Natura anuncia compra da Avon

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Sede da Natura, em São Paulo: brasileira agora é dona da gigante Avon  Foto: CLAYTON DE SOUZA/ESTADÃO

A brasileira Natura anunciou nesta quarta-feira, 22, a compra da Avon, em uma operação de troca de ações. Segundo a companhia, o negócio vai criar o quarto maior grupo de cosméticos do mundo. O acordo traz uma quarta marca para a holding da Natura, que já controla a própria Natura, a britânica The Body Shop e a australiana Aesop. 

O mercado financeiro reagiu bem ao negócio. As ações da Natura fecharam o dia em alta de 9,43%, cotadas a R$ 61,50, após a brasileira admitir pela manhã que o acordo com a Avon estava prestes a ser fechado.

Fonte: Fernando Scheller, O Estado de S. Paulo, 22 de maio de 2019 | 17h50

Desemprego cresce em São Paulo e mais 13 Estados no 1º trimestre, aponta IBGE

Santa Catarina (7,2%), Rio Grande do Sul (8,0%), Paraná e Rondônia (ambos com 8,9%) tiveram as menores taxas; os piores resultados foram registrados no Amapá (20,2%), Bahia (18,3%) e Acre (18,0%)

A taxa de desocupação no Estado de São Paulo subiu de 12,4% no quarto trimestre de 2018 para 13,5% no primeiro trimestre deste ano, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados na manhã desta quinta-feira, 16, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No primeiro trimestre de 2018, a taxa de desemprego em São Paulo estava em 14,0%. A taxa de desocupação no total do País no primeiro trimestre de 2019 foi de 12,7%, ante 13,1% no primeiro trimestre de 2018, como já havia divulgado o IBGE no fim de abril. No quarto trimestre do ano passado, a taxa de desocupação era de 11,6%.

Na passagem do quarto trimestre de 2018 para o primeiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego subiu de forma estatisticamente significativa em 14 das 27 unidades da federação.

As maiores taxas de desemprego foram registradas no Amapá (20,2%), na Bahia (18,3%) e no Acre (18,0%). No Rio, a taxa de desemprego ficou em 15,3% e, em Minas Gerais, em 11,2%.

As menores taxas foram observadas em em Santa Catarina (7,2%), Rio Grande do Sul (8,0%) e Paraná e Rondônia (ambos com 8,9%).

Longa procura por trabalho

Um quarto dos 13,387 milhões de brasileiros desempregados no primeiro trimestre estão há dois anos ou mais em busca de trabalho, segundo a Pnad Contínua.

Do total de desempregados no primeiro trimestre, 24,8%, ou 3,319 milhões de pessoas, estão nessa condição há dois anos ou mais. Outros 6,074 milhões de trabalhadores estão desempregados de um mês a menos de um ano, o equivalente a 45,4% do total de desempregados, enquanto 2,108 milhões (15,7%) buscam trabalho há menos de um mês e 1,886 milhão (14,1% do total) o fazem há de um ano a menos de dois anos.

Fonte: Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo, 16 de maio de 2019 | 09h11

Sinais de mercado: País em marcha lenta faz lucro das empresas diminuir 5,7% no 1º trimestre

Bolsa de Valores
Além dos reflexos da crise e da demora na aprovação de reformas, o cenário internacional não tem ajudado. Foto: WERTHER SANTANA/ESTADÃO

A paralisia da economia afetou a rentabilidade das empresas listadas em Bolsa no primeiro trimestre. Levantamento feito pela consultoria Economática mostra que o lucro líquido de 231 companhias abertas totalizou R$ 20 bilhões, queda de 5,74% sobre janeiro a março de 2018. Os dados, que têm como base os balanços entregues até as 18h de quarta-feira, 15, excluem os bancos, a Vale, a Petrobrás e a Oi, por distorcerem os resultados.

“Criou-se uma expectativa grande no mercado financeiro de que a economia do País iria se recuperar com a troca de governo”, diz Istvan Kasnar, professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ebape). “Essa retomada não se concretizou nos primeiros cem dias e ainda há incertezas para os próximos meses. A queda da rentabilidade das empresas refletiu, em boa parte, essa frustração de expectativas.”

Ainda que o faturamento das empresas tenha crescido nos últimos meses, boa parte das companhias de capital aberto teve suas margens de lucro afetadas por aumento de custos represados anteriormente, afirmou Roberto Padovani, economista-chefe do Banco Votorantim. Para ele, as empresas ainda vão demorar a atingir os patamares pré-crise, de 2014. “Houve recuperação entre 2017 e 2018, mas boa parte das companhias ainda é afetada pelos choques de custos, como energia e efeitos cambiais, por exemplo”, diz.

Com uma das energias mais caras do mundo, a indústria tenta levar adiante a pauta da redução de preços no governo. O plano do “choque de energia barata”, anunciado pelo governo em março, que previa a redução em 50% no custo do gás natural, ainda não saiu do papel.

Além dos reflexos da crise que se estendem desde 2014, e da demora na aprovação de reformas estruturais, que causaram impacto na confiança de consumidores e investidores, o cenário internacional não tem ajudado.

A crise argentina, por exemplo, derrubou o saldo comercial brasileiro no primeiro quadrimestre. Segundo o Indicador de Comércio Exterior (Icomex), da FGV, a balança comercial com a Argentina passou de superavitária para deficitária em US$ 3,1 bilhões.

A Volkswagen, por exemplo, colocou em férias coletivas os funcionários das fábricas de São Bernardo do Campo e Taubaté (SP). O motivo foi a queda no consumo da Argentina, seu principal destino de exportações. Apesar de a montadora não ter capital aberto no País, a iniciativa afeta fornecedores, como siderúrgicas e autopeças.

Já a crise entre EUA e China derrubou o comércio internacional, avaliam os economistas. Segundo estimativa da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a perda potencial do País com a disputa é de cerca de US$ 30 bilhões.

Fonte: Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo, 16 de maio de 2019 | 05h46

Sinais de mercado: Amazon lança máquinas que embalam pedidos e substituem funcionários

A Amazon pretende instalar duas máquinas em dezenas de armazéns
A Amazon pretende instalar duas máquinas em dezenas de armazéns

Amazon está implementando máquinas para automatizar um trabalho mantido por milhares de trabalhadores: encaixotar pedidos de clientes. Essas instalações normalmente empregam mais de duas mil pessoas – a automação do trabalho resultaria em um corte de mais de 1,3 mil funcionários da empresa. Com a mudança, a Amazon pretende gastar US$ 1 milhão por máquina, mais as despesas operacionais.

“Estamos testando essa nova tecnologia com o objetivo de aumentar a segurança, acelerar os prazos de entrega e adicionar eficiência em toda a nossa rede”, disse uma porta-voz da Amazon em comunicado. “Esperamos que a economia de eficiência seja reinvestida em novos serviços para os clientes, onde novos empregos continuarão a ser criados.”

A tecnologia escaneia mercadorias que chegam por uma esteira e as embala segundos depois em caixas personalizadas para cada item, disseram à agência de notícias Reuters duas pessoas envolvidas no projeto. A ideia da Amazon é instalar duas máquinas em dezenas de armazéns, removendo pelo menos 24 funções em cada local. 

A empresa espera recuperar os custos da automação em menos de dois anos. As mudanças não foram concluídas ainda porque a verificação da tecnologia antes de uma implementação importante pode levar muito tempo.

O plano mostra como a Amazon está tentando reduzir mão-de-obra e aumentar lucros, já que a automação da tarefa mais comum do armazém – que é pegar um item – ainda está fora do seu alcance. A Amazon é famosa por sua iniciativa de automatizar o maior número possível do seu negócio, seja no preço de mercadorias ou no transporte de itens em seus depósitos. Mas a empresa está em uma posição precária ao considerar a substituição de empregos que lhe renderam subsídios e boa vontade pública.

Fonte: Agências – Reuters/Estadão, 13/5/2019

Em um país com desemprego de 13%, sobram vagas na área de tecnologia

Para encontrar um profissional para seu time de desenvolvedores, a fintech Warren, de Porto Alegre, foi longe: após meses de procura, contratou um funcionário que trabalha de casa, em Sinop, polo do agronegócio de Mato Grosso, a 3 mil km de distância.

O caso ilustra como o setor de tecnologia se descolou da realidade do mercado de trabalho brasileiro. Em um país de 13,4 milhões de desempregados, ou 12,7% da força de trabalho, o segmento tem no momento 5 mil vagas abertas apenas em startups (empresas nascentes).

Considerado todo o ecossistema de tecnologia, as companhias poderiam abrir até 70 mil novas vagas em 2019 – meta que deve ficar longe de ser cumprida por falta de mão de obra capacitada. 

abertura de empregos no setor é turbinada por várias frentes. Uma delas é a criação de novas empresas de tecnologia. Segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups), apenas entre janeiro e abril deste ano, nada menos que 2 mil empresas foram fundadas nesse setor. Até dezembro, mais 3 mil podem começar a operar. Do lado dos negócios mais maduros, aponta a Brasscom, que reúne companhias de tecnologia da informação, a demanda de transformação digital em diversos negócios pode garantir que a receita do setor dobre até 2024, somando R$ 200 bilhões. Para chegar a essa cifra, as companhias vão precisar de 420 mil trabalhadores até 2024, segundo o presidente executivo da associação, Sérgio Paulo Gallindo. 

Mas, se há tanta gente procurando emprego, como se explica a dificuldade de unir trabalhadores ávidos por oportunidades às vagas disponíveis? Embora a demanda por profissionais de tecnologia deva ficar em torno de 70 mil pessoas ao ano entre 2019 e 2024, Gallindo explica que as universidade só formam 45 mil profissionais em áreas ligadas a TI por ano. “Desse total, a metade está em cursos como análise e desenvolvimento de sistemas, que estão defasados em relação ao que o mercado exige hoje”, diz. Ou seja: só um quarto da necessidade de profissionais da área é suprida pelo canal tradicional, que são as universidades.

Como a escassez não será resolvida facilmente, empresas e entidades de classe tentam remendar o problema, relaxando critérios para a contratação, pelo menos no que diz respeito à formação universitária. “As empresas estão contratando pessoas que não são formadas em TI e dando um ‘banho de loja’ (treinamento intensivo)”, diz Amure Pinho, presidente da Abstartups. A gaúcha Warren, que foi até Sinop para encontrar um programador, já se adaptou aos novos tempos: “A pessoa formada em Ciência da Computação é ideal, mas temos programadores formados em Direito”, afirma André Gusmão, cofundador da empresa.

Fontes: Fernando Scheller, Mônica Scaramuzzo, O Estado de S. Paulo, 05 de maio de 2019 | 05h00

Sinais de mercado: plataformas de streaming brasileiras apostam na segmentação

Mapear filmes antigos ou raros, incentivar a produção independente ou facilitar acesso a subgêneros específicos do cinema – são diversos os objetivos de novas plataformas de streaming que se assemelham à Netflix, mas oferecem produtos completamente diferentes.

No Brasil, a tendência também começa a tomar forma: ao menos três grandes plataformas criadas por aqui já estão de pé.

A Marca do Zorro
‘A Marca do Zorro’ (1920), de Fred Niblo e Theodore Rigo, é um dos títulos do catálogo da Oldflix Foto: United Artists/Divulgação

Lançada em 2016, a Oldflix é uma iniciativa brasileira – mais especificamente, do Rio Grande do Norte. Com mensalidades de R$ 12,90, a plataforma oferece um acervo de clássicos ‘retrô’ da TV e do cinema, como A Marca do Zorro, Jornada nas Estrelas e King Kong. À exemplo da Netflix, todo o conteúdo é transmitido por streaming, e pode ser assistido em qualquer aparelho conectado à internet e compatível com a plataforma. 

Com proposta mais comercial, a Looke, que debutou em 2015, também funciona a partir de streaming de filmes e séries por demanda. Na plataforma, é possível fazer uma assinatura mensal por valores que vão de R$ 16,90 a R$ 25,90, e alugar ou comprar títulos específicos, a partir de R$1,89 e R$14,90, respectivamente. O catálogo é amplo: vai de Tubarão a conteúdos do Sesc TV, incluindo produtos destinados ao público infantil.

Com lançamento previsto para esta sexta-feira,17, a Darkflix, do empresário Ernani Silva, quer atrair um segmento de público bastante específico: apaixonados por terror e ficção científica, principalmente por clássicos. No catálogo, estarão títulos como Poltergeist – O Legado, A Dama Oculta e Amazing Stories. “Sempre trabalhei com material segmentado, desde a época de distribuição de home vídeo em VHS”, conta o empresário. Após lançar uma revista voltada aos gêneros de horror e ficção científica, Ernani passou a trabalhar apenas com essa segmentação.

Foi uma crise que trouxe a gênese da plataforma. “Todo mundo acreditou que o mercado do DVD ia migrar para o Blu-Ray, mas isso não aconteceu”, conta Ernani. “Tentei montar um canal de TV segmentado, a cabo, mas era muito complicado.” 

Agora, frente ao serviço de streaming, Ernani tem um projeto ambicioso. Além dos filmes disponíveis na plataforma, a Darkflix contará, também, com um canal de TV 24 horas, gratuito. E vai além: quadrinhos do gênero também ganharão espaço na plataforma.

Os desafios são inúmeros: transmitir filmes antigos com qualidade, licenciar filmes nacionais e estrangeiros e chegar ao autossustento da plataforma são alguns deles. 

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Cena da série ‘Poltergeist – O Legado’, dos anos 1990 Foto: Darkflix/Divulgação

De olho em públicos específicos, serviços de streaming precisam ter cuidado especial com a curadoria, afirma Ernani. “Minha preocupação é ter um diferencial, deixar o cliente surpreso”, conta. Para isso, a plataforma investe em ainda mais segmentação: “Descobrimos quase 80 categorias dentro da categoria do fantástico. A ideia é que, em algum momento, um cliente que goste de filmes de alienígenas, por exemplo, consiga especificar ainda mais o seu gosto, e encontrar nichos próprios dentro dessa categoria”, diz. 
Fonte: Thaís Ferraz, Especial para O Estado, 12 de maio de 2019 | 15h35

Sinais de mercado: imóvel em São Paulo perde 10 metros quadrados nos últimos dez anos

O engenheiro Rodney Schiavon em seu apartamento de 35 metros quadrados na Bela Vista. Foto: JF Diorio/Estadão

O engenheiro civil Rodney Schiavon adquiriu um estúdio de 35 m² na região da Bela Vista, após mais de seis anos morando de aluguel. Segundo ele, a escolha do imóvel e da localização foi estratégica. “Eu queria um apartamento cujo preço estivesse adequado à minha realidade financeira. Além disso, vou para o trabalho a pé em 15 minutos.”

Exemplos como o de Rodney reforçam a mudança que o estilo de morar vem sofrendo nos últimos anos. A busca por apartamentos cujo preço cabe no bolso – mesmo com tamanho reduzido, porém bem localizados – levou construtoras a investirem em empreendimentos com unidades de metragens cada vez menores. Em 2008, segundo estudo do Secovi (Sindicato da Habitação), a área útil mínima de um apartamentode um dormitório em São Paulo era de 28,12 m². Hoje, é em média de 17,66 m².

Segundo Arthur Igreja, professor da FGV-RJ e especialista em inovação, a crise econômica foi um dos principais fatores que levaram ao encolhimento dos imóveis. “As pessoas não conseguiam mais comprar apartamentos amplos com a redução da renda e o preço deles corrigidos acima da inflação. Acabaram optando por apartamentos menores, porém tiveram a oportunidade de morar em bairros mais bem localizados sob o ponto de vista da mobilidade.”

Soma-se a isso, segundo Lucas Araújo, superintendente de marketing da construtora Trisul, o aumento do preço dos terrenos e dos materiais de construção. Araújo conta que, há dez anos, predominavam apartamentos menores em regiões comerciais como Paulista e Berrini. “Havia grande oferta de flats e hotéis. E alguns estúdios.” Hoje, estão espalhados por vários bairros da cidade, como Pinheiros, Vila Mariana, Higienópolis, Santa Cecília, Paraíso, Pompeia, Campo Belo, Cerqueira César, Perdizes e Moema.

“Nós levamos em conta a estrutura em volta do terreno antes de fazer a construção do empreendimento. As pessoas querem ter a vida em torno de sua moradia”, explica Davi Rubinsohn, diretor estatutário e sócio da construtora You, focada em imóveis para esse segmento.

Na Grande São Paulo também já existem alguns movimentos nesse sentido. A construtora Danpris está apostando em apartamentos com metragens entre 30 m² e 42 m² em locais como Osasco, Barueri e Carapicuíba. “Procuramos locais que privilegiem o acesso fácil às estações de trem, escolas, hospitais e comércio para facilitar a vida do morador”, afirma Dante Seferian, CEO da empresa.

Extensão da casa

O perfil de pessoas que habitam os apartamentos com metragem reduzida é variado. Envolve estudantes, executivos, divorciadas, casais de aposentados e também investidores, pois são unidades com boa liquidez. “Nos prédios feitos pela MAC para esse mercado, entre 12% e 18% das unidades são ocupadas por casais que preferem morar em locais menores após os filhos terem saído de casa”, enfatiza Ricardo Pajero, gerente comercial.

A aposentada Izabel Arieta e o engenheiro Roberto Arieta decidiram comprar um apartamento de 20 m² na região central da cidade, após anos de sufoco. “Nós morávamos na Penha e eu demorava duas horas para chegar na empresa de carro. E de metrô eu mal conseguia entrar no vagão no horário de pico.” Logo nos primeiros dias do novo imóvel, os ganhos já foram sentidos. Roberto agora leva 20 minutos a pé para ir ao trabalho. “Ainda consigo chegar a tempo de ir à academia do prédio”, diz. E Izabel está aproveitando para conhecer o centro da cidade.

Para contrabalancear os espaços internos reduzidos dos apartamentos, as construtoras apostam nas áreas comuns como extensões das unidades. Os condôminos podem usufruir de lounge, lavanderia, cozinha gourmet, coworking e até espaço para armazenar alimentos e para compartilhar utensílios. “O objetivo é não deixar faltar nada no dia a dia desse cliente”, destaca Piero Sevilla, diretor de incorporação da Cyrela. Na visão de Marcelo Dzik, diretor comercial e de clientes da Even, os ambientes permitem que o morador conviva fora da unidade.

Para os entrevistados, empreendimentos com esse perfil é um caminho sem volta. “Apesar de uma retomada tímida da economia, o Brasil só vai voltar a crescer de fato daqui a alguns anos. Enquanto isso, o brasileiro vai continuar com a renda mais enxuta, investindo em imóveis menores”, analisa o professor Arthur Igreja.

Lançamentos pequenos

You
Bairro: Pinheiros (a partir de 25 m²)

Trisul
Bairro: Vila Mariana (a partir de 27 m²)

MAC
Bairro: São Judas (a partir de 25,6 m²)

TPA
Bairro: Centro (a partir de 19,7 m²)

Even
Bairro: Bela Vista (a partir de 23 m²)

Cyrela
Bairro: Ibirapuera e Centro (a partir de 27 m²)

Fonte: Júlia Zillig, 12 de maio de 2019 | 06h10, especial para o Estado de S.Paulo

Sinais de Mercado: empresas de tecnologia entram no setor imobiliário residencial

A Zillow comprou menos de 700 residências em 2018, mas espera comprar 5.000 por mês de três a cinco anos. Foto: Caitlin O’Hara/NYT

No mundo digital on-demand de hoje em dia, comprar e vender uma casa continua teimosa e dolorosamente analógico. A maioria das vendas ainda começa com um agente imobiliário (e uma comissão de 6%). A maioria ainda termina em um escritório, com os dois lados assinando página após página de papéis em linguagem jurídica.

O Vale do Silício quer mudar isso. As empresas de tecnologia começaram a mordiscar as margens do setor imobiliário residencial, oferecendo visitas virtuais, encerramentos digitais e outros serviços. Agora eles estão indo direto para a própria transação imobiliária através da “compra instantânea”, na qual as empresas compram casas, realizam alguma rápida manutenção e as recolocam de volta no mercado.

Empresas consolidadas como a Zillow e iniciantes financiadas por capital de risco, como a Opendoor e a Offerpad, levantaram bilhões de dólares com a promessa de que podem usar sofisticados algoritmos para prever o valor de casas individuais. Eles alegam que essas previsões, combinadas com economias de escala antiquadas, permitirão que sejam muito mais eficientes do que as tradicionais compras e revendas rápidas (flippers).

As empresas e seus financiadores dizem que estão usando o melhor da tecnologia: trazendo eficiência e conveniência para um processo que não é conhecido por nenhum deles. O Vale do Silício já mudou a forma como pegamos um táxi e pedimos comida, argumentam eles. Por que não melhorar uma transação que mesmo profissionais bem instruídos consideram intimidante?

“Você terá condições de vender uma casa com alguns cliques”, disse Eric Wu, diretor executivo da Opendoor. Mas as casas não são táxis. Um passeio ruim do Uber pode custar US$ 20 a um usuário e atrasá-lo para uma reunião. Já uma casa é o maior ativo para a maioria dos americanos e a compra mais cara que ele jamais fará.

Na melhor das hipóteses, os céticos veem a compra instantânea, também conhecida como “iBuying”, como um negócio exagerado de capital intensivo, cujo crescimento explosivo fracassará assim que os investidores cansarem das margens de lucro que a própria Zillow chama de “finas como lâminas de gilete”. No pior cenário, poderia trazer volatilidade e risco para um setor que já derrubou a economia americana uma vez neste século.

Glenn Kelman, diretor executivo da Redfin, corretora on-line, disse que há um perigo em investir enormes somas na compra de casas “sem ter uma ideia clara de como você vai ganhar dinheiro em quase todas elas”. Acontece que, ele disse, “você está apenas colocando em um certo grau de risco o mercado de habitação, e o mercado de capitais”.

A compra instantânea é uma pequena parte do mercado, embora esteja crescendo a uma velocidade vertiginosa. A Zillow comprou menos de 700 residências em 2018. Ela espera comprar 5.000 residências por mês em três a cinco anos. A Opendoor, primeira grande iBuyer, comprou mais de 11 mil casas no ano passado, ano em que arrecadou mais de US$ 1 bilhão para acelerar seu ritmo.

As empresas geralmente pretendem manter as casas por 90 dias ou menos antes de vendê-las, para um comprador individual. Para o eventual proprietário, o processo trará mudanças pequenas.

Em Phoenix, a compra instantânea responde por 6% de todas as transações imobiliárias, segundo Mike DelPrete, analista do setor. E em um sinal de como a iBuying está reformulando o mercado imobiliário, a própria empresa de Kelman está entrando no jogo, comprando casas na Califórnia, no Colorado e no Texas através de um programa chamado RedfinNow.

Mesmo corretoras tradicionais, como a Keller Williams e a Realogy, que são proprietárias da Coldwell Banker, da Century 21 e de outras marcas, anunciaram planos para programas de compra instantânea. A tendência é uma ameaça ao modelo de negócios dos corretores – mas, se isso acontecer, eles prefeririam ficar com parte da ação.

Sempre houve pessoas que precisavam vender suas casas rapidamente por causa da perda do emprego ou de uma mudança súbita. Mas vender rápido tem seu custo, geralmente um acentuado desconto. Compradores instantâneos prometem um desconto muito menor, talvez reduzindo apenas 1% ou 2% do que um proprietário pode obter em uma venda convencional.

Para o vendedor certo, esse trade-off pode valer a pena.

Casa comprada pela Zillow em Phoenix, EUA, para ser revendida. Foto: Caitlin O’Hara/NYT

Se a iBuying funciona fora de mercados como Phoenix e Las Vegas é uma questão em aberto. O modelo ainda não entrou no Nordeste, onde o estoque de habitações é mais antigo, o clima eleva os custos de manutenção e há menos subdivisões do tipo que os algoritmos do setor avaliam melhor. Os preços também são mais elevados, tornando os erros mais caros para as empresas.

As empresas dizem que serão capazes de extrair mais eficiência do sistema à medida que ganharem em escala e experiência. Mas especialistas estão em dúvida. Chris Mayer, economista do setor imobiliário da Universidade de Columbia, disse que as coisas que tornam as transações imobiliárias caras não deveriam mudar. “Isso não é como vender uma hipoteca, onde todos estão vendendo a mesma hipoteca ou assentos em um voo”, disse Mayer.

De fato, a visão de Wu de vender uma casa com alguns toques em um smartphonecontinua distante. Por enquanto, os algoritmos ajudam a determinar os lances preliminares de iBuyers, mas essas ofertas não se tornam definitivas até que um inspetor tenha feito uma inspeção. Ainda depende mais de humanos para determinar se uma fundação está rachada ou se uma cozinha precisa ser reformada.

Mesmo as funções de back-office exigem grande participação de mão-de-obra. A Zillow Offers tem cerca de 200 funcionários em Phoenix trabalhando em fileiras de cubículos para dimensionar e agilizar o processo de décadas de trabalho com um agente imobiliário para precificar, preparar e mostrar uma casa na esperança de obter o melhor preço do mercado. Uma fileira de cubículos tem analistas trabalhando para criar índices de preços comparáveis. Outra linha tem pessoas recebendo ligações de potenciais vendedores e ajudando-as a fechar o negócio. Outras estão trabalhando para conseguir equipes de pintura, carpetes e paisagistas para as casas compradas recentemente, para que a Zillow possa colocá-las logo no mercado.

A Zillow admite essencialmente que não espera ganhar muito dinheiro por casa em seu programa de ofertas instantâneas. Em vez disso, encara a venda de residências como uma maneira de gerar negócios para seu braço de empréstimos hipotecários, que desenvolveu depois de adquirir a Mortgage Lenders of America no ano passado e para outros serviços. É o equivalente aproximado da concessionária que vende carros com prejuízo, mas ganha dinheiro oferecendo financiamento.

“Onde você é capaz de ganhar dinheiro é através da geração de hipotecas”, disse Svenja Gudell, economista-chefe da Zillow. “É por isso que possuímos uma companhia de hipotecas.” A questão que ninguém pode responder é o que acontecerá com os iBuyers – e o iBuying – quando o mercado imobiliário esfria inevitavelmente, deixando as empresas com milhares de casas que valem menos do que se pensava.

A Zillow e a Opendoor dizem que seus produtos poderiam ficar ainda mais valiosos quando o mercado imobiliário desacelerar. O mercado habitacional, muitas vezes, se aproveita dos períodos de mudanças rápidas, à medida que compradores e vendedores se esforçam para chegar a um acordo sobre os preços. Compradores imediatos, com seus algoritmos sem emoção, poderiam fazer o mercado voltar a movimentar-se, aceitando preços mais baixos para as casas mantidas em estoque e, assim, estabelecendo referências para outros vendedores.

Esse desacordo dá realce a uma tensão no centro do modelo iBuying. Destina-se a eliminar os atritos que desaceleram o mercado imobiliário: negociações prolongadas, ofertas contingentes, financiamento que se desfaz antes de um fechamento. Mas essa própria lentidão contribui para a estabilidade do mercado imobiliário – é difícil ter um “crash instantâneo” quando leva 90 dias para que uma venda seja liberada. E uma grande parte da economia dos EUA, desde a hipoteca de 30 anos até o empréstimo da casa própria até os impostos sobre a propriedade que financiam escolas distritais, é construída sobre essa estabilidade.

Fontes: Ben Casselman e Conor Dougherty, New York Times/Estadão, 12 de maio de 2019 | 06h05. Tradução de Claudia Bozzo

40 blogs de empresas de tecnologia mão na massa que você precisa seguir, por Caique Oliveira

De alguns anos pra cá algumas empresas (as mais espertas) têm percebido que ter a ideia brilhante, guardada a sete chaves, sob uma discrição quase fúnebre, não faz nenhum sentido.

Ter a ideia brilhante já é algo completamente utópico, porque em um mundo conectado não existe “a” ideia e sim “as” ideias brilhantes, cada uma com uma forma, parte de um pedaço, em um contexto, que combinadas de múltiplas maneiras geram produtos e serviços brilhantes.

A genialidade de uma ideia está na maneira que, coletivamente, ela foi percebida através do arranjo de outras ideias geniais. Gary Hamel é um autor que trata essa questão a fundo no livro Leading the Revolution (siga esse cara, vale muito a pena).

Da mesma forma, empresas ainda mais espertas perceberam que muito além de ter a tal “ideia brilhante” o que importa mesmo é executá-la, por em prática, fazer acontecer, testar, por a mão na massa e aprender.

Aprender como uma ideia se comporta em caráter tático / operacional é a grande chave do sucesso. Como disse Steve Blank: “Todo plano de negócios não sobrevive ao primeiro contato com o cliente”. Dá uma olhada no texto completo onde ele escreveu isso, aqui → http://bit.ly/no_plan_survives

No entanto, existem aquelas empresas muito, muito, muito mais espertas. Estas não apenas focam em testar novas ideias, mas também compartilham COMO têm feito isso com suas equipes e o que elas têm aprendido, também quais problemas encaram, quais caminhos alternativos decidem seguir, como gerenciam a rotina, como enxergam os cenários a sua volta, quais soluções acreditam, quais desacreditam e muito mais do que isso, qual é a visão de mundo, de relacionamento entre pessoas, de cultura, de transformação de conceitos e valores.

O legal disso tudo é que muitas experiências que você e sua equipe desejam viver no desenvolvimento de alguma ideia nova, certamente alguém já vivenciou e tem algo pra contar (e tudo isso está disponível). Esta é uma quebra de paradigma gigantesca!

Bem, sem mais delongas, quero compartilhar o que essas empresas estão produzindo. Então separei 40 links de blogs (maioria no Medium 😃) de empresas que contam como conduzem o dia a dia resolvendo problemas, desenvolvendo soluções, interpretando tendências, aplicando novas tecnologias, lidando com equipes, etc. Sinceramente, acho que vale SUPER a pena selecionar alguns pra seguir. Tem muita coisa boa ali, de graça, disponível, na mão . Abra um bookmark e se divirta! Lá vai:

1 Magalu → https://medium.com/luizalabs

2 Nubank → https://medium.com/building-nubank

3 iFood → https://medium.com/ifood-tech

4 CESAR reports (análises e pesquisas) → https://medium.com/cesar-reports

5 CESAR update (inovação e tecnologia)→ https://medium.com/cesar-update

Leia mais, aqui

Employer Branding: construção da imagem de dentro para fora, por João Cosenza

A preocupação em desenvolver uma imagem de marca sólida e atraente deixou de ser um privilégio apenas das grandes empresas. As PMEs — pequenas e médias empresas — são responsáveis atualmente por 30% do PIB brasileiro (cerca de R$ 4,4 trilhões), e também podem ser reconhecidas por suas operações exemplares e relações bem saudáveis com seus diversos stakeholders.

Dados levantados pela PricewaterhouseCoopers  revelam a força das PMEs em gerar oportunidades para clientes, fornecedores, investidores e, principalmente, funcionários. Ao implantarem boas práticas de gestão de clima organizacional, muitas delas possuem uma boa reputação corporativa e se tornam referência como Employer Brandings.

Por exemplo, supondo que somos um cliente, quando precisamos adquirir um produto ou contratar um serviço, consideramos, consciente ou inconscientemente, uma série de critérios tangíveis e intangíveis para avaliar uma marca, certo? Cada etapa da “jornada do consumidor” — desde o atendimento no ponto de venda até a utilização e o respectivo desempenho desse produto ou serviço adquirido no dia a dia — é responsável por gerar percepções positivas ou negativas (momentos da verdade). A imagem de marca é, portanto, o resultado da experiência percebida pelo consumidor junto a um produto ou serviço. Mas o que isso tem a ver com o Employer Branding?

Assim como no marketing tradicional, a jornada do seu funcionário é formada por todas as interações dele com a sua organização, da contratação ao desligamento. Conhecida como Employee Experience (EX), ela reflete diretamente na imagem da sua marca. Ocorre que, na tentativa de serem reconhecidas, as empresas normalmente se preocupam em deixar uma boa impressão e ganhar a confiança de três públicos: os clientes, dos quais depende a receita recorrente; os fornecedores, dos quais depende a qualidade produtiva e os investidores, dos quais depende a expansão das atividades.

Esses stakeholders, sem dúvida, são realmente fundamentais para a sustentabilidade do negócio. Por outro lado, ao desconsiderar o impacto da opinião dos colaboradores acerca da sua empresa, a reputação corporativa é colocada em risco. Não se engane: o reconhecimento dos seus funcionários — seus clientes internos — tem um peso enorme na sua imagem diante do mercado.

Tanto é que, segundo Jacob Morgan, autor do livro The Employee Experience Advantage (As vantagens do Employee Experience, em tradução livre para o português), empresas que investem na sua marca empregadora foram encontradas duas vezes mais do que as outras no American Customer Satisfaction Index, indicador econômico que mede a satisfação dos consumidores nos EUA.

É por isso que negligenciar a experiência dos colaboradores, por exemplo, distorcendo a imagem do ambiente de trabalho em campanhas de recrutamento, pode revelar-se tão prejudicial. Um estudo da agência Weber Shandwick e da consultoria KRC Research mostra, aliás, que 81% dos 2000 funcionários entrevistados em 19 mercados sentem que a experiência de trabalho promovida pelo seu empregador não corresponde à realidade. O que reforça a ideia de que a imagem de marca deve ser uma construção equilibrada entre uma cultura única e uma história particular que acontece de dentro para fora da empresa.

Quando os funcionários experimentam uma jornada tão engajadora quanto à dos clientes, cria-se uma narrativa autêntica. E, se a marca é percebida positivamente pelos públicos internos e externos, sua empresa tem tudo para ser uma Employer Branding.

Fonte: João Cosenza. Consultor e Fundador do Instituto Gestão Consciente.

Publicado no blog HSM