Inteligência Competitiva Tecnológica: As razões para São Paulo liderar a ciência do país

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Pesquisadores ligados às universidades de São Paulo lideram, com sobras, a produção científica no Brasil. Mesmo com investimentos do governo federal com o objetivo de descentralizar o ensino superior no país ao longo das últimas décadas, as universidades paulistas permaneceram no topo dos rankings de publicações de pesquisa (papers), aqui dentro e no exterior.

A liderança vai além do fato de ser o estado mais rico e populoso do país: passa também pela política de fomento e repasse de recursos, bem como um investimento histórico em qualificação que antecedeu em décadas o que foi feito em outras partes do Brasil.

De acordo com Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), um maior número de parcerias com a iniciativa privada também contribui para que a pesquisa feita em São Paulo se destaque.

“O estado tem uma situação diferente do restante do país, que é um grande investimento por parte do setor privado em pesquisa e desenvolvimento. No Brasil, em média, essa relação é de 60% investimento público e 40% privado. Em São Paulo, a proporção se inverte, com números similares aos da Espanha”, diz o professor.

“Nos países desenvolvidos, em geral, a proporção de investimentos privados é ainda maior, cerca de 70%”, completa.

Evolução histórica

A centralização já foi mais acentuada. Quando se consideram, por exemplo, os grupos de pesquisa cadastrados no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), São Paulo era responsável por 31% do total nacional ainda em 2000 – proporção que já havia baixado para 19,8% em 2016, data dos dados mais recentes.

Embora o estado tenha mais que dobrado o total de grupos no período (passando de 3.645 para 7.440), outras regiões do país conseguiram correr atrás do prejuízo, reduzindo a diferença. No entanto, apesar dos avanços feitos em outros estados, a liderança de São Paulo no quesito produção jamais esteve ameaçada.

Segundo a base de dados multidisciplinar Web of Science, entre 2011 e 2016 o estado de São Paulo produziu 111.029 artigos científicos ali indexados, o equivalente a quase um terço (32,84%) de todas as publicações brasileiras contabilizadas no período. A produção paulista é maior que a dos três estados seguintes – em ordem, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul – somados.

A USP, sozinha, teve mais publicações que qualquer outro estado brasileiro individualmente: 54.108 documentos catalogados pelo Web of Science no período, contra 39.996 produzidos nas instituições fluminenses.

Estabilidade

A própria Fapesp é um dos braços que ajuda a compreender o sucesso da ciência desenvolvida no estado. Nos últimos anos, ela vem manejando orçamentos que superam 1 bilhão de reais.

Em 2017, embora desacelerado pela crise econômica, o valor destinado à fundação voltou a superar a marca, chegando a 1,079 bilhão. O pico ocorreu em 2013, quando contou com um orçamento de 1,406 bilhão. Além dos valores variáveis definidos pelo governo ano a ano, a fundação paulista ainda recebe, por lei, 1% da receita estadual livre de contingência.

Só isso, porém, não explica a disparidade entre os estados. Outras unidades da federação têm provisões até maiores – no Rio de Janeiro, o valor sem contingência oriundo das receitas estaduais é de 2% –, mas não repetem os resultados.

O caso do Rio é exemplar para entender a continuada proeminência paulista: a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), contraparte fluminense à Fapesp, tinha um orçamento previsto em 537 milhões de reais no ano passado.

Em um estado com apenas um terço do PIB de São Paulo, os valores da agência de fomento eram maiores que a metade de São Paulo. Proporcionalmente, a Faperj tinha um caudal de recursos superior. A diferença? A profunda crise econômica vivida pelo estado.

“Entre as grandes chaves estão a autonomia e a estabilidade do financiamento”, entende Carlos Américo Pacheco.

Embora tivesse uma previsão orçamentária elevada, a Faperj chegou a julho do ano passado tendo recebido apenas 9,5% do valor previsto para o ano, e seus pesquisadores sofriam com atrasos de bolsas e outros recursos para desenvolver seus projetos, uma situação que não ocorria no estado vizinho.

Razões históricas

Para Pacheco, a explicação para a excelência das instituições paulistas tem razões tão enraizadas em fatores históricos quanto nos econômicos. “Existe uma busca por uma maior qualificação dos professores que vem desde os anos 80”, assinala o diretor, apontando um movimento que se antecipou ao restante do país.

“Hoje temos praticamente só doutores. São universidades de excelência: se estivessem nos Estados Unidos, as universidades de São Paulo estariam em 10º lugar em termos de formação de doutores”, completa.

A busca por qualificar o ensino e a pesquisa veio acompanhada de uma antecipação na internacionalização das universidades paulistas em relação ao restante do país, através de convênios de colaboração com instituições estrangeiras que já datam de décadas.

Além do peso dos recursos provenientes da Fapesp, historicamente São Paulo se diferenciou de outros estados pelo grande peso conferido às instituições estaduais de ensino superior.

Enquanto no restante do país os maiores orçamentos e índices de publicações são encontrados nas federais, em São Paulo as três grandes instituições mantidas pelo governo estadual – a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) – prevalecem em termos de recursos e produção quando comparadas à maior federal do estado, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Fonte: Maurício Brum, especial para a Gazeta do Povo, Atualizado em às

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Essa sua tese inútil de doutorado, por Ruth Manus

Mestrado. Doutorado. Pós doc. Livre docência. Quando entramos nesse barco, das duas uma: ou somos vistos como uma espécie de heróis-destrambelhados-inteligentes-porém-meio-sem-rumo-na-vida ou somos vistos como absolutos vagabundos que fingem que estudam porque não querem trabalhar. Não há muito meio termo.

Ser pesquisador é mesmo algo muito interessante. Porque que as expressões “ser” e “pesquisador” bastam quando estão juntas, mas quase ninguém entende isso. É fácil as pessoas entenderem as expressões “ser médico”; “ser advogado”; “ser motorista de uber”. Mas com pesquisadores, não basta ser, porque teoricamente é pouco. E sempre uma das duas perguntas a seguir será feita: e o que mais você faz? – ou – mas você faz doutorado/mestrado/pós doc/livre docência para quê?

É difícil explicar para as pessoas que toda pesquisa tem a sua relevância. E que praticamente tudo o que elas usam, fazem, consomem e sabem é fruto da pesquisa de algum acadêmico. A tecnologia do carro, a embalagem do iogurte, o tecido da roupa, o carregador do celular, o direito de ir e vir, o pavimento do chão, a proteção das árvores, as coisas que se sabe sobre a história, sobre a política, sobre a literatura, sobre as carecas e sobre a boa forma.

Nada brotou nos livros, nem na cabeça dos professores. Tudo foi pesquisado e concluído por uma dessas pessoas estranhas que fica dias e mais dias enfurnada numa biblioteca e que, nas festas de família frequentemente é vista como aquele sobrinho que não deu muito certo, enquanto todos aplaudem de pé os êxitos do primo que trabalha num grande banco e anda de carro grandalhão.

Todos temos nossos méritos. Engenheiros, comerciantes, motoristas de ônibus, cirurgiões dentistas, manicures, psicanalistas, executivos de multinacionais, empregadas domésticas. Mas é preciso começar a entender que quem “só” estuda, não merece esse “só” na frente de “estuda”. Estudar, fazer pesquisa, coletar dados, redigir teses é algo tão indispensável para uma sociedade quanto operar pessoas e construir estradas.

Se a pesquisa for na Sorbonne, em Harvard ou no Vale do Silício, parece mais louvável. Mas é importante lembrarem que alguém precisa estudar o Brasil. E que esses “vagabundos”, que vivem de bolsas de estudos muito magras (e cada vez mais raras com os intermináveis cortes do governo Temer no campo científico), são os poucos que ainda podem fazer alguma coisa por esse país, que caminha cada vez mais no rumo da ignorância e da truculência.

Toda pesquisa tem valor. E é preciso que as pessoas entendam que quando elas não compreendem a relevância do estudo de alguém, as desinformadas são elas, e não quem fez a pesquisa. Não é óbvio? E que frases como “nossa, e isso é importante?” ou “nossa, nem sabia que isso existia” são sutis agressões cotidianas a quem dedica um tempo tão valioso a temas relevantes dentro das suas áreas.

Uma tese sobre o voo das borboletas pode te parecer inútil. Mas provavelmente você só vê borboletas nos seus dias porque alguém as estuda e as protege. Uma pesquisa sobre a escravidão no Caribe pode te parecer pouco relevante. Mas só entendemos a sociedade latino-americana de hoje se estudarmos toda essa trajetória. Uma dissertação sobre um determinado princípio da física pode te parecer coisa de maluco, mas talvez seja ela que tenha sido a responsável pelo sistema de segurança do seu carro, que talvez ainda te salve a vida.

Estamos vivendo um momento no Brasil, no qual a educação representa a mais genuína ameaça aos poderes e aos privilégios daqueles que se instalaram no poder. O corte de gastos e de bolsas não acontece por acaso. Quanto menos acessível for o ensino superior, quanto menos viável for a vida acadêmica, mais ignorante o país permanece. E é exatamente isso que eles querem.

Valorize quem pesquisa. Pare de atrelar sucesso a dinheiro. Se interesse pelo que as pessoas estudam, ainda que seja um assunto distante para você. Ouça e tente aprender algo, em vez de dar de ombros julgando ser um trabalho pouco útil. Agradeça quem pesquisa. Talvez a vida deles fosse mais fácil num outro emprego, salário melhor, horário pra entrar e pra sair. Mas ainda há quem queira melhorar o mundo.

Fonte: Ruth Manus, O Estado de S.Paulo, 04/04/2018, 10h46

RUTH MANUS é advogada e professora universitária. Lê Drummond, ouve pagode, ama chuchu com bacon e salas de embarque. Dá risada falando de coisa séria. Não perde um XV de Piracicaba contra Penapolense por nada. Sofre de incontinência verbal, tem medo de vaca e de olheiras, que nem todo mundo.

Colabore com a “Pesquisa sobre a atuação dos profissionais da informação em atividades de Inteligência Competitiva no Brasil”

A mestranda, Ester Laodiceia, desenvolve uma pesquisa sobre a atuação dos profissionais da informação em atividades de Inteligência Competitiva no Brasil.

Em entrevista para ABRAIC, ela fala do objetivo da pesquisa e enfatiza a importância de profissionais de Inteligência Competitiva participarem.

ABRAIC: Como surgiu a idéia da pesquisa?

Ester: Surgiu da percepção, ainda na graduação em Biblioteconomia, de que na literatura da área de Gestão da Informação, existiam poucas pesquisas sobre o profissional de informação que trabalha em atividades de Inteligência Competitiva, tais como o seu perfil, habilidades, competências como e onde atua com IC dentre outros aspectos.

ABRAIC: Qual o objetivo da pesquisa?

Ester: O objetivo geral é analisar a atuação do profissional da informação, segundo os parâmetros da Classificação Brasileira de Ocupações-CBO, em atividades de Inteligência Competitiva no Brasil, tendo-se como eixos os aspectos teóricos que discutem as habilidades, competências e perfil desse profissional, bem como os aspectos teóricos que descrevem o ciclo da inteligência competitiva.

ABRAIC: Como é o questionário?

Ester: Como instrumento de coleta de dados, utilizou-se o questionário desenvolvido em uma ferramenta gratuita, o MakeSurvey – software de gerenciamento de pesquisas on-line. Tal escolha se deve à facilidade de distribuição, aplicação e resposta dos usuários ao questionário, uma vez que a solicitação de respostas se deu por meio da ABRAIC. Os profissionais desenvolvem suas atividades em várias partes do Brasil, o que torna inviável um questionário em formato impresso. O questionário possui 19 questões fechadas e 1 questão aberta.

ABRAIC: Quem deve responder?

Ester: Os profissionais que desenvolvem atividades de IC e que estão cadastrados na ABRAIC.

ABRAIC: E por que eles devem responder?

Ester: Para que se possa conhecer seu perfil; suas habilidades e competências para atuar na área de IC, além de saber em qual etapa do ciclo de IC atuam com mais destaque (e os motivos para tal), dentre outros importantes aspectos abordados no questionário. Além disso, pesquisas deste tipo devem ser realizadas com uma certa periodicidade no sentido de atualização dos dados, uma vez que o contexto é mutável.

ABRAIC: Qual a importância da pesquisa para os profissionais que trabalham na área?

Ester: A necessidade de um diagnóstico efetivo sobre a atuação dos profissionais é justificada pela possibilidade desse estudo se tornar um instrumento de uso pelos profissionais no direcionamento de suas carreiras, ampliando inclusive suas possibilidades de atuação profissional. E o mais importante: se preparando para atuar nesse mercado ao mesmo tempo tão promissor e tão pouco explorado. Outro aspecto importante é que o trabalho poderá incentivar novas pesquisas sobre o assunto. Os profissionais que já atuam em atividades de inteligência competitiva poderão desenvolver trabalhos em que relatem a sua experiência nas organizações, contribuindo para o enriquecimento da área.

ABRAIC: Qual a importância da pesquisa para as empresas?

Ester: As empresas poderão utilizar os resultados da pesquisa para conhecer melhor o perfil dos profissionais da área, investir no preenchimento de possíveis lacunas no perfil dos seus profissionais através de palestras; seminários, cursos e treinamentos e inserir bibliotecários no quadro de profissionais.

ABRAIC: Quais são os resultados esperados na pesquisa?

Ester: Primeiramente, espera-se que tenha uma grande participação dos profissionais no sentido de colaborarem na resposta ao questionário. Espera-se também que a pesquisa contribua para a atualização das pesquisas sobre o profissional que atua na área de IC, além de contribuir para o enriquecimento da área de Gestão da Informação. A partir dos seus resultados pode-se promover um maior envolvimento entre a teoria e a prática de IC para os profissionais da informação.

Para responder o questionário on-line, clique aqui.

Fonte: Website ABRAIC, entrevista realizada por Ana Carolina Lima Ornelas, Assessoria de Comunicação ABRAIC.

Bom dia e bom trabalho.