É hora de separar ‘o joio do trigo’, diz Magalu

Numa mensagem de duas páginas em seu balanço trimestral, intitulada “O joio e o trigo”, o comando do Magazine Luiza diz que é tempo de separar negócios que crescem fazendo “trocas insustentáveis” daqueles com resultados consistentes porque são efetivamente multicanais. Em entrevista ao Valor ontem, seu CEO,

Frederico Trajano disse que a segunda onda da pandemia acirrou a concorrência e quando esta não é lastreada em algo sustentável, há crescimentos “anabolizados”.

“Neste ano há uma maior agressividade do que no passado o que vai exigir das empresas buscar maior eficiência, e um equilíbrio entre crescimento, rentabilidade e caixa. Você vai ver empresa querendo mostrar receita, mas a custo de ‘cash burn’ [queima de caixa]. Tem operação crescendo de forma anabolizada, com prejuízo e queimando caixa”, diz.

“O segundo, terceiro e quarto trimestres foram vendas de Copa do Mundo, é razoável pensar numa desaceleração. Se olhar só o curto prazo vai ser difícil continuar crescendo três dígitos. Mas se você quer manter essas taxas em cima de uma base alta vai ter que aumentar gasto em marketing, reduzir preço ou melhorar o nível de serviço. Nós vamos fazer um pouco desses três”, disse.

Segundo ele, a diferença será determinada pelas operações com canais integrados. “Todo mundo fala que é multicanal, e está correndo atrás disso. Mas quem é mesmo multicanal hoje? Basta olhar os números. Nós crescemos 4% em loja no primeiro trimestre mesmo com 60% [dos pontos] fechados em março e 40% em abril.

Este abril foi pior que o do ano passado, quando só 8% das lojas estavam sem funcionar. Outros perderam venda em loja. Isso acontece porque somos multicanal”, disse.

“No trimestre, as lojas fechadas estavam vendendo 70% de uma loja aberta por
causa da venda do digital, com o vendedor fazendo isso de casa”, disse. “Se no
trimestre a venda da loja cai e o digital cresce, é so transferência de um ao outro
[…].

Temos que aprender a separar o que é um sinal do que é ruído. O que é
barulho do que é estrutural”, disse, ao comentar a cautela dos analistas nas
projeções de resultados das cadeias pelo risco concorrencial. Até ontem, B2W, Via e
Mercado Livre haviam divulgado seus números.


O Magazine Luiza apurou alta de 3,7% nas vendas da operação física no primeiro
trimestre, e expansão de 114,4% no on-line (em cima de uma alta de 73% em 2020).
Na soma total, digital e lojas avançaram 62,8%, para R$ 12,5 bilhões.

O lucro líquido cresceu oito vezes, para R$ 258 milhões, favorecido pelo ganho
operacional – a receita líquida avançou em ritmo mais que o dobro das despesas.

Ao se considerar o lucro descontando efeitos não recorrentes, o prejuízo de R$ 8
milhões vira lucro de R$ 81,5 milhões. O grupo ressalva que a geração de caixa foi
influenciada pela sazonalidade e pelo fechamento de pontos. Mas diz que nos
últimos 12 meses, o fluxo de caixa soma R$ 2,7 bilhões.

Houve melhora na margem ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e
depreciação), de 6,4% para 8,4% mas a margem bruta caiu (27,1% para 25,1%),
pressionada pela menor rentabilidade do canal digital. Apesar da alta na venda
total, as vendas em lojas com mais de um ano caíram 0,5%, afetadas pelo
fechamento do comércio devido à pandemia.

A entrega de pedidos no prazo de até um dia passou de 5% do total há um ano
para 51%. O número de centrais e hubs logísticos cresceu de 26 para 103. Em abril,
40% de todos os pedidos do marketplace (shopping virtual) passaram pelo sistema
de entrega próprio da empresa. O volume de itens à venda on-line passou de 15
milhões para 30 milhões.

No primeiro trimestre, o segmento de alimentos, desenhado para aumentar o fluxo
de clientes, representou 40% de todos os itens vendidos.
Em abril foi lançado o cartão Magalu para o público que compra no canal digital –
foram 100 mil cartões emitidos em três semanas. O grupo tem 5,5 milhões de
cartões tradicionais emitidos.

Fonte: Adriana Mattos — Valor, 14/05/2021

Por que Magalu se espelha nos chineses

Trajano, do Magazine Luiza: “Os chineses ajudaram tanto os consumidores quanto os empreendedores a se digitalizar” — Foto: Claudio Belli/Valor

Quando Frederico Trajano, presidente da varejista Magazine Luiza, comprou o AiQFome, a maior plataforma de entrega de comida do interior do país, não estava só de olho no mercado disputado por iFood e Rappi. No horizonte, estavam Jack Ma e Pony Ma, os bilionários que revolucionaram a cena digital chinesa com Alibaba e Tencent.

Na China, as duas gigantes duelam pelo negócio de entregas a domicílio a partir da Ele.me – adquirida pelo Alibaba em 2018, por US$ 9,8 bilhões -, e da Meituan, firma listada na bolsa de Hong Kong que levantou US$ 10 bilhões recentemente numa operação que aumentou a participação da Tencent para quase 20%.

A entrega de comida ainda é um negócio custoso, mas Jack Ma e Pony Ma entenderam muito antes dos demais que o nome do jogo digital é trazer tráfego, o que se traduz em mais compras. Essa é a lógica por trás do sucesso dos superaplicativos chineses como o WeChat – estratégia que vem sendo adaptada pela Magazine Luiza.

Não à toa, a inspiração chinesa é cada vez mais citada por Frederico Trajano, num contraste com Amazon e eBay – há seis anos, quando estava construindo o marketplace (o shopping center virtual) da Magalu, era mais comum que Trajano citasse as companhias fundadas por Jeff Bezos e Pierre Omidyar.

Em entrevista ao Pipeline, Trajano explicou porque prefere a visão dos chineses, que dá abrangência aos supperapps, em vez da tendência “category killer” dos americanos, concentrando a atuação em áreas nas quais tenham vantagens competitivas quase insuperáveis.

“Os chineses ajudaram tanto os consumidores quanto os empreendedores a se digitalizar. Jack Ma está mais preocupado com os sellers [varejistas que operam no marketplace] do que Bezos, o que bate mais com o que penso. Quero digitalizar o Brasil, e não o mundo”, diz Trajano.

A força dos sellers para a Magalu pode ser vista nos resultados. Desde 2018, a companhia olha para o GMV – valor total de vendas, incluindo o marketplace -, e não só para a receita líquida. No ano passado, foram R$ 43,5 bilhões. O e-commerce já representa 65,6% das vendas totais.

As incursões em conteúdo, com a compra de Canaltech, Jovem Nerd e Steal the Look, fortalece o negócio de venda de publicidade online para os sellers. “A Amazon fatura mais de US$ 10 bi com ads [anúncios]. O Alibaba não cobra take rate [comissão] e toda a receita é em ads”, compara Trajano.

A estratégia da Magalu, que fez 17 aquisições desde o início do ano passado – ingressando não só em delivery de comida, mas reforçando a logística e a oferta de serviços aos sellers, -, também está mais próxima dos chineses por características históricas do varejo no Brasil.

O brasileiro de renda mais baixa, historicamente, precisa de crédito do varejo para consumir. “Renner, C&A, Pernambucanas e Magalu sempre tiveram uma operação financeira”, diz Trajano. Na Magalu, a Luizacred é uma joint venture com o Itaú, de 20 anos.

A particularidade brasileira torna mais natural o investimentos de varejistas em serviços financeiros – no mundo digital, ninguém fez isso melhor do que os chineses. “O AliPay, plataforma de pagamentos com carteira digital e crédito, foi uma ferramenta fundamental para o Alibaba. E até hoje isso não é relevante para a Amazon”, observa o consultor Alberto Serrentino, fundador da Varese Retail.

Na Magalu, os serviços financeiros digitais devem crescer. No superapp, a conta digital desenvolvida pelo time de tecnologia da empresa já conta com três milhões de clientes.

A companhia também aguarda o aval do Banco Central para concluir a aquisição da Hub, que vai viabilizar a oferta direta de serviços como o Pix a consumidores e sellers – a fintech conta com mais de 4 milhões de contas ativas e processa mais de R$ 6,5 bilhões em pagamentos por ano.

“Existe uma bela oportunidade para caminhar em fintech”, diz o presidente da Magazine Luiza.

Numa tentativa de se diferenciar da concorrência – uma miríade de companhias também almeja ser um superapp à moda chinesa -, Trajano argumenta que as estratégias levam muitos anos para se consolidar.

Em serviço de entrega de comida, por exemplo, o AiQFome vai primeiro desbravar as cidades fora das capitais – o número de municípios atendidos já é de 700 e deve chegar a 2 mil. “A Magalu demorou várias décadas para entrar na capital”, compara – as lojas físicas só chegaram a São Paulo em 2008.

“Me preocupa quando todo mundo começa a falar [de superapp]. Não pode ser voluntarismo para jogar para o investidor”, disse ele, que visitou a China em 2018 para desenhar o novo ciclo estratégico da Magalu.

Trajano reforça a aposta no longo prazo ao lembrar do modelo escolhido para a companhia. A multicanalidade, integrando os canais físico e digital, levou 15 anos para fazer a fama de varejista de sucesso – a Magalu lançou seu e-commerce em 2000. O modelo foi criado em casa, sem inspirações americanas ou chinesas.

“Os investidores foram por uma década e meia contra minha visão de multicanalidade e agora, como teve sucesso, todo mundo fala”, diz, citando que é o único player de e-commerce que deu lucro – a B2W, que vai entrar na era da multicanalidade com a união com a Lojas Americanas, teve prejuízo de R$ 203 milhões no ano passado. O Mercado Livre reportou prejuízo de US$ 707 mil.

Por muitos anos, a Magazine Luiza não foi a queridinha do mercado – as ações chegaram a valer pouquíssimos centavos até 2015, para só depois engatar uma impressionante disparada. A Magalu, que acaba de completar dez anos desde o IPO, vale R$ 130 bilhões. Em 2021, os papéis caíram quase 20% (muitos investidores realizaram lucro e outros migraram para ativos que podem ganhar com o pós-vacina)

Fontes: Luiz Henrique Mendes e Manuela Tecchio, Valor, 04/05/2021.

Com pandemia, varejo elimina 75,2 mil lojas

Fechamento lojas pandemia
A retração de 1,5% nas vendas do varejo ampliado em 2020, que inclui veículos e materiais de construção, e o grande fechamento líquido de lojas físicas resultaram na perda de 25,7 mil postos formais de trabalho Foto: Daniel Teixeira/Estadão

No início da pandemia de covid-19, o empresário Marcelo de Carvalho, dono da cinquentenária Mototex, que confecciona e vende uniformes para restaurantes e condomínios, ficou com as duas lojas fechadas por três meses. Nesse período, continuou pagando aluguel e tendo outras despesas, mas sem a contrapartida da venda de uniformes. Em julho, Carvalho decidiu encerrar definitivamente uma das lojas. “Se a venda continuar aquém do necessário, cogitamos só ficar com a confecção e fabricar sob demanda”, diz. 

Caso o plano de Carvalho de fechar a segunda loja se confirme e seja seguido por outros comerciantes, o varejo deve demorar para se recuperar do tombo de 2020. No ano passado, o isolamento social imposto pela pandemia e o avanço acelerado do comércio online derrubaram a abertura de lojas físicas no País. Entre inaugurações e fechamentos, o comércio perdeu 75,2 mil pontos de venda, revela estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), obtido com exclusividade pelo Estadão. O levantamento considera lojas com vínculo empregatício que entram no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

O resultado de 2020 foi o pior desde 2016, quando o saldo tinha sido de 105,3 mil lojas fechando as portas, na época, por causa da maior recessão da história recente. Após dois anos seguidos de saldo positivo – com a abertura líquida de 27,1 mil lojas –, o estrago em 2020 só não foi maior por causa do auxílio emergencial, segundo o economista-chefe da CNC e responsável pelo estudo, Fabio Bentes. “Sem o auxílio teríamos tido seguramente mais de 100 mil lojas fechadas.”

Apesar da digitalização acelerada do comércio por conta da pandemia, o varejo brasileiro é ainda muito dependente do consumo presencial, que responde por cerca de 90% das vendas. Essa relação é nítida, segundo Bentes, quando se constata que o impacto maior da pandemia ocorreu no primeiro semestre, com o fechamento líquido de 62,1 mil lojas. Nesse período, o índice de isolamento social atingiu o pico de 47% e as vendas recuaram quase 18% em abril. No segundo semestre, quando se iniciou o processo de reabertura e o consumo foi impulsionado pelo auxílio, o saldo negativo de abertura de lojas foi bem menor e ficou em 13,1 mil.

‘Tempestade perfeita’

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), Eduardo Terra, o que explica o saldo negativo na abertura de lojas é uma “tempestade perfeita” que combinou o aperto provocado pela crise sanitária com a aceleração da digitalização do varejo, a redução da presença no País de marcas internacionais e o forte aumento de custos dos aluguéis, especialmente em shoppings. “Todos fatores estão interligados.”

O fechamento de lojas de marcas internacionais, na opinião de Terra, tem relação com a crise sanitária, que levou muitas empresas a encerrarem pontos de venda em países que não são prioritários. Mas as empresas alegam outros motivos.

A espanhola Zara, por exemplo, do setor de vestuário, fechou sete lojas no País nos últimos três meses e ficou com 49 em funcionamento. Segundo fontes próximas da companhia, o encerramento desses pontos não está relacionado com a pandemia. Ele faz parte de um projeto global, anunciado antes da crise sanitária, de transformação digital no qual as lojas menores seriam desativadas.

A francesa L’Occitane au Brésil, de perfumaria, é outra que fechou 39 lojas em 2020 e manteve 157 em operação. Segundo a companhia, o encerramento das lojas é resultado da reestruturação, anterior à pandemia, que visa uma “adequação dos espaços do varejo”, como avanço da venda online.

Comércio perde 27,5 mil vagas formais

A retração de 1,5% nas vendas do varejo ampliado em 2020, que inclui veículos e materiais de construção, e o grande fechamento líquido de lojas físicas resultaram na perda de 25,7 mil postos formais de trabalho, aponta o levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com base nos dados do Caged. Foi o primeiro saldo anual negativo no emprego do varejo desde 2016. Naquele ano, por conta da forte recessão foram fechadas 176,1 mil vagas, entre admissões e demissões.

Apesar do saldo negativo na ocupação do varejo em 2020, não houve uma reversão completa das vagas abertas nos três anos anteriores. Entre 2017, 2018 e 2019, o setor gerou 220,1 mil empregos com carteira. 

Segundo o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, o grande fechamento de lojas físicas que houve em 2020 não deverá ser compensado este ano por conta do cenário incerto em relação às novas ondas da pandemia e ao ritmo de vacinação. “Seguramente, esse quadro deve fazer com que a retomada do emprego no comércio seja bem mais difícil, a menos que ocorra alguma surpresa.” 

Além das incertezas sobre a retomada da abertura de lojas por causa da pandemia, ele lembra que o comércio eletrônico cujas vendas cresceram 37% em 2020, não tem capacidade de gerar tantos empregos como as lojas físicas.

Fonte: Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo, 01 de março de 2021

Lucro do Assaí cresce 31% no 4º tri e vai a R$ 299 milhões

RIO DE JANEIRO, RJ, BRASIL, 16-03-2020, Carrinhos de supermercados sao higienizados antes e apos o uso dos clientes no mercado Assai. Pavuna, Rio de Janeiro. (Foto: Zo Guimaraes /Folhapress, Agencia) ***EXCLUSIVO FOLHA****
Carrinhos de supermercados são higienizados antes e após o uso dos clientes no mercado Assai, no Rio de Janeiro. (Foto: Zo Guimaraes /Folhapress)

O Assaí Atacadista registrou lucro líquido de R$ 299 milhões nos últimos três meses do ano passado, o que representa uma elevação 31% frente ao mesmo período de 2019, de acordo com dados divulgados no final da segunda-feira (23), ajudado por melhor desempenho operacional e redução de despesas financeiras.

A companhia, que atua no segmento de atacado de autosserviço, apurou receita líquida de R$ 10,7 bilhões, alta de 33,7%, atribuindo o resultado à performance das 19 lojas inauguradas em 2020, assim como ao desempenho ‘mesmas lojas’ e o efeito da inflação principalmente nas categorias de commodities.

As despesas com vendas, gerais e administrativas representaram 8,9% da receita líquida, redução de 0,5 ponto percentual na comparação ano a ano.

O resultado medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado cresceu 41%, para R$ 879 milhões, margem de 8,2%, ante 7,8% um ano antes.

Nos últimos três meses de 2020, foram inauguradas nove lojas, totalizando 19 estabelecimentos no ano. De acordo com o Assaí, há sete lojas em construção e outras três lojas de Extra Hiper estão em processo de conversão, transferidas para Assaí antes da conclusão da cisão da GPA (Grupo Pão de Açúcar).

Acionistas de GPA e de sua subsidiária Sendas aprovaram no final de 2020 proposta de reorganização societária para cindir a unidade Assaí. Na semana passada, as companhias divulgaram que tiveram aprovação neste mês para a listagem das ações do Assaí no Novo Mercado da B3 e na Bolsa de Nova York.

Os detentores de ações da GPA, após o encerramento do pregão em 26 de fevereiro, receberão ações do Assaí, na proporção de suas respectivas participações no capital social da GPA. Os papéis serão negociadas na B3 a partir de 1 de março sob o código ‘ASAI3’.

Fonte: Reuters, Folha de S.Paulo, 24.fev 2021.

Vendas no varejo caem 6,1% em dezembro, mas crescem pelo quarto ano seguido

Apesar da queda em dezembro, vendas no varejo fecharam 2020 com alta de 1,2% – Foto: Helena Pontes/Agência IBGE Notícias

O volume de vendas do comércio varejista caiu 6,1% em dezembro na comparação com novembro, quando variou -0,1%. É a queda mais intensa para um mês de dezembro de toda a série histórica, iniciada em 2000. Apesar dos resultados negativos nos últimos dois meses do ano, o acumulado de 2020 fechou com alta de 1,2%. É a quarta vez consecutiva que o comércio apresenta alta anual: 2,1% em 2017; 2,3% em 2018 e 1,8% em 2019. Com o recuo de dezembro, as vendas do varejo se igualaram ao patamar de fevereiro, período pré-pandemia.

No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, o volume de vendas em dezembro recuou 3,7% em relação a novembro e fechou o ano em queda de 1,5%, após três anos consecutivos de altas. Em relação a dezembro de 2019, o crescimento foi 2,6%, sexta taxa positiva consecutiva nesta análise.

Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada hoje (10), pelo IBGE. A média móvel trimestral do comércio varejista foi de -1,8%. Já no confronto entre dezembro de 2020 e dezembro de 2019, o resultado foi uma alta de 1,2%, sexta taxa positiva consecutiva neste tipo de comparação.

O gerente da PMC, Cristiano Santos, explica como a pandemia de Covid-19 impactou diretamente a trajetória de resultados da pesquisa ao longo do ano. “Os resultados da pesquisa costumam ter variações menores, mas com a pandemia, houve uma mudança deste cenário, já que tivemos dois meses (março e abril) de quedas muito grandes”, afirma.

Com a base de comparação muito baixa, o resultado do varejo foi de crescimento de maio até outubro, quando apresentou o maior patamar da série histórica, iniciada em janeiro de 2001, e ultrapassou o patamar pré-pandemia, de fevereiro. “A queda em dezembro é um reposicionamento natural, já que o patamar estava muito alto com os resultados de outubro e novembro”, complementa o analista.

Outro fator de influência para o resultado nos últimos meses do ano é a inflação dos alimentos. Segundo Cristiano, o comércio em hiper e supermercados têm um peso maior para a PMC, quase a metade do resultado total. “O que acontece nos mercados influencia bastante a pesquisa. E, por conta dos resultados recentes do IPCA, o volume de vendas acabou sendo afetado”, justifica. O IPCA é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, pesquisa mensal do IBGE que mede a inflação oficial do país.

O crescimento do comércio varejista no acumulado de 2020 veio após um primeiro semestre de queda (-3,2%) e um segundo semestre de alta (5,1%). O comércio varejista ampliado apresentou a mesma dinâmica (-7,7% e 4,2%, respectivamente) mas o resultado não foi suficiente para a o indicador fechar o ano com taxa positiva.

Todas as dez atividades caem em dezembro, mas cinco fecham ano em alta

Todas as dez atividades do comércio varejista, contando com varejo ampliado, fecharam dezembro com queda frente a novembro. Outros artigos de uso pessoal e doméstico caiu 13,8%, enquanto tecidos, vestuário e calçados recuou 13,3%. Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-6,8%), móveis e eletrodomésticos (-3,7%) e livros, jornais, revistas e papelaria (-2,7%), além de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-1,6%), combustíveis e lubrificantes (-1,5%) e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,3%) completam o comércio varejista. No varejo ampliado, a queda em veículos, motos, partes e peças foi de 2,8% enquanto em material de construção, o recuo foi 1,8%.

O cenário é diferente no acumulado anual de 2020. Cinco setores tiveram alta: material de Construção (10,8%), móveis e eletrodomésticos (10,6%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (8,3%), hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (4,8%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,5%).

Por outro lado, livros, jornais, revistas e papelaria (-30,6%), tecidos, vestuário e calçados (-22,7%), automóveis, Motos, Partes e Peças (-13,7%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-16,2%) e combustíveis e lubrificantes (-9,7%) fecharam o ano em queda. “As atividades tiveram dinâmicas diferentes durante o ano. Algumas foram muito afetadas pela pandemia e pelos momentos mais rigorosos de isolamento, como vestuário e combustíveis. Já outras se beneficiaram de mais pessoas em casa, como material de construção, ou não fecharam em momento algum, como hipermercados”, finaliza Cristiano.

Fonte: IBGE, 10/02/2021.

Transformação cultural e o futuro do varejo: insights NRF 2021, por Karen Cavalcanti

Carrinho De Compras Com Item
Oleg Magni/Pexels

Nesse início de ano, tivemos a oportunidade de palestrar no Retail’s Big Show, maior evento de varejo do mundo, promovido pela National Retail Federation (NRF). Abordamos no evento o tema “Consumidor do Amanhã” com base no estudo de movimentações culturais e comportamentais que a Mosaiclab realizou em 17 países, incluindo Brasil.

Refletimos na sessão sobre algumas tendências, como:

Aceleração da hiperconveniência

  • Compras mais inteligentes e rápidas e importância do last mile;
  • Impacto de Big Data e análise preditiva em recomendações sobre compra;
  • Recomendações feitas por pessoas reais ou virtuais baseadas em uso de Inteligência Artificial;
  • Maior abertura para serviços de assinatura; aluguel em vez de compra;
  • Forte desejo pela real ominicanalidade;
  • Valorização do consumo de proximidade.

Maior busca por experienciar, pelo sentir

  • Crescimento do consumo intuitivo, privilegiando o que o consumidor “sente” ao consumir algo;
  • Desejo latente experenciar o novo no futuro, mesmo entre pessoas que antes de 2020 não tinham essa aspiração devido à pressão do isolamento (viajar, sair, busca por entretenimento inovador, etc.);
  • Virtualização das experiências, smart shop experiences, live commerce, metaverso, como já exploramos neste artigo.

Valorização e respeito ao meio ambiente e humanos (indivíduo, coletivo e aceitação das diferenças)

  • Crescimento da importância da inclusão genuína (como aprofundamos neste artigo);
  • Sustentabilidade ambiental cada vez mais latente como preocupação para a sociedade;
  • Sustentabilidade humana, tendência que emergiu nesse estudo que trata da importância da qualidade de vida visando acesso e equilíbrio de três pilares: saúde e bem-estar, segurança emocional, física e digital e desenvolvimento educacional;
  • Busca da hiperpersonalização (como comentamos nesse artigo).

O interessante é que muitas dessas tendências apontadas também foram abordadas em outras palestras e no pavilhão de inovações do evento. Compartilho aqui algumas soluções apresentadas na NRF 2021 alinhadas com as tendências e buscas do “Consumidor do Amanhã”:

Aceleração da hiperconveniência

  • Alkemics: plataforma de colaboração para varejistas com foco em omnichannel;
  • Shopopop: líder de entrega colaborativa na Europa;
  • Verteego: plataforma preditiva com inteligência artificial;
  • Fabric: centro de distribuição automatizado;
  • Stylumia: previsão com inteligência artificial de tendências da moda.

Maior busca por experienciar, pelo sentir

Valorização e respeito ao meio ambiente e humanos (indivíduo, coletivo e aceitação das diferenças)

  • AFC: Ecoplásticos;
  • Wipro: tecnologia da informação e a preocupação com diversidade.

Acompanhar as tendências de consumo possibilita antecipar ações, inovar e engajar consumidores de forma mais efetiva. O evento deste ano reforçou o quando é relevante a criação dessas conexões verdadeiras com seus consumidores e o papel da tecnologia além do olhar humano nesse engajamento.

* “Tommorow’s Consumer – Consumidor do Amanhã” é um estudo de tendências realizado em 17 países (Brasil, Chile, Argentina, Colômbia, Peru, Canadá, Estados Unidos, México, Reino Unido, Alemanha, França, Holanda, Portugal, África do Sul, China, Japão e Austrália.) Concepção, desenvolvimento e análise realizados pela Mosaiclab e campo online em parceria com a Toluna. Foram analisadas pela Mosaiclab mais de 500 variáveis tendências em comportamento e consumo, além de um extenso trabalho de cool hunting e data analytics.

Karen Cavalcanti é sócia-diretora da Mosaiclab, área de inteligência de mercado do Gouvêa Ecosystem

Publicado no Mercado & Consumo, 5 de fevereiro de 2021.

Internet sustenta vendas da Via Varejo no Natal

Números publicados pela Via Varejo ontem relacionados ao Natal mostram vendas estáveis nas lojas físicas, ainda afetadas pela pandemia. O braço on-line sustenta desempenho positivo da empresa.

A principal dúvida, dizem gestores ouvidos pelo Valor, é saber se Magazine Luiza ou Mercado Livre teve resultados melhores que Via Varejo no on-line. As duas empresas não publicaram dados até o momento.

Na Via Varejo, dona de Casas Bahia e Ponto Frio, a venda digital (própria e de terceiros hospedados no site) subiu 125,2% no Natal frente a 2019. Em termos de percentual de participação nas vendas do setor, o grupo ganhou 4,7 pontos no terceiro trimestre, 4,2 pontos na Black Friday e, no período de 19 a 25 de dezembro, foram cerca de três pontos a mais, segundo a empresa Compre & Confie. A companhia, assim como outras varejistas, não divulgam suas fatias, apenas a variação em pontos.

No Natal, as vendas on-line e das lojas físicas somadas (o GMV total) subiram 20,2% na Via Varejo, puxadas pelo avanço de 125% no digital. Na Black Friday, o GMV da varejista avançou 37%, e no terceiro trimestre, 43% sobre 2019. “Isso mostra que o comércio eletrônico acelerou mais no Natal, e que a empresa continua ganhando mercado, apesar de menos pontos. Mas sinaliza também que as lojas físicas da empresa podem ter tido desempenho mais fraco no Natal do que na Black Friday”, diz um analista de banco.

As lojas da Via Varejo praticamente não cresceram no Natal (alta nas vendas de 0,2%), mas a estabilidade foi vista por analistas como algo positivo num cenário em que ainda há restrições ao consumo no varejo físico. No terceiro trimestre, a receita bruta das lojas subiu 3,7%.

Na avaliação de um gestor de investimentos, “no geral, Magazine Luiza e Mercado Livre podem ter ganhado mais participação que Via Varejo na semana do Natal pelo maior peso no on-line no negócio delas”. Outra gestora disse que todas as grandes plataformas on-line devem ter se expandido acima do mercado. “Só crescer em si não é o bastante”, diz ela. “Na verdade, isso é mais do que esperado, elas tinham estoque e uma operação melhor preparada para o fim do ano. A questão é quem cresceu mais e teve retorno”, diz ela.

“Estamos chegando num ponto em que as bases [de comparação] de todas são maduras, com dados confrontáveis”, disse a gestora. Questionadas, Magazine e Mercado Livre não informaram seus números, mas há uma expectativa entre analistas que o façam, seguindo o que ocorreu na Black Friday,

A Via Varejo diz que manteve operação “saudável” em termos de crédito e margens no Natal, de 19 a 25 de dezembro, uma informação bem recebida pelos analistas.

Equipes de análise avaliaram os dados do on-line da Via Varejo como positivos, segundo relatórios ontem. A equipe da XP até menciona a performance do braço físico da companhia abaixo do seu comércio eletrônico, porém diz que a varejista conseguiu manter o patamar de vendas das lojas em linha com o ano anterior num ambiente ainda difícil no consumo.

Segundo relatório da Cielo, no Brasil as vendas de eletrônicos subiram 18,5% no Natal, e considerando todos os produtos, a alta foi de 1,8%. Na Via Varejo, subiu 20%. Apenas o braço digital, diz a Cielo, cresceu 15,5% no país, mas as lojas no comércio brasileiro encolheram 2,7%. Os dados da Via Varejo superam esses índices – 125% e 0,2% respectivamente.

Os dados da Via Varejo de Black Friday e Natal são preliminares e não auditados.

Fonte: Adriana Mattos, Valor, 05/01/2021.

C&Aestuda vender operação no país

A família Brenninkmeijer controladora da varejista de moda C&A, sediada na Holanda, considera vender sua posição na operação brasileira, como parte de um plano de concentra

Depois de ter se desfeito neste ano das operações na China e no México, os
Brenninkmeijer, com 65% da varejista de moda no país, relataram a fundos
estrangeiros de private equity que estariam abertos a analisar uma proposta pelo ativo no Brasil, listado em bolsa desde o fim de 2019.

No mercado financeiro, a venda das operações da C&A no Brasil não seria uma surpresa. Embora até o começo de outubro deste ano não existisse um mandato formal para a venda, a empresa tem prospectado o mercado por meio de contatos feitos pela matriz, testando interesse de fundos e grupos estratégicos, afirma fonte de um banco de investimento.

Uma segunda fonte diz que a perda de valor da empresa em bolsa, após a
pandemia da covid-19, acabou desestimulando uma venda parcial em blocos de ações na bolsa ou a venda do controle neste ano. Mas já há uma recuperação no valor de mercado, e o interesse de negociar com fundos permanece.

“Em 2019, antes do IPO [oferta pública inicial de ações] já havia um interesse numa negociação de venda direta a algum investidor estrangeiro, mas isso não avançou na época por causa de preço e optaram pela oferta pública. Mas eles têm deixado claro a disposição em ouvir eventuais propostas. A intenção deles é ficar na Europa e concentrar investimentos em alguns países europeus mais rentáveis, como a Alemanha”, disse a fonte.

A empresa vem tentando buscar soluções para o negócio no país desde 2014, quando passou a considerar a ideia de se desfazer do braço local, apurou o Valor.

Fundos de private equity e companhias concorrentes chegaram a analisar o ativo nos últimos anos, de acordo com pessoas a par do assunto. “O negócio ficou pequeno depois do IPO”, observa uma outra fonte. A C&A é a quarta maior varejista de moda do país, em número de lojas, e a terceira em receita, segundo relatório da Nord Research.

Em fevereiro deste ano a companhia vendeu a operação no México para a rede local de moda Axo.

Poucos meses depois, em agosto, também se desfez dos negócios na Allan Leighton, chairman da C&A AG, ocupando a mais alta posição na rede, mencionou a operação brasileira em comunicado. “Como a C&A no Brasil e no México, sempre vimos a China como um mercado de crescimento chave para a C&A. Mas entendemos que a experiência local com uma rede forte era fundamental para liberar todo o potencial da C&A [na China]”.

A C&A opera em 18 países, a maioria na Europa. Nos mercados emergentes,
controlava 100% das unidades no México e na China e, agora, sobrou apenas a participação majoritária no Brasil.

Com o IPO no país, as empresas da família (Cofra Investments e Incas S.A.)
reduziram a posição de 100% na varejista para 65% e embolsaram quase R$ 814 milhões por meio da oferta de ações secundária (para o bolso dos sócios).

A operação saiu no piso da faixa indicativa de preço da ação (R$ 16,50) e acabou sendo destaque, em parte, por causa da destinação dos recursos. Noventa por cento da oferta primária (recursos para o caixa da empresa) foi para pagar empréstimos de empresas do grupo da C&A e só 10% (cerca de R$ 80 milhões) para o plano de expansão, o que acabou gerando questionamentos de gestores e investidores sobre o real interesse dos atuais controladores em crescer no mercado brasileiro.

A varejista tem 288 lojas no país, com 550 mil metros quadrados de área de vendas e receita líquida neste ano, até junho, de R$ 1,2 bilhão. A líder do mercado, a Renner, tem 60% mais vendas (R$ 1,9 bilhão, excluindo as outras marcas do grupo), com um terço a mais de lojas (387) e quase 700 mil metros quadrados de área.

Desde agosto, o preço da ação na B3 vem mostrando recuperação. E uma
valorização, com pagamento de prêmio sobre o preço, abriria terreno para a empresa avançar no plano de saída do país, apesar do cenário de incertezas para o varejo em 2021.

O papel chegou a pouco mais de R$ 5 em março, no início da pandemia, e na sexta-feira fechou em R$ 12,80. Uma fonte observou que eventuais novos donos da varejista no país estariam sujeitos ao contrato de licenciamento da marca. E teriam que pagar royalties à matriz (em caso de dar lucro) – despesa que outras redes locais não têm.

A mudança de estratégia nos mercados emergentes acontece às vésperas da chegada de um novo comando global na C&A. Edward Brenninkmeijer, família dos fundadores, deixará o cargo de CEO no final deste ano, informou a rede em agosto.

Será sucedido em janeiro pela executiva Giny Boer (ex-Ikea). Segundo o “Financial Times”, Boer terá apoio para tocar um plano de fechamento de lojas deficitárias, focar no on-line e tentar uma virada nos resultados após a pandemia.

Assim como outras redes de moda, a C&A foi afetada pela crise, e decidiu cortar custos para reduzir perdas. Procurada, a C&A diz que, “ não comenta rumores ou especulações de mercado”.

Fonte: Adriana Mattos e Mônica Scaramuzzo, Valor Econômico, 19/10/2020.

Material de construção, supermercados e eletrodomésticos puxam vendas

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Foto: Lukas/Pexels

Mesmo em meio à pandemia de Covid-19 e à redução do movimento nas lojas, as vendas do setor de material de construção tiveram alta expressiva na Semana Brasil. A segunda edição do evento foi realizada entre os dias 3 e 13 de setembro.

Dados de uma pesquisa da Cielo mostram que, nesse setor, a alta foi de 21,3% na comparação com o evento de 2019. Supermercados e hipermercados também tiveram um resultado positivo na comparação ano a ano, com uma alta de 13,2%, assim como o setor de móveis e eletrodomésticos, com aumento de 7% nas vendas.

A pesquisa foi divulgada nesta terça-feira (15) no Global Retail Show, evento promovido digitalmente com mais de 200 palestrantes do varejo brasileiro e estrangeiro

Varejo em geral teve queda, mas e-commerce cresceu

Considerando-se todos os setores pesquisados, no geral, o varejo teve queda nas vendas de 8,3%. Deve-se levar em consideração, no entanto, que a comparação de uma no para o outro é impactada diretamente pela crise gerada pela pandemia de Covid-19.

Apesar da queda no varejo geral, no e-commerce houve alta de 10,3% nas vendas. Essa alta é muito maior, de 91,1%, se forem retirados, dessa base, os setores de turismo e transporte, que continuam com as atividades limitadas.

No varejo físico, a queda foi de 10,3% na comparação anual.

‘Negativo menos negativo’

Para Marcos Gouvêa de Souza, diretor-geral do Gouvêa Ecosystem, os resultados precisam ser vistos com cuidado. Por causa da pandemia, o varejo já tinha resultados ruins. No final de agosto, a queda em relação ao mesmo período de 2019 era de 18,4%.

“O que era negativo ficou menos negativo. Essa melhoria de 10 pontos percentuais é semelhante a que tivemos no ano passado em relação a 2018”, afirma.

A pesquisa da Cielo mostra, ainda, que a Semana Brasil teve melhor desempenho na região Norte, com destaque para os Estados do Amapá, do Amazonas e do Pará.

Fonte: Imprensa Mercado & Consumo, 15 de setembro de 2020, no Global Retail Show.

“Black Friday brasileira” com descontos de até 70% começa na quinta

Semana Brasil: no ano passado, as transações no e-commerce dispararam 41% na “Black Friday brasileira”. (Andrey Rudakov/Bloomberg/Getty Images)

A Secretaria de Comunicação do governo federal (Secom) e o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) lançam na próxima quinta-feira, 3, a segunda edição da “semana Brasil”, que vai reunir milhares de lojas com descontos de até 70% na tentativa de aquecer o comércio, em especial, o e-commerce

No ano passado, cerca de 3 mil lojas participaram da chamada “Black Friday verde e amarela”. Este ano, com pandemia, a expectativa é que a presença do e-commerce seja ainda mais percebida. No Magazine Luiza, haverá produtos com até 70% de desconto e Frete Grátis. No Extra, os descontos são de 40% utilizando o cupom BRASIL.

“Estamos mobilizando todo o varejo para buscar as melhores formas de viabilizar as ações promocionais. Esta é uma ação totalmente suprapartidária, que trará benefícios para a economia do país como um todo”, disse o conselheiro do IDV, Marcos Gouvêa de Souza.

Segundo a Ebit/Nielsen, o aumento de vendas no e-commerce durante a “semana Brasil” do ano passado foi de 41%, enquanto as vendas no varejo físico aumentaram 11,3%.

Mesmo com lojas fechadas ou com horário de funcionamento reduzido, a expectativa para 2020 é um aumento entre 10% e 15% nas vendas. “Faremos tudo isso com respeito às normas de segurança sanitária, com empresários e consumidores cientes da importância da manutenção e fomento das relações comerciais, bem como do cuidado com a saúde do próximo”, disse Fábio Wajngarten, secretário executivo do Ministério das Comunicações.

A segunda edição da “semana Brasil” será realizada após o maior balde de água fria para a economia brasileira nos últimos anos. O Produto Interno Bruto (PIB) caiu 9,7% no segundo trimestre de 2020 em relação ao período imediatamente anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 1º.  A mediana das expectativas do mercado financeiro ficava em torno de um tombo um pouco menor, de 9,4%. 

Agora, o PIB está no mesmo patamar do final de 2009, auge dos impactos da crise financeira global de 2008. A maior queda registrada foi no consumo das famílias, que representa 56% do PIB, e teve recuo de 12,5% no segundo trimestre ante o primeiro.

Fonte: EXAME, Matheus Doliveira. Publicado em: 01/09/2020 às 13h58. Alterado em: 01/09/2020 às 20h41.