Inteligência Competitiva Brasil: PIB cai 3,6% e indica retomada lenta

A queda de 0,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre de 2016, maior que a esperada pelos analistas, não muda a avaliação de que a economia deve voltar a crescer em 2017 . No entanto, para que o país evite um terceiro ano consecutivo de queda do PIB, a recuperação no primeiro semestre terá que ser mais forte do que a prevista. A recessão do ano passado, de 3,6%, anunciada oficialmente ontem pelo IBGE, deixou uma herança estatística bastante negativa, de ­1,1%. Isso significa que se a economia ficar com produção estabilizada neste ano em relação ao nível do quarto trimestre de 2016 haverá uma nova recessão, de 1,1%, em 2017 .

Apesar do resultado ruim, não houve entre os analistas revisões significativas na previsões para o PIB deste ano. A expectativa dominante é que haverá recuperação lenta e gradual ao longo do ano, que pode começar já no primeiro trimestre, embora com uma alta muito modesta em relação ao trimestre anterior. Paulo Picchetti, pesquisador do IbreFGV, prevê crescimentos de 0,1% no primeiro semestre e de 0,4% no ano todo. Marcelo Carvalho, economista  ­chefe do BNP Paribas, trabalha com uma taxa positiva de 1% para o ano, estimativa que ele poderá revisar um pouco para baixo.

O ciclo de queda dos juros e a expectativa de safra recorde são dois dos principais fatores que levam os economistas a apostar na retomada, ainda que moderada, em 2017 . No acumulado de 2015 e 2016, a economia brasileira encolheu 7 ,2%, uma das maiores retrações do mun­do.

No ano passado, só a Venezuela teve desempenho pior do que o brasileiro na América Latina. A Argentina também enfrentou recessão, de 2,2%. Corrigido pela inflação, o PIB per capita brasileiro anual caiu 4,4% em 2016 e ficou em R$ 30.407 , segundo o IBGE.

Esse nível é inferior, também, ao de 2010, quando atingiu R$ 31.97 9, segundo cálculos do economista Cláudio Considera, do Ibre­FGV. Em 2015, o PIB per capita já havia caído 4,6%.

O PIB per capita brasileiro era de R$ 24.992 em 2001 e cresceu ininterruptamente até 2012, quando alcançou R$ 33.330 (deflacionado) e passou a cair a partir de 2013, acumulando em 2016 três anos consecutivos de retração.

Esse indicador é uma medida de desenvolvimento do país. Mais que o dado geral do PIB, é um bom termômetro dos níveis de bem ­estar e satisfação da população, afirma o professor do Insper, Otto Nogami.

Fontes: Valor, Rio e São Paulo, 08/03/2017,­ 05:00

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Inteligência Competitiva: TV paga registra queda de 105,40 mil assinantes em janeiro

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) registrou em janeiro de 2017 um total de 18,69 milhões de assinantes de TV paga no Brasil, o que corresponde a uma diminuição de 105,40 mil assinantes em comparação com dezembro de 2016, menos 0,56%. Dos grupos acompanhados pela Agência, a Oi e a Cabo apresentaram crescimento de 1,06% e 0,24%, respectivamente. Todos os outros grupos apresentaram redução.

Nos últimos doze meses, a redução foi de 364,46 mil assinantes, menos 1,91%. Neste período, a Oi apresentou crescimento de 12,03% com mais 141,55 mil assinantes. Todos os outros grupos apresentaram redução, destaque para a Blue com queda de 30,66%, redução de 46.116 assinantes.

Em relação às tecnologias, entre dezembro de 2016 e janeiro de 2017, a fibra ótica apresentou crescimento de 0,22% devido à adição de 485 usuários. No entanto, em 12 meses, esta tecnologia apresentou crescimento de 27,35% com a entrada de 47, 59 mil assinantes. Todos os outros serviços apresentaram queda, em termos absolutos a maior redução foi registrada por usuários de satélite, menos 353,67 mil assinantes (-3,2%).

Nos estados brasileiros, no último mês o Ceará liderou a redução percentual nos números de usuários de TV paga, menos 1,73%, seguido pelo Amazonas com redução de 1,62% e Amapá com menos 1,54%. Piauí apresentou crescimento de 0,19% e Maranhão de 0,06%, entre dezembro de 2016 e janeiro de 2017.

Nos últimos doze meses, Pernambuco liderou a redução percentual nos assinantes no país, menos 8,02%, seguido de Rondônia com queda de 7,98% e Amapá com menos 7,58%. Lideraram o crescimento da TV paga no Brasil os estados do Piauí com 7,47%, Sergipe com 4,26% e Maranhão com 4,08% de aumento no número de assinantes.

Fonte: Agência Nacional de Telecomunicações

Inteligência Competitiva Brasil: Com dois anos de recessão, PIB brasileiro encolhe 7,2%

A economia brasileira encolheu pelo segundo ano consecutivo em 2016, confirmando a pior recessão desde 1930. O Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas, caiu 3,6% no ano passado, segundo divulgou o IBGE nesta terça-feira, 7. Com dois anos de recessão, o PIB brasileiro acumula retração de 7,2%.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que “a queda do PIB em 2016 é o espelho retrovisor.” 

Pelos dados do IBGE, é a maior retração desde 1948, mas séries históricas mais antigas, como as do Ipea, apontam para a maior recessão desde 1930, quando o mundo vivia a Grande Depressão, provocada pela quebra da Bolsa da Nova York.

O resultado veio um pouco abaixo do recuo de 2015, de 3,8%, e dentro das expectativas dos analistas. O tombo foi generalizado entre todas as atividades econômicas, com a agropecuária liderando os recuos (-6,6%), seguida pela indústria (-3,8%) e serviços (-2,7%).

A coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, relutou em afirmar que se trata da pior recessão da história, por causa da falta de dados sobre antes de 1948. Ainda conforme os cálculos do IBGE, o PIB encerrou 2016 no mesmo nível do terceiro trimestre de 2010. “É meio como se estivesse anulando 2011, 2012, 2013, 2014, que tinham sido positivos”, afirmou Rebeca.

Empobrecimento. “A população empobreceu”, afirmou Rebeca ao analisar a divisão do PIB pelo número de habitantes, o PIB per capita. De 2014 a 2016, o PIB per capita caiu 9,1%. No mesmo período, a população cresceu 0,9% ao ano. A queda de 9,1% é “bastante relevante”, de acordo com a pesquisadora. “Nos três últimos anos, como a população continua crescendo, a queda do PIB per capita amplificou. O bolo encolheu e a quantidade de pessoas aumentou. Tem que colocar muita água no feijão.”

No quarto trimestre, a queda do PIB foi de 0,9% em relação aos três meses anteriores, a oitava nesta comparação. Nesta análise, a agropecuária cresceu 1%, enquanto a indústria (-0,7%) e os serviços (-0,8%) recuaram.

Depois de dois anos de contração do PIB, os analistas afirmam que já há sinais de melhora, como a queda da inflação e juros, e o crescimento da confiança de consumidores e empresários. Mas a indicação é que a recuperação ainda será frágil diante da alta taxa de desemprego, que compromete  a retomada do consumo, um dos motores do crescimento nos últimos anos.

Pelos dados do PIB, o consumo das famílias caiu 4,2% em relação a 2015, enquanto a despesa do governo caiu 0,6%.

Os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), caíram 10,2%, o terceiro recuo seguido. O dado é olhado pelos economistas para medir a capacidade da economia de crescer.

Apesar do tombo generalizado entre todas as atividades, as exportações mostraram alta de 1,9%, impedindo um declínio maior do PIB.

O governo tem adotado o discurso de que o PIB vai mostrar crescimento já no primeiro trimestre deste ano. De acordo com as projeções dos analistas ouvido pelo Banco Central, a economia deve ter alta de 0,49% em 2017 e de 2,39% em 2018.

Em 2015, o quadro já fora ruim, quando houve declínio de 3,8%. Em 2014, o PIB cresceu apenas 0,5% – dado revisado após taxa positiva original de 0,10%.

 Fontes: Daniela Amorim, Fernanda Nunes, Mariana Sallowicz, Vinicius Neder, André Ítalo Rocha, Lorenna Rodrigues e Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo, 07 Março 2017 | 09h01

Inteligência Competitiva Empresas: Seta fecha mais da metade das 50 lojas

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Afetados pela disparada da inflação de alimentos e pela queda na renda, a crise no varejo bateu forte nos hipermercados e supermercados. Em 2016 esse segmento respondeu por quase um terço das lojas fechadas, segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Entre abertura e fechamento de lojas, o saldo ficou negativo em 34,7 mil pontos de venda no ano passado. “Por dois anos seguidos (2015 e 2016) os hipermercados e os supermercados lideraram o fechamentos de lojas”, diz o economista da CNC, Fabio Bentes. Em dois anos foram 62 mil lojas desativadas.

Ao que tudo indica, o ajuste desse segmento continua. No início deste mês, o Grupo Seta, que tinha 50 lojas de atacarejo nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Amazonas, fechou 28 lojas. Só na cidade de São Paulo foram encerradas sete lojas e demitidos 1.180 trabalhadores, segundo Josimar Andrade, diretor do Sindicato dos Comerciários de São Paulo.

A empresa confirma o fechamentos de lojas, mas não o de demitidos. Por meio de nota, a companhia explica que o grupo, que começou as atividades em 2008, teve uma expansão rápida, mas dependente do crédito. Com as restrições nos empréstimos bancários por causa da crise, a empresa teve de reduzir a operação para se reorganizar.

O ajuste da operação atingiu neste começo também o Walmart, uma das maiores empresas do segmento do varejo de alimentos do País. A varejista fechou cinco supermercados, a maioria no Sul. A empresa informa, por meio de nota, que “revisa constantemente seu portfólio de lojas, podendo fechar unidades que não apresentem desempenho satisfatório”.

Tamanho.  Apesar de a crise ter reduzido drasticamente o número de lojas do varejo como um todo, foram as pequenas empresas que sentiram mais o baque e fizeram o maior enxugamento, muitas delas para sobreviver. De acordo com o estudo da CNC, das 108,7 mil lojas fechadas no ano passado, 39,6 mil foram no pequeno varejo.

O Grupo Nayara Cruz, especializado em vestido de festa e moda feminina para senhoras, tinha, por exemplo, nove imóveis alugados no bairro paulistano do Bom Retiro e empregava 70 pessoas. Hoje são seis imóveis locados para loja, confecção e estoque e 50 funcionários.

“Esta loja era geminada com a do lado. Entreguei a do lado e reduzi esta aqui. Isso diminuiu bastante o custo e também o número de funcionários”, explica a dona da empresa Meire Araujo Cruz. O ajuste aconteceu nos dois últimos anos, quando as vendas começaram a cair. Em 2015, a queda foi de 10% a 15% e no ano passado, entre 20% e 30%. Há 18 anos no mercado, a empresária diz que 2016 foi o pior ano da empresa. “Nunca tinha visto loja fechada na rua José Paulino”, observa.

O ajuste foi necessário, diz Meire, para manter a empresa funcionando, mesmo sem ter lucro. Segundo a empresária, o lado positivo desse ajuste foi que se começou a dar valor ao corte de pequenas despesas para reduzir custos. “Tudo olhamos hoje de forma diferente, pois temos que sobreviver.”

Fonte: Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo, 13 Fevereiro 2017 | 05h0

Inteligência Competitiva: Indústria de SP demite meio milhão de pessoas em três anos

SERTAOZINHO, SP, BRASIL, 05-07-2013. Operarios na linha de montagem da industria de caldeira Caldema em Sertãozinho. A falta de projetos de novas usinas de açúcar e álcool causa reflexos nas empresas de máquinas e equipamentos em um dos principais polos do setor, em Sertãozinho. A ociosidade média nas fábricas chega a 60%, de acordo com cálculos do Ceise Br (centro nacional das indústrias do setor). Na Caldema, em 2013, houve apenas um pedido para fabricação de caldeira.( foto silva junior/folhapress ) REGIONAIS

Operário na linha de montagem de fabricante de caldeiras em Sertãozinho (SP). Foto: Silva Junior – 5.jul.13/Folhapress

A indústria paulista espera voltar a ter um saldo positivo sólido de empregos apenas em 2018. Para este ano, a expectativa da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) é ficar no “zero a zero”.

“Em 2017 devemos ter até 10 mil contratações. Não é um resultado bom, mas é positivo após três anos consecutivos de saldos negativos”, diz Guilherme Moreira, gerente do departamento de estudos econômicos da entidade.

Segundo ele, o setor concluiu o corte necessário na mão de obra para adequá-la ao nível baixo de produção e deve começar a recontratar caso a expectativa de expansão de 0,8% do PIB se concretize neste ano.

“Por agora, o mercado de trabalho deve começar com uma dinâmica ruim, mas isso deve melhorar no segundo semestre”, afirma.

A característica gradual dessa recuperação é reflexo da continuidade da política de redução da taxa básica de juros pelo Banco Central, de modo a incentivar a retomada do crédito e do consumo.

MEIO MILHÃO DE DEMISSÕES

Desde 2014, foram fechadas 518 mil vagas no Estado de São Paulo, segundo levantamento da Fiesp divulgado nesta quinta-feira (19).

O pico de cortes foi em 2015, que concentrou 45,5% dos empregos encerrados no período, ou 236 mil postos. Em 2016, foram de 153 mil.

FRENTE CONTRA O DESEMPREGO

A crise na indústria motivou sindicatos paulistas a criar na quinta-feira (19) uma “frente contra o desemprego”. O objetivo é apresentar propostas para o desenvolvimento econômico da cidade e do Estado.

Na avaliação dos sindicalistas, as soluções até agora trabalhadas, como a reforma da Previdência e da CLT –ambas apoiadas pela Fiesp–, vão agravar o quadro social.

“Dependendo da situação, ou o trabalhador aceita a imposição da empresa ou vai para a rua. Também não temos uma política que garanta emprego até os 65 anos e o trabalhador não conseguirá se aposentar”, diz, em nota, Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi.

Fonte: FERNANDA PERRIN, FOLHA DE S.PAULO, SÃO PAULO, 20/01/2017,   02h00

Inteligência Competitiva: O que realmente acontece no Fórum de Davos

Foto: Reuters

Esquema de segurança em Davos, que recebe 40 líderes mundiais. Foto: REUTERS

Chegou aquele momento do ano em que os mais ricos, poderosos e famosos se reúnem em uma cidadezinha nos Alpes suíços para discutir grandes questões e tentar dar uma ajeitadinha no mundo.

O Fórum Econômico Mundial surgiu de uma pequena conferência nos anos 70, quando foi lançado pelo acadêmico Klaus Schwab, para se tornar um evento com mais de 2,5 mil participantes, mil deles presidentes de companhias e 40 líderes mundiais.

Neste ano, nomes como o ator Leonardo DiCaprio, o cantor Will.i.am e o piloto de Formula 1 Sebastian Vettel dividem as atenções com figurões como Bill Gates, Bono Vox, o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras e seu colega canadense, Justin Trudeau.

A presidente Dilma Rousseff, que desde que assumiu a Presidência em 2011 só esteve no evento em 2014, não vai. Mandou o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, que fala a executivos na quinta-feira. Ele será o único representante do primeiro escalão do governo.

A crise dos refugiados, as mudanças climáticas e o aumento dos juros internacionais estão entre os grandes temas a serem debatidos no evento deste ano.

Como é e o que acontece em Davos?

Como você deve imaginar, há muitas reuniões, com diversos graus de sigilo. Há os encontros públicos, aos quais qualquer pessoa presente pode ir. Há os fechados, que recebem apenas os credenciados. E há, ainda, os privados, que ninguém fica sabendo que ocorreram. É nestes últimos que grandes acordos são costurados.

Mas o que realmente acontece lá?

Além das reuniões, há também muitas festas – que, na maioria, não são pagas pelos presentes. Corporações convidam para drinques e jantares, uma oportunidade de ampliar as redes de negócios de seus executivos junto a políticos e outras estrelas do evento.

Eventualmente, uma grande banda aparece – caso do The Killers, que tocou no evento do ano passado. Mas, apesar da boca livre, não imagine festas de arromba. Em Davos, festa – ou show – significa salto alto, gravata e canapé.

Então, é só falação e dança, certo?

Talvez. Mas a ideia do encontro é engatilhar ideias e conversas – não há a pretensão de resolver problemas lá mesmo. Talvez o melhor desdobramento de um Fórum Mundial tenha ocorrido em 1980, quando a Turquia anunciou que não entraria em guerra com a Grécia, após uma escalada nas tensões dos dois antigos inimigos.

O então primeiro-ministro turco Turgut Ozal encontrou o seu par grego, Andreas Papandreou, e achou que podia relaxar.

Mais recentemente, o Novo Banco de Desenvolvimento dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), uma alternativa ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional, foi concebido durante uma conversa entre os economistas Nicholas Stern e Joseph Stiglitz em 2011.

Tenho algumas ideias que podem interessar a Bill Gates, como faço para ir?

Bom, ou você é convidado – e, para isso, supondo que você não seja nem líder mundial, nem executivo de uma grande companhia, você teria que estar à frente de uma ONG ou empresa socialmente relevante. Ou sua empresa teria que pagar cerca de R$ 120 mil, mais um título de membro do Fórum, e custear a estadia em um hotel (caríssimo) em Davos.

Uma famosa empresa de investimentos gasta ao menos R$ 3 milhões para manter seus executivos e clientes convidados felizes no evento. Se nada disso estiver ao seu alcance, você pode aparecer por lá em um trailer de acampamento e tentar comparecer aos eventos paralelos.

OK, supondo que eu descole um convitinho, o que preciso saber?

É um evento cheio e intenso. O dia em geral começa às 7h da manhã com convites para café da manhã e, se você tiver sorte, termina nas primeiras horas da manhã seguinte, em uma festa.

É frio, ou seja, vestimenta para esquiar soa como a roupa ideal. Mas, claro, trata-se de uma conferência. Então, logo que você entra, é quente. Portanto, saber como se vestir é um desafio. É uma questão de quantas camadas de roupa você pode usar e do tamanho da bolsa que vai carregar para guardar o que tiver que tirar ao entrar.

Ah, eu sabia que era um encontro para quem quer esquiar, certo?

Surpreendentemente, poucas pessoas acabam fazendo isso – e há informações de que as pistas de esqui locais ficam vazias.

Fonte: BBC Brasil, 20 janeiro 2016

 

Inteligência Competitiva Entrevista: Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco, Valor Econômico

Assis Moreira/Valor

Trabuco: departamento econômico do banco projeta que, no último trimestre, país estará crescendo até 2,5% na margem. Foto: Assis Moreira/Valor

O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, usa as previsões meteorológicas de ­15ºC nesta semana em Davos para estabelecer um contraste com as perspectivas globais. “Em termos de temperatura, será um dos encontros mais frios”, diz ele, que participa todos os anos do Fórum Econômico Mundial, na Suíça. “Com relação ao mundo, nunca foi tão aquecido, tão beligerante. Parece que ficou mais mal humorado comparado a anos anteriores.”

A mensagem que Trabuco carrega na bagagem para Davos, como executivo muito procurado por investidores estrangeiros, é que “o Brasil está em um momento de virada”e “o estoque de pessimismo dos últimos três anos está se esgotando”. Na avaliação dele, em 2017 haverá dois anos em um só: o primeiro semestre carrega uma recessão inercial; o segundo termina com crescimento na margem de até 2,5% do Produto Interno Bruto, em termos anualizados, inflação controlada e juros de um dígito.

Contido nos elogios ao governo, mas demonstrando apoio à agenda de reformas do presidente Michel Temer, Trabuco vê dois “pactos não anunciados e correlacionados” como efeito da crise. Um é a crescente articulação entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Outro é uma harmonia maior entre Estado e mercado. Ambos giram em torno da necessidade de reformas. Leia os principais trechos da entrevista.

Valor: Qual é a mensagem que o sr. e os empresários brasileiros vão trazer para Davos?

Luiz Carlos Trabuco: O Brasil está em um momento de virada. Em 2017 , teremos dois anos em um só. O primeiro semestre está contratado: a recessão inercial ainda provoca desaceleração na economia. Para de piorar, mas ainda vamos ver dados negativos, principalmente na atividade econômica. No segundo semestre, a expectativa que tenho ouvido ­ e eu também acredito nela ­ é de um outro ano. Teremos concluído a agenda de reformas propostas e a redução da Selic já estará dando resultados, do ponto de vista de mudar o custo de capital, além de uma consolidação na queda da inadimplência. Os créditos problemáticos estão sendo limpados na carteira dos bancos, seja por “write off” [baixa contábil], seja por renegociações com aumento das garantias. O crédito irrecuperável você lança como perda e vira a página. Mas, quando o cliente pode dar uma melhoria nas garantias, os bancos ­ e nós em particular ­ temos alongado e reperfilado. Os problemas da inadimplência em 2016 não vão se repetir em 2017 .

Valor: Pesa sobre o presidente Michel Temer o risco de cassação da chapa pelo TSE. O sr. conta com uma normalização do cenário político ou há risco de mais turbulências?

Trabuco: Os riscos sempre existem, mas as turbulências que vimos no ano passado foram muito intensas e são impossíveis de acontecer em 2017 . O tom neste ano é de pragmatismo e uma visão realista do presente. Existe consciência de que o tempo é curto, não cabe nada mirabolante ou heterodoxo, mas de que o futuro vai depender de um trabalho feito agora. Há uma expansão da consciência, por parte da sociedade brasileira, de que a agenda proposta pelo governo é necessária. Não é a agenda possível, é a agenda necessária.

Valor: Então o sr. aposta na aprovação da reforma da Previdência e da minirreforma trabalhista?

Trabuco: Não temos alternativa. Chegamos a um grau de consciência de que isso é absolutamente necessário. Caso contrário, não haverá crescimento sustentável. Se não for isso, é voo de galinha. Quando digo que 2017 vale por dois anos, é lembrando que 2018 também é um ano eleitoral. As reformas precisam ser feitas agora. Mas esse futuro depende de fechar as portas para o passado. O que passou, passou. Esse estoque de pessimismo dos três últimos anos, principalmente em 2015 e 2016, está se esgotando. Ele amarra a mudança de expectativas. Há um certo momento em que existe a chamada fadiga de material. O clima de pessimismo fica para trás. Estamos vivendo um momento de transição. O novo governo propôs uma agenda importante, pesada, mas fundamental para retomar o crescimento e a geração de emprego.

Valor: A redução em 0,75 ponto percentual da taxa Selic marca uma mudança de ânimo na economia?

Trabuco: Essa é uma questão pontual. O novo ciclo de afrouxamento monetário estava contratado. O ciclo anterior, de aperto monetário, foi extremamente intenso. Esse rigor foi necessário, principalmente para estabelecer credibilidade nas metas de inflação. Mas, eternizado, traria um custo insuportável para a dívida pública. O comunicado do Copom já sinaliza novas reduções de 0,7 5 ponto. Não foi uma decisão com base em relatórios. Foi uma conclusão sólida: nós conquistamos a oportunidade de reduzir os juros de maneira mais acelerada. Isso tem a ver com a queda da inflação. Há uma unanimidade de que a inflação futura está comportada e manter os juros tão altos seria inócuo para reduzir os índices para um outro patamar.

Valor: Qual é a expectativa do sr. para a trajetória da Selic?

Trabuco: Ela vai em direção a um dígito.

Valor: Chega a 9%, como preveem alguns analistas?

Trabuco: Não saberia dizer se chega a 9%, mas algo um pouco abaixo de 10%, provavelmente. A direção é positiva, o cenário é benigno para essa trajetória. Valor: O sr. diz que 2017 terá dois anos em um só. Qual será o ritmo de crescimento no fim do ano?

Trabuco: Nosso departamento econômico projeta que, no último trimestre, estaremos crescendo entre 2,3% e 2,5% na margem [em ritmo anualizado]. Não subestimemos a capacidade que o ciclo de afrouxamento monetário tem na economia brasileira. A própria expectativa com a pauta do governo é de uma revisão do custo de crédito no país. Até abril, existe o compromisso do sistema bancário de redesenhar os instrumentos do cartão de crédito, como o rotativo e o parcelado. Sou otimista com a agenda colocada. Não esperamos desvalorização do real face a outras moedas. O fluxo de capitais é grande, a balança comercial surpreendeu, o déficit em conta corrente está ao redor de 1% do PIB.

Valor: A redução dos juros é suficiente para garantir o crescimento no 2º semestre ou isso depende da combinação de juro e reformas?

Trabuco: Os juros, isoladamente, não garantem. Junto com as reformas, e também com o programa de concessões, permitem retomar o crescimento. É verdade que, depois de um processo recessivo tão longo, a retomada não gera emprego em um primeiro momento. A economia cresce em cima da capacidade ociosa. Quando a confiança se sedimenta, transforma-­se em geração de emprego. A novidade é que estamos construindo um modelo de governança em torno de dois pactos não anunciados e correlacionados.

Valor: Quais são?

Trabuco: Existe um elo entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Em momentos de dúvida, os poderes acabam se articulando. Por que isso aconteceu? Porque a crise ficou tão manifesta e a visão futura da economia ficou tão comprometida que a maioria da sociedade brasileira está procurando o caminho do centro, do meio, em que não cabe ideologia. Existe outro pacto não escrito que é uma espécie de avanço na convivência entre Estado e mercado. Esse modelo de governança já rendeu uma agenda positiva, que está em curso e tem como item prioritário tirar o Brasil da rota de insolvência. Um país insolvente com dívida social tão intensa é algo catastrófico.

Valor: O sr. comentou no início que espera uma consolidação na queda da inadimplência. Poderia explicar melhor isso?

Trabuco: Quando a crise acelerou, a partir de 2014, as empresas estavam extremamente equilibradas e com geração de caixa favorável. Sentimos uma redução no nível de endividamento das empresas naquele momento. A ausência de crescimento do crédito se deve a dois fatores: a menor necessidade de financiamento para multiplicar os negócios, mas também pela liquidação de compromissos financeiros. A inadimplência da pessoa física demorou para aparecer. Isso aconteceu primeiro com as empresas, que entraram em crise. Em 2016 e talvez no primeiro semestre de 2017 , teremos muitos reperfilamentos, mudanças de patamar em prazos. A redução da Selic vai ajudar. Renegociar o crédito com um custo de capital tão elevado pode onerar ainda mais as empresas. A questão é criar um perfil de endividamento que caiba no bolso e na geração de caixa das pessoas e das empresas. Já tivemos retomada do crédito em momentos piores. Só 80% do estoque global de crédito vencido era renovado. Hoje está ao redor de 90%.

Valor: Como está o processo de sucessão no banco?

Trabuco: O processo sucessório estava inicialmente previsto para acontecer em 2017 . Por uma proposta do conselho de administração, ratificada pelos acionistas, eu continuo na função pelos próximos dois anos ­ até 2019. A sucessão vai acontecer com os valores do Bradesco: aqui se valoriza a prata da casa, o processo de carreira, a identidade com o banco. É um caminho natural.

Valor: Qual é o desafio no tempo que lhe resta à frente do banco?

Trabuco: Temos desafios enormes e a minha presença na presidência foi um voto de confiança para executar o nosso grande objetivo em 2017 e em 2018, que é a integração do banco adquirido [HSBC], a maior aquisição da nossa história, equivalente a 20% do nosso tamanho e justamente no momento mais duro da economia. Em qualquer cenário favorável, os ganhos de sinergia dados por essa operação agregam valor ao acionista. O desempenho do banco no ano passado mostra que estamos preparados, mesmo em um cenário adverso do crédito. O balanço da organização até o terceiro trimestre mostra que temos um bom modelo de negócios: somos um banco de crédito, mas também de prestação de serviço e temos a maior seguradora da América Latina, além de um banco de investimentos e bem segmentado. No ano passado, nossas ações tiveram alta de 62% na Bovespa, o que significa um reconhecimento do mercado.

Valor: O Bradesco fez questão de defender a conclusão do mandato de Murilo Ferreira na Vale. Houve mal­-estar com o governo?

Trabuco: Esse é um assunto sempre discutido na Valepar ­ com Previ, Mitsui, BNDES e Bradespar. O mandato do Murilo está em andamento e há uma relação extremamente respeitosa entre as partes. Aquela discussão ocorreu durante o mandato, mas o mandato vai até maio e está preservado. Valor: Espera um desfecho em 2017 das acusações que pesam contra o sr. no âmbito da Operação Zelotes?

Trabuco: Nós ­ o Bradesco e eu em particular ­ temos um respeito imenso pelas instituições: a Polícia Federal, o Ministério Público e o Poder Judiciário. O processo existe, fizemos a defesa e estamos confiantes em que haja um entendimento em relação ao que aconteceu e ao que não aconteceu. Tenho uma confiança grande na Justiça.

Fontes: Assis Moreira e Daniel Rittner | De Davos (Suíça, Valor Econômico, 17/01/2017, 05:00

Inteligência Competitiva Telecomunicações: Operadoras arrastam para este ano velhos problemas

O setor de telefonia passou por transformações importantes em 2016, mas arrastou para 2017 velhos problemas. A reforma da Lei Geral de Telecomunicações (LGT) ainda não foi aprovada e a recuperação judicial da Oi ainda tem um longo caminho a percorrer.

Ainda assim, o cenário é mais amistoso, segundo analistas. O ambiente competitivo é um dos mais moderados desde a privatização e a expectativa de uma nova legislação, que tende a ser definida no primeiro trimestre, pode tornar as operações mais eficientes e os investimentos mais racionais.

A torcida não só das operadoras, mas também de investidores, é que seja aprovado um projeto que permite alterar a LGT para que as atuais concessões de telefonia fixa sejam convertidas em autorizações. O projeto foi aprovado pelas comissões do Senado e seria assinado pelo presidente Michel Temer. Mas, a pedido de um grupo de senadores, está sob análise no Supremo Tribunal Federal. Os políticos pedem a devolução ao Senado para votação em plenário.

Essa discussão também se arrastou ao longo de 2016 e respingou sobre o mercado de capitais. As ações de telefonia encerraram 2016 com desempenho abaixo do Ibovespa ­ o índice teve valorização de 39% ­, mas sustentaram altas. Entre as três principais empresas do setor listadas na BM&FBovespa, a Telefônica, dona da marca Vivo, teve o melhor desempenho, com alta de 28,5% no ano, para R$ 43,7 6. A ação da TIM Brasil subiu 17 %, passando de R$ 6,68 para 7 ,83. O papel com direito a voto da Oi avançou 9,6% e a ação preferencial subiu 15,4%, para R$ 2,25 e R$ 2,63, respectivamente.

A trajetória de alta ocorreu após quedas intensas para todo o setor em 2015. A líder de mercado Telefônica havia perdido 17 % em valor há dois anos, depois de gastar um bom dinheiro na aquisição da GVT. O valor da TIM caiu 41%, enquanto o mercado alimentavas expectativas de que a companhia participasse de uma fusão no setor, mas acabou frustrado com a falta de interesse da controladora Telecom Italia em firmar um acordo com a Oi e o grupo russo LetterOne. Já o caso da Oi foi emblemático. A ação se desvalorizou mais de 7 0% em bolsa após a companhia se desfazer do ativo da Portugal Telecom na esteira do escândalo do Grupo Espírito Santo e de uma situação financeira complicada.

A Telefônica mostrou recuperação ao longo de 2016 ao adotar um posicionamento racional em preços, enquanto TIM e Oi começaram 2016 com a igualdade de tarifas para clientes dentro e fora da operadora, tentando surfar a consolidação do uso em só um chip. Em julho, a dona da Vivo informou que a economia de custos decorrente da integração com a GVT foi revista para R$ 25 bilhões, superior aos R$ 22 bilhões pagos na aquisição. Em outubro, a renúncia do presidente Amos Genish derrubou o papel, mas a queda não demorou a ser vista como uma barganha para novas compras.

Nenhuma das quatro principais operadoras do país tem incentivos para ser agressiva em preços neste momento, diz o analista Carlos Sequeira, em relatório do BTG Pactual. A América Móvil, dona do grupo Claro, está focada em preservar seu caixa. A Vivendi, acionista controladora da Telecom Italia, mudou a estratégia da TIM, e a geração de fluxo de caixa parece ser a atual prioridade. A Oi está em meio a uma recuperação judicial e um complexo processo de reestruturação da dívida. E a Vivo, líder de mercado, não tem razão para ser agressiva se os competidores não são. “De forma geral, todas as empresas estão ajustando seus preços para cima e reduzindo investimentos, de olho em tornar as operações mais lucrativas”, diz Sequeira.

A Vivo permanece a preferida de analistas para 2017 , principalmente pela capacidade de melhorar o retorno sobre investimento se a mudança do modelo de concessão para autorização for concretizada e porque, como líder, pode surfar a recuperação da atividade econômica esperada para o segundo semestre.

O aumento das receitas, mesmo que pequeno, a expansão da margem e a diminuição de investimentos podem levar a um salto no fluxo de caixa livre para as operadoras brasileiras. Segundo o BTG Pactual, o indicador pode subir 26% no caso da Vivo, em 2017 , para R$ 6,8 bilhões. No caso da TIM, o fluxo de caixa livre poderia avançar 125% neste ano, para R$ 1 bilhão, após queda de 40% em 2016, o menor nível em cinco anos.

Para a equipe de análise do Bank of America Merril Lynch, as medidas tomadas pela TIM em 2016 para reposicionar a marca estão dando resultados. “Assim como na Itália, a nova administração incutiu uma nova cultura de controle de custo e foco em investimento”, diz a equipe de análise em relatório publicado neste mês. “Assim como ficou mais exposta à crise devido ao segmento pré­pago, agora a TIM deve ser mais beneficiada pela recuperação econômica.”

Já para Célson Plácido, analista da XP Investimentos, a TIM precisa de mais esforços para reposicionar a marca, antes focada em baixo custo e alvo de queixas sobre a cobertura. “A melhora de imagem não deve acontecer em 2017 .”

Para a Oi, apesar do risco elevado, “todas as mudanças levam a um cenário mais favorável para a empresa se recuperar”, diz Rafael Ohmachi, analista da Guide Investimentos. “A mudança da Lei de Telecomunicações e o interesse de investidores estrangeiros em capitalizar a Oi podem beneficiar investidores. A diluição dos acionistas é o principal fator a pressionar o papel, mas em parte está precificada.”

No entanto, restam questões importantes: “A Oi sai da recuperação judicial e caminha sozinha? É vendida a um investidor estrangeiro? Desmembrada entre as demais operadoras? São perguntas extremamente difíceis de responder”, diz Plácido.

Segundo os especialistas, a reforma da LGT é crucial para esperar desempenho melhor das empresas, em seus balanços e em bolsa. O BTG estima que a Telefônica possa economizar R$ 641 milhões por ano com a mudança de regulação, enquanto a Oi teria ganhos de R$ 1,298 bilhão. “A mudança da concessão para autorização pode gerar significativas melhoras de eficiência e melhor uso do capital das operadoras”, diz Sequeira.

Fonte: Tatiane Bortolozi, Valor Econômico, 10/01/2017, 05:00

Inteligência Competitiva – Por Que Computação Cognitiva e Por Que Agora

IBM, Amazon, Facebook, Google e Microsoft anunciaram conjuntamente que estão patrocinando uma organização (http://www.partnershiponai.org) para estudar e formular melhores práticas ajudar na compreensão e ser uma plataforma aberta para discussão e engajamento das pessoas e a sociedade em torno do tema inteligência artificial (AI) ou computação cognitiva, que é como nós na IBM preferimos chamar.

A relevância deste fato e a explosão de informações sobre o tema computação cognitiva que vemos todo dia, ligados a minha missão de ser um líderes de soluções cognitivas na IBM, foram a motivação que precisava para também dar a minha contribuição.

Surgiu assim a ideia do WACS (Write about Cognitive Solutions), que pode ser lido como “walks” (passeios em inglês).

E é isso mesmo que pretendo fazer: dar uns passeios por computação e soluções cognitivas. Nesta primeira caminhada, vou explorar o que está por trás deste tema e por que agora.

Fonte: Alexandre DietrichPublicado em 2 de out de 2016