Inteligência Competitiva Tecnológica: Tecnologias sem contato estão na mira da indústria

Silvia Costanti/Valor

Fernando Chacon, presidente da Abecs: novidades do setor estão sendo analisadas em conjunto com o regulador. Foto: Silvia Costanti

A adoção de novos formatos, como prazos mais longos no financiamento com juros do cartão de crédito e os pagamentos instantâneos (P2P, ou pessoa a pessoa na sigla em inglês), a tecnologia sem contato e o maior uso de cartão de crédito estão entre os elementos capazes de incentivar a expansão do uso dos meios de pagamentos eletrônicos no país.

Segundo Fernando Chacon, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Crédito (Abecs), a expectativa é alcançar 60% de penetração nos gastos das famílias em até cinco anos.

Hoje a parcela é de 32%, com 13 bilhões de transações anuais com valor em torno de R$ 1,36 trilhão, dos quais R$ 842,6 bilhões movimentados por cartões de crédito, R$ 508 bilhões pelo débito e R$ 6,6 bilhões por cartões pré-pagos.

No primeiro trimestre, cada segmento cresceu em relação ao mesmo período do ano anterior, respectivamente, 13,6%, 14,6% e 63%. As novidades do setor estão sendo analisadas em conjunto com o órgão regulador.

O financiamento por cartão de crédito, segundo Chacon, busca atender à solicitação de reduzir o prazo para pagamento dos lojistas e ampliar a possibilidade de oferta por parte de pequenos varejistas sem recursos suficientes para crediários próprios.

“A ideia é que os emissores ofereçam juros competitivos”, diz. Segundo ele, a solução deve começar a ser testada no fim do ano, com implantação em larga escala em 2019.

Nos Estados Unidos, onde a indústria de cartões movimenta US$ 12 trilhões anuais, 53% correspondem a financiamento, enquanto no Brasil a parcela é de 11%. “Há possibilidade de mudar o rumo da indústria”, diz Pedro Coutinho, CEO da Getnet.

Já os pagamentos P2P estão em estudo em comitê capitaneado pelo Banco Central. A meta é chegar a um modelo com interoperabilidade suficiente para permitir transferências instantâneas, seja pelo sistema bancário, seja pelo de cartões.

De acordo com Fernando Teles, country manager da Visa, o sistema já está maduro em diferentes mercados. O principal desafio, segundo ele, é a padronização e o desenvolvimento de tecnologias para que o dinheiro transferido possa ser empregado em pagamentos sem necessidades de saques – substituir a moeda em espécie ainda é o grande espaço de conquista dos meios eletrônicos.

Além disso, o modelo pode estimular maior participação de empresas não tradicionais no mercado.

Nos últimos cinco anos, com a instituição do modelo de arranjos de pagamento, o mercado viu sua cadeia de valor ser quebrada em funcionalidades e o aumento da competição com o surgimento de subadquirentes, gateways e ferramentas especializadas. “O importante é manter a segurança e a qualidade do processo já conquistadas”, afirma João Pedro Paro Neto, presidente da Mastercard para a América do Sul.

A intensificação das relações com o regulador fica clara com o número de iniciativas dos últimos dois anos. Do ano passado para cá oito medidas ajudaram a definir questões como as regras para o novo rotativo e o parcelamento de multas de trânsito.

O uso do cartão de débito é outra fronteira de crescimento. Apesar de as compras não presenciais já representarem 20% do total movimentado por cartões no Brasil, seu uso tem muito a crescer tanto nesse quesito quanto em transações recorrentes, por ser desenhado para processamento com senha, e o volume de saques em ATMs ainda chega a ser até cinco vezes maior do que o volume de compras realizadas com cartões de débito.

Também há oportunidade relacionada ao pagamento de grandes valores. “O modelo de negócios não é bom nesse caso”, diz Paro Neto. A penetração também pode ser maior, já que hoje cerca de 6 milhões de estabelecimentos aceitam cartões no país, enquanto o universo total soma o dobro disso.

“O crescimento do número de empreendedores com o desemprego gerou 21 milhões de MEIs [microempreendedores individuais]”, acrescenta Coutinho, da Getnet. O avanço nos pagamentos sem contato (contactless) também está na mira da indústria. Segundo Teles, da Visa, a curva de adoção é exponencial nos mercados nos quais o formato foi adotado, embora os motivadores sejam diferentes.

A Austrália é o ícone do modelo, com 91% das transações presenciais no varejo já realizadas sem contato para responder à demanda por redução de filas. Já na Inglaterra a adoção foi motivada pelo transporte público. No Chile o contactless responde por um terço das transações, graças à aceitação de modelos como Apple Pay.

Fonte: Martha Funke, Valor, 20/6/2018

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Inteligência Competitiva: o poder dos dados

Nilani Goettems/Valor

Murilo Portugal, da Febraban: potencial enorme para trabalhar informações

O aprimoramento da experiência dos correntistas em um mundo cada vez mais digital está no topo da agenda do setor financeiro.

O uso intensivo de inteligência artificial e computação cognitiva para a aplicação em robôs inteligentes, ferramentas de analytics para transformar dados em oferta de produtos customizados e a possibilidade de parceiros “plugarem” suas soluções nas plataformas digitais dos bancos – com o open banking – são os temas prioritários e que dominaram os debates de banqueiros e executivos de TI que participaram da 28ª edição do Ciab Febraban, maior evento de tecnologias financeiras da América Latina, realizado na semana passada, em São Paulo.

O objetivo de transformar a experiência digital dos correntistas vem impactando as estratégias de investimentos em tecnologia dos bancos em anos recentes. O fenômeno foi detectado na pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2018. Dos R$ 19,5 bilhões alocados em tecnologia em 2017, 32% foram destinados ao segmento de hardwares e 50% em softwares.

Em 2011, os data centers consumiam 45% do orçamento e os softwares, apenas 32%. A mudança é simples de entender: com o novo comportamento das pessoas e o maior uso de canais digitais e redes sociais, aliado ao fenômeno do mobile banking, que já responde por 35% de todas as transações bancárias no Brasil, os bancos deixaram de mirar apenas as soluções que tragam maior eficiência aos processos internos e robustez na capacidade de atendimento e voltaram os holofotes na direção de soluções que adicionem valor à experiência do consumidor.

Conforme a pesquisa da Febraban, 80% dos bancos já investem em inteligência artificial e computação cognitiva. O mesmo percentual afirma investir em soluções de analytics, capazes de extrair insights a partir de um volume dados que cresce de forma exponencial anualmente e que permitem a criação de produtos e serviços personalizados para os clientes. “Os dados pessoais são um dos principais insumos dessa nova economia e há um potencial enorme para trabalhar com as informações coletadas e armazenadas”, diz o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal.

Antes, 80% os investimentos eram voltados à manutenção da infraestrutura e 20% para transformar o negócio. Hoje, mais de 50% dos recursos do Bradesco são destinados à transformação, para adotar novas tecnologias que ajudem a aprimorar a experiência do cliente”, diz.

Os esforços do Bradesco nos últimos três anos foram no sentido de aperfeiçoar as ferramentas de inteligência artificial e uma de suas principais vertentes, o machine learning, método em que as máquinas, por meio de algoritmos, podem identificar padrões a partir de um grande volume de dados, criar conexões entre eles e executar tarefas com mínima intervenção humana.

Voltado inicialmente a tirar dúvidas de colaboradores, o chatbot Bia passou a interagir com os correntistas no app do banco há cerca de um ano. Em parceria com plataformas de inteligência artificial como o Watson, da IBM, o banco desenvolveu esse robô que aprende continuamente e melhora a resposta aos usuários conforme aumentam as interações – em um ano, foram mais de 22 milhões de interações com os clientes. Bia conta com uma equipe de 50 curadores e tem conhecimento sobre 64 produtos e serviços do Bradesco.

Há um mês e meio, Bia deixou de apenas fornecer informações para também auxiliar os usuários em suas transações – após o login e sem necessidade de percorrer o menu, o cliente pode enviar um comando de voz solicitando à assistente virtual inteligente o pagamento de uma conta ou a transferência de recursos.

“O que um atendente humano poderia levar minutos para fazer a Bia responde ou executa em menos de um segundo”, diz Minas. Explorar o potencial dos dados coletados dos clientes também é uma estratégia cada vez mais utilizada. Ferramentas de analytics permitem às instituições conhecer melhor os hábitos e preferências dos correntistas, capacitando os bancos a serem mais assertivos na oferta de produtos.

“Hoje, com o uso de analytics e de ferramentas de geolocalização, consigo saber se um cliente entrou em uma concessionária e ofereço automaticamente uma oferta de financiamento de veículos”, disse ao Valor o vice-presidente de tecnologia do Banco do Brasil, Antonio Gustavo do Vale.

“Ainda estamos na ponta do iceberg no uso dessas soluções”, diz. A transformação dos hábitos dos consumidores e a velocidade de adesão às novas tecnologias também têm impactado nas estruturas de trabalho das áreas digitais dos grandes bancos, que cada vez mais se assemelham a big techs como Google ou Facebook, ou mesmo a fintechs.

O Banco do Brasil adotou, em 2017, a metodologia ágil de trabalho para o desenvolvimento de novas tecnologias e soluções. Com ela, equipes que reúnem até dez especialistas de áreas diversas (profissionais de TI, analistas de sistemas, colaboradores da área de negócios, entre outros) se debruçam de forma colaborativa no desenvolvimento de novos projetos. Em 2017, eram duas “salas ágeis” no banco. Em 2018, já são 170.

“O modelo traz agilidade no desenvolvimento e na entrega das soluções e permite, com mais facilidade, entender se a tecnologia dará certo ou não ainda na fase de desenvolvimento”, diz Vale. Cientistas sociais e de dados, designers de aplicativos, especialistas em algoritmos e em user experience (UX) e até antropólogos digitais, que estudam o comportamento dos consumidores nesse mundo hiperconectado, são algumas das profissões que passaram a fazer parte do quadro de colaboradores conforme os bancos avançaram em suas jornadas digitais.

O Itaú Unibanco contratou 50 cientistas de dados no ano passado e triplicará esse número em 2018. O banco criou, em 2017, o Centro de Excelência em Analytics e desenvolveu um programa para a formação de cientistas de dados, além de ter estruturado um curso de machine learning que superou a marca de cinco mil inscritos.

Conforme o CEO Candido Bracher, o número de projetos entregues aumentou 138% e o time-to-market (o prazo para a entrega de uma solução), foi reduzido em 19%, entre o primeiro trimestre de 2017 e o mesmo período de 2018. Os investimentos do Itaú em tecnologia cresceram 40% nos últimos dois anos.

A jornada de transformação digital envolve colaboradores, novas tecnologias e clientes. “É impossível entrarmos nessa jornada sem mudar a forma como trabalhamos com os colaboradores”, diz. Os resultados começam a se refletir nos balanços financeiros. A operação digital respondeu por 69% do lucro líquido recorrente do banco em 2017 – em 2015, essa fatia era de 32%.

Fonte: Felipe Datt, Valor, 20/6/2018

Inteligência Competitiva Tecnológica: Unicamp lidera ranking de instituições brasileiras em nº de pedidos de patentes: ‘Inéditos e promissores’

A Unicamp, em Campinas (SP), é a instituição sediada no Brasil que mais depositou patentes de invenção em 2017 no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Foram 77 pedidos, ao todo, 15 a mais que em 2016, quando a universidade ocupava a 2ª posição. Instituto tem investido para reduzir tempo de análise das patentes, mas espera média ainda é de 10 anos.

“Mostra que a Unicamp está preparada para atender demandas tecnológicas do mercado. Isso mostra que a universidade é capaz de desenvolver projetos realmente inéditos e promissores”, afirma Patrícia Leal Gestic, diretora de propriedade intelectual da agência de inovação Inova Unicamp.

O ranking foi divulgado no estudo “Indicadores de Propriedade Industrial 2018”, do INPI. [Veja as dez instituições que mais pediram patentes na tabela, abaixo]

A agência Inova Unicamp é o órgão responsável pela gestão da propriedade intelectual e da transferência de tecnologia da universidade, e conta com uma seleção interna de patentes rígida para garantir o ineditismo e que as ideias sejam aplicáveis no mercado.

Segundo Patrícia, em 2017 foram recebidos pela agência entre 120 e 130 pedidos, mas 81 foram enviados ao INPI, que reconheceu 77 deles.

“A propriedade intelectual – basicamente as patentes – é a infraestrutura invisível da inovação. É aquele valor que se precisa dar e investir para que se tenham produtos e processos inovadores e competitivos. A Unicamp está no caminho certo”.

Em 2017 foram 25.658 pedidos ao INPI, de instituições residentes e não residentes no Brasil. Só as sediadas no país pediram 5.480 patentes no ano passado, sendo o estado de São Paulo o maior solicitante, com 30%.

Transferência de propriedade intelectual

A diretora destaca que a Unicamp é uma das universidades que mais transferem propriedade intelectual para o mercado atualmente. Isso significa a aplicação da inovação nas indústrias para que os produtos possam ser consumidos pela população.

“A gente teve casos de patentes que geraram produtos saudáveis, com baixo teor de gordura trans e saturada, e que hoje estão em inúmeros ingredientes da indústria de alimentos e que o consumidor usa”.

Foram 25 transferências em 2017 número que vem crescendo nos últimos anos. Antes de 2013, a média era de cerca de seis por ano, afirma Patrícia.

“A gente teve também em 2017 o recorde de patentes concedidas, mostra que as patentes são robustas o suficiente para serem transferidas para o mercado. Cada nova patente é uma nova oportunidade de negócio e de agregar valor com o conhecimento, e isso a gente acaba vendo na prática na sociedade”, diz.

Foram 62 patentes concedidas, numa realidade de demora na análise dos pedidos pelo INPI. Segundo Patrícia, em média, leva sete anos e meio para as análises nas áreas de cosméticos e odontologia e até 14 anos para tecnologia da informação.

No entanto, com o respaldo do conhecimento dos pesquisadores e por meio de contrato, a Unicamp pode transferir a propriedade quando o processo está em andamento no INPI. As empresas recebem o pedido de patente e são avisadas de que ainda não se trata do registro final. Assim, já podem dar continuidade ao desenvolvimento da tecnologia.

“As universidades geram conhecimento e tecnologia, e o mais importante é a transferência para o mercado. É ele que vai fazer com que essas tecnologias sejam utilizadas. A gente completa o ciclo da inovação, fazendo com que as empresas se tornem mais competitivas”, explica.

Ranking

Apenas uma empresa conseguiu uma posição entre as dez instituições que mais depositaram pedidos de patentes em 2017.

Três universidades que não estavam no ranking anterior ganharam espaço: a Universidade Federal de Campina Grande (PB), que alcançou o 2º lugar, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Associação Paranaense de Cultura, mantenedora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

Ranking de instituições residentes no Brasil que mais registraram pedidos de patentes no INPI

Posição Instituições Pedidos de patentes
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) 77
Universidade Federal de Campina Grande 70
Universidade Federal de Minas Gerais 69
Universidade Federal da Paraíba 66
Universidade de São Paulo 53
Universidade Federal do Ceará 50
CHN Industrial Brasil 35
Universidade Federal do Rio Grande do Sul 34
Pontifícia Universidade Católica do Paraná 31
Universidade Federal do Paraná 31
Total 10 516

“Além de identificarmos e prospectarmos a oportunidade de tecnologia nos laboratórios, nós recebemos dos professores e dos alunos o que a gente chama de comunicação de invenção. Quando eles acham que tem alguma coisa promissora, eles nos avisam”, afirma Patrícia sobre o estímulo na Unicamp.

Investimentos X Espera longa

No último ano, o INPI investiu em profissionais para agilizar as análises das patentes, reduzindo o tempo de espera. Foram contratados 140 examinadores em 2017. Medidas administrativas também têm sido adotadas para agilizar o processo.

O número de pedidos na fila teve uma redução de 7,6% no ano passado em relação a 2016, o percentual equivale a 18.705 patentes analisadas ou arquivadas. Eram 243.820, em 2016, e passou a 225.115, em 2017, de acordo com a Instituição.

Desde o ano passado, examinadores foram estimulados a trabalhar de casa, com aumento de produtividade. São 96 profissionais com produção, em média, 50% acima da meta contratada, sendo que o compromisso para se manter do programa era produzir 30% acima da média.

E as medidas aplicadas também já refletem nos resultados deste ano do INPI. Foram 3.854 decisões – conclusão dos processos – de janeiro a abril de 2018, contra 1.608 no mesmo período de 2017, um incremento de 139%.

No entanto, o prazo para concluir um processo continua longo, 10 anos, em média. No ano passado, o G1divulgou que pesquisadores de Campinas procuravam alternativas fora do Brasil, diante da demora.

Um Acordo de Cooperação Técnica entre INPI, Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) e Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) busca investimento de R$ 40 milhões no Instituto, dividido em três anos.

Desse montante, o MDIC aprovou o aporte de R$ 20 milhões em 2018.

O recurso, segundo o INPI, permitiria avanços na infraestrutura tecnológica do órgão, com revisão e atualização de processos, além da geração de inteligência competitiva e análise de novas oportunidades no campo de patentes.

Inteligência Competitiva Tecnológica: Companhias se aproximam de startups para buscar inovação

Embora a inovação tenha entrado de vez nas agendas de altos executivos, a estratégia de grandes empresas para inserir esse tema nas organizações ainda se sustenta mais na aproximação com startups do que no investimento em projetos de longo prazo ou em práticas gestão de pessoas que priorizem o assunto.

É o que indica um levantamento do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral (FDC), que consultou 62 executivos de 21 companhias de grande porte, a maioria com faturamento acima de R$ 1 bilhão.

O levantamento é realizado há seis anos pelo núcleo, por onde já passaram mais de 60 empresas. O professor e pesquisador Hugo Tadeu considera este o primeiro ano em que o assunto inovação realmente entrou na agenda estratégica das organizações, impulsionado principalmente pela necessidade de as empresas adotarem estratégias
de transformação digital.

Mais de 50% dos respondentes consideram que a inovação é uma prioridade alta para o nível executivo das suas empresas. Para a maior parte dos respondentes (39%), o desenvolvimento de novos produtos e serviços é o que direciona a inovação em suas companhias, mas entre 2017 e 2018 diminuiu o volume daqueles que são movidos
pela busca de produtividade (de 38% para 29%) e mais do que dobrou aqueles direcionados pelo desenvolvimento de novas tecnologias (de 7 % para 18%).

Aumentou o número de companhias com gerências e diretorias dedicadas à área, na comparação com 2017 , mas a busca por desenvolver uma cultura inovadora ainda é o desdobramento mais recorrente da estratégia. Tadeu compara o momento à transição que as áreas de RH viveram no passado, quando ganharam espaço no alto escalão
das companhias.

Quando questionados sobre a prioridade dentro da estratégia de inovação nas suas companhias, a maior parte vê a atração de startups como o ponto mais importante (41%), seguido de criar um ambiente propício para a geração de ideias (28%). Cerca de 10% veem atrair e reter talentos como prioridade, e 5% apostam no desenvolvimento de
projetos de longo prazo.

Na opinião de Tadeu, o desespero para se aproximar de startups pode acabar gerando relações de curto prazo com poucos benefícios para as companhias. “Essa busca por conhecimento só se sustenta se a empresa tiver estrutura, governança e capacidade de absorver a inovação”, afirma.

A criação de áreas dedicadas ao assunto é um sinal de que essa estrutura está sendo desenvolvida, mas Tadeu considera que ainda há passos grandes a serem tomados nessa direção.

Um exemplo é o uso ainda predominante de processos de gestão de projetos tradicionais entre as metodologias de inovação, resposta de 48%. O desenvolvimento de mínimos produtos viáveis (MVP) e o uso de design thinking, técnicas menos engessadas, são usadas por 13% e 39% dos respondentes, respectivamente.

Outro ponto que Tadeu considera que ainda não ganha a importância necessária é a capacitação e a retenção dos funcionários. “Não adianta querer discutir inovação se não treinar o colaborador”, diz.

Fonte: Letícia Arcoverde, Valor, 17/05/2018 às 05h00.

Inteligência Competitiva Tecnológica: As razões para São Paulo liderar a ciência do país

 | Pixabay.

Pesquisadores ligados às universidades de São Paulo lideram, com sobras, a produção científica no Brasil. Mesmo com investimentos do governo federal com o objetivo de descentralizar o ensino superior no país ao longo das últimas décadas, as universidades paulistas permaneceram no topo dos rankings de publicações de pesquisa (papers), aqui dentro e no exterior.

A liderança vai além do fato de ser o estado mais rico e populoso do país: passa também pela política de fomento e repasse de recursos, bem como um investimento histórico em qualificação que antecedeu em décadas o que foi feito em outras partes do Brasil.

De acordo com Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), um maior número de parcerias com a iniciativa privada também contribui para que a pesquisa feita em São Paulo se destaque.

“O estado tem uma situação diferente do restante do país, que é um grande investimento por parte do setor privado em pesquisa e desenvolvimento. No Brasil, em média, essa relação é de 60% investimento público e 40% privado. Em São Paulo, a proporção se inverte, com números similares aos da Espanha”, diz o professor.

“Nos países desenvolvidos, em geral, a proporção de investimentos privados é ainda maior, cerca de 70%”, completa.

Evolução histórica

A centralização já foi mais acentuada. Quando se consideram, por exemplo, os grupos de pesquisa cadastrados no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), São Paulo era responsável por 31% do total nacional ainda em 2000 – proporção que já havia baixado para 19,8% em 2016, data dos dados mais recentes.

Embora o estado tenha mais que dobrado o total de grupos no período (passando de 3.645 para 7.440), outras regiões do país conseguiram correr atrás do prejuízo, reduzindo a diferença. No entanto, apesar dos avanços feitos em outros estados, a liderança de São Paulo no quesito produção jamais esteve ameaçada.

Segundo a base de dados multidisciplinar Web of Science, entre 2011 e 2016 o estado de São Paulo produziu 111.029 artigos científicos ali indexados, o equivalente a quase um terço (32,84%) de todas as publicações brasileiras contabilizadas no período. A produção paulista é maior que a dos três estados seguintes – em ordem, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul – somados.

A USP, sozinha, teve mais publicações que qualquer outro estado brasileiro individualmente: 54.108 documentos catalogados pelo Web of Science no período, contra 39.996 produzidos nas instituições fluminenses.

Estabilidade

A própria Fapesp é um dos braços que ajuda a compreender o sucesso da ciência desenvolvida no estado. Nos últimos anos, ela vem manejando orçamentos que superam 1 bilhão de reais.

Em 2017, embora desacelerado pela crise econômica, o valor destinado à fundação voltou a superar a marca, chegando a 1,079 bilhão. O pico ocorreu em 2013, quando contou com um orçamento de 1,406 bilhão. Além dos valores variáveis definidos pelo governo ano a ano, a fundação paulista ainda recebe, por lei, 1% da receita estadual livre de contingência.

Só isso, porém, não explica a disparidade entre os estados. Outras unidades da federação têm provisões até maiores – no Rio de Janeiro, o valor sem contingência oriundo das receitas estaduais é de 2% –, mas não repetem os resultados.

O caso do Rio é exemplar para entender a continuada proeminência paulista: a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), contraparte fluminense à Fapesp, tinha um orçamento previsto em 537 milhões de reais no ano passado.

Em um estado com apenas um terço do PIB de São Paulo, os valores da agência de fomento eram maiores que a metade de São Paulo. Proporcionalmente, a Faperj tinha um caudal de recursos superior. A diferença? A profunda crise econômica vivida pelo estado.

“Entre as grandes chaves estão a autonomia e a estabilidade do financiamento”, entende Carlos Américo Pacheco.

Embora tivesse uma previsão orçamentária elevada, a Faperj chegou a julho do ano passado tendo recebido apenas 9,5% do valor previsto para o ano, e seus pesquisadores sofriam com atrasos de bolsas e outros recursos para desenvolver seus projetos, uma situação que não ocorria no estado vizinho.

Razões históricas

Para Pacheco, a explicação para a excelência das instituições paulistas tem razões tão enraizadas em fatores históricos quanto nos econômicos. “Existe uma busca por uma maior qualificação dos professores que vem desde os anos 80”, assinala o diretor, apontando um movimento que se antecipou ao restante do país.

“Hoje temos praticamente só doutores. São universidades de excelência: se estivessem nos Estados Unidos, as universidades de São Paulo estariam em 10º lugar em termos de formação de doutores”, completa.

A busca por qualificar o ensino e a pesquisa veio acompanhada de uma antecipação na internacionalização das universidades paulistas em relação ao restante do país, através de convênios de colaboração com instituições estrangeiras que já datam de décadas.

Além do peso dos recursos provenientes da Fapesp, historicamente São Paulo se diferenciou de outros estados pelo grande peso conferido às instituições estaduais de ensino superior.

Enquanto no restante do país os maiores orçamentos e índices de publicações são encontrados nas federais, em São Paulo as três grandes instituições mantidas pelo governo estadual – a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) – prevalecem em termos de recursos e produção quando comparadas à maior federal do estado, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Fonte: Maurício Brum, especial para a Gazeta do Povo, Atualizado em às

Foto: Pixabay

Inteligência Competitiva Tecnológica: Microsoft Teams turns 1, advances vision for Intelligent Communications

This week marks the first anniversary of the worldwide launch of Microsoft Teams. In that time, Teams has grown significantly in both new capabilities and customer usage. Today, 200,000 organizations in 181 markets and 39 languages use Teams, including A.P. Moller–Maersk, ConocoPhillips, Macy’s, NASCAR, Navistar, RLH Corporation, and Technicolor. General Motors is also now using Teams; read more about their story.

This week marks the first anniversary of the worldwide launch of Microsoft Teams. In that time, Teams has grown significantly in both new capabilities and customer usage. Today, 200,000 organizations in 181 markets and 39 languages use Teams, including A.P. Moller–Maersk, ConocoPhillips, Macy’s, NASCAR, Navistar, RLH Corporation, and Technicolor. General Motors is also now using Teams; read more about their story.

Teams for Intelligent Communications and Collaboration

Over the last year, Teams has evolved to become the ultimate hub for teamwork. Built on the strength and scale of Office 365 with over 120 million users, Teams delivers chat-based collaboration, meetings, calling, and soon, full enterprise voice features. All of this is underpinned by the Microsoft Graph, allowing for rich AI capabilities. As part of Office 365, Teams uniquely delivers these capabilities at scale, with enterprise-grade security and compliance standards to meet the needs of a global business.

To advance our vision for Intelligent Communications, we are announcing new Teams features coming later this year, including:

  • Cloud recording—Will provide one-click meeting recordings with automatic transcription and timecoding, enabling all team members the ability to read captions, search within the conversation, and playback all or part of the meeting. In the future, it will also include facial recognition, so remarks can be attributed to specific meeting attendees.
  • Inline message translation—People who speak different languages will be able to fluidly communicate with one another by translating posts in channels and chat.
  • Cortana voice interactions for Teams-enabled devices—Will enable you to easily make a call, join a meeting, or add other people to a meeting in Teams using spoken, natural language. This functionality will extend to IP phones and conference room devices.
  • Background blur on video—The ability to blur your background during video calls will allow other meeting attendees to focus on you, not what’s behind you.
  • Proximity detection for Teams Meetings—This feature will make it easy for you to discover and add a nearby and available Skype Room System to any meeting.
  • Mobile sharing in meetings—Meeting attendees will be able to share a live video stream, photos, or the screen from their mobile device.

These new capabilities build on the breadth of new features that have come to Teams in the last year, including guest access, new ways to interact with apps, and new meeting and calling capabilities.

Today, we are also announcing new enterprise-grade calling features in Teams, including consultative transfer and call delegation and federation. In addition, we’re introducing Direct Routing, which will enable customers to use their existing telephony infrastructure with Teams for calling. When you combine a Microsoft Calling Plan or Direct Routing with our Phone System for Office 365, Teams becomes a full voice service. These new capabilities are expected to be available in the second quarter of 2018.

Intelligent Communications for your devices

Hardware plays a critical part in delivering consistent, high-quality video and voice experiences. We are announcing that Teams is now enabled for a full spectrum of calling and meeting room devices, including:

  • Microsoft collaboration devices—Microsoft Surface Hub is a powerful all-in-one large-screen team collaboration device. Microsoft Teams will be natively supported on Surface Hub, enhancing the capabilities of Teams in huddle spaces and meeting rooms equipped with Surface Hub.
  • Meeting room systems—Lenovo and HP join existing partners Logitech, Crestron, and Polycom to transform the conference room experience with rich audio, HD video, center-of-room control, and one-touch join. All Skype Room Systems will support Teams meetings.
  • Connections to existing equipment—Teams will certify new solutions from BlueJeans, Pexip, and Polycom to support interoperability for meetings in Teams with existing hardware investments.
  • Desk and conference phones—New desk phones from AudioCodes and Yealink—and new conference room phones from Crestron, Polycom, and Yealink—run a native Teams application for consistent and streamlined calling experiences.
  • Mobile phone stations—New mobile phone stations from Plantronics combine the Teams experience with desk phone capabilities for the mobile user.

To learn more about the portfolio of Teams-powered devices and the roadmap dates, visit the Microsoft Tech Community blog.

Growing ecosystem of Teams apps

No ecosystem would be complete without the apps that make it thrive. We recently released a new store in Teams featuring a wide array of tools and services from our partners. Some of the most popular apps among Teams customers include Adobe Creative Cloud, Hootsuite, InVision, Polly, SurveyMonkey, Trello, Wrike, Zoom.ai, and many others.

Hear it from our customers

As we celebrate our first birthday, what’s most exciting are the stories of companies like RLH Corporation, Technicolor, and General Motors, for which Teams is truly changing the way people come together, innovate, and move business forward.

  • RLH Corporation—In 2014, when Greg Mount took on the role of CEO at RLH Corporation, parent company to hotel brands like Red Lion Hotels, GuestHouse, and America’s Best Value Inn, he shifted the company’s strategy to move from being a Pacific Northwest regional brand to being a nationwide one. Since then, RLH Corporation has acquired multiple hotel brands, growing from 62 to over 1,100 hotels in just three years. To address change management and help drive a consistent culture within the company, RLH Corporation started using Teams last year. They looked at other chat-based collaboration tools, but because they were already using Office 365 and Power BI, Teams was the clear choice. Now, all corporate employees use Teams. The leadership team has moved from a more in-person and paper-based process for communications to more real-time interaction and data flow.
  • Technicolor—A leader in the media and entertainment sector, Technicolor has used Teams within the Production Services CTO office to provide a new way for employees to collaborate around all things technical—from strategy to purchasing and everything in between. Technicolor Production Services business units are also starting to use Teams for high profile projects that require greater transparency and collaboration across many time zones and global offices, reducing the number of recurring meetings and flow of information internally and benefiting from a sole source of truth with cloud documents. Technicolor Production Services plans to expand its usage within other parts of its organization.
  • General Motors—Here’s what Fred Killeen, CTO at General Motors, had to say about Teams: “Our mission to transform transportation relies on strong teamwork across every aspect of our business. Teams enables our employees to connect across geographical and organizational boundaries through a single place to access all the conversations, files, and content. Teams’ integration with the rest of Office 365 and third-party applications and services makes it easier for our employees to find relevant information and do their best work on their own and as a part of a team.”

Infographic celebrating Microsoft Teams' one-year anniversary.

As we celebrate our first year in market, we are thankful to our customers, partners, and of course those of you who have become avid Teams users for coming on this journey with us. We look forward to continuing to bring you experiences that enable your teams to achieve more together.

Tune in to Microsoft’s keynote at Enterprise Connect this week to hear what’s next in our vision for Intelligent Communications. Watch it live Wednesday, March 14, 2018, at 10 AM EST or watch on-demand at: Enterprise Connect keynote.

Source: Lori Wright, general manager for Microsoft Teams and Skype. on 

Inteligência Competitiva Tecnológica: SXSW 2018 mostra como será sua vida nos próximos anos

Festival South by Southwest, mais conhecido como SXSW acontece na cidade de Austin, no Texas. Evento reúne vários festivais de música, filmes, games, comédia e educação. (Foto: Reprodução Facebook)

FESTIVAL SOUTH BY SOUTHWEST, MAIS CONHECIDO COMO SXSW, ACONTECE NA CIDADE DE AUSTIN, NO TEXAS. (FOTO: REPRODUÇÃO FACEBOOK)

South by Southwest (SXSW) começou oficialmente na sexta-feira (09/03). O evento, realizado em Austin, no Texas (EUA), será realizado até 18 de março e é referência mundial em tecnologiainovação e economia criativa.

 

Os assuntos discutidos durante a conferência costumam antecipar tendências do que irá transformar o mundo nos próximos anos.

Em 2018, as palestras, painéis e exibições que se espalham pela capital do Texas abordarão temas como o crescimento do uso do blockchain, o amadurecimento do mercado da realidade virtual e a onipresença da inteligência artificial em nossas vidas.

Dentre os palestrantes do SXSW, destacam-se nomes como Michael Dell, fundador da empresa de tecnologia que leva seu sobrenome; Melinda Gates, cofundadora da Fundação Bill e Melinda Gates; Spike Lee, cineasta; e Miguel McKelvey, cofundador da rede de escritórios compartilhados WeWork.

O Brasil tem uma participação significativa no SXSW – é a segunda maior delegação de estrangeiros no evento. Segundo a Apex-Brasil, os empreendedores do país devem movimentar US$ 41 milhões durante a conferência.

O SXSW contará com uma cobertura especial de Época NEGÓCIOS. Fique ligado no nosso site e nas redes sociais e saiba o que de mais legal está acontecendo por lá.

Fonte: Época Negócios

Inteligência Competitiva Tecnológica: 10 avanços da tecnologia para ficar de olho em 2018, segundo o MIT

O computador quântico da IBM (Foto: Reprodução/Instagram)
O COMPUTADOR QUÂNTICO DA IBM: A COMPUTAÇÃO QUÂNTICA TRAZ UM ENIGMA. ELA SERÁ CAPAZ DE REALIZAR TAREFAS IMPENSÁVEIS PARA AS MÁQUINAS ATUAIS (FOTO: REPRODUÇÃO/INSTAGRAM)

Duelo de redes neurais, embriões artificiais, inteligência artificial na nuvem. Desde 2001, a MIT Technology Review faz uma lista anual dos principais avanços tecnológicos que vão afetar profundamente a vida das pessoas. Veja o que nos aguarda em 2018:

Impressora 3d (Foto: Thinkstock)
QUALQUER COISA QUE NÃO FOSSE PLÁSTICO – ESPECIALMENTE METAL – ERA CARO E DEMORADO. NÃO MAIS (FOTO: THINKSTOCK)

Impressão 3D de metais
A impressão 3D já existe há décadas, mas ainda é mais usada como hobby ou para a produção de protótipos. E imprimir qualquer coisa que não fosse plástico – especialmente metal – era caro e demorado. Agora, contudo, o preço está caindo e a impressão está se tornando tão mais fácil que pode ser usada de forma mais prática na produção de itens. Se for amplamente adotada, isso pode mudar o modelo de produção industrial.

No curto prazo, diz o MIT, as indústrias não precisarão mais manter grandes estoques. No longo prazo, grandes fábricas que produzem em massa uma quantidade limitada de peças podem ser substituídas por plantas menores com maior variedade de produtos e que possam se adaptar às necessidades dos consumidores.

Embrião artificial criado a partir de células-tronco de ratos (Foto: Universidade de Cambridge)
EMBRIÃO ARTIFICIAL CRIADO A PARTIR DE CÉLULAS-TRONCO DE RATOS. O PRÓXIMO PASSO É CRIAR UM EMBRIÃO USANDO CÉLULAS-TRONCO HUMANAS (FOTO: UNIVERSIDADE DE CAMBRIDGE)

Embriões artificiais
Em um avanço que redefine a forma como a vida é criada, embriologistas da Universidade de Cambridge conseguiram criar embriões de ratos usando apenas células-tronco de outro embrião, sem óvulo ou espermatozoide algum. Os pesquisadores colocaram as células em um molde tridimensional e elas começaram a se comunicar e a se alinhar, tomando a forma de um embrião de vários dias. “Nós sabemos que o potencial das células-tronco é mágico. Mas não sabíamos que elas podem se organizar de forma tão bonita e tão perfeita”, afirmou Magdelena Zernicka-Goetz, líder do time de pesquisa. Ela afirma que os embriões sintéticos provavelmente não poderiam se tornar um rato no futuro, mas o feito dá uma dimensão de que pode ser possível criar mamíferos dessa forma. O próximo passo é criar um embrião usando células-tronco humanas, em um processo de pesquisa que já foi iniciado nas universidades do Michigan e de Rockefeller. Isso vai ajudar os cientistas a entenderem o processo de diferenciação das células.

cidades inteligentes (Foto: Thinkstock)
PROJETO DE CIDADE INTELIGENTE PREVÊ QUE TODOS OS VEÍCULOS SERÃO AUTÔNOMOS E COMPARTILHADOS (FOTO: THINKSTOCK)

Cidades sensíveis
Vários projetos de cidades inteligentes estão atrasados, reduziram os seus objetivos ambiciosos ou excluíram todos que não são ricos. Mas um projeto em Toronto, chamado Quayside, pretende mudar esse histórico de fracassos nas tentativas de repensar o urbanismo. O Sidewalk Labs, da Alphabet, está colaborando com o governo canadense no projeto. Um dos objetivos dele é basear as decisões sobre design, política e tecnologia em dados de uma extensa rede de sensores, que recolheram informações sobre a qualidade do ar, o nível de ruídos e as atividades das pessoas. O projeto prevê que todos os veículos serão autônomos e compartilhados. Robôs irão caminhar no subsolo para fazer coisas como entregar cartas. E todos os softwares e sistemas serão abertos, para que as pessoas possam criar outras soluções em cima da ferramenta.Tecnologia ; inteligência artificial ; AI ; IA ; inovação ; (Foto: Thinkstock)

O APRENDIZADO DE MÁQUINA SERÁ ESSENCIAL PARA A REVOLUÇÃO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E SUA DISSEMINAÇÃO EM DIFERENTES ÁREAS(FOTO: THINKSTOCK)

Inteligência artificial para todos
A inteligência artificial por enquanto foi usada principalmente por grandes empresas de tecnologia ou startups. Mas, para a maioria das empresas, a inteligência artificial ainda é muito cara e difícil de ser implementada. Hoje, no entanto, ferramentas de aprendizado de máquinas baseadas na nuvem estão levando a IA a um número cada vez maior de pessoas e empresas. Não está claro qual será a companhia líder nesse segmento, mas Amazon, Google e Microsoft estão trabalhando para assumir a dianteira. Afinal, há grandes oportunidades. O aprendizado de máquina será essencial para a revolução da inteligência artificial e sua disseminação em diferentes áreas. A tecnologia no futuro poderá trazer mais eficiência para setores como medicina, indústria e energia.

Redes neurais em duelo
A inteligência artificial é muito boa para identificar coisas. Entre um milhão de imagens, consegue destacar a de um pedestre atravessando a rua. Mas a tecnologia ainda não consegue gerar a imagem de um pedestre sozinho. Se isso fosse possível, ela poderia criar imagens realistas de pedestres em vários cenários, onde a tecnologia dos carros autônomos poderia ser treinada sem que fosse necessário colocar o automóvel na rua, por exemplo. O problema é que criar algo completamente novo requer imaginação – e até agora os robôs não conseguem ser criativos. Mas uma possível solução foi criada por Ian Goodfellow, da Universidade de Montreal, em uma discussão em 2014.

A abordagem, conhecida como rede contraditória generativa (GAN, na sigla em inglês), usa duas redes neurais e coloca uma contra a outra como em um jogo. As duas redes têm o mesmo repertório de dados. Uma delas, conhecida como geradora, tem a tarefa de criar variações em imagens que já conhece – como um pedestre com três braços, por exemplo. A segunda, discriminadora, deve identificar se a imagem é real ou se foi criada pela rede geradora – basicamente, precisa dizer se essa pessoa com um braço a mais é real.

Com o tempo, o gerador se torna tão bom em produzir imagens que o discriminador não consegue detectar as falsas. Essencialmente, o gerador aprende a reconhecer e criar imagens realistas de pedestres. Essa tecnologia é considerada um dos maiores avanços da inteligência artificial na última década, e conseguiu gerar imagens que enganam até mesmo os humanos. Mas os resultados não são sempre perfeitos. Os GANs podem criar bicicletas com dois guidões ou rostos com a sobrancelha no lugar errado.

Pixel Buds, o fone de tradução simultânea do Google (Foto: Divulgação)
PIXEL BUDS, O FONE DE TRADUÇÃO SIMULTÂNEA DO GOOGLE. DÁ ATÉ PARA OLHAR NOS OLHOS DA OUTRA PESSOA (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Fones de tradução simultânea
Pode até parecer ficção científica, mas o Google criou um fone que traduz quase em tempo real, o Pixel Buds. Uma pessoa usa o fone e fala em sua própria língua, enquanto outra segura um celular, que reproduz o que foi falado no idioma escolhido. A pessoa sem o fone responde, e o tradutor repete na língua escolhida diretamente no fone. Alguns aplicativos já faziam coisas similares, no entanto, dependendo do nível de ruído ambiente, tinham dificuldade de entender o que foi dito ou quando a pessoa parou de falar e é hora de fazer a tradução. Mas o Pixel Buds não tem esse problema, porque o usuário pressiona um botão quando está falando. Outro benefício é que é possível olhar nos olhos da outra pessoa. Ainda há problemas com o dispositivo, mas que podem ser corrigidos.

Gás natural sem carbono
O mundo ainda depende do gás natural como uma das principais fontes para se produzir eletricidade, e isso não deve mudar no futuro próximo. Barato e disponível, o combustível é a origem de 22% da geração de energia do mundo. Mas as emissões de carbono são preocupantes. Uma usina nos EUA está testando uma tecnologia que poderia tornar o gás natural uma energia limpa, capturando todo o dióxido de carbono gerado.

A usina coloca o gás carbônico produzido na queima do gás natural em uma câmara de alta pressão e alta temperatura. O fluido que resulta desse processo é usado para movimentar uma turbina. Dessa forma, a maior parte do dióxido de carbono poderia ser reciclada continuamente.

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NOVAS TECNOLOGIAS DE PRIVACIDADE ONLINE IRÃO LIMITAR O RISCO DE ROUBO DE IDENTIDADE (FOTO: KACPER PEMPEL/REUTERS)

Privacidade online
Uma ferramenta de privacidade vai permitir que o usuário prove que tem mais de 18 anos sem revelar sua data de nascimento, ou que tem dinheiro o suficiente para fazer uma transação financeira sem precisar compartilhar detalhes de sua conta bancária. Isso limita o risco de roubo de identidade. Trata-se de um protocolo criptografado conhecido como prova de conhecimento zero.

Apesar de vários pesquisadores trabalharem em uma tecnologia similar há anos, a prova de conhecimento zero foi criada com o Zcash, uma moeda digital lançada no final de 2016. Seus desenvolvedores desenvolveram um método conhecido como zk-SNARK para que os usuários da moeda pudessem fazer transações anonimamente. Isso não é possível no caso da maioria das criptomoedas, como o bitcoin, porque nelas as transações são visíveis a todos – ainda que teoricamente sejam anônimas, é possível chegar à identidade de um usuário cruzando os dados da rede.

Para os bancos, essa tecnologia pode ser uma forma de usar o blockchain em sistemas de pagamentos sem sacrificar a privacidade dos clientes, por exemplo.

Estrutura do DNA (Foto: Thinkstock)
ESTRUTURA DO DNA. APESAR DE OS TESTES DE DNA OFERECEREM PROBABILIDADES, E NÃO DIAGNÓSTICOS, ELES PODEM AJUDAR A MEDICINA (FOTO: THINKSTOCK)

Adivinhação genética
Após anos de enormes estudos genéticos – alguns dos quais envolveram mais de um milhão de pessoas – a ciência comprovou que a maioria das doenças mais comuns, comportamentos e traços de personalidade são ditados pelos genes. Os cientistas estão criando uma “análise de risco poligênica”. Apesar de os testes de DNA oferecerem probabilidades, e não diagnósticos, eles podem ajudar a medicina. Por exemplo, se uma mulher tem mais chances de desenvolver câncer de mama, precisa fazer exames com mais frequência do que uma com pouco risco de ter essa doença. As farmacêuticas também podem usar essa análise para desenvolver remédios preventivos para doenças como Alzheimer ou problemas cardíacos. Escolhendo voluntários com maiores chances de ter a doença específica, os pesquisadores podem avaliar os testes de forma mais precisa.

O problema é que as previsões não são perfeitas. Quem quer realmente saber se pode desenvolver Alzheimer? E se uma pessoa com baixo risco de câncer deixar de fazer os exames periódicos e acabar com a doença? Outra questão controversa é que a análise de genes pode prever qualquer traço, não apenas doenças. Por exemplo, pode prever cerca de 10% do desempenho de uma pessoa em testes de QI. Como os pais e educadores irão usar esse tipo de informação para a educação das crianças?

O salto da computação quântica
A computação quântica traz um enigma. Ela será capaz de realizar tarefas impensáveis para as máquinas atuais, mas ainda não sabemos para que usar todo esse poder. Segundo o MIT, uma possibilidade será desenhar moléculas precisamente. Os químicos sonham com proteínas novas para criar drogas mais eficazes, eletrólitos para baterias melhores, compostos que transformam a luz do sol em combustível líquido e painéis solares mais eficientes. Isso ainda não é possível porque desenvolver uma molécula em um computador convencional é difícil demais. Simular o comportamento de elétrons em moléculas relativamente simples já é complexo demais para os computadores atuais. Mas esse será um cálculo natural para os computadores quânticos, que em vez de usar bits que representam 1 ou 0, utilizam qubits, que são eles mesmos sistemas quânticos. Recentemente, pesquisadores da IBM usaram um computador quântico com sete qubits para desenhar uma pequena molécula feita de três átomos.

Fonte: 03/03/2018 – 12H28 – ATUALIZADA ÀS 12H29 – POR ÉPOCA NEGÓCIOS ONLINE 

Inteligência Competitiva Tecnológica: Inteligência artificial gera vantagem competitiva hoje, por Oscar Salazar

inteligência artificial (AI) foi, por muito tempo, vista como uma tecnologia inovadora e moderna, porém um investimento desnecessário do ponto de vista dos negócios. Hoje não mais. A AI emerge como um elemento chave para as estratégias de negócio em todas as indústrias. Em um recente relatório, a Forrester previu um aumento nos investimentos em AI de mais de 300% em 2017, em comparação com 2016.

No Brasil, a inteligência artificial já começa a ganhar orçamento próprio dentro das organizações. A busca pela redução de custos e aumento de produtividade vêm alavancando o uso de soluções que envolvem robôs capazes de conversar com os clientes e de sistemas que analisam milhares de dados em poucos segundos. O volume de recursos destinado a esse segmento no país vai aumentar mais de cinco vezes em 2018 em relação ao ano passado. 

O mais importante no momento é entender como essa tecnologia inovadora está permitindo que as empresas aproveitem seus dados para melhorar a eficiência e a produtividade no local de trabalho, ao mesmo tempo em que oferece resultados tangíveis do ponto de vista do negócio.

Inteligência artificial na área de Recursos Humanos

Os recursos humanos não são tipicamente uma área que nos vêm à mente quando pensamos em onde podemos aplicar inteligência artificial. Mas a tecnologia baseada em IA pode ajudar as organizações a classificarem muito mais rapidamente milhares de candidatos a emprego, em uma fração do tempo que levaria um ser humano. Especialmente nos dias de hoje, quando ferramentas de trabalho online permitem o disparo de aplicações de candidatos mais rapidamente do que nunca, as equipes de RH beneficiam-se dessa assistência da AI para triar algumas dúzias certeiras de candidatos a partir de um conjunto de centenas ou mesmo milhares de pessoas.

Claro que a inteligência artificial não pode tomar a decisão final da contratação – algumas etapas do processo requerem instinto humano inato. Dito isto, AI pode sim ampliar e otimizar o tempo disponível da equipe de recursos humanos, para que se concentrem em recrutar os profissionais mais adequados para uma entrevista, ao invés de perderem tempo selecionando e filtrando centenas de currículos de candidatos que definitivamente não se enquadram no perfil da vaga.

Inteligência artificial e a vantagem competitiva

A vantagem competitiva é provavelmente o maior (e mais óbvio) benefício que a inteligência artificial traz para as empresas. Uma recente pesquisa da Infosys com 1.600 executivos de negócios e de TI revelou que IA é uma prioridade de longo prazo, com 76% dos entrevistados concordando que essa tecnologia é “fundamental para o sucesso da estratégia de sua organização”. Veja a Ford Motors, por exemplo. No início de 2017 a empresa anunciou um plano para investir US$ 1 bilhão nos próximos cinco anos na Argo, uma startup de inteligência artificial focada em desenvolver tecnologia de veículos autônomos.

A Bosch é outra companhia que coloca a AI na vanguarda dos negócios com sua “fábrica do pensamento”, que habilita as máquinas alimentadas por IA a autodiagnosticar falhas técnicas, desencadear automaticamente o pedido de peças de reposição e antecipar as necessidades de manutenção. O ponto principal aqui é que, hoje, as empresas já estão enxergando valor no investimento em inteligência artificial. E aquelas que hesitarem a abraçar essa tendência correm o risco de nunca se recuperarem.

A inteligência artificial não é portanto a tecnologia do amanhã, pois já impacta na maneira como as empresas operam. A IA permite que as organizações tenham acesso a dados históricos em tempo real e tomem as melhores decisões em relação ao gerenciamento da força de trabalho, às estratégias de marketing, retenção de clientes, entre outras possibilidades, o que as torna mais aptas a atuarem nesse mundo cada vez mais complexo e competitivo.

Fonte: Oscar Salazar*, Computerworld

*Oscar Salazar é Vice Presidente de Vendas da ClickSoftware para América Latina.

Inteligência Competitiva Tecnológica: Porsche planeja construir carros voadores nos próximos anos

Porsche estuda criar e vender carros voadores

Porsche estuda criar e vender carros voadores

A Porsche está avaliando construir e vender carros voadores. Em entrevista a uma revista alemã Detlev von Platen, o chefe de vendas da marca, disse que o mercado de transporte aéreo urbano e de serviços de compartilhamento de viagens é interessante para as estratégias da companhia.

”Isso [construir carros voadores] realmente faz sentido. Passo ao menos uma hora no trânsito entre a fábrica da Porsche e o aeroporto, isso se eu tiver sorte. Voando demoraria apenas três minutos e meio, disse von Platen a publicação.

Segundo os planos da fabricante, os passageiros poderiam controlar o próprio veículo voador, mas não precisariam de uma licença de piloto. A dispensa acontecerá, segundo a empresa, porque muitas das funções do carro seriam automatizadas.

Mercado. A Porsche não é a primeira empresa interessada em produzir carros voadores para áreas urbanas. Entre os concorrentes está a empresa alemã Volocopter que já testou um pequeno táxi voador de dois lugares não tripulado em Dubai desde o ano passado. Integram a lista de concorrentes as empresas Daimler, Lilium Jet, eVolo, Terrafugia e Joby Aviation.

Fonte: Agências – Reuters, O Estado de S.Paulo, 05/03/2018 | 10h56