Klabin lança plataforma digital para se aproximar de seus investidores

Maior produtora e exportadora de papéis para embalagem e de embalagens de papelão ondulado do país, a Klabin lançou uma plataforma digital de conteúdo, a Klabin Invest, para se aproximar dos investidores, em particular pessoa física, cuja presença na base acionária da companhia se tornou relevante.

Desde 2019, aponta o diretor financeiro e de relações com investidores da Klabin, Marcos Ivo, tem havido aumento expressivo de investidores pessoa física em sua base, com um salto de 10 mil CPFs para cerca de 200 mil, acompanhando a tendência do mercado financeiro.

Segundo dados da B3, o número de investidores pessoa física já estava em 3 milhões em setembro. Hoje, esse investidor é responsável por cerca de 20% do volume de negociações de ações na bolsa paulista, observa a companhia.

“Acompanhamos o grande crescimento de números de CPFs na B3 e sabemos da importância do diálogo com esse público. A Klabin Invest fortalece a nossa comunicação com os investidores e abre um novo canal para relacionamento”, diz Ivo, em nota.

A plataforma, disponível nos canais da Klabin no YouTube e no Spotify e com a publicação de conteúdo semanal, aborda informações sobre a empresa, mercado financeiro, sustentabilidade e inovação, entre outros temas.

Conforme Marcos Maciel, gerente de relações com os investidores da Klabin, a intenção na plataforma é simplificar a linguagem complexa inerente ao mercado financeiro e detalhar a atuação da companhia em diversas frentes, incluindo a agenda ESG.

Fonte: Stella Fontes, Valor — São Paulo, 04/05/2021.

Câmbio e pandemia fazem empresas investirem em projetos made in Brazil

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Espessante da Klabin desenvolvida de celulose. Foto: Klabin

Duas explosões simultâneas, a do câmbio e a do coronavírus, estão levando empresas a ampliar o processo de nacionalização de matérias-primas e componentes. A intenção é escapar das importações que estão mais caras diante da valorização de 25% do dólar desde o início da pandemia, da dependência de poucos fabricantes globais e da escassez de produtos de combate à covid-19 por causa da alta demanda mundial.

Diante da falta generalizada de álcool gel, usado para evitar a disseminação da covid-19, a Klabin, fabricante de papéis para embalagens, desenvolveu um espessante em substituição ao carbopol, matéria-prima derivada do petróleo que transforma o álcool líquido em gel. O produto era 100% importado da China e, além da escassez, teve significativo reajuste de preço.

O novo produto é extraído da madeira e foi desenvolvido em apenas duas semanas numa parceria da Klabin com o Instituto Senai de Inovação e com a indústria de cosméticos Apoteka, que produzirá o álcool gel em sua fábrica de Leme (SP).

“Conseguimos, num momento crítico para nós e para o mundo, um substituto do carbopol derivado da microfibra celulósica extraída de nossas florestas o que é muito bom em termos de sustentabilidade pois é um produto renovável”, afirma Carlos Augusto do Amaral Santos, gerente corporativo de P&D da Klabin. A empresa já entrou com pedido de patente.

O novo espessante também tem outras aplicações, como em fórmulas de cosméticos e na própria produção de papel. “Isso abre uma possibilidade grande de mercado interno e, no futuro, de exportar, dependendo da nossa estratégia”, diz Santos.

O economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi)Rafael Cagnin, acredita que haverá algumas mudanças substanciais no País. Para ele, as empresas vão ampliar o número de fornecedores para diminuir a dependência de fabricantes externos.

“A reconversão das plantas (para produção de equipamentos médicos, por exemplo) mostra que temos competência industrial para voltar a produzir e reduzir alguns gargalos”, diz.

Na avaliação do presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, a crise atual escancarou a vulnerabilidade do País em relação ao mercado internacional. “Quando o problema surgiu na China, em pouco tempo sofremos com a falta de peças. Esse nível de dependência de componentes eletrônicos cria uma situação grave.”

Ele acredita que o Brasil tem oportunidade de retomar a nacionalização da sua indústria, mas, para isso, as empresas precisam ser competitivas e, além de atender o mercado interno, também exportar. E isso, diz ele, só será possível com as reformas tributária e administrativa.

ZF, fabricante de transmissões para veículos comerciais, diz que, mesmo em home office, seu pessoal está buscando identificar potenciais fornecedores locais que atendam os níveis de tecnologia de seus produtos.

“Este trabalho tem apoio dos nossos clientes pois, além de reduzir a exposição cambial, minimiza riscos logísticos ante a fragilidade demonstrada por esta pandemia, para não depender de um único fornecedor, principalmente distante e de ação limitada”, afirma Silvio Furtado, diretor da ZF América do Sul.

Cooperativa

O presidente da Volkswagen na América LatinaPablo Di Si, afirma que a empresa já vinha acelerando projetos de nacionalização de peças em razão da alta do dólar. Com a pandemia o processo passa a ser estratégico, e não só no Brasil. 

Di Si admite os planos podem ser atrasados porque as empresas vão sair da pandemia sem caixa para investimentos. Ele sugere a criação de uma cooperativa entre as associações de montadoras e de fornecedores (Anfavea e Sindipeças).

O executivo afirma que a Volkswagen vai introduzir no seu próximo lançamento, o SUV Nivus, uma central de multimídia, chamada de VW Play, desenvolvida no País, assim como o carro. “A tela do sistema (de 10 polegadas) virá da Coreia, mas tenho certeza de que temos competência de produzir no Brasil e utilizá-la no setor automotivo e em outros setores.” Ele cita ainda como passíveis de nacionalização peças para motores e para airbags. 

Um dos critérios a ser avaliado nos pós-pandemia é se vale a pena pagar um pouco mais por um produto nacional para não depender de um só fornecedor, afirma o economista José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados. “Acredito que um pedaço da lógica de que se compra porque é mais barato – ainda que seja do outro lado do mundo –, vai mudar, e não é só para o Brasil.” 

Ele vê oportunidades para fabricantes brasileiros desde que, utilizando tecnologia moderna, consigam fazer algo com custo competitivo. Ele também avalia que qualquer nacionalização será bem vinda, desde que as empresas não recorram a dinheiro do governo. “Tem de ser uma iniciativa do setor privado, que selecione itens que poderão ser feitos sem necessidade de subsídio.”

Fontes: Cleide Silva e Renée Pereira, O Estado de S.Paulo, 05 de maio de 2020.

Horácio Lafer Piva: “mundo sairá mais pobre e angustiado dessa crise e terá de encontrar novas maneiras de lidar com a má distribuição de renda e o ataque ao meio ambiente”

Horácio Lafer Piva

Foto: Horácio Lafer Piva, acionista e membro do conselho da Klabin. Foto: Daniela Ramiro

O empresário Horácio Lafer Piva, acionista e membro do Conselho de Administração da Klabin, vê com preocupação a crise gerada pela pandemia do coronavírus e acredita que os efeitos na economia serão profundos e duradouros. Na avaliação dele, no entanto, o momento é de cuidados para preservar vidas. “Eu defendo isolamento ainda, testes e mais testes, seguido de programa para pessoas com risco, com liberação cuidadosa, parcial e mensurada. Mas isso não imediatamente, creio que temos ainda umas duas semanas pela frente para entender exatamente o cenário e as possibilidades.”

Piva, que já foi presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), elogia a competência do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, mas critica a postura do presidente da República, Jair Bolsonaro. “Ele não faz outra coisa a não ser nos surpreender, e a sua voz e posição, que deveriam ser as mais relevantes, são muito mais problema que solução.” A seguir, a entrevista:

Como o sr. vê os impactos do coronavírus no economia?

Serão muito profundos e duradouros. Esses impactos agem em todas as cadeias de produção e serviços, e sua recuperação levará algum tempo, ultrapassando o ano de 2020. Uma crise histórica, que aconteceu de forma relativamente rápida, mas que levará tempo para cicatrizar. Haverá perda de renda, de capacidade de consumo, de criação de riqueza, de vigor para investimentos, afetando as estruturas de clientes e fornecedores. Não nos entreguemos ao pânico, mas cuidado com um olhar panglossiano.

Há hoje no País uma discussão de qual a melhor forma de combater a economia, se mantém a quarentena ou se libera as pessoas para não devastar a economia. Há um meio termo?

Tem de haver, mas com muito cuidado. Antes, temos de preservar a vida. É hora de tratar do urgente, depois voltaremos ao fundamental. Eu defendo isolamento ainda, testes e mais testes, seguido de programa para pessoas com risco, com liberação cuidadosa, parcial e mensurada. Mas isso não imediatamente. Creio que temos ainda umas duas semanas pela frente para entender exatamente o cenário e as possibilidades.

As medidas anunciadas até agora pelos governos são suficientes?

Creio que os governos estaduais estão mais atentos que o federal. É inegável a competência do ministro da saúde (Luiz Henrique) Mandetta. Mas o presidente (Jair) Bolsonaro não faz outra coisa a não ser nos surpreender, e a sua voz e posição, que deveriam ser as mais relevantes, são muito mais problema que solução. Mesmo a ajuda econômica ainda é modesta e encrencada. Conversas do tipo “antecipação de rendimentos” soam estranhas, pois apenas jogam o problema para frente. Os governos estaduais têm de cuidar, o federal tem de ser mais criativo, generoso, claro e condutor.

O sr. acha que a condução dessa crise no Brasil está no caminho certo?

Começamos tarde, como sempre, mas o ministro (Mandetta) tem pulso, equipe e credibilidade. Me parece que estamos no caminho certo, mas precisamos mais cuidado, mais insumos e mais controle. Depende dele, mas depende também das outras instâncias de Poder, e da própria população se ajudar no que se refere a seguir a ciência, e não às -bobagens que aparecem diariamente.

Qual o reflexo da divergência entre os governantes?

O reflexo é a desinformação, a perda de confiança, o desperdício de recursos e a decepção com nossas lideranças. E vamos combinar que estamos falando dos 3 Poderes, tanto do ponto de vista de suas relações internas quanto aquelas entre eles. Não adiantam ideias boas se o fluxo não funcionar, a agilidade de ação é vital agora. Mas creio que há ao menos foco e bom senso por parte de governadores, prefeitos e boa parte do Congresso e ministros.

Como sairemos dessa crise, uma vez que estávamos saindo de outra grave crise?

É preciso não fugir da realidade, sairemos mais pobres, mais angustiados e mais atrapalhados no que se refere aos desafios empresariais, à questão do desemprego e dos trabalhadores formais e informais, às contas públicas. Nós e todos em diferentes graus. Por outro lado, eu espero que muitos que dizem acreditar num mundo mais xenófobo e menos global estejam errados. E que o que vamos encontrar seja uma nova maneira, mais unidos, de ver e lidar com o que de fato já mostrava o cansaço da natureza com nosso excesso de consumo, acumulação, má distribuição de renda e ataque ao meio ambiente.

Fonte: Renée Pereira , O Estado de S.Paulo, 30 de março de 2020 | 12h21.

Inteligência Competitiva Empresas: Despesa financeira pesa e lucro da Klabin encolhe 79% no trimestre

Lalo de Almeida/ Folha Imagem

Foto: Lalo de Almeida/Folha Imagem

SÃO PAULO – A Klabin registrou lucro líquido de R$ 124,66 milhões no primeiro trimestre de 2018, queda de 79% na comparação com o mesmo período do calendário anterior, apesar da melhora do resultado operacional nessa base de comparação.

A última linha do balanço foi afetada sobretudo por uma despesa financeira líquida de R$ 262,2 milhões, ante receita de R$ 318,4 milhões um ano antes — quando a variação cambial teve efeito positivo sobre a dívida expressa em dólares.

A receita líquida da Klabin avançou 17% ante os três primeiros meses de 2017, para R$ 2,19 bilhões, melhora no mix de vendas e preços internacionais superiores da celulose e de papel kraftliner. Fente ao quarto trimestre de 2017, porém, houve queda de 5%, diante do menor volume comercializado de celulose e cartões revestidos.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado subiu 41%, para R$ 759,6 milhões, com margem Ebitda ajustada de 35%, contra 29% em igual intervalo de 2017. Ao fim de março, a dívida líquida da companhia estava em R$ 11,1 bilhões, com queda de 2% ante dezembro.

Diante disso, a alavancagem financeira, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, caiu de 4,1 vezes no fim de 2017 para 3,8 vezes. Conforme a Klabin, o aumento da receita e a estratégia de disciplina de custos, “em especial na linha de despesas gerais e administrativas”, explicam a forte melhora da margem Ebitda, de 29% no primeiro trimestre de 2017 para 35% no começo deste ano. A empresa investiu R$ 230 milhões no primeiro trimestre de 2018, 9% menos que o valor desembolsado um ano antes.

Fontes: Stella Fontes e Marcelle Gutierrez | Valor, 26/04/2018 às 09h48 

Inteligência Competitiva Empresas: Klabin compra fábricas no PR e AM por R$ 187 milhões

Em entrevista recente, Schvartsman, diretor­-geral da Klabin, disse que o momento é propício para consolidação do setor

Maior fabricante de papéis para embalagens do país, a Klabin ampliou sua liderança no segmento de papelão ondulado com a compra da Embalplan e da Hevi Embalagens, por R$ 187 milhões.

As aquisições, anunciadas ontem, vêm no momento em que muitas empresas do setor enfrentam dificuldades por causa da crise econômica e do elevado preço de matérias-­primas, e marcam o início da operação de conversão de caixas de papelão pela companhia nos Estados do Paraná e do Amazonas.

Líder isolada com participação de quase 17 % no mercado brasileiro de papelão ondulado, a expedição da Klabin em 2015 totalizou 552,2 mil toneladas, segundo dados da ABPO, entidade que representa a indústria.

A segunda maior fornecedora no país é a americana WestRock, dona da Rigesa, seguida da International Paper, que comprou a Jari Celulose, Papel e Embalagens, do grupo Orsa. Há alguns meses já havia expectativa de que a Klabin anunciasse, ainda neste ano, a compra de algum ativo nesse mercado.

Em estudo recente, a consultoria finlandesa Pöyry indicava que o cenário macroeconômico e condições específicas dessa indústria, como elevada pulverização e aumento acentuado do preço de aparas, levariam a uma nova rodada de fusões e aquisições no país. Esse mesmo ambiente possibilitou a chegada da irlandesa Smurfit Kappa no país no início do ano, com a compra de duas fábricas em uma única tacada. Questionado em meados de agosto sobre uma possível rodada de consolidação no setor, o diretor-­geral da Klabin, Fabio Schvartsman, disse que o mercado brasileiro é muito atraente, tendo em vista sua dimensão, o que acaba gerando interesse em empresas estrangeiras.

“O momento é propício para consolidação, tendo em vista o alto custo do papel reciclado, que vem dificultando bastante a operação de empresas que dependem desse tipo de papel”, observou. Com as aquisições, a Klabin eleva em 10%, ou em 7 0 mil toneladas anuais, a capacidade de produção de caixas de papelão ondulado e volta a investir em expansão após o projeto bilionário para produção de celulose em Ortigueira (PR), que entrou em operação em março deste ano.

“A compra da Embalplan e dos ativos da Hevi Embalagens está alinhada com a estratégia de crescimento consistente da Klabin nos mercados onde atua”, informou a empresa em comunicado. Antes de suspender a execução de novos projetos para se concentrar na fábrica de celulose, a companhia concluiu uma série de investimentos em seus ativos de papel e reforçou a presença em mercados que persistiam em rota de crescimento, como o Nordeste.

Na mesma nota de ontem, a companhia disse que a compra dos ativos da Hevi Embalagens já foi concluída, enquanto a aquisição da Embalplan está sujeita à manifestação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). No segundo trimestre, o negócio de conversão representou 28% das vendas em volume da Klabin, o segundo maior peso depois de celulose (com 29%). No intervalo, o volume comercializado pela companhia, sem considerar madeira, totalizou 631 mil toneladas.

A expedição de papelão ondulado no país, porém, vem patinando há alguns anos, entre 3,3 milhões e 3,4 milhões de toneladas anuais. Em 2016, a expectativa é a de queda de mais de 1% ­ até setembro, segundo prévia da ABPO, o declínio era de 1,59%. No ano passado, as vendas desse tipo de embalagem no país caíram 2,8%, a 3,33 milhões de toneladas.

Fonte:  Stella Fontes, Valor, 26/10/2016, 05:00

Inteligência Competitiva Empresas: Klabin compra Embalplan e Hevi Embalagens por R$ 187 milhões

SÃO PAULO ­ A Klabin, maior fabricante de papéis para embalagens do país, anunciou nesta terça-­feira que firmou contrato para compra da Embalplan Embalagens, do Paraná, e que comprou as instalações de produção de papelão ondulado da Hevi Embalagens, do Amazonas, por um valor total de R$ 187 milhões.

Com as aquisições, a companhia eleva em 10%, ou em 7 0 mil toneladas anuais, a capacidade de produção de caixas de papelão ondulado.

Além disso, a Klabin inicia a atividade de conversão de caixas nos Estados do Paraná e do Amazonas. Em comunicado ao mercado, a Klabin informou que a compra dos ativos da Hevi Embalagens já foi concluída, enquanto a aquisição da Embalplan está sujeita à manifestação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A Klabin é líder isolada na expedição de caixas, acessórios e chapas de papelão ondulado, com 552,2 mil toneladas no ano passado, segundo dados da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO).

Fonte: Stella Fontes, Valor, 25/10/2016, 17:21

Inteligência Competitiva Empresas: Klabin foca mercado local com o real valorizado

Desde 2015, a Klabin vem ampliando vendas ao mercado externo, com o objetivo de se beneficiar do câmbio e driblar a fraqueza da economia local. Agora, diante da tendência de valorização do real e de alguns sinais de melhora, a maior fabricante de papéis para embalagens do país avalia voltar o foco ao mercado doméstico e acelerar esse processo à medida que a moeda brasileira se valorize mais.

“O cenário começa a se alterar a partir do terceiro trimestre por uma soma de fatores. O câmbio tem voltado um pouco, concomitantemente a um mercado interno que apresenta alguns sinais de melhora”, disse o diretor ­geral da companhia, Fábio Schvartsman, em teleconferência com analistas.

De abril a junho, 50% das 631 mil toneladas de produtos vendidas (sem incluir madeira) ficaram no país, ante 68% um ano antes. O início das vendas da celulose produzida em Ortigueira (PR) também contribuiu para essa mudança. Praticamente toda a matéria ­prima é exportada.

O executivo disse que as vendas de celulose, de 181 mil toneladas no segundo trimestre, devem subir 80% neste trimestre com o avanço na curva de aprendizagem da nova fábrica.

Do total produzido, cerca de 25% deve ser de celulose de fibra longa e 7 5%, fibra curta, e um terço desses 25% deve ser convertido em fluff. “Isso nos leva a 900 mil toneladas de produção e vendas dentro desse exercício”, disse o executivo. Antes, a Klabin indicava que a produção em Ortigueira ficaria em 810 mil toneladas no ano.

Em relação à celulose fluff, usada em fraldas descartáveis e absorventes, a Klabin já obteve aprovação de 80% de seus consumidores no Brasil. O maior volume de celulose para venda, esforços para ampliar a produção de papéis nas máquinas existentes e iniciativas de redução de custos devem levar a Klabin a mais um trimestre de expansão do resultado operacional. A empresa registrou o 20º trimestre consecutivo de crescimento do resultado (Ebitda), que subiu 37 % na comparação anual, a R$ 538 milhões.

“Com esse conjunto de ações, a Klabin espera continuar apresentando crescimento substancial de Ebitda, assim como ocorreu no segundo trimestre”, disse o executivo.

Por outro lado, a alavancagem financeira deve seguir em queda e chegar a 4,2 vezes no fim do ano (5,2 vezes me junho). Uma das iniciativas é a análise da mudança de foco das vendas do mercado externo para o doméstico, assim como o reforço do mix de produtos e continuidade dos esforços na redução de custos.

A empresa segue avaliando o projeto da nova máquina de cartões e há expectativa de que seja encaminhado à aprovação do conselho de administração ainda em 2016. Antes, a previsão era meados deste ano.

“A máquina 10 de cartões segue em processo acelerado [de conversas] com nossos fornecedores, visando otimizar o ‘capex'”, disse o executivo. Um equipamento para 500 mil toneladas pode custar até US$ 800 milhões.

Fonte: Stella Fontes, Valor Econômico, 28/07/2016, 05:00

Inteligência Competitiva: Klabin deixa prejuízo e registra lucro de R$ 1 bi no 1º trimestre

Divulgação

SÃO PAULO ­ A Klabin, maior produtora brasileira de papéis para embalagens, registrou lucro líquido de R$ 1,07 bilhão no primeiro trimestre, resultado que se compara à perda de R$ 729 milhões apurada um ano antes.

Além da melhora no desempenho operacional, influenciada principalmente pelo aumento das exportações, contribuiu para o resultado final da companhia o forte ganho na linha financeira, que reflete o impacto positivo da valorização do real na parcela da dívida que está expressa em moeda estrangeira.

De janeiro a março, a receita líquida avançou 11,8%, para R$ 1,46 bilhão, com estabilidade nas vendas domésticas e alta de 13% nas vendas externas em volume.

A Klabin tem direcionado volume crescente da produção a clientes no mercado externo, com vistas a contornar o enfraquecimento do mercado brasileiro, beneficiando-­se também do câmbio favorável às exportações.

O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado cresceu 11%, para R$ 512 milhões. A margem Ebitda, porém, ficou estável na comparação anual em 35%. Esse foi o 19º trimestre consecutivo de crescimento do resultado operacional da companhia, em base anualizada.

Na linha financeira, o balanço da Klabin foi beneficiado pela valorização do real, que passou de R$ 3,90/dólar a R$ 3,56/dólar entre a abertura e o fechamento do trimestre. Essa variação gerou um ganho contábil de R$ 1,08 bilhão, que levou a receita financeira líquida de R$ 1,01 bilhão. No mesmo trimestre de 2015, a Klabin havia registrado despesa financeira líquida de R$ 1,38 bilhão.

A alavancagem financeira da companhia em reais, que tem sido pressionada pelos investimentos na fábrica de celulose de Ortigueira (PR), começou a cair no primeiro trimestre. Ao fim de março, a dívida líquida de R$ 12 bilhões representava 5,9 vezes o Ebitda, frente a 6,3 vezes em dezembro.

Fonte: Stella Fontes, Valor Econômico, 28/04/2016, 10:08. Foto: Divulgação