Maratonar livros vira nova febre da quarentena

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“Harry Potter”, de J. K. Rowling, lançada pela Rocco para celebrar os 20 anos da publicação dos livros no Brasil.

O mais forte concorrente dos livros em geral é a indústria do entretenimento. Editoras disputam o escasso tempo do leitor com séries e filmes milionários, bem como com youtubers e influenciadores de toda sorte.

Mas, durante a quarentena provocada pelo novo coronavírus, um fenômeno de consumo semelhante ao que acontece nas plataformas de streaming parece se reproduzir na leitura —a maratona.

E não é algo necessariamente em busca de novidade. Pelo que sugerem as listas de mais vendidos, em tempos de incerteza o leitor busca o conforto do que já conhece e sabe que trará diversão garantida.

Não é à toa que os boxes de livros começaram a frequentar em grande quantidade as listas. A principal caixa é a da série “Harry Potter”, de J. K. Rowling, lançada pela Rocco para celebrar os 20 anos da publicação dos livros no Brasil.

Lançada no fim de abril, em edições de luxo com capas de Brian Selznick, a caixa não é barata —custa quase R$ 500, mas mesmo assim está em primeiro lugar na lista de mais vendidos desta semana —na semana passada, era o primeiro.https://s.dynad.net/stack/928W5r5IndTfocT3VdUV-AB8UVlc0JbnGWyFZsei5gU.html

“O que está funcionando agora no mercado é o ecommerce, porque é basicamente o que temos, com as três grandes lojas, Amazon, Submarino e Magazine Luíza. E box sempre foi um produto que vendeu bem na internet”, diz Bruno Zolotar, diretor comercial da editora carioca.

Ele conta que, pelo retorno que a casa tem tido nas redes sociais, há pessoas comprando para maratonar a série. E a editora também tem visto um crescimento na venda da caixa de “Jogos Vorazes”, de Suzanne Collins —neste caso, são compras estimuladas pela publicação de um novo livro da saga, que acaba de sair nos Estados Unidos e ganha tradução no país mês que vem.

O estudante de direito Jonathas Teles, 23, é um dos que resolveram maratonar a série de Rowling como escapismo.

A tendência não se restringe à Rocco. Em terceiro lugar, nas listas desta semana apareceu o box da série em quadrinhos “Bone”, de Jeff Smith, da Todavia. Na semana passada, a caixa esteve em promoção agressiva, o que ajuda a explicar a alta —mas, nesta semana, está com preço cheio.

“Além de comprar todos os livros mais barato do que se fossem comprados individualmente, tem o fato de a série nunca ter sido publicada na íntegra no Brasil. Os fãs de quadrinhos falavam há muito tempo, tinha uma ansiedade”, diz André Conti, editor da casa.

Já a Intrínseca aparece com na lista infantojuvenil em segundo lugar, com a caixa da série “Percy Jackson e os Olimpianos”, de Rick Riordan.

“As vendas dessa série cresceram 135% nas últimas cinco semanas, na comparação com o mesmo período do ano passado. Desde o início da pandemia, a gente vê um resgate dos sucessos da editora, que são os livros do coração”, diz Heloiza Daou, diretora de marketing da casa.

Há pessoas que promovem leituras coletivas de suas obras prediletas. Um dos best-sellers da editora, a saga “Crepúsculo”, por exemplo, é alvo de uma iniciativa do tipo —tocada pela influencer literária Djennifer Dias com seus seguidores no Instagram.

Outro exemplo marcante foi o lançamento do box da série “Trono de Vidro”, pela Record, nesta semana, com exclusividade na Amazon —um quinto da tiragem de 5.000 exemplares, que vinha com brindes, foi vendido em seis horas, de acordo com a editora.

É uma caixa de R$ 349, com oito livros —as vendas chamam ainda mais atenção considerando que é uma série que começou em 2013.

“Era um box que os leitores pediam muito e a gente não tinha feito ainda. Atrasamos um pouco o lançamento por causa da pandemia”, diz Rafaella Machado, editora-executiva do grupo. “Neste país em que tanto se critica a cultura, é ela que está mantendo as pessoas sãs em casa.”

A ideia original era ter feito o dobro da tiragem, mas, em meio à crise, a Record achou melhor fazer uma impressão mais conservadora.

“Acho que a compra por impulso não acabou, mas as pessoas estão mais conservadoras. Preferem comprar o que já conhecem”, diz Machado, acrescentando que, pelos números que tem visto, as vendas não são só de leitores antigos de tais livros, mas de pessoas que chegam a eles também pela primeira vez.

Fonte: Maurício Meireles, Folha de S.Paulo, 22.mai.2020 às 16h25.

Mercado de livros se prepara para pior crise da história com novo coronavírus

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O clima azedou. Com o pânico gerado pela pandemia do novo coronavírus e o fechamento das livrarias —bem de como quase todo o varejo—, o mercado editorial ainda busca soluções para atravessar uma crise que é vista como sem precedentes em sua história. Enquanto não se chega a uma solução, se é que haverá alguma, o ambiente é de desentendimento.

Embora o comércio online já seja responsável por cerca de 45% do faturamento, segundo números da Nielsen Bookscan, as livrarias físicas ainda são o cerne do negócio. E as duas maiores delas já estão em apuros. Depois de primeiro pedir a renegociação, a Saraiva anunciou a suspensão dos pagamentos por tempo indeterminado. Nesta semana, a Cultura fez o mesmo em comunicado a seus fornecedores.

As duas já haviam sido responsáveis, nos últimos anos, por uma profunda crise no setor livreiro —atrasando pagamentos em uma bola de neve, que culminou na entrada em recuperação judicial das duas empresas, no ano passado.

Desta vez, é claro, elas não estão sozinhas. Por isso, todas as livrarias mais importantes já pediram renegociação de prazos com editores, gerando um nó na cadeia difícil de desatar. Com o fechamento das lojas, o natural é que o faturamento de cada livraria caia a zero imediatamente, no caso das que não tenham operações relevantes de ecommerce.

Ainda é cedo para ter números exatos, mas é preciso trabalhar com projeções —e o mercado prevê uma retração imediata que fica entre 60% e 70% do faturamento. Isso se o varejo reabrir daqui a dois meses. Mesmo que isso aconteça, em algumas editoras a queda pode chegar a 50% no fim do ano.

Essa crise encontra um mercado menos exposto a uma eventual falência da Cultura. Depois da novela que resultou na recuperação judicial, a empresa vinha enfrentando dificuldades em retomar sua credibilidade com editores —eles vinham restringindo o crédito à rede e vendendo livros em quantidades menores e com prazos de pagamento mais curtos. Novos atrasos já haviam ocorrido no ano passado com editores pequenos e médios.

Já no caso da Saraiva, o cenário é mais sombrio, sobretudo com grandes editores, porque casas menores não costumam vender lá. A rede havia conseguido convencer os credores de sua recuperação, e eles voltaram a fornecer à livraria —obviamente, uma pandemia global não estava nos planos. O receio, como se comenta à boca pequena, é que o coronavírus seja a pá de cal nas duas redes.

Ao mesmo tempo, a Amazon, que já conseguira surfar na crise anterior e crescer de forma sólida, é a única que continua pagando —e agora pode conquistar uma fatia maior do mercado de livros.

O cerne da desavença é simples de entender: Fora no caso das livrarias em que há percepção de risco, o setor livreiro ainda trabalha de forma significativa com a consignação. Ou seja, as livrarias deveriam acertar agora em março, por exemplo, o pagamento de livros vendidos em janeiro. O dinheiro recebido antes do fechamento do varejo, portanto, elas têm no caixa.

“Essa suspensão do pagamento imediato, sendo que as livrarias já pagam com 60 dias de prazo, nos pareceu absurdo e unilateral. Deixou todo mundo numa situação bastante desconfortável. Parece de certa forma oportunista, aproveitando a crise para salvar só a sua pele”, diz Pedro Almeida, da Faro Editorial, sugerindo que elas paguem pelas vendas até o fechamento do varejo.

O cenário resultou, nesta semana, em uma dura carta de mais de cem editoras independentes falando em “quebra de confiança” das relações comerciais, exigindo o pagamento e ameaçando cobrar os valores na Justiça. É raro, num setor de relações aparentemente cordiais, agentes do mercado tornarem públicos seus conflitos, o que dá ideia da dimensão do impasse.

“Vindo de dois anos tão terríveis, ninguém estava preparado para, de uma hora para outra, o faturamento cair a zero”, diz Elisa Ventura, dona da Blooks, uma das primeiras a fechar. “A forma como as editoras estão se posicionando não me parece a melhor forma de conversarmos. Ninguém está querendo dar calote em ninguém. O pouco dinheiro que eu tinha usei para colocar meus funcionários de férias e não demitir, pelo menos nesse primeiro momento.”

Alexandre Martins Fontes atua nas duas frentes, com a editora e a livraria que levam seu sobrenome. Como livreiro, ele pegou as editoras cujas vendas são responsáveis por 70% do seu faturamento —as grandes, portanto— e já está renegociando prazos. Com as responsáveis por 30% das receitas, as menores que divulgaram a carta, ele planeja continuar pagando como combinado.

“O lado do livreiro é o seguinte —o que tenho a pagar são acertos de consignação. Livros que, de fato, eu já vendi e teria não só condições mas obrigação de pagar, como faço há 60 anos. Mas a situação é que, se pagarmos rigorosamente tudo, ficamos sem fluxo de caixa. O que estamos fazendo é uma socialização do prejuízo”, diz ele.

“Mas seria ridículo pensar que quem vai pagar a conta são os editores. Não são. Por isso estamos separando o joio do trigo, vendo qual editor tem mais capital e podemos atrasar o pagamento e quem é pequeno e pode fechar se fizermos isso.”

Em sua editora, a WMF Martins Fontes, já começou a sentar à mesa com todas as livrarias para renegociar. E reconhece que o impacto com a Saraiva é maior, porque já não vinha fornecendo para a Cultura.

As editoras já apertaram o cinto, diminuindo ou adiando por tempo indeterminado seus lançamentos —caso de Sextante, Record, Companhia das Letras e outras—, mas sabem que a situação não pode durar muito. As vendas online não devem compensar o impacto, sobretudo porque, em um cenário de incerteza quanto ao futuro, haverá retração do consumo na economia como um todo.

O consultor financeiro André Castro, que atende casas médias e pequenas, já está refazendo o orçamento de seus clientes e teme um cenário de quebradeira no mercado —primeiro, entre as livrarias e, depois, entre editoras.

“Estou trabalhando com uma previsão de 60% de queda, porque precisamos trabalhar com uma previsão, mas ainda não dá para saber com certeza. É preciso cortar gastos”, diz.

“Muito editor, é claro, fica irritado com os livreiros —se eles já fizeram as vendas, poderiam pagar, eles dizem. Mas não é assim que funciona. São empresas com caixa apertado, que antecipam seus recebíveis. Quando a roda para, elas não conseguem pagar a conta de hoje. Qualquer pessoa que trabalha dessa forma quebra na hora.”

Mas é claro que editoras também começarão a quebrar se não receberem, num cenário de cobertor curto. Todas elas, obviamente, têm contas e funcionários a pagar. As livrarias serão fundamentais numa eventual retomada das vendas, mas o dilema na equação é como fazer todos sobreviverem.

Quem sofre também é a multidão de colaboradores —revisores, tradutores, designers— que, como no resto do mercado cultural, são freelancers. Se os lançamentos são interrompidos, todos ficam sem trabalho.

Além das mudanças nos planos de lançamentos, já se buscam soluções. A Companhia das Letras, por exemplo, ofereceu às livrarias que usem a logística da editora para fazerem vendas online —tanto as que já tinham operações na internet quanto as que não. Quase 60 livrarias já aderiram ao projeto, como Blooks, Leonardo da Vinci e Martins Fontes, entre outras. A casa também pagará o frete.

“Não é possível que o governo brasileiro não se mova. Agora temos anúncios promissores do BNDES, de linhas de crédito mais simpáticas, mas não combinaram com os russos. Depende dos agentes financeiros, os bancos privados, que estão com o freio de mão puxado”, diz Rui Campos, dono da Travessa, acrescentando que a prioridade agora é manter os empregos.

O conselho do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas de São Paulo divulgou um documento com uma série de propostas que vão desde a isenção de IPTU para editoras e livrarias até a compra de livros pela prefeitura, passando pela criação de uma linha de crédito com condições de pagamento generosas.

Já a Câmara Brasileira do Livro sugeriu medidas ao Ministério da Economia e ao BNDES. Entre elas está o pedido de que se adie o pagamento do imposto de renda, contribuição social e INSS, além da abertura de linhas de crédito —no caso do BNDES, que já tem linhas de financiamento, eles pedem que, entre os itens nos quais o dinheiro pode ser usado, seja incluído o pagamento dos funcionários e o capital de giro.

Costa, o consultor financeiro, contudo, acha que apenas mais crédito não vai resolver o problema. “Não adianta o governo vir com empréstimo. Para não provocar desemprego em massa na cadeia, é preciso fazer a roda girar. E o único jeito que vejo é fazer uma compra grande, de preferência das livrarias.”

Fonte: Maurício Meireles, Folha de S.Paulo, Atualizado: 27.mar.2020 às 15h47.

Livrarias Saraiva e Cultura acumulam perdas mesmo após recuperação judicial

As livrarias Saraiva e Cultura continuam acumulando prejuízos, a despeito das duras medidas que adotaram para tentar sobreviver à crise que atinge o mercado editorial brasileiro nos últimos anos.

As duas empresas, que estão em processo de recuperação judicial, já fecharam 54 lojas —38% do total— desde 2017 e demitiram 2.451 funcionários —47,8%. Mesmo assim, continuam a operar no vermelho.

Prestes a perder o posto de maior rede de livrarias físicas do país para a Livraria Leitura, de Minas Gerais, a centenária Saraiva teve um prejuízo líquido de R$ 155,4 milhões de janeiro a novembro de 2019. 

A empresa, que chegou a ter 112 lojas em 2017, hoje trabalha com 73 e responde a 30 ações de despejo na Justiça. No final de 2018, sem conseguir pagar dívidas de R$ 675 milhões, recorreu à recuperação judicial para ter fôlego e tentar evitar a decretação da falência.

Recuperação judicial é um mecanismo pelo qual a Justiça suspende as ações de execução por 180 dias, prazo no qual a empresa deve apresentar um plano de pagamento aos credores, que precisa ser aprovado por eles em assembleia.

Livraria Saraiva

No caso da Saraiva, os fornecedores exigiram e obtiveram o afastamento do CEO, Jorge Saraiva Neto, bisneto do fundador, que começou o negócio como um sebo no centro de São Paulo.

O novo conselho de administração escolheu para ocupar o cargo o executivo Luis Mario Bilenky, que já foi presidente da Blockbuster e diretor de marketing do McDonald’s para a América Latina.

“O cenário é de atenção, mas com perspectiva de melhora”, afirma o advogado Ronaldo Vasconcelos, administrador nomeado pela Justiça para acompanhar o processo de recuperação da Saraiva. “Com a profissionalização da gestão, deverá voltar a dar lucro ao longo deste ano.”

Ainda que deficitário, o último balanço da rede mostra que o prejuízo de novembro de 2019, de R$ 13,25 milhões, foi 54,5% menor na comparação com o mesmo mês do ano anterior, de R$ 29,14 milhões.

No início de janeiro, Vasconcelos apresentou um parecer apoiando o plano da Saraiva de vender galpões e um terreno que tem em Guarulhos, avaliados em R$ 24,5 milhões.

“Sem capital de giro, a empresa não terá como honrar seus compromissos e manter o abastecimento regular de suas lojas e do site”, disse.

Da mesma forma que a Saraiva, a Cultura enfrenta dificuldades e está em recuperação desde 2018 por não conseguir pagar dívidas de R$ 285,4 milhões. No ano passado, apesar das medidas de ajuste, acumulou até novembro um prejuízo líquido de R$ 37,7 milhões.

Para manter suas atividades, a rede pretende vender, em leilão no dia 30 de janeiro, a Estante Virtual, plataforma online de venda de livros usados, que tem cerca de 4 milhões de clientes.

O site foi comprado pelo grupo em 2017, no auge do processo de expansão da empresa criada 70 anos antes na sala de estar de sua fundadora, Eva Herz. À época, ela se chamava Biblioteca Circulante e era um modesto empreendimento de aluguel de livros.

Com o sucesso, o negócio virou uma livraria em 1950. Dezenove anos depois, quando passou a ser gerido por Pedro Herz, filho de Eva, migrou para o Conjunto Nacional, na avenida Paulista, sua principal loja. 
Em 2017, além do Estante Virtual, a Cultura incorporou também a subsidiária brasileira da francesa Fnac.

Na ocasião, a notícia do negócio surpreendeu o mercado devido à situação financeira já delicada da livraria em meio à crise econômica do país.

Em documento enviado à Justiça, a administradora Alvarez & Marsal, nomeada para acompanhar o processo de recuperação da empresa, apontou a estagnação da economia brasileira, a partir de 2014, como uma das principais razões para o sufoco da livraria. “A redução do PIB em quase 10% impactou negativamente o consumo de livros”, afirma o texto.  

Outro fator, segundo o documento, seria a nova geração de consumidores, “que não tem o hábito de ler livros, preferindo assistir a séries de TV e interagir nas redes sociais”.

Segundo estudos da Câmara Brasileira do Livro, com base em informações prestadas pelas editoras, houve uma queda de 26,7% na quantidade de exemplares vendidos no país entre 2013 e 2018.

Foram 479,9 milhões de obras comercializadas no primeiro ano desse período, considerando o mercado normal e o de compras governamentais, contra 352 milhões no ano em que as duas livrarias entraram em recuperação, em 2018. Ou seja, 127,9 milhões a menos.

Outra pesquisa, o Painel do Varejo de Livros no Brasil, produzida pela Nielsen e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros com dados de varejistas, entre eles livrarias, supermercados e a Amazon, mostra que o mercado encolheu mais uma vez no ano passado

Mesmo que tenha registrado crescimento em dezembro, quando o faturamento do setor atingiu R$ 188 milhões —valor 6,61% superior em relação ao mesmo mês de 2018—, o acumulado do ano foi de cerca de R$ 1,7 bilhão —R$ 115 milhões a menos. O volume de vendas também foi menor em 2019, com decréscimo de 6,35% se comparado a 2018.

Procuradas, as duas redes de livrarias não quiseram se manifestar sobre os prejuízos acumulados até o momento.

À Justiça, a Saraiva afirma que o “objetivo é superar gradativamente as dificuldades” e que a crise é momentânea.

Em documento anexado ao processo, a Cultura diz que seu futuro é promissor. “As décadas futuras provavelmente reservarão ao grupo crescimento tão ou mais expressivo do que aquele já experimentado ao longo de sua história.”

Fontes: Rogério Gentile e Bruno Molinero, Folha de S.Paulo, 24/2/2020

Inteligência Competitiva Empresas: livraria Lello completa 113 anos com recorde de venda de livros

Mesmo sendo um dos principais pontos turísticos do Porto, e frequentemente aparecendo nas listas internacionais de “livrarias mais bonitas do mundo”, a centenária Lello esteve muito próxima da falência. A virada aconteceu em 2015, quando os donos decidiram cobrar pela entrada, mas oferecendo o valor do ingresso como um vale-desconto na compra de livros.

O esforço deu resultados rápidos. De lá para cá, a venda de livros aumentou quase 584%, colocando a livraria como uma das campeãs de negócios em Portugal. E mais: a verba extra permitiu a restauração das instalações, que já andavam deterioradas pelo tempo, e o investimento em novos horizontes literários.

Por isso, a Lello fez uma grande festa para comemorar seu aniversário de 113 anos, no último dia 13.

Na ocasião, a livraria aproveitou para anunciar uma oferta pública para comprar exemplares da primeira edição de três obras, com destaque para “Os Lusíadas”, de Luís de Camões, maior clássico da literatura lusitana. Pelo livro, publicado em 1537, a Lello está disposta a pagar 250 mil euros (cerca de R$ 1,1 milhão).

Harry Potter

A livraria também está disposta a comprar por 70 mil euros (aproximadamente R$ 300 mil) a primeira edição, em inglês, de “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, de J. K. Rowling.

Ator vestido de Harry Potter anima a longa fila para entrar na livraria | Foto: Pedro Sardinha/Divulgação/Lello
Ator vestido de Harry Potter anima a longa fila para entrar na livraria | Foto: Pedro Sardinha/Divulgação/Lello

A oferta tem uma explicação simbólica: a Lello e sua escadaria vermelha fazem parte do universo do bruxo de Hogwarts. A autora, apesar de britânica, viveu durante alguns anos no Porto e se inspirou na livraria para compor a atmosfera da biblioteca da escola de magia.

Os fãs da saga de Harry Potter costumam lotar a livraria. Não é raro ver alguém fantasiado ou mesmo ostentando símbolos ligados à saga internacional.

Planos

Segundo a direção da Lello, cerca de 40% dos visitantes da livraria acabam comprando livros, o que, em 2017, garantiu uma média de 1.300 obras vendidas por dia. Antes da cobrança de entrada –atualmente em 5 euros (R$ 21,3)– a média era de 190 livros por dia.

Os números de 2018 ainda não foram fechados, mas os dados preliminares já indicam expansão.

“Somos provavelmente a única livraria do mundo que cobra entrada, mas não nos afastamos da nossa vocação livreira. Pelo contrário, somos grandes divulgadores da literatura”, diz Amélia Martinho, presidente da empresa, que defende que os vouchers com o preço da entrada ajudam a transformar os visitantes em leitores.

Amélia Pinto, presidente da Lello | Foto: José Caldeira/Divulgação/Lello
Amélia Pinto, presidente da Lello | Foto: José Caldeira/Divulgação/Lello

A administradora da Lello destaca o papel da livraria na divulgação da cultura portuguesa. “Temos obras portuguesa traduzidas em várias línguas. Somos o maior exportador de cultura e de literatura nacional”, completa.

Como a maior parcelo do público é composta por turistas, a Lello investe também em livros escritos em outras línguas, sobretudo em inglês, espanhol, francês e alemão.

As traduções de autores portugueses para esses idiomas fazem sucesso. Embora nesse quesito o poeta Fernando Pessoa lidere com folga, o aumento da demanda pela obra de vários escritores deu novo fôlego à edição de traduções, resgatando livros que há muito tempo não eram editados.

Fonte: Giuliana Miranda, Folha de S.Paulo, 20.jan.2019 às 7h00

Sinais de Mercado: Renda de escritores com livros caiu 42% desde 2009, mostra estudo

Ernest Hemingway
O escritor Ernest Hemingway Foto: Gatsbe Exchange

Escrever nunca foi uma escolha de carreira lucrativa, mas um estudo recente da The Authors Guild, uma organização profissional para escritores, mostra que talvez nem mesmo seja mais aceitável. De acordo com os resultados da pesquisa, o salário médio para os escritores em tempo integral foi de US$ 20,3 mil em 2017, e esse número diminuiu para US$ 6,08 mil, quando os escritores de meio período foram considerados. Este último número reflete uma queda de 42% desde 2009, quando a mediana foi de US$ 10,5 mil. Essas descobertas são o resultado de um extenso estudo de 2018 de mais de 5 mil autores de livros publicados, através de gêneros e incluindo escritores tradicionais e os que publicaram seus próprios livros.

O declínio nos ganhos também se deve em grande parte à participação do leão da Amazon no mercado de publicações próprias, e-book e revenda, segundo Rasenberger. O conglomerado cobra comissão e taxas de marketing para os editores que, segundo Rasenberger, essencialmente impedem que seus livros sejam escondidos no site. Editores pequenos e independentes, que têm menos recursos e poder de barganha, foram particularmente atingidos. As editoras estão passando essas perdas para os escritores na forma de royalties e adiantamentos mais baixos, e os autores também perdem receita com livros revendidos na plataforma.

De certa forma, essas mudanças estão de acordo com uma mudança geral em direção a uma economia de “bicos” ou “venda sob pressão”, nas quais as pessoas viram-se com uma variedade de empregos para compensar a falta de uma renda estável. Mas a indústria da escrita como um todo sempre escapou à padronização nos salários. Em uma conversa com Manjula Martin no livro Scratch: Writers, Money, and the Art of Making a Living(Trabalho duro: escritores, dinheiro e a arte de ganhar a vida, em tradução literal), editado por Martin, Cheryl Strayed disse: “Não há outro emprego no mundo onde você obtém seu mestrado nesse campo e onde, bem, eu poderia ganhar nada ou eu poderia ganhar US$ 5 milhões! “

Em um telefonema recente, Martin disse que “as pessoas que são capazes de praticar o comércio de ‘autoria’ são pessoas que têm outras fontes de renda”, acrescentando que isso cria barreiras de entrada e limita os tipos de histórias que atingem um público amplo. Há também, acrescentou, uma desvalorização da escrita que é frequentemente encarada como um hobby em oposição a uma valiosa vocação.

“Todo mundo acha que pode escrever, porque todo mundo escreve”, disse Rasenberger, referindo-se à proliferação de mensagens de texto casuais, e-mails e tuítes. Mas distingue esses dos escritores profissionais “que trabalham em seu ofício e arte de escrever há anos”.

“O que um escritor profissional pode transmitir em palavras escritas é muito superior ao que o restante de nós pode fazer”, disse Rasenberger. “Como sociedade, precisamos disso, porque é uma maneira de cristalizar ideias, fazer com que vejamos as coisas de uma maneira nova e criar uma compreensão de quem somos como pessoas, onde estamos hoje e para onde estamos indo.” / Tradução de Claudia Bozzo 

Extinção do escritor?

O relatório final da 2018 Author’s Income Survey, pesquisa realizada pelo Sindicato de Autores dos EUA, aponta para o “perigo de extinção” da profissão de escritor. De acordo com o documento, disponível no site da organização, entre os participantes que se dedicam exclusivamente ao ofício de escrever e que já foram publicados anteriormente, 57% colheram toda sua renda de atividades relacionadas à escrita no ano de 2017. No entanto, boa parte desses ganhos não vieram dos direitos autorais ou da venda de exemplares, mas sim de palestras, cursos ministrados, ghostwriting, edição e tradução de outros autores. Os que não dependeram de nada além de seus próprios livros para viver em 2017 somam apenas 21% dos entrevistados. 

A pesquisa mostra que, embora a quantidade de publicações impressas venha decrescendo – hoje há cerca de 60% menos jornalistas trabalhando exclusivamente nesse tipo de veículo em relação à década de 1990, de acordo com o Bureau of Labor Statistics –, os escritores não conseguem converter sua renda para a escrita na internet. A renda dos autores com conteúdo online não superou o salário mínimo americano (US$ 7,25 por hora), apesar de 52% dos escritores terem diplomas de ensino superior nos EUA.

Graças a esses fatores, o relatório indica que os autores têm cada vez menos tempo disponível para dedicar à escrita de suas obras literárias. Apenas com o marketing dos livros, os entrevistados gastaram, em média sete horas e meia por semana, 14% a mais do que em 2013, sendo que nesse intervalo de tempo, apenas 8% dos autores entrevistados relataram aumentos em seus ganhos com livros.

Por volta de 25% dos escritores afirmaram não ter tido nenhum centavo de lucro com livros no ano de 2017. Levando-se em consideração apenas os que se dedicam em tempo integral ao ofício literário, esse número cai para 18%.

O único grupo que passou por um aumento significativo nos ganhos foi o de autores autopublicados, que ganharam 95% a mais com seus livros entre 2013 e 2017. Apesar disso, esses escritores ainda faturam 58% a menos diante dos autores publicados por editoras tradicionais. /André Cáceres

Fonte: Concepción de León, The New York Times/ESTADÃO,12 Janeiro 2019 | 16h00


A crise que rouba livros

Atoladas em dívidas, a Livraria Cultura e a Saraiva pressionam o mercado de livros. O futuro das editoras, que dependem das duas grandes redes, é incerto

Quando a septuagenária rede de livrarias Laselva entrou com um pedido de recuperação judicial em 2013, com dívidas acumuladas em R$ 120 milhões, poucos imaginavam que aquilo seria um presságio de maus tempos para o setor editorial brasileiro.

A empresa, que chegou a ter 83 pontos de venda – a maioria em aeroportos –, não conseguiu arcar com o plano traçado para a sua recuperação, deixando mais de 600 credores e centenas de funcionários na mão. Como consequência, a Laselva teve de fechar suas últimas três lojas em março deste ano, data em que a Justiça de São Paulo decretou sua falência.

Durante esse mesmo período de declínio da tradicional rede, os dois principais nomes do mercado, Cultura e Saraiva, experimentavam uma expansão acelerada pelo País, financiada por linhas de crédito do BNDES e empréstimos com os bancos privados.

A aposta no crescimento, no entanto, deu errado. Desde o fim de 2013, o setor editorial acumula perdas consecutivas, com um decréscimo de R$ 1,73 bilhão em suas receitas. Com dívidas elevadas, Saraiva e Cultura lutam para manter as portas abertas. “Isso era uma crise anunciada, pois existe uma pressão de custos que é insuportável, tanto fiscal quanto operacional”, diz Bernardo Gurbanov, presidente da Associação Nacional das Livrarias (ANL).

“O mercado de livros vai ter que voltar às origens. Esse efeito sanfona de expansão e retração está mostrando os seus limites.” Voltar às origens significa trabalhar com menos lojas e com espaços reduzidos, mas mantendo o foco em livros, uma alternativa possível para voltar a crescer.

A Saraiva, por sua vez, também apresenta problemas financeiros de longa data. Uma análise dos resultados trimestrais dos últimos dez anos mostra que as margens da atividade principal vêm encolhendo de maneira gradual, mas irreversível. No segundo trimestre de 2008, ao faturamento – corrigido pela inflação – de R$ 343 milhões corresponderam um lucro bruto de R$ 140 milhões, com margem de 40,8%. A última linha do balanço, porém, já mostrava um prejuízo líquido de R$ 22,3 milhões, decorrente de um salto nas despesas administrativas naquele trimestre.

Fonte: ISTOÉ Dinheiro, Felipe Mendes, 

Inteligência Competitiva: Livro de Satya Nadella, CEO da Microsoft, é lançado no Brasil

O presidente-executivo da Microsoft, Satya Nadella, autor de ‘Aperte o F5’, durante conferência em Paris – AFGerard Julien – 24.mai.2018/AFPP

Ao se tornar o terceiro presidente-executivo da história da Microsoft, em fevereiro de 2014, o indiano Satya Nadella assumiu o dever de reconstruir a cultura da empresa e dar novos rumos para seus negócios.

A companhia sofria, de um lado, com o acúmulo de burocracias internas e disputas pelo poder, e, de outro, com o encolhimento do mercado de computadores, que perdiam espaço para smartphones.

O executivo, que já estava na empresa há mais de duas décadas, narra como enfrentou esses desafios durante sua ainda curta jornada à frente da companhia no livro “Aperte o F5”, em referência a tecla do computador usada para atualizar páginas na internet.

Na obra, Nadella descreve a busca da Microsoft por deixar de estar apenas associada ao Windows e mostra como a empresa procura destaque em áreas emergentes como computação em nuvem, inteligência artificial, realidade aumentada e computação quântica.

Aperte o F5

Para apresentar as oportunidades futuras, Nadella segue um formato bem desenhado e pouco empolgante.

Talvez para agradar a clientes e a funcionários, o autor faz uma breve apresentação de cada assunto, trata da importância dele para a Microsoft, cita projetos e conta que determinado executivo trabalha com isso na empresa.

Não há grandes revelações sobre os bastidores dessas transformações, relatos de discussões acaloradas na empresa nem explicações convincentes sobre negociações bilionárias da Microsoft, como a compra da Nokia (que Nadella foi contra) e do LinkedIn.

O que o livro tem em abundância são jargões insossos do mundo corporativo, como “criar uma cultura de crescimento”, “conectar a empresa com a missão de empoderar pessoas” e “redescobrir a alma da Microsoft”.

O relato de Nadella sobre sua vida pessoal também parece deixar muito de fora. Sem fatos extraordinários, o autor escreve sobre sua família, seus estudos na Índia e sua paixão pelo críquete, esporte popular em seu país natal.

A exceção fica para os trechos em que o executivo trata de seu filho, que nasceu paralisia cerebral..

A experiência deu ao executivo um senso de responsabilidade ao mostrar o impacto que tecnologias podem ter para melhorar a vida de pessoas, em especial as com limitações físicas. Também auxilia o autor em uma defesa enfática e convincente a respeito da importância da empatia em relação aos clientes na hora de fazer negócios.

Nadella é da mesma forma contundente quando deixa de fazer propaganda de si e da empresa e trata do equilíbrio delicado entre privacidade de usuários e tentativas de governos de obter esses dados para investigações criminais.

Ele defende a criação de leis para reger essas solicitações de informações, que só devem ser atendidas quando há provas de crimes e devem ser acompanhadas por órgãos independentes, escreve.

Também fica acima da média o capítulo em que o executivo trata da ambiguidade na relação das empresas de tecnologia. Mostrando que as mesmas companhias podem ser rivais e parceiras em negócios diferentes, Nadella escreve sobre o lançamento de aplicativos da Microsoft para iPhones e como isso teria sido uma quebra de paradigma.

Causa estranheza que, mesmo com as críticas duras de Nadella ao estado em que encontrou a Microsoft, seus predecessores, Bill Gates e Steve Ballmer, saiam praticamente ilesos após a leitura do livro.

Nadella pode estar se arriscando em várias frentes e fazendo um bom trabalho no comando da empresa. Porém seu texto pouco arrojado indica que a maior parte da história ainda está por ser escrita.

Aperte o F5: A transformação da Microsoft e a busca de um futuro melhor para todos

Preço R$ 39,90 (264 págs.), Autor Satya Nadella, Editora Benvirá

Fonte: Filipe Oliveira, 28/7/2018 

Sinopse

Transformação. Essa é a palavra-chave que permeia todas as páginas deste livro. “Aperte o F5” aborda tanto a transformação pessoal pela qual passou Satya Nadella – atual CEO da Microsoft, que sucedeu Steve Ballmer e Bill Gates e teve que aprender a ser líder – quanto todas as mudanças de valores e estratégia de uma das empresas mais conhecidas e renomadas do mundo. Em meio a tudo isso, fala ainda da empolgante transformação tecnológica que estamos prestes a vivenciar: inteligência artificial, realidade mista e computação quântica não são mais conceitos restritos à ficção científica e prometem alterar completamente as relações entre pessoas e máquinas.

Como a humanidade lidará com essas mudanças? Será que a desigualdade vai ser eliminada ou vai se agravar ainda mais? Qual o papel da Microsoft nesses tempos de inovação? E qual o papel do próprio Nadella como líder da empresa que pode revolucionar nossa vida? “Aperte o F5” traz as reflexões de um improvável mas dedicado líder em busca de melhorias – para ele próprio, para a Microsoft e para a sociedade, motivando líderes do mundo todo a pensar no futuro com novos olhos.

Referências Bibliográficas Clássicas para ler e produzir conhecimento sobre Inteligência Competitiva

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10 Must-Read Design Books To Get You Ready For 2018

[Cover Image: Foundation Capital]

The Way To Design, by Steve VassalloIn his book, entrepreneur and former Ideo design engineer Steve Vassallo outlines how designers can launch their own businesses and how startup founders can make design the foundation of their operation. One of his strategies? Move beyond empathy. The book is available as a free download here.

[Cover Image: Princeton Architectural Press]

Never Use Futura, by Douglas ThomasHelvetica might be the typeface everyone knows by name, but it’s Futura–and its myriad derivatives–that’s more storied and conspicuous. Douglas Thomas charts the typeface’s history, from its philosophical origins to its rip-offs, in this book, available on Amazon.

[Image: The Monacelli Press]

SuperDesign: Italian Radical Design, by Maria Cristina Didero et. al.2017 was filled with social unrest and designers lent their expertise to communicate the cultural pulse. In the 1960s and 1970s, Italian designers were doing the same by protesting fascism, consumerism, and inequality through art-led designSuperDesignavailable from the Monacelli Press, chronicles this movement.

[Image: Batsford]

Post-Modern Buildings In Britain, by Geraint Franklin and Elain HarwoodThe whimsical, irreverent, and often wacky architecture of the late 1970s and 1980s was a refreshing break from the rigid modernist buildings that preceded them. Now, they’re under threat of erasure as redevelopment plans put many of these structures in jeopardy. Reading about the movement, and how architects broke with the past, is apt for today. For more, visit pavilionbooks.com.

[Cover: Basic Books]

The New Urban Crisis, Richard FloridaThe title of urbanism theorist Richard Florida’s latest book–The New Urban Crisis: How Our Cities are Increasing Inequality, Deepening Segregation, and Failing the Middle Class and What We Can Do About It–outlines the defining tensions in our cities today. In earlier writing, Florida defined many of the progressive notions about how the creative class could drive social and economic progress, but these notions have fallen short. In this book, he reckons with the failings and promise of his theories, and suggests course corrections to help cities become more equitable.

[Image: Princeton Architectural Press]

Now You See It–And Other Essays In Design, by Michael BierutThe way a creative’s brain works is an enigmatic mix of impulse, process, and intuition. In his latest book, Pentagram partner Michael Bierut, one of the most respected designers and design writers of his generation, invites readers to peek into his mind. Through 50 essays that explain how he picks a typeface and how he created Hillary Clinton’s presidential campaign logo, Bierut demystifies design. The book, available from Princeton Architectural Press, stands to teach other designers new strategies and design fans new appreciation for the craft.

[Image: courtesy MIT Press]

The Strip: Las Vegas And The Architecture of the American Dream, by Stefen AlThe cities and structures we build both reflect and shape culture. In The Strip, University of Pennsylvania professor Stefan Al argues that the most distinctly American city is Las Vegas and its evolution embodies the metamorphosis of the American dream. Truly understanding the state of the United States could begin by dissecting Vegas.

[Cover Image: courtesy Visual Editions]

A Universe Explodes, by Tea UglowThanks to the ever-rising value of Bitcoin, the blockchain–a secure technology that enables transactions–is becoming common parlance. This experimental e-book from Tea Uglow, a creative director at Google Creative Lab Sydney, explains how it works in an artful format. The blockchain will likely define even more innovations in the future and mastering its underpinnings will be important.

[Cover Images: Melville House]

Brolliology: A History of the Umbrella in Life and Literature, by Marion RankineWhen it rains, people whip out umbrellas, and they are more or less identical in function and construction. But within this helpful invention lies a hidden story about class warfare, bigotry, and urban design. The way our world looks and works today is a function of societal values, from the seemingly small moments, like umbrellas, to larger systems, like cities. By analyzing values through an object most of us use, Marion Rankine arms us with questions we should be asking about every other element of the designed world. Find the book on Amazon.

[Cover Image: Chronicle Books]

I Fought The Law, by Olivia LocherOur legal system is plagued with enormous injustices and is due for reform. And as photographer Olivia Locher documents in I Fought The Law, there are plenty of small obscure laws that deserve an overhaul, too. She researched little known laws in all 50 states and photographed people breaking them for her book. For example, it’s illegal in Kentucky and Georgia to have an ice cream cone in your back pocket, a holdover from a trick thieves in the 1800s used to steal horses. The book is a cheeky look at how out of date and out of touch our justice system can be.