Essa sua tese inútil de doutorado, por Ruth Manus

Mestrado. Doutorado. Pós doc. Livre docência. Quando entramos nesse barco, das duas uma: ou somos vistos como uma espécie de heróis-destrambelhados-inteligentes-porém-meio-sem-rumo-na-vida ou somos vistos como absolutos vagabundos que fingem que estudam porque não querem trabalhar. Não há muito meio termo.

Ser pesquisador é mesmo algo muito interessante. Porque que as expressões “ser” e “pesquisador” bastam quando estão juntas, mas quase ninguém entende isso. É fácil as pessoas entenderem as expressões “ser médico”; “ser advogado”; “ser motorista de uber”. Mas com pesquisadores, não basta ser, porque teoricamente é pouco. E sempre uma das duas perguntas a seguir será feita: e o que mais você faz? – ou – mas você faz doutorado/mestrado/pós doc/livre docência para quê?

É difícil explicar para as pessoas que toda pesquisa tem a sua relevância. E que praticamente tudo o que elas usam, fazem, consomem e sabem é fruto da pesquisa de algum acadêmico. A tecnologia do carro, a embalagem do iogurte, o tecido da roupa, o carregador do celular, o direito de ir e vir, o pavimento do chão, a proteção das árvores, as coisas que se sabe sobre a história, sobre a política, sobre a literatura, sobre as carecas e sobre a boa forma.

Nada brotou nos livros, nem na cabeça dos professores. Tudo foi pesquisado e concluído por uma dessas pessoas estranhas que fica dias e mais dias enfurnada numa biblioteca e que, nas festas de família frequentemente é vista como aquele sobrinho que não deu muito certo, enquanto todos aplaudem de pé os êxitos do primo que trabalha num grande banco e anda de carro grandalhão.

Todos temos nossos méritos. Engenheiros, comerciantes, motoristas de ônibus, cirurgiões dentistas, manicures, psicanalistas, executivos de multinacionais, empregadas domésticas. Mas é preciso começar a entender que quem “só” estuda, não merece esse “só” na frente de “estuda”. Estudar, fazer pesquisa, coletar dados, redigir teses é algo tão indispensável para uma sociedade quanto operar pessoas e construir estradas.

Se a pesquisa for na Sorbonne, em Harvard ou no Vale do Silício, parece mais louvável. Mas é importante lembrarem que alguém precisa estudar o Brasil. E que esses “vagabundos”, que vivem de bolsas de estudos muito magras (e cada vez mais raras com os intermináveis cortes do governo Temer no campo científico), são os poucos que ainda podem fazer alguma coisa por esse país, que caminha cada vez mais no rumo da ignorância e da truculência.

Toda pesquisa tem valor. E é preciso que as pessoas entendam que quando elas não compreendem a relevância do estudo de alguém, as desinformadas são elas, e não quem fez a pesquisa. Não é óbvio? E que frases como “nossa, e isso é importante?” ou “nossa, nem sabia que isso existia” são sutis agressões cotidianas a quem dedica um tempo tão valioso a temas relevantes dentro das suas áreas.

Uma tese sobre o voo das borboletas pode te parecer inútil. Mas provavelmente você só vê borboletas nos seus dias porque alguém as estuda e as protege. Uma pesquisa sobre a escravidão no Caribe pode te parecer pouco relevante. Mas só entendemos a sociedade latino-americana de hoje se estudarmos toda essa trajetória. Uma dissertação sobre um determinado princípio da física pode te parecer coisa de maluco, mas talvez seja ela que tenha sido a responsável pelo sistema de segurança do seu carro, que talvez ainda te salve a vida.

Estamos vivendo um momento no Brasil, no qual a educação representa a mais genuína ameaça aos poderes e aos privilégios daqueles que se instalaram no poder. O corte de gastos e de bolsas não acontece por acaso. Quanto menos acessível for o ensino superior, quanto menos viável for a vida acadêmica, mais ignorante o país permanece. E é exatamente isso que eles querem.

Valorize quem pesquisa. Pare de atrelar sucesso a dinheiro. Se interesse pelo que as pessoas estudam, ainda que seja um assunto distante para você. Ouça e tente aprender algo, em vez de dar de ombros julgando ser um trabalho pouco útil. Agradeça quem pesquisa. Talvez a vida deles fosse mais fácil num outro emprego, salário melhor, horário pra entrar e pra sair. Mas ainda há quem queira melhorar o mundo.

Fonte: Ruth Manus, O Estado de S.Paulo, 04/04/2018, 10h46

RUTH MANUS é advogada e professora universitária. Lê Drummond, ouve pagode, ama chuchu com bacon e salas de embarque. Dá risada falando de coisa séria. Não perde um XV de Piracicaba contra Penapolense por nada. Sofre de incontinência verbal, tem medo de vaca e de olheiras, que nem todo mundo.

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Colabore com a “Pesquisa sobre a atuação dos profissionais da informação em atividades de Inteligência Competitiva no Brasil”

A mestranda, Ester Laodiceia, desenvolve uma pesquisa sobre a atuação dos profissionais da informação em atividades de Inteligência Competitiva no Brasil.

Em entrevista para ABRAIC, ela fala do objetivo da pesquisa e enfatiza a importância de profissionais de Inteligência Competitiva participarem.

ABRAIC: Como surgiu a idéia da pesquisa?

Ester: Surgiu da percepção, ainda na graduação em Biblioteconomia, de que na literatura da área de Gestão da Informação, existiam poucas pesquisas sobre o profissional de informação que trabalha em atividades de Inteligência Competitiva, tais como o seu perfil, habilidades, competências como e onde atua com IC dentre outros aspectos.

ABRAIC: Qual o objetivo da pesquisa?

Ester: O objetivo geral é analisar a atuação do profissional da informação, segundo os parâmetros da Classificação Brasileira de Ocupações-CBO, em atividades de Inteligência Competitiva no Brasil, tendo-se como eixos os aspectos teóricos que discutem as habilidades, competências e perfil desse profissional, bem como os aspectos teóricos que descrevem o ciclo da inteligência competitiva.

ABRAIC: Como é o questionário?

Ester: Como instrumento de coleta de dados, utilizou-se o questionário desenvolvido em uma ferramenta gratuita, o MakeSurvey – software de gerenciamento de pesquisas on-line. Tal escolha se deve à facilidade de distribuição, aplicação e resposta dos usuários ao questionário, uma vez que a solicitação de respostas se deu por meio da ABRAIC. Os profissionais desenvolvem suas atividades em várias partes do Brasil, o que torna inviável um questionário em formato impresso. O questionário possui 19 questões fechadas e 1 questão aberta.

ABRAIC: Quem deve responder?

Ester: Os profissionais que desenvolvem atividades de IC e que estão cadastrados na ABRAIC.

ABRAIC: E por que eles devem responder?

Ester: Para que se possa conhecer seu perfil; suas habilidades e competências para atuar na área de IC, além de saber em qual etapa do ciclo de IC atuam com mais destaque (e os motivos para tal), dentre outros importantes aspectos abordados no questionário. Além disso, pesquisas deste tipo devem ser realizadas com uma certa periodicidade no sentido de atualização dos dados, uma vez que o contexto é mutável.

ABRAIC: Qual a importância da pesquisa para os profissionais que trabalham na área?

Ester: A necessidade de um diagnóstico efetivo sobre a atuação dos profissionais é justificada pela possibilidade desse estudo se tornar um instrumento de uso pelos profissionais no direcionamento de suas carreiras, ampliando inclusive suas possibilidades de atuação profissional. E o mais importante: se preparando para atuar nesse mercado ao mesmo tempo tão promissor e tão pouco explorado. Outro aspecto importante é que o trabalho poderá incentivar novas pesquisas sobre o assunto. Os profissionais que já atuam em atividades de inteligência competitiva poderão desenvolver trabalhos em que relatem a sua experiência nas organizações, contribuindo para o enriquecimento da área.

ABRAIC: Qual a importância da pesquisa para as empresas?

Ester: As empresas poderão utilizar os resultados da pesquisa para conhecer melhor o perfil dos profissionais da área, investir no preenchimento de possíveis lacunas no perfil dos seus profissionais através de palestras; seminários, cursos e treinamentos e inserir bibliotecários no quadro de profissionais.

ABRAIC: Quais são os resultados esperados na pesquisa?

Ester: Primeiramente, espera-se que tenha uma grande participação dos profissionais no sentido de colaborarem na resposta ao questionário. Espera-se também que a pesquisa contribua para a atualização das pesquisas sobre o profissional que atua na área de IC, além de contribuir para o enriquecimento da área de Gestão da Informação. A partir dos seus resultados pode-se promover um maior envolvimento entre a teoria e a prática de IC para os profissionais da informação.

Para responder o questionário on-line, clique aqui.

Fonte: Website ABRAIC, entrevista realizada por Ana Carolina Lima Ornelas, Assessoria de Comunicação ABRAIC.

Bom dia e bom trabalho.