Futuro do trabalho: como se preparar para essas tendências? (3)

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Com a popularização dos mecanismos em automação, somada à velocidade nas mudanças da nossa sociedade e às tendências para o futuro do trabalho, empregos atuais desaparecerão para dar espaço a funções que nem sequer foram inventadas. Isso vai afetar de forma direta o sistema educacional.

As instituições de ensino continuam sendo importantes para a construção de uma carreira, mas o protagonismo na evolução dela fica por conta do profissional. O que estamos querendo dizer é que a formação não pode ser originada de uma única fonte, pois está em constante mudança.

Nesse contexto, o aprendizado contínuo ganha destaque. Se preparar para isso é fundamental, e o primeiro passo é ter consciência de que as demandas vão se modificando a ponto de você colecionar diversas carreiras ao longo da vida. Portanto, é necessário manter-se atualizado e interessado na busca por uma qualificação constante.

Além disso, é necessário desenvolver algumas competências socioemocionais. Conheça algumas delas.

1. Inteligência emocional

A inteligência emocional é a capacidade de colocar-se no lugar do outro, agindo de maneira empática e também dominar os próprios sentimentos. Existem algumas atitudes que podem ajudar o indivíduo a desenvolver essa habilidade:

  • evitar os pensamentos negativos;
  • observar as situações que despertam agressividade, nervosismo e outros sentimentos ruins para poder contorná-las;
  • pensar antes de responder e não reagir de maneira impulsiva;
  • tentar entender o próximo antes de julgá-lo.

2. Pensamento crítico

Pessoas com o pensamento crítico apurado utilizam a racionalidade para resolver um problema. Para desenvolver essa capacidade, algumas atitudes são bastante válidas:

  • sempre questione e pesquise diversos assuntos;
  • resolve exercícios que estimulem a lógica, como sudoku e palavras cruzadas;
  • antes de entender o problema, tente compreender o cenário.

3. Pensamento analítico

Atrelado ao pensamento crítico, será necessário para o futuro do trabalho que as pessoas entendam como funciona o raciocínio baseado em dados, além de apresentarem domínio em ferramentas que proporcionam essas análises.

4. Colaboração virtual

Cada dia mais, será preciso trabalhar de maneira produtiva e engajada, independentemente da plataforma. Por isso, é importante se familiarizar com as ferramentas tecnológicas desde cedo.

5. Negociação

As habilidades em negociação são fundamentais para todos os profissionais, independentemente do cenário do mercado de trabalho.

Qual o perfil do líder do futuro?

Se a sociedade e o mercado de trabalho estão mudando, os problemas assumem uma faceta mais complexa e exigem mais elementos para suas soluções. Isso significa que os modelos de liderança também deverão mudar.

Novas tecnologias surgem a todo momento. As relações entre empresas e clientes são impactadas, como você pôde conferir até agora neste artigo. A consequência gira em torno de um público mais engajado e, nesse contexto, o papel do líder é fundamental para direcionar as equipes de trabalho para se adequarem a esse novo modelo.

Além disso, o perfil dos profissionais também está se modificando e os modelos autoritários deixaram de ser uma opção para o desenvolvimento de equipes de alto desempenho. O modelo tradicional sujeita a organização a abafar a criatividade dos colaboradores, diminuir a performance dos times, limitar a produtividade e excluir possíveis clientes em potencial.

Como você pode imaginar, os riscos para que os resultados despenquem são enormes. Por isso, essa nova realidade pede um novo perfil de líder: o que assume o papel de facilitador da rotina.

A liderança deve ter um caráter que busque minimizar a burocracia, pautado por constantes feedbacks e pela presença colaborativa e não onipresente, colocando-se sempre à disposição e a serviço para apoiar o grupo, tirar dúvidas e encorajá-los a dar o melhor de si. Aqui, é fundamental desenvolver as chamadas soft skills.

Como a tecnologia e a Internet das Coisas impactam essas mudanças?

O conceito de Internet das Coisas refere-se basicamente à revolução tecnológica que propõe a conexão dos objetos usados nas rotinas do dia a dia à internet, fazendo com que o mundo físico interaja com o virtual.

Eletrodomésticos, meios de transportes e até maçanetas de portas conectadas à rede mundial de computadores já são uma realidade no mercado. Ou seja, a Internet das Coisas já faz parte do cotidiano das pessoas.

O comércio já percebeu a sua importância. Por um lado, pode proporcionar ao cliente uma experiência de compra interativa, individualizada e autônoma. Por outro, auxilia na gestão dos negócios. O mesmo acontece com diversos outros recursos tecnológicos.

Que tal conhecer com mais detalhes em relação à forma como as novas tecnologias impactam o futuro do trabalho e das empresas?

1. Mudança no comportamento do consumidor

Há anos, vem se falado sobre a substituição do comércio físico pelo virtual. O mercado exigirá cada vez mais profissionais habilitados para a criação e manutenção de verdadeiros impérios online, com layouts surpreendentes, organização impecável e bastante intuitivos.

A parte técnica referente ao carrinho de compras e forma de pagamento também será progressivamente facilitada por recursos como o registro do cartão, oferecendo a cada cliente um atendimento prático e único.

2. Necessidade de investir em inovação

Alguns comerciantes ainda se encontram resistentes a disponibilizar a internet ao seu público, pois creem que os clientes vão se deslocar até os seus espaços apenas para consumir o Wi-Fi, sem gerar lucratividade.

Esse é um grande engano. O check-in obrigatório no Facebook para se conseguir uma conexão ativa é uma ótima ferramenta para compor um banco de dados, divulgar a marca nas redes sociais e ainda propor um ambiente de acolhimento que, futuramente, pode gerar grandes vendas. Quem trabalha ou desejar assumir a área de marketing deve ficar de olho nessa oportunidade.

3. Trabalhar a cultura da empresa

O Big Data é outra realidade presente em muitas empresas. A capacidade de coletar, organizar e interpretar um grande volume de dados ajuda a prever cenários, otimiza processos e é capaz de orientar muitas decisões.

Entretanto, é preciso que a empresa tenha uma cultura em que isso seja trabalhado. Nesse caso, é importante que os colaboradores acreditem nesse direcionamento e utilizem essas respostas sem resistência, encontrando soluções seguras durante a rotina.

Quais os benefícios para as empresas?

A tecnologia e a Internet das Coisas podem melhorar muito a gestão dos negócios no futuro. Tanto nas indústrias quanto nas empresas que têm contato direto com o cliente final, os sistemas de informação podem aumentar a produtividade, auxiliar na criação de novas estratégias e, principalmente, na melhor compreensão do mercado de trabalho.

Conhecer profundamente esse cenário é fundamental para que as estratégias sejam eficientes. Anteriormente, mencionamos o Big Data como uma das tecnologias esperadas para o futuro do trabalho. Gostaríamos de frisar novamente que os dados revelados por meio dessas análises podem trazer as respostas necessárias para que uma organização tome decisões importantíssimas, trazendo ótimos resultados.

Veja com mais detalhes os benefícios proporcionados pela tecnologia em 3 áreas.

1. Comércio

Tanto os robôs que auxiliam nas rotinas dentro de uma determinada empresa — como no caso dos caixas de supermercado em que os consumidores registram as compras sozinhos — quanto a tecnologia que pode ser aplicada em softwares para marketing, comunicação e recrutamento especializado, tudo gira em torno da otimização de serviços.

2. Indústria

A tecnologia, Internet das Coisas e inteligência artificial permitem que os gestores supervisionem em tempo real o rendimento das equipes, avaliem a disponibilidade de materiais, controlem o consumo de energia e aumentem a eficiência do processo. Com esses dados, é possível alterar as estratégias de produção para atingirem melhores níveis.

3. Saúde

A saúde também será impactada pelos sistemas voltados para a redução de custos, gestão de secretaria eficiente e banco de dados seguro. O registro do histórico do paciente e seu prontuário ficam guardados em segurança e as informações sempre à mão possibilitam um atendimento cada vez mais eficaz.

E as vantagens para os colaboradores?

A tecnologia não deve ser vista como uma vilã que chegou para roubar os empregos dos humanos no mercado de trabalho. Na realidade, ela apresenta soluções para a melhoria da vida das pessoas e não seria diferente no mundo corporativo.

A troca de dados entre as máquinas facilita o acesso à informação. Também possibilita economia de energia, otimização do tempo, processos manuais mais seguros, educação corporativa democratizada e outros aspectos positivos no cotidiano de um trabalhador.

É preciso reconhecer que as soluções proporcionadas pela Internet das Coisas e a tecnologia em si também trazem mais suporte às atividades que, em um primeiro momento, ficaram esquecidas. Por exemplo, os sistemas que integram o setor de RH e financeiro à contabilidade da empresa.

Por muito tempo, houve uma cultura de que o departamento financeiro só dizia respeito à diretoria. Hoje, a integração entre os setores proporciona um trabalho mais organizado e ágil.

Quais os principais desafios?

As mudanças para o futuro do trabalho são inevitáveis: controle de informações, novas formas de trabalho, segurança no ambiente virtual e acesso à informação são benéficos, mas também apresentam seus desafios.

Nesse contexto, o dever dos profissionais é inspecionar os avanços e evitar as distorções que podem ser causadas por esse novo conceito de trabalho. É importante conhecer os principais elementos que devem deixar a força humana de trabalho sempre alerta.

1. Privacidade

Não há como falar em tecnologia sem pensar em privacidade. Uma rede que proporciona conexão ao mundo todo precisa ser muito bem protegida, tanto no que diz respeito aos nossos dados quanto na idoneidade das informações que chegam até nós. Saber quem será o grande responsável por esse controle, além da própria sociedade, é um dos desafios.

2. Senso humano

Se nosso comportamento social, interação no ambiente público, escolhas afetivas, estilos de vida e maneira de trabalho serão afetadas pela tecnologia, o que acontecerá com o senso humano?

Existem habilidades que as máquinas não contemplam, como o pensamento crítico e a inteligência emocional. Cabe aos indivíduos entender a importância da sensibilidade humana para o futuro do trabalho, de modo que sejam fundamentais para a interpretação dos resultados fornecidos pelas máquinas.

3. Mau uso da inteligência artificial

Saber diferençar avanço e progresso de projetos elaborados para prejudicar a humanidade pode não ser tema de filme de ficção científica, mas da realidade.

Será que não é hora de a sociedade estudar a possibilidade de uma nova legislação, que possa mediar a programação e coloque limites no uso da inteligência artificial? Essa é uma reflexão importante para ser feita em todo esse contexto.

A grande realidade do futuro do trabalho é que a sociedade não pode agir de maneira desesperada. Empresas que criarem uma resistência ficarão para trás. Profissionais que insistirem em não se adequar a essas novas tecnologias também.

Como mencionamos algumas vezes durante todo o artigo, a tecnologia deve acrescentar pontos positivos à força de trabalho humana, e não eliminá-la. Entretanto, para garantir um bom posicionamento nessa nova realidade, é preciso conhecê-la e saber o que é possível fazer para estar alinhado a ela.

O mesmo vale para os responsáveis pela árdua e difícil tarefa de promover o recrutamento e a seleção das empresas. Se a dinâmica do mercado muda, e os profissionais mudam junto a ela, é necessário estar preparado para identificar os candidatos mais adequados a essa nova realidade, assim como as ferramentas disponíveis para manter a atual equipe sempre atualizada em relação às novidades desse novo mercado.

As palavras de ordem citadas durante todo o artigo, como flexibilidade, liberdade e inovação, valem tanto para empresas quanto para os colaboradores. Todos os setores devem estar integrados ao novo cenário, para que as organizações não sejam engolidas pelas tendências que o futuro reserva.

Felizmente, as grandes corporações saem na frente com os exemplos que podem ser seguidos. Portanto, estar ligado ao futuro do trabalho também é uma questão de observação: toda vez que você se deparar com processos automatizados no seu dia a dia, como operações bancárias via aplicativos ou estacionamentos que recebem o pagamento do seu ticket sem necessitar de um atendente, lembre-se de que você está vivenciando uma situação em que o amanhã já chegou.

O futuro do trabalho e suas adaptações dependem de nós. Agora que você já está informado quanto a isso, é quase que uma obrigação analisar as situações do cotidiano em que essas questões se encaixam e aprender com elas. Lembre-se de que nós somos os responsáveis por toda essa revolução!

Fonte: Robert Half

Futuro do trabalho: quais as tendências para o trabalho nos próximos anos? (2)

Futuro do trabalho: quais as tendências e como preparar a empresa?

Com o passar dos anos, o mundo corporativo foi impactado com as evoluções tecnológicas e as mudanças sociais. Globalização, envelhecimento da população e até as mudanças climáticas estão fazendo com que algumas profissões que não existiam comecem a aparecer, enquanto outras vão sumir.

Entretanto, as tendências para os próximos anos não se resumem apenas às novas carreiras. O perfil do trabalhador e a maneira de se trabalhar também estão mudando. Continue a leitura e veja sobre o que estamos falando.

1. Ambientes remotos e home office produtivo

O trabalho remoto já é uma realidade em algumas empresas. Para algumas funções, os escritórios tradicionais estão entrando em extinção e dando lugar aos espaços virtuais, principalmente, em atividades que exijam que os profissionais sejam mais criativos.

Horários e ambientes flexíveis já chamam a atenção dos melhores talentos disponíveis no mercado, além de ser muito mais barato para as empresas que não precisam arcar com os custos referentes à estrutura para manter essas equipes.

Um elemento muito interessante dessa modalidade de se montar uma empresa é que a formação de equipes remotas permite que os profissionais fisicamente distantes se unam em escritórios virtuais.

O que dá o tom ao futuro das empresas é essa liberdade de escolher como, onde e em quais horários trabalhar. A tendência é que esses ambientes se adaptem às necessidades pessoas com a ajuda da tecnologia.

2. Conhecimento por meio do EAD

Profissionais cada vez mais qualificados são a promessa para o futuro do trabalho, e a tecnologia aparece novamente como uma das aliadas a esse processo.

O modelo de educação online permite que esses indivíduos adquiram competências teóricas e técnicas no conforto dos seus lares. Como podem fazer o próprio horário de estudos, a tendência é que se qualifiquem em menos tempo e possam investir em vários cursos ao mesmo tempo.

Além disso, as próprias empresas podem contar com esse recurso para treinar seus colaboradores, com um custo bastante inferior. Esse é um recurso já disponibilizado por algumas empresas especialistas em educação corporativa e a tendência é que ganhe mais força.

3. Capacidade de autogestão

A autogestão é mais uma tendência apontada para o futuro do trabalho. Seguindo a linha de um trabalho com mais liberdade, significa que, muito possivelmente, não haverá um controle rígido sobre o desempenho, já que o mundo corporativo está caminhando para uma estrutura menos hierarquizada e mais colaborativa.

O feedback será um processo dinâmico, natural e feito em tempo real. Os colaboradores terão mais autonomia e responsabilidade para controlar o seu próprio desempenho.

4. Estabilidade via rede de contatos

Na realidade, surge um novo conceito para estabilidade: mais ligado ao potencial de empregabilidade, e não ao emprego em si.

Ou seja, se hoje a ideia de um emprego estável é estar em uma empresa que conserva seus colaboradores até a sua aposentadoria, no futuro, será o potencial do trabalhador em ser disputado por várias organizações.

Dessa forma, o trabalho passa a ser sob demanda e contratos de curto prazo, em que o networking é fundamental para que isso aconteça.

5. Trabalhar por um propósito

O salário já está perdendo a força no processo de retenção de talentos e a tendência é que essa prática se fortaleça. Isso significa que será dever do empregador encontrar um propósito para que o profissional faça parte da sua empresa e transmita isso a todo o quadro de colaboradores.

O engajamento das equipes se dará por uma causa, e não por um valor. Todos deverão acreditar na missão da empresa e envolver-se nela.

Fonte: Robert Half

Futuro do trabalho: quais as tendências e como preparar a empresa? (1)

Futuro do trabalho: quais as tendências e como preparar a empresa?

Faz parte da natureza humana saber o que nos aguarda futuramente. As transformações acontecem a todo o momento e, por isso, tentamos prever os próximos acontecimentos de nossas vidas. No âmbito profissional, esse fenômeno também acontece e o futuro do trabalho é uma preocupação recorrente para aqueles que desejam traçar uma rota positiva com o passar dos anos.

Flexibilidade, criatividade e adaptação prometem ser as palavras mais utilizadas no contexto profissional. Inclusive, essa é uma tendência que já vem aparecendo em muitas empresas. Timidamente ou não, organizações já iniciam sua corrida contra o tempo para saírem à frente da concorrência e se adaptarem o quanto antes.

Está interessado em ter acesso a um panorama geral sobre o assunto e adaptar a cultura organizacional da sua empresa para que os próximos tempos sejam promissores? Então, continue a leitura e saiba mais!

O que esperar do trabalho no futuro?

A realidade do futuro do trabalho e da nossa sociedade vem sendo representada há muito tempo por filmes, séries, e até mesmo desenhos animados. Por isso, muitas pessoas pensam que o destino do mundo corporativo estará tomado por robôs e que os humanos sofrerão com o desemprego.

Que as máquinas ocuparão o lugar de mão de obra humana, isso não é novidade para ninguém. Entretanto, não são os empregos que vão deixar de existir: as atividades é que serão adaptadas e, dessa forma, dividiremos o espaço com a tecnologia.

Praticamente todas as profissões têm ocupações que podem ser automatizadas. Nessa realidade, é preciso enxergar os robôs como assistentes dos seres humanos nos processos de tomada de decisões. Ou seja, firmar uma parceria com a máquina.

Para isso, será necessário desenvolver novas habilidades. A educação corporativa vem ganhando cada vez mais força dentro das empresas, que estão bastante interessadas em manter suas equipes alinhadas às novas tendências do futuro.

Quais as principais mudanças na força de trabalho?

Embora a automação seja vista como elemento fundamental para empresas cujas funções tenham tarefas bastante repetitivas e um grande volume de dados para analisar, ainda existem muitas áreas em que a interação humana é crucial. A inteligência emocional do ser humano não pode ser descartada, já que é preciso interpretar e lidar com as informações coletadas.

A inteligência artificial é até capaz de gerar diagnósticos, contudo, ainda não consegue interagir com clientes, pacientes e demais tipos de consumidores da mesma forma que uma pessoa. Criatividade, empatia, simpatia e outros comportamentos humanos são insubstituíveis.

Outro fator que não pode ser ignorado é o crescimento da população de idosos. Com o aumento da expectativa de vida, a tendência é que aumente a demanda de profissionais como médicos, enfermeiros, farmacêuticos, técnicos de saúde e demais profissões relacionadas.

Quais as tendências para o trabalho nos próximos anos?

Com o passar dos anos, o mundo corporativo foi impactado com as evoluções tecnológicas e as mudanças sociais. Globalização, envelhecimento da população e até as mudanças climáticas estão fazendo com que algumas profissões que não existiam comecem a aparecer, enquanto outras vão sumir.

Entretanto, as tendências para os próximos anos não se resumem apenas às novas carreiras. O perfil do trabalhador e a maneira de se trabalhar também estão mudando. Continue a leitura no próximo post e veja sobre o que a Robert Half está falando.

Fonte: Robert Half

O que avaliar em uma entrevista de emprego em inglês?

O que avaliar em uma entrevista de emprego em inglês?

Algo muito comum no processo de contratação é a realização de uma entrevista em inglês. A prática tem como objetivo avaliar se o candidato está apto a cumprir funções nessa língua dentro da organização e deve ser feita de forma bem estruturada para a máxima eficiência.

Um processo de qualidade identifica os aspectos fundamentais de fluência para preencher cada vaga em aberto na organização. Assim, a entrevista é conduzida de forma direcionada, identificando se o candidato realmente atende às necessidades da posição.

Neste artigo, apresentamos as principais informações sobre como conduzir uma entrevista em inglês e avaliar essa habilidade no candidato de forma eficiente. Acompanhe!

O que fazer antes da entrevista em inglês?

O primeiro passo para realizar uma entrevista em inglês é avaliar o nível de proficiência necessário para cada posição em aberto. O ideal é identificar se o profissional precisa da língua para ler, escrever, falar ou um conjunto de todas as opções.

Além disso, é indicado que o recrutador faça uma análise do currículo do candidato antes da entrevista. Dessa forma, ele pode avaliar se o profissional apresenta indícios de que cumpre com as exigências de proficiência — uma experiência internacional recente indica que ele tem boa comunicação e vocabulário, por exemplo.

As informações sobre as exigências da vaga, bem como do perfil do candidato, permitem que o recrutador prepare seu roteiro de forma mais acertada, determinando quais questões e atividades devem ser realizadas para avaliar com mais precisão as habilidades do profissional.

Além disso, fazer a avaliação do cargo e das reais necessidades de proficiência em inglês permite que a descrição da vaga seja feita de forma mais adequada e atraia os candidatos corretos, facilitando todo o processo de contratação.

Qual a importância de determinar o nível de proficiência de forma correta?

Apesar de ser algo valorizado no mercado, muitas vezes o profissional não precisa de conhecimentos avançados em inglês para cumprir suas funções com eficiência. Assim, exigir essa habilidade como pré-requisito se torna um erro que resulta em desvantagens para o negócio.

Custos desnecessários

Em algumas áreas, principalmente as mais técnicas, encontrar profissionais com nível elevado de inglês é algo muito difícil. Esse cenário resulta na inflação dos salários, ou seja, vagas que exigem esse diferencial precisam pagar mais para atrair e manter o candidato na empresa. Sendo assim, o custo da vaga aumenta de forma desnecessária.

Perda de profissionais capacitados

Outro problema dessa prática é que profissionais experientes e capacitados, mas que não dominam a língua, podem se sentir inseguros e deixar de aplicar para a posição ou ser eliminados em fases de testes online. Esse cenário tende a aumentar o tempo do processo de recrutamento e, consequentemente, seus custos.

Frustração do colaborador

Ao contratar um profissional com nível elevado de inglês e não oferecer um ambiente de trabalho que permita sua utilização, o colaborador tende a perder essa habilidade no médio e longo prazo, bem como o investimento feito no idioma ao longo de sua vida. Esse cenário gera frustração, que resulta em perda de produtividade e baixa perspectiva de retenção para a empresa.

Como conduzir a entrevista em inglês?

Normalmente, as entrevistas são feitas inteiramente em inglês para vagas que exigem profissionais fluentes, que precisam defender a empresa sozinhos, participar de reuniões e trabalhar em inglês com frequência. Dessa forma, é possível avaliar se o candidato consegue ou não manter um diálogo de forma eficiente e a gravidade dos erros cometidos — para isso, é indicado que 70% da conversa seja técnica e aprofundada.

Em contrapartida, entrevistas para vagas que exigem pouco inglês — apenas para ligações, e-mails e eventos ocasionais — devem ser conduzidas inteiramente em português e, em algum momento, o entrevistador pode sugerir a mudança para o inglês, começando com questões simples e aumentando o nível da complexidade, para compreender o nível de habilidade que o candidato apresenta.

Conduzir a entrevista dessa forma impede que o profissional trave e fique frustrado com as perguntas em inglês. Assim, é possível focar os demais objetivos da avaliação — entender seu perfil, experiência e habilidades diversas — que também são importantes para a vaga.

Uma prática recomendada é oferecer um feedback ao final da entrevista em inglês, indicando ao candidato que teve um bom desempenho, porém, precisa de mais prática e estudo na língua e que, para assumir a posição e crescer dentro da organização, é necessário investir em seu desenvolvimento de inglês.

Como avaliar o nível de fluência do candidato?

Ao conduzir a entrevista, é precisa avaliar se o candidato atende os aspectos necessários de proficiência para a vaga em questão. Profissionais com alto nível de inglês devem conseguir responder a todas as questões com segurança e boa comunicação, mesmo com alguns erros de vocabulário. Um candidato que não consegue falar de sua carreira e construir frases longas e complexas não é fluente e não seria a melhor escolha para esse tipo de posição.

Para profissionais com nível intermediário, é necessário que eles saibam construir frases simples e manter uma conversação sobre assuntos básicos. Normalmente, esses candidatos tendem a apresentar mais erros de finalização e insegurança na fala; por isso, é importante levar em consideração se a necessidade é mais de escrita ou se conversação é uma exigência.

Fica evidente que, para realizar uma boa entrevista em inglês, é preciso de um processo de contratação bem estruturado e planejado. Antes mesmo de divulgar as vagas, é necessário avaliar a real necessidade de proficiência na língua, evitando custos desnecessários, a perda de candidatos qualificados e a frustração futura de um colaborador, garantindo, como consequência, sua retenção e performance.

Além disso, é importante preparar o roteiro de questões com base nas exigências do cargo e também no perfil do candidato, fazendo a análise de seu currículo anteriormente. Durante a entrevista, é preciso identificar o nível de proficiência do profissional, avaliando sua comunicação em inglês, segurança e desenvoltura.

Fonte: Robert Half

Guia Salarial da Robert Half

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O Guia Salarial da Robert Half 2019 é uma das mais respeitadas fontes de informação sobre remuneração e tendências de recrutamento para auxiliar empresas e profissionais a tomarem as melhores decisões.

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Fonte: Robert Half, BAIXAR

Indústria perde 1,3 milhão de vagas em quatro anos, aponta IBGE

RIO – As indústrias perderam 1,33 milhão de empregos de 2013 a 2017, o que representa 14,8% dos postos de trabalho do setor, conforme dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA), divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa mostra que o setor tinha 7,7 milhões de pessoas ocupadas no fim de 2017, ou 0,6% abaixo do ano anterior. A PIA considera apenas vagas formais. Ainda que a redução de pessoal tenha sido menos intensa em 2017, o setor registrou seu menor quantitativo de empregados desde 2007 (7,457 milhões).

Outras pesquisas do IBGE indicam que o quadro não melhorou no ano passado. Pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua), que inclui também o setor informal, o pessoal ocupado na indústria geral seguiu em queda em 2018, de 1,1% em relação ao ano anterior.

O período de 2014 a 2017 foi marcado por quatro quedas consecutivas do Produto Interno Bruto (PIB) da indústria.

Durante esses quatro anos de crise no setor, o PIB industrial acumulou baixa de 11,8%. Em 2018, o PIB do setor voltou a crescer, com alta de 0,6%, conforme dados divulgados pelo IBGE. Segundo a pesquisa, a Indústria de transformação continua líder em emprego, respondendo por 97,5% do pessoal ocupado em 2017.

Seus segmentos com maior representatividade no emprego foram a fabricação de produtos alimentícios (23,3%) e a confecção de artigos de vestuário e acessórios (8,2%). Nas indústrias extrativas, as maiores participações continuam com a extração de minerais metálicos (41,4%) e extração de minerais não-metálicos (41,1%).

Fonte: Bruno Villas Bôas, Valor, 6/6/2019

Inteligência Competitiva Tecnológica: Era dos robôs está chegando e vai eliminar milhões de empregos, por Paulo Feldmann

Ilustração de Ricardo Cammarota para IlustríssimaProfessor de economia chama a atenção para os avanços tecnológicos que alteram de modo radical as perspectivas do mercado de trabalho. Empregos serão extintos em diversos setores, em um processo que afeta todas as classes.

Em breve um robô vai lhe entregar a pizza de domingo. Talvez seu condomínio não exija que você desça até a portaria para apanhá-la, pois não vão suspeitar que possa ser um assalto. Na Alemanha, esse serviço já está funcionando —e a pizzaria é uma rede que atua no Brasil.

Mas isso é pouco: logo essa pizza será resultado de um processo totalmente automatizado. Se você acha que esse cenário pertence à ficção, ou que vai demorar muitos anos até ele se tornar realidade, pesquise sobre a americana Zume Pizza. Situada no Vale do Silício, a casa entrega comida feita por robôs. E o pior é que os consumidores da Califórnia têm adorado a novidade.

Pior por quê? Porque é enorme a quantidade de empregos que será eliminada. Alguns poderão afirmar que esses postos de trabalho demandam baixa qualificação e que o importante é aumentar a produtividade ——no caso, a das pizzarias.

O argumento perde metade de sua força quando se sabe que, na mesma Califórnia da pizza robotizada, quem se envolve em problemas de trânsito não depende mais de advogados para apresentar recursos. Um dos maiores fabricantes de computadores criou um robô, baseado em inteligência artificial, capaz de elaborar petições para quem quiser recorrer de uma multa, por exemplo. O interessado não precisa dar um único telefonema, nem para o despachante, nem para o defensor.

Exemplos como esses se reproduzem em todos os setores da economia mundial. Eles ilustram um processo novo e muito importante: as empresas se automatizam cada vez mais, com softwares poderosos e inteligência artificial, de tal modo que se expandem empregando número muito menor de trabalhadores.

É o que os americanos chamam de “jobless growth”, crescimento sem empregos. Há muitos anos se previa que isso poderia acontecer —e agora a previsão virou realidade. Diante desse cenário, como a humanidade vai reagir?

Rebeliões contra a mecanização ou a automação dos processos produtivos não são inéditas. Quando o arado passou a ser utilizado na agricultura e muitos trabalhadores perderam seus empregos, foi grande a oposição ao novo instrumento. Na Inglaterra do século 19, os ludistas destruíam os teares em sua revolta contra a substituição da mão de obra humana pelas máquinas. Nos Estados Unidos do século 20, Henry Ford foi considerado um grande inimigo dos manobristas de charretes.

A tecnologia, contudo, sempre venceu. Por um lado, pois aumentava a produtividade da economia como um todo; por outro, e não se pode ignorar este fator, porque só afetava empregos de baixa qualificação.

Aí está a diferença desta vez: agora os empregos de alta qualificação também são afetados —e muito. O mesmo robô que faz as vezes de advogado consegue ler mil tomografias por hora; os médicos que avaliaram seus diagnósticos e resultados concluíram que estavam certos em 99% das ocasiões. Ou seja, uma das profissões mais valorizadas e intelectualizadas hoje em dia está sob ameaça. Em suma, a classe média está saindo do paraíso.

Wolfgang Streeck entra fundo nesse tema em seu livro “How Will Capitalism End?” (como o capitalismo vai terminar?), editado pela Verso e lançado em 2016. Para o autor, a inteligência artificial e a robotização vão fazer com a classe média o que a mecanização fez com a classe trabalhadora nos séculos 19 e 20. Ele afirma que os únicos beneficiados serão os donos dos robôs.

Assim como foi chamado de mecanização o processo de substituição da mão de obra menos qualificada por máquinas, que se desenrolou no final do século 19 e durante praticamente todo o século 20, Streeck cunhou o termo “eletronização” para denominar essa nova fase, na qual computadores e robôs passam a ser dotados de competência para criar e desenvolver tarefas cognitivas simplificadas, além de tomar algumas decisões. No século 21, a eletronização deve afetar a maior parte das atividades profissionais.
A maior parte, mas não todas. Ao que tudo indica, algumas profissões nos extremos estão a salvo.

Estudos mostram que pessoas em funções no topo da pirâmide, que em geral demandam criatividade e capacidade de solucionar problemas, não têm o que temer. As máquinas ainda não conseguem desempenhar tais tarefas com a mesma eficácia. Estão nessa categoria certos ramos da engenharia e das ciências, por exemplo.

Algo semelhante se passa na outra ponta. Trabalhadores manuais sem qualificação nenhuma, como faxineiros ou pedreiros, tampouco serão afetados —não porque a tecnologia não os tenha alcançado, mas por não valer a pena economicamente.

Entre os extremos, as funções mais sujeitas a serem eliminadas são as que exigem repetição. Importa pouco que seja uma atividade fabril ou de serviços, que envolva operários ou profissionais liberais. A questão é: quanto mais rotineira for uma profissão, maior a chance de ela desaparecer —mesmo que demande algum brilho cognitivo.

Um dos livros mais importantes sobre o tema é “Rise of The Robots: Technology and Threat of a Jobless Future” (ascensão dos robôs: tecnologia e a ameaça de um futuro sem emprego), de 2015. Seu autor, Martin Ford, também sustenta que há uma grande diferença entre o que aconteceu no passado e o que vai acontecer agora.

Antigamente, diz Ford, quando um setor se modernizava e com isso eliminava empregos, restava ao trabalhador se mudar para outra atividade econômica. Hoje, contudo, esse caminho não é uma opção sempre válida, pois inúmeros setores estão se modernizando ao mesmo tempo. Ou seja, trata-se agora de fugir das atividades rotineiras e repetitivas e procurar abrigo naquelas que exijam habilidades (ainda) não dominadas pelos robôs.

Questões tributárias e regulatórias podem retardar a utilização desses equipamentos no Brasil, mas nem por isso os brasileiros deveriam estar menos preocupados. Na medida em que o avanço tecnológico e os ganhos de escala tornarem a produção de robôs mais barata, multinacionais tenderão a repensar suas estratégias. Se hoje companhias dos países mais desenvolvidos instalam-se em nações menos avançadas a fim de aproveitar a mão de obra barata, talvez em breve elas considerem mais vantajoso manter uma fábrica quase 100% automatizada em território americano ou europeu.

Muita gente acha que as empresas norte-americanas que operavam na Ásia e no México estão voltando aos Estados Unidos por causa dos pedidos de Donald Trump. Ledo engano. A nova tendência corporativa, que já vem sendo adotada por muitas multinacionais, beneficia-se dos avanços tecnológicos, aqui incluído também outro equipamento revolucionário —as chamadas impressoras 3D, ou impressoras aditivas. Com elas, tornou-se possível fabricar peças e componentes nos próprios locais onde eles são necessários.

Ou seja, um dos princípios básicos da globalização —o uso de cadeias de valores espalhadas pelo mundo— pode estar em xeque. Montadores de automóveis, por exemplo, recorrem à dispersão geográfica da produção, fabricando cada parte ou peça dos veículos na região ou país que ofereça as maiores vantagens competitivas. Isso deixará de existir. Graças às impressoras 3D, esses componentes poderão ser feitos onde se situa a matriz da empresa.

Não surpreende, assim, que toda essa parafernália tecnológica venha sendo chamada por muitos de indústria 4.0, ou que a renovação que ela possibilita seja classificada como a quarta Revolução Industrial. Robôs, inteligência artificial e impressoras 3D são apenas uma parte desse fenômeno, que inclui ainda a internet das coisas (IoT), a computação na nuvem, a nanotecnologia etc.

Todos esses avanços destinam-se a aumentar a produtividade das fábricas; nenhum leva em conta a possibilidade de preservar empregos.

Economistas têm procurado calcular o tamanho do impacto da revolução em curso. Larry Summers, ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos e ex-presidente da Universidade Harvard, chama a atenção para uma grande diferença entre a automatização de agora e aquela promovida nos anos 1960 e 1970 (ele fez uma síntese interessante num painel de 2015, “The future of work”, o futuro do trabalho).

Naquelas décadas, a intensa modernização da maioria dos setores afetou 5% dos empregos. Desta vez, segundo cálculos de Summers, as novas tecnologias sacrificarão algo entre 15% e 20% dos postos de trabalho.

São estimavas modestas se comparadas com as dos economistas Michael Osborne e Carl Frey, ambos da Universidade Oxford, no Reino Unido. Em um célebre estudo de 2013, eles afirmaram que, até 2030, cerca de 45% dos empregos americanos poderão ser eliminados (“The future of employment: How susceptible are jobs to computerisation?”, o futuro do emprego: quão suscetíveis à informatização são os empregos?).

Uma das variáveis dessa equação é o espantoso barateamento dos preços de robôs, softwares de inteligência artificial e outros equipamentos de alta tecnologia. Há dez anos, muitos desses dispositivos eram impensáveis para companhias médias ou mesmo grandes; hoje, até pequenas empresas conseguem comprá-los.

Outra variável é a frustração das expectativas quanto à substituição dos empregos. Imaginava-se que a sociedade pós-industrial geraria ocupações em novos setores, sobretudo ligados à área de serviços, para absorver os trabalhadores deslocados da indústria. Essa perspectiva foi descartada; os equipamentos de ponta são mais utilizados justamente no setor de serviços, onde mais se estão eliminando funções.

Ao mesmo tempo, as ocupações criadas como decorrência dessas tecnologias são em quantidade diminuta. Estudo de 2017 feito no Canadá mostra que, na hipótese mais otimista, os novos empregos não chegam a 4% do total de postos de trabalho existentes naquele país (“Future Shock? – The Impact of Automation on Canada’s Labour Market”, choque futuro – o impacto da automação no mercado de trabalho do Canadá, de Matthias Oschinski e Rosalie Wyonch).

Sem contar que é praticamente impossível prever hoje quais empregos vão surgir nos próximos 40 anos. Para exemplificar, Joel Mokyr, um renomado professor de história da economia na Universidade Northwestern (EUA), afirmou em entrevista à revista The Economist que há 40 anos ninguém teria adivinhado que profissões como projetista de videogame ou especialista em cybersegurança seriam importantes.

Mas uma coisa é certa: é muito pequena a probabilidade de que surjam novas atividades e profissões nas quais a presença de seres humanos seja imprescindível. Robôs e equipamentos de automação mostram-se cada vez mais sofisticados, aptos a desempenhar mais e mais funções. Ou seja, não se deve apostar que a criação de postos de trabalho não previstos poderá resolver o problema do desemprego.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), existem 194 milhões de pessoas desempregadas no mundo, quase um Brasil inteiro. O que poderá acontecer com as taxas de desemprego nos próximos anos? Como a tendência implicada pela automação é certa e irreversível, a geração de empregos vai cair. Não se sabe para qual patamar, mas será uma situação dramática —e a sociedade precisa agir.

A situação embute um paradoxo. Por um lado, a solução deveria envolver as grandes empresas, principalmente as que mais estão se beneficiando das novas tecnologias. Assim como questões de ética concorrencial e proteção do meio ambiente, a preservação de postos de trabalho precisa entrar na pauta da responsabilidade social corporativa. Além disso, se, por hipótese, todas as companhias dispensarem seus empregados ou a maior parte deles, não haverá mercado consumidor.

Por outro, essas companhias não podem abrir mão da automação; ganhar produtividade é crucial para quem quer se manter vivo num mercado competitivo. Como consequência, investem em robôs, inteligência artificial, drones etc., contribuindo para o desemprego.

Uma das maiores dificuldades está na própria teoria econômica, que ainda não avançou o suficiente para perceber que nem sempre o mercado resolve tudo: se deixarmos para o mercado, vamos assistir ao crescimento cada vez maior das empresas gigantes, o que significará menos emprego e menos consumidores.

Por que as empresas gigantes? Porque só vence uma competição acirradíssima quem tem capacidade de fazer investimentos em robôs cada vez mais poderosos. Com isso, as já muito grandes se tornam ainda mais produtivas e acabam adquirindo ou eliminando concorrentes menores, num processo de oligopolização em curso nos mais diversos setores, mas sobretudo onde há maior demanda por tecnologia de ponta.

O problema vem sendo pensado e discutido à exaustão em alguns países, com destaque para Alemanha, França e Itália. A recomendação mais importante é a de que haja redução na jornada de trabalho. Na França e na Itália, a jornada semanal já é de 34 horas, contra 40 no Brasil.

Embora a medida tenha sido bem-sucedida no início, ainda nas décadas de 1980 e 1990, após alguns anos se percebe que ela só será efetiva se for adotada por todos países. É que, com as facilidades da globalização —e com as novas possibilidades oferecidas pelas tecnologias de ponta—, as empresas que querem aumentar sua produtividade simplesmente evitam lugares onde a jornada de trabalhado tenha sido reduzida.

De qualquer forma, a própria OIT prioriza essa iniciativa, e a frase “trabalhar menos para que todos trabalhem” virou um lema muito utilizado na Europa.

Outra medida bastante polêmica vem sendo alardeada por sindicatos britânicos: eles defendem uma atuação conjunta de governos, empresários e organizações de trabalhadores para estabelecer um imposto sobre ganhos de produtividade decorrentes do uso de robôs ou outras tecnologias de automação.

A alíquota do tributo seria diferenciada por segmentos da economia. Assim, sobre o setor bancário, incidiria uma taxa maior do que sobre a construção civil, pois neste último os impactos da automação são menores. Esses impostos, além disso, teriam destinação específica, qual seja, a criação de empregos públicos nas áreas de educação e saúde.

Como sempre, os países mais avançados nessa discussão são os escandinavos. Por lá, predomina a ideia de introduzir um programa de renda mínima nacional. Todo cidadão receberia um valor mensal que lhe garantiria a subsistência, independentemente de ele estar ou não trabalhando. O pressuposto por traz desse tipo de ação é que o desemprego vai crescer de forma assustadora nos próximos anos e toda a sociedade precisa estar protegida.

Nesse debate, há ainda a considerar as questões filosóficas suscitadas pelas novas tecnologias. Computadores e robôs sabem ler textos e fazer cálculos há bastante tempo, mas só recentemente passaram a enxergar, ouvir e falar. Devido ao avanço da inteligência artificial, também passaram a ter… inteligência. A humanidade deveria se preocupar com esse fato, na linha do que sugerem filmes como “O Exterminador do Futuro” e “Matrix”?

Existem diversos grupos de cientistas, futurólogos e filósofos que especulam cenários apocalípticos. Vernor Vinge é um deles. Respeitado professor de matemática e computação da Universidade de San Diego na Califórnia, escreveu livros de ficção sobre a era em que os computadores e robôs serão equivalentes aos seres humanos —como “The Children of The Sky” (as crianças do céu) e “Rainbows End” (o fim do arco-íris). Para ele, isso deve começar a acontecer em menos de 15 anos e será a maior mudança no planeta após o surgimento da vida humana.

O recém-falecido cientista Stephen Hawking era um dos estudiosos da inteligência artificial que mais se preocupavam com as consequências negativas dessa tecnologia. Ele chegou a antever o fim da raça humana como decorrência do poder incontrolável que as máquinas passarão a deter.

A mesma posição vem sendo manifestada pelo visionário Elon Musk, fundador da Tesla (uma das maiores fabricantes de carros elétricos do mundo) e da SpaceX, empresa que pretende pôr um homem em Marte nos próximos dez anos. Musk defende a criação de uma espécie de órgão regulador com a função de prevenir situações futuras em que equipamentos dotados de inteligência artificial poderiam ameaçar a sobrevivência de humanos.

Quanto a isso, assim como em relação à ameaça do crescimento sem empregos, a situação também termina em paradoxo. Uma empresa ou um país que resolver frear o desenvolvimento tecnológico para evitar uma catástrofe —tanto quanto para evitar a extinção de postos de trabalho— acabará perdendo competitividade nacional e internacional.

Como consequência, essa empresa ou esse país se verá às voltas com o desemprego (fruto da diminuição da fatia de mercado decorrente da menor competitividade) e não terá interrompido a escalada tecnológica de outras empresas ou outros países.

Apesar de todos estes aspectos assustadores, o que há de pior para um país é não discutir o assunto. E é justamente isso o que acontece no Brasil, mesmo neste ano eleitoral.


Paulo Feldmann é professor da Faculdade de Economia e Administração da USP, professor visitante da
Pécs University (Hungria) e autor do livro “Robô: Ruim com ele, pior sem ele”.

Ricardo Cammarota é Ilustrador.

Publicado na Folha de S.Paulo, 29.jul.2018 às 2h00