Confira o que muda para o trabalhador na crise do coronavírus

O presidente Jair Bolsonaro e ministros do governo, todos usando máscara de proteção no rosto, durante coletiva de imprensa para falar sobre a crise do coronavirus – Pedro Ladeira – 18.mar.2020/Folhapress

Confira o que muda para o trabalhador na crise do coronavírus

Patrão vai poder reduzir jornada e salário, suspender contratos, deixar de pagar adicionais e adiantar férias e feriados

A crise provocada pelo coronavírus no país pode ampliar o número de pessoas com queda brusca na renda nas próximas semanas.

O motivo é que a medida provisória 936, publicada pelo governo na última quarta-feira (1º), permite aos patrões reduzir a jornada de trabalho e o salário na mesma proporção.

A regra, que já está valendo, também autoriza a suspensão dos contratos sem obrigação de pagamento de salário para empresas com até R$ 4,8 milhões de faturamento em 2019. Companhias maiores devem pagar 30% do valor do salário.

Para compensar as perdas, o governo irá liberar uma ajuda de custo ao trabalhador, que tem como base o valor de seguro-desemprego ao qual ele teria direito se fosse demitido. Segundo Bruno Bianco, secretário de Previdência e Trabalho, a intenção é preservar empregos no país.

O patrão que utilizar uma das duas medidas deve manter o emprego do funcionário pelo dobro do período que durar a redução ou a suspensão. Se demitir, pagará uma indenização ao profissional.

O acordo pode ser individual ou coletivo, o que tem gerado polêmica. “A Constituição fala que há direito à irredutibilidade do salário, a não ser por negociação com o sindicato. Parte do Judiciário entende que é preciso respeitar a Constituição e parte entende que hoje estamos vivendo uma situação de emergência sem precedente e as regras poderiam ser flexibilizadas,” diz Mariza Machado, advogada trabalhista da IOB.

Jorge Matsumoto, do Bichara Advogados, afirma que o trabalhador que receber um acordo individual com o qual não concorda pode recusá-lo. O risco é ser demitido, mas não seria por justa causa e o profissional teria direito a FGTS e seguro-desemprego. No entanto, é preciso fazer os cálculos do que é mais vantajoso para não se dar mal.

Rafael Borges, do Felsberg Advogados, diz que não só o empregado deve ter cuidados, mas também o empregador que vai propor mudanças. “É preciso verificar a real necessidade dessas medidas. E tomar a cautela de fazer acordo coletivo”, afirma ele.

Férias e feriados

A medida provisória 927, de 22 de março, permite outras alterações no contrato entre patrão e empregado. Antecipar férias, mesmo que o profissional não tenha período aquisitivo, além da antecipação de feriados não religiosos também são possibilidades.

Outra mudança na rotina dos trabalhadores diz respeito ao home office. A MP afirma que o patrão pode instituir o regime de trabalho a distância, em acordo direto com o empregado, e não é obrigado a arcar com os equipamentos que ele usa, nem com luz ou conta de telefone.

Quando há o home office, o patrão pode deixar de pagar adicionais, como de insalubridade e periculosidade, e, se der férias, pode cortar os vales refeição e alimentação. Vale-transporte no home office não também é pago.

No caso do FGTS, o trabalhador sai ainda mais prejudicado. O patrão poderá ficar sem depositar os 8% sobre o salário mensal por três meses. Depois, vai pagar os valores, mas sem juros e correções.

A MP define ainda que quem pegar coronavírus no trabalho recebe auxílio-doença comum, sem estabilidade ao voltar da quarentena.

Centrais criticam medidas

As centrais sindicais criticaram duramente as MPs. No caso da 927, que trazia artigo com a possibilidade de cortar jornada e salário, sem nenhuma contrapartida do governo, as críticas foram tantas que o presidente Jair Bolsonaro derrubou o artigo.

No caso da MP 936, CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central e CSB afirmam que é preciso haver negociação coletiva em qualquer tipo de acordo que se queira fazer, ou seja, o patrão deve negociar com os sindicatos e nunca diretamente com o trabalhador.

Os sindicalistas devem levar propostas aos parlamentares, mas já adiantam que, além dos acordos coletivos, vão insistir na estabilidade de 180 dias para todos os trabalhadores no pagamento de 100% do valor do salário como forma de manter o poder de compra e, consequentemente, fomentar a economia.

“Desde já orientamos a todos trabalhadores a não aceitarem acordos individuais e procurarem seus sindicatos”, diz nota enviada pelas centrais.

Corte de jornada e salário | Seus direitos

•             Duas medidas provisórias do governo federal alteram os direitos dos trabalhadores na pandemia de coronavírus

•             A principal delas, a 936, permite aos patrões cortarem jornada e salário, além de suspender os contratos de trabalho

•             Há ainda uma outra, a MP 927, que autoriza a antecipação de férias e feriados não religiosos

Entenda as alterações na lei

Como funciona o corte de jornada e salário

•             Haverá uma redução proporcional nas horas de trabalho e no salário

•             Este corte pode ser por até 90 dias

•             O trabalhador tem direito à estabilidade pelo dobro do período em que a medida estiver em vigor

•             Haverá ajuda compensatória do governo

Quanto pode-se cortar de salário e jornada

•             O corte poderá ser de 25%, 50% ou 70%

•             O governo paga o mesmo percentual sobre o seguro-desemprego a que o profissional teria direito

O que é a suspensão do contrato de trabalho

•             É a interrupção total do contrato por até dois meses

•             Neste caso, o trabalhador tem estabilidade de até quatro meses sem que seja demitido

•             Se houver demissão, o empregador paga uma indenização

Pagamento a quem tiver o contrato suspenso

•             O patrão não é obrigado a pagar o salário nem os encargos como INSS e FGTS

•             É possível negociar uma ajuda, que será como uma indenização

•             Além disso, o governo vai pagar um auxílio, que será de 100% do valor a que o trabalhador teria direito de seguro-desemprego para empresas com faturamento de até R$ 4,8 milhões

•             Empresas maiores devem arcar com 30% do salário e o governo paga ajuda de 70% do valor do seguro-desemprego a que o trabalhador teria direito

Quem pode ter redução de salário ou suspensão do contrato

•             Todos os trabalhadores, incluindo empregados domésticos, funcionários de ONGs (Organizações Não Governamentais) e profissionais contratados por igrejas

Quem ficou de fora da medida

•             Servidores públicos, funcionários de empresas públicas, profissionais de áreas consideradas essenciais como saúde e segurança, por exemplo

•             Também não entram trabalhadores que estão afastados, quem está recebendo auxílio-doença e mães que tiveram bebês e estão de licença-maternidade

Como é a negociação do patrão com o empregado?

•             Para quem ganha até R$ 3.135 ou acima de R$ 12.202,12 (e tem curso superior) o acordo poderá ser individual

•             Quem ganha acima de R$ 3.135 até R$ 12.202,12 pode ter acordo individual, se a redução for de até 25%

•             Se o percentual de corte for maior, é necessária negociação com o sindicato

•             No entanto, especialistas indicam sempre tentar acordo coletivo, pois dessa forma, o profissional não poderá recusá-lo

Pagamento não é seguro-desemprego

•             O benefício a ser pago aos trabalhadores que tiverem jornada e salário reduzidos ou contratos suspensos não é o seguro-desemprego

•             Para pagar o valor, o governo vai calcular uma média para saber quanto o trabalhador teria direito de seguro-desemprego caso fosse demitido

•             Sobre esta média será pago o percentual correspondente à redução de jornada daquele funcionário

•             O valor máximo que se pode receber é de R$ 1.813,03, que é 100% do seguro-desemprego

•             Se, no futuro, o trabalhador for demitido, ele terá direito de acessar o seu seguro-desemprego normalmente

Trabalhador pode não aceitar o acordo

•             O trabalhador que não quiser o acordo individual proposto pelo patrão pode falar não

•             Mas corre o risco de ser demitido sem justa causa

•             Neste caso, tem direito a seguro-desemprego, FGTS e mais 40% de multa sobre o saldo do Fundo de Garantia

Demissão no período de estabilidade

•             O patrão não pode demitir o funcionário enquanto durar o período de estabilidade, que é o dobro do tempo acordado para corte de jornada e salário ou para suspensão do contrato

•             Se demitir, pagará indenização

Quantos podem ser atingidos

•             Ao todo, 24,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada poderão ter redução de jornada e salário ou suspensão dos contratos

•             Em contrapartida, terão estabilidade de emprego

•             O governo estima estar protegendo 8,8 milhões de empregos

Aposentado que trabalha não tem direito à ajuda do governo

•             O aposentado que voltou ao mercado de trabalho poderá ter suspensão do contrato ou redução do salário e da jornada e, consequentemente, não poderá ser demitido

•             No entanto, não receberá ajuda do governo, porque já recebe aposentadoria

Forma de pagamento dos valores

•             A ajuda do governo será paga na conta em que o trabalhador recebe o salário da empresa

•             Para isso, o patrão cadastrará os acordos e indicará a conta dos funcionários atingidos por meio de plataforma online, já criada, mas que será adaptada pelo governo

Trabalhador terá INSS menor ou ficará sem contribuição

•             Os trabalhadores com jornada e salário menor terão INSS e FGTS sobre um salário reduzido

•             Neste caso, poderão ser prejudicados na aposentadoria, por isso, será preciso complementar a contribuição

•             Para quem tem o contrato de trabalho suspenso, o problema é maior, pois o patrão não pagará estes encargos

•             O trabalhador terá de arcar com seu próprio INSS para não ter “buracos” nas contribuições

Auxílio-doença é mantido para quem tem qualidade de segurado

•             O trabalhador que estiver com contrato suspenso e ainda mantiver a qualidade de segurado terá direito ao auxílio-doença caso precise

Benefícios devem ser pagos, mas adicionais podem ser cortados

•             Benefícios como plano de saúde e vales alimentação e refeição devem continuar sendo pagos em qualquer situação

•             Quem está em home office não recebe vale-transporte nem adicionais de periculosidade e insalubridade, entre outros

•             O vale-refeição pode ser cortado nos casos dos trabalhadores que são colocados em férias

Comissões ficam de fora do acordo e salário pode cair mais

•             A redução do salário pode ser ainda maior para trabalhadores que recebem salário-base mais comissão

•             Isso porque o patrão pode cortar as comissões, como no caso dos vendedores, que recebem por vendas, e negociar redução de jornada e salário apenas sobre o salário-base

•             Apenas nos casos em que o comissionamento integra o salário final o cálculo da redução é sobre toda a remuneração habitual

Trabalhador CLT que também tem CNPJ recebe auxílio

•             Os trabalhadores celetistas, mas que têm alguma empresa aberta em seu nome podem entrar no programa de redução de jornada e salário

•             Neste caso, também recebem ajuda do governo

Fontes: medida provisória 936, CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), Constituição Federal, Bruno Bianco, secretário de Previdência e Trabalho, do Ministério da Economia, Rafael Borges, advogado trabalhista do Felsberg Advogados, Mariza Machado, advogada trabalhista e analista da IOB, Jorge Matsumoto, sócio trabalhista do Bichara Advogado, Letícia Ribeiro, sócia e líder do grupo Trabalhista do Trench Rossi Watanabe, e Larissa Salgado, sócia do escritório Silveiro Advogados, especialista em direito do trabalho

Fonte: Cristiane Gercina, São Paulo Agora, 5.abr.2020 à 1h00.

Gigantes de tecnologia podem ficar ainda mais fortes após crise do coronavírus

Após anos de duras críticas, empresas de tecnologia estão mostrando seu papel e força em meio à crise do coronavírus

Após anos de duras críticas, empresas de tecnologia estão mostrando seu papel e força em meio à crise do coronavírus

Enquanto o resto da economia afunda com os efeitos desastrosos do coronavírus, os negócios das maiores empresas de tecnologia do mundo continuam bem – e estão até mais prósperos. A Amazon disse que estava contratando 100 mil trabalhadores de centros de distribuição para atender à crescente demandaMark Zuckerberg, presidente executivo do Facebook, disse que o tráfego de vídeo chamadas e mensagens explodiu. A Microsoft disse que os números de uso de seu software para colaboração online aumentaram quase 40% em uma semana.

Com as pessoas instruídas a trabalhar em casa e ficar longe umas das outras, a pandemia aumentou a dependência de serviços das maiores empresas de tecnologia, acelerando tendências que já vinham beneficiando o setor. A Amazon já vinha desbancando varejistas de lojas físicas e, agora, compradores relutantes em ir a essas lojas estão recorrendo à gigante do comércio eletrônico para comprar uma variedade mais ampla de produtos, como mantimentos e remédios vendidos sem receita.

Serviços de streaming como a Netflix reduziram as vendas de bilheteria dos filmes nos últimos anos. Agora, com os cinemas de portas fechadas sob ordens do governo, a Netflix e o YouTube estão ganhando um novo público.

As empresas já estavam trocando seus próprios data centers pelo aluguel de computação em nuvem da Amazon, Microsoft e Google. É provável que essa mudança se acelere à medida que milhões de funcionários são forçados a trabalhar de casa, pressionando as infraestruturas de tecnologia corporativa.

Até a Apple, que parecia estar entre as empresas norte-americanas mais vulneráveis ao coronavírus por causa de sua dependência de fábricas e consumidores chineses, parece estar indo muito bem. Muitas fábricas da Apple estão quase de volta ao normal, as pessoas estão gastando mais tempo e dinheiro em seus serviços digitais. Na semana passada, a empresa chegou até a lançar novos aparelhos. “As maiores empresas de tecnologia podem sair dessa crise muito mais fortes”, disse Daniel Ives, diretor gerente de pesquisa da Wedbush Securities.

Altos e baixos

Isso não quer dizer que grandes empresas de tecnologia não devam se preocupar. A publicidade, força vital do Google e do Facebook, tende a sofrer durante as crises econômicas. As ações da Apple, Microsoft, Amazon, Facebook e Alphabet, empresa do Google, somaram mais de US$ 1 trilhão em perdas de valor de mercado em relação a um mês atrás, quando as bolsas americanas operavam em níveis recordes. Microsoft e Apple cortaram suas previsões financeiras de curto prazo por causa da desaceleração dos gastos dos consumidores.

Fora do círculo das maiores empresas, a luta é mais árdua. Ferramentas de comunicação, como o serviço de videoconferência Zoom, agora são essenciais, mas empresas de mobilidade Uber e Lyft e sites de aluguel de imóveis como Airbnb estão vendo os clientes desaparecerem.

A indústria de tecnologia global – calculada em US$ 3,9 trilhões – sofrerá este ano, mas ainda não se sabe quanto. Em dezembro, a empresa de pesquisa IDC previa um crescimento mundial de 5% nas vendas de hardware, software e serviços em 2020. Mês passado, quando ficou claro que o coronavírus interromperia as cadeias de suprimento e reduziria as vendas na China, a IDC disse que as receitas anuais podem avançar apenas 1%. Esse crescimento agora parece decididamente otimista, disse Frank Gens, analista-chefe da IDC.

Mas, quando a economia melhorar, a indústria de tecnologia poderá se beneficiar de mudanças nos hábitos do consumidor. E, apesar de mais de 18 meses de críticas de parlamentares, reguladores e concorrentes antes da chegada da pandemia aos Estados Unidos, as maiores empresas devem terminar o ano mais fortes do que nunca.

Mudança de hábitos

Embora a Amazon tenha mudado os hábitos de compra de itens como livros, vinha sendo mais difícil convencer os clientes a comprar mantimentos pelo site da empresa. Agora, à medida que mais pessoas são forçadas a ficar em casa, uma das últimas vantagens do varejo físico pode estar sob pressão.

Michael Crowe, de Charlotte, Carolina do Norte, encomendou mantimentos da Amazon pela primeira vez há alguns dias, porque não queria arriscar uma ida ao supermercado, disse ele. “Pode ser que eu continue fazendo isso no longo prazo, quando tudo isso acabar”, disse Crowe, de 36 anos, que trabalha em uma rede varejista de artigos domésticos.

À medida que mais clientes experimentam diferentes serviços da Amazon, eles podem criar mudanças permanentes nos hábitos de compra, disse Guru Hariharan, ex-funcionário da Amazon e fundador da CommerceIQ, empresa cujo software de automação é usado por grandes marcas como Kellogg’s e Kimberly-Clark.

Em uma postagem na semana passada, Dave Clark, vice-presidente de operações mundiais da Amazon, disse que estava abrindo novas vagas em seus centros de distribuição e redes de entrega nos Estados Unidos, porque “nossas necessidades de mão-de-obra chegaram a níveis inéditos para esta época do ano”.

Uma razão para o aumento da demanda da Amazon é que os clientes estão comprando uma maior variedade de mercadorias. De 20 de fevereiro a 15 de março, as vendas de remédios sem receita para resfriado aumentaram nove vezes na Amazon dos Estados Unidos em relação ao ano anterior. Os pedidos de alimentos para cães aumentaram treze vezes e as vendas de toalhas de papel e papel higiênico triplicaram, de acordo com a CommerceIQ.

As ordens de isolamento obviamente estão aumentando o tráfego de sites de streaming de vídeo, aplicativos e plataformas de rede social. Os downloads do aplicativo da Netflix aumentaram 66% na Itália, de acordo com dados da Sensor Tower, uma empresa de dados de aplicativos. Na Espanha, os downloads cresceram 35%. Nos Estados Unidos, onde a Netflix já era popular, houve um aumento de 9%. A Netflix se recusou a comentar se estava observando um aumento nos assinantes.

A mudança para o trabalho em casa também demonstrou os méritos da computação em nuvem para lidar com demandas inesperadas. As empresas que gerenciam suas próprias infraestruturas de internet sabem que é caro e complicado fazer ajustes rápidos nas necessidades de computação. A computação em nuvem facilita isso.

Amazon, Microsoft e Google, as três principais plataformas de computação em nuvem, estão nadando em dinheiro e oferecendo grandes descontos para alugar infraestrutura para redes corporativas, bem como softwares usados pelos funcionários.

Até a Apple, empresa com centenas de lojas fechadas em todo o mundo (exceto agora na China), parece cada vez mais capaz de emergir da pandemia em boa forma. Terry Guo, chefe da Foxconn, empresa que monta a maioria dos iPhones do mundo para a Apple, disse a repórteres em 12 de março que as fábricas chinesas da Foxconn estavam retomando a produção antes do previsto e voltando ao normal – bem antes das expectativas iniciais, que apontavam para o final de março.

A Apple tentou diminuir sua forte dependência de vendas de dispositivos e aumentar sua receita em serviços, os quais incluem vendas de aplicativos e assinaturas de seus serviços de música e TV. “Após a crise financeira de 2008, a Apple emergiu ainda mais forte”, disse Ives, da Wedbush. “Não há razão para que ela e outros gigantes não venham a fazer o mesmo agora”.

Fontes: Daisuke Wakabayashi, Jack Nicas, Steve Lohr e Mike Isaac – The New York Times. TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU. Publicado O Estado de S.Paulo.

Netflix vai reduzir qualidade de transmissão de vídeo no Brasil

Promessa da Netflix é reduzir seu tráfego de internet em até 25%

Fonte: Promessa da Netflix é reduzir seu tráfego de internet em até 25%

O serviço de streaming de vídeo Netflix confirmou ao Estado que vai por em prática no Brasil a política de redução da qualidade de transmissão de vídeos para evitar a sobrecarga das redes, em meio à crise do novo coronavírusAdotada na União Europeia na última semana, a medida começará a ser posta em prática no País na noite desta segunda-feira, 23, e chegará a todos os usuários do serviço no território nacional em no máximo dois dias.

Segundo comunicado da empresa, porém, não haverá restrição quanto a transmissão em determinadas resoluções – usuários que assistem vídeos em Ultra HD (4K) ou altíssima definição (Full HD, 1080p) continuarão a ter acesso a essa qualidade de vídeo. O que a empresa fará, no entanto, é reduzir as taxas de bits utilizadas na transmissão.

“Em circunstâncias normais, fazemos diferentes transmissões simultâneas de um único título em cada resolução. O que faremos agora é remover as faixas de frequência com maior fluxo de dados”, diz Ken Florance, vice-presidente de entrega de conteúdo da Netflix, em comunicado enviado pela empresa à reportagem.  A política de transmissões simultâneas é uma das ferramentas que o serviço encontrou para evitar que os vídeos ‘travem’ ou ‘engasguem’ durante a exibição. “Quem é muito ligado em qualidade de vídeo pode perceber uma pequena queda na qualidade de cada resolução, mas a entrega ainda será na resolução pela qual o usuário pagou.”

Com as medidas, que inicialmente serão válidas por 30 dias para todo o território nacional, a Netflix pretende reduzir em 25% o seu tráfego de internet. Junto de outros sites de vídeo, como Amazon Prime e YouTube, a empresa é uma das maiores responsáveis pelo fluxo de informações na rede atualmente.

Iniciativas

Aqui no Brasil, outras empresas também decidiram adotar a redução de qualidade de vídeos para evitar a sobrecarga da infraestrutura de internet. No domingo, 22, a Globo anunciou que vai cortar as transmissões em 4K e Full HD dos seus serviços de streaming, incluindo Globoplay, Globosat Play, Globoesporte.com, GShow e o site G1. Todos os vídeos serão exibidos apenas em alta definição (720p), buscando gerar economia de tráfego – segundo a empresa, isso significa uma economia de 52% no tráfego de dados em um capítulo de novela de 60 minutos que era transmitido originalmente em Full HD.

Quem também entrou na mesma linha foram Facebook e Instagram, sem detalhar suas medidas, e o serviço de streaming Looke, que tem catálogo de filmes e também aluguel de lançamentos do cinema. Na Europa, Amazon Prime e YouTube anunciaram também que vão reduzir a qualidade dos seus filmes – a Amazon não deu detalhes, enquanto o YouTube informou que os europeus só assistirão a vídeos em definição padrão (SD, 480p) nos próximos 30 dias. Ao Estado, a empresa afirmou na semana passada que a política só será válida no território europeu, por enquanto.

Fonte: Bruno Capelas – O Estado de S. Paulo.

Governo mandou fechar estabelecimento por 15 dias; entidade vê falência de 80% se quarentena durar 3 meses

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Zona leste de São Paulo vazia e com estabelecimentos comérciais fechados (Foto: Thiago Duran/AgNews)

Associações ligadas a bares e restaurantes de São Paulo ainda não têm números concretos sobre os impactos que o fechamento dos estabelecimentos em razão do coronavírus, anunciados neste sábado (21), pode causar no setor. As estimativas, no entanto, não são nada otimistas.

Neste sábado (21), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), decretou o fechamento, por 15 dias, de todos os serviços não essenciais, incluindo bares e restaurante, em todo o estado.

A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) afirma que, na melhor hipótese, cerca de 10% dos estabelecimentos da capital paulista devem fechar com a crise deflagrada para conter o surto de coronavírus.

“Isso equivaleria a cerca de 30 mil funcionários que perderiam os empregos”, disse o presidente da Abrasel São Paulo, Percival Maricato.

O setor emprega 300 mil pessoas na capital.

Segundo ele, os números podem mudar dependendo de muitas variáveis.

“Precisamos ver se vai vender mais ou menos delivery, se o governo vai dar mais ou menos subsídio. Ainda é muito cedo para tentar fechar um número.”

A estimativa da Anep (Associação da Noite e do Entretenimento Paulistano) é ainda mais dramática.

A associação afirma que 80% das casas noturnas, bares e baladas da cidade podem fechar as portas para sempre caso a quarentena se estenda e dure cerca de três meses.

“Ainda são números preliminares. Estamos fazendo uma pesquisa para definir o impacto levando em conta número de funcionários e faturamento das casas”, diz Paulo Barão, assessor de imprensa da associação.

Na terça-feira (17) a Anep enviou uma carta aberta ao governador e ao prefeito da capital, Bruno Covas (PSDB-SP). No documento a associação pedia o decreto de fechamento, mas também solicitava que os governantes suspendam o vencimento de todas as dívidas e parcelamentos de tributos estaduais e municipais enquanto perdurar o fechamento, “prorrogando o seu vencimento por igual período”.

Também estavam entre as demandas a suspensão de cobranças como água e luz e a isenção de tributos estaduais e municipais por um período de pelo menos três meses.

A associação chegou a marcar uma reunião na prefeitura. “Mas tiveram que desmarcar em razão dos acontecimentos recentes e ainda não remarcaram”, diz Barão.

Até agora nenhum dos pedidos foi atendido.

Fonte: Bruna Narcizo, Folha de S.Paulo, 21.mar.2020 às 15h57

Ajuda de banco público contra vírus pode não chegar ao pequeno negócio

Apenas 15% do dinheiro liberado pelos maiores bancos públicos para linhas especiais de crédito de capital de giro chegará às pequenas e médias empresas —as mais afetadas pela crise do coronavírus.

Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil irão disponibilizar R$ 145 bilhões às empresas.

Desse montante, a menor parcela –cerca de R$ 22 bilhões– será para as pequenas e médias, segundo estimativas de executivos da Caixa e do BB feitas com base em análise de crédito. Eles falaram sob a condição de anonimato.

A tendência, de acordo com eles, será concentrar a maior parte do dinheiro em empresas de grande porte, pois são justamente elas que têm bom histórico de pagamento.

Para pequenas e médias empresas, a maioria com risco elevado de crédito, será preciso apresentar novas garantias.

Os bancos dizem oficialmente que atendem pedido do governo Jair Bolsonaro (sem partido) para injetar dinheiro na economia e na saúde.

Ao todo, o socorro das instituições à economia, segundo anúncio do governo federal, chegará a R$ 178 bilhões. Além de capital de giro, outros produtos estão previstos.

“Somos um banco social, mas somos um banco”, afirmou o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, em entrevista à Folha na quinta-feira (19).

Guimarães, que direcionou até o momento R$ 78 bilhões em dinheiro novo para reforçar as linhas de crédito do banco, disse promover uma migração da carteira de grandes empresas para micro e pequenas. Mesmo assim, elas seguirão o rito de análise de capacidade de pagamento.

“Passando nos testes de crédito, vamos financiar. O que não vai acontecer é fazer [uma operação] sem dar garantias”, disse.

Na Caixa Econômica, serão destinados ainda R$ 30 bilhões para a compra de carteiras de outros bancos (empréstimos concedidos por outras instituições) que enfrentarem problemas de caixa por causa da crise do coronavírus.

Outros R$ 3 bilhões serão direcionados exclusivamente para hospitais e Santas Casas que atendam pela rede do SUS (Sistema Único de Saúde).

O restante –R$ 45 bilhões– é o que, efetivamente, abastecerá linhas de capital de giro na Caixa –ajuda para empresas enfrentarem o problema da falta de dinheiro, que não terá entrada suficiente de receitas ao menos pelos próximos três meses, segundo projeções de economistas.

As estimativas mais pessimistas indicam que o pico de contaminação dos brasileiros pelo coronavírus ocorrerá em meados de abril. Seriam afetadas cerca de 40 mil pessoas.

Nas projeções mais conservadoras, o vírus deve contaminar cerca de 20 mil pessoas. A situação deve voltar à normalidade em meados de junho.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou na sexta-feira (20) que o sistema de saúde deverá entrar em colapso no próximo mês. Segundo ele, os casos deverão cair a partir de setembro.

Para tentar amenizar efeitos da retração na economia, o Banco do Brasil pôs à disposição do mercado mais R$ 100 bilhões para linhas de crédito.

Mas somente 13 milhões de correntistas tiveram aumento do limite para novos empréstimos. Isso representa 37% do total de clientes.

O problema é que as pequenas e médias seguem estranguladas desde o fim da recessão, em 2018. A economia, que vinha ensaiando a retomada, volta a patinar. As empresas terão queda de faturamento.

Isso irá afetar especialmente comerciantes e prestadores de serviços porque as pessoas estão em casa, em quarentena.

Cerca de 9% da carteira de crédito vigente da Caixa é de empréstimos concedidos para esse grupo.

O Ministério da Economia, sob comando de Paulo Guedes, reviu a expectativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para 2020 na sexta. A projeção foi cortada de 2,1% para 0,02%.

Dados do Banco Central do fim do ano passado indicam que as empresas estão em uma situação difícil para atravessar essa crise. Dentre os pedidos de recuperação judicial registrados pelo regulador até junho de 2019 –dado mais recente–, 98% eram de pequenas e médias empresas.

Ainda segundo o BC, o índice de recuperação desse segmento de empresas é muito baixo. Até hoje, 91% das pequenas e médias faliram no acumulado do ano. Apenas 9% voltaram à atividade plena.

Entre as companhias de grande porte, 43% foram à falência e 57% saíram da vala da recuperação.

O BC tem esse registro porque os bancos são credores de mais da metade da dívida das empresas falidas e das que foram reestruturadas (com renegociação de dívida).

Desse total, há provisionamento (reserva para perdas) da ordem de 70%. Ou seja: as instituições financeiras estão muito mais cautelosas na oferta de novos empréstimos, especialmente para as companhias de pequeno porte.

Levantamento feito pela Folha com base nas séries históricas do BC mostra que bancos públicos sempre foram mais conservadores, mesmo nas crises financeiras, o que abriu espaço para a atuação de bancos privados, como Itaú, Bradesco e Santander, na conquista de novos clientes.

Hoje, a Caixa concentra 63% dos empréstimos para empresas com risco muito baixo de inadimplência (AA e A) –a maior parte é de grandes empresas. Somente 23% da carteira foi para companhias com risco elevado (de E até H).

No Banco do Brasil, a situação é similar: 54% do crédito é para empresas de grande porte, com risco muito baixo, e 24% na categoria mais arriscada.

Mesmo assim, os bancos privados estão cautelosos. Nos bastidores, preferem deixar BB e Caixa na linha de frente à espera dos efeitos da crise nas próximas semanas.
Apesar de todos eles operarem com folga de capital (lastro próprio para bancar uma expansão repentina da oferta de crédito), afirmam que seguirão as regras de mercado para a concessão de novos empréstimos.

Fonte: Julio Wiziack, Folha de S.Paulo, 22.mar.2020 à 1h00

Varejistas TNG e Gregory vão demitir 600 pessoas como efeito do coronavírus

TNG
Dono da rede TNG diz que vai demitir cerca de 40% dos seus funcionários a partir da semana que vem. Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Em meio às ordens para fechamento de shopping centers ao redor do País e após três dias de isolamento voluntário da população, como tentativa de conter a escalada dos casos de coronavírus nas principais cidades, os varejistas refazem as contas, renegociam pagamentos a fornecedores e dizem que, inevitavelmente, começarão a demitir seus funcionários a partir da semana que vem. 

Estimativas de entidades patronais, como a Associação Brasileira das Lojas Satélites (Ablos), que reúne as lojas maiores dos shoppings, e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), falam em até 5 milhões de desempregados no comércio pelo País, até o fim de abril. 

Segundo Paulo Solmucci, da Abrasel, os empresários já vêm de um longo período de vendas fracas e não têm, neste momento, caixa para manter impostos, aluguel de ponto e folha salarial com os empreendimentos fechados. “A situação já estava péssima, agora ficou dramática”, diz. 

 Tito Bessa Júnior, da Ablos, afirma que o capital de giro dos comerciantes mal consegue suprir um mês fraco de vendas, o que dirá cinco semanas sem faturamento – a maioria das ordens de fechamento vão da semana que vem até o fim de abril. “Eu mesmo vou demitir cerca de 40% dos meus funcionários a partir da semana que vem”, diz Bessa Júnior, que também é dono da rede TNG, com 170 lojas e 1.600 funcionários. “Acabei de encerrar o contrato com a empresa de limpeza, hoje (ontem) já cortei o pessoal que presta serviço para o TI e, na semana que vem, vou ter de dispensar 500 pessoas das operações das lojas.”

Coletivas

Segundo ele, os shoppings centers empregam direta e indiretamente 4 milhões de pessoas pelo Brasil. Se a situação permanecer como está, a tendência é que a metade seja liberada pelas empresas. “Eu estou há três dias conversando com lojistas e todos dizem que vão cortar 50%, 40%. Alguns vão dar férias coletivas primeiro, mas a partir de abril não tem o que fazer”, conta.

O advogado Leonardo Tavano, do escritório Tavano Maier Advogados, que atende a grupos como VivaraCinemarkEtna e Restoque (dona das marcas Le Lis BlancDudalinaJohn John), diz que sua equipe trabalha sem parar nas últimas 72 horas preparando demissões e alternativas, como redução de jornada de trabalho de 25%, férias individuais e coletivas. “O que estou vendo é que as lojas vão fechar unidades, principalmente aquelas que já vinham com baixa performance, e enxugar de 30% a 50% do o quadro de colaboradores.”

Além das demissões, os comerciantes tentam renegociar os contratos de locação, assim como prolongar os pagamentos dos fornecedores. “Imposto, aluguel de shopping, essas coisas esquece, não vou pagar. A minha meta é preservar a maior quantidade possível de empregos”, conta Angelo Augusto de Campos Neto, da MOB, com 34 lojas. “Estou tentando conversar com os shoppings para ver se eles paralisam a cobrança de aluguel e condomínios, já que estamos fechados mesmo”, conta Andrea Duca, da Gregory, com 62 lojas. Ela vai dar férias coletivas aos funcionários e começar a demitir os vendedores comissionados. “Vamos agora cortar os funcionários que ainda não concluíram o período de experiência, deve dar uns 100”, diz. 

Para o economista Claudio Felisone de Angelo, coordenador do programa de administração de varejo da FIA, os comerciantes não têm outra alternativa a não ser reduzir o quadro de funcionários. “É uma decisão muito dura, mas é isso ou quebrar.”

Fonte: Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo, 20 de março de 2020 | 05h00.

Em dois dias de isolamento voluntário, queda no comércio de SP é de 32%

Em dois dias de isolamento voluntário, o varejo físico da capital paulista teve queda de quase 32% no fluxo de consumidores. Os dados são da empresa de coleta e análise de dados do comércio, Seed Digital.

A pesquisa identificou que ontem e antes de ontem, 16 e 17, o número de clientes na lojas de shopping caiu 44% em São Paulo, em comparação aos demais dois primeiras dias da semana de 2020. As lojas de ruas tiveram uma redução de fluxo de 20%.

“A queda se acentuou nos primeiros dias da semana e a tendência é de intensificar a cada dia, pois mais pessoas estão em casa, as aulas foram suspensas e a recomendação das autoridades de saúde é de isolamento”, diz Sidnei Raulino, da Seed Digital. 

Segundo os lojistas, a situação se complica ainda mais agora que o  governador João Doria (PSDB) determinou os fechamentos de todos os shoppings da região metropolitana a partir de 23 de março.

Os empresários do setor estão procurando individualmente as administradoras de shoppings para renegociar os contratos de locação e o pagamento de taxa de condomínio. O presidente da Associação Brasileira dos Lojistas Satélites (Ablo), Tito Bessa Junior, não descarta entrar com ações coletivas contra os shoppings, caso o pedido de renegociação não seja considerado. 

“Nós estamos pedindo aos shoppings isenção de aluguel, de taxa de propaganda, de condomínio, tudo”, afirma o presidente da Associação Brasileira dos Lojistas Satélites (Ablo), Tito Bessa Junior. “Estamos com medo de não conseguir pagar nem os funcionários. Vai ter uma quebradeira no setor”, afirma.

O empresário Jonas Bechelli, da Doctor Feet, diz que a redução de vendas nos dois primeiros dias “foi dramática”. “É muito pior do que estão falando. Eu acho que caiu pra área de serviços quase 60% em vendas”, diz ele, que tem 85 lojas, a maior parte em shoppings. “Os shoppings precisam nos liberar do pagamento do aluguel e pelo menos reduzir muito o condomínio”, afirma.

Fonte: Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo, 18 de março de 2020.

The Top 10 Breakthrough Technologies For 2020

It’s the time of year when the MIT Technology Review releases its biggest breakthrough technologies for the year. These are technologies that are expected to have widespread consequences for human life in the coming year.

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Source: Bernard Marr. Internationally best-selling author, keynote speaker, futurist, and strategic business & technology advisor.

The Top 10 Breakthrough Technologies For 2020 hashtag#MIT hashtag#Technology Review’s Top 10 Breakthrough hashtag#Technologies for #2020 has been released. These represent some of the most awesome hashtag#tech breakthroughs that are expected to have widespread consequences for human life. Discover what’s on the list and what changes each tech is expected to bring.

Inteligência Artificial muda a vida de todos, para melhor e para pior

A IA (inteligência artificial) é uma das tecnologias mais poderosas já criadas pela humanidade.

O termo virou pop e passou a ser o que especialistas chamam de “buzzword”, ou “palavra da moda”. Por ajudar no marketing de produtos, está em todo lugar, às vezes com um significado distorcido.

O conceito gira em torno de um sistema computacional que tenta imitar o poder de aprendizagem do ser humano e até tomar decisões.

Qualquer pessoa que faz uma busca na internet se depara com a inteligência artificial. É essa tecnologia que sugere os termos a completar uma pesquisa, entende o que se quis dizer e lista os resultados de acordo com aquilo que julga ser mais relevante para o perfil do usuário.

Na prática, permite que uma busca por “onde comer” entenda que o interessado quer, na verdade, endereços próximos mesmo sem ele ter escrito o termo “restaurante”. Para fazer tal trabalho, uma quantidade imensurável de dados de todas as pesquisas feitas no mundo são armazenados e analisados para que a IA possa aprender com os padrões existentes ali.

As aplicações são diversas e incluem conversar com pessoas para realizar atendimentos de banco, configurar aplicativos de GPS, ajudar na detecção de doenças, analisar contratos, combater vírus de computador, alertar para desastres naturais, escolher os assuntos vistos nas redes sociais e controlar aviões.

Para alguns especialistas, a IA pode ser a última tecnologia que a humanidade precisará criar. Ela própria se encarregará de criar novas ferramentas. O outro lado da moeda é que esse poder todo, sem cuidado, pode significar o fim do ser humano. Daí surgem desafios para progredir com o máximo de segurança.

Entidades como a ONU, a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e a União Europeia trabalham em documentos para servir de base para um uso ético, com limites, da inteligência artificial.

Gigantes como Amazon, Facebook, Google, IBM e Microsoft criam regras próprias para evitar um uso indiscriminado enquanto uma legislação sobre o assunto não aparece.

China trava uma guerra velada com os EUA pelo domínio da tecnologia. O país asiático é o exemplo mais emblemático no uso de IA para vigilância.

Nas universidades pelo mundo, grupos de estudo tentam ajudar a estabelecer os limites para IA, enquanto seus laboratórios investem na expansão das fronteiras de sua capacidade.

“Todos os atores pertinentes devem assumir sua responsabilidade e trabalhar em colaboração para identificar e lidar com necessidades e riscos mais urgentes”, diz o grego Konstantinos Karachalios, diretor-geral do IEEE-SA (braço para a criação de padrões técnicos do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos, principal órgão do mundo para debater tecnologia e sociedade).

Karachalios ressalta ser importante que a sociedade seja inserida nesse debate. Para fazer isso, porém, é necessário entender o que é inteligência artificial.

Fonte: Raphael Hernandes, Folha de S.Paulo.