Lucro do Facebook recua 51% no primeiro trimestre

SÃO PAULO – O Facebook encerrou o primeiro trimestre de 2019 com lucro líquido de US$ 2,42 bilhões, uma queda de 51% na comparação com o mesmo período de 2018.

O valor por ação foi de US$ 0,85, contra US$ 1,69 um ano antes.

De janeiro a março de 2019, a receita líquida subiu 26%, para US$ 15,08 bilhões, ante mesmo período do ano passado.

Deste total, US$ 14,9 bilhões vieram de anúncios, uma alta de 26%. Também na comparação anual, os custos e despesas subiram 80%, para US$ 11,7 6 bilhões.

Esse montante inclui uma provisão de perda provável de US$ 3 bilhões, relacionada à investigação da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC), ainda em andamento, sobre violação de privacidade.

O Facebook estima que as perdas podem ficar entre US$ 3 bilhões e US$ 5 bilhões. No primeiro trimestre de 2019, o lucro do Facebook também foi impactado por uma provisão para imposto de renda de US$ 1,05 bilhão, montante que não foi registrado em igual intervalo do ano passado.

Usuários ativos Em março de 2019, o Facebook registrou 1,56 bilhão de usuários ativos, em média, por dia, uma alta de 8% na comparação anual. Já a média de usuários ativos mensais foi de 2,38 bilhões, avanço de 8%.

Além disso, a empresa estima que mais de 2,1 bilhões de pessoas usam Facebook, Instagram, WhatsApp ou Messenger todos os dias, em média, e cerca de 2,7 bilhões de pessoas usam pelo menos um desses serviços a cada mês.

No pós-mercado da Nasdaq, em Nova York, as ações do Facebook subiam 6,17 %, cotadas a US$ 193,85. No pregão regular, os papéis recuaram 0,65%, cotados a US$ 182,58.

Fonte: Marcelle Gutierrez, Valor Econômico

Caro demais, Vale do Silício perde talentos

Arte / Valor

(Atualizada às 11h13 para a substituição do gráfico “Meca da Inovação”) Falar no Vale do Silício, na Califórnia, é pensar em um maravilhoso mundo de inovações, capital de risco disponível e qualidade de vida no Estado mais ensolarado dos Estados Unidos.

Mas a realidade para quem vive na região está muito mais para o tempo nublado e chuvoso dos últimos dias. Com casas que custam mais caro que em qualquer outro lugar dos EUA, um sistema de transporte que não tem sido capaz de absorver o intenso fluxo de pessoas e uma concentração de investimentos, aquisições e contratações em um pequeno número de empresas, o modelo criado pelo Vale, que serve de inspiração para empresas e empreendedores de todo o mundo, dá sinais de que precisa se renovar.

Visto como destino certo para quem quer empreender, o Vale tem perdido talentos nos últimos três anos. Entre julho de 2015 e julho de 2018, a região recebeu quase 62 mil imigrantes internacionais, mas perdeu outros 64,5 mil para cidades da Califórnia e outros polos ao redor dos EUA.

[O Vale] não é o único lugar onde se pode ser inovador”, disse Russel Hancock, presidente e CEO da Joint Venture Silicon Valley, um “think tank”que acompanha questões econômicas, políticas e sociais da região desde 1993 e publica um relatório anual sobre o “Estado”do Vale desde 1995.

A edição com os números de 2018 foi apresentada na sexta-feira para uma plateia de quase 300 pessoas em um centro de convenções na cidade de San Jose, sede da Joint Venture e de empresas como Cisco e eBay. De acordo com Hancock, o grande vilão desse fenômeno é o alto preço de se viver na região, principalmente no quesito moradia.

Em 2018, o Vale do Silício se tornou o lugar com os preços de imóveis mais caros dos EUA, com um valor médio superior a US$ 1 milhão para quem quer comprar uma casa. “Com o depósito de 20% que você precisa para o financiamento de uma casa aqui, você consegue pagar uma em qualquer outro Estado”, disse.

“A questão da moradia está nos matando”, completou. Um outro fenômeno que decorre do alto custo dos imóveis é o aumento no número pessoas que moram nas casas dos pais por mais tempo.

No Vale do Silício, uma em cada três pessoas com idade entre 18 e 34 anos mora com os pais – um incremento de quatro pontos percentuais na comparação com o começo da década.

O número pessoas que moram em casas em que vivem várias gerações (filhos, pais e avós) passa de um quarto, o equivalente a 17 % das residências. Nos últimos anos, a construção de novas casas tem se concentrado em imóveis de alto padrão, destinados à parcela mais rica do Vale, de acordo com Hancock.

E a concentração de renda na região tem aumentado. Hoje, 2% da população detém 27 % da riqueza. O salário médio anual está na faixa de US$ 119,2 mil por ano.

Ao mesmo tempo, 10% da população vive sem saber se terá ao menos uma refeição no dia, enquanto 35% depende de algum tipo de programa de assistência para viver.

A Joint Venture classifica como Vale do Silício a soma das atividades de empresas sediadas em 39 cidades espalhadas por cinco condados do Estado da Califórnia. Ao todo, 1,67 milhão de pessoas trabalham nessa região de 1,8 mil m2 .

Quase um terço da população de 3,1 milhão de habitantes tem entre 20 e 39 anos (29%) e pouco mais de um em cada quatro (27 %) tem uma graduação completa.

Em 2018 os asiáticos se tornaram a população dominante, representando 34% do total – empatados percentualmente com os brancos. Hispânicos e latinos são um quarto do total. A taxa de desemprego na região ficou em 2,3%, o menor percentual em 18 anos, mas o número de novas vagas criadas desacelerou pelo segundo ano consecutivo.

Houve também uma concentração de novas posições em duas empresas: Google e Facebook. Das 36 mil vagas criadas no ano passado (2,2% a mais que 2017 e abaixo do crescimento anual de 3% apresentado desde 2015), 52% foram para trabalhar nas duas empresas.

Para alojar mais e mais gente, as ‘Big Techs’também estão se convertendo em grandes clientes do mercado imobiliário: quase um quinto das salas comerciais está ocupado por Apple, LinkedIn, Amazon, Google e Facebook.

Na avaliação de Hancock, o ganho de escala dessas companhias, que também se reflete nas fusões e aquisições, já que elas são as mais ativas nessas operações, tem tido efeitos no modo como empreendedores pensam na hora de criar uma empresa. “O pensamento já começa a mudar da ideia de fazer um IPO para ter um negócio que possa ser vendido”, disse.

Em 2018, o Vale bateu recorde de investimentos de fundos de venture capital. O total de US$ 50 bilhões superou – em valores ajustados pela inflação – o pico alcançado em 1999, antes do estouro da bolha das empresas de internet.

Um lado negativo dessa marca foi o aumento no número de rodadas com valor superior a US$ 100 milhões (81 contra 39 em 2017 ), geralmente feitos em empresas já bem estabelecidas, e uma queda, pelo terceiro ano consecutivo, no número de aportes em empresas em estágios iniciais: cerca de 1,5 mil operações, recuo próximo a 300 em um ano.

Hancock afirma que as companhias têm consciência dos desafios enfrentados pela região e têm investido para ajudar a combatê-los. “As empresas pensam no bem-estar da região e estão colocando recursos na questão de habitação, participando do processo político e investindo para melhorar o transporte há muitos anos.

Estaríamos em uma situação muito pior se não fosse isso”, disse ao Valor. “Somos uma economia pujante e temos alguns problemas, mas todos eles têm solução”, acrescentou.

Fonte: Gustavo Brigatto, Valor Econômico, 19/2/2019. O jornalista viajou a convite da IBM

Inteligência Competitiva: Intel trabalha com Facebook por novo chip de inteligência artificial

Executivo da Intel segura chip Ice Lake durante a CES, em Las Vegas
Executivo da Intel segura chip Ice Lake durante a CES, em Las Vegas – AFP

LAS VEGAS –Intel está trabalhando com o Facebook em um novo chip de inteligência artificial a ser lançado no segundo semestre deste ano.

O processador é a aposta da Intel para manter posição no segmento de inteligência artificial que atravessa rápido crescimento, mas a empresa enfrenta competição de chips similares desenvolvidos por Nvidia e Amazon.com.

O novo chip da Intel ajudará em tarefas chamadas por pesquisadores de “inferência”, que é o processo de usar um algoritmo de inteligência artificial em tarefas como inserção automática de tags em fotos.

Os processadores da Intel já dominam o mercado de inferência para aprendizagem de máquina, que analistas da Morningstar acreditam que vai valer US$ 11,8 bilhões até 2021. Em setembro, a Nvidia lançou seu próprio chip de inferência para competir com a Intel.

Também em novembro, a Amazon disse que criou um chip de inferência. Mas o chip da Amazon não é uma ameaça direta aos negócios da Intel e Nvidia porque a empresa não está vendendo os processadores.

A Amazon optou por vender serviços que usam os chips a seus clientes de computação em nuvem a partir do próximo ano. Se a Amazon depender de seus próprios processadores, a empresa poderá privar Nvidia e Intel de um grande cliente.

O anúncio do novo chip da Intel em parceria com o Facebook ocorreu durante a feira de tecnologia de consumo CES, em Las Vegas. Durante o evento, a Intel também afirmou que a Dell vai usar a próxima geração de processadores da Intel, de 10 nanômetros, em sua linha de notebooks XPS.

Navin Shenoy, diretor de centrais de dados da Intel, reiterou que os novos chips estarão disponíveis até o final deste ano e em centros de processamento de dados no início de 2020.

Também na CES, Amnon Shashua, diretor da unidade direção autônoma de veículos da Intel, a Mobileye, afirmou que a divisão mapeou todas as estradas do Japão por meio de câmeras inseridas em veículos produzidos pela Nissan Motor que estão saindo de fábrica com sistemas da Mobileye.

As rivais da Intel na área, como Alphabet e Apple estão recolhendo dados de mapeamento por meio de veículos especiais com câmeras equipadas no teto deles.
Fonte: REUTERS/FOLHA DE S.PAULO, 8.jan.2019 às 11h01

Inteligência Competitiva: para Facebook, futuro dos anúncios está na interação por vídeos

Ana Paula Paiva/Valor
 
David Fischer, terceiro na hierarquia mundial do Facebook: “O comportamento do consumidor muda antes das empresas”. Foto: Ana Paula Paiva/Valor

Oito anos e meio atrás, David Fischer começou a colocar em prática no Facebook uma estratégia que ajudaria a redesenhar o mercado de publicidade digital,reforçando a fatia da rede social nesse negócio.

Foio executivo quem, primeiro, convenceu os anunciantes a publicarem propaganda no canal de notícias da rede social. O resultado mostra o acerto da medida. Hoje,Facebook e Google, onde Fischer trabalhou anteriormente, detêm 58% dos anúncios digitais nos Estados Unidos, mantendo uma larga distância dos concorrentes,segundo a consultoria eMarketer.

Agora,o número três na hierarquia do Facebook – abaixo do fundador Mark Zuckerberg e de seu braço direito, a executiva de operações Sheryl Sandberg – tem uma nova missão pela frente.

Vice-presidente global de parcerias de marketing e negócios, cabe a Fischer mostrar que o futuro está nas interações diretas entre pessoas e marcas, por meio da troca de mensagens e vídeos curtos, um recurso conhecido no Facebook como “stories”.

De acordo com o executivo, que foi chefe de gabinete do Departamento do Tesouro dos EUA na administração Bill Clinton, o novo mundo de interações por “stories” e mensagens vai exigir mudanças na forma como as companhias se comunicam com o público.

“As grandes marcas dominam como fazer um comercial de 30 segundos, mas vão ter de construir nova musculatura para usar os stories”, disse. O Facebook tem 90 milhões de empresas com perfil em sua rede em todo o mundo, sendo que 60 milhões compram anúncios.

Perguntado se as empresas têm se mostrado confortáveis diante da necessidade de aprender uma nova forma de fazer publicidade, Fischer disse que as mudanças fazem parte do processo. “O comportamento do consumidor muda antes das empresas. Então temos que nos adaptar a isso”, afirmou.

Entre os investidores, o novo modelo proposto pelo Facebook tem gerado cautela. A avaliação em Wall Street é de que ainda há muita incerteza em torno de formatos tão novos.

Muitos avaliam que as oportunidades de venda de publicidade sob esses formatos será menor, limitando o potencial de crescimento. Essas dúvidas, aliadas à recente onda de críticas em torno do Facebook e à possibilidade de regulação dos serviços de internet em alguns países, têm afetado o preço das ações da empresa.

No ano, o papel da companhia acumula queda de quase 23%. No mesmo período, o índice Dow Jones Industrial Average mostra avanço de 4,04%. De acordo com Fischer, o Facebook merece crédito por manter um histórico de forte crescimento- de 2010 a 2017, a receita saltou de US$ 1,9 bilhão para US$ 40,6 bilhões – e por ter cumprido promessas feitas no passado.

Em meados de 2012, Zuckerberg disse que a companhia, que até então não vendia um dólar sequer de anúncios em dispositivos móveis, se tornaria uma empresa”mobile first”. Um ano depois, essa linha de receita já era o carro-chefe.

O Facebook enfrenta um cenário de críticas crescentes e questionamentos sobre a transparência nos números de resultados de publicidade. A companhia está adotando medidas para garantir a privacidade dos dados dos usuários e combater a postagem de conteúdo ofensivo, outros pontos considerados críticos.

“Me sinto mal pelos erros que cometemos. É doloroso. Ninguém gosta de cometer erros. Mas temos investido para corrigí-los e evitar que sejam cometidos de novo. Ninguém pode duvidar dos nossos esforços”, disse o executivo, ontem,na sede da companhia em São Paulo.

“Ninguém está parado esperando 2018 passar para acabar essa onda de notícias ruins e começar a trabalhar em 2019.” O executivo passou dois dias na cidade conversando com clientes e conhecendo iniciativas da companhia, como o laboratório de inovação no bairro de Heliópolis, zona Sul de São Paulo.

Segundo Fischer, as dúvidas sobre como o Facebook tem reagido às críticas apareceram nas conversas, mas não foram tema central. “Nessas apresentações eu busco falar disso de forma pró-ativa. Mas a conversa é muito no sentido de como as marcas podem usar o Facebook”, disse.

O executivo afirmou que a empresa está adotando medidas reduzir os problemas. O Facebook investiu em inteligência artificial para fazer a análise automática de conteúdo, o que ajudou a derrubar 2,1 bilhões de contas falsas e tentativas de criação de contas suspeitas em nove meses neste ano.

Também contratou 20 mil pessoas para complementar o trabalho das máquinas. “Mas essas não são guerras que você ganha”, disse Fischer.

Como acontece em outras áreas, a exemplo do setor financeiro, você está sempre lutando contra os caras maus. É um progresso. Mas nos sentimos bem com os investimentos e o que temos feito até agora”, afirmou.

Fonte: Gustavo Brigatto, Valor Econômico, 05/12/2018 – 05:00

Inteligência Competitiva – Sinais de Mercado: Redes sociais são a nova esfera pública

Entrada da sede do Facebook, na Califórnia – Josh Edelson – 21.mar.18/AFP

Causou certo espanto o fato de o Facebook ter retirado do ar, nesta quarta-feira (25), algumas páginas que veiculavam conteúdo político. As páginas têm alinhamento às pautas da chamada “nova direita”, ou seja, são majoritariamente liberais (algumas conservadoras), combatem a retórica dos partidos de esquerda e pretendem introduzir no Brasil uma mentalidade de direita liberal que, segundo os seus organizadores, quase inexiste no debate político.

A maioria das páginas retiradas, aliás, era vinculada de alguma forma ao Movimento Brasil Livre (MBL), grupo que se notabilizou pela campanha que levou ao impedimento da então presidente Dilma Rousseff.

A justificativa dada para a exclusão sumária —sem nenhuma chance de contraditório— é que as páginas veiculavam notícias falsas, com objetivo de gerar desinformação. Tratar-se-ia, então, do famoso “fake news”. É certo que o Facebook já havia se comprometido a combater a prática de espalhar notícias falsas, mormente após o escândalo envolvendo a rede social e o uso de tal expediente por Donald Trump para influenciar a eleição americana.

O que chama a atenção, porém, são três fatos. O primeiro é a forma sumária de exclusão, sem direito ao contraditório. O segundo é o alinhamento das páginas à “nova direita”, o que nos leva a perguntar o porquê de o Facebook não ser tão rigoroso com páginas alinhadas à esquerda. O terceiro é a exclusão completa da página, em detrimento da exclusão apenas do conteúdo que foi classificado como “fake news”.

Pode-se dizer que o Facebook, como empresa privada que é, tem direito de controlar o seu conteúdo. A rede social nunca aceitou, por exemplo, conteúdo pornográfico, e tal restrição não causou indignação de ninguém. Portanto, se o Facebook mudou os seus padrões para se tornar mais rígido com as “fake news”, cabe aos seus usuários acatar tais decisões ou deixar a rede social.

O problema dessa argumentação é que um fato importante é ignorado: as redes sociais pretendem ser a “ágora” do século 21. Elas transferiram para si o debate público, que por muito tempo era mediado pela imprensa tradicional. O resultado dessa transferência ainda é desconhecido —Umberto Eco disse, por exemplo, que a possibilidade de todos se manifestarem diretamente, sem o filtro da imprensa, empobrece o debate público.

Há os que dizem que essa manifestação sem filtro torna mais radicalizado o campo político, pois grupos extremistas, outrora relegados à obscuridade, podem aparecer da mesma forma que partidos políticos tradicionais.

Para o bem ou para o mal, porém, as redes sociais se tornaram o principal campo de debate público. E, se pretendem ser veículo de discussão de ideias —se pretendem ser os mediadores da esfera pública, por assim dizer—, devem aderir às regras constitucionais que garantem o equilíbrio de forças, em especial a possibilidade de defesa e contraditório, bem como o tratamento igual para forças políticas diferentes.

A rede é privada, mas o espaço que ela (propositalmente) construiu é acessível ao público. Não é possível banir, sumariamente, dezenas de páginas sem aviso prévio, assim como um shopping center ou um restaurante (ambos espaços privados) não podem banir indiscriminadamente pessoas dos seus recintos.

Há regras, e é bom que elas existam. A proibição da pornografia, por exemplo, é regra salutar. Porém, quando falamos de discurso político, estamos falando de um bem constitucionalmente protegido pela liberdade de expressão —que, por sinal, é aplicável às redes sociais por conta do Marco Civil da Internet.

Fonte: Folha de S.Paulo, Luiz Felipe Panelli, advogado, doutorando em direito constitucional pela PUC-SP e assessor do coordenador do Movimento

Facebook, sem alarde, lança a revista impressa Grow

Começou com o consultor de mídia Juan Señor (acima) flagrando a publicação no aeroporto londrino de Heathrow, no início do mês.

No final da semana, com grande atraso, sites ingleses como FippPress Gazette e por fim The Times e Guardian acordaram, em choque: o Facebook lançou uma revista impressa.

Procurada, a rede social negou que seja uma revista, porém o editorial de lançamento a descreve como tal, “magazine”.

Com periodicidade quadrimestral, a publicação retrata e visa “líderes de negócios” como Oscar Olsson, da H&M, sua primeira capa.

Mas tem, curiosamente e sem dar crédito, o título da mais conhecida revista americana de maconha.

OPINIÃO

Em editorial, destaca o Financial Times, “Quando os robôs escreverem os editoriais, todos serão beneficiados”. Ou ainda, “Inteligência artificial vai libertar os jornalistas do trabalho repetitivo de ter opiniões”.

Citando debate em que um sistema de IA da IBM quase venceu dois humanos, isso com “um júri de humanos”, o jornal explica: “Afinal, o que é um editorial, ou qualquer peça de opinião, se não abraçar a metade de um debate?”.

E defende que os jornalistas de opinião voltem ao telefone, atrás de notícia.

CORAGEM DEMOCRÁTICA

Também em editorial, o FT diz que a “coragem democrática” da América Latina está sendo testada. Vê a vitória da direita na Colômbia e a provável vitória da esquerda no México como bons sinais, se ambos se moderarem.

E antevê, esperançoso, o surgimento de “coalizões” que evitem a eleição do extremismo no Brasil —citando Jair Bolsonaro.

Facebook Interruptus

Exposed

In Exposed: Desire and Disobedience in the Digital Age, Bernard Harcourt assays the deeply troubling implications of pervasive surveillance in our age of lives lived online, and the degree to which we willingly trade our privacy for the fleeting rewards of digital affirmation. To Harcourt, a professor of law and political science at Columbia University and the author most recently of The Counterrevolution: How Our Government Went to War Against Its Own Citizens, Facebook founder Mark Zuckerberg’s appearance before Congress last week was a pageant that will do nothing to address the perilous dynamic of our society of exposure. Meaningful reform will come only when we recognize the libidinal allure of today’s digital platforms, as Harcourt explains below.

The Facebook hearings last week were quite the spectacle. Mark Zuckerberg deftly deflected his inquisitors and misled them, while share price rose 4.5% in a single day. Senators and representatives postured for their constituents and got free prime-time media exposure. Privacy experts crowed and gloated that they had always been right, but unfairly ignored. The media and the Internet harvested abundant costless content. And social media lit up, abuzz. Between the schadenfreude and the glee, and the plain-old gawking and goggling, everybody seemed to pleasure themselves. It was win-win—except, perhaps, for the ordinary digital subjects who were left high and dry: pleasantly entertained, but totally exposed.

In the end, the Facebook hearings were nothing more than another tantalizing but anxious digital distraction. The greatest paradox, perhaps, is how much personal data and digital exhaust we all emitted and how many digital traces we shed watching Zuckerberg and simultaneously fretting over our privacy.

If anything, the Facebook hearings confirm the dreadful bind in which we find ourselves: social media and the Internet companies have us all in the palms of their hands because the digital experience itself is so seductive, consuming, and self-gratifying. Their Faustian business model works because their platforms tap directly into our pleasure centers and trigger deep reward circuits. Seeing our selfies online, tracking our likes and shares, counting our followers and retweets—these stimuli are almost more reinforcing than food or sex. We find ourselves going from one digital platform or device to another, swiping and clicking, pressing the levers like a rat in Skinner’s box, desperately seeking more stimulus and gratification.

And unless and until we come to grips with the place of desire and of our libidinal and at times narcissistic urges in relation to these new digital technologies, we won’t make any progress, we won’t get anywhere. Yes, the #DropFacebook campaign just gained Susan Sarandon and Apple co-founder Steve Wozniak. But the vast majority of the users of Facebook—as well as Instagram, Twitter, YouTube, etc.—will stay put because these platforms satisfy their desires, provide the gratification, and remain the easiest way to enjoy social relations today, even when they do make us anxious about our privacy.

The fact is, power circulates differently in the digital age, and the social media powerhouses have tapped deep into our pleasure centers and egos. The dark analogies to George Orwell’s 1984 or to Foucault’s “panopticon” just do not capture the present moment, nor will they alone stop us from sharing and liking.

Today, we are no longer being coerced to give up our privacy, as Winston and Julia were by Big Brother. We are no longer confined to a panoptic cell, naked before the all-seeing guard tower. There is no telescreen forcibly anchored into our apartment walls. Instead, today we share our personal information jubilantly, out of love and desire, and for self-affirmation. We post selfies on Instagram, status updates on Facebook, screeds on Twitter. We invite Echo into our homes. We build personal websites open to all. And it feels so good, it’s so pleasurable, that even when we are warned about how much of our private information the social media and Internet companies have, we cringe but go on.

We are lustful and hooked on projecting ourselves onto the public screen. Even when we resist and try to tame that lust, it becomes obvious, so utterly obvious that it is practically impossible to live an active life today without shedding our data and leaving traces everywhere. Searching the web, buying online, finding directions—the truth is, we are exposed even when we try to resist. Yes, you can start the search on DuckDuckGo, but pretty soon you’ll be on another site that installs cookies and culls your data, or you are inputting personal information into another service provider without any way to avoid it. There are, to be sure, ways to protect yourself, but you need the time, expertise, and resources to buy your server or learn TOR (as if that were safe!). And most of us are already so distracted and stimulated by the next ping, alert, popup, or notification that we’ve already forgotten what the problem was and ignore the greatest risk.

That risk is not just Big Brother or Foucaultian discipline, but the larger mode of governing that all the collected data feed into: the NSA surveillance that enables total information awareness as the first prong of a counterinsurgency warfare paradigm of governing our own citizens. We are so distracted by our digital screens and by the “attention merchants”—and now by a presidential Reality-TV management style that produces early morning Twitter screeds and daily TV episodes—that we cannot even see the new danger we face, our new form of governing through fictitious internal enemies.

Facebook’s business model works because we thrive on it. We love to see ourselves projected onto the screen. We like to be liked. We want to be shared. We thrive on that attention.

And now that we are locked into this digital pleasure circuit, there won’t likely be a way out, in terms of our privacy—or the privacy of the vast majority of us—unless and until we find a template that pleases us more. That is more gratifying. There will not be the political will, even less the political space, to address the privacy issues until we discover a better design to lever our pleasure centers.

That’s what we need to figure out now. That’s where we need to invest. We need better, more seductive platforms that satisfy our libido and protect our privacy. It’s not going to happen by putting ourselves on a diet—our digital lust is too virtual, unlike our weight. We need to invent entirely new possibilities.

One option might be to privatize personal data so that the digital subjects would be the ones making the profit and controlling the information flow—in effect, to increase the stimulus, but motivate it toward privacy. This was an approach pioneered by the 18th century Scottish Enlightenment—the method of unleashing self-interest to tame the passions so artfully described by Albert Hirschman in The Passions and the Interests: Political Arguments for Capitalism Before Its Triumph. But I will confess, that feels too crass and base. It would involve embracing the worst of our natures in order to fix our addictions. And it’s also hard to imagine that the small monetary sums at the individual level—it’s the aggregate that really matters in this business—would be sufficient to motivate proper monitoring of our privacy on our part. There could be aggregators, to be sure; but we would have to study closely what business model they would operate under, too.

Another option would be to nationalize the social media and Internet companies, turn them into non-profits, and treat them as public utilities. Pull the plug on the financial drivers, set up a range of non-profit businesses, and give free reign to reputational competition and rewards. Here we might turn to other critical traditions to cultivate the commons. And here too, of course, there are endless possible objections. But that can’t stop us.

None of these options will be uncontested. None of them will be unopposed. But the first step, the essential place to begin, is by recognizing that we’re in this spot because of our desires and appetites. It’s because these digital platforms are so seductive and pleasurable. And until we recognize and address those libidinal dimensions and our own narcissism, we will not be able to interrupt the flow of digital pleasure and exposure.

Source: Posted on 19 April 2018, Harvard University Press Blog.

Marketing baseado em pessoas: planejamento e medição priorizando as pessoas

Saiba como colocar as pessoas no centro das suas estratégias de marketing pode gerar resultados comerciais reais.

O objetivo da publicidade sempre foi o mesmo: alcançar a pessoa certa, no lugar certo, na hora certa, com a mensagem certa, a fim de gerar resultados comerciais reais.

No entanto, com o avanço de tecnologias como o celular, o tempo e a atenção das pessoas tornaram-se cada vez mais fragmentados, dificultando para os profissionais de marketing o trabalho de determinar quando, onde e qual é a melhor forma de alcançar as pessoas. Por esses motivos, os planejadores e estrategistas têm hoje a complicada missão de determinar a direção na qual planejar e otimizar suas mídias de forma mais eficaz.

De que forma pretendemos lidar com esta realidade cada vez mais complexa? Pela ótica das pessoas.

No Facebook, começamos a observar que estrategias de marketing baseado em pessoas resultam em um melhor planejamento e medição em diferentes plataformas e dispositivos. Embora seja difícil mudar totalmente para esta estratégia hoje mesmo, há algumas maneiras de iniciar a caminhada de mudança e nos preparar para o futuro.

E o que torna o marketing baseado em pessoas diferente?

Vamos começar com um termo de comparação. Quando pensam em planejar para meios tradicionais (como TV, mídia impressa e publicidade externa), os profissionais de marketing observam as pessoas que compram um produto, classificam-nas em termos demográficos e, em seguida, procuram “o lugar certo” onde elas estão passando o tempo (ou seja, Programa A na Rede B ou Publicação Impressa C). O objetivo é encontrar o lugar certo para anunciar, mantendo todo o resto contante.

Da mesma forma, para o planejamento digital, os profissionais de marketing primeiro encontram seu público-alvo, mas agora podem ser mais específicos. Por exemplo, podemos procurar adultos com idade entre 18 e 34 anos, com interesse em café e que morem em Ohio. Então, podemos mostrar anúncios a pessoas desse grupo onde quer que elas estejam na Internet. O objetivo aqui é encontrar o grupo certo de pessoas, mantendo todo o resto constante.

Com o marketing baseado em pessoas, os profissionais de marketing não mantêm nada constante. Agora, podemos encontrar uma pessoa, em vez de grupos grandes como “Adultos de 18 a 34 anos” ou “pessoas que gostam de café” e alcançá-las em qualquer dispositivo ou plataforma que elas estejam usando. Isso porque, hoje, o alcance e a atenção estão fragmentados entre diferentes dispositivos e plataformas. Todas essas variáveis serão alteradas com cada exposição, e planejar para as pessoas onde elas estiverem permitirá aos profissionais de marketing dimensionar e alcançar com eficiência o objetivo de mostrar o anúncio certo, para a pessoa certa, na hora certa.

Medição baseada em pessoas e planejamento em ação

Para planejar para pessoas, é necessário entender onde elas estão passando tempo e o impacto das diferentes estratégias de marketing. Medir os canais em silos limita sua visibilidade em relação ao impacto total dos seus esforços de publicidade. Os resultados da medição baseada em pessoas podem ajudar a orientar todo o ciclo de vida do marketing, em diferentes dispositivos e canais. Com os dados e ferramentas baseados em pessoas, os profissionais de marketing podem vincular ações diretamente a pessoas reais onde quer que elas estejam, e podem preencher as lacunas de medição existentes em medições tradicionais baseadas em cookies, que não capturam a jornada completa do consumidor.

As Ferramentas de medição do Facebook, por exemplo, são baseadas em informações de pessoas e oferecem aos profissionais de marketing a capacidade de medir campanhas dentro e fora do Facebook, em desktops e em dispositivos móveis, e em qualquer ambiente online. Ao observar a atribuição e o alcance, essa abordagem garante aos profissionais de marketing uma visão holística de seu desempenho de publicidade, algo que antes não era possível.

Planejando com as pessoas em primeiro lugar

Os resultados de medição não devem ser isolados ao final da campanha, com a medição baseada em pessoas, você pode orientar todo o processo de planejamento da campanha para dar suporte às decisões desde o princípio. Com uma melhor percepção sobre onde estão as pessoas, e uma compreensão do canal ou do desempenho de mídia da plataforma, podemos alcançar as pessoas certas onde quer que elas estejam, para capturar o impacto de maior potencial.

Recentemente, o Facebook IQ realizou uma pesquisa sobre estratégias efetivas de alcance e frequência utilizando táticas de medição baseadas em pessoas, para entender melhor como os profissionais de marketing devem fazer o planejamento em canais digitais. E para os profissionais de marketing de marca, a pesquisa ajuda a traçar um panorama mais preciso sobre como compreender o desempenho da campanha por meio das pessoas pode influenciar o planejamento das estratégias.

O que isso significa para os profissionais de marketing

Inteligência Competitiva – Sinais de Mercado: 2 milhões de jovens nos EUA vão deixar Facebook, prevê estudo

O presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, em evento nos EUA

O presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, em evento nos EUA – 18.abr.2017/AFP

O Facebook perdeu 2,8 milhões de usuários com menos de 25 anos nos EUA no ano passado e 2018 não promete ser mais auspicioso, segundo estudo da consultoria americana eMarketer.

A consultoria estima que a rede comandada por Mark Zuckerberg vai crescer 1% neste ano nos EUA, mas esse esse aumento vai estar concentrado em quem é mais velho.

De acordo com a eMarketer, o número de usuários que têm no máximo 11 anos de idade e acessam o Facebook ao menos uma vez por mês vai cair 9,3% neste ano. Nos grupos de 12 a 17 anos e de 18 a 24 anos, as quedas serão, respectivamente, de 5,6% e 5,8%.

No total, a previsão é a de que 2 milhões de pessoas com até 24 anos deixarão de usar nos EUA a principal rede social global.

O caso que chama mais atenção é o do grupo de 12 a 17 anos, já que a previsão é que, pela primeira vez, menos da metade deles usarão o Facebook regularmente.

O grande vencedor nessa disputa, de acordo com a eMarketer, é o Snapchat, que vai ganhar 1,9 milhão de usuários com menos de 25 anos, ante 1,6 milhão que vai ingressar no Instagram (que também pertence ao Facebook).

O mercado americano é o mais importante para a rede social. Apesar de 11% dos seus usuários estarem localizados nos EUA e no Canadá, a região foi responsável por 49,3% do seu faturamento total no quarto trimestre de 2017, quando teve receita de US$ 13 bilhões.

Fonte: Folha de S.Paulo, 13.fev.2018 às 20h16

Inteligência Competitiva Empresas: Unilever ameaça cortar anúncios em plataformas como Google e Facebook

Unilever desembolsou US$ 9,4 bilhões em ações de marketing em 2017

Unilever desembolsou US$ 9,4 bilhões em ações de marketing em 2017

A Unilever ameaçou cortar o investimento em anúncios em plataformas digitais como Facebook e Google se essas empresas não combaterem notícias falsas, publicações de ódio ou deixarem de proteger as crianças de conteúdos tóxicos visto em mídias sociais.

Keith Weed, diretor de marketing da companhia, anunciou a novidade nesta segunda-feira, 12, durante uma conferência de marketing na Califórnia. Sem acusar nenhuma plataforma específica, o executivo disse que a confiança nas mídias sociais caiu após as empresas de tecnologia não retirarem de suas plataformas conteúdos ilegais, antiéticos e extremistas.

“Notícias falsas, racismo, sexismo, terroristas espalhando mensagens de ódio, conteúdo tóxico dirigido a crianças… A Unilever, como anunciante confiável, não quer anunciar em plataformas que não contribuem positivamente para a sociedade”, disse Weed.

Não é a primeira vez que a Unilever tem uma relação tumultuosa com as redes sociais. No ano passado a empresa foi acusada de racismo após publicar no Facebook uma ação de marketing de um de seus produtos Dove. A Unilever usou seus perfis nas redes sociais para publicar um pedido de desculpas.

Reação. A empresa é uma das companhias que mais gastam em publicidade digital no mundo. No ano passado, a Unilever desembolsou US$ 9,4 bilhões em ações de marketing, sendo cerca de um terço desses gastos aplicados em publicidade digital.

A procura por anúncios online cresceu na companhia nos últimos cinco anos, quando os gastos em mídia digital duplicaram e o investimento na criação de conteúdo digital cresceu 60%.

Do outro lado, estima-se que Google e Facebook embolsaram cerca da metade da receita global de anúncios online em 2017. Nos Estados Unidos, as empresas abocanharam 60% dos investimentos no setor, segundo dados da empresa de pesquisa eMarketer.

Os funcionários do Google ainda não se pronunciaram sobre as declarações da Unilever. Em um comunicado, o Facebook disse que apoia “plenamente os compromissos da Unilever e estamos trabalhando em estreita colaboração com eles”.

A rede social mais famosa do mundo anunciou no início do ano mudanças em seu algoritmo privilegiando publicação de familiares e amigos contra conteúdos de mídia e marcas. A alteração foi apresentada como uma tentativa de diminuir a propagação de notícias falsas no Facebook.

Fonte: Reuters – O Estado de S.Paulo, 12/02/2018 | 16h50