Inteligência Competitiva Tecnológica: Robô dá entrevista na Suíça

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Sophie é uma robô humanoide que pisca, sorri e até conta piadas. Ela é a principal atração de uma conferência da ONU em Genebra, realizada esta semana, sobre como a inteligência artificial pode ser usada para ajudar a humanidade.

Clique aqui para ver – Fonte: Estadão, 09/06/2017, Inteligência Artificial 

Inteligência Competitiva Tecnológica: Canadá se torna atrativo para talentos tecnológicos

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Amir Moravej, esquerda, um pioneiro da Inteligência Artificial, e Yoshua Bengio, que passou a fazer parte da startup de Moravej (Eva Blue)

Amir Moravej, engenheiro da computação iraniano em Montreal, trabalhou silenciosamente no ano passado para criar um software que ajuda as pessoas a usar o sistema de imigração canadense. Ele decidiu fazê-lo para que os outros evitassem as dificuldades que ele encontrou alguns anos atrás.

Então veio a eleição presidencial americana. “Trump acelerou tudo”, disse Moravej, 33, diretor executivo de uma startup de software chamada Botler AI.

Como a imigração se tornou uma questão política nos Estados Unidos e na Europa, a Botler AI começou a injetar mais recursos na construção de um chat específico para um dos programas de imigração do Canadá. Recentemente, a startup anunciou que Yoshua Bengio, um pioneiro da Inteligência Artificial e diretor do Instituto de Algoritmos para  Aprendizagem, em Montreal, entrou na companhia como assessor de estratégias.

Bengio contribui agora com sua grande capacidade intelectual facilitando o caminho para o que poderia se tornar  uma migração de talentos da área de high-tech.

O Canadá deverá se beneficiar do clima político americano e das iniciativas do governo Trump — até o momento paradas nos tribunais — visando restringir rigorosamente as viagens aos Estados Unidos de cidadãos procedentes de seis nações predominantemente muçulmanas. Depois da eleição de Trump, os pedidos de vistos de estudantes para o Canadá e de vistos temporários aumentaram.

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O distrito MarRS Discovery em Toronto, um dos mais importantes centros de inovação (Aaron Vincent Elkaim para The New York Times)

A imigração é um elemento fundamental da política econômica do Canadá. Um quinto da população do país de 36 milhões de habitantes é constituída por pessoas que nasceram no exterior. O Canadá tem dezenas de programas provinciais e federais, mas será dada prioridade a trabalhadores altamente especializados e a empreendedores.

Algumas das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos, como Google, Microsoft e IBM também estão aumentando suas equipes de pesquisa na área de Inteligência Artificial no Canadá.

O serviço de táxi Uber acaba de anunciar que está operando uma filial do seu grupo de tecnologias avançadas em Toronto, a primeira da companhia fora dos Estados Unidos. O laboratório desenvolverá uma tecnologia para que carros dispensem motoristas.

O Canadá também tem programas financiados que visam convencer pesquisadores em IA, formados em universidades canadenses, a permanecerem no país em vez de partirem para o Vale do Silício, como tantos fizeram anteriormente.

Os responsáveis pelas decisões da nação também querem convencer engenheiros e empreendedores que deixaram o país a retornar ao Canadá.

A empresa Ross Intelligence, uma startup de Inteligência Artificial fundada em Toronto, mudou-se para a Bay Area de São Francisco há dois anos.

Mas no mês passado, a Ross, cujo software pode analisar milhares de documentos legais e fazer uma classificação dos casos mais importantes para os advogados, abriu um escritório em Toronto.

Cinco integrantes da sua equipe estão se mudando de São Francisco para o Canadá: dois canadenses, um brasileiro, um belga e um americano.

O posto avançado de Toronto, disse o diretor de tecnologia da Ross, Jimoh Ovbiagele, “nos permite recrutar pessoal especializado do pool de talentos do mundo inteiro”.

A Botler AI ainda precisa obter financiamento e elaborar um plano de negócios. Bengio comunicou seu ingresso na startup em parte porque a tecnologia da Botler AI se encaixa perfeitamente com as pesquisas em andamento no seu instituto de IA.  Além disso, acrescentou, o trabalho da companhia sobre imigração poderia “ajudar muitas pessoas”.

Fonte: STEVE LOHR, New York Times International, Estadão, Maio 22, 2017 

Inteligência Competitiva Empresas: Patentear um produto pode levar mais de dez anos

Arquivo de pedidos de marcas e patentes no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual, no Rio. Foto: Ana Carolina Fernandes/Folhapress

A criatividade dos inventores pode esbarrar no desconhecimento do mercado e de uma pesquisa frágil sobre a viabilidade do novo produto, segundo a consultora do Sebrae Sandra Fiorentini.

Vale começar a busca no serviço Google Patents, que faz um levantamento global em escritórios de patente e informa se a ideia é nova.

Quem não faz essa lição de casa tem chances de ver o pedido rejeitado pelo INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), após um processo que pode levar mais de dez anos.

O órgão atribui a morosidade ao baixo número de profissionais responsáveis pelas análises.

“Por ano, conseguimos avaliar apenas 11 mil requerimentos porque temos 300 encarregados, contra 8.000 nos EUA e 12 mil na China”, explica o diretor de patentes do INPI Júlio César Moreira.

É possível iniciar a venda do produto só com o requerimento. Mas não adianta pedir a patente quando o item, já à venda, é copiado. Isso porque ganha o registro quem fizer primeiro a solicitação.

O físico Claudemir Lopes, 51, ainda não conseguiu patentear sua invenção, a Thermo-X, argamassa térmica que diminui o calor e o barulho do ambiente. Mas o pedido foi feito há três anos.

“Já trabalho no ramo há 25 anos e vi que não havia um produto com essas características. Passei três anos desenvolvendo a massa, para uso em residências e prédios comerciais”, afirma.

Para criar a Thermo-X, Lopes investiu R$ 1,5 milhão. Ele não revela o faturamento, mas planeja crescer 8% em 2017 e calcula ter vendido cerca de 100 mil sacos do produto, comercializado em lojas de construção de grande porte.

O físico atribui o sucesso à experiência no setor. “Sem conhecimentos de processo industrial e de construção, não teria sido possível desenvolver a argamassa”, diz.

O professor de empreendedorismo do Insper Thiago de Carvalho recomenda que o inventor privilegie ideias em um setor que já conheça.

“Do contrário, corre-se o risco de ignorar questões importantes de público-alvo, custo de produção e precificação, pois o conhecimento do ramo é elementar.”

Uma pesquisa deste ano da Global Entrepreneurship Monitor, que levantou dados econômicos de 64 países, aponta que 66% das empresas brasileiras que fecham as portas o fazem pela baixa lucratividade de seus itens.

“Além de mostrar o produto para colegas e amigos que poderiam se interessar, dá para entrar em contato com pontos de venda, como grandes lojas, e colher opiniões ali”, afirma Fiorentini.

Carvalho, do Insper, diz que, sem um investidor profissional que cobre resultados, é preciso ter cuidado para não se endividar.

“Muitos gastam todo o dinheiro que têm sem muita supervisão. É preciso ser criativo para encontrar formas de abrir a empresa com alguma folga no orçamento.”

Fonte: Folha de S.Paulo, SÃO PAULO, 22/05/2017, 02h00

Inteligência Competitiva Tecnológica: Livro “Ciência Além Da Visibilidade”, de Gilson Volpato

O que significa ser um cientista e que atributos são necessários para seguir uma carreira científica? São essas questões que Gilson Volpato aborda em Ciência Além da Visibilidade, livro recém-lançado pela editora Best Writing.

Professor aposentado do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, Volpato, que atende mais de 10 mil alunos por ano em cursos que dá pelo país, viu que era preciso ir além da técnica. Após escrever livros sobre redação científica e estatística para cientistas, decidiu aprofundar o tema, o que resultou em um livro que dá diretrizes para graduandos e pós-graduandos que querem se firmar como cientistas.

Na nova obra, o autor explica a diferença entre pesquisador e cientista, o significado de fazer ciência e reflete sobre o cientistas que estão sendo formados no Brasil.

“Para ser um cientista, é preciso conseguir ligar conhecimentos de diversas áreas. Muitas vezes a pessoa sabe fazer pesquisa, usar o método científico e resolver um problema, mas cientista é diferente de pesquisador”, disse Volpato à Agência FAPESP.

O livro está dividido em três partes. Na primeira, o autor explica o que é ciência, o método científico e passa uma visão da ciência a partir da epistemologia. “O aluno precisa entender o sistema, o método científico e por que ciência é importante para qualquer área do país”, disse.

Na segunda parte, o livro se aprofunda na formação do cientista. “Existem vários tipos de cientistas. É um degradê: de um lado temos os muito ligados a uma área específica e, na outra ponta, aqueles que se envolvem em diversas áreas de conhecimento. Ser cientista é agregar conhecimento a uma rede de conhecimento de todo o mundo e é esse o poder magnífico da ciência, onde todo mundo pode usar essa rede”, disse Volpato.

Na terceira parte, o livro aborda boas práticas da ciência. “Eliminando-se os erros de má índole [corrupção], há vários equívocos a que estamos sujeitos sem que o percebamos. São erros conceituais que levam a desdobramentos equivocados na Ciência”, escreveu.

O autor lista quais são esses equívocos – seja na escolha do orientador, análise e coleta de dados, ou montagem do estudo, por exemplo –, indica como corrigi-los e ainda aponta eventuais consequências.

“É um livro voltado para quem já é ou tem interesse em se tornar um cientista. Mais que a visibilidade, é importante que haja qualidade na ciência e, por isso, fiz esse conjunto de orientações para construir conhecimento científico com competência e nível internacional”, disse.

Ciência Além da Visibilidade
Autor: Gilson Volpato
Lançamento: 2017
Preço: R$ 65
Páginas: 210
Editora: Best Writing
Mais informações, clique aqui

Fonte: Maria Fernanda Ziegler  |  Agência FAPESP, 17 de maio de 2017

Inteligência Competitiva Tecnológica: O RH encara robôs e inteligências artificiais

Divulgação

Erica Dhawan, CEO da Cotential, defende conexões mais inteligentes nas empresas. Foto: Divulgação.

A tecnologia hoje pode ajudar os departamentos de recursos humanos a reunir dados que traçam o perfil dos funcionários e os comportamentos que melhor se adaptam à organização.

Com isso, podem ter um recrutamento mais assertivo e direcionar treinamentos para as necessidades individuais dos empregados.

Novas ferramentas podem estimular ainda o trabalho em equipe e oferecer a oportunidade do profissional gerenciar a própria reputação na empresa. Tudo isso representa um grande avanço para a gestão de pessoas.

Mas os desafios dos RHs passam por questões que vão além de ter que aprender a interpretar dados, e que requerem novas competências como gestores.

A chegada da geração nascida nos anos 80 aos cargos de chefia e a entrada dos nativos digitais exigem um novo olhar para a atração, retenção e desenvolvimento de talentos.

Além disso, a discussão sobre o uso de inteligência artificial, a robotização e a as novas funções que sobrarão para os humanos já começa a tirar o sono desses executivos.

Todas essas questões foram discutidas na quarta edição do HCM World, evento promovido pela Oracle, que reuniu em Boston mais de 2 mil gestores de RH, de vários países.

Em três dias, foram mais de 60 palestras de executivos da área e de pensadores da gestão. “Parece que o RH está sempre correndo atrás”, diz o sócio da Deloitte, John Bersin.

Em um estudo da consultoria, que reuniu dados de 10 mil pessoas da área, em 140 países, nos últimos três anos, apenas 17 % dos gestores disseram que se sentem prontos para gerenciar uma força de trabalho com pessoas, robôs e inteligências artificiais.

“Eles estão praticamente sendo empurrados para ajudar as organizações a se tornarem digitais.” O brasileiro Fábio Fukuda, diretor global de RH da Cummins, foi responsável pela implementação de um de programa de gerenciamento de talentos na nuvem que envolveu os 55 mil empregados da companhia, em 50 países.

“Foi uma grande mudança cultural para os líderes de RH acostumados a fazer os processos manualmente”, diz. O programa teve início em 2015 e terminou no fim do ano passado. A área de RH da Cummins tem 1.7 00 profissionais.

“O aumento por mérito, que antes era indicado pelo gestor de cada área em um processo que durava até três meses, agora leva duas semanas”, explica Fukuda. Antes, o RH coletava manualmente o quanto cada gestor gostaria de conceder de aumento para a equipe.

O novo sistema indica esses valores e o RH só faz a “calibração” com o executivo para entender se os valores estão corretos e por que um empregado vai ganhar mais que o outro.

“O trabalho ficou mais inteligente e o gestor de pessoas passou a atuar como um consultor especializado em remuneração.” Para o CEO da Oracle, Mark Hurd, não dá para pensar só em aplicativos para RH, é preciso falar de processos. Com 140 mil funcionários em mais de 100 países, ele conta que usa em casa a plataforma que criou para o gerenciamento de capital humano na nuvem, a HCM. “Recrutamos mais de 20 mil pessoas por ano”, diz.

Mas mesmo em uma empresa de tecnologia novas soluções são implementadas aos poucos. “Estamos chegando a um nível de sofisticação em que os gestores terão todo o fluxo de trabalho da organização no celular.” “Como faremos todos os trabalhadores confiarem em algoritmos?”, questiona Steve Denton, presidente da Collective(i), rede global que usa inteligência artificial para analisar as compras das empresas e orientar profissionais de vendas. A resposta não é fácil e divide os ouvintes em sua palestra.

“A melhor combinação para se ganhar músculo e agilidade é ter pessoas que contam com o suporte dos números”, diz. Ele concorda que ninguém vai mudar de comportamento em um minuto, mas diz que o engajamento dos empregados com as inteligências artificiais é possível.

“Todos usamos alguma IA, o Waze é um exemplo.” “A questão é obter vantagens competitivas com os números”, diz José Francisco da Silva, diretor de capital humano da empresa de call center TeleTech, que tem 48 mil empregados em 23 países.

No Brasil, onde reúne 3 mil funcionários, a companhia contrata cerca de 120 pessoas por mês. Silva conta que adotou ferramentas para identificar o perfil dos melhores candidatos no recrutamento. “Alimentamos o algoritmo com o perfil dos mais bem sucedidos”, diz.

Com a medida, ele aumentou os acertos na seleção. “Em 3 anos, nosso turnover caiu de 8% para 3,5%”, diz. Outra ferramenta tecnológica que pode ajudar o RH a aumentar a produtividade nas empresas é a que ajuda a divulgar a reputação dos funcionários em fóruns, mídias sociais internas e e­mails.

Nesses espaços, os funcionários promovem habilidades que podem ser usadas em projetos de outras áreas. Andrew Fulton, presidente da Inoapps, desenvolvedora de aplicativos, diz que esse tipo de ferramenta só funciona quando existe alinhamento entre as motivações pessoais dos funcionários e os objetivos da companhia.

Para Erica Dhawan, CEO da Cotential e co­autora do best­seller “Inteligência Conectiva” (Editora Gestão Plus), a chave do sucesso é justamente conhecer os funcionários e promover conexões inteligentes entre eles.

“Aproveitamos pouco o networking informal da empresa”, diz. Segundo ela, um terço do valor agregado ao negócio por meio de colaboração vem de apenas 3% dos empregados.

A tecnologia ajuda a encontrar experts e facilita a interação longe das reuniões e teleconferências formais, diz a autora. Poucos gestores, no entanto, conseguem entender o trabalho em rede. Segundo Erica, um estudo da HBR mostra que apenas 21% dos líderes admitem ter habilidade para construir times multifuncionais.

Ela lembra que 36% dos funcionários com alta performance possuem fortes laços internos. Como exemplo de trabalho multifuncional, ela cita o caso da Oreo que, em 2013, em menos de quatro minutos após o início de um blackout no Superbowl, publicou uma mensagem no Twitter dizendo que era possível saborear a bolacha no escuro.

A rápida resposta fez com que o anúncio fosse considerado um dos melhores daquele ano, com custo zero. “Isso só foi possível porque executivos, advogados, publicitários e equipes de mídia social aprenderam a trabalhar juntos em tempo real anos antes.”

Os jovens são naturalmente familiarizados com trabalho em equipe e tecnologia. “Hoje o primeiro acesso de quem procura emprego é pelo mobile”, diz Lindsay Stanton, da Digi­Me, que produz conteúdo digital para recrutamento.

Ela conta que 60% dos candidatos que acessam as vagas são da geração Y e preferem vídeos do que textos sobre os empregos. Se por um lado a nova geração é viciada em tecnologia, por outro, como os demais profissionais, ela sabe que por isso está trabalhando demais.

O uso de tecnologia cresceu nos últimos anos, enquanto a produtividade despencou. “Nunca foi tão baixa desde a Revolução Industrial”, afirma John Bersin da Deloitte.

Ele diz que 48% dos jovens americanos gostariam de ter mais dias de férias, enquanto 86% dos trabalhadores, em geral, dizem que o fato de serem “mártires”do trabalho prejudica suas famílias.

A razão para esse cenário devastador, segundo ele, é que ainda não estabelecemos regras de como as organizações devem operar na era digital. Portanto, é certo que o RH terá um papel fundamental para definir o nosso futuro.

Fonte: Stela Campos, Valor, 24/04/2017, ­ 05:00, A jornalista viajou a convite da Oracle.

Inteligência Competitiva Tecnológica: Estudo analisa regulação de medicamentos genéricos no Brasil

Estudo analisa regulação de medicamentos genéricos no Brasil

Trabalho de pesquisadores do Insper e da London School of Economics avalia fatores como equivalência, prescrição e substituição na produção de genéricos (foto: Wikimedia Commons)

Menos de 20 anos depois de o Brasil começar a produzir versões com os mesmos princípios ativos, nas mesmas doses e formas farmacêuticas de medicamentos de referência que tivessem a patente expirada, mais de um quarto das vendas farmacêuticas são de genéricos.

Em artigo publicado no Pan American Journal of Public Health, Elize Fonseca, pesquisadora do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), e Ken Shadlen, da London School of Economics, fazem um estudo de caso sobre a regulação de medicamentos genéricos no Brasil e comparam abordagens nacionais para a promoção e regulação dos remédios. O estudo teve apoio da FAPESP por meio do Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes.

“É comum pensar que a regulação de genéricos no Brasil é algo estabelecido, mas se trata ainda de uma área com pouco estudo. Queremos entender como e por que o Brasil optou pela regulação vigente. É importante compreender isso, uma vez que é a regulação que dita as regras de um mercado com vários atores – como governo, consumidores, farmacêuticas –, podendo ampliar ou restringir o acesso aos medicamentos”, disse Fonseca à Agência FAPESP.

O estudo destaca que diversos fatores e interesses, tanto dos setores públicos como dos privados, influenciaram o desenho e a implementação da regulação de medicamentos genéricos no Brasil.

O trabalho enfocou quatro temas centrais da regulação de genéricos, que envolvem equivalência, embalagem, prescrição e substituição. Foram estabelecidas perguntas-chave que permitissem analisar a regulação de genéricos: como foi provada a equivalência entre o genérico e o medicamento de referência; os genéricos podem ter nome de marca na embalagem; médicos podem prescrever o medicamento usando o nome do genérico ou um nome de marca; farmacêuticos podem substituir genéricos por produtos inovadores.

Os resultados da análise tiveram como base dados coletados entre 2007 e 2015 de documentos do governo brasileiro – como memorandos da política de regulação de genéricos e discursos oficiais –, além de mais de 400 reportagens de jornais e artigos científicos.

Os dados foram complementados por 60 entrevistas com reguladores e funcionários do governo que participaram da elaboração e implementação das políticas de medicamentos genéricos do Brasil.

Segundo Fonseca, o exemplo brasileiro é fundamental para compreender a regulação de genéricos. O país é o maior mercado da América Latina no setor e, embora tenha testemunhado altos níveis de penetração desses medicamentos no mercado farmacêutico, o processo foi acompanhado por uma série de conflitos entre governo, farmacêuticas e consumidores. “No fim, vemos que a regulação é uma questão técnica e também política”, disse.

Segundo observaram os pesquisadores, “a Lei de Medicamentos Genéricos de 1999 foi uma oportunidade para promover a utilização do nome genérico (também chamado de Denominação Comum Brasileira) como regra de prescrição e aumentar os requisitos farmacológicos para registrar genéricos”.

Na prática, de acordo com a regulação referente às embalagens dos medicamentos – que incluem a tarja amarela e o uso do G em destaque para indicar que o medicamento é genérico –, foi impulsionado o nome genérico dos medicamentos no lugar de nomes de marca (registrada).

Outro ponto analisado foi a regulação sobre a prescrição. No Sistema Único de Saúde (SUS), os profissionais devem prescrever os medicamentos pela denominação genérica. Já nos serviços privados de saúde, a prescrição fica a critério do médico responsável, podendo ser realizada sob nome genérico ou de marca.

O estudo cita uma pesquisa realizada em 2006 em oito cidades brasileiras, que avaliou a opinião de 55 profissionais de saúde. Os resultados mostraram que 44% dos profissionais achavam que os medicamentos genéricos não eram tão confiáveis como os originais e que, mesmo entre os que confiavam nos genéricos, 17% não os prescreviam.

Bioequivalência

O processo de discussão sobre medicamentos genéricos no Brasil teve início na década de 1970. Porém apenas na década de 1990 que foi publicada a Lei 9.787, de 10/02/1999, que criava condições para a implantação de medicamentos genéricos, em consonância com normas adotadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e em países da Europa, dos Estados Unidos e do Canadá.

No ano 2000, iniciou-se a concessão dos primeiros registros de medicamentos genéricos. Na época também foram tomadas ações para implementar a produção desse tipo de medicamento, inclusive com incentivo à importação.

“Antes da aprovação da lei de genéricos, as indústrias farmacêuticas locais podiam copiar os medicamentos de referência sem apresentar nenhum teste de equivalência terapêutica. A exigência de bioequivalência [quando fica comprovado que as duas drogas, medicamento genérico e o de referência, são iguais] tirou do mercado vários produtores que não conseguiram se adaptar às exigências da nova regulação”, disse Fonseca.

A pesquisadora ressalta que é importante observar que quando se restringe o número de concorrentes, em um cenário extremo, o preço pode subir, limitando o acesso da população aos medicamentos. “Nesse setor, a concorrência é fundamental para reduzir o preço dos medicamentos”, disse.

Os pesquisadores ressaltam que, em comparação com outros países latino-americanos, as exigências brasileiras são muito rigorosas. Eles apontam um estudo realizado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que concluiu que nenhuma outra autoridade reguladora nacional da América Latina solicitou bioequivalência para tantos fármacos. Dos 86 fármacos analisados nos países latino-americanos pelo estudo, 51 necessitaram de demonstração de bioequivalência no Brasil.

No início dos anos 2000, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criou diversos instrumentos de apoio aos fabricantes de genéricos para estimular o registro desses produtos no país. Entre eles o fast-track, que dava prioridade na aprovação do registro de medicamento genérico.

A Anvisa também prestou apoio contínuo às empresas locais, ao supervisionar as mudanças em seus departamentos reguladores. Com isso, o Brasil ganhou expertise em realizar testes de bioequivalência, que anteriormente tinham que ser realizados fora do país. Atualmente, quase todos os testes de equivalência terapêutica (87,6%) são realizados no Brasil.

“O consenso entre os representantes do setor farmacêutico a respeito da regulação de medicamentos genéricos era visto inicialmente como uma ameaça à sua sobrevivência, porém revelou-se que a regulação foi instrumental na melhoria das fábricas e nos processos de produção de medicamentos”, escreveram os autores.

Regulação em outros países

Fonseca e Shadlen pretendem usar a metodologia desenvolvida para fazer uma comparação da regulação entre diferentes países da América Latina. O objetivo é estudar caso a caso sobre como funciona a regulação de genéricos no Chile, Colômbia, Argentina e México e entender as relações comerciais na região.

“Existem diversas negociações e tentativas de harmonizar, ou seja, padronizar, a regulação de genéricos nos países da América Latina. É um tema bastante controverso, se devemos harmonizar ou não. Hoje, cada país tem um tipo de regulação diferente, o que acaba criando uma barreira comercial. Respondendo às quatro perguntas-chave, podemos ter um maior entendimento sobre a regulação de cada país”, disse Fonseca.

A Organização Mundial da Saúde sugere uma regra, mas, por questão de soberania, cabe às agências regulatórias de cada país escolher a regra que querem adotar.

O artigo Promoting and regulating generic medicines: Brazil in comparative perspective, de Elize Massard da Fonseca e Kenneth Shadlen, pode ser lido aqui

Fonte: Maria Fernanda Ziegler  |  Agência FAPESP,  19 de abril de 2017

Inteligência voltada para a tecnologia

PRESCOTT & MILLER (2002) afirmam que enquanto os aspectos da Inteligência Competitiva comercial estão bem documentados, a Inteligência voltada para a tecnologia não recebeu a mesma atenção.

E cada vez mais, ser surpreendido pelos avanços técnicos de um concorrente pode ser algo devastador, o que faz com que o monitoramento da tecnologia em suas várias formas seja um componente decisivo da Inteligência Competitiva, dizem Prescott & Miller (2002).