bolsonaro promoveu um drástico contingenciamento de 42,7 % nas despesas de investimento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), o que tem causado grande apreensão na comunidade científica.

Para o professor Naercio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, além da falta de verbas, há um histórico vácuo nas relações entre o meio acadêmico e a iniciativa privada, o que impede o surgimento de projetos inovadores.

“O setor público impõe regras que não facilitam a aproximação com as empresas e as empresas privadas são burocráticas. Pouco avançamos em políticas de P&D e de patentes”, diz. Segundo Menezes Filho, o Brasil se encaixa no perfil descrito na obra “Por que as Nações Fracassam”, de Daron Acemoglu e James Robinson.

“Aqui, as empresas evitam a concorrência e optam por gastar mais em lobby do que em políticas de inovação.” O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) luta para recompor o orçamento (do total previsto de R$ 5,07 bilhões para este ano, 42% foram contingenciados) e recuperar importância estratégica no desenvolvimento econômico do país.

“Nosso desafio é transformar conhecimento científico e tecnológico em valor”, destaca Paulo Alvim, secretário de Empreendedorismo e Inovação do MCTIC. Segundo Alvim, o Brasil já provou que tem capacidade para produzir ciência.

 “Nossa academia está no G-20”, comenta, ao observar que o país ocupa o 13º lugar no ranking global de produção científica. Apesar da qualidade acadêmica, a balança comercial ainda está centrada em commodities e produtos de baixo valor agregado.

“Além de toneladas de grãos, temos de vender aviões, fármacos e outros produtos intensivos em conhecimento”, defende. A classificação do ranking de Valor Inovação Brasil aponta nessa direção.

Do conjunto das dez líderes em inovação em 2019 fazem parte, pela ordem: Embraer, Natura, Whirlpool, Hospital Albert Einstein, Weg, Petrobras, Bradesco, Cielo, CNH Industrial e Grupo Boticário.

Mais do que alocar recursos e ampliar investimentos, as empresas inovadoras estão se abrindo para novos formatos de trabalho.

O relato das empresas líderes do ranking não deixa dúvidas sobre a importância do trabalho colaborativo para inovar.

Mais da metade (58%) das 210 empresas ouvidas atua com equipes multidisciplinares, ambientes abertos, fóruns de discussão internos e maior flexibilidade da jornada de trabalho.

Outro ponto fundamental, segundo as empresas que participaram da pesquisa, é a inovação aberta, em que se destacam parcerias com universidades, institutos de pesquisa e, sobretudo, com startups, que fertilizam o ecossistema da inovação.

O Brasil embarcou nessa onda nos anos 2000 ainda de forma embrionária, mas as iniciativas de inovação aberta se intensificaram aceleradamente a partir de 2010, fato comprovado pelos resultados pela pesquisa.

Quando questionadas sobre qual perfil é baseada a estratégia de inovação, 93% das empresas reportaram apostar na inovação aberta, e apenas 7 %, na fechada. No ano anterior, esses percentuais eram de 85% e 15%, respectivamente.

Fontes: Ediane Tiago e Guilherme Meirelles,Valor Econômico, 03/07/2019

Diante de incertezas, chave é aprender rapidamente, diz John Hagel

Americano John Hagel, cofundador do Deloitte Center for the Edge, se apresentando em uma palestra nos Estados Unidos
O americano John Hagel é cofundador do Deloitte Center for the Edge, centro de estudos da consultoria localizado no Vale do Silício, na Califórnia – James Duncan Davidson / TED

SÃO PAULO

Em um mundo de rápidas mudanças, empresas precisam se transformar e encontrar novos negócios para desenvolver e tornar sua atividade principal no longo prazo na opinião do consultor americano John Hagel.

Cofundador do Deloitte Center for the Edge, centro de estudos localizado no Vale do Silício, na Califórnia, Hagel estuda oportunidades emergentes nos negócios e aconselha empresas sobre como aproveitá-las.

Na opinião do especialista, o avanço tecnológico desloca o modo como as companhias ampliam sua rentabilidade. 

Antes, dependiam de atividades com mais escala e mais eficiência. Agora, é preciso que elas consigam aprender com agilidade para mobilizar recursos que atendam uma demanda cada vez mais mutável.

À Folha, Hagel se contrapõe àqueles que recomendam o estudo de programação para quem estará no mercado de trabalho nas próximas décadas. Segundo ele, como as mudanças serão cada vez mais rápidas, terá sucesso quem for capaz de se adaptar a elas com agilidade. Por isso, o mais importante é descobrir qual a sua paixão e como fazer algo que tenha valor a partir dela, diz.

Quais os maiores medos dos líderes em relação à inovação? 

O maior medo é o risco. Inovação, por definição, é algo que não é provado. 

As empresas sabem que precisam inovar para ter sucesso, mas, por outro lado, elas têm receio do que pode acontecer se não der certo.

O senhor costuma falar que a inovação vem das bordas, não do centro. As empresas precisam abrir mão do que fazem?

Isso está relacionado à transformação das empresas. Transformar é voltar para as perguntas mais básicas, sobre o que é o negócio e como ele deveria ser.

Nesse contexto, acreditamos que a melhor forma é fazer isso pelas bordas. Encontrar áreas que hoje são modestas e achar as forças exponenciais que estão impulsionando as mudanças para que possa crescer e se tornar o novo centro de seu negócio.

Para fazer isso, as empresas devem olhar quanto para frente? 

As empresas de sucesso no Vale do Silício olham para perto e para longe, com um horizonte de até 20 anos. Com isso em mente, você pode observar o que hoje ainda é relativamente pequeno, mas, levando em conta as transformações do mercado, pode se tornar o novo centro de seu negócio.

O que move essas transformações?

No modo tradicional de fazer negócios, o modelo era baseado na busca de eficiência escalável. Para ter mais sucesso, você precisava ser mais eficiente em larga escala. 

Nossa crença é que, em um mundo que está mudando rapidamente, a eficiência tem retornos decrescentes. Conforme você se torna mais eficiente, fica mais difícil conseguir mais ganhos a partir dela.

Dado o nível de incertezas do mundo, a chave agora é aprender mais rapidamente.

Por que a mudança atingiria setores tradicionais, como têxtil e agricultura?

No mundo dos negócios tradicionais, você tem uma previsão de demanda e empurra as pessoas para o lugar certo na hora certa. Em um mundo de mais transformações, previsões se tornarão mais desafiadoras. Nesse novo mundo de negócios, o desafio é encontrar plataformas a partir das quais é possível puxar as pessoas certas na hora certa e no lugar certo para lidar com a demanda do momento.

Uma das áreas que se desenvolvem mais rapidamente é a indústria têxtil, que lida com a demanda imprevisível.

Estudamos, por exemplo, uma empresa chinesa que, basicamente, orquestra todos os recursos que precisa, da matéria-prima à produção e à logística, para responder à demanda rapidamente a partir de uma rede de 15 parceiros de negócios. Criaram uma plataforma global muito diversa para ter a capacidade e expertise certa quando precisam.

Estamos falando de coisas como economia sob demanda e relações de negócios mais flexíveis?

Sim, de conectar expertises de modo mais rápido e flexível.

O senhor tem visto companhias que encontram oportunidades nas bordas?

Há alguns exemplos iniciais. Um banco americano muito antigo, o State Street, fundado em 1793, atuou de forma tradicional no varejo em grande parte de sua história. Nos anos 1970, passou a sofrer mais pressão. Um dos executivos viu no departamento responsável pela retaguarda da empresa grande capacidade de processamento para a realização de transações. Decidiram, então, oferecer a outros bancos a capacidade ociosa.

Começaram a tornar isso disponível para outros aos poucos e logo viram que havia demanda por essa capacidade de processamento. Expandiram essa unidade até se tornar o centro de seu negócio, terceirizando a operação para outras instituições financeiras.

Outro tópico de seu estudo é o futuro do trabalho. O que as pessoas devem estudar para se preparar para ele?

Tenho duas filhas. O único conselho que dou a elas é que encontrem sua paixão. Não parem até encontrá-la. Depois disso, busquem uma forma de ganhar dinheiro a partir dela.

No futuro, haverá cada vez mais pressão para se tornar melhor rapidamente, para aprender rapidamente. Se você não tiver paixão pelo que faz, não estará apto para isso.

Uma coisa que me preocupa é ver cada vez mais pais colocando filhos em cursos de programação por acreditar que tecnologia é o futuro. Mas se você não é apaixonado por tecnologia, não vai conseguir aprender na velocidade que precisa para acompanhar as transformações da tecnologia. Se não aprender rapidamente nessa profissão, vai ficar marginalizado.

Muitos trabalhos estão em risco? 

Fala-se muito sobre o futuro do trabalho. Mas ninguém está discutindo o que o trabalho deve ser.

Atualmente, em linhas gerais, o que se faz é cumprir tarefas muito específicas na maior parte dos trabalhos. O desafio é que, se esse é o trabalho, algoritmos de computador podem fazer isso bem melhor do que os humanos. Eles não ficam doentes, não se distraem.

Mas pensamos que isso é bom, pois nos permite dar um passo atrás e perguntar o que o trabalho deve ser para os seres humanos para que possam criar valor. Há uma oportunidade de redefinir o trabalho, de engajar todos na empresa para identificar e solucionar problemas.

Trabalhadores, em qualquer parte da organização, são confrontados com situações em que são desafiados com oportunidades para criar mais valor, mas eles não têm tempo para lidar com elas, pois estão focados nas tarefas rotineiras.

Fonte: Filipe Oliveira, Folha de S.Paulo, 28/6/2019

Big Data e a Informação Pública – Suporte à Tomada de Decisão Estratégica

Resumo

O avanço da Tecnologia da Informação tem levado ao crescimento exponencial do volume de dados. O desafio que se apresenta é, diante deste universo, conseguir identificar, ao longo do processo de tomada de decisão estratégica, os dados com verdadeiro potencial de geração de valor à organização e, em seguida, transformar este potencial em vantagem competitiva.

A metodologia desta pesquisa esta baseada em revisão da literatura e posterior estudo qualitativo e quantitativo, através da aplicação de questionário a provedores de informações de inteligência em Fazenda Pública.

Os resultados demonstraram que, em regra, há um alinhamento de expectativas entre a alta administração do órgão público e os provedores de informação.

A tomada de decisão estratégica e os resultados organizacionais são fortemente impactados pela gigantesca quantidade de dados disponíveis na era digital e a capacidade de sua organização e análise.

Autores: Rafael Sena da Silva, Francisco Carlos Paletta. Publicado na Revista Inteligência Competitiva.

Qualidade no atendimento ao cliente e os impactos no desempenho organizacional de clinicas medicas de Juazeiro do Norte – CE

Resumo

O cenário econômico do Brasil atual exige cada vez mais do empreendedor, estratégias para começar ou se manter em um negócio. É visível nos mais diversos setores empresariais, empresas recém-inauguradas, tendo que fechar as suas portas, seja pela à crise econômica, a qual passa o País, como pela má administração de quem gere o empreendimento.

Diante disso, as empresas que já vem de longa data no mercado, precisam, avaliar constantemente e orientar ou reorientar as suas ações, para que possam inovar em suas atividades e permanecer no mercado.

Tendo em vista este cenário e as dificuldades das empresas em fazer uma avaliação institucional ou inovar em seus serviços, esta pesquisa observou e analisou clínicas médicas, com a finalidade de perceber a qualidade no atendimento ao cliente, como ponto primordial na análise do desempenho organizacional dessas clínicas, como empresas.

Percebe-se, que a qualidade do atendimento impacta diretamente no desenvolvimento organizacional e nos lucros das clínicas. Da mesma forma, a deficiência do atendimento faz com que, a empresa tenha dificuldades de firmar fidelidade com o cliente. Por isso, faz-se necessário, uma avalição periódica, do atendimento.

Essa avaliação foi feita por meio de um questionário aplicado aos clientes, com o intuito de analisar a qualidade do atendimento presente na satisfação do cliente, e a relação direta com o desempenho dessas clínicas.

Autora: Joelma Souza Vieira. Publicado na Revista Inteligência Competitiva

O Uso da Inteligência Competitiva no Setor de Empresas de Pequeno Porte: o caso UOTZ

O presente trabalho se apresenta sob a modalidade de pesquisa exploratória qualitativa. Por meio do método do estudo de caso o fenômeno estudado é a atividade de inteligência competitiva sob a perspectiva da empresa Uotz.

Como resultado de estudo verificou-se que as atividades de inteligência competitiva ocorrem de forma formal e não formal nas diversas unidades de negócios da empresa. É, em resumo, uma ferramenta, ou melhor, conjunto de ações que permitem gerar conhecimento sobre o ambiente externo e interno da empresa e facilitar as decisões.

Autor: Luciano Augusto Toledo

Publicado na Revista Inteligência Competitiva

Futuro do trabalho: como se preparar para essas tendências? (3)

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Com a popularização dos mecanismos em automação, somada à velocidade nas mudanças da nossa sociedade e às tendências para o futuro do trabalho, empregos atuais desaparecerão para dar espaço a funções que nem sequer foram inventadas. Isso vai afetar de forma direta o sistema educacional.

As instituições de ensino continuam sendo importantes para a construção de uma carreira, mas o protagonismo na evolução dela fica por conta do profissional. O que estamos querendo dizer é que a formação não pode ser originada de uma única fonte, pois está em constante mudança.

Nesse contexto, o aprendizado contínuo ganha destaque. Se preparar para isso é fundamental, e o primeiro passo é ter consciência de que as demandas vão se modificando a ponto de você colecionar diversas carreiras ao longo da vida. Portanto, é necessário manter-se atualizado e interessado na busca por uma qualificação constante.

Além disso, é necessário desenvolver algumas competências socioemocionais. Conheça algumas delas.

1. Inteligência emocional

A inteligência emocional é a capacidade de colocar-se no lugar do outro, agindo de maneira empática e também dominar os próprios sentimentos. Existem algumas atitudes que podem ajudar o indivíduo a desenvolver essa habilidade:

  • evitar os pensamentos negativos;
  • observar as situações que despertam agressividade, nervosismo e outros sentimentos ruins para poder contorná-las;
  • pensar antes de responder e não reagir de maneira impulsiva;
  • tentar entender o próximo antes de julgá-lo.

2. Pensamento crítico

Pessoas com o pensamento crítico apurado utilizam a racionalidade para resolver um problema. Para desenvolver essa capacidade, algumas atitudes são bastante válidas:

  • sempre questione e pesquise diversos assuntos;
  • resolve exercícios que estimulem a lógica, como sudoku e palavras cruzadas;
  • antes de entender o problema, tente compreender o cenário.

3. Pensamento analítico

Atrelado ao pensamento crítico, será necessário para o futuro do trabalho que as pessoas entendam como funciona o raciocínio baseado em dados, além de apresentarem domínio em ferramentas que proporcionam essas análises.

4. Colaboração virtual

Cada dia mais, será preciso trabalhar de maneira produtiva e engajada, independentemente da plataforma. Por isso, é importante se familiarizar com as ferramentas tecnológicas desde cedo.

5. Negociação

As habilidades em negociação são fundamentais para todos os profissionais, independentemente do cenário do mercado de trabalho.

Qual o perfil do líder do futuro?

Se a sociedade e o mercado de trabalho estão mudando, os problemas assumem uma faceta mais complexa e exigem mais elementos para suas soluções. Isso significa que os modelos de liderança também deverão mudar.

Novas tecnologias surgem a todo momento. As relações entre empresas e clientes são impactadas, como você pôde conferir até agora neste artigo. A consequência gira em torno de um público mais engajado e, nesse contexto, o papel do líder é fundamental para direcionar as equipes de trabalho para se adequarem a esse novo modelo.

Além disso, o perfil dos profissionais também está se modificando e os modelos autoritários deixaram de ser uma opção para o desenvolvimento de equipes de alto desempenho. O modelo tradicional sujeita a organização a abafar a criatividade dos colaboradores, diminuir a performance dos times, limitar a produtividade e excluir possíveis clientes em potencial.

Como você pode imaginar, os riscos para que os resultados despenquem são enormes. Por isso, essa nova realidade pede um novo perfil de líder: o que assume o papel de facilitador da rotina.

A liderança deve ter um caráter que busque minimizar a burocracia, pautado por constantes feedbacks e pela presença colaborativa e não onipresente, colocando-se sempre à disposição e a serviço para apoiar o grupo, tirar dúvidas e encorajá-los a dar o melhor de si. Aqui, é fundamental desenvolver as chamadas soft skills.

Como a tecnologia e a Internet das Coisas impactam essas mudanças?

O conceito de Internet das Coisas refere-se basicamente à revolução tecnológica que propõe a conexão dos objetos usados nas rotinas do dia a dia à internet, fazendo com que o mundo físico interaja com o virtual.

Eletrodomésticos, meios de transportes e até maçanetas de portas conectadas à rede mundial de computadores já são uma realidade no mercado. Ou seja, a Internet das Coisas já faz parte do cotidiano das pessoas.

O comércio já percebeu a sua importância. Por um lado, pode proporcionar ao cliente uma experiência de compra interativa, individualizada e autônoma. Por outro, auxilia na gestão dos negócios. O mesmo acontece com diversos outros recursos tecnológicos.

Que tal conhecer com mais detalhes em relação à forma como as novas tecnologias impactam o futuro do trabalho e das empresas?

1. Mudança no comportamento do consumidor

Há anos, vem se falado sobre a substituição do comércio físico pelo virtual. O mercado exigirá cada vez mais profissionais habilitados para a criação e manutenção de verdadeiros impérios online, com layouts surpreendentes, organização impecável e bastante intuitivos.

A parte técnica referente ao carrinho de compras e forma de pagamento também será progressivamente facilitada por recursos como o registro do cartão, oferecendo a cada cliente um atendimento prático e único.

2. Necessidade de investir em inovação

Alguns comerciantes ainda se encontram resistentes a disponibilizar a internet ao seu público, pois creem que os clientes vão se deslocar até os seus espaços apenas para consumir o Wi-Fi, sem gerar lucratividade.

Esse é um grande engano. O check-in obrigatório no Facebook para se conseguir uma conexão ativa é uma ótima ferramenta para compor um banco de dados, divulgar a marca nas redes sociais e ainda propor um ambiente de acolhimento que, futuramente, pode gerar grandes vendas. Quem trabalha ou desejar assumir a área de marketing deve ficar de olho nessa oportunidade.

3. Trabalhar a cultura da empresa

O Big Data é outra realidade presente em muitas empresas. A capacidade de coletar, organizar e interpretar um grande volume de dados ajuda a prever cenários, otimiza processos e é capaz de orientar muitas decisões.

Entretanto, é preciso que a empresa tenha uma cultura em que isso seja trabalhado. Nesse caso, é importante que os colaboradores acreditem nesse direcionamento e utilizem essas respostas sem resistência, encontrando soluções seguras durante a rotina.

Quais os benefícios para as empresas?

A tecnologia e a Internet das Coisas podem melhorar muito a gestão dos negócios no futuro. Tanto nas indústrias quanto nas empresas que têm contato direto com o cliente final, os sistemas de informação podem aumentar a produtividade, auxiliar na criação de novas estratégias e, principalmente, na melhor compreensão do mercado de trabalho.

Conhecer profundamente esse cenário é fundamental para que as estratégias sejam eficientes. Anteriormente, mencionamos o Big Data como uma das tecnologias esperadas para o futuro do trabalho. Gostaríamos de frisar novamente que os dados revelados por meio dessas análises podem trazer as respostas necessárias para que uma organização tome decisões importantíssimas, trazendo ótimos resultados.

Veja com mais detalhes os benefícios proporcionados pela tecnologia em 3 áreas.

1. Comércio

Tanto os robôs que auxiliam nas rotinas dentro de uma determinada empresa — como no caso dos caixas de supermercado em que os consumidores registram as compras sozinhos — quanto a tecnologia que pode ser aplicada em softwares para marketing, comunicação e recrutamento especializado, tudo gira em torno da otimização de serviços.

2. Indústria

A tecnologia, Internet das Coisas e inteligência artificial permitem que os gestores supervisionem em tempo real o rendimento das equipes, avaliem a disponibilidade de materiais, controlem o consumo de energia e aumentem a eficiência do processo. Com esses dados, é possível alterar as estratégias de produção para atingirem melhores níveis.

3. Saúde

A saúde também será impactada pelos sistemas voltados para a redução de custos, gestão de secretaria eficiente e banco de dados seguro. O registro do histórico do paciente e seu prontuário ficam guardados em segurança e as informações sempre à mão possibilitam um atendimento cada vez mais eficaz.

E as vantagens para os colaboradores?

A tecnologia não deve ser vista como uma vilã que chegou para roubar os empregos dos humanos no mercado de trabalho. Na realidade, ela apresenta soluções para a melhoria da vida das pessoas e não seria diferente no mundo corporativo.

A troca de dados entre as máquinas facilita o acesso à informação. Também possibilita economia de energia, otimização do tempo, processos manuais mais seguros, educação corporativa democratizada e outros aspectos positivos no cotidiano de um trabalhador.

É preciso reconhecer que as soluções proporcionadas pela Internet das Coisas e a tecnologia em si também trazem mais suporte às atividades que, em um primeiro momento, ficaram esquecidas. Por exemplo, os sistemas que integram o setor de RH e financeiro à contabilidade da empresa.

Por muito tempo, houve uma cultura de que o departamento financeiro só dizia respeito à diretoria. Hoje, a integração entre os setores proporciona um trabalho mais organizado e ágil.

Quais os principais desafios?

As mudanças para o futuro do trabalho são inevitáveis: controle de informações, novas formas de trabalho, segurança no ambiente virtual e acesso à informação são benéficos, mas também apresentam seus desafios.

Nesse contexto, o dever dos profissionais é inspecionar os avanços e evitar as distorções que podem ser causadas por esse novo conceito de trabalho. É importante conhecer os principais elementos que devem deixar a força humana de trabalho sempre alerta.

1. Privacidade

Não há como falar em tecnologia sem pensar em privacidade. Uma rede que proporciona conexão ao mundo todo precisa ser muito bem protegida, tanto no que diz respeito aos nossos dados quanto na idoneidade das informações que chegam até nós. Saber quem será o grande responsável por esse controle, além da própria sociedade, é um dos desafios.

2. Senso humano

Se nosso comportamento social, interação no ambiente público, escolhas afetivas, estilos de vida e maneira de trabalho serão afetadas pela tecnologia, o que acontecerá com o senso humano?

Existem habilidades que as máquinas não contemplam, como o pensamento crítico e a inteligência emocional. Cabe aos indivíduos entender a importância da sensibilidade humana para o futuro do trabalho, de modo que sejam fundamentais para a interpretação dos resultados fornecidos pelas máquinas.

3. Mau uso da inteligência artificial

Saber diferençar avanço e progresso de projetos elaborados para prejudicar a humanidade pode não ser tema de filme de ficção científica, mas da realidade.

Será que não é hora de a sociedade estudar a possibilidade de uma nova legislação, que possa mediar a programação e coloque limites no uso da inteligência artificial? Essa é uma reflexão importante para ser feita em todo esse contexto.

A grande realidade do futuro do trabalho é que a sociedade não pode agir de maneira desesperada. Empresas que criarem uma resistência ficarão para trás. Profissionais que insistirem em não se adequar a essas novas tecnologias também.

Como mencionamos algumas vezes durante todo o artigo, a tecnologia deve acrescentar pontos positivos à força de trabalho humana, e não eliminá-la. Entretanto, para garantir um bom posicionamento nessa nova realidade, é preciso conhecê-la e saber o que é possível fazer para estar alinhado a ela.

O mesmo vale para os responsáveis pela árdua e difícil tarefa de promover o recrutamento e a seleção das empresas. Se a dinâmica do mercado muda, e os profissionais mudam junto a ela, é necessário estar preparado para identificar os candidatos mais adequados a essa nova realidade, assim como as ferramentas disponíveis para manter a atual equipe sempre atualizada em relação às novidades desse novo mercado.

As palavras de ordem citadas durante todo o artigo, como flexibilidade, liberdade e inovação, valem tanto para empresas quanto para os colaboradores. Todos os setores devem estar integrados ao novo cenário, para que as organizações não sejam engolidas pelas tendências que o futuro reserva.

Felizmente, as grandes corporações saem na frente com os exemplos que podem ser seguidos. Portanto, estar ligado ao futuro do trabalho também é uma questão de observação: toda vez que você se deparar com processos automatizados no seu dia a dia, como operações bancárias via aplicativos ou estacionamentos que recebem o pagamento do seu ticket sem necessitar de um atendente, lembre-se de que você está vivenciando uma situação em que o amanhã já chegou.

O futuro do trabalho e suas adaptações dependem de nós. Agora que você já está informado quanto a isso, é quase que uma obrigação analisar as situações do cotidiano em que essas questões se encaixam e aprender com elas. Lembre-se de que nós somos os responsáveis por toda essa revolução!

Fonte: Robert Half

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