Itaú e XP voltam a brigar em público, agora por causa dos cartões

O recém-lançado cartão da XP

Mais uma vez, Itaú e XP se desentendem em público. Desta vez, o palco foi o LinkedIn e a discórdia envolveu as vantagens relacionadas ao programa de milhagens do recém-lançado cartão de crédito XP Visa Infinite. Em postagem publicada em sua página na rede social ontem à noite, o fundador da XP, Guilherme Benchimol, apresenta um cálculo matemático dos sistemas de fidelidade dos bancos tradicionais e o contrapõe a “vantagens” proporcionadas por seu cartão, ao oferecer benefício em dinheiro e não em milhas. Além disso, lembra que o juro de seu cartão é 50% menor do que dos concorrentes. No ano passado, foi o Itaú Unibanco trouxe uma campanha publicitária na televisão criticando o modelo de remuneração de agentes autônomos, que foi prontamente respondida pela XP.

Além de uma enxurrada de questionamentos de seguidores de Benchimol à respeito do cálculo, o Itaú Unibanco respondeu, por meio de um post também no LinkedIn. O diretor executivo do banco, Carlos Formigari, diz em uma postagem haver necessidade de corrigir equívocos de um de “nossos concorrentes”. Ele rebate várias premissas usadas nas contas de Benchimol, como o uso do dólar para a conversão de pontos ou as amarras para troca das milhagens.

No lançamento do cartão, Benchimol já havia sinalizado que partiria para uma nova briga com os grandes bancos e ampliaria a disputa para outros segmentos além do universo do investimento. Ele comentou sobre a expectativa de que os clientes abandonariam definitivamente os bancões e que trabalhará para destruir as receitas das maiores instituições, acumuladas em cima de tarifas excessivas. No post do LinkedIn, Benchimol aparece em foto com uma tesoura na mão e um cartão, com a chamada corte relação com seu banco.

Procurados, o Itaú Unibanco não comentou. A XP afirmou, em nota, que o Brasil é referência mundial na cobrança de altas taxas de juros nos cartões e que grande parte dos benefícios oferecidos pelos bancos acabam não se materializando ou expirando antes do prazo de validade. Há também a cobrança de taxa de anuidade que impacta negativamente o bolso do cliente. Na mesma nota, a XP convida concorrentes a acabarem com taxas de anuidade, reduzirem juros e oferecerem benefícios cuja escolha seja do cliente e não através de uma matemática complexa, onde muitos sequer entendem e acabam não utilizando completamente os benefícios.

Fontes: Estadão, Cynthia Decloedt e Fernanda Guimarães, 25 de março de 2021.

‘Não estamos conseguindo transmitir confiança ao mercado’, diz presidente do Itaú Unibanco

Candido Bracher
Candido Bracher, presidente do Itaú Unibanco Foto: Valeria Gonçalvez/ Estadão

O presidente do Itaú UnibancoCandido Bracher, afirmou que o Brasil  não está conseguindo transmitir confiança aos mercados. “A taxa de juros futura estava em 8%. É muito elevada. Isso decorre naturalmente um pouco das incertezas naturais da crise, mas que são agravadas pela crise política que nós temos”, avaliou Bracher, em live promovida pelo jornal Valor Econômico, na manhã desta terça-feira, 19. 

O executivo disse que a perspectiva de um “entendimento pobre” entre os poderes executivo e legislativo cria incerteza em relação ao futuro do País. “Essas incertezas se somam às incertezas já naturais do próprio processo da crise de saúde que nós vivemos”, avaliou.

Para ele, “seria de todo desejável” uma maior coesão entre os poderes executivo e legislativo. Em relação às divergências entre as decisões do governo e dos Estados, o presidente do Itaú defendeu a necessidade de uma orientação única para a população. “É conveniente e necessária. Atrapalha a população ter orientações divergentes do que deve ser feito (na crise)”, destacou.

Bracher afirmou ainda que todos vão terminar a crise atual “mais endividados” e é por isso que será muito importante que as taxas de juros do País sejam mantidas em um patamar baixo. “Estamos hoje com juros de 3,0% ao ano e as taxas devem cair mais até 2,0% ao ano. Mas será muito importante que elas possam ficar nesse patamar por muito tempo após a crise porque isso que permitirá a recuperação saudável da economia”, avaliou.

Para que a taxa de juros fique nesse nível após a crise, enfatizou, o País terá de passar ao mercado confiança de que haverá equilíbrio fiscal e não haverá crescimento da dívida pública sobre o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. “Nesse sentido, é muito importante que a gente tenha certa harmonia de gestão”, reforçou, acrescentando que o Brasil não tem conseguido passar essa “confiança” aos mercados. 

Crédito. Em relação às medidas tomadas pelos bancos frente necessidade de mais crédito, em funççao da pandemia, Bracher afirmou que não é possível crescer a oferta na mesma proporção do aumento da demanda. Ele afirmou que, ainda assim, os bancos elevaram a concessão do crédito corporativo em 81% nos meses de março e abril em relação ao mesmo período de 2019.

“A demanda cresceu muito mais que isso. Como empresas pararam de faturar ou tiveram seu faturamento reduzido, tiveram necessidade de recorrer a um financiamento adicional. Mas não se consegue crescer oferta junto com a demanda. Existem pré-condições para conceder crédito”, explicou Bracher.

 Dentre as condições, ele citou questões de liquidez e de risco. Lembrou que, diante do aumento do risco na crise, os bancos passaram a atuar em conjunto com o governo brasileiro que, na sua visão, tem sido “pró-ativo”.

Sobre eventuais novas ações por parte do governo, Bracher citou a ampliação do grupo de empresas elegíveis à folha de financiamento de salários, medida que está em estudo e para ser anunciada. Segundo ele, é necessário elevar o teto do faturamento desses grupos, que vai de R$ 360 mil a R$ 10 milhões ao ano, para R$ 30 milhões e até R$ 50 milhões para poder abranger um maior grupo de empresas.

 Bracher também citou estudos para refinanciar parcelas do crédito imobiliário já quitadas. De acordo com ele, essa possibilidade está sendo debatida e em “estágio avançada”. “É um crédito barato uma vez que seguirá os mesmos juros da contratação e também seguro para o banco sob a ótica da garantia”, explicou.

Congresso. Sobre as medidas em discussão no Congresso, que formam uma “pauta bomba” contra os bancos, o presidente do Itaú afirmou que têm boas intenções sob a ótica dos tomadores de crédito, mas podem respingar na oferta de empréstimos e fragilizar o sistema financeiro.

 Ele também criticou a possibilidade de aumento de impostos, por meio da elevação da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), para o setor financeiro uma vez que nenhum país seguiu esse caminho, que inclusive vai na contramão do estímulo à economia. “Essas medidas para conceder crédito abaixo da remuneração adequada ao risco pode trazer duas consequências: uma o crédito desaparecer e outra fragilizar o balanço dos bancos, o sistema bancário.”

 Um sistema financeiro fragilizado, destacou, passa a ser uma ‘ameaça’ para aqueles que possuem recursos depositados nos bancos uma vez que essas instituições correm o risco de não conseguirem honrarem os depósitos que lhe foram confiados. “Temos crise de saúde, econômica e política. Certamente não precisamos de uma crise no sistema financeiro”, enfatizou o presidente do Itaú.

Fonte: Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo, 19 de maio de 2020 | 12h35.

Itaú Unibanco fecha cerca de 400 agências em meio à crise do coronavírus

O Itaú Unibanco vai fechar temporariamente em torno de 400 agências físicas, em meio à crise gerada pela pandemia de coronavírus no Brasil. O movimento começou hoje e as unidades estariam localizadas em prédios alugados. A justificativa para o fechamento é de que essas agências são pequenas e a decisão de encerrar o atendimento é temporária por conta do momento atual, para evitar aglomerações. Pelo caráter de teste, o movimento pode ser ampliado ou, ao contrário, reduzido. Nas próximas semanas, a expectativa é de que a crise do coronavírus se agrave no Brasil.

Porém. Vale lembrar que as medidas de isolamento social adotadas para conter a propagação do coronavírus no Brasil tornou tudo mais digital – como no resto do mundo. As agências bancárias tiveram o horário reduzido em duas horas e os bancos passaram a estimular o uso dos canais digitais para evitar aglomerações nas unidades físicas.

Só que não. O efeito esperado por especialistas do setor bancário é que o maior uso dos canais digitais desencadeie um novo movimento de fechamento de agências, além do iniciado no ano passado. Somente o Itaú encerrou 436 unidades de sua rede física em 2019, sendo 200 no quarto trimestre. O presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, tem afirmado que a intenção do banco é fechar menos agências neste ano.

Com a palavra. Procurado, o Itaú Unibanco confirmou que, devido ao cenário de pandemia e visando à proteção e redução de contato entre clientes e colaboradores, optou por fazer temporariamente algumas alterações no atendimento prestado na rede física de agências. Segundo o banco, nesta sexta-feira, 3 de abril, algumas unidades terão o atendimento prestado apenas na área de caixas eletrônicos.

Fonte: Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo, 05 de abril de 2020 | 05h00.

Transformação digital do setor bancário ‘nos angustia toda noite’, diz Setubal, do Itaú

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‘Vamos nos reinventar, nos adaptar’, disse Setubal. Foto: ANDRE DUSEK/ESTADAO

O presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, afirmou que o banco não tem as respostas que deseja, dentro do cenário de grande transformação no setor financeiro, mas que está aberto a se reinventar e se adaptar. “Estamos vivendo um mundo em grande transformação. Não temos resposta para o que queremos e isso nos angustia toda noite… Fintechs estão batendo na nossa porta todo dia. Estamos discutindo bastante isso no banco”, admitiu ele, em reunião com analistas e investidores, na tarde desta terça-feira, 3.

Olhando dez anos para frente, Setubal enxerga um banco diferente e a necessidade de o Itaú estar preparado para isso e também capacitar os colaboradores da instituição. “Queremos estar daqui a dez anos no mesmo nível de desempenho e destaque. Mas é essencial se preparar para esse mundo de transformação”, destacou.

Ele sinalizou ainda que o banco não tem uma “grande aposta” para o futuro. “Não gosto de apostas. Grande aposta é sempre um risco muito grande de dar errado e normalmente dá errado. A governança tem o papel de manter a coisa controlada, mas o banco está aberto a transformações em um ambiente em que o mundo está mudando”, disse.

O cenário de grande transformação do sistema financeiro não é uma realidade só do Brasil, conforme Setubal, mas em todo o mundo. Novas empresas estão surgindo, mas, segundo ele, não significa que players tradicionais, grandes bancos, têm sumido.

“O sistema financeiro é uma coisa que evolui muito e continua crescendo. É uma mega indústria no mundo. Dificilmente alguma outra indústria é do tamanho do sistema financeiro”, disse Setubal.

Apesar de ser “muito grande”, o setor financeiro tem muito espaço para evoluir, seja via tecnologia ou novas regulamentações que estão abrindo oportunidades para o segmento. “Estamos em um desses momentos de grande transformação. Alguns players certamente terão sucesso, alguns não. Um deles que certamente estará é o Itaú Unibanco”, garantiu ele.

De acordo com Setubal, muitas coisas vão mudar, inclusive produtos, mas o banco vai conseguir se perpetuar, atuando de uma forma diferente. “Saberemos enfrentar desafios que estão surgindo. Algumas coisas não vão mudar… Vamos nos reinventar, nos adaptar. O futuro está aí. O banco sabe dos desafios que tem”, finalizou.

Complacência

Também presidente do banco, Pedro Moreira Salles afirmou que o maior risco para uma empresa é a complacência. “Não estamos com esse tipo de síndrome dentro do Itaú Unibanco. O ato de se questionar para sabermos se já fizemos o suficiente é constante”, disse ele.

Segundo Moreira Salles, o ato de questionar e saber se já fizeram o suficiente é constante dentro do banco. “Não vejo nenhum sinal de complacência, em que pese a grande empresa ter tendência a isso”, reforçou ele, acrescentando que o Itaú Unibanco procura não deixar “nenhum terreno aberto e se manter vivo a todo instante”.

Questionado sobre transformações no sistema financeiro, ele disse que o banco soube se adaptar ao longo do tempo, uma vez que poucas empresas conseguem atravessar a barreira de um século de existência, mas que é necessário criar capacidade para os desafios que o momento impõe. “Em que pesem aflições e angústias que todos nós incumbentes temos no mundo atual, olho com muito entusiasmo o que virá para frente”, afirmou Moreira Salles.

O Itaú Unibanco tem, conforme ele, conjunto de atributos dificilmente reproduzíveis, mas que daqui a dez anos as instituições financeiras terão de adotar uma nova maneira de atendimento e de distribuição de produtos. “Saberemos encontrar respostas à medida que as perguntas aparecerem. Essa é parte essencial do trabalho, de controladores e membros do Conselho. Temos de criar capacidade para o banco aos desafios que o momento impõe.”

Fonte: Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo, 3 de setembro de 2019 | 18h45