Informar mais pobres de maneira incompreensível freia o desenvolvimento, diz Nobel de Economia

Michael Kremer é professor da cadeira Gates de Sociedades em Desenvolvimento do Departamento de Economia da Universidade Harvard; tem pesquisas em educação, saúde e agricultura; um dos vencedores do Prêmio Nobel de Economia de 2019, já foi nomeado um dos 50 pesquisadores americanos mais relevantes, recebeu bolsa de pesquisa da Fundação MacArthur e foi eleito Jovem Líder Global pelo Fórum Econômico Mundial – Harvard/Divulgação

A informação transmitida de forma incompreensível para os mais pobres pode ser uma barreira maior ao desenvolvimento econômico do que a falta de tecnologia ou de interesse dos governantes.

Essas são algumas conclusões que o economista norte-americano Michael Kremer, professor da Universidade Harvard, tira de seu trabalho dedicado à avaliação de políticas públicas, que lhe rendeu o Prêmio Nobel de Economia ao lado de Esther Duflo e Abhijit Banerjee, em 2019.

Os três foram reconhecidos por mostrar que experimentos semelhantes aos testes da eficácia de remédios na medicina poderiam ser usados para mensurar o impacto de soluções para problemas como dificuldades de aprendizagem.

Nos últimos anos, Kremer tem focado o desenvolvimento de mecanismos desse tipo para aumentar a eficiência de pequenos produtores rurais em países da África e da Ásia.

Assim como um estudo antigo do economista mostrou que livros didáticos são pouco úteis para alunos pobres se eles não entenderem seu conteúdo, suas pesquisas recentes indicam que muitos agricultores não compreendem a linguagem técnica de orientações oferecidas por governos.

“Houve um caso em que forneciam orientação com base no pH [nível de acidez] do solo. Bem, os agricultores podem não saber o que é pH e, certamente, não sabem qual é o pH do seu solo”, disse Kremer em entrevista à Folha.

Em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), o economista trará, agora, para a América Latina ferramentas que testou em nações como Quênia e Índia.

Na semana passada, ele participou de uma agenda intensa de reuniões com representantes do IICA e de um debate online com Manuel Otero, presidente da instituição.

Nesses encontros, ressaltou que a crise do coronavírus pode servir como empurrão para o uso mais intenso de tecnologias simples, via celulares, na comunicação com pequenos produtores.

O vencedor do Nobel também está envolvido em uma iniciativa que busca convencer governos e empresas a investir pesadamente na busca por uma vacina contra a Covid-19 assim como em fábricas para a sua produção.

“Esse é um investimento que países de renda média também deveriam estar fazendo”, afirmou o Prêmio Nobel de Economia.

Quais são os principais fatores que freiam o aumento da produtividade de pequenos agricultores em países pobres e em desenvolvimento?
Muito da pobreza no mundo está concentrada em áreas rurais. Há muitos fatores que impactam a renda na agricultura, como acesso à terra, educação limitada, mas também a informação.

Nesse contexto em que a tecnologia agrícola está mudando, seja pelo surgimento de novos meios de produção, novas pragas e mudanças climáticas, os fazendeiros precisam de acesso à informação e às melhores recomendações científicas.

Tradicionalmente, essa informação é fornecida por agentes de instituições oficiais de extensão [formação] rural, que visitam os fazendeiros pessoalmente. Esse é um canal muito importante, mas muito caro.

A maior parte dos fazendeiros tem telefones pelos quais conseguem pegar informações sobre as mais recentes evidências científicas, formatadas sob medida para os desafios particulares que afetam suas regiões, as sementes que estão usando, as condições meteorológicas, a época da safra.

Os celulares são uma ótima ferramenta para alcançá-los neste momento em que a Covid-19 nos dá um empurrão extra para usarmos as tecnologias disponíveis para interagir remotamente.

A linguagem da ciência é normalmente complicada, e, no meio rural, principalmente o mais pobre, há uma barreira educacional. Como resolver isso? 
Temos feito muitos trabalhos em países da África oriental, como Quênia, Etiópia e Ruanda, e, com outros colegas, na Índia e no Paquistão. Há abordagens que incluem mensagens de texto, dependentes do nível de alfabetização, mas outras que incluem mensagens de voz.

É possível ter sistemas pelos quais os fazendeiros recebem mensagens de voz e podem até escolher previamente os tópicos que lhes interessam ou preocupam, a língua que preferem.

Temos evidências científicas, com outros pesquisadores, dos ganhos enormes em termos de custo e benefício que eles podem ter com as tecnologias existentes.

Na conversa com Manuel Otero, o sr. disse que o trabalho dos economistas é buscar evidências e que caberia à ciência política responder sobre como governos reagem a elas. Os economistas não deveriam se preocupar com essa questão do convencimento dos governos também? 
Inicialmente, em minha carreira, acho que fui um pouco cínico demais sobre governos, o que pode soar estranho, porque, normalmente, as pessoas começam idealistas, aí deparam com a realidade nos governos e se tornam cínicas.

Mas, nesse caso da agricultura, descobrimos, muito consistentemente, que os governos normalmente são responsivos às evidências.

Bem, para ser um pouco cínico, acho que os governos têm interesse em agradar aos fazendeiros porque há muitos votos nas áreas agrícolas. Mas, se há algo barato, eles se interessam. Se é caro, talvez não.

Mensagens de celular são baratas. E acho que as pessoas nos ministérios da Agricultura realmente se importam, querem transmitir os conteúdos adequados. Mas os funcionários dessas áreas escrevem mensagens muito técnicas, que os fazendeiros têm dificuldade de entender.

Como vocês têm ajudado nisso?
Realizamos muitos grupos focais com os agricultores para descobrir que mensagens eles entendem. Muitos governos tinham dados que nos ajudaram também. Fomos testando ideias para descobrir o que funcionava.

Na Índia, o governo estava prestes a iniciar um programa de larga escala para distribuir informações para os agricultores sobre a qualidade do solo. Fizemos entrevistas com eles e descobrimos que não
entendiam esse conteúdo.

Estavam apresentando muita informação de forma complicada, mencionando unidades que os agricultores não conheciam. Então, trabalhamos com o governo para criar mensagens de telefone muito simples e isso aumentou dramaticamente a compreensão.

Não houve nenhuma resistência da parte do governo, uma vez que eles viram as evidências. Mas tenho certeza de que há outros temas em que é diferente, quando há muitos interesses financeiros envolvidos, corrupção ou algo mais.

Em um estudo antigo, o sr. descobriu que livros didáticos melhoravam o desempenho apenas dos melhores alunos. Pode haver um problema comum, de comunicação incompreensível, atrapalhando áreas diversas como educação e agricultura?
Sim. No trabalho muito inicial com o qual estive envolvido, descobrimos que o livro didático que o Ministério da Educação estava produzindo em escolas muito pobres, no Quênia, ajudava os alunos que já estavam entre os melhores, mas não os estudantes típicos.

Com o tempo, outros pesquisadores mostraram que não é que os alunos não conseguem aprender, mas que você precisa desenvolver materiais baseados no que já sabem. A partir daí, eles conseguirão alcançar os conteúdos mais avançados e progredir na aprendizagem.

Acho que, de fato, há uma analogia com a agricultura. Houve um caso em que o serviço de informação telefônica fornecia orientação sobre o que o agricultor deveria fazer com base no pH do solo. Bem, os agricultores podem não saber o que é pH e, certamente, não sabem qual é o pH do seu solo. Mas, se você desenvolver uma mensagem compreensível, ela terá mais impacto.

No Brasil, pequenos agricultores têm dificuldade em compatibilizar sua produção com o mercado consumidor. Mensagens de texto podem ajudar nisso?
No Quênia, uma empresa grande de açúcar deveria fornecer fertilizantes e sementes aos agricultores. Mas algumas vezes atrasava ou não fazia a entrega por problemas internos de administração. Então, criaram uma linha telefônica cujo objetivo não era enviar conteúdo aos agricultores, mas coletar informações deles. Isso levou a uma queda dramática nas falhas de entregas.

Há um estudo muito interessante de Robert Jensen que olhou o mercado de peixes. Com telefones celulares, os pescadores, ainda no mar, passaram a poder ligar para os mercados e descobrir os preços. Isso permitiu que ganhassem mais dinheiro e beneficiou também os consumidores. Haverá ganhos ainda maiores quando estivermos não só fornecendo informações mas indo além e as integrando, por exemplo, às cadeias de oferta.

Qual é sua expectativa em relação ao trabalho que fará na América Latina?
Já trabalhei na Colômbia, avaliando um programa educacional que fornecia recursos para crianças de áreas pobres irem para a escola secundária. Descobrimos resultados muito bons.

Já fui a conferências no Brasil, que é um país maravilhoso, mas não trabalhei ainda aí.

Minha impressão é que os governos têm dados muito bons na América Latina. Além disso, por serem países com renda média, e não baixa, mais recursos estão disponíveis, há economistas e especialistas em agricultura muito bons, que podem implementar as ferramentas adequadas.

O sr. está envolvido em discussões sobre a busca pela vacina contra o novo coronavírus. Como tem sido isso?
Obviamente, esse é um assunto-chave para o Brasil e para o mundo. Muitas vidas
estão sendo perdidas, e as perdas econômicas são da ordem de US$ 375 bilhões mensais. Se conseguirmos uma vacina semanas ou meses mais cedo, economizaremos bilhões de dólares.

Isso significa que vale a pena investir um montante enorme de recursos para tentar descobrir uma vacina e mesmo para instalar uma fábrica para sua produção antes de termos os resultados dos testes.

Claro que há o risco de você fazer a fábrica, o resultado da vacina não ser efetivo e parte do investimento ser perdida, mas o custo desse risco é muito pequeno relativo ao custo de não ter uma vacina.

Estou particularmente preocupado com a situação dos países de renda média. Em países como os Estados Unidos, já há parcerias com empresas farmacêuticas grandes para a produção. Os países de renda muito baixa, representados pela Gavi (entidade de disseminação de vacinas), levantaram recursos para isso também, pelo menos para a fase inicial.

Esse é um investimento que países de renda média também deveriam estar fazendo.

Fonte: Érica Fraga, Folha de S.Paulo, 13.jun.2020 às 20h00.

Totvs ajuda a converter hotel em hospital

A Totvs acaba de lançar uma funcionalidade extra no seu software de gestão para hotéis, visando atender as empresas da área que estão acomodando infectados pelo coronavírus pelo Brasil.

Com a nova funcionalidade, gratuita pelos próximos quatro meses, os hotéis passam a ter no cadastro do hóspede uma integração com o prontuário eletrônico, que inclui dados do paciente, prescrição de medicamentos, receituário de medicamentos, enfermagem, solicitações de exames e outras orientações.

A Totvs detém essa tecnologia nas suas soluções voltadas para a área médica. A ideia é que os hotéis fiquem preparados para utilizar sua infraestrutura como local de quarentena e tratamento de casos mais brandos da doença.

“Um dos propósitos dessa integração é possibilitarmos que os hotéis atuem como uma extensão dos leitos de hospitais, ajudando evitar a superlotação no sistema de saúde e permitindo que os hospitais e clínicas mantenham em suas instalações próprias apenas aqueles pacientes com quadros mais graves”, afirma Rogério Pires, diretor do segmento de Saúde da Totvs.

Uma movimentação nesse sentido já está acontecendo pelo país, numa situação ganha-ganha, uma vez que a ocupação dos hotéis no momento é mínima: a rede de Accor, por exemplo, está com 270 dos seus 330 hotéis no país fechados.

Nesta semana, a prefeitura de Florianópolis começou a credenciar hotéis que queiram disponibilizar quartos para pacientes com Covid-19. 

No Rio de Janeiro, um projeto de lei que autoriza o governo a requisitar hotéis, motéis, pousadas e demais estabelecimentos privados de hospedagem para o cumprimento de quarentenas, isolamentos e procedimentos médicos não invasivos. 

Na Bahia, um hotel desativado em Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador, vai receber pacientes de longa permanência e alguns que ocupam leitos da rede de saúde estadual.

Fonte: Maurício Renner, Baguete, 15/05/2020 – 12:45.

Prevent Senior concentra 58% das mortes em SP; Prefeitura pede intervenção em hospitais da rede

sancta maggiore
Hospital Santa Maggiore, pertencente à rede de planos de saúde para idosos Prevent Senior Foto: Andre Penner/AP

SÃO PAULO E BRASÍLIA – A rede Prevent Senior concentra 79 das 136 mortes (58%) já registradas pelo novo coronavírus no Estado de São Paulo. No total, o Brasil já tem 201 óbitos confirmados pela doença. A Prefeitura da capital paulista disse ter pedido intervenção sanitária na Prevent ao governo estadual, que ainda analisa a solicitação. A rede particular, voltada para idosos, disse seguir os protocolos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e afirmou que as infecções não ocorreram dentro dos hospitais. 

“Ali (na Prevent) é um fenômeno, porque determinado empresário tinha de fazer um plano de saúde só para idoso. O hospital inteirinho é de idoso. Entrou o corona dentro de um hospital só de idosos, um ponto fora da curva. Não conseguiram segurar ali dentro”, disse o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Ele afirmou ainda que, se os idosos estivessem espalhados em diferentes locais da cidade, a transmissão teria sido menor.

“O que você não quer? Aglomeração é a primeira. A segunda é aglomeração de idosos. A terceira é aglomeração de idosos todos doentes. A quarta é que esses idosos não possam sair desse lugar. E a quinta é que entre o vírus nesse ambiente. Isso aqui é um hospital na cidade de São Paulo onde tivemos 79 óbitos, chamado Sancta Maggiore. E isso daí serve muito para a Agência Nacional de Saúde (Suplementar, autarquia do governo responsável pelos planos), que não deveria ter autorizado isso”, criticou o ministro. 

Mandetta disse que as mortes foram em um único hospital, mas a Prevent Senior afirmou que foram em duas unidades, no Paraíso, zona sul, e em Santa Cecília, na região central. O ministério afirmou estar preocupado com a aglomeração de idosos em hospitais, asilos e outros locais de atendimento para pessoas acima de 60 anos, parte do grupo de risco do vírus.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que solicitou à Secretaria Estadual da Saúde, na sexta-feira, 27, uma intervenção sanitária temporária em três unidades da Prevent Senior. Quando começaram a ser registradas mortes na rede, a pasta fez investigação nos hospitais, com técnicos da Vigilância Sanitária, e informou ter encontrado quadro de superlotação, incorreção no isolamento de contaminados e poucos profissionais. A rede foi autuada, mas as mortes continuaram.

O governo estadual informou que o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) está em contato com a Prefeitura para obter o relatório referente à situação epidemiológica do Sancta Maggiore. Visita feita pela equipe do CVS havia constatado que a unidade estava em conformidade com legislação sanitária.

CEO da rede particular diz que nº de mortos não é alto

Fernando Parrillo, CEO da Prevent Senior, afirmou ao Estado que os hospitais da rede estão seguindo o protocolo da OMS. “Logo que começou a epidemia na China, nós começamos a conversar com pessoas nesses países e seguimos o que eles fizeram que deu certo, que foi o isolamento dos pacientes que tinham o problema. Seguimos o que fizeram todos que conseguiram controlar os seus casos.” Segundo a rede, as contaminações das vítimas não ocorreram dentro dos hospitais. 

Ele ainda negou que o número de mortos na rede — 79 em dois hospitais (Sancta Maggiore do Paraíso e de Santa Cecília) — seja alto.  “Temos padrões de transparência e estamos notificando todos os casos. Obviamente temos um problema estrutural no Brasil inteiro de termos testes. Mas a nossa taxa de mortalidade para os casos críticos está abaixo da média observada em outros países, que é de 15%. A nossa é de 12%”, afirmou, sem citar os casos totais atendidos pelo grupo. Afirmou apenas que a rede tem 470 mil beneficiários, todos idosos.

Sobre o pedido do Município e a declaração de Mandetta, disse que “causaram espanto” porque os laudos emitidos pelo governo não tinham indicado nenhum problema.

Promotoria investiga Prevent sobre suposta não notificação de casos

O Ministério Público de São Paulo também abriu inquérito para investigar suposto delito de não notificação compulsória de mortes por coronavírus. A rede nega omissões e diz colaborar com as autoridades. 

Fonte: André Borges, Giovana Girardi e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo, 31 de março de 2020 | 21h07.

Nielsen: disparam vendas de alimentos, saúde e limpeza por Covid-19 na América Latina

Resultado de imagem para varejo supermercado

Com o crescimento diário dos casos da doença causada pelo novo coronavírus Covid-19, o consumidor da América Latina correu para comprar itens de Limpeza, Saúde e Alimentos, informou a Nielsen, empresa global referência de inteligência de mercado.

A Nielsen compilou dados semanais em todas lojas físicas das grandes cadeias varejistas latinoamericanas e os classificou de duas maneiras: primeiro por cestas de Alimentos, Saúde e Limpeza e depois elencou quais as categorias mais buscadas – dados atualizados até a primeira semana de março.

Cestas

Em Saúde, o Brasil, que lidera o número de casos na região, registrou alta de 972% nas vendas de 2 e 8 de março, na comparação com a mesma semana do ano passado*. No Chile, o crescimento foi de 145%, seguido por 128% no Peru, 83% na Argentina e 58% no México.

A reposição em Alimentos teve os maiores percentuais no Peru, com crescimento de 357%, na frente de Argentina (+319%), Brasil (+121%), México (+57%) e Chile (+33%).

Já os argentinos foram os que mais compraram na cesta de Limpeza, cujas vendas se expandiram em 76%. No Brasil, a alta foi de 51%, na frente de Peru (+49%), Chile (+26%) e México (+21%).

Categorias

Os brasileiros seguem de maneira ostensiva atrás de álcool em gel. As vendas desses produtos cresceram 2857% até 8 de março, na comparação com o mesmo período do ano passado*. Outros produtos que se destacaram foram utensílios de limpeza (+75%) e cortes de carne congelado (+67%).

No Chile, houve crescimento de 377% nas vendas de álcool gel, 51% em comidas em conserva e 16% em suprimentos de limpeza.

No Peru, as maiores procuras foram por álcool em gel (+287%), comidas congeladas (+568%) e limpeza (+35%). Na Argentina, os destaques ficaram para álcool em gel (+203%), sobremesa congelada (+822%) e limpeza (+71%). As vendas de carne congelada na Colômbia aumentaram 358%, enquanto no México o destaque nesta categoria foi de hot cakes e waffles congelados (+31%).

* 2020: 5/jan – 8/mar versus 2019: 06/jan – 10/mar

O consumidor adaptado

Nas seis etapas chaves para o comportamento do consumidor, criada pela Nielsen com base em dados globais, o latino-americano está, em média, ainda na primeira etapa, segundo o gráfico abaixo, quando é adotado um padrão de compra proativa de produtos para saúde. No Brasil, a situação se enquadra na etapa dois, apesar de algumas capitais já estarem no 4º estágio, como São Paulo e Rio de Janeiro.

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Fonte: Nielsen / Caravelas Consultoria, 25 de março de 2020.

Paraisópolis tenta proteger mais vulneráveis contra coronavírus e miséria

Mantendo espaço entre si, líderes de ruas da favela Paraisópolis se reúnem  no campo de futebol da favela para receber doação de sabão em barra e álcool em gel que serão repassados para os moradores

Cercados pelo mar de casas sem reboco, espalhados em metade de um campo de futebol, presidentes e vice-presidentes se reuniram bem no meio da maior favela de São Paulo, na manhã desta quinta-feira (26).
O encontro de líderes tinha um só objetivo: tentar blindar até onde der os cerca de 100 mil moradores de Paraisópolis da inevitável chegada do novo coronavírus.

Eles sabem que não haveria como impedir que a pandemia se espraiasse por ali —já são ao menos cinco os casos de moradores contaminados—, mas entendem também que a comunidade é terreno fértil para a disseminação do vírus, que já causou 77 mortes no país, 20 apenas nesta quinta, e ao menos 2.915 casos registrados.

A carência material de muitos dos moradores faz com que produtos básicos de higiene e comida estejam em falta nas casas de tijolos, e pobreza, aparentes.

Recém-empossados, todos se voluntariaram para o posto. São “presidentes, e vices, de rua” que responderam a um chamado da própria comunidade que dizia: “Caro morador, conforme já noticiado na imprensa, os moradores das favelas brasileiras serão as principais vítimas da pandemia da Covid-19. Os governos (federal, estadual e municipal) até agora não apresentaram NENHUM plano para proteger os habitantes de Paraisópolis. Por isso o G10 das Favelas fará sua parte e solicita o apoio de todos os moradores”.

Ao todo, eles são 420, divididos em 210 duplas. Agora, cada uma delas é responsável por prover o mínimo para pelo menos 50 famílias das vias em que moram. Não há dinheiro para tanto. Contam apenas com a boa vontade daqueles que podem doar —sejam eles de Paraisópolis ou não.

Na manhã desta quinta, no campo de futebol, respeitando a distância mínima de cerca de dois metros entre eles, cada um dos líderes recebeu as primeiras doações.

Em caixas de papelão, veio o mínimo para que as pessoas não se contaminem: 21 barras de sabão e 12 unidades de álcool em gel, itens a serem repartidos entre as, no mínimo, 50 famílias que foram previamente cadastradas. As cestas básicas ainda não chegaram.

Para o fotógrafo Maike Gonçalves, 27, esse número é mais do que o triplo. Morador de um conjunto de prédios da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo), ele tem 188 famílias em sua lista.

Começou o dia andando pelos corredores dos edifícios, conversando com proprietários e inquilinos, passou a hora do almoço no campo de futebol recebendo os itens de higiene, e a tarde e o começo da noite distribuindo os itens e atendendo os chamados que não paravam de chegar.

“No prédio tem quem é dono do apartamento e quem paga aluguel, mas, fora dele, nas vielas aqui perto, tem quem não consiga nem pagar para morar”, diz o fotógrafo. “Como nem governo nem prefeitura apareceram para ajudar em nada, as lideranças da quebrada assumiram e fizeram esse planejamento.”

Entre essas famílias que já não têm mais a quem apelar está a do casal Hebert Douglas e Regina Santos Silva, ambos de 24 anos. Pais de uma menina de dois anos e de um menino de um ano, eles têm neste momento sete quilos de arroz e dois quilos de feijão, além de sal e açúcar, para alimentar a todos enquanto durar a quarentena.

Nesta quinta, a família recebeu um pacote com cinco barras de sabão e um tubo de álcool em gel, entregues por Maike. Ainda esperam a chegada da cesta básica

Desempregado há um ano e meio, Hebert vende água nos semáforos da avenida Giovanni Gronchi, no Morumbi, zona sul de São Paulo. Regina é diarista. Sem movimento na cidade, ele não pode trabalhar. Dispensada pela patroa, ela não tem mais renda alguma. Mensalmente, os dois levavam para casa cerca de R$ 900. Pela casa de dois cômodos, pagam R$ 400 de aluguel —mas não mais por muito tempo, porque o proprietário pediu o imóvel e eles precisam sair até o dia 1º de abril.

“No momento, não temos para onde ir. Pensei em mandar minha mulher e as crianças para a casa da família dela na Bahia, mas acho que nem os ônibus estão saindo”, diz Hebert, que está gripado. “Tenho saído de teimoso para catar uns reciclados, carregar entulho e tentar virar alguma coisa.”

O contato com situações como a da família de Hebert e Regina faz parte do cotidiano de Gílson Rodrigues, presidente da União de Moradores e Comerciantes de Paraisópolis.

“Agora mesmo recebi um pedido de ajuda com a foto da geladeira vazia de um morador”, diz Gílson, que lembra que para doar basta acessar a página da União dos Moradores, no Facebook, e mandar uma mensagem. “Vamos responder e indicar como fazer a doação.”

Procurada, a Prefeitura de São Paulo afirma que desde que a reclusão pessoal e os cuidados com a higiene passaram a ser indicações da OMS (Organização Mundial da Saúde), “passou a utilizar carros de som com alertas de orientação sobre procedimentos de prevenção do coronavírus aos moradores das comunidades paulistanas”.

Em nota, a prefeitura diz que “centenas de bairros de todas as regiões da capital já receberam, e seguirão recebendo os carros de som e orientações do departamento social pelo menos durante a próxima semana. Entre os locais atendidos estão Paraisópolis, Jardim Colombo, Heliópolis, M’Boi Mirim, Capão Redondo, Jardim Ângela, Itaim Paulista, São Mateus e Brasilândia”.

A gestão Bruno Covas (PSDB) também afirma que publicou o decreto 59.301, do dia 24 deste mês, que permite a realização de doações. Os interessados podem apresentar proposta de doação ou comodato, pelo email doacoes@prefeitura.sp.gov.br.

Fontes: Emilio Sant’Anna e Vanessa Gonçalves, Folha de S.Paulo, 27.mar.2020.

Como eu fiz: CEO do Hospital Moinhos de Vento

Quando fui convidado pela Harvard Business Review Brasil para escrever a coluna “Como eu fiz”, confesso meu constrangimento inicial em falar sobre conquistas que são resultado do esforço de tantas pessoas e histórias, inclusive de algumas muito anteriores à minha. Afinal, a vida é um sistema integrado e colaborativo, não havendo espaço para o eu absoluto. Nesse sentido, onde quer que seja lida a palavra “eu”, peço que seja considerado “nós”.

Em seu ensaio The Crisis in Education, publicado nos anos 50 pela revista Partisan Review, a filósofa Hannah Arendt já alertava: a humanidade passa por uma crise da tradição, vivendo um conflito relacionado ao passado. A lógica de Arendt não poderia ser mais atual. Que o diga o setor da saúde: uma área em que hábitos, costumes e heranças andam lado a lado com a transformação, talvez fazendo da mudança uma questão de sobrevivência.

O Hospital Moinhos de Vento é uma instituição privada e filantrópica, fundada há mais de nove décadas pela comunidade alemã imigrante no Brasil. Um dos cinco hospitais de referência pelo Ministério da Saúde, também é um importante centro privado de educação e pesquisa. No coração de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, construiu uma linda história de pioneirismo, cuidado com a vida e obstinação pela medicina de excelência, tornando-se um dos melhores hospitais da América Latina.

Desde seu princípio, ainda como Hospital Alemão (ou Deutsches Krankenhaus), trabalhou a partir de uma base sólida, apoiada em qualidade e inovação.

Tudo o que existe hoje é resultado de uma trajetória de crescimento construída a muitas mãos. Imigrantes de origem germânica ergueram o hospital e deixaram um legado empreendedor na cidade — sendo responsáveis pela criação de clubes, escolas e outras organizações. Ao longo do tempo, a governança ativa de expoentes empresários dessa comunidade foi fundamental para o desenvolvimento de nosso hospital. E, assim, sempre se buscou a harmonia entre a solidez da tradição e a energia da renovação.

Em alguns momentos de sua trajetória sustentada por conquistas de relevância, no entanto, esse equilíbrio não foi bem dosado. E a instituição colocou-se em risco — seja por estar muito fechada em si mesma, posicionando-se de forma muito tradicional; seja por estar à frente do tempo, em passos que não estava pronta para dar. Para deixar o novo nascer e incorporá-lo às nossas vidas, a crise pode ser a melhor escola. Foi o que aconteceu com o Moinhos: as dificuldades de pouco mais de uma década atrás também foram ambiente fértil para que mudanças ocorressem.

Para ler artigo completo, clique aqui.

Fonte: Mohamed Parrini, Harvard Business Review Brasil.

Rede D’Or e Amil estão em pé de guerra

A Amil, maior operadora de planos de saúde, e a Rede D’Or, maior grupo hospitalar do país, estão em pé de guerra.

Segundo o Valor apurou, há alguns meses a Amil começou a descredenciar de alguns de seus planos de saúde, hospitais da Rede D’Or localizados em regiões em que possui unidades próprias.

A Rede D’Or revidou e decidiu cortar todos os hospitais que ficam no Rio de Janeiro e alguns de São Paulo para todas as categorias de convênio médico da operadora.

No Hospital Copa D’Or, localizado em Copacabana, no Rio, já há um aviso informando que o atendimento para clientes da Amil estará suspenso a partir do dia 21 de junho.

Segundo fontes, ainda há uma negociação entre a Rede D’Or e Amil para se chegar a um acordo, mas no momento as conversas estão bastante complexas.

Com cerca de 3,5 milhões de usuários de convênio médico, a Amil tem 13 hospitais que são voltados exclusivamente para seus clientes.

Além disso, é dona da rede Américas com cerca de 20 hospitais que atendem clientes de várias operadoras. Já a Rede D’Or, que é dona da bandeira São Luiz, tem cerca de 35 hospitais distribuídos em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Brasília e Bahia. Procurados pela reportagem, Amil e Rede D’Or informaram que não se pronunciariam.

Fontes: Naiara Bertão e Beth Koike , Valor Econômico, 26/04/2019 – 05:00

Saúde avança, mas segue longe do idealizado em 1988

#praCegoVer Infográfico de quantas pessoas procuraram o médico e o motivo de não atendimento

Além do 82º ano de existência do IBGE, 2018 marca outro importante aniversário para a sociedade brasileira: há 30 anos, era aprovada a Constituição Federal de 1988, considerada um marco em relação aos direitos sociais no país. Por isso, a Agência IBGE Notícias começa nesta terça-feira uma série de reportagens sobre as conquistas trazidas pela Constituição Cidadã, a começar pela garantia da saúde como direito básico.

Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

Ao reconhecer a saúde como direito, a Constituição de 1988 foi responsável por uma ampliação considerável no acesso aos serviços médicos públicos, principalmente pelas camadas mais pobres da população. Embora ainda imperfeito, o Sistema Único de Saúde (SUS) conseguiu reduzir deficiências anteriormente existentes no setor.

“Ampliamos muito o acesso, principalmente para os mais pobres e a população fora dos grandes centros urbanos. Aumentamos a oferta de serviços básicos, e com isso baixamos a mortalidade infantil, melhoramos a vacinação, além de haver uma diminuição significativa de algumas patologias”, explicou o médico e pesquisador do IBGE Marco Antônio Andreazzi.

“O SUS tem nichos de excelência, locais que conseguem fazer transplante de rim, córnea e mesmo de fígado, que é um dos mais complexos, além do controle da AIDS”, lembrou a pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) Isabela Santos. “Temos mudanças importantes nesses 30 anos, mas o SUS real não é igual ao SUS ideal. Você ainda tem muitos problemas”, completou.

Isabela lembrou ainda que, mesmo com os direitos conquistados na Constituição, a saúde pública ainda tem muito a caminhar. “Desde a ditadura militar, vem aumentando a participação do setor privado na saúde. O SUS cresceu, mas sempre em concorrência com o setor privado”, ressaltou. “Além disso, o SUS não foi financiado adequadamente por nenhum dos governos pós-88. Ainda não temos um sistema como queríamos”, disse a pesquisadora.

“Há uma desigualdade no acesso. Na teoria é igual para todos, mas, na prática, quem tem dinheiro tem plano de saúde e quem não tem usa o SUS”, pontua a pesquisadora da Fiocruz. “Essa diferença no acesso é uma discrepância que não foi criada pelo SUS, mas é algo que ele não conseguiu impedir”, complementou Andreazzi.

#praCegoVer Infográfico das pessoas que costumam procurar o mesmo médico, serviço de saúde ou local de atendimento

Curiosamente, os avanços na saúde básica também trouxeram novos desafios. A redução na mortalidade infantil e o aumento da expectativa de vida causaram um aumento na demanda por serviços complexos relacionados ao envelhecimento da população.

“Doenças crônicas e degenerativas aumentaram e exigem serviços de maior complexidade, o que tem sido um gargalo do nosso sistema. E que tende a se agravar”, explicou Andreazzi, que lembra que a pesquisa do IBGE Assistência Médica e Sanitária (AMS) de 2009 já mostrava uma redução do número absoluto de leitos desde 1988. No ano da Constituição, eram mais de 527 mil unidades, que caíram para pouco menos de 432 mil em 2009, 81% do número inicial.

Número de leitos para internação em estabelecimentos de saúde
Brasil
Ano Esfera administrativa
Total Público Privado
1988 527196 120776 406420
1999 484945 143074 341871
2009 431996 152892 279104
Fonte: IBGE – Pesquisa de Assistência Médico-Sanitária

Garantia incerta

Embora tenha representado um avanço no combate às questões primárias da saúde nacional, a Constituição de 1988 não resolveu a falta de acesso aos serviços mais complexos. Mesmo com o direito legal, muitas famílias ainda não conseguem atendimento adequado na rede pública, como é o caso de Oliveiro Brizio Filho, de 60 anos, irmão de Regina e Sandra, ambas moradoras do Engenho Novo, no Rio de Janeiro.

Com insuficiência renal e pneumonia, o aposentado e profissional de uma empresa de elevadores teve que ficar internado de forma improvisada em uma unidade básica de saúde durante oito dias até conseguir uma vaga na Unidade de Tratamento Intensiva de um hospital.

“A médica disse que ele não podia ficar lá, pois estava precisando de hemodiálise”, explicou Regina, que é advogada. “Ela disse que precisávamos de uma liminar para conseguir uma vaga em um hospital público. Fomos no plantão judiciário e ganhamos da Defensoria Pública um documento dizendo que o oficial de justiça notificaria a secretaria de saúde do estado e do município para encontrar uma vaga em até 27 horas. O que aconteceu depois? Nada”, contou uma das seis irmãs de Oliveiro, que ainda tem três irmãos e duas filhas. “São liminares praticamente para nada, porque não tem vaga”, acrescentou Sandra.

Após passar mais sete horas no fórum, Regina ainda conseguiu uma segunda liminar com indicação de três hospitais privados para internação, mas novamente não obteve resultado. “Ele ficou oito dias na UPA (Unidade de Pronto Atendimento), saiu de lá praticamente morto. Mas não posso reclamar dos médicos e dos funcionários. Fizeram o possível, mas não havia equipamento. Foi um milagre, os médicos de lá realmente são médicos”, contou a advogada, que só conseguiu uma vaga para o irmão em um hospital público com a ajuda de um amigo.

“Eu fui a cinco ou seis hospitais. Pedi a Deus e o mundo. Só faltou andar de joelhos. Nunca fiquei tão feliz de arrumar uma vaga em um hospital”, contou Regina. “Agora ele está fazendo hemodiálise todos os dias. Não pode deixar de fazer porque os rins estão parados. Quando chegamos, me perguntaram como ele estava vivo. Ele está escapando de tudo, está vivendo”, completou.

#praCegoVer Infográfico da proporção de pessoas que possui algum plano de saúde por região

Diagnóstico necessário

Para mapear onde estão as dificuldades do sistema que levam a situações como as de Oliveiro, são essenciais a construção de indicadores na área da saúde. É o caso de pesquisas como a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), que teve sua última edição em 2008 e volta a campo no segundo semestre desse ano. Além dela, a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS) e a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) terão novas edições em breve.

“Teremos a possibilidade de avaliar bem o setor. Todas elas refletem as condições da saúde da população”, explicou Andreazzi, que ressaltou o papel do IBGE como coordenador dos indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. “É uma contribuição que estamos dando. As pesquisas domiciliares permitem monitorar as políticas públicas na área”, complementou.

#praCegoVer Infográfico do local de procura de atendimento de saúde odontológico

A pesquisadora da Fiocruz Isabela Santos também destacou a importância dos indicadores. “É mais que fundamental, é vital para o país ter essas pesquisas de forma contínua. E o papel do IBGE e seu know-how é fundamental nisso. Isso é importante para qualquer governo, independente da ideologia. Fazer pesquisa na saúde é investir na população, é poder planejar as políticas públicas”. Ela reiterou que “as pesquisas sobre acesso e uso de saúde e as condições gerais da população são fundamentais para o governo identificar o que está acontecendo e reformular as políticas”.

Por enquanto, porém, muito ainda precisa ser feito para que o direito à saúde sonhado em 1988 efetivamente seja posto em prática para todos. “A Constituição garante como nosso direito, mas a realidade é ainda outra”, encerrou Regina.
Repórter: Rodrigo Paradella, Imagem: Pedro Vidal, Arte: Helga Szpiz e Marcelo Barroso, 29/05/2018 | Última Atualização: 30/05/2018 09:42:08. Editoria: Séries Especiais | Subeditoria: Constituição Cidadã: 30 anos depois