Nestlé reduz meta de crescimento diante de problemas econômicos globais

A suíça Nestlé não atingiu em 2016 sua meta de vendas pelo quarto ano consecutivo, e o resultado foi o mais fraco desde que a ela começou a medir as vendas orgânicas, que excluem flutuações cambiais, aquisições e vendas, em 1996.

A suíça Nestlé não atingiu em 2016 sua meta de vendas pelo quarto ano consecutivo, e o resultado foi o mais fraco desde que a ela começou a medir as vendas orgânicas, que excluem flutuações cambiais, aquisições e vendas, em 1996.PHOTO: MICHELE LIMINA/BLOOMBERG NEWS

Nestlé SA abandonou sua meta de crescimento anual de vendas de longo prazo — pelo menos para os próximos três anos. A maior empresa de alimentos embalados do mundo luta ao lado do restante da indústria contra uma inflação extremamente baixa ao mesmo tempo em que enfrenta as rápidas mudanças de comportamento dos consumidores.

As gigantes mundiais de bens de consumo, que anteriormente permaneciam blindadas dos tempos de incertezas econômicas, atualmente estão todas com dificuldades para impulsionar as vendas em meio a uma série de problemas econômicos globais. O baixo crescimento das vendas nos últimos anos nos produtos daProcter & Gamble Co. provocou corte de custos na empresa e uma redução nas operações. No início desta semana, o grande fundo ativista Trian Fund Managament LP afirmou que havia assumido uma participação na P&G, acelerando a urgência para que os problemas sejam resolvidos.

Unilever PLC divulgou em janeiro uma tendência de vendas fraca em 2016. As vendas subjacentes excluem variação cambial e aquisições. Na quarta-feira, a Kraft Heinz Co. afirmou que planeja mais economias que havia inicialmente planejado devido ao fraco crescimento da receita.

Cada empresa está lidando com diferentes desafios em vários mercados e categorias de produtos diferentes. Mas todas estão sendo prejudicadas por dificuldades amplamente similares que estão praticamente fora de seu controle: forte competição em muitos de seus maiores mercados; oscilações cambiais que afetam os custos; dificuldades de elevar os preços em meio à inflação baixa global; e instabilidade nos desejos dos consumidores.

De empresas como a Nestlé, mais concentradas em alimentos embalados, os consumidores pedem produtos mais saudáveis. Mas esses produtos se mostraram mais difíceis de virarem grandes sucessos de venda.

Em meio a questões que afetam todo o setor, o diretor-presidente da Nestlé, Mark Schneider, disse que a empresa suíça, que é proprietária das bebidas aromatizadas Nesquik, das rações para animais Puppy Chow e dos alimentos congelados Stouffer, iria “dar um tempo” em tentar impulsionar as vendas orgânicas entre 5% e 6% por ano — uma meta que ela não conseguiu atingir novamente em 2016. A Nestlé informou ontem que as vendas orgânicas cresceram apenas 3,2% no ano passado, ante 4,2% em 2015.

A empresa não atingiu a meta pelo quarto ano consecutivo, e o resultado foi o mais fraco desde que a Nestlé começou a medir as vendas orgânicas, que excluem flutuações cambiais, aquisições e vendas, em 1996. A Nestlé se transformou nos últimos anos em um tipo de referência para as empresas de produtos de consumo devido ao seu bom desempenho após a crise financeira global. Mas mais recentemente o desempenho das suas ações ficou aquém do de rivais, caindo mais de 3 nos últimos 12 meses ante um aumento de 7,4% no índice europeu de produtos de consumo Stoxx 600.

Schneider, que assumiu a liderança em 1º de janeiro, disse que a nova meta da empresa é atingir um “crescimento orgânico em torno de 5%”, é mais flexível, não uma meta definida entre 5% e 6%. Mas mesmo essa meta mais suave não deverá ser atingida até 2020.

“Este é o prazo desse modelo”, disse Schneider em entrevista ao The Wall Street Journal. Para os próximos três anos, “nós não queremos ser avaliados contra isso”, disse ele.

Schneider disse que a empresa precisou de “tempo para lidar com algumas tendências deflacionárias remanescentes que estamos vendo, e também precisamos de tempo para nos adaptar a algumas dessas mudanças bastante fundamentais que estamos testemunhando no setor de bens de consumo.”

Schneider disse que aquisições não são uma solução. A Nestlé não está buscando nenhuma grande aquisição no curto prazo, disse ele, citando “as avaliações razoavelmente elevadas” no setor de bens de consumo. Em vez disso, a Nestlé afirmou que planeja aprofundar o corte de custos para manter a lucratividade, que irá “aumentará os custos de reestruturação”.

A Nestlé está mudando em várias frentes para alinhar sua linha de produtos com os gostos dos consumidores, que vêm mudando. Ela reduziu o açúcar e alterou sua estratégia de marketing para o Nesquik, e implementou novas receitas para sua área de alimentos congelados, que inclui a linha Lean Cuisine.

A empresa tem investido pesadamente em ciências da nutrição e da saúde. Mas essa divisão, que contribuiu com 17% das vendas totais em 2016, é ainda pequena comparada com as divisões principais como bebidas e alimentos prontos.

A indicação de Schneider como diretor-presidente ressalta a urgência que a Nestlé tem para que seus esforços rendam frutos. Ele veio da empresa alemã de produtos de cuidados da saúde Fresenius SE . Ele é o primeiro executivo vindo do mercado que dirige a empresa em quase um século e trouxe uma profunda experiência de um tipo de negócio, com de cuidados da saúde, que a Nestlé tem afirmado que é o seu futuro.

“No geral, a participação desses produtos [no mercado] vai crescer com o tempo”, disse ele.

Os resultados não devem melhorar muito em 2017, contudo. A Nestlé informou que ela espera um crescimento orgânico entre 2% e 4% este ano.

A Nestlé informou ontem que as vendas de 2016 atingiram 89,47 bilhões de francos suíços (US$ 89 bilhões), ligeiramente superior às de 2015, mas abaixo das expectativas dos analistas. O lucro líquido foi de 8,5 bilhões de francos, menor que os 9,1 bilhões de francos de 2015 e bem abaixo das expectativas dos analistas, de cerca de 9,5 bilhões de francos. O lucro do ano passado foi prejudicado por um ajuste relacionado a impostos locais de 500 milhões de francos.

Fonte: Brian Blackstone, de Vevey, Suíça, 

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Nestlé/DPA inaugura fábrica de processamento de leite em Palmeira das Missões (RS)

A Nestlé/DPA (Dairy Partners Americas, joint venture formada com a cooperativa neozelandesa Fonterra, maior exportadora de lácteos do mundo) inaugurou, na cidade de Palmeira das Missões, a 370 km de Porto Alegre, uma nova unidade de processamento de leite com capacidade para processar até um milhão de litros por dia. O empreendimento contou com um investimento inicial de R$ 30 milhões.

A cidade de Palmeira das Missões ofereceu excelentes condições para a instalação desta fábrica por estar estrategicamente localizada em uma privilegiada bacia leiteira. A unidade irá gerar cerca de 950 empregos diretos e indiretos, além de movimentar a economia local, já que todo o leite processado será captado na região, principalmente no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Com 4 mil metros quadrados de área construída, a nova fábrica adota conceitos inovadores de coleta, manuseio e processamento da matéria-prima como, por exemplo, a desidratação do leite, realizada a frio para que não haja alteração nas características e no sabor do leite.

Dentro das diretrizes do Grupo Nestlé de respeito absoluto ao meio ambiente, a fábrica de Palmeira das Missões também incorpora modernos sistemas que visam à preservação da região. Exemplo disso é a tecnologia aplicada no tratamento de efluentes, que devolve a água ao meio ambiente por meio de quatro quilômetros de tubos, distribuídos em uma área de 150 mil metros quadrados, evitando dessa forma a erosão do solo. A unidade também não utiliza queima de óleo na geração de vapor: o método utilizado é o aquecimento de água a gás, que reduz a quase zero a emissão de gases na atmosfera.

Responsabilidade Social

Alinhada ao conceito Nestlé/DPA de responsabilidade social, que busca gerar valor aos acionistas a longo prazo sempre criando também valor para a sociedade em que está inserida, a Nestlé/DPA desenvolverá iniciativas junto aos seus fornecedores de leite locais, fomentando assistência técnica a esse grupo.

Um dos destaques do programa envolverá pequenos produtores de agricultura familiar com o objetivo de promover o desenvolvimento socioeconômico dessas famílias, estabelecendo condições para o desenvolvimento da atividade leiteira de forma sustentável e, conseqüentemente, garantindo a permanência dos produtores no campo.

Esta iniciativa terá a parceria da Universidade Federal Santa Maria (UFSM), do Rio Grande do Sul, que dará apoio técnico.

A Nestlé/DPA dará todo o aporte financeiro ao programa. As famílias receberão orientação e capacitação sobre diversos temas voltados à melhoria da produção de leite, como, por exemplo, manejo de ordenha, qualidade do leite, manejo sanitário do rebanho e utilização estratégica de alimentos concentrados e volumosos para os animais.

Projeto semelhante já foi implantado pela Nestlé/DPA na cidade de Andradina, no noroeste do estado de São Paulo, que mudou a vida de 27 famílias de pequenos produtores. Antes do projeto, os produtores, sem acesso à tecnologia e à orientação para adoção das mais adequadas práticas de produção, muitas vezes tinham que se desfazer de seus animais em determinadas épocas do ano por falta de alimento suficiente. Com as orientações técnicas, hoje a situação é totalmente diferente: eles produzem leite com qualidade durante o ano inteiro.

Os resultados são animadores: no início do programa, em 2005, a produção média de leite era de 68 litros/dia e em 2007 atingiu a marca de 90 litros/dia. A média de produção por animal cresceu de 5,7 litros/dia para 8,1 litros/dia – índices que indicam um aumento médio de 42,1% na média anual de produção diária de leite por produtor. No aspecto econômico, houve uma evolução de 132,4% em aumento de renda obtido na atividade leiteira. Isso aumentou a auto-estima do grupo, que hoje encara a atividade leiteira como um negócio que pode contribuir para a sua melhoria de vida e de toda a família.

Fonte: CDN São Paulo

Bom dia e bom trabalho.