‘Vírus continuará conosco por anos e testará limites da globalização’, diz economista James Meadway

‘Vamos chegar ao limiar de um mundo dividido em duas camadas. Alguns lugares, mais protegidos da doença, vão erguer muros para se manter assim’, diz James Meadway — Foto: Reprodução/YouTube

‘Vamos chegar ao limiar de um mundo dividido em duas camadas. Alguns lugares, mais protegidos da doença, vão erguer muros para se manter assim’, diz James Meadway — Foto: Reprodução/YouTube

Enfermidades humanas moldaram as sociedades e as economias nos últimos séculos. Não será diferente após a covid-19, uma “doença do capitalismo”, que testa os limites da globalização como conhecemos, segundo o economista britânico James Meadway, autor do livro “Pandemic Capitalism”, publicado neste ano.

Em entrevista ao Valor, ele fala em novo design dos espaços urbanos, no rearranjo das cadeias de suprimento e nos custos que a economia global enfrentará para conviver com a covid-19 pela próxima década. Para o plano geopolítico, diz, a pandemia pode significar uma mudança no jogo de poder, ao aumentar ainda mais a distância entre países ricos e pobres. Ex-conselheiro econômico do Partido Trabalhista, de oposição, atualmente ele integra o think tank The Progressive Policy.

Valor: A pandemia vem testando os limites do mundo globalizado. O que muda?

James Meadway: Ela acelerou tendências que já vinham sendo identificadas. Particularmente depois da crise de 2008, a trajetória de crescimento do comércio global, que se manteve em ritmo muito mais acelerado do que o da economia mundial nos 30 a 40 anos anteriores, mudou.

O comércio internacional representa uma parcela da economia que encolheu desde então. Uma parte importante dele vai ser mais difícil, com muito menos voos e alguns tipos de serviços internacionais, além de custos muito maiores para determinados setores. Isso aponta para menos globalização.

Há ainda o impacto político. Houve sinais mais positivos, como o anúncio dos Estados Unidos de que vão apoiar a flexibilização das patentes sobre vacinas (da covid-19). Mas há também o nacionalismo da vacina, com diferentes países do Norte desenvolvido acumulando imunizantes para si, sem distribuir tanto para o resto do mundo. É um momento de ruptura para a globalização.

A distribuição das vacinas não é só patente, é produção. Vacinas de RNA não são fáceis de se fabricar. É um mundo de novas tecnologias, tudo isso criado em um ano.

O mundo não está preparado para lidar com esse desafio logístico, que requer a coordenação entre diferentes países, companhias e todo o resto. Isso confirma que o vírus vai continuar por aí por um tempo.

Existe grande incentivo para que países individualmente cuidem de si em primeiro lugar. Vamos chegar ao limiar de um mundo dividido em duas camadas. Alguns lugares, mais protegidos da doença, vão erguer muros para se manter assim.

Valor: Isso não gera um custo alto inclusive para quem ergue os muros?

Meadway: Austrália e Nova Zelândia são dois países bem-sucedidos com a estratégia de acabar com a covid-19 que pagam um custo imenso. Fechar um país inteiro por mais de um ano causa prejuízos para o turismo, para a sua capacidade de organizar reuniões de negócios e outros tipos de interação para estimular a produtividade, como o intercâmbio de cientistas. Há custos cultural e social. Isolar-se do resto do mundo tem um preço.

Os dois países firmaram um acordo entre eles por se considerarem seguros para viagens e negócios. Isso pode acontecer com outros. Esse é um mecanismo que pode se disseminar e prejudicar o crescimento global, criar discriminação.

Valor: Podem ser novas barreiras para países como o Brasil e a Índia?

Meadway: Exatamente. Isso cria uma relação de poder entre os países ricos e os mais pobres. Você pode dar ajuda financeira, suspender restrições para viagens, oferecer vacinas ou não. Já vi isso sendo descrito como o imperialismo da vacina. Tem um elemento aí de imenso desequilíbrio de poder. Pode haver uma disputa entre nações de um mesmo nível, como o Reino Unido e a União Europeia, países desenvolvidos. Falo de algo bem diferente. Tudo bem, o Brasil e a Índia são economias bem grandes, mas, na hierarquia que todos sabemos que existe no globo, não estão lá no topo. Estão em algum lugar no meio. Por isso, podem ser pressionados.

Valor: As cadeias de suprimento global foram postas à prova. Faltaram medicamentos, vacinas, equipamentos médicos e semicondutores. Isso não aumenta a pressão? Meadway: Os semicondutores estão por toda parte. Vimos fabricantes de automóveis que pararam de produzir porque não conseguiam chips para computadores de bordo. No mundo da internet e do 5G, em que os aparelhos estão conectados o tempo todo, você precisa de semicondutores para manter a expansão maciça no uso do processamento de dados. A outra questão, mais óbvia, é a dos produtos farmacêuticos. A vulnerabilidade das cadeias ficou mais evidente depois de 2008, quando teve início uma espécie de repatriação. Falar em “desglobalização” é um exagero. Mas é um recuo. A pandemia acelerou tudo isso. De repente, percebe-se que as cadeias de suprimento eram extremamente vulneráveis. Não foi só o vírus. Um navio de contêineres bloquear o canal de Suez por seis semanas é outro indicador dessa vulnerabilidade em um mundo globalizado.

Valor: A logística pandêmica mostrou que não havia navios suficientes no mundo. Seringas foram transportadas de avião. O transporte, nesse caso, saiu muito mais caro do que o custo delas próprias

Meadway: Há trens com mercadorias que saem da China e chegam ao Leste de Londres. É um movimento que foge do transporte marítimo e suas vulnerabilidades. A pandemia ajudou a entender um processo em curso. Introduziu outro grande incentivo. O vírus não vai desaparecer tão cedo. Várias atividades vão ficar mais caras, mais difíceis do que antes. Isso vai se somando. É custo alto para as empresas.

Valor: Será uma espécie de inflação pós-pandemia?

Meadway: Existe um debate entre os economistas. Uns veem um choque de demanda. A economia encolheu no ano passado porque todo mundo ficou em casa sem gastar muito dinheiro. Isso é uma parte. Mas há uma visão mais pessimista. Olivier Blanchard, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, diz – e acho que ele tem certa razão – que, no longo prazo, as cadeias de suprimento vão estar sob pressão por causa desses custos. Se esse for o caso, é de esperar que a produtividade seja menor, e a inflação, um pouco mais alta. Esse deve ser o mundo onde viveremos.

Valor: Podemos dizer que o modelo de globalização está em debate?

Meadway: Acho que sim. A discussão sobre o afastamento do modelo neoliberal já estava em curso desde 2008. A pandemia também acelerou essa discussão. É impressionante o que se vê nos Estados Unidos, com a reviravolta conduzida pelo presidente Joe Biden, na contramão dessa visão de mundo. Internamente, conduziu mudanças dramáticas, com aumento gigantesco de despesas e a sinalização de que gastará ainda mais em pacotes de estímulo e infraestrutura, além de propostas para aumento dos direitos dos sindicatos, o que não se viu no país nos últimos 40 anos. Internacionalmente, apoiou a suspensão temporária das patentes para vacinas e a criação de um imposto sobre empresas com alíquota mínima global, o que pode ser o fim dos paraísos fiscais. Tudo isso é um forte golpe contra essa visão particular de globalização neoliberal que conhecemos há tanto tempo.

Valor: Quanto tempo conviveremos com a covid-19?

Meadway: Os modelos epidemiológicos apontam para um período de circulação do vírus de mais ou menos dez anos. Com sorte, as vacinas vão ser eficientes, bloquear as transmissões e acabar com os sintomas da doença, o que pode abreviar esse período. Mas não podemos nos fiar na sorte. Temos de pensar em ajustes de longo prazo. Isso já está acontecendo. Há uma forte migração para o teletrabalho, o que terá grande impacto sobre o funcionamento e desenho das cidades. As evidências apontam fortemente para o fato de que os danos ambientais e a mudança do clima vão gerar novas doenças no futuro. A agricultura intensiva cria as condições para a transmissão de doenças de animais para os seres humanos e, potencialmente, entre os seres humanos.

Valor: O senhor diz que o custo de erradicação total da covid-19 é alto e, por isso, deve se tornar uma doença endêmica. Por quê?

Meadway: Não vivemos num mundo que consiga lidar com esse tipo de problema de maneira coordenada internacionalmente. Não há mecanismos para isso, o que leva a um problema em que nações tomam carona nas medidas dos outros. Os países que estão fazendo um bom trabalho para erradicar a covid-19, com vacina e controle do vírus, pagam um preço alto por isso. Por que você vai fazer o mesmo, se custa caro, e o outro está resolvendo? Além disso, o nacionalismo da vacinação vai atrapalhar a imunização global. É mais provável que vire uma doença endêmica.

Valor: Por que o senhor considera a covid-19 uma doença do capitalismo?

Meadway: O vírus se adaptou muito bem neste mundo em que as pessoas vivem em cidades grandes densamente povoadas, passam tempo fechadas e viajam por toda parte. Se essa mesma doença surgisse cem anos atrás, não teria se disseminado assim. Para conter o impacto das futuras pandemias, vamos ter menos viagens globais do que agora, rever como produzimos alimentos, reduzir os impactos ambientais, com elementos da economia circular, reaproveitamento e reciclagem, e limitar as emissões de gases de efeito estufa.

Fonte: Vivian Oswald — Para o Valor, de Londres, 04/06/2021.

Por que a economia da América Latina foi tão prejudicada pela covid-19

Colômbia
Manifestantes em Bogotá cobram ação do governo para combater a pobreza, a violência policial e as desigualdades na saúde e na educação. Foto: Nathalia Angarita/Reuters – 12/5/2021

Antes da pandemia, Jaime Alirio Pinilla, um homem de 45 anos que vive em Bogotá, capital da Colômbia, trabalhava em construção. “Mas, por causa dessa merda, perdi o emprego e agora ganho a vida na rua”, afirma ele, de trás do carrinho de metal que lhe serve como loja de suco de laranja, doces, cigarros e café. A Colômbia teve um dos lockdowns mais duradouros do mundo. E agora testemunha conflitos diários entre manifestantes e forças de segurança, enquanto protestos contra a situação econômica entram na terceira semana. “Ficamos trancados mais de um ano – e não conseguimos mais suportar essa situação”, afirmou Pinilla. “A economia está arruinada, não vivemos mais, estamos apenas sobrevivendo.”

pandemia de covid-19 provocou a mais profunda recessão global desde a 2.ª Guerra Mundial. Mas uma região piorou mais economicamente do que qualquer outra – muito mais. O Produto Interno Bruto (PIB) mundial contraiu-se em 3% no ano passado, mas a taxa na América Latina e Caribe caiu 7%, o pior resultado registrado em qualquer região monitorada pelo FMI (mas o PIB  da Índia, que equivale quase a um continente, caiu mais). 

Em 2020, os habitantes da América Latina trabalharam 16% menos horas, quase o dobro na diminuição global. Vários países da região tiveram quedas extraordinárias: o PIB do Peru, por exemplo, caiu 11% no ano passado. E ainda que algumas economias estejam agora retomando o ritmo, com o levantamento das restrições, na América Latina o clima é de pessimismo.

A explicação mais simples para o terrível desempenho da região está relacionada à saúde pública. O modelo de excesso de mortes da Economist estima que América Latina e Caribe têm o mais alto índice de excesso de mortes durante a pandemia em relação à população dentre todas as regiões do mundo.

Enquanto as vacinações em outras partes do planeta reduzem a disseminação da doença e os danos que isso causa, em muitas partes da América Latina o coronavírus se espalha livremente. No Brasil, onde o presidente populista, Jair Bolsonaro, se recusa a usar máscara e se vacinar, o número de mortes diárias chegou a ultrapassar 4 mil (agora está em cerca de 2 mil). Mesmo países que anteriormente foram bem-sucedidos em controlar a pandemia, como o Uruguai, estão vendo os números de casos explodir.

A disseminação da doença fez com que alguns governos da região implementassem os mais severos lockdowns do mundo. Uma metodologia de quantificação do banco Goldman Sachs confere uma nota de zero a 100 para avaliar a severidade das regras de lockdown de um país, o grau de adesão às restrições e qualquer tipo de distanciamento social voluntário. Habitantes de nenhuma outra região ficaram tanto em casa durante um ano de pandemia quanto os da América Latina, onde o isolamento social foi 70% maior do que na América do Norte.

Argentina e Chile foram o segundo e o quarto país, respectivamente, com mais restrições no mundo. O Peru ocupa o topo da lista. Por lá, o primeiro lockdown lembrou os dias mais sombrios da guerra contra os insurgentes maoístas, no começo dos anos 1990. Ninguém tinha permissão para sair, a não ser para comprar alimentos. Policiais e soldados faziam cumprir estritamente o toque de recolher. Lockdowns tão severos tornam a atividade econômica impossível, mesmo que muitas das pessoas mais pobres da região não tenham outra escolha a não ser desafiar as ordens de ficar em casa e sair às ruas para tentar ganhar a vida.

Somando-se à severidade do surto na América Latina e aos lockdowns associados a isso, dois outros fatores contribuíram para a dolorosa contração da economia da região: as estruturas das economias locais e a escala e forma dos estímulos fiscais. Tomemos primeiramente a estrutura econômica. Uma gama de evidências sugere que a região é especialmente vulnerável em relação aos lockdowns. Muitos países da América Latina e Caribe são altamente dependentes de ganhos obtidos com turistas estrangeiros. Aruba, uma ilha holandesa no Caribe que dependente especialmente dos visitantes, viu seu PIB cair 25% em 2020.

Pesquisa recente do FMI constata que os empregos nos setores que a entidade qualifica como “intensos em contato” – do tipo em que é impossível trabalhar sem estar próximo fisicamente de outras pessoas – são especialmente importantes na América Latina e Caribe. O trabalho em setores como de restaurantes, comércios ou transporte público corresponde a 43% do total das vagas de emprego na região, contra 30% nos países emergentes como um todo.

De maneira incomum, grande parte dos habitantes da América Latina – uma região de enormes desigualdades – trabalha nas casas dos ricos, o que implica inerentemente numa mistura de lares. Para um artigo recente, Louisa Acciari, da University College London, pesquisou com colegas o trabalho doméstico em vários países e descobriu histórias de uso inadequado de equipamentos de proteção individual e violações de direitos. A primeira morte oficial de covid-19 no Rio de Janeiro, ocorrida em março de 2020, foi de uma empregada doméstica que havia sido infectada por sua patroa, de acordo com autoridades de saúde do Estado, que tinha viajado para a Itália e, segundo o relato, não se incomodou em chamar a empregada para trabalhar em sua casa mesmo sabendo que estava doente.

O fator final por trás do péssimo desempenho econômico da região é política fiscal. Uma maneira de medir se a resposta fiscal de um país à pandemia foi suficiente envolve a comparação de dois elementos: mudança no déficit orçamentário do governo do país e a sua perda na produção de riqueza. Tomando emprestada uma metodologia desenvolvida na pesquisa de um estudo do Goldman Sachs, The Economist calculou a adequação dos estímulos em reação à pandemia em 193 países. 

Muitos governos ao redor do mundo incrementaram seu gasto em um dólar para cada dólar de produtividade perdido. Uns poucos países, como Estados Unidos e Austrália, foram substancialmente mais generosos. A América Latina, apesar de implementar estímulos fiscais mais generosos do que em recessões passadas, foi mesquinha mesmo em relação a outros mercados emergentes, com países medianos injetando apenas US$ 0,28 em gastos extras deficitários para cada dólar perdido na produtividade.

O planejamento dos estímulos também foi insuficiente. Países com os planos mais bem-sucedidos repassaram enormes quantidades de dinheiro diretamente à população. Isso ajudou a quebrar o ciclo de perda de emprego e cortes em gastos domésticos, o que sustentou as economias. A América Latina, em contraste, concentrou seus principais recursos em outras áreas, incluindo o fortalecimento de mal financiados sistemas de saúde.

Mas nem todos os países latino-americanos tomaram esse caminho. No Brasil, os gastos do governo Bolsonaro compensaram quase completamente as perdas no PIB. Isso ajudou a reduzir a incidência de pobreza extrema mesmo com a pandemia dominando o país, apesar do nível de ajuda emergencial para lares pobres ter diminuído recentemente, apesar da fome e outras formas de privação estarem novamente em ascensão.

Ainda assim, alguns governos agiram de maneira curiosamente austera. Em nenhum lugar isso é tão verdadeiro quanto no México, liderado pelo autoproclamado esquerdista Andrés Manuel López Obrador. O insignificante programa de estímulo mexicano (de US$ 0,17 para cada dólar perdido) se origina nas sensibilidades monásticas e autárquicas de López Obrador, que o tornam instintivamente esquivo em relação a endividamentos, especialmente quando financiados por estrangeiros. 

Na Colômbia, os protestos foram desencadeados por uma tentativa do governo de Iván Duque de implementar uma reforma tributária, em 28 de abril, que cresceram e passaram a abranger muitas outras insatisfações. Grande parte do descontentamento tem origem na percepção de uma resposta inadequada e incorreta à crise da covid-19, que levou 2,8 milhões de pessoas à extrema pobreza.

A carnificina econômica não durará para sempre. Mas o crescimento anual no PIB de 3% a 4% que América Latina e Caribe podem esperar, uma vez que as restrições sejam levantadas com segurança, é bem mais baixo do que as taxas esperadas nos EUA e em outros países. Uma recente elevação nos preços da commodities vai ajudar menos do que muitos esperam: o índice geral de preços de commodities no mundo permanece abaixo de onde esteve durante grande parte do período seguinte à crise financeira global. E por causa dos estímulos pífios, os lares não acumularam poupanças significativas como nos países mais ricos, então, não haverá nenhuma onda de gastos pós-pandemia. Como demonstram os protestos na Colômbia, a região mais atingida pela pandemia está diante de mais problemas.

Fonte: The Economist/Estadão, 14 de maio de 2021. TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Por que pessoas inteligentes caem em mentiras e notícias falsas sobre o coronavírus?

Mulher olhando na tela do celular
GETTY IMAGES

A BBC já desmentiu várias informações falsas que estavam sendo espalhadas sobre o coronavírus, incluindo mentiras sobre curas inexistentes. Autoridades como a Organização Mundial de Saúde e organizações médicas e científicas também estão a todo tempo divulgando informações corretas e confiáveis sobre a pandemia.

E muitas vezes, as informações falsas são tão perigosas quanto a doença. Um documento recente de uma província do Irã descobriu que mais pessoas morreram por consumir álcool industrial, com base em uma falsa alegação de que poderia protegê-las do Covid-19, do que do próprio vírus. Nos Estados Unidos, um homem morreu após se automedicar com cloroquina em seu formato usado para fazer limpeza de aquário.

Mas mesmo ideias aparentemente inócuas podem levar você e outras pessoas a ter uma falsa sensação de segurança, desencorajando-os a aderir às diretrizes de médicos e organizações de saúde.

Há evidências de que as pessoas estão acreditando nessas ideias erradas.

Uma pesquisa do instituto YouGov e da revista The Economist de março de 2020 descobriu que 13% dos americanos acreditavam que a crise da covid-19 era uma farsa. Outros 49% acreditavam que a pandemia poderia ter sido provocada pelo homem. E, embora se espere que maior capacidade intelectual ou educação nos ajudem a diferenciar fatos da ficção, é fácil encontrar exemplos de muitas pessoas instruídas que caem nesse tipo de mentira.

Leve em consideração a escritora Kelly Brogan, uma importante teórica da conspiração da covid-19: ela é formada pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e estudou psiquiatria na Universidade de Cornell, ambos nos EUA.

No entanto, ela desconsiderou evidências claras do perigo do vírus em países como China e Itália e chegou ao ponto de questionar os princípios básicos do conhecimento que se tem sobre os germes, ao mesmo tempo em que endossava ideias pseudocientíficas.

Mesmo alguns líderes mundiais — de quem você esperaria ter maior discernimento quando se trata de rumores infundados — estão espalhando informações imprecisas sobre o risco do surto e promovem remédios não comprovados que podem causar mais mal do que bem.

Isso levou o Twitter e o Facebook a fazerem algo inédito: removerem postagens de líderes mundiais por espalharem desinformação.

Os psicólogos já estudam esse fenômeno há alguns anos. E as respostas que eles encontraram podem indicar novas maneiras de nos protegermos das mentiras e ajudarmos a conter a disseminação de de notícias falsas e comportamentos nocivos.

A americana Kelly Brogan, uma das principais conspiracionistas sobre a covid-19
GETTY IMAGES,Formada no MIT, Kelly Brogan estudou na universidade de Cornell e mesmo assim questionou a existência de uma pandemia de covid-19

Sobrecarga de informação

Parte do problema surge do excesso de mensagens. Somos bombardeados com informações o dia todo, todos os dias e, portanto, frequentemente confiamos em nossa intuição para decidir se algo é verdade.

Os fornecedores de notícias falsas podem fazer com que suas mensagens pareçam “verdadeiras” através de alguns truques simples, que nos desencorajam nosso pensamento crítico — com práticas como verificar a credibilidade da fonte. Quando os pensamentos fluem sem problemas, as pessoas concordam.

Eryn Newman, da Universidade Nacional Australiana, por exemplo, mostrou que a simples presença de uma imagem ao lado de uma declaração aumenta nossa confiança em sua veracidade — mesmo que a imagem esteja relacionada apenas tangencialmente à reivindicação. Uma imagem genérica de um vírus que acompanha alguma alegação sobre um novo tratamento, por exemplo, pode não oferecer provas da afirmação, mas nos ajuda a visualizar o cenário geral. Aceitamos essa “facilidade de processamento” como um sinal de que a reivindicação é verdadeira.

Imagem de uma tela de celular com notícia sobre o coronavírus e uma ilustração do vírus
GETTY IMAGES,A mera presença de uma imagem ao lado de uma informação ajuda a aumentar sua aparência de veracidade

Por razões semelhantes, a desinformação incluirá linguagem descritiva ou histórias pessoais que parecem realistas. Também apresentará apenas fatos ou números familiares o suficiente — como mencionar o nome de um corpo médico reconhecido — para fazer a mentira parecer convincente, permitindo que ela se amarre ao nosso conhecimento anterior.

Até a simples repetição de uma afirmação — seja o mesmo texto ou várias mensagens — pode aumentar a aparência de “veracidade”, estimulando os sentimentos de familiaridade, que confundimos com precisão factual. Portanto, quanto mais vezes vemos algo em nossas redes sociais, maior a probabilidade de pensarmos que aquilo é verdade — mesmo se fôssemos originalmente céticos.

Compartilhar antes de pensar

Esses truques são conhecidos há muito tempo pelos publicitários e marqueteiros, mas as mídias sociais de hoje podem aumentar nossa tendência à ingenuidade.

Evidências recentes mostram que muitas pessoas compartilham conteúdo de forma automática, sem sequer refletir a respeito.

Gordon Pennycook, pesquisador em psicologia da desinformação da Universidade de Regina, Canadá, pediu aos participantes de um estudo que analisassem uma mistura de manchetes verdadeiras e falsas sobre o surto de coronavírus.

Pessoas conversando pela internet
GETTY IMAGES,Pesquisas mostram que algumas pessoas compartilham notícias que elas conseguiriam reconhecer como falsas se pensassem sobre elas com cuidado

Quando foram especificamente solicitados a julgar a precisão das declarações, os participantes disseram que as notícias falsas eram verdadeiras em cerca de 25% das vezes.

Quando foram simplesmente questionados se compartilhariam a manchete, no entanto, cerca de 35% disseram que repassariam as notícias falsas — 10% a mais.

“Isso sugere que as pessoas estavam compartilhando material que eles poderiam saber que era falso, se tivessem pensado mais diretamente”, diz Pennycook. (Como grande parte da pesquisa de ponta sobre a covid-19, essa pesquisa ainda não passou por peer review, ou seja, não foi revisada por outros cientistas, mas um resultado parcial já foi divulgado.)

Talvez os cérebros dos participantes estivessem se perguntando se uma declaração receberia curtidas e compartilhamentos em vez de considerar sua veracidade.

“As mídias sociais não incentivam a verdade”, diz Pennycook. “O que elas incentivam é o engajamento.”

Ou talvez as pessoas achassem que poderiam repassar a responsabilidade de julgar a veracidade para os outros: muitas pessoas têm compartilhado informações falsas com uma espécie de aviso, dizendo algo como “não sei se isso é verdade, mas…”.

Mulher de máscara
GETTY IMAGES,Consumimos postagens e textos nas redes sociais de forma diferente dependendo do nosso perfil mental

As pessoas podem pensar que, se houver alguma verdade nas informações, isso pode ser útil para amigos e seguidores e, se não for verdade, é algo inofensivo — portanto, o ímpeto é compartilhá-las, sem perceber que o compartilhamento também causa danos.

Sejam promessas de remédios caseiros ou reclamações sobre algum tipo de conspiração, a promessa de obter uma forte reação de seus seguidores desviará as pessoas da pergunta óbvia.

Esta pergunta deve ser, é claro: isso é verdade?

Substituir reações

Pesquisas psicológicas clássicas mostram que algumas pessoas são naturalmente mais propensas a substituir suas respostas reflexivas do que outras. Essa descoberta pode nos ajudar a entender por que algumas pessoas são mais suscetíveis a notícias falsas do que outras.

Pesquisadores como Pennycook usam uma ferramenta chamada “teste de reflexão cognitiva”, ou TRC, para medir essa tendência. Para entender como funciona, considere a seguinte pergunta:

O dono do gato Mingau tem três gatos. Os dois primeiros são chamados Abril e Maio. Qual é o nome do terceiro?

Muitas pessoas respondem “Junho” intuitivamente — mas a resposta correta, é claro, é Mingau.

Para chegar a essa solução, você precisa pausar, pensar, e substituir a resposta inicial mais instintiva.

Loja vazia com cartaz sobre o coronavírus
GETTY IMAGES,Para combater as notícias falsas, é importante apresentar os fatos de maneira simples

Por esse motivo, as perguntas da TRC não são tanto um teste de inteligência bruta, mas um teste da tendência de alguém a empregar sua inteligência, pensando as coisas de maneira deliberada e analítica, em vez de seguir suas intuições iniciais.

As pessoas que não fazem isso costumam ser chamadas de “avarentos cognitivos” pelos psicólogos, já que podem possuir capacidade de raciocinar, mas não a “gastam”.

A avareza cognitiva nos torna suscetíveis a muitos preconceitos cognitivos, e também parece mudar a maneira como consumimos informações (e desinformação).

Quando se tratava das declarações de coronavírus, por exemplo, Pennycook descobriu que as pessoas que obtiveram uma nota ruim no TRC eram menos exigentes nas declarações que acreditavam e estavam dispostas a compartilhar.

Matthew Stanley, da Duke University, nos EUA, relatou um padrão semelhante na suscetibilidade das pessoas às teorias de conspiratórias sobre coronavírus. Lembre-se que cerca de 13% dos cidadãos dos EUA acreditavam que a pandemia era uma farsa, o que poderia desencorajar a higiene e o distanciamento social.

“Treze por cento parece ser suficiente para fazer com que esse vírus se espalhe muito rapidamente”, diz Stanley.

Testando os participantes logo após a pesquisa original YouGov/The Economist, ele descobriu que as pessoas que obtiveram uma pontuação pior no TRC eram significativamente mais suscetíveis a esses argumentos mentirosos.

Esses “avarentos cognitivos” também eram menos propensos a mudar seu comportamento para impedir a propagação da doença — como lavar as mãos e manter isolamento social.

Conter a disseminação

Saber que muitas pessoas — mesmo as inteligentes e as instruídas — têm essas tendências “avarentas” de aceitar informações erradas pode nos ajudar a impedir a disseminação de informações erradas.

Dado os estudos sobre o assunto — que mostram que “concordamos quando os pensamentos fluem sem problemas” — as organizações que tentam fazer checagem dos fatos devem evitar ser excessivamente complexas.

Em vez disso, eles devem apresentar os fatos da maneira mais simples possível — de preferência com recursos como imagens e gráficos que facilitam a visualização das ideias. Como Stanley coloca: “Precisamos de mais trabalho de comunicação e estratégia para atingir as pessoas que não estão tão dispostas a parar e pensar criticamente sobre tudo”.

Simplesmente não é o suficiente apresentar um argumento sólido e esperar que ele resolva o problema.

Mulher olha no celular em uma sacada
GETTY IMAGES,Medidas simples como avisar os usuários para pensar antes de compartilhar podem ajudar

Essas campanhas devem evitar repetir as mentiras, quando possível. A repetição faz com que a ideia pareça mais familiar, o que poderia aumentar a percepção da veracidade. Isso nem sempre é possível, é claro.

Mas as campanhas podem pelo menos tentar tornar os fatos verdadeiros mais proeminentes e memoráveis do que os mitos, para que eles tenham maior probabilidade de ficar na mente das pessoas. (É por esse motivo que esse artigo fornece o mínimo de informações possível sobre as mentiras e teorias da conspiração.)

Quando se trata de nosso próprio comportamento online, podemos tentar nos libertar da emoção gerada pelo conteúdo e pensar um pouco mais sobre sua veracidade antes de transmiti-lo. É baseado em boatos ou em evidências científicas concretas? Você pode encontrar a fonte original? Como ele se compara aos dados existentes? O autor está usando falácias lógicas comuns para argumentar?

Essas são as perguntas que devemos fazer — em vez de se o post vai gerar muitas curtidas ou se “poderia” ser útil para os outros.

Pennycook sugere que as redes sociais poderiam levar seus usuários a pensar mais com intervenções relativamente diretas. Em suas experiências, ele descobriu que pedir aos participantes que avaliassem a precisão factual de uma única alegação levou os participantes a começar a pensar mais criticamente sobre outras afirmações, o que os levou a dobrar o cuidado ao compartilhar informações.

Na prática, pode ser simples: uma plataforma de mídia social que fornece lembretes ocasionais para pensar duas vezes antes de compartilhar já ajuda. E estudos cuidadosos podem ajudar as empresas a encontrar a estratégia mais confiável, diz ele.

Não há panaceia. Como nossas tentativas de conter o vírus em si, precisamos de uma abordagem multifacetada para combater a disseminação de informações erradas e potencialmente fatais.

E, à medida que a crise se aprofunda, será responsabilidade de todos conter essa disseminação.

*Artigo escrito por David Robson, autor do livro The Inteligente Trap (A Armadilha da Inteligência), que examina por que pessoas inteligentes agem de maneira tola e as estratégias que podemos usar para tomar decisões mais sábias.

Fonte: David Robinson*, BBC Future, 12 abril 2020.

Mais sobre o coronavírus

Afinal, Brasil vacina pouco ou muito? Confira 5 dados do ranking global

Parcela da população vacinada contra covid ao longo do tempo. Taxa de pessoas que receberam pelo menos uma dose da vacina, em %.  .

A comparação pode ser feita também com o próprio Brasil. O Ministério da Saúde afirma que o país tem capacidade instalada de vacinar 2,4 milhões por dia. E já chegou a vacinar 18 milhões de crianças em campanha contra a poliomielite. Mas desde 17 de janeiro de 2021, o Brasil só superou três vezes a marca de 1 milhão de vacinados em 24h.

A BBC News Brasil apresenta abaixo cinco gráficos para localizar o país nessa corrida contra a própria doença, que levou o sistema de saúde nacional ao colapso e matou mais de 340 mil pessoas no Brasil até agora.

Os dados brasileiros, descentralizados, costumam ter ligeiras diferenças a depender da fonte: governo federal, secretarias de saúde, pesquisadores independentes ou consórcio de veículos jornalísticos. As comparações abaixo se baseiam nos dados mais recentes de cada país e coletados no portal de Oxford.

Até o momento, 387 milhões de pessoas receberam pelo menos uma dose contra a covid-19 ao redor do mundo, equivalente a cerca de 5% da população.

Que porcentagem da população recebeu pelo menos uma dose? Brasil em 68º lugar

Até o dia 06/04, o Brasil havia aplicado pelo menos uma dose em 8,4% da população brasileira. Isso coloca o país em 68º lugar no ranking de 166 nações e territórios.

Na América, o Brasil figura em 12º lugar. O país mais bem posicionado do continente é o Chile, que aplicou pelo menos uma dose em 37% da população. E mesmo com o avanço expressivo da vacinação por lá, o país sul-americano também tem enfrentado um colapso no sistema de saúde, o que indica que a contenção da pandemia precisa ser associada a medidas eficazes de distanciamento social e uso universal de máscaras capazes de evitar a infecção.

Parcela da população vacinada contra covid ao longo do tempo. Taxa de pessoas que receberam pelo menos uma dose da vacina, em %.  .

Que porcentagem da população recebeu duas doses? Brasil em 56º lugar

Com exceção da vacina da farmacêutica Janssen, todos os imunizantes precisam de duas doses para atingir a máxima eficácia contra o coronavírus. Em geral, uma pessoa pode ser considerada completamente imunizada duas semanas depois de receber a segunda dose.

Alguns países decidiram ampliar o período entre as duas doses, a fim de garantir logo a imunização parcial de uma fatia maior de sua população, como o Reino Unido.

No ranking da proporção da população que recebeu duas doses, o Brasil (2,4%) aparece em 56º no mundo e 8º na América.

Qual é a velocidade do programação de vacinação? Brasil em 58º lugar

No quesito velocidade de doses aplicadas diariamente por cada 1 milhão de habitantes, o Brasil (3.111) aparece em 58º no mundo e 10º na América.

Como dito acima, o Brasil tem uma enorme capacidade instalada por trás de um programação nacional de vacinação reconhecido mundialmente, mas a falta de vacinas impede o país de atingir os níveis de imunização de outras décadas. Na pandemia de H1N1, por exemplo, o Brasil imunizou quase 80 milhões de pessoas em três meses.

Na pandemia atual, o governo federal distribuiu de 17/01 a 07/04 quase 43,3 milhões de doses para Estados e municípios, mas apenas 24,2 milhões tinham sido aplicadas, segundo dados do Ministério da Saúde.

Média de vacinas contra covid-19 aplicadas diariamente no Brasil. .  .

A diferença entre o número de doses distribuídas e aplicadas no Brasil se explica em parte à necessidade de reservar uma quantidade como segunda dose, e uma eventual escassez poderia afetar a imunidade dos vacinados. Para tentar acelerar a vacinação, o governo federal recomendou utilizar essas reservas como primeira dose porque fornecedores garantiram as entregas (que já sofreram novos atrasos depois disso).

Mas essa mudança de orientação federal ainda não surtiu efeito no ritmo de vacinação, e, diante da escassez e de atrasos, é provável que muitos gestores mantenham a política de reservar doses para a segunda aplicação semanas depois da primeira. A eficácia contra a covid só é garantida semanas depois da aplicação da segunda dose.

Um estudo recente da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) apontou que que Brasil precisa vacinar 2 milhões por dia para controlar pandemia em até um ano. E atualmente o país mal tem conseguido passar de 1 milhão por dia.

Quantas doses foram compradas ao todo? Brasil em 6º lugar

A aceleração das aplicações na pandemia esbarra em um problema mundial: a falta de vacinas.

No caso brasileiro, isso se agravou porque o governo Bolsonaro recusou sucessivas ofertas da Pfizer, apostou todas as fichas na vacina AstraZeneca-Oxford, ameaçou boicotar a Coronavac por disputas políticas com o governo de São Paulo e só decidiu comprar outras vacinas quando a fila de países compradores já “dobrava a esquina”.

No papel, o cronograma atual do Ministério da Saúde prevê 563 milhões de doses, e a entrega de 154 milhões delas no primeiro semestre de 2021, considerando apenas vacinas aprovadas pela Anvisa: Coronavac, AstraZeneca-Oxford e Pfizer.

Isso seria suficiente para imunizar o grupo prioritário inteiro, mas não significa que todas essas 78 milhões de pessoas estariam vacinadas antes de julho — o Brasil tem conseguido aplicar cerca de metade das doses disponíveis e há um intervalo de semanas entre a primeira e a segunda dose.

Cronograma previsto de entregas mensais de vacina contra covid-19. Em março, governo Bolsonaro mudou cinco vezes previsão de doses abaixo, em milhões.  .

Mas os constantes atrasos em importações de insumos e vacinas, além de problemas na produção em território nacional e a não aprovação de outros imunizantes por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fazem com que esse cronograma seja cada vez mais difícil de ser atingido.

Levantamento da Universidade de Duke aponta que o Brasil é o sexto maior comprador de vacinas no mundo, com 370 milhões de doses compradas (e outras 208 milhões com opção de compra negociada).

Ele fica atrás da União Europeia (1,8 bilhão), dos EUA (1,2 bilhão), do consórcio Covax (coordenado pela Organização Mundial da Saúde para beneficiar países mais pobres com 1,1 bilhão de doses), da União Africana (670 milhões) e do Reino Unido (457 milhões).

Quantas doses foram aplicadas ao todo? Brasil em 5º lugar

O dado do total de doses aplicadas no Brasil é o principal argumento utilizado para exaltar o avanço do programa de vacinação brasileiro.

Nesse quesito, o Brasil aparece em 5º lugar no ranking global, com 22,8 milhões de aplicações até o dia 06/04. Fica atrás de EUA (168,5 milhões), China (145,9 milhões), Índia (87 milhões) e Inglaterra (31,1 milhões).

Países que mais aplicaram doses de vacina contra a covid-19. Números absolutos não levam em conta tamanho da população de cada nação.  .

A vacinação no mundo                             

LugarDoses por 100 pessoasTotal de doses
Mundo16,61.297.543.452
China22,5326.167.369
Estados Unidos77,7259.716.989
Índia12,2168.304.868
Reino Unido79,453.041.048
Brasil22,146.875.460
Alemanha41,134.408.840
França37,325.414.386
Turquia29,524.918.773
Itália39,824.054.000
Indonésia8,021.993.299
Rússia14,921.754.829
México16,521.228.359
Espanha40,719.048.132
Canadá42,215.917.555
Chile82,115.703.842
Polônia36,113.670.541
Emirados Árabes Unidos112,711.145.934
Arábia Saudita30,410.584.301
Israel121,310.501.225
Marrocos26,79.864.561
Bangladesh5,79.316.086
Argentina20,19.082.597
Hungria70,56.809.350
Colômbia12,06.096.661
Romênia30,65.891.855
Holanda33,05.651.843
Bélgica39,64.591.359
Japão3,54.436.325
Coreia do Sul8,24.181.003
Portugal38,93.963.372
Sérvia55,83.798.942
Suécia36,43.679.451
República Tcheca34,13.654.376
Grécia35,03.647.689
Áustria40,33.632.879
Paquistão1,53.320.304
Suíça34,73.001.029
Camboja17,32.884.922
Austrália10,42.654.338
Nepal8,42.453.512
Filipinas2,22.408.781
República Dominicana21,62.345.528
Dinamarca40,42.339.464
Cingapura37,82.213.888
Mongólia67,52.213.376
Cazaquistão11,52.158.924
Finlândia38,92.154.469
Uruguai57,72.005.442
Peru5,91.939.155
Noruega35,41.919.369
Catar62,91.813.240
Tailândia2,61.809.894
Irlanda36,41.799.190
Eslováquia32,81.792.674
Malásia5,51.766.651
Azerbaijão16,61.687.397
Nigéria0,81.665.698
Irã1,81.485.287
Kuwait33,71.440.000
Bahrein80,91.375.967
Equador7,11.245.822
Etiópia1,11.215.934
Lituânia42,71.162.170
Croácia27,61.131.607
Sri Lanka5,31.125.740
El Salvador17,21.114.544
Jordânia10,71.091.048
Mianmar1,91.040.000
Costa Rica18,7950.252
Bulgária13,5938.064
Bolívia7,5878.563
Ucrânia2,0863.085
Quênia1,6853.081
Gana2,7849.527
Panamá18,1780.569
Eslovênia35,5737.817
Zimbábue4,6684.243
Egito0,6660.000
Uzbequistão1,8600.369
Albânia20,7596.766
Estônia40,1532.605
Vietnã0,5509.855
Líbano7,5509.705
Tunísia4,2499.369
Butão62,4481.491
Angola1,4456.349
Maldivas79,9431.792
Senegal2,6427.377
Uganda0,9395.805
Letônia21,0395.512
África do Sul0,6382.480
Malta81,4359.429
Ruanda2,7350.400
Chipre38,0332.423
Bielorússia3,5328.500
Omã6,4326.269
Malauí1,7319.323
Nova Zelândia6,3304.900
Iraque0,7298.377
Costa do Marfim1,0262.639
Venezuela0,9250.000
Afeganistão0,6240.000
Luxemburgo36,3227.314
Territórios Palestinos4,2213.989
Guatemala1,2206.951
Moldávia4,6184.660
Laos2,5184.387
Islândia54,0184.304
Guiné1,3173.623
Guiné1,3173.623
Togo1,9160.000
Paraguai2,0143.441
Sudão0,3140.227
Jamaica4,6135.473
Nicarágua2,0135.130
Seicheles129,9127.721
Guiana16,1126.800
Somália0,7117.567
Maurício9,2117.323
Montenegro17,4109.507
Macedônia do Norte5,2107.978
Bósnia-Herzegóvina3,2106.464
Taiwan0,492.049
Suriname15,490.338
Jersey87,588.404
Zâmbia0,477.348
Ilha de Man89,175.783
Guiné Equatorial5,475.518
Barbados26,375.476
Argélia0,275.000
Gibraltar220,474.256
Ilhas Cayman106,269.772
Serra Leoa0,864.966
Trinidade e Tobago4,461.120
Geórgia1,558.533
Bermuda93,458.193
Honduras0,657.639
Moçambique0,257.305
Fiji6,256.000
Mali0,249.903
Botsuana2,149.882
Belize12,047.675
Guernsey69,546.587
Namíbia1,436.417
Eswatini3,034.897
San Marino100,234.011
Dominica44,532.008
Antigua e Barbuda30,429.754
Andorra37,428.881
Quirguistão0,427.858
Bahamas6,525.692
Santa Lúcia13,725.200
Ilhas Turks e Caicos64,725.039
Mônaco62,124.390
Ilhas Faroe48,123.519
Kosovo0,00022.096
Gâmbia0,920.922
Granada15,117.000
Lesoto0,716.000
São Vicente e Granadinas13,114.526
Congo0,314.297
Groenlândia25,114.278
Liechtenstein36,313.829
Comores1,513.440
São Cristóvão e Nevis24,613.070
Camarões0,04111.000
Brunei2,410.715
Djibuti1,010.246
São Tomé e Príncipe4,49.724
Gabão0,48.897
Samoa3,77.435
Mauritânia0,27.038
Anguilla46,06.898
Tonga5,15.367
Ilhas Salomão0,74.890
Santa Helena, Ascensão e Tristão da Cunha75,34.572
Ilhas Malvinas ou Falkland126,54.407
Papua Nova Guiné0,0322.900
Timor Leste0,22.629
Síria0,0142.500
Cabo Verde0,42.184
Montserrat38,21.909
República Democrática do Congo0,0021.700
Níger0,0061.366
Sudão do Sul0,009947
Líbia0,011750
Nauru6,5700
Armênia0,019565
Benin00
Burkina Fasso00
Burundi00
Chade00
Coreia do Norte00
Cuba00
Eritreia00
Guiné-Bissau00
Haiti00
Iêmen00
Ilhas Cook00
Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul00
Ilhas Pitcairn00
Ilhas Virgens Britânicas00
Kiribati00
Libéria00
Madagascar00
Niue00
República Centro-Africana00
Tadjiquistão00
Tanzânia00
Território Britânico do Oceano Índico00
Toquelau00
Turcomenistão00
Tuvalu00
Vanuatu00
Vaticano00

Atenção: estes dados são atualizados constantemente mas podem não refletir os números mais recentes de cada país. O total de vacinações se refere ao número de doses aplicadas, não ao número de pessoas vacinadas, por isso é possível ter mais de 100 doses para cada 100 pessoas.

Fonte: Our World in Data, ONS, gov.uk / Última atualização: 10 de maio de 2021 12:03 GMT

Fonte: Matheus Magenta, Da BBC News Brasil em Londres, 8 abril 2021

O despreparo para uma ameaça sanitária que a ciência previu

Ao longo de dezembro, o ‘Nexo’ destaca 20 características do nosso tempo que foram escancaradas no ano de 2020. Neste primeiro capítulo, resgata os alertas de cientistas sobre os riscos de uma pandemia viral

Imagem microscópica do SARS-CoV-2. Quatro unidades do vírus são vistas, com suas pontas e núcleo celular.
FOTO: NIAID-RML HANDOUT/REUTERS – 19.03.2020. IMAGEM MICROSCÓPICA DO SARS-COV-2, O NOVO CORONAVÍRUS

A pandemia do novo coronavírus foi declarada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em 11 de março de 2020, cerca de três meses depois do primeiro registro de infecção na China por um vírus desconhecido, que depois recebeu o nome de Sars-CoV-2, causador da covid-19.

Quase um ano depois da descoberta do vírus, mais de 1,5 milhão de pessoas morreram pelo mundo, que acumula 68 milhões de infecções e forte pressão sobre os sistemas de saúde, muitos dos quais encerram 2020 enfrentando uma segunda onda de contágio. Uma crise sanitária, econômica e social sem precedentes nesta geração.

Mas a pandemia não foi uma novidade: foi antecedida por anos de alertas de cientistas. Eles diziam que um evento como a gripe espanhola de 1918 não demoraria a acontecer no século 21. A questão não era se haveria uma próxima pandemia, mas quando ela viria.

Apesar dos avisos, a maior parte dos países não estava preparada para a sua chegada. Estudos anteriores a 2020 alertavam que a segurança sanitária global era fraca e que governos estavam deixando de investir em seus sistemas de saúde para resistir a eventos do tipo. Nos EUA, maior potência mundial, o presidente Donald Trump desfez o aparato de preparação para epidemias em 2018.

A pandemia expôs também os riscos da degradação ambiental. Estudos apontam que a covid-19 é uma zoonose, doença transmitida por animais, provavelmente com origem em morcegos. São infecções que surgem de atividades predatórias, como o desmatamento e a caça, que forçam o contato de humanos com espécies que podem carregar novos vírus.

Quem alertava para o risco de uma pandemia usava como exemplo zoonoses conhecidas, como a dengue, a aids e o ebola. Em 2020, cientistas afirmam que, se a relação com a natureza não mudar, é provável que a crise da covid-19 não seja a única deste século.

Abaixo, o Nexo lista cinco conteúdos publicados em 2020 que ajudam a revisitar e entender o assunto.

IMAGEM MICROSCÓPICA DO SARS-COV-2, O NOVO CORONAVÍRUS
Pandemia: origens e impactos, da peste bubônica à covid-19
A história das doenças que se alastraram por continentes e os desafios da saúde em escala mundial no século 21

O ESCRITOR SALVADOR MACIP
‘É preciso aprender agora o que não aprendemos com pandemias passadas’
Salvador Macip é autor de ‘As grandes epidemias modernas’. A ‘Gama’ conversou com o catalão sobre as epidemias ao longo da história e o que deve ser feito para lidarmos com as próximas

MULTIDÃO EM RUA DE COMÉRCIO DURANTE A PANDEMIA
O cálculo de uma tragédia: sem ciência na gestão
Publicada semanalmente, esta série do ‘Nexo’ em cinco capítulos aborda os aspectos sanitários, econômicos, políticos e sociais da pandemia quando o Brasil atingiu 100 mil mortos

UM CAMINHÃO PASSA POR UMA ÁREA DESMATADA DA AMAZÔNIA EM BOCA DO ACRE
‘A pandemia nos lembra que também somos parte da natureza’
Ao ‘Nexo’, o escritor de ciência David Quammen fala sobre o papel que atividades como a caça e o desmatamento têm na origem de doenças como a causada pelo novo coronavírus

EXEMPLO DE FLAVIVÍRUS, DA FAMÍLIA DE VÍRUS RESPONSÁVEL POR DOENÇAS COMO FEBRE AMARELA, DENGUE E ZIKA
A relação entre zoonoses e o meio ambiente explicada em 6 pontos
Qual a relação entre florestas e doenças? Como áreas verdes das cidades podem influenciar o risco de infecções? Qual a hipótese para o surgimento do novo coronavírus? Veja como pesquisas respondem a esses pontos neste material do ‘Nexo Políticas Públicas’

Leia na íntegra, link

Fonte: NEXO, Mariana Vick,10 de dez de 2020(atualizado 10/12/2020 às 19h48).

Os dados que mostram que a covid-19 é muito mais que uma gripe

Foto mostra grupo de pessoas esperando em fila numa praça em Madri para serem testados para a covid-19; algumas pessoas olham para a tela do celular
FOTO: JUAN MEDINA/REUTERS – 21.DEZ.2020

Pesquisa com base em quase 90 mil internações na França mostrou que o novo coronavírus matou três vezes mais do que os vírus influenza que circulam anualmente

Durante a pandemia do novo coronavírus, líderes de governos populistas compararam a covid-19 à gripe comum para sugerir que a nova doença respiratória não era tão grave como os números mostravam. Baseada em desinformação, a estratégia foi adotada por presidentes que ignoram evidências científicas como Donald Trump e Jair Bolsonaro. Os Estados Unidos e o Brasil são os dois países com os maiores números de mortes pela infecção no mundo.

Em outubro, o Facebook chegou a apagar uma publicação de Trump por violar as regras do site. Nela, o presidente americano dizia que a temporada da gripe estava chegando aos Estados Unidos. Segundo ele, a doença “mata mais de 100 mil pessoas a cada ano, apesar da vacina”. “Vamos fechar o nosso país?”, questionava. “Não, aprendemos a conviver com isso, assim como estamos aprendendo a conviver com a covid, na maioria das populações muito menos letal!!!”, escreveu.

O dado era falso por dois motivos: a gripe sazonal nunca ultrapassou 100 mil mortes na última década e não é mais letal que o novo coronavírus. Até segunda-feira (21), 317.684 pessoas tinham morrido nos Estados Unidos por complicações decorrentes da covid-19.

No Brasil, Bolsonaro chamou a pandemia de “histeria” e classificou a covid-19 como uma “gripezinha” ou “resfriadinho” que não teria grandes efeitos em sua saúde devido ao seu “histórico de atleta”.

Um estudo de pesquisadores franceses feito a partir da análise de 89.530 pacientes hospitalizados na França com covid-19 (em março e abril de 2020) e outros 45.819 com influenza (entre dezembro de 2018 e fevereiro de 2019) desmonta a tese de que a covid-19 é comparável à gripe comum. Ela é três vezes mais letal. O trabalho foi publicado na revista científica The Lancet Respiratory Medicine, em 17 de dezembro.

O vírus influenza circula todos os anos e se apresenta em três tipos: A, B e C. O C não é relacionado a epidemias por causar infecções respiratórias brandas, sem impacto na saúde pública. Os que predominam são a influenza A, com os subtipos H1N1 e H3N2, e a influenza B. O estudo comparou a covid-19 e a influenza sem distinguir quais os subtipos de vírus responsáveis pela gripe sazonal.

Em comunicado, a pesquisadora Catherine Quantin, uma das autoras do estudo, afirmou que a pesquisa é a maior já feita para comparar as duas doenças e mostra que a covid-19 “é muito mais séria do que a gripe”. “A descoberta de que a taxa de mortalidade da covid-19 foi três vezes maior do que a da gripe sazonal é particularmente impressionante quando lembramos que a temporada de gripe 2018/2019 foi a pior nos últimos cinco anos na França em termos de número de mortes”, disse.

76.928.774 – era o número de pessoas em todo o mundo infectadas pelo novo coronavírus até a segunda-feira (21), segundo dados compilados pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos

1.695.307 – pessoas morreram por covid-19 até a mesma data, segundo a instituição.

Os dados do estudo – TAXA DE MORTALIDADE

A proporção de mortos entre os pacientes internados com covid-19 observada pelo estudo foi de 16,9%, enquanto a mesma taxa entre doentes com influenza hospitalizados ficou em 5,8%. A covid-19 mata três vezes mais que a gripe comum. O estudo calculou a taxa de letalidade apenas entre os internados para fazer a comparação. Outra taxa usada por governos e pesquisadores é a de mortes ocorridas dentro de um universo de casos de infecção confirmadas, o que pode incluir mortes de pessoas que não passaram pelo hospital.

TEMPO NA UTI

Uma pessoa infectada pelo novo coronavírus passou em média quase o dobro de dias recebendo tratamento em Unidades de Terapia Intensiva do que doentes com influenza. A média entre internados com covid-19 foi de 15 dias, contra oito de pacientes com gripe comum. Isso se deve às maiores chances de infectados pelo novo vírus terem disfunções respiratórias, embolia pulmonar, choque séptico e derrames.

GRAVIDADE EM CRIANÇAS

Se por um lado a gripe comum é responsável por quase 14 vezes mais internações de pessoas com menos de 18 anos, pacientes com covid-19 da mesma faixa etária têm muito mais chances de desenvolver quadros graves da doença. A taxa de crianças com menos de cinco anos internadas em UTIs pela covid-19 foi de 2,3% contra apenas 0,9% em crianças com gripe da mesma idade. Já a taxa de mortalidade entre crianças e jovens de 11 a 17 anos foi dez vezes maior do que entre pessoas da mesma faixa etária internadas com influenza.

RISCO DE INTUBAÇÃO

Infectados pelo novo coronavírus que são internados com a doença têm o dobro de chances de serem intubados (9,7%, contra 4,0% da influenza). Já entre as pessoas que receberam tratamento em UTIs, a taxa de doentes que precisavam de ventilação mecânica foi 71,5% contra 61% dos pacientes com influenza. Quem é diagnosticado com covid-19 também apresentou maiores riscos de entrar em falência respiratória aguda: 27% contra 17% entre quem tinha gripe comum.

GRUPOS DE RISCO

O estudo identificou ainda que, entre os pacientes com covid-19, havia mais pessoas com quadros de obesidade (9,6% contra 5,4% entre doentes com gripe), sobrepeso (11,3% contra 6,1%), diabetes (19% contra 16%), hipertensão (33,1% contra 28,2%) e dislipidemia (aumento do colesterol; 5% ante 4,5%). Já entre os pacientes com influenza, a frequência de pessoas que tiveram insuficiência cardíaca, doenças respiratórias crônicas, cirrose e anemia foi maior.

Outros dados para além do estudo francês
Ao comentar o estudo, o editor-chefe da revista científica da Sociedade Internacional de Doenças Infecciosas, Eskild Petersen, disse que os resultados da pesquisa “mostram claramente que a covid-19 é muito mais séria do que uma gripe sazonal”. E lembra de outros dados, como a taxa de ocupação de leitos de hospitais durante a pandemia de 2009 do H1N1, um subtipo de vírus influenza.

Na Dinamarca, por exemplo, a taxa máxima de ocupação de UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) por pacientes com influenza durante a pandemia de H1N1 foi de 4,5%. No caso da covid-19, o país viu os leitos de terapia intensiva se esgotarem em abril, com a necessidade de abrir novas vagas, o que foi rapidamente feito.

A proporção de mortos pela população observada pelo mundo também indica haver uma grande diferença entre as duas doenças. Durante a primavera na Europa (de março a junho), a mortalidade pela covid-19 na região da Lombardia, uma das mais afetadas na Itália, chegou a 159 por 100 mil habitantes. Em 2009, as mortes por H1N1 nos Estados Unidos, por exemplo, foi de apenas 4,1 por 100 mil habitantes. O vírus apareceu, originalmente, no México e nos Estados Unidos.

O novo coronavírus também se transmite com muito mais facilidade. Estima-se que um doente com covid-19 possa infectar até outras três pessoas caso nenhuma medida seja tomada para prevenir a doença. Já com o H1N1, esse número cai para algo entre 1,2 e 1,6, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde).

Outro fato que demonstra que a covid-19 é muito mais grave do que a influenza foi que a explosão de casos do seu subtipo H1N1 (vírus que também é transmitido por meio de secreções respiratórias) foi considerada a primeira pandemia do século 21, atingiu mais de 200 países entre 2009 e 2010, mas não colocou nações inteiras em quarentenas nem paralisou atividades econômicas como o novo coronavírus em 2020.

Fonte: NEXO/EXPRESSO, Estêvão Bertoni, 25 de dez de 2020(atualizado 26/12/2020 às 13h30).

Pandemia aniquilou milhares de bares tradicionais pelo Brasil em 2020

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Wendy Wei/Pexels

Noite de quinta-feira (17), na Lapa, centro do Rio de Janeiro. Um homem aos prantos aparece na porta do Vaca Atolada, tradicional botequim de roda de samba da boemia carioca, tira uma nota de R$ 100 do bolso e coloca nas mãos de Cláudio Cruz, 63, dono do local. Disse que estava endividado e embriagado, mas sentiu que precisava ajudar quando soube que o bar fecharia as portas. Então, saiu do bairro de Bento Ribeiro, a 24 km de distância, e pegou o trem para contribuir com o único dinheiro em espécie que tinha.

A cena mostra o sentimento na Lapa quando o Vaca anunciou o encerramento das atividades, após 11 anos de funcionamento. O bar tem como uma de suas características principais a estrutura montada com os músicos no meio do salão e as pessoas ao redor, aglomeradas, cenário inviável em meio a uma pandemia que já matou cerca de 25 mil pessoas no Rio em 2020.

Para se adaptar à crise sanitária, isolou os músicos em telas de plástico, para protegê-los do vírus. A novidade mexeu com as raízes do local que antes era chamado de “A Bombonera do Samba”. Foi ideia do dono, um policial civil aposentado, filho e pai de músicos.

“Me preocupei muito em proteger os músicos, e isso destruiu a característica do Vaca, a nossa tradicional roda de samba, mas tinha que fazer para proteger as pessoas”, disse Cláudio Cruz. Ele sabe do que fala: foi acometido pela Covid, ainda em março, no início da pandemia. Ficou 31 dias internado e emagreceu 10 kg. Quase morreu. E percebeu a gravidade do que estava acontecendo no país e no mundo.

Sem cobrar couvert artístico, o Vaca Atolada sempre recebeu grandes públicos. O anúncio do encerramento chamou a atenção dos clientes assíduos, que compareceram em bom número no fim de semana de despedida, mas ainda nada perto do que eram as mais de 500 pessoas que lotavam o botequim todos os dias antes da pandemia.

A cantora Margarete Mendes, 60, conhecida como “A Rainha da Lapa”, não escondeu a tristeza pelo adeus do local por onde cantou por oito anos. “O Vaca é um patrimônio do Rio. É um lugar cultural não tem quem conheça e não goste”, disse.

Os oito meses fechado pela pandemia fizeram o Vaca Atolada adquirir dívidas na casa dos R$ 200 mil. Uma campanha virtual para arrecadar dinheiro alcançou pouco mais de R$ 60 mil. Ajudou a colocar o pagamento dos funcionários em dia e o aluguel, mas não foi o bastante para manter o local aberto. Porém, a comoção pelo anúncio do fechamento trouxe esperança: o aluguel foi renegociado e algumas pessoas se reúnem para tentar reabrir o local no ano que vem. Um grupo de 200 clientes se colocaram à disposição.

“Querem ajudar com uma campanha em vídeo legal, com pessoas importantes declarando a importância cultural para o Vaca e o Rio. Então, tem uma chance de continuar. Mas não aberto. Só vamos reabrir, se reabrir, quando tiver vacina. É um grande risco estar ali expondo as pessoas”, disse Cláudio Cruz.

A situação do Vaca Atolada foi vista por bares tradicionais em todo o Rio de Janeiro, que suspenderam as atividades por conta da crise sanitária e econômica trazida pela Covid-19. Casa Villarino, Hipódromo, Comuna e muitos outros nomes conhecidos do público carioca passaram por isso.

Segundo o SindRio (Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro), a estimativa é que 40% dos bares do Centro do Rio suspenderam as atividades neste ano. Em toda a cidade, foram 20%, ou mais de 2.000 entre os 11 mil existentes antes da pandemia. Empregos formais perdidos no setor chegam a aproximadamente 18 mil na capital. No estado, 28 mil. Essa situação que se repetiu por todo o Brasil.

Em Belo Horizonte, levantamento de outubro da Abrasel-MG (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) aponta que, dos 12 mil estabelecimentos do setor de alimentação que a capital mineira tinha em março, 3.500 não reabriram as portas.

O Bitaca da Leste, eleito duas vezes o melhor boteco de BH pela revista Veja em cinco anos de atividades, localizado no bairro Santa Tereza, reduto de boemia mineira, foi um dos que anunciou que estava fechando no início de setembro.

“A gente está virando o ano e a perspectiva que tenha uma parcela significativa da população vacinada é só no final do ano que vem. Para o meu modelo de negócio é completamente inviável funcionar só com delivery ou voltar a funcionar com distanciamento entre as mesas. Eu tinha só 24 lugares, isso seria 10 pessoas, como vou pagar minhas contas?”, disse o proprietário e chef, Luiz Mairink, 37.

Em Porto Alegre, um dos bares que funcionavam madrugada adentro, o Van Gogh, na Cidade Baixa, bairro boêmio da capital gaúcha, fechou e está à venda. Por ali passaram figuras como o cantor Belchior, após um show, e até Caetano Veloso. Mas, sobretudo, milhares de anônimos que procuravam um local para se alimentar após as festas.

O Van Gogh é um dos cerca de 100 estabelecimentos de gastronomia que fecharam as portas na capital gaúcha, em um total de 4.000, segundo o Sindha (Sindicato de Hospedagem e Alimentação de Porto Alegre).

“Nosso setor não é capitalizado e depende do recurso que entra no caixa em curto prazo. Na área central, os estabelecimentos que dependiam da circulação dos funcionários públicos foram afetados porque o trabalho migrou para o home office. Cozinhar em casa se transformou em uma opção, tanto pelo medo como porque se transformou em atividade de lazer para muitos”, explica Henry Chmelnitsky, presidente do Sindha.

Já em Curitiba, a pandemia foi o fator derradeiro para o fechamento da loja física da tradicional Empadas Caruso, que desde 1954 funcionava no mesmo endereço, próximo ao centro. Apesar de continuar atendendo de casa, só por encomendas, Guilherme Caruso, neto do fundador do negócio, decidiu desmontar a estrutura física do empreendimento a partir de 30 de dezembro.

Outro reduto tradicional dos curitibanos, o Bar do Pudim, que há 52 anos servia petiscos e cerveja, fechou definitivamente em maio. Apesar de ter dado o pontapé final no empreendimento, a crise do novo coronavírus apenas adiantou o processo. A dona do local, Dione Treis, já tinha decidido se aposentar, mas o isolamento social e os prejuízos de muitos dias parados logo no início da pandemia fizeram o projeto ficar mais “evidente”, segundo ela.

Em Pernambuco, 5.000 bares e restaurantes, incluindo pequenos negócios familiares, já fecharam —25% dos estabelecimentos locais. “Muitos fecharam porque não conseguiram acompanhar a retomada”, disse o presidente da Abrasel-PE (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Pernambuco, André Araújo.

O Armazém Centenário, na zona norte do Recife, vencedor do prêmio da revista Veja em 2018 como melhor boteco da cidade, é um dos que não resistiram. O bar funcionava havia seis anos no bairro do Espinheiro. Outro exemplo é o restaurante Papa Capim do bairro de Boa Viagem, bastante conhecido na zona sul da cidade. O grupo manteve apenas a unidade da zona norte.

Fontes: Diego Garcia , Fernanda Canofre , Paula Sperb , João Valadares e Katna Baran, Rio de Janeiro , Belo Horizonte, Porto Alegre , Recife e Curitiba, Folha de S.Paulo, 25.dez.2020 às 23h15.

When nothing is normal: Managing in extreme uncertainty

In normal times organizations face numerous uncertainties of varying consequence. Managers deal with challenges by relying on established structures and processes. These are designed to reduce uncertainty and support calculated bets to manage the residual risks. In a serious crisis, however, uncertainty can reach extreme levels, and the normal way of working becomes overstrained. At such times traditional management operating models rarely prove adequate, and organizations with inadequate processes can quickly find themselves facing existential threats.

Uncertainty can be measured in magnitude and duration. By both measures, the extreme uncertainty accompanying the public-health and economic damage created by the COVID-19 pandemic is unprecedented in modern memory. It should not be surprising, therefore, that organizations need a new management model to sustain operations under such conditions. The magnitude of the uncertainty organizations face in this crisis—defined partly by the frequency and extent of changes in information about it—means that this operating model must enable continuous learning and flexible responses as situations evolve. The duration of the crisis, furthermore, has already exceeded the early predictions of many analysts; business planners are now expecting to operate in crisis mode for an extended period. Leaders should therefore begin assembling the foundational elements of this operating model so that they can steer their organizations under conditions of extreme uncertainty.

Understanding extreme uncertainty

Due to the severity of this crisis, many organizations are in a struggle for their existence. An existential crisis puts at stake the organization’s survival in recognizable form. Readers can probably call to mind numerous individual companies that faced such crises in the recent past. The crises may have been touched off by single catastrophic incidents or by series of failures; the sources are familiar—cyber breaches, financial malfeasance, improper business practices, safety failures, and natural or human-caused disasters. Effective action saved many; others spiraled downward.

Existential crises subject organizations to both extreme uncertainty and severe material consequences; they are often new and unfamiliar and can unfold quickly. In business terms, the present crisis more closely resembles economic crises of the past. In the financial crisis of 2008–09, for example, many organizations were simultaneously affected. Qualitatively, however, the present crisis is far more severe.

The COVID-19 pandemic and the resulting economic recession have affected most large organizations around the world. Managers continue to scramble to address rapidly developing changes in the public-health environment, public policy, and customer behavior. And then there is the economic uncertainty. The severity and speed of the crisis is reflected in the International Monetary Fund’s (IMF) projections for US GDP growth. After an estimated GDP expansion of 2.2 percent in 2019 (year-on-year), the US economy, in the IMF’s view, was expected to grow at a rate of 2.1 percent in 2020 (forecast of October 2019). With the onset of the pandemic, the IMF quickly shifted its estimate into contraction, of –5.9 percent in April 2020, revised to –8.0 percent in June. The latest estimate (October 2020) is less severe at –4.3 percent, but this would still be the worst result in many decades. The forecasting institution foresees the world economy shrinking at a rate of –4.4 percent in 2020, after having grown 2.8 percent in 2019 (estimate).1

Uncertainty levels from recent global shocks do not approach those of the present COVID-19-triggered crisis. The IMF’s GDP contraction forecast for 2020 is more than double the estimated contraction that took place in 2009, the worst year of the earlier global financial crisis. As measured by the Economic Policy Uncertainty Index, a metric developed jointly by researchers at several US business schools, uncertainty on a daily basis has been elevated for nearly 200 days’ running. By contrast, commensurate uncertainty was experienced during the 2008–09 financial crisis a few times for a maximum of 27 consecutive days. The COVID-19 outbreak already accounts for seven of the ten highest-ever daily readings.2 Crises such as Hurricane Katrina or the Fukushima Daiichi nuclear disaster cause high levels of uncertainty for individual communities or particular industries. Since the uncertainty is confined by industry or geography, the magnitude decreases steadily with time. In the present crisis, however, elevated uncertainty is globally pervasive, and events trigger compounding effects. The following exhibit conveys a range of crises and their corresponding levels of uncertainty.

Why existing operating models fail

Extreme uncertainty on a global scale is rare; however, existential crises at the organizational or community level are more frequent and thus provide lessons concerning which operating models succeed and fail during periods of uncertainty. Many organizations, including publicly traded companies, operate on an annual-planning cycle. Managers collectively decide on strategies, budgets, and operating plans once a year and then manage operations in accordance with those goals and cost limits. Between annual-planning cycles, amendments are few and usually minor. The assumptions shape how managers engage with each other: from the content of status reports to interdepartmental information sharing to the timing and structure of management meetings. Recently, some organizations have adopted more agile techniques to make planning more flexible and responsive to outcomes from pilots or trials. However, the approach is rarely deployed in the C-suite to manage the whole organization.

The COVID-19 crisis has undermined most of the assumptions of the traditional planning cycle. Existing management operating models are no longer supporting managers effectively in addressing the challenges this crisis presents. The revenue assumptions managers relied on for 2020, often worked out to two decimal points, are not relevant in an economy suddenly expected to suffer a historic contraction. Meticulously prepared status reports are now outdated before they reach senior managers. Managers seeking more up-to-date information discover that existing processes are too rigid for a timely response.

Managers thus find themselves working in ways unsuited to a highly uncertain environment. They know what they need: flexibility, the capability to act collectively, quickly, and across the whole organization as challenges arise. They need also to be able to work in this way over an extended period. Some organizations have therefore begun to experiment with new operating models that allow managers to work together. Some of the changes have been successful and others have failed.

Overcoming challenges

To increase the odds that a new operating model will be effective today, managers must ensure that it addresses the problems of operating under highly uncertain conditions. The COVID-19 operating environment requires that managers reexamine their collective thought processes and challenge their own assumptions. Failure to do so will create the risk of serious errors. Here are some of the pitfalls managers will likely encounter:

Optimism bias. Since managers and their organizations have never seen anything like this crisis, existing heuristics learned from years of management might not apply. One common problem is that managers experience optimism bias, both individually and collectively. They will be inclined to bring forward the date of an expected revenue rebound or minimize the duration of expected business closure. Simply, managers cannot or will not believe how bad the situation could get, and the organization ends up planning for a much milder scenario than transpires.

Informational instability. Information is unstable in the COVID-19 pandemic. Epidemiological data are constantly shifting: infection and mortality rates, the proportion of asymptomatic cases, the intensity and effectiveness of testing, the length of the infectious period, and the extent and duration of immunity after infection. The problem extends to poor or missing economic data whose reliability has been affected by the speed and severity of change. Conventional business strategy is most often based on assumptions about a probable course of events. In today’s crisis, a single “most likely” planning scenario is unachievable. The sensitivity of statistical models to relatively small changes in assumptions on key variables creates even greater hazard. For example, projections of the rate of transmission of COVID-19 (R0) are central to forming a view on the likely impact of the disease: even a tiny uptick in the reproduction number can create a dramatic increase in the expected infection and mortality rates and radically change expectations of likely government measures and consumer behavior.

Wrong answer. In addition to the instability of information, leaders must also be sensitive to the possibility that information they thought was clear and certain could turn out to be wrong. Managers cannot take their own assumptions as facts, since new information could emerge that invalidates them. Assumptions and understanding need to be regularly revisited and revised as necessary, as part of the organization’s practice of continuous learning. The operating model must be able to absorb initial wrong answers and override them quickly; organizations can even encourage managers to look for opportunities to update assumptions.

Paralysis by analysis. Confusing and ever-changing data can cause managers to delay decisions as they search for more analytical rigor. They may never find it, given the extent of the crisis we are in. Delayed decision making is not advisable in a crisis as fast moving and severe as the COVID-19 pandemic. Delay is in itself a decision, since taking no action has consequences—for example, a continued, unchecked spread of the virus. Managers should rather act on what they do know, and adapt their strategy as new information becomes available.

Organizational exhaustion. In extreme uncertainty, organizations are usually unable to return to business as usual for a long time, sometimes years. This exposes managers and their teams to the risk of exhaustion in the face of constant and apparently never-ending change. A crisis may galvanize a company’s senior managers and employees in its initial phase. But once that adrenaline fades, continuing uncertainty becomes enervating. At worst it can take a toll on managers’ mental and physical health, causing major harm to organizational effectiveness, from a decline in responsiveness to a deterioration in the overall quality of work.

More, link McKinsey

Source: McKinsey, Patrick Finn is a senior partner in McKinsey’s Detroit office, Mihir Mysore is a partner in the Houston office, and Ophelia Usher is an expert in the Stamford office.

This article was edited by Richard Bucci, a senior editor in the New York office.

Pandemia faz lucro da P&G aumentar 19% no 1º trimestre fiscal de 2021

 — Foto: John Minchillo / Associated Press
Foto: John Minchillo / Associated Press

A Procter & Gamble (P&G) reportou um lucro líquido de US$ 4,28 bilhões no primeiro trimestre fiscal de 2021 (encerrado em 30 de setembro).

Esse valor representou uma alta de 19% na comparação com o mesmo período de um ano atrás. Diluído, o lucro somou US$ 1,63 por ação, um aumento de 20%.

A receita com vendas da companhia aumentou 9% e somou US$ 19,3 bilhões no mesmo período. Excluindo os impactos líquidos de câmbio estrangeiro, aquisições e desinvestimentos, as vendas orgânicas aumentaram 9%. Este foi o maior aumento de vendas em 15 anos, impulsionado pela compra de produtos de higiene durante a pandemia.

Os resultados ficaram acima das expectativas de Wall Street. Analistas consultados pela FactSet previam receita de US$ 18,35 bilhões e um lucro por ação de US$ 1,41.

A P&G elevou sua perspectiva de crescimento das vendas totais no ano fiscal de 2021 de uma faixa de 1% a 3% para uma faixa de 3% a 4% em relação ao ano fiscal anterior. A faixa revisada inclui um impacto negativo estimado de 1% do câmbio. A empresa elevou sua perspectiva de crescimento orgânico das vendas de 2% a 4% para 4% a 5%.

Fonte: Allan Ravagnani, Valor, com Dow Jones Newswires — São Paulo
20/10/2020.

PNAD COVID19: 4,8% da população ocupada estavam afastados do trabalho devido ao distanciamento social na terceira semana de agosto

Fonte: IBGE, PNAD COVID19

Essa proporção ficou estatisticamente estável em relação à semana anterior (5,2%) e bem abaixo da primeira semana da pesquisa, de 3 a 9 de maio (19,8%). 7,3 milhões de estudantes (ou 15,9% do total) não tiveram atividades escolares nesta semana. Esse contingente ficou estatisticamente estável frente à semana anterior (7,6 milhões ou 16,6% dos estudantes).

A PNAD COVID19 estimou em 82,7 milhões a população ocupada do país na semana de 16 a 22 de agosto, com estabilidade em relação à semana anterior (82,1 milhões de pessoas) e queda em relação à semana de 3 a 9 de maio (83,9 milhões de pessoas).

população ocupada e não afastada do trabalho, estimada em 75,9 milhões de pessoas, ficou estável em relação à semana anterior (75,1 milhões) mas aumentou frente à semana de 3 a 9 de maio (63,9 milhões). Entre essas pessoas, 8,3 milhões (ou 10,9% da população ocupada e não afastada) trabalhavam remotamente. Esse contingente ficou estável frente à semana anterior (8,3 milhões ou 11,1%). Já em relação à semana de 3 a 9 de maio houve estabilidade em números absolutos (8,6 milhões) e queda, em percentual (13,4%). 

O nível de ocupação (48,6%) ficou estável frente à semana anterior (48,2%) e caiu em relação à semana de 3 a 9 de maio (49,4%). 

A proxy da taxa de informalidade (33,4%) ficou estável em relação à semana anterior (34,1%), mas recuou frente à semana de 3 a 9 de maio (35,7%).

Cerca de 4,0 milhões (ou 4,8% da população ocupada) estavam afastados do trabalho devido ao distanciamento social. Esse contingente ficou estatisticamente estável frente à semana anterior (4,3 milhões ou 5,2%), mas caiu frente à semana de 3 a 9 de maio (16,6 milhões ou 19,8% dos ocupados).

população desocupada (12,6 milhões de pessoas) ficou estável frente à semana anterior (12,9 milhões de pessoas), mas superou a da semana de 3 a 9 de maio (9,8 milhões). Com isso, a taxa de desocupação ficou em 13,2% para o período de 16 a 22 de agosto, estável em relação à semana anterior (13,6%) e com alta frente à primeira semana de maio (10,5%). 

taxa de participação na força de trabalho (56,0%) na semana de 16 a 22 de agosto ficou estável frente à da semana anterior (55,7%) e à primeira semana de maio (55,2%). 

A população fora da força de trabalho (que não estava trabalhando nem procurava por trabalho) era de 75,0 milhões de pessoas, mantendo-se estável em relação à semana anterior (75,4 milhões) e, também, frente à semana de 3 a 9 de maio (76,2 milhões). Nessa população, disseram que gostariam de trabalhar cerca de 26,9 milhões de pessoas (ou 35,9% da população fora da força de trabalho). Esse contingente ficou estável frente à semana anterior (27,1 milhões ou 35,9%) e à semana de 3 a 9 de maio (27,1 milhões ou 35,5%). 

Cerca de 17,1 milhões de pessoas fora da força que gostariam de trabalhar e não procuraram trabalho, não o fizeram por causa da pandemia ou por não encontrarem uma ocupação na localidade em que moravam. Elas correspondiam a 22,9% das pessoas fora da força.

Esse contingente permaneceu estável em relação à semana anterior (17,7 milhões ou 23,5%), mas diminuiu frente à semana de 3 a 9 de maio (19,1 milhões ou 25,1%). 

7,3 milhões de estudantes não tiveram atividades escolares na semana 

Na semana de 16 a 22 de agosto, o país tinha cerca de 46,0 milhões de estudantes que frequentavam escolas ou universidades. Destes, 15,9% (ou 7,3 milhões) não tiveram atividades escolares na terceira semana de agosto. Esse contingente ficou estatisticamente estável em relação à semana anterior (7,6 milhões ou 16,6% dos estudantes) e caiu em relação à semana de 28 de junho a 4 de julho (9,0 milhões ou 20,0% dos estudantes).

Entre os 37,7 milhões de estudantes que tiveram atividades escolares na terceira semana de agosto, 25,0 milhões (ou 66,2%) tiveram atividades em cinco dias da semana, mantendo estabilidade frente à semana anterior (24,3 milhões, ou 66,0%).

Cerca de 87,6 milhões de pessoas ficaram em casa e só saíram por necessidade básica na semana de 16 a 22 de agosto, o equivalente a 41,5% da população. Esse contingente ficou estável frente à semana anterior (86,4 milhões ou 40,9% da população). A parcela da população que ficou rigorosamente isolada (19,7% ou 41,6 milhões) caiu em relação à semana anterior (21,0% ou 44,4 milhões). Já contingente dos que não fizeram restrição (2,1% ou 4,5 milhões) ficou estável frente à semana anterior (2,1% ou 4,4 milhões). O número daqueles que reduziram contato mas continuaram saindo de casa e/ou recebendo visitas (76,4 milhões ou 36,2%) cresceu frente à semana anterior (74,5 milhões ou 35,3%).

2,8 milhões de pessoas com sintomas de síndrome gripal buscaram estabelecimento de saúde

Na semana de 16 a 22 de agosto, a PNAD COVID19 estimou que 12,4 milhões de pessoas (ou 5,9% da população do país) apresentavam pelo menos um dos 12 sintomas associados à síndrome gripal (febre, tosse, dor de garganta, dificuldade para respirar, dor de cabeça, dor no peito, náusea, nariz entupido ou escorrendo, fadiga, dor nos olhos, perda de olfato ou paladar e dor muscular) que são investigados pela pesquisa. Esse contingente manteve-se estável frente à semana anterior (12,0 milhões ou 5,7% da população do país) e bem inferior à semana de 3 a 9 de maio (26,8 milhões ou 12,7%).

Cerca de 2,8 milhões de pessoas (ou 22,5% daqueles que apresentaram algum sintoma) procuraram estabelecimento de saúde em busca de atendimento (postos de saúde, equipe de saúde da família, UPA, Pronto Socorro ou Hospital do SUS ou, ainda, ambulatório /consultório, pronto socorro ou hospital privado). Esse contingente ficou estável frente à semana anterior (2,7 milhões ou 22,8%). Em relação à semana de 3 a 9 de maio (3,7 milhões ou 13,7%), houve queda em números absolutos e aumento em termos percentuais. 

Cerca de 739 mil pessoas procuraram atendimento em hospital público, particular ou ligado às forças armadas na semana de 16 a 22 de agosto. Esse contingente apresentou estabilidade em relação à semana anterior (669 mil) mas recuou frente à semana de 3 a 9 de maio (1,1 milhão). Entre os que procuraram atendimento em hospital, 127 mil (17,2%) foram internados, com estabilidade frente à semana anterior (116 mil ou 17,4%) e à semana de 3 a 9 de maio (97 mil ou 9,1%). 

Fonte: IBGE, 11/09/2020, 09h00 | Última Atualização: 11/09/2020, 10h05.