Sinais de mercado: País em marcha lenta faz lucro das empresas diminuir 5,7% no 1º trimestre

Bolsa de Valores
Além dos reflexos da crise e da demora na aprovação de reformas, o cenário internacional não tem ajudado. Foto: WERTHER SANTANA/ESTADÃO

A paralisia da economia afetou a rentabilidade das empresas listadas em Bolsa no primeiro trimestre. Levantamento feito pela consultoria Economática mostra que o lucro líquido de 231 companhias abertas totalizou R$ 20 bilhões, queda de 5,74% sobre janeiro a março de 2018. Os dados, que têm como base os balanços entregues até as 18h de quarta-feira, 15, excluem os bancos, a Vale, a Petrobrás e a Oi, por distorcerem os resultados.

“Criou-se uma expectativa grande no mercado financeiro de que a economia do País iria se recuperar com a troca de governo”, diz Istvan Kasnar, professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ebape). “Essa retomada não se concretizou nos primeiros cem dias e ainda há incertezas para os próximos meses. A queda da rentabilidade das empresas refletiu, em boa parte, essa frustração de expectativas.”

Ainda que o faturamento das empresas tenha crescido nos últimos meses, boa parte das companhias de capital aberto teve suas margens de lucro afetadas por aumento de custos represados anteriormente, afirmou Roberto Padovani, economista-chefe do Banco Votorantim. Para ele, as empresas ainda vão demorar a atingir os patamares pré-crise, de 2014. “Houve recuperação entre 2017 e 2018, mas boa parte das companhias ainda é afetada pelos choques de custos, como energia e efeitos cambiais, por exemplo”, diz.

Com uma das energias mais caras do mundo, a indústria tenta levar adiante a pauta da redução de preços no governo. O plano do “choque de energia barata”, anunciado pelo governo em março, que previa a redução em 50% no custo do gás natural, ainda não saiu do papel.

Além dos reflexos da crise que se estendem desde 2014, e da demora na aprovação de reformas estruturais, que causaram impacto na confiança de consumidores e investidores, o cenário internacional não tem ajudado.

A crise argentina, por exemplo, derrubou o saldo comercial brasileiro no primeiro quadrimestre. Segundo o Indicador de Comércio Exterior (Icomex), da FGV, a balança comercial com a Argentina passou de superavitária para deficitária em US$ 3,1 bilhões.

A Volkswagen, por exemplo, colocou em férias coletivas os funcionários das fábricas de São Bernardo do Campo e Taubaté (SP). O motivo foi a queda no consumo da Argentina, seu principal destino de exportações. Apesar de a montadora não ter capital aberto no País, a iniciativa afeta fornecedores, como siderúrgicas e autopeças.

Já a crise entre EUA e China derrubou o comércio internacional, avaliam os economistas. Segundo estimativa da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a perda potencial do País com a disputa é de cerca de US$ 30 bilhões.

Fonte: Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo, 16 de maio de 2019 | 05h46

Escolas no Vale do Silício não usam computadores e tablets

YouTube decidiu que não vai permitir 'pegadinhas que causem desgaste emocional a crianças, que sejam graves a ponto de deixar uma criança traumatizada por toda a vida' (Foto: Getty Images via BBC)
CRIANÇAS NORTE-AMERICANAS DE ZERO A OITO ANOS PASSARAM, EM MÉDIA, 48 MINUTOS POR DIA NO CELULAR EM 2017 (FOTO: GETTY IMAGES VIA BBC)

Filhos de executivos de grandes empresas do Vale do Silício (EUA) crescem em um dos centros que está transformando a sociedade do século XXI. Mas se engana quem pensa que essas crianças aprendem com tablets e computadores de última geração. Cresce na região a oferta de escolas do ensino fundamental onde alunos estudam da mesma forma que seus pais, décadas atrás: só com lápis, borracha e papel.

Em certas escolas de Palo Alto, nem mesmo livros didáticos são impressos —  são as próprias crianças que elaboram o conteudo à mão. No Brasil, a Waldorf of Peninsula, escola particular, telas de computador e gadgets só entram nas salas de aula quando os jovens chegam ao ensino médio.

“O que desencadeia o aprendizado é a emoção, e são os seres humanos que produzem essa emoção, não as máquinas. Criatividade é algo essencialmente humano. Se você coloca uma tela diante de uma criança pequena, você limita suas habilidades motoras, sua tendência a se expandir, sua capacidade de concentração. Não há muitas certezas em tudo isso. Teremos as respostas daqui a 15 anos, quando essas crianças forem adultas. Mas queremos correr o risco? “, questiona Pierre Laurent, presidente do conselho da escola Waldorf e engenheiro de computação que trabalhou na Microsoft e na Intel

O engenheiro destaca o que parece ter virado consenso no Vale do Silício: os adultos querem que seus filhos se afastem de aparelhos tecnológicos na infância por avaliarem que o benefício de gadgets na educação é limitado e o risco de dependência é alto.

Bill Gates, por exemplo, criou regras para uso de tecnologia em sua casa. O cofundador da Microsoft declarou impor limites durante a criação dos filhos. Até os 14 anos, seus três herdeiros não tiveram o próprio celular. “Eles reclamavam que as outras crianças já tinham”, disse em entrevista ao Mirror.

Os filhos de Gates, hoje, têm 15 ,18 e 21 anos. Assim, os aparelhos já foram liberados para todos, mas não durante as refeições — isso também se aplica aos adultos. E eles também foram criados com regras sobre o uso perto do horário de dormir.

Tecnologia como vício
Para especialistas, o problema da relação das crianças com a tecnologia é que seu uso se transforme em vício. Pesquisa da Common Sense Media aponta que crianças norte-americanas de zero a oito anos passaram, em média, 48 minutos por dia no celular em 2017, três vezes mais que em 2013 e 10 vezes mais que em 2011.

Controlar a rotina dos filhos é ainda mais difícil quando os pais trabalham fora. Segundo a pesquisa, adolescentes de famílias de baixa renda gastam duas horas e 45 minutos por dia a mais em computadores e gadgets do que aqueles de famílias de alta renda.

Para frear essa tendência, dois grandes investidores da Apple, Jana Partners e CalSTRS (fundo de aposentadoria de professores da Califórnia), enviaram uma carta aberta aos líderes da companhia pedindo que atuem contra o vício das crianças em celulares. “Analisamos as evidências e acreditamos que há uma clara necessidade da Apple de oferecer aos pais mais opções e ferramentas para ajudá-los a garantir que os jovens consumidores usem seus produtos da melhor forma”, escreveram eles.

Em resposta ao pedido, a Apple apresentou o Screen Time — ferramenta que ajuda a controlar e limitar o uso de dispositivos móveis. Para não perder mercado, o Google incorporou uma ferramenta semelhante, o Digital Wellbeing.

Para os críticos, contudo, os sistemas não atacam a raiz do problema: a natureza viciante dos equipamentos tecnológicos. Até que isso seja solucionado, os pais serão responsáveis pela orientação dos filhos nesta era digital.

Fonte: 17/04/2019 – 19H27 – POR ÉPOCA NEGÓCIOS ONLINE

Inteligência Competitiva – Sinais de Mercado: Informalidade bate recorde no país e já atinge 43% dos trabalhadores

Carteira de Trabalho Digital acumula reclamações
Foto: Rafael Neddermeyer
A cada 10 brasileiros que estavam trabalhando no terceiro trimestre deste ano, cerca de 4 atuavam na informalidade, apontam os dados da mais recente Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Entre junho e setembro, o país registrou 92,6 milhões de pessoas ocupadas.

Dessas, quase 43%, ou 39,7 milhões de pessoas, não tinham carteira assinada, somando empregados do setor privado e público sem registro, trabalhadores por conta própria sem CNPJ, trabalhadores doméstico sem carteira e quem trabalha em família.

Esse é o maior percentual trimestral registrado pela Pnad desde que o levantamento começou a separar os conta própria com e sem CNPJ, no fim de 2015.

No terceiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego no país ficou em 11,9%, 0,5 ponto percentual abaixo da registrada no mesmo período do ano passado.

O alívio veio com o avanço de 1,5% na população ocupada, resultado da entrada de 1,3 milhão de pessoas no mercado de trabalho —especialmente na informalidade.

Thiago Xavier, analista da consultoria Tendências, observa que, desse contingente, 601 mil trabalhavam no setor privado sem carteira assinada e outros 585 mil atuavam por conta própria —sendo 236 mil sem registro.

“A rota de entrada é a informalidade porque, na comparação anual, o trabalho com carteira [no setor privado] ainda registrou perda de 328 mil pessoas”, afirma.

Desempregada há sete meses, Cássia Lins Barbosa Vila Real, 31, tem se virado com trabalhos por conta própria de maquiadora para pagar as contas. Ela afirma que o seu rendimento caiu 30% desde que foi demitida, em abril.

Ela tem conseguido conciliar os trabalhos eventuais com a educação do filho, de uma ano e três meses, mas procura uma oportunidade de voltar para o mercado formal.

“Se eu achar algo por meio período, melhor ainda. Só trabalhando por conta própria a renda é muito baixa”, diz.

Essa não foi a primeira vez que Cássia teve que se reinventar.

Antes de entrar no mercado de beleza, ela trabalhou oito anos na gigante IBM, na parte de atendimento e também com vendas.

Em 2014, a empresa fez cortes e, até ela se recolocar, dessa vez na nova profissão, foram dois anos sem trabalho.

Segundo a maquiadora, além da falta de carteira assinada, os custos do trabalho por conta própria são o que mais dificulta a renda.

“Bancar produtos e transporte e não ter o trabalho valorizado, com o pessoal sempre querendo pagar menos, desmotiva, mas vou nessa até conseguir algo formal”, afirma ela, que cobra R$ 150 por cada maquiagem feita.

Não é só a renda do informal que não avança. O rendimento médio real habitualmente recebido pelos ocupados (R$ 2.222) e a massa salarial (R$ 200,7 bilhões) —soma dos os rendimentos brutos recebidos em todos os trabalhados pelos ocupados— mantiveram-se estáveis no terceiro trimestre, afirma Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

“Isso demonstra que as vagas que foram criadas são de baixo impacto salarial”, diz.

O fenômeno monetário também pode ser observado no Caged (Cadastro de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho), que capta os números do mercado formal brasileiro.

Em setembro, o saldo de vagas foi o melhor para o mês em cinco anos, com 137.336 postos positivos entre admitidos e desligados.

Apesar disso, a média de salário para os trabalhadores admitidos foi a menor dos últimos dez meses: R$ 1.516,89.

Segundo Clemente Granz Lucio, diretor técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), há várias possíveis causas para o fenômeno: o acumulado da inflação, a alta rotatividade do mercado, o perfil das vagas que estão contratando –que são mais operacionais no setor de serviços– e a precarização da mão de obra, com alto número de informais.

“O repique da inflação influencia nos salários de admissão. E as funções que mais contratam, que são do setor de serviços, oferecem até 1,5 salário mínimo [R$ 1.431]. Tudo isso ajuda a puxar o salário médio para baixo.”

O setor de serviços, mencionado por Lucio, foi responsável por 44,3% das contratações em setembro, fechando com um saldo de 60.961 no período, segundo o Caged.

Maria Andréia Lameiras, técnica de planejamento e pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), diz que a queda no salário médio de entrada não é necessariamente ruim.

“Um salário alto não significa que o mercado está bombando. Às vezes, ele está muito alto porque tem só um setor que paga mais contratando”, afirma.

Segundo ela, o dado do Caged é positivo porque demonstra que o mercado está trazendo de volta uma população com qualificação mais baixa, que já estava havia muito tempo desempregada.

Os especialistas afirmam que um caminho possível seria que, após retornar ao mercado pela informalidade, o trabalhador migrasse para um emprego com carteira.

Foi o caso do motorista Nivaldo Constantino, 46, que voltou à formalidade após um período sem carteira.

Ele perdeu o emprego como motorista de uma empresa em junho deste ano e passou a utilizar sua moto para fazer entregas.

No mês passado, a mesma empresa que o demitiu ofereceu um novo emprego, dessa vez como motorista de motocicleta.

“A necessidade me abriu uma nova área de trabalho, e a partir disso pude voltar. Estou feliz, com carteira assinada e recebendo praticamente a mesma coisa que antes”, diz Nivaldo.

Há ainda quem tenha feito do trabalho por conta própria uma nova profissão.

O mestre de obras autônomo Marcelo de Almeida, 41, foi exonerado da Polícia Militar de São Paulo há cinco anos e viu na necessidade a oportunidade para iniciar uma nova carreira.

Ele afirma que desde os 13 anos trabalhava com construção. Deixou as obras para entrar na polícia e, depois de 16 anos, precisou voltar.

“Comecei a pegar algumas obras e estou nessa há cinco anos. Não penso em trabalhar com outra coisa.”

Apesar de ter tanto tempo trabalhando como autônomo, Almeida não pretende abrir uma empresa por causa dos altos custos e da burocracia.

“Tenho um contador, pago direitinho o pessoal que trabalha pra mim, mas não tenho como ter uma empresa e assinar carteira. A condição que tenho hoje está boa”, diz.

Fontes: Anaïs Fernandes e Larissa Quintino, Folha de S.Paulo, 3/11/2018

Inteligência Competitiva Empresas: Facebook perde US$ 119 bilhões em valor de mercado desde divulgação de balanço

As ações do Facebook recuam mais de 18% nesta quinta-feira (26), refletindo o balanço negativo da empresa divulgado na véspera, com receita abaixo das projeções e desaceleração no crescimento da rede social.

Em um dia, a empresa já perdeu US$ 119 bilhões (cerca de R$ 443,7 bilhões) em valor de mercado.

No after market (negociação após o fechamento do pregão tradicional) desta quarta (25), os papéis do Facebook caíram até 24%. Em duas horas, a gigante da tecnologia perdeu cerca de US$ 150 bilhões (R$ 555 bilhões) em valor.

No primeiro trimestre completo depois do escândalo da Cambridge Analytica, a receita total do Facebook cresceu 43%, para US$ 13,2 bilhões (R$ 47,5 bilhões), abaixo da projeção de consenso de US$ 13,4 bilhões (R$ 49,6 bilhões), no período encerrado em junho.

O ritmo de crescimento na base de usuários também se desacelerou ligeiramente. Havia sido de 13% no segundo trimestre de 2017 e agora caiu para 11%. O número de usuários da maior rede social do planeta avançou para 2,2 bilhões por mês e 1,5 bilhão por dia.

Em comunicado, Mark Zuckerberg, fundador e presidente-executivo do Facebook, disse que a comunidade da empresa e seus negócios crescem rapidamente. “Temos o compromisso de investir para manter as pessoas seguras e protegidas e para continuar a criar maneiras novas e significativas de  ajudar as pessoas a se conectarem.”

A rede social tenta sobreviver às tempestades políticas criadas em torno de suas práticas de proteção da privacidade de dados de usuários e do uso de sua rede para desinformação, sem gerar rejeição pelos usuários ou anunciantes.

Os investidores vêm acompanhando com atenção se a campanha #deletefacebook afetou o crescimento da base de usuários da companhia, depois das revelações de um grande vazamento de dados para a Cambridge Analytica, consultoria política que trabalhou para a campanha de Donald Trump em 2016.

A consultoria obteve acesso a dados de 86 milhões de usuários da rede social sem o consentimento deles. Zuckerberg foi ao Congresso dos EUA responder a perguntas sobre o escândalo e passou a ser alvo de pressão de autoridades regulatórias em vários países.

As margens de lucro foram prejudicadas pelo aumento nos gastos, que inclui a contratação de milhares de novos moderadores para fiscalizar o site em busca de notícias falsas e de mensagens de ódio.

Fonte: Folha de S.Paulo, 26.jul.2018 às 11h27

Inteligência Competitiva – Sinais Mercado: Movimentos querem redefinir o que é sucesso nos negócios

No ano passado, Rony Meisler, CEO do Grupo Reserva, empresa da área de moda com 82 lojas, cerca de 1,5 mil funcionários e faturamento anual de R$ 338 milhões, aderiu oficialmente ao movimento Capitalismo Consciente.

Como já aplicava alguns dos princípios da filosofia no grupo que comanda, Meisler foi convidado a presidir o braço brasileiro da organização que difunde os conceitos do livro “Capitalismo Consciente”, escrito pelo acadêmico Rajendra Sisodia e o empreendedor John Mackey, fundador da rede de supermercados Whole Foods.

Presente no Brasil desde 2013, o movimento propõe uma relação ganha-ganha entre todos os “stakeholders” das empresas. Apesar de o lucro continuar sendo fundamental para uma organização existir e se perpetuar, este não é o único ponto — nem o principal — a ser levado em conta.

São quatro pilares: propósito pelo qual a empresa existe (que vai além de gerar lucro para os acionistas), geração de valor para todas as partes envolvidas, liderança consciente e cultura consciente.

“Quem segue o conceito do capitalismo consciente não olha resultados de curtíssimo prazo. Trata-se de uma visão mais ampla, que leva em conta como se fazem as coisas, como se ganha dinheiro, como a empresa se relaciona com a comunidade, os funcionários e os fornecedores”, afirma Hugo Bethlem, um dos fundadores do Instituto Capitalismo Consciente Brasil e ex-vice-presidente do Grupo Pão de Açúcar.

Foi, aliás, durante a passagem pela varejista, de onde saiu em 2012, que Bethlem teve contato com Sisodia pela primeira vez e viu sentido em tudo o que o acadêmico propunha.

“O capitalismo trouxe uma série de melhorias para o cidadão, e trouxe também malefícios, como a pressão absurda por resultado, fazendo com que as pessoas se sintam desesperadas e odeiem trabalhar, e o desgaste profundo dos recursos do planeta.” Com essa visão, Bethlem decidiu trazer o movimento para o país.

Considerado um líder consciente, que coloca as pessoas em primeiro lugar, Meisler foi convidado a presidir o instituto para mostrar que os princípios do capitalismo consciente podem ir além da teoria.

“As palavras movem, mas os exemplos arrastam”, costuma dizer o empreendedor. Segundo ele, a liderança consciente não está relacionada à promoção de ações revolucionárias. “É questão de trazer para a consciência cada pequena coisa, observar e ver como é possível fazer melhor”, afirma.

Ele mesmo cita um exemplo. Em viagem aos Estados Unidos, Meisler foi atendido por um idoso em uma loja e ficou feliz com o atendimento recebido e com a iniciativa da empresa de empregar pessoas mais velhas.

Trouxe a ideia para o Brasil e implementou nas lojas do Grupo Reserva. Hoje, em 40% delas há pelo menos um funcionário com mais de 7 0 anos. “O choque de maturidade é algo que agrega valor para os mais jovens e para o negócio, porque são pessoas que apresentam alto desempenho”, diz o empreendedor.

“É uma relação ganha-ganha, não fazemos só porque é legal.” O Cara ou Coroa é somente um dos programas que diferenciam a gestão de pessoas no Grupo Reserva, a relação da empresa com o meio ambiente, a comunidade e os fornecedores.

O Departamento de Felicidade cuida dos funcionários, 98% da cadeia de fornecedores é nacional e, para cada produto vendido pela Reserva, cinco pratos de 16/06/2018 Movimentos querem redefinir o que é sucesso nos negócios comida são doados por meio de instituições parceiras.

“A Reserva cresce cerca de 20% ao ano, mesmo em meio à crise. Não tenho oráculo para dizer precisamente o porquê, mas sei que o que fazemos de diferente é dar valor às pessoas”, diz Meisler. É claro que, como diz Bethlem, não existem empresas e executivos perfeitos, mas o movimento criado por Sisodia propõe um caminho a ser percorrido.

“The business of business is people”, diz Bethlem parafraseando o ex-CEO da Southwest Airlines, Herb Kelleher, defensor da seguinte ordem de prioridade: funcionários, clientes e acionistas. “Não importa qual produto ou serviço você vende. O que importa são as pessoas”, ressalta Bethlem. Diretor-geral da The Beauty Box, marca do Grupo Boticário, Guilherme Reichmann também é adepto dos princípios do capitalismo consciente.

Quando o livro de Sisodia e Mackey foi lançado, Reichmann estava nos Estados Unidos fazendo um MBA no MIT. Como já admirava a forma de gerenciar pessoas e fazer negócios do Whole Foods, pegou a obra para ler. “Quando li o livro, encontrei respostas para o meu propósito de vida”, conta.

Ao voltar ao Brasil, o executivo passou a procurar emprego em companhias alinhadas com sua visão de mundo. “Entendo que o papel de uma organização é transformar a sociedade onde ela está inserida, e para isso é preciso pensar de forma mais holística”, diz. “O lucro para as empresas é como o oxigênio para as pessoas.

Se você não tem, não sobrevive, mas se você acha que a vida é só respirar, está fora do jogo.” Em sua trajetória executiva, Reichmann vem implementando mudanças na empresa que lidera, alinhadas à sua forma de pensar. Passou a chamar fornecedores de parceiros, por exemplo.

“Não é só uma mudança de nome. Abrimos os relatórios financeiros para os parceiros para que seja uma relação em que os dois lados ganhem. Queremos construir junto, trabalhar de forma transparente, pensando no longo prazo”, explica.

A The Beauty Box também não faz testes em animais, algo comum no setor de cosméticos, tem um programa de logística reversa e adotou, nos produtos de fabricação própria, o envase a frio, que gerou redução no uso de energia.

Reichmann diz que a busca por uma empresa alinhada com seus valores foi difícil. “Conversei com executivos e pedi exemplos de ações que abriam mão de lucro para priorizar a sustentabilidade”, lembra Reichmann.

“É claro que nunca é perfeito, até mesmo o capitalismo consciente tem falhas, mas é uma maneira de pensar que a prosperidade econômica pode transformar a sociedade.” Movimento diferente, mas com norte parecido, o Sistema B tem o grande objetivo de redefinir o que é sucesso na economia, levando em conta outros aspectos além do êxito financeiro.

A proposta é de uma economia que inclua todos e crie valor para a sociedade e o meio ambiente, promovendo uma forma de organização econômica que possa ser medida pelo bem-estar das pessoas, das sociedades e do planeta de forma simultânea.

Fundado no Brasil em 2013, parte de um movimento global que já existe há mais de uma década, o Sistema B concede uma certificação às empresas alinhadas com suas diretrizes. No Brasil, hoje, há 107 empresas certificadas.

No mundo, são 2,5 mil em 67 países. “No Brasil, ainda está começando, mas com passos sólidos e consistentes”, afirma Marcel Fukayama, cofundador do Sistema B Brasil. Para obter a certificação, a empresa responde a um questionário extenso que avalia governança, modelo de negócio, impacto ambiental e na sociedade.

De 200 pontos possíveis, quem atinge 80 está elegível a se tornar uma empresa B. No Brasil, a maior companhia — e única de capital aberto — certificada é a Natura, que conquistou o selo em 2014.

“Entendemos que o lucro pode estar associado a benefícios sociais e ambientais”, afirma Luciana Villa Nova, gerente de sustentabilidade da Natura e uma das executivas que participaram do processo de certificação da companhia. Graças a essa convergência com o Sistema B, não foi necessário mudar processos internos para conquistar a certificação.

A Natura já media, por exemplo, a participação de mulheres na organização, uma das métricas avaliadas pelo Sistema B. “Só que não tínhamos metas”, diz Luciana. “Ao construir o plano de sustentabilidade para 2050, e levando em conta os parâmetros do Sistema B, colocamos a meta de chegar a 50% de mulheres em cargos de liderança até 2020.”

Quando a meta foi estabelecida, a companhia tinha 29% de mulheres em cargos de direção. Hoje são 33%. Com a certificação, a Natura também incluiu em seus documentos societários compromissos sociais e ambientais. “Torna-se um compromisso da companhia, independentemente de quem estiver na liderança.

Fica registrado que o ‘core business’ é gerar lucro com equilíbrio para toda a sociedade”, explica Luciana. Vendida recentemente para a Unilever, a Mãe Terra é outra empresa B certificada. Alexandre Borges, CEO da companhia, foi em busca da certificação porque achou interessante ter uma organização externa avaliando os processos internos.

Além disso, ele viu no selo a possibilidade de perenizar princípios que, para ele, sempre foram importantes: não gerar somente lucro, mas também compartilhar valor com a sociedade. “Alterar o estatuto social da empresa, incluindo esses compromissos, foi uma maneira de garantir que a Mãe Terra não irá sair do seu caminho mesmo em uma eventual troca de acionistas”, diz Borges.

Assim como aconteceu com a Natura, a Mãe Terra não teve que alterar processos para conquistar a certificação, porque o princípio de gerar impacto positivo para a sociedade e o meio ambiente sempre fez parte da essência do negócio.

O processo de certificação serviu, no entanto, para guiar aperfeiçoamentos e perseguir a melhoria dos indicadores, “porque não somos perfeitos, temos pedras no sapato”, diz Borges. Uma dessas pedras são as embalagens. “Bens de consumo geram resíduos, a Mãe Terra é corresponsável e ainda não faz muito bem isso”, admite o executivo.

As embalagens que a empresa utiliza têm potencial para serem recicladas, mas, como diz Borges, a cadeia de reciclagem é pouco desenvolvida, e nem sempre o processo acontece.

Por isso, a empresa busca soluções para ter embalagens biodegradáveis. Há, inclusive, uma equipe de eco design na companhia, dedicada a aperfeiçoar as embalagens atuais para causarem menos impacto. Otimista, Fukayama, do Sistema B, diz que é evidente a evolução e o amadurecimento do ecossistema de companhias mais conscientes.

“Principalmente empresas em contato direto com o consumidor começam a comunicar uma forma mais consciente de consumo”, diz. “Acredito que estamos rumo ao ‘mainstream’.

O movimento começa a tocar empresas que não são B, mas que querem passar a se comportar como tal.”

Recentemente, nos Estados Unidos, a Danone e a Laureate obtiveram a certificação.

Fonte: Adriana Fonseca, Valor, 15/6/2018

Inteligência Competitiva: Em tempos incertos, executivos deixam de confiar nas previsões

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As previsões de negócios hoje estão nebulosas. Executivos recorrem a consultores, prognósticos de especialistas e pesquisas sobre condições políticas e de mercado para tomar decisões. Mas a surpreendente decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia, a ascensão do empresário Donald Trump como potencial candidato à presidência dos Estados Unidos e a frequente revisão de projeções econômicas têm exposto erros nas análises de especialistas ­ e agravado a ansiedade de líderes de negócios.

A incerteza é norma no mundo empresarial desde a crise financeira, mas os líderes de negócios dizem que os eventos recentes diminuíram sua confiança nas previsões. Alguns estão recorrendo a novas fontes de dados para guiar decisões e gastos, enquanto outros optaram por manter suas operações flexíveis para estar preparados para mudanças repentinas.

Para Scotty Wine, diretor-­presidente da fabricante americana de veículos off­road Polaris Industries Inc, os “chamados especialistas e economistas globais” têm errado tanto quanto acertado recentemente. Depois da decisão surpreendente do Reino Unido de deixar a União Europeia, Wine planeja contar muito com seus funcionários e clientes ao redor do mundo para entender os sentimentos políticos locais e o clima para investimentos.

“Não [temos o costume] de questionar nossos funcionários sobre riscos geopolíticos. Mas isso é algo que passaremos a fazer agora”, diz ele. Ken Lamneck, diretor-­presidente da Insight Enterprises Inc., que vende produtos de tecnologia da informação, diz que ficou mais cauteloso na hora de avaliar previsões. Ele cita previsões sobre flutuações cambiais recentes sobre as quais “analistas estavam bem errados”, resultando em expectativas menores de receita.

Ele passou a buscar conselhos de outros executivos da indústria de tecnologia. Lamneck também passa mais tempo olhando para trás, comparando previsões passadas com o que acabou realmente acontecendo. Ele usa essa margem de erro para avaliar novos dados, como a taxa de crescimento prevista para a sua indústria. Algumas vezes, isso significa que a Insight pode investir menos, por exemplo, na contratação de vendedores, do que no caso de uma previsão mais otimista.

Lamneck diz que está examinando mais de perto pesquisas que a empresa compra de consultorias como a IDG e a Gartner. “Vamos analisar, ‘Qual é o valor real desses serviços pelos quais estamos pagando?'”, diz ele, acrescentando que os relatórios são mais úteis para ideias estratégicas do que para previsões de crescimento de mercado.

Um estudo de cerca de 28 mil previsões geopolíticas feitas por especialistas num período de 20 anos mostrou que a maioria delas foi apenas um pouco melhor do que o acaso, especialmente quando previstas mais de um ano antes do evento em si, de acordo com Philip Tetlock, professor da Escola de Administração Wharton, da Universidade da Pensilvânia, especialista no estudo de previsões.

Tetlock sugere que as empresas acompanhem com cuidado tanto previsões internas como externas e mantenham uma contagem de quem acerta temas importantes ­ uma prática adotada por poucas companhias. “Se você não pode fazer uma previsão precisa, quem você vai responsabilizar pelos resultados? Ela prejudica gestores e investidores”, diz Eric Ries, consultor que ajuda empresas novatas e corporações já estabelecidas como a General Electric Co. a navegar por períodos de incerteza.

Ries aconselha seus clientes a depender menos de previsões e em vez disso testar ideias com clientes e fazer ajustes rapidamente quando necessário. Ele insiste que seus clientes complementem as previsões feitas com análise de dados com a observação atenta dos clientes. Rupert Duchesne, líder da Aimia Inc., uma firma de marketing e análises de fidelidade de marca, usa planejamento de cenários para preparar seus clientes para eventos improváveis, mas importantes.

No mês passado, ele fez uma equipe da Aimia passar vários dias se preparando para a possibilidade da Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, e a consequente queda da libra. “Porque havíamos nos preparado, pudemos dizer claramente qual seria o impacto no nosso negócio”, diz. Logo depois do resultado, a Aimia, que tem operações no Reino Unido, anunciou que o declínio da moeda inglesa não deveria ter um efeito material nos seus negócios no curto prazo.

Tal planejamento requer tempo e recursos, reconhece Duchesne. Ele diz que um exercício de planejamento de cenário anos atrás custou cerca de US$ 10 milhões, um total que incluía a eventual execução de um plano; ele esboçou possíveis resultados de uma negociação comercial.

Esses gastos ajudaram a proteger a empresa de eventuais surpresas, ele diz. Uma experiência dolorosa com uma previsão errada ensinou Robert S. “Steve”Miller, diretor-­presidente da fabricante de autopeças Automotive Components Group e um veterano especialista em viradas empresariais, a preferir modelos flexíveis de negócios.

Em 2008, Miller era presidente-­executivo do conselho, depois de ter sido diretor­-presidente da Delphi Corp., a maior fabricante de autopeças dos EUA. Poucos especialistas previram a severidade da crise daquele ano, que pegou a Delphi e inúmeras outras empresas despreparadas.

A empresa, que recorreu à concordata em 2005, chegou perigosamente perto da liquidação judicial quando as vendas de carros despencaram. A inabilidade da Delphi de prever a crise “estendeu demais o tempo em que ficamos em concordata”, diz Miller, período no qual ele cortou drasticamente o número de operários, reduziu salários em 40% e fechou 21 das 29 fábricas da empresa nos EUA.

A Delphi saiu da concordata em 2009. Miller usa hoje um processo fluido de manufatura na IAC, no qual a empresa tem a capacidade de mover facilmente maquinário para um lugar diferente quando as vendas encolhem.

Ele e seus diretores revisam a estratégia trimestralmente. Ainda queimado pela experiência de 2008, Miller diz contar pouco com as projeções econômicas atuais e que é cético sobre as previsões dos efeitos da Brexit.

“Você não pode tocar seu negócio com uma trajetória só em mente ­ e essa é a direção que os analistas e especialistas estão dizendo que [a coisa] irá”.

Fontes: Rachel Emma Silverman, Joann S. Lublin e Rachel Feintzeig, The Wall Street Journal/Valor, 13/07/2016,­ 05:00 Foto: Piotr Lewandowski/FreeImages

Sinais de Mercado: Japão se abre à economia compartilhada

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Teruko Neriki, anfitriã do Airbnb Inc. em Tóquio, dá instruções detalhadas a seus hóspedes sobre como evitar problemas com vizinhos: colocar o lixo para fora só nas terças ou sextas-feiras, não trazer ninguém para casa e não fazer bagunça. Neriki ganha uma boa quantia por ano com o serviço de compartilhamento de acomodações, ajudando o Japão a reduzir a escassez de hospedagem provocada pelo aumento do turismo. Só que em grande parte do Japão, inclusive no bairro tranquilo de Tóquio onde Neriki mora, o compartilhamento de acomodações está num limbo regulatório.

“Até agora, não tive nenhum problema sério”, diz Neriki, que administra a casa em nome de uma tia-avó. “Os vizinhos pensam que amigos do exterior estão visitando. Mas, ainda assim, é desconfortável.”

Muito tempo depois de a chamada economia compartilhada ter decolado nos Estados Unidos, ela ainda é limitada no Japão por várias restrições legais, regulatórias e culturais. Alguns serviços muito utilizados em vários países, como as caronas pagas, são proibidos. E a ideia de encontrar uma faxineira ou babá na internet permanece estranha numa sociedade que privilegia a privacidade, embora algumas “startups” com nomes como AsMama Inc. e AnyTimes estejam tentando mudar isso.

Agora, num esforço para acompanhar o resto do mundo em uma das áreas mais aquecidas da economia digital, o governo do primeiro-ministro Shinzo Abe está reduzindo as restrições para o compartilhamento de acomodações.

No fim de janeiro, o bairro de Ota, em Tóquio, foi a primeira área do Japão a ganhar permissão para que os moradores aluguem espaços para turistas dentro de certas condições. Os anfitriões têm que fazer um registro com as autoridades locais e concordar com inspeções. E os visitantes têm que ficar hospedados no mínimo uma semana.

Atraídos por um iene desvalorizado, um recorde de 19,7 milhões de estrangeiros visitaram o Japão no ano passado, número que deve crescer com a aproximação da Olimpíada de 2020, que será realizada em Tóquio. Quartos de hotéis estão ficando escassos.

“Precisamos tornar a experiência dos turistas estrangeiros visitando o Japão mais conveniente e confortável”, disse Abe em outubro. “Para isso, nós precisamos expandir o número de acomodações de curto prazo para além dos hotéis e ampliar o uso de carros privados como meio de transporte.”

Isso pode levar algum tempo. Embora não existam leis especificamente proibindo o compartilhamento de acomodações, a lei hoteleira determina que os serviços de hospedagem paga devem ter uma recepção e ser localizados fora das áreas residenciais, condições que poucas moradias particulares podem atender.

O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar Social está revisando a lei para facilitar que proprietários aluguem espaços em seus imóveis, diz uma autoridade. As mudanças, que podem entrar em vigor já em abril, devem incluir uma redução no espaço mínimo exigido para acomodações.

Com menos de 27 mil lares listados no Airbnb, o Japão está bem atrás dos EUA, por exemplo, que têm 337 mil domicílios cadastrados, segundo dados de janeiro. A cidade de Tóquio tinha 11.500 lugares registrados, ante 66 mil de Paris, a cidade com o maior número de ofertas, segundo a empresa americana.

Mas o Japão está mostrando um forte crescimento. O número de lares listados mais do que quadruplicou nos últimos 12 meses e o número de visitantes estrangeiros que usaram o serviço no Japão subiu mais de seis vezes, a maior taxa de crescimento do Airbnb no mundo.

“O Japão é um grande mercado, tanto em termos de PIB como em negócios na área de viagens, e seu potencial é evidente dado o crescimento que estamos vendo”, diz Yasuyuki Tanabe, diretor-presidente do Airbnb no Japão.

O compartilhamento de transporte, setor em que startups americanas como Uber Technologies Inc. e Lyft Inc. foram pioneiras, ainda não foi muito longe no Japão, embora algumas firmas do país já tenham investido na área. A empresa de comércio eletrônico japonesa Rakuten Inc. possui uma participação na Lyft.

As leis japonesas impedem a Uber de oferecer seu serviço de caronas pagas com carros e motoristas que não possuem licenças de táxi. A Uber criou um serviço de táxi e limusine em Tóquio, em 2014, mas ele enfrenta forte concorrência dos táxis tradicionais.

O porta-voz da Uber, Harold Li, diz que a empresa precisa de mais tempo. “Muitos no Japão têm nos procurado e expressado o desejo de levar o [serviço de] compartilhamento de corridas para suas cidades”, diz ele.

Ichiro Kawanabe, presidente da empresa de táxi Nihon Kotsu Co. e de uma associação de táxis de Tóquio, a Hire-Taxi Association, diz que não há necessidade da Uber no Japão porque os táxis são abundantes, convenientes e têm preços competitivos. “A Uber pode atrair homens de negócios de tecnologia com mentalidade internacional, mas não a vovó tradicional que não vai saber usar o serviço”, diz ele.

Li, porta-voz da Uber, diz que os táxis em Tóquio estão ocupados apenas em 30% do tempo e o objetivo da Uber é “melhorar o uso de recursos subutilizados”.

Em 2014, a associação de táxis lançou um aplicativo para conectar usuários a 11 mil táxis, ou cerca de 25% dos táxis de Tóquio. No ano passado, a Line Corp., que opera um serviço de mensagens popular via smartphones, lançou seu próprio serviço de chamadas de táxis em parceria com a Nihon Kotsu.

O Japão não é o único lugar onde a economia compartilhada gera opiniões divergentes. Os serviços de compartilhamento de transporte causaram protestos, proibições e restrições regulatórias em inúmeros países, inclusive no Brasil, enquanto o compartilhamento de acomodações levou a um referendo que buscava uma regulação mais severa em San Francisco, mas que não obteve sucesso.

Fonte: Alexander Martin e Eric Pfanner | The Wall Street Journal, de Tóquio. Valor, 15/2/2016