Al Gore: “Seremos capazes de construir um futuro sustentável”

Al Gore: “Seremos capazes de construir um futuro sustentável”
Foto: Divulgação

O evento Cidadão Global, realizado pelo Santander Brasil, em parceria com o jornal Valor Econômico, é conhecido por abordar pautas urgentes do século 21 e engajar líderes cívicos e empresariais na busca de soluções para os problemas do planeta. Já estiveram no programa personalidades como o ex-presidente americano Barack Obama; o historiador israelense Yuval Noah Harari; o biólogo Jared Diamond, a atriz e ativista americana Viola Davis e a ganhadora do Nobel de Economia Esther Duf lo – no ano passado, elas falaram sobre o futuro da globalização.

A quarta edição do fórum, realizada no dia 25, convidou o ex-vice-presidente americano e Prêmio Nobel da Paz Al Gore; o presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial; e o vice-presidente do Grupo Globo, José Roberto Marinho, para tratar das mudanças climáticas, da preservação da Amazônia, e da responsabilidade de construção de um futuro sustentável.

Em uma conferência online, os participantes discursaram e participaram de um painel mediado por Luis Alberto Moreno, empresário e diplomata colombiano e ex-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

LÍDER GLOBAL

Em sua palestra, Al Gore declarou que vê sinais concretos de que há uma verdadeira transformação em andamento. “Tenho esperança de que seremos capazes de construir um futuro sustentável. A revolução que está acontecendo agora tem a capacidade de redesenhar o mundo e transformar o meio ambiente. Essa revolução global sustentável tem a capacidade de alcançar o mesmo impacto da Revolução Industrial.”

Suas afirmações se amparam em uma série de argumentos, disse ele. “A transição para uma economia sustentável é a maior oportunidade de negócio desta geração. Uma nova era de transparência radical vai trazer um movimento de comprometimento de governos, empresas e investidores”, avaliou.

O ganhador do Prêmio Nobel também citou a transformação da agricultura e o aumento da competitividade dos preços da energia eólica e solar e dos carros elétricos. Lembrou que a nova geração de jovens profissionais busca trabalhar em empresas comprometidas, o que faz da postura das corporações uma ferramenta de atração de talentos. Disse que a pressão também vem dos consumidores. E, em diferentes momentos de seu discurso, citou o Brasil.

“O Brasil já é um dos líderes globais da transição para a energia renovável”, afirmou. “Tem destaque na geração de energia eólica e solar e grande potencial para o mercado de automóveis elétricos. Quando o hidrogênio se tornar uma fonte viável de energia, o que já está acontecendo, o País também tem condições de liderar esse mercado.”

NOVOS MERCADOS

Sérgio Rial concordou. “Estamos passando por um dos períodos mais transformadores da história da humanidade. Os consumidores estão mais criteriosos, o mundo está muito mais conectado, há uma revolução da ética em todas as frentes, temos a busca por uma vida mais equilibrada e a ascensão de um capitalismo mais responsável.”

Nesse contexto, declarou ele, “as instituições financeiras estão no epicentro dessa rápida e dramática transformação”. E estão prontas para oferecer sua capacidade em aplicar inovação: “os mercados financeiros são inovadores, de modo geral. Precisamos encorajar o desenvolvimento de tecnologias limpas e escaláveis de baixo carbono”.

Um resultado concreto seria exercer um papel mais ativo no desenvolvimento de um mercado de carbono com maior volume e padrões globais, disse ele. “O Brasil e os países vizinhos da região amazônica poderiam assumir a liderança em um esforço conjunto para acelerar o avanço de um mercado global de carbono.”

FORÇA DA TRADIÇÃO

Moreno, que exerceu a função de moderador, comentou: “O Brasil avançou tanto em iniciativas ambientais. Vocês têm feito um trabalho incrível ao longo dos anos”. E José Roberto Marinho comentou a enorme importância da mídia no papel de educadora e difusora de informações. Ele também concordou com o ex-presidente do BID a respeito do papel das comunidades tradicionais. “O futuro nos pede que possamos compreender que o Brasil é uma nação primeiramente indígena e que depois se construiu na interação com outros mundos”, declarou. “O que buscamos para o futuro, especialmente em áreas de floresta, é o conhecimento do que já estava aqui antes.”

Fonte: Santander, Valor, 26/05/2021

Preservação da Amazônia e ESG são os destaques em painel

Preservação da Amazônia e ESG são os destaques em painel
foto: divulgação

F­eitas as apresentações individuais, Luis Alberto Moreno, empresário e diplomata colombiano e ex-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), começou perguntando a Al Gore a respeito da Amazônia, e dos esforços que a comunidade internacional pode implementar para ajudar a proteger áreas da região. O ex-vice presidente americano reagiu rapidamente: “O que acontece na Amazônia brasileira depende do Brasil. Nenhum outro país dirá ao Brasil ou a seu governo o que fazer, nem deveria”.

Por outro lado, disse ele, “espero que todos aceitem suas responsabilidades no esforço global para solucionar a crise de clima. Meu primeiro conselho, já que você pediu um, é que os líderes, brasileiros e de todo o mundo, devem considerar as comunidades indígenas tradicionais para desenvolver suas políticas climáticas e de biodiversidade”. Afinal, lembrou ele, reservas de povos tradicionais ocupam apenas 22% da superfície ocupada do planeta, e ainda assim protegem 80% das espécies.

Luis Alberto Moreno lembrou também que Al Gore é um investidor pioneiro em fundos de investimento ESG, um mercado que cresceu 40% ao longo de 2019 e 2020. Perguntou ao Prêmio Nobel, e também a Sérgio Rial, qual é o papel dos investidores para viabilizar a regulação do clima. “Sou muito otimista a respeito das oportunidades de investimento geradas pela revolução sustentável”, declarou Al Gore. “O que vemos é um claro reconhecimento do setor privado de que o assunto envolve todos os brasileiros. Os maiores bancos privados do País realizaram passos decisivos a respeito dessa questão”, complementou Rial.

“Você não pode cuidar da floresta sem pessoas e sem recursos”, ele prosseguiu. “E as culturas locais da Amazônia não receberam ainda os financiamentos necessários para que as comunidades alcançassem uma trajetória bem-sucedida de longo prazo.”

CIÊNCIA BRASILEIRA

O diplomata colombiano se dirigiu a José Roberto Marinho com uma pergunta: “Como usar as lições aprendidas durante a pandemia a fim de encarar os desafios trazidos pelas mudanças climáticas, e qual o papel da mídia nesse processo?”. Ao que ele respondeu: “O Brasil tem uma participação modesta na produção científica mundial, na ordem de 2%. Mas esse percentual salta para 10% na área de agricultura tropical e biodiversidade ”.

Marinho lembrou então que o Instituto Evandro Chagas, instalado na Amazônia, desenvolve um trabalho de referência em doenças tropicais. “Eles já identificaram e isolaram novos vírus até então desconhecidos.” Diante da pandemia, informou ele, outros investimentos em pesquisas foram realizados, inclusive para colaborar com o melhor entendimento da Covid-19. “Há movimentos muito ricos, mesmo num cenário de investimentos públicos escassos.”

Diante desse cenário, disse ele, a mídia tem a missão de confiar em fatos científicos e apresentá-los com a maior clareza e transparência. “A educação é fundamental para enfrentar a crise que está diante de nós, e para garantir que estes jovens estejam preparados para o enorme desafio que têm pela frente.”

AJUDA DA ECONOMIA

Luis Alberto Moreno questionou Al Gore sobre outro ponto: “O quanto são realistas os planos anunciados pelos países na direção de alcançar zero emissões até 2050 ou 2060?

Afinal, é bom que haja metas de longo prazo, mas governos duram quatro ou oito anos”. O ex-vice-presidente americano respondeu que esses planos são, sim, realistas, “desde que os países comecem a agir agora, ainda nesta década”. E então descreveu o caso da China. “Eles são, de longe, o maior emissor de gases poluentes do mundo e têm um plano agressivo para expandir sua economia. Anteriormente, seus líderes declaravam que reduzir emissões impediria essa expansão. Mas a economia atual conta uma história bem diferente.” A China pode poupar US$ 1,6 trilhão nos próximos 20 anos, caso realize sua transição energética rapidamente. “A realidade está ajudando a China a realizar uma descarbonização mais rápida”, lembrou, para concluir: “Acredito que a China, assim como outros países, vai alcançar seus objetivos ainda mais rápido do que o previsto”.

Sérgio Rial participou deste debate sobre as questões econômicas que suportam a revolução em curso. “O sistema financeiro é parte da solução e precisa se envolver mais com essa transformação”, lembrou, para depois citar o exemplo da proteína animal. “Com o uso de tecnologia, poderemos alcançar a rastreabilidade da pecuária em todo o território nacional, com efeitos muito positivos sobre a contenção do desmatamento.”

Além disso, o custo do que se chamava de energia renovável caiu tremendamente. “Nos próximos anos veremos energia solar instalada em residências comuns em todo o País, porque os custos estão caindo.” Por fim, Rial fez um alerta: “Não podemos nos esconder atrás de nossas empresas. Precisamos, como indivíduos, mudar a forma como vivemos”.

Assista à íntegra do evento em cidadaovalorsantander.com.br

Fonte: Santander, Valor, 26/05/2021

Santander planeja demitir 20% dos funcionários no Brasil durante a pandemia de Covid

Logo do Santander
Santander descumpre acordo e começa processo de demissão de funcionários – Edgard Garrido – 3.abr.2020/Reuters

O Santander Brasil começou a demitir funcionários em um processo que pode cortar 20% do quadro de trabalhadores do banco.

A projeção de corte foi antecipada à Folha por integrantes da alta gestão do banco com a condição de que não tivessem os nomes revelados. Por intermédio de sua assessoria de imprensa, o banco nega o percentual de corte e informa que, como ocorre em qualquer negócio, iniciou o processo de avaliação de produtividade das equipes.

As demissões ocorrem durante a pandemia do novo coronavírus mesmo após o banco ter assinado um compromisso público de que não demitiria enquanto perdurasse a crise.

O Santander tinha 47 mil funcionários no final de março. Com o corte de 20% do quadro, 9.438 pessoas podem perder o emprego. O percentual de redução da equipe foi confirmado à Folha.

Em nota, o Santander afirmou que o compromisso de não demissão de funcionários tinha validade de 60 dias, prazo que venceu no final de maio.

A ordem para demitir teria sido dada na semana passada e, segundo denúncias recebidas pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, os cortes estão ocorrendo sem justa causa.

A entidade que representa os bancários afirma que pelo menos 15 demissões já foram registradas na sexta-feira (5).

Executivos do banco afirmaram à Folha que as justificativas para os desligamentos seriam relacionadas à performance dos funcionários, que estaria aquém do esperado pela instituição.

Durante a crise, o presidente do banco, Sergio Rial, se queixou da queda de produtividade e também pressionou funcionários a deixar o home office, mesmo com os casos de Covid-19 ainda em expansão. O Santander, que se enquadra na categoria de serviço essencial, havia afirmado que desde o início da quarentena manteve 20% dos funcionários em funções administrativas na sede, em São Paulo.

Um dos executivos afirmou que o banco já fez cortes no quadro de trabalhadores nos últimos anos e diz que, agora, sobra pouca gente pra demitir por performance.

“Em 23 de março o Santander assumiu um compromisso público de que não faria demissões durante o período mais crítico da pandemia. Já recebemos as primeiras denúncias de demissões sem justa causa na sede do banco e há relatos de desligamentos também na Aymoré, que pertence ao Santander”, afirma a dirigente sindical e funcionária do banco, Lucimara Malaquias.

Segundo Malaquias, do Sindicato dos Bancários, outra justificativa dada pelos executivos para demissão de funcionários seria o ajuste no orçamento do banco.

O Santander registrou um aumento de 10,5% no lucro do primeiro trimestre deste ano ante igual período de 2019, para R$ 3,9 bilhões.

O aumento de risco de crédito ante a crise do coronavírus, no entanto, já trouxe um aumento de 85% nas provisões dos quatro maiores bancos do país —Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander. Segundo analistas, há tendência de queda de receita nessas instituições nos próximos trimestres.

Na última quarta-feira (3), porém, o banco divulgou a abertura de 1.500 vagas destinada para áreas de tecnologia, riscos, dados, financeiro e jurídico. “Estamos nos preparando para lidar com uma nova realidade que, sem dúvida, exigirá profissionais de alta performance e capacidade de adaptação”, afirmou Vanessa Lobato, vice-presidente de recursos humanos do Santander, na época.

Em matéria publicada no domingo (7) pela Folha, consultores e advogados afirmaram à reportagem que receberam diversas consultas de empresários que, sem perspectiva de uma retomada rápida da economia no mercado interno, sem garantia de crédito e com o crescente risco de assumir custos ainda maiores para demitir lá na frente, desistiram de reduzir jornada e salário e começaram a demitir.

Segundo os advogados, a redução no número de funcionários ocorreria, por orientação de assessores jurídicos, a conta-gotas, uma vez que mandar embora um grupo grande de trabalhadores pode levar a questionamentos judiciais.

OUTRO LADO

Em nota, o Santander negou o corte de 20%. “O Santander repudia a informação publicada pela Folha de S. Paulo, dando conta de que a organização planeja demitir 20% de seu quadro de funcionários”, afirma a assessoria de imprensa.

“Essa informação não é verídica e o título denota uma total falta de sensibilidade em relação aos mais de 45.000 funcionários da empresa. Lamentamos profundamente a abordagem sensacionalista,” afirma ainda o texto.

Em comunicado separado, a instituição afirma também que faz parte do abaixo-assinado do movimento Não Demita (rede de empresas que se comprometeram a não reduzir o quadro de funcionários por 60 dias) e que foi uma das primeiras empresas no Brasil a anunciar que não faria demissões até o final de maio.

O texto ainda reforça que o banco, inclusive, está contratando.

“Nosso compromisso social segue inabalável. Anunciamos recentemente a busca de mais de 1.000 profissionais e iniciamos uma nova operação de atendimento no sul do Brasil que poderá gerar mais de 4.000 empregos ainda neste ano”, afirmou o banco.

O Santander disse ainda que, como em de praxe em qualquer instituição, avalia suas equipe. Na nota destaca: “Em paralelo, como parte da gestão de qualquer negócio, a liderança do Banco iniciou um processo de reavaliação do nível de produtividade de suas equipes, que deve ser contínuo em uma empresa que busca manter o melhor nível de eficiência da indústria”.

O texto ainda diz que “o movimento é necessário para fazer frente a um entorno muito mais desafiador, além da necessidade de navegar com eficácia em um ambiente de arquitetura aberta, trabalho em rede e busca incessante de níveis de automação ainda mais contundentes”.

Segundo o banco, “este quadro de mudanças inclui, por exemplo, o trabalho remoto de equipes de forma mais permanente, já a partir do segundo semestre. A meritocracia é um dos grandes valores da instituição e é o filtro que pauta qualquer medida na esfera de gestão do nosso capital humano.”​

Fonte: Isabela Bolzani, Folha de S.Paulo, 9.jun.2020 às 17h21Atualizado: 9.jun.2020 às 20h55.

Com empurrão da crise, ativos de grandes bancos chegam a R$ 7,363 bi e superam PIB

5 grandes bancos
5 grandes bancos – Foto: Montagem Estadão

Os cinco maiores bancos brasileiros têm em mãos recursos equivalentes à toda a economia brasileira. Turbinado pelo aumento de crédito para suprir a demanda maior durante a pandemia de coronavírus, o volume de ativos totais das instituições financeiras atingiu R$ 7,363 trilhões ao fim de março, superando, pela primeira vez, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que foi de R$ 7,3 trilhões em 2019, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicados em março. 

O resultado ocorreu em meio à expansão do crédito, enquanto a economia brasileira tenta ganhar tração. Do fim de 2017 para cá, a correlação crédito/PIB subiu de 47,1% para 48,9%, segundo o Banco Central. Se for considerado apenas o crédito livre, com o qual os grandes bancos atuam, o avanço foi ainda maior: subiu de 23,6% para 28,8%.

O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, afirmou que o aumento na proporção entre ativos dos bancos e o PIB tem correlação direta com a expansão do crédito vista no País nos últimos anos, frente ao desempenho econômico. “Esse aumento na relação crédito/PIB não é sinônimo de maior rentabilidade ou lucro”, diz.

Além disso, em momentos de crise os bancos atraem maior volume de depósitos, uma vez que o investidor busca mais segurança, de acordo com Claudio Gallina, diretor sênior de instituições financeiras da Fitch Ratings para América Latina. “Assim, a liquidez do sistema (que já vinha muito boa e robusta) aumenta mais”, disse. “Isso indica que os bancos teriam até mesmo mais dinheiro para emprestar.”

Com a crise, o crédito ganhou impulso adicional com a explosão da demanda em cima dos grandes bancos. O saldo conjunto dos empréstimos nos cinco maiores bancos brasileiros cresceu quase R$ 176 bilhões no primeiro trimestre em relação ao fim de dezembro, totalizando R$ 3,312 trilhões. Em um ano, o aumento foi de quase R$ 348 bilhões.

O salto nas carteiras foi capitaneado, principalmente, por empréstimos a grandes empresas, que precisam de liquidez para enfrentar a crise. O movimento foi acompanhado por uma enxurrada de críticas aos grandes bancos, por restringirem o crédito e elevarem juros em meio à turbulência, a despeito da injeção de R$ 1,2 trilhão de liquidez em medidas do Banco Central para apoiar o sistema financeiro no enfrentamento da covid-19.

Os bancos anunciaram uma série de medidas de apoio financeiro, mas admitem que, diante da piora do risco na economia, é natural maior rigor no crédito.

O presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, afirmou esta semana não ser possível o crédito crescer no mesmo ritmo da demanda, que deve se reduzir daqui para frente. “O crescimento do crédito será muito mais baixo, se é que haverá crescimento em 2020”, disse, durante transmissão ao vivo.

Os bancos já concederam mais de R$ 540 bilhões em créditos na pandemia, segundo balanço da Febraban, considerando novos empréstimos, renovações e postergações de parcelas. Para os próximos meses, a expectativa é de que o crédito novo ceda espaço a uma onda de renegociações de dívidas e reestruturações por parte de empresas que viram seu faturamento despencar.

“Um dos principais riscos para os bancos ainda é, naturalmente, a situação financeira das empresas, ou seja a dificuldade na previsibilidade em termos de geração de caixa”, disse Gallina, da Fitch.

No segmento de pessoa física, a demanda por crédito caiu no primeiro trimestre, mudando a dinâmica vista até então. Esse movimento deve continuar, com o aumento do desemprego e a perda de renda.

A queda, principalmente no financiamento imobiliário, obrigou a Caixa Econômica Federal a rever suas projeções. “De fato, a crise muda toda a dinâmica. A demanda de crédito vem sendo totalmente diferente. Estamos avaliando”, afirmou Pedro Guimarães, presidente do banco público, em coletiva de imprensa, para comentar os resultados do banco no primeiro trimestre.

Proteção contra calote

A pandemia também fez os bancos ampliarem os recursos reservados para compensar perdas, com temor quanto ao impacto futuro na inadimplência. A leitura, ao menos até aqui, é de que a crise será bem mais severa que as anteriores, incluindo a desencadeada pela Operação Lava Jato e ainda a turbulência financeira de 2009.

O reforço nas provisões custou mais os bancos. No primeiro trimestre, as despesas com provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs, passaram dos R$ 30 bilhões, um salto de cerca de 45% em relação aos três meses anteriores.

Dos cinco grandes, somente Santander e Caixa não fizeram o movimento de criar colchões para perdas adicionais por conta da crise. “O balanço da Caixa é, continua e continuará extremamente sólido”, afirmou Guimarães.

Como consequência de uma postura mais conservadora por parte da maior parte dos bancos, o lucro líquido combinado de Itaú, Bradesco, Satander, BB e Caixa encolheu 25,6% no primeiro trimestre, para menos de R$ 18 bilhões, na comparação com o mesmo período de 2019, quando foi de mais de R$ 24 bilhões. “Mesmo mantendo níveis confortáveis de solidez, liquidez e capitalização, a atual crise também atingiu o setor bancário”, afirmou Sidney.

Em uma perspectiva de médio e longo prazo, o CEO e fundador da Mauá Capital e ex-diretor do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, vê maior pressão por parte das fintechs na disputa por recursos com os grandes bancos, que foi comprometido na crise. Os próprios pesos pesados do setor admitem que a trégua é temporária.

“Com os reflexos do juro mais baixo, mais decente, e uma maior concorrência vinda das fintechs, o Brasil está se tornando mais normal, mas a crise atrapalhou”, disse.

Fonte: Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo, 22 de maio de 2020 | 10h27.

Bancas de jornal são alvo de iniciativa para reforma e capacitação

banca de jornal
Detalhe de banca de revista e jornal em São Paulo; projeto nacional do banco Santander quer emprestar dinheiro para ajudar a revitalizar negócio.  Foto: Werther Santana/Estadão-12/6/2015

Os últimos 10 anos apresentaram uma queda de 25,3% no número de bancas de jornais e revistas somente em São Paulo. Em 2010, eram 3.178 bancas com termos de permissão de uso (TPUs), enquanto em 2020, são 2.374, segundo a Secretaria Municipal das Subprefeituras. Para sobreviver, esses negócios precisam encontrar uma forma de se reinventar. Contudo, com a pandemia do novo coronavírus, esse processo torna-se ainda mais complicado.

Para ajudar os donos de bancas de jornais de todo o País, o banco Santander lançou a iniciativa A Gente Banca, em que financiarão uma reforma estrutural e conceitual no estabelecimento, adicionando outra atividade no local, que poderá ser costura, manicure, assistência técnica de celular, florista ou chaveiro, além de fornecer um curso que capacitará esse pequeno empreendedor para desenvolver a atividade no local.

Na cidade de São Paulo, o decreto nº 57.704, de 2017, garante que a comercialização de revistas e jornais seja a principal atividade das bancas, com o objetivo de evitar a descaracterização do negócio – que é levar informação e entretenimento por meio de produtos do segmento editorial. Por isso, 75% do espaço interno útil da banca deve ser destinado à exibição de materiais editoriais.

Para Tiago Abate, superintendente executivo do Santander Microfinanças, o novo projeto é importante para continuar fomentando esse mercado. “As bancas geram pelo menos dois empregos e geram uma cadeia de consumo”, diz ele.

Os financiamentos do banco podem variar entre R$ 15 mil e R$ 60 mil, podendo até um terço do valor ser arcado pelo próprio banco. Em troca desse abatimento, a instituição financeira ganha espaço publicitário em uma tela de LED (prevista na reforma e que ficará dentro da banca), enquanto o contrato for vigente. O prazo de pagamento do financiamento é de até 24 meses, com juros a partir de 2,49% ao mês.

“A ideia é que nessa nova renda o empreendedor comprometa até 30% do lucro, no máximo, para pagar as parcelas”, afirmam Igor Puga, diretor de marketing do Santander.

As inscrições para o processo de seleção para participar do A Gente Banca estão abertas para empreendedores formais e informais, sendo possível que até mesmo aqueles que possuem alguma restrição de crédito consigam participar. A ideia da campanha é ser o mais abrangente e o menos restritiva possível, informa o banco.

Um dos pré-requisitos é ter um faturamento anual de até R$ 200 mil, ter alvará de funcionamento e preencher o formulário no site. Em até cinco dias, um dos agentes do projeto entrará em contato para avaliar a concessão do crédito e, caso a resposta seja positiva, todo o processo dura até quatro semanas. 

Fonte: Anna Barbosa, O Estado de S.Paulo, 18 de maio de 2020. * Estagiária sob a supervisão da editora do Estadão PME, Ana Paula Boni.

Maiores bancos privados do País tiveram lucro 15% maior em 2019

Bancos privados - Bradesco/Itaú/Santander
Bancos privados no Brasil. Bradesco, Itaú e Santander Foto: JF Diorio/Estadão / Daniel Teixeira/Estadão / Edgar Garrido/Reuters

Os três maiores bancos privados do País encerraram o último trimestre do ano com um ritmo de crescimento menor frente aos períodos anteriores, o que ainda assim não os impediu de apresentar projeções de desempenho otimistas para 2020. O resultado positivo foi puxado, principalmente, pelo crescimento do crédito para pessoas físicas e pequenas empresas, cujas margens são melhores, e maiores receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias, ainda que pese uma maior concorrência com fintechs. 

No total, o lucro líquido recorrente de Itaú UnibancoSantander Brasil Bradesco foi de R$ 17,667 bilhões no quarto trimestre, alta de 12,44% em relação ao mesmo período de 2018. No ano, porém, os resultados apresentaram crescimento maior. A cifra foi de R$ 68,8 bilhões, expansão de 15,25% frente aos R$ 59,695 bilhões registrados em 2018.

Para analistas do mercado, 2019 pode marcar o último ano de crescimento anual de dois dígitos para os grandes bancos de capital aberto no País, que cada vez mais veem suas margens serem comprimidas e seus clientes serem abocanhados por players novos. Em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast na semana passada, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, rebateu essa visão. “Para nós, pode ter certeza que não é. Nós vamos crescer”, disse, ao ser questionado se o banco conseguiria entregar expansão de dois dígitos no lucro de 2020.

A concorrência com fintechs, as startups do setor financeiro, e diversos outros players – como os varejistas, que a cada dia colocam mais os pés no setor financeiro – é crescente. Assim, repetir as projeções de anos anteriores já é sinal de otimismo em um cenário de maior competitividade e mudanças regulatórias por parte do Banco Central.

Depois de ver seus empréstimos aumentarem 10,9% em 2019, o Itaú espera que sua carteira de crédito cresça de 8,5% a 11,5%. O impulso no ano passado veio da operação brasileira, com empurrão das famílias e pequenas empresas. Na operação da América Latina, o crescimento foi de apenas 1,9%, evidenciando o impacto da onda de manifestações no Chile e a queda dos empréstimos na ArgentinaParaguai e Colômbia.

O rival Bradesco é levemente mais otimista e projeta aumento de 9% a 13% na carteira de crédito neste ano. O  Santander Brasil segue com a projeção de elevar sua carteira acima dos 10% até 2022.

Do lado das receitas, os três bancos privados entregaram expansão de 5,47% em 2019, para menos de R$ 90 bilhões. Ampliar essa linha foi mais difícil no ano passado diante da crescente concorrência com as fintechs. O maior crescimento veio do Santander, com alta de mais de 8% no comparativo anual. No trimestre, porém, os concorrentes apresentaram melhor desempenho.

Os bancos privados também aproveitaram para reforçar suas provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs, em meio ao ganho contábil com a reavaliação ds créditos tributários em decorrência do aumento da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), que passou de 15% para 20% após reforma da Previdência. A cifra somada de Itaú, Bradesco e Santander foi de R$ 11,406 bilhões, sendo praticamente revertida em proteção para eventuais perdas, considerando as novas regras contábeis.

No quarto trimestre também houve reforço em provisões para demandas trabalhistas. No ano passado, com a pressão da concorrência por mais eficiência, os bancos enxugaram suas redes físicas e promoveram programas de demissão voluntária. Assim, a meta para despesas operacionais em 2020 está mais otimista no caso do Itaú, enquanto o Bradesco reiterou suas projeções após ter estourado o intervalo prometido para 2019.

Demonstrando maior preocupação com questões sociais, o Itaú anunciou ações para compensar a emissão de gases de efeito estufa (GEE), dando sequência a uma prática que adota desde 2015. O Bradesco assumiu compromisso amplo de levantar a bandeira da sustentabilidade e tem como meta zerar suas emissões de carbono e usar 100% de energia renovável em todo o conglomerado até o fim de 2020. No ano passado, o Santander anunciou que pretende utilizar energias renováveis em 100% de sua operação até 2025. 

Fonte: Aline Bronzati , O Estado de S.Paulo, 11 de fevereiro de 2020

Varejo é a surpresa positiva entre balanços do primeiro trimestre

setor de varejo surpreendeu positivamente os analistas nesta safra de balanços relativos ao primeiro trimestre de 2019. Entre os destaques estão os números da Lojas Renner, anunciados nesta semana, e do GPA, que ainda vai divulgar seu balanço completo, mas já publicou suas prévias operacionais, consideradas sólidas.

O Santander, por exemplo, destaca Lojas Renner e Localiza entre os balanços já divulgados com resultados acima da estimativa média dos analistas. A rede varejista de moda inclusive faz parte da carteira de recomendações atual do banco. Por outro lado, os destaques negativos, na opinião do Santander, foram Cielo e Via Varejo, até agora.

Em relação à temporada como um todo, o Santander está otimista. “De forma consolidada, projetamos um crescimento médio de 13,5% da receita líquida na comparação anual, enquanto os lucros corporativos devem crescer 14% na mesma base de comparação.

Em termos de eficiência, acreditamos que 54% das companhias do nosso universo de cobertura apresentarão alguma melhora de margem operacional. Setorialmente, vemos o segmento de transportes, bancos e mineração com boas perspectivas de resultado, enquanto o setor de siderurgia deve ser o destaque negativo da temporada”, afirma Ricardo Peretti, estrategista de Pessoa Física da Santander Corretora.

Pedro Galdi, da Mirae Asset, também destaca positivamente os números de Lojas Renner e Localiza, enquanto Usiminas, Cielo, Via Varejo e Weg apresentaram números “fracos”. Segundo ele, o momento fraco da economia justifica esses balanços mais negativos. Sobre as expectativas, Galdi espera bons números de Itaú Unibanco, Santander, Ambev, GPA e Carrefour, enquanto BRF deve repetir prejuízo, e as construtoras continuarão a refletir o mercado ainda fraco.

Outro analista que destacou o setor de varejo foi Alexandre Faturi, da Nova Futura Investimentos. Ele lembra que os números de Lojas Renner e as prévias de GPA surpreenderam positivamente, mesmo com o momento econômico mais difícil. “O GPA ainda desfrutou de uma aceleração dos preços de alimentos durante o trimestre”, ressalta.

Fonte: Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo, 27 de abril de 2019 | 04h00

Inteligência Competitiva – Sinais de Mercado: Presidentes de bancos cobram reforma e falam em união

Bancos

Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do conselho de administração do Bradesco Foto: Hélvio Romero/Estadão

Representantes dos maiores bancos do País se manifestaram após a definição de Jair Bolsonaro como presidente eleito do País. O Itaú, maior banco privado do Brasil, afirmou que, encerrado o processo eleitoral, “é hora de unir a sociedade em torno de objetivos comuns, que visem à superação dos desafios que o Brasil enfrenta em diferentes esferas”, ressaltou em comunicado.

Bradesco cobra “sentido de urgência” do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para fazer o Brasil voltar a crescer de forma sustentada, de acordo com comunicado divulgado na noite deste domingo comentando o resultado das urnas. “A magnitude das tarefas que temos à frente recomenda sentido de urgência na adoção de ações e medidas que nos direcionem para uma vigorosa e sustentada retomada do crescimento”, afirmou o presidente do conselho de administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi.

No mesmo texto, o presidente do banco, Octavio de Lazari Junior, disse que esta foi uma eleição diferente das experiências anteriores que o País teve. “Uma das razões é que ela aconteceu na saída de uma das mais graves crises econômicas já vividas pelo Brasil”, disse ele, destacando que isso amplia bastante a “carga de expectativas” em relação ao aumento dos investimentos e criação de empregos. “O PIB brasileiro nos posiciona entre as economias mais relevantes do planeta”, afirma Lazari.

“Temos uma economia diversificada, empresários competitivos, trabalhadores eficientes e instituições republicanas que funcionam em sua plenitude.” Nesse cenário, o executivo diz que “nos sentimos revigorados para dar início a um novo ciclo de reformas estruturais no sentido da modernização do Brasil”. “Nós, da iniciativa privada, queremos oportunidades para trabalhar, investir e criar empregos”, completou ele.

Ainda no texto, Trabuco destaca que as eleições de 2018 “fortaleceram o Brasil em sua condição de uma das maiores democracias do mundo”. “Todos os candidatos expuseram suas propostas e a população escolheu o novo presidente da República de maneira livre e soberana”, afirmou o executivo, que era presidente do banco antes de Lazari assumir. “Passado com êxito o momento da escolha do novo chefe do Poder Executivo, o Brasil se encontra na posição ideal para superar uma desafiadora agenda de questões econômicas, nas quais o emprego, a geração de renda e a capacidade de investimentos se tornam pontos centrais e consensuais.”

O presidente do Santander no Brasil, Sérgio Rial, afirmou que é preciso união para trazer o Brasil rapidamente para o século 21 e “abandonar dinâmicas doutrinárias do século passado”.

Fonte: Altamiro Silva Junior, O Estado de S. Paulo, 28 Outubro 2018 | 22h40

Inteligência Competitiva Tecnológica: Santander expande uso do blockchain

A tecnologia blockchain, uma espécie de protocolo de segurança, é cada vez mais usada pelo setor bancário. Depois de lançar um sistema de pagamentos entre países baseado nessa novidade, o Santander expandiu o público-alvo que pode se beneficiar da tecnologia.

Antes, só a alta renda tinha acesso ao protocolo – ou seja, aqueles clientes com o título Select. Nesta semana, entretanto, o banco estendeu o serviço também para os clientes Van Gogh e Especial.

Assim, toda a base de correntistas digitais do Santander, que ao final de março somava 9,1 milhões de clientes, já pode usufruir dos benefícios do blockchain e, por ora, sem taxa.

Fonte: Economia & Negócios, O Estado de S.Paulo, 13 Julho 2018 | 04h00

Santander tem maior lucro da história e ações sobem 4% na Bolsa

São Paulo – O Ibovespa operava em alta de 1,76% na manhã desta quarta-feira. O principal índice da Bolsa marcava na casa dos 86 mil pontos. Entre os destaques do pregão estão as units do Santander. O banco anunciou que em 2017 teve lucro gerencial de quase 10 bilhões de reais.

Fonte: Direto da Bolsa com Karla Mamona, EXAME