Matéria-prima sobe 43,6% em 12 meses, e impacto deve chegar ao consumidor

agricultura (Foto: Thinkstock)
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Disparada reflete avanço das cotações de commodities, como soja e minério de ferro, e desvalorização do real ante o dólar

Ao longo da pandemia, a inflação de matérias-primas agrícolas e industriais disparou no país. Sinal disso é o avanço do IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que chegou a 43,59% no acumulado de 12 meses até abril, segundo o FGV-Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

A situação preocupa especialistas, já que a sequência de aumentos sentida por empresas tende a provocar novos repasses para os consumidores finais.

Segundo o economista André Braz, do FGV Ibre, a alta observada no período é a maior desde o início do Plano Real. O IPA capta a variação de preços de mercadorias em transações interempresariais –ou seja, até a porta das fábricas, nos estágios anteriores ao consumo final de bens e serviços.

A disparada do indicador reflete uma combinação de dois fatores. O primeiro é o avanço das cotações de commodities, como soja e minério de ferro, no mercado internacional.

A isso, soma-se a desvalorização do real ante o dólar, em um contexto de juro mais baixo e incertezas sobre os rumos da economia brasileira. A moeda americana acima de R$ 5 contribuiu para que as cotações das matérias-primas fiquem ainda mais pressionadas.

“Nossa moeda se desvalorizou em um cenário de juro baixo e incertezas. Enquanto isso, houve aumentos explosivos em preços de produtos como minério de ferro e soja. O cenário impacta os preços para produtores e consumidores”, diz Braz.

Em abril, houve desaceleração do ritmo de alta do IPA, para 1,84%, após elevação de 3,56% em março. Mesmo com o avanço menor no mês passado, empresas continuam pressionadas pelo ciclo de custos em alta, o que sustenta a projeção de novos repasses para os consumidores, sinaliza o economista.

“No começo da pandemia, empresários tinham alguma margem para segurar o aumento dos preços. A questão é que não se previa um avanço tão duradouro de commodities. Para uma empresa sobreviver, não tem como praticar preços muito baixos. Então, ou repassa os aumentos de custos ou sai do negócio”, observa.

“É certo que teremos alta na inflação mais longa do que muitos imaginavam no início da pandemia. Há uma grande pressão de commodities. Os repasses ao consumidor devem ocorrer com o aumento na demanda e o estresse no caixa das empresas”, observa o economista Fábio Astrauskas, presidente da consultoria Siegen e professor do Insper.

Indicador oficial de inflação do país, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulou alta de 6,76% em 12 meses até abril, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Embora esteja em nível inferior ao avanço de preços de matérias-primas usadas por produtores, o indicador está acima da meta perseguida pelo Banco Central em 2021.

O centro da meta para a inflação deste ano é de 3,75%, com limite de 5,25%. A marca de 6,76% é a maior desde novembro de 2016.

Em uma tentativa de frear os preços, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central voltou a subir a taxa básica de juro no início do mês em 0,75 ponto percentual, o que levou a Selic para 3,50% ao ano. Após a reunião, o Copom indicou nova alta na mesma magnitude em junho, para 4,25%.

Em nota, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) relata que “o aumento nos preços de commodities agrícolas e insumos, a variação cambial e o impacto da pandemia têm influenciado os custos de toda a cadeia produtiva da indústria alimentícia”.

“A indústria não tem capacidade de absorver 100% dos custos, que acabam se desdobrando no preço final dos alimentos”, declara o presidente da Abia, João Dornellas.

Na visão do dirigente, o governo federal poderia reduzir impostos de importação, na tentativa de diminuir os gastos na produção e, consequentemente, o impacto nos preços finais.

O IPA responde por 60% da composição do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), também calculado pelo FGV Ibre. O IGP-M, por sua vez, é frequentemente usado no reajuste de contratos de aluguel no país. Ou seja, o aumento de commodities pode gerar reflexo na locação de imóveis comerciais e residenciais.

No acumulado de 12 meses até abril, o IGP-M registrou alta de 32,02%. Em meio ao avanço, um projeto na Câmara dos Deputados busca fixar o IPCA como teto para correção de contratos de aluguel.

Além do IPA, o IGP-M é composto por outros dois indicadores: o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) e o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção). O IPC tem peso de 30%, enquanto o INCC responde por fatia de 10%.​

Fonte: Leonardo Vieceli, Folha de S.Paulo, 21.mai.2021 às 23h15.

Nielsen: a vida além da covid19

Analisando a ocorrência de infecções em todo o mundo e as medidas tomadas pelos governos em diferentes países para prevenir e proteger a população, a Nielsen identificou três diferentes cenários para a regeneração do mercado global. Este quadro descreve como tende a ser o estilo de vida e os comportamentos de consumo em cada um dos três cenários, com base na entrada antecipada, tardia e prolongada no “novo normal” e como a duração da quarentena tem influência no desenvolvimento econômico geral, na situação financeira do indivíduo, no mercado de trabalho, na vida social e no clima de consumo.

Se a transição para o ‘novo normal’ progredir rapidamente – até o final do terceiro trimestre de 2020 – consumidores e empresas tendem a retomar seus hábitos, padrões e comportamentos antigos em grande medida (retomar). No entanto, se os consumidores passarem mais tempo em uma situação de quarentena, digamos até o final do quarto trimestre de 2020, as conseqüências econômicas, financeiras e sociais serão maiores e novas estratégias deverão ser desenvolvidas para revitalizar o consumo e a economia (reiniciar). Se as restrições durarem de 12 a 18 meses, os governos serão forçados a compensar as graves conseqüências econômicas, financeiras e sociais e as empresas deverão repensar fundamentalmente seus portfólios de produtos para atender às mudanças nas demandas dos consumidores (reinventar).

1. MUDANÇAS NOS PADRÕES DE GASTOS EM FUNÇÃO DA MENOR RENDA DISPONÍVEL

Apesar do aumento da pressão financeira e da instabilidade do emprego, nesta como em outras crises, podemos esperar que a indústria de produtos bens de consumo de giro rápido (FMCG) e, principalmente, a indústria alimentícia sejam pouco afetadas, o que a curto prazo continua sendo evidenciado por aumentos substanciais nas vendas de FMCG.

As mudanças nos padrões de consumo também afetarão a dinâmica dos canais em diferentes países, que, dependendo das restrições e da dinâmica do consumidor em cada país, pode se traduzir em viagens de compras com um maior número de produtos para abastecer a despensa do supermercado ou um aumento na frequência de compras de reposição em canais como as lojas tradicionais ou de desconto.

2. MUDANÇA DE CESTAS DE COMPRAS NO SETOR DE BENS DE CONSUMO DE GIRO RÁPIDO (FMCG)

De acordo com o que encontramos em nossas análises mais recentes, muitos consumidores irão redistribuir seus gastos ou buscar economia em atividades fora de casa, impactando a indústria da moda, restaurantes, take-out, viagens ou férias.

Em muitos casos, essas economias estão transferindo parte desse consumo para o lar, por exemplo: o consumo de 58% dos latinos que relataram comer mais em casa e os 78% desses que pretendem continuar a fazê-lo pelo menos durante os próximos 3 meses continuarão a abrir oportunidades para as categorias de alimentos e bebidas nos próximos meses.

Ao mesmo tempo, os grupos de produtos que provavelmente estarão no segmento “luxo/indulgência” terão uma chance de crescimento adicional com base no pensamento: “Já que estou economizando dinheiro de alguma forma, pelo menos estou me oferecendo algo especial em casa” ou as mudanças nas bebidas alcoólicas que serão refletidas no “novo normal” dos encontros sociais.

Por outro lado, o comportamento de compra de produtos de Higiene & Beleza continuará a desempenhar um papel importante no consumo doméstico, porém, os momentos de consumo se transformam e geram crescimento para as categorias de cuidados pessoais, por exemplo, tinturas de cabelo que crescem como um reflexo da diminuição das visitas aos salões de beleza da região.

3. MECANISMOS DE MUDANÇA DE PREÇOS

De acordo com um estudo recente sobre o consumidor, 57% das pessoas estão cientes dos preços que normalmente pagam. 49% dos consumidores pesquisados mencionaram que comparam os preços das marcas líderes com os de marca própria, o que mostra claramente que há uma alta sensibilidade ao preço no mercado, que foi agravada pela pandemia e permitiu a evolução acelerada de marcas próprias em muitos países da região.

Segundo Fabiola de la Portilla, Diretora Regional de Inteligência da Nielsen, “Diante da nova realidade, tanto na América Latina como no mundo inteiro, os consumidores terão uma tendência significativa de substituir as commodities por marcas próprias ou opções de preços mais baixos, portanto, as marcas corporativas terão que repensar suas estratégias promocionais e propostas de valor para incentivar a compra de produtos que não sejam commodities e justificar o preço”.

4. VALORES MODIFICADOS

Alguns varejistas e fabricantes no país e no exterior reagiram rapidamente às normas mais rígidas de higiene com novas ideias. Controles eletrônicos de entrada, entregas sem contato por veículos sem motorista, novos aplicativos para compras mais seguras e desinfecção de carrinhos de compras são apenas alguns exemplos.

Além disso, devido ao aumento da consciência sobre saúde e higiene, os consumidores estão cada vez mais focados em produtos “saudáveis” com ingredientes especiais que têm um efeito positivo sobre o sistema imunológico. Produtos naturais e sustentáveis como “orgânicos” ou “livres de” eram muito populares entre os consumidores antes da pandemia do novo coronavírus (COVID-19), mas se tornaram menos desejáveis. Agora, reivindicações de produtos relacionados à saúde, como “germicida”, “fortalecimento do sistema imunológico” e “promoção da saúde”, estão ganhando enorme importância.

Especialmente para as categorias de cuidados pessoais e cuidados domiciliares, atributos como higiene e saúde se tornarão o novo padrão. Os fabricantes devem se preparar para isso, a fim de (continuar a) reter clientes. Os consumidores costumam estar dispostos a pagar um preço mais alto pelos produtos de assistência domiciliar com reivindicações como “fortalecimento do sistema imunológico” ou “pela proteção da família”.

A importância das reclamações dos produtos variará por categoria e alguns terão uma ressonância mais forte do que outros. Portanto, é fundamental que as marcas entendam quais reivindicações são apropriadas para quais produtos, para garantir que 1) satisfaçam as necessidades dos consumidores e 2) tenham a capacidade de cobrar um preço mais alto se puderem diferenciar sua oferta no mercado – o que será mais atraente para os consumidores com renda inalterada que podem pagar esse “luxo”.

5. E-COMMERCE

Não é novidade que a pandemia reforçou a presença de produtos de bens de consumo de giro rápido no e-commerce. De acordo com nosso mais recente estudo sindicalizado sobre o consumo frente à pandemia, observamos que a esta  contribuiu para uma adoção muito mais rápida do canal, atraindo mais consumidores a cada dia, a maioria dos quais pretende manter o consumo mesmo após a COVID-19.

O crescimento deste canal no futuro dependerá principalmente da satisfação do consumidor em relação à facilidade de encontrar produtos nas diversas plataformas, a preços competitivos e, ao mesmo tempo, que ofereçam flexibilidade e qualidade de entrega.

Fonte: Nielsen

PREVISÃO SOBRE A REPROGRAMAÇÃO DO COMPORTAMENTO EM RELAÇÃO À COVID-19

Além de nos manterem informados, os veículos de notícias podem, muitas vezes, inspirar mudanças de comportamento rápidas, por vezes direcionadas, especialmente em tempos de crise. Mas na atual linha temporal prolongada de crise, existem outros fatores que impulsionam a transformação do comportamento dos consumidores.

Embora de natureza muito mais ampla e sem fronteiras, o ciclo de notícias sobre o novo coronavírus (COVID-19) no primeiro trimestre deste ano desencadeou mudanças globais de compra que estavam claramente ligadas ao que estava sendo noticiado nos veículos de comunicação. As vendas de higienizadores de mãos, alimentos básicos e produtos de limpeza dispararam após as notícias da imprensa sobre a propagação do vírus. No entanto, com o tempo, a correlação desvaneceu-se e os consumidores deixaram, em muitos casos, de responder ao ciclo de notícias com as suas carteiras.

Isso não significou, contudo, que os consumidores tenham recuado na compra de bens de consumo de giro rápido (FMCG). A sua compra já não espelha as notícias dos meios de comunicação sobre o aumento das taxas de transmissão do vírus. Mesmo em países que sofreram novos surtos ou sempre crescentes do vírus, tais como os EUA, Brasil e Rússia, as compras de produtos de giro rápido permanecem relativamente estáveis. E, em alguns casos, o aumento das compras de FMCG passa a estar relacionado a fatores momentâneos, que vão além do próprio vírus, tais como reaberturas de empresas locais e mudanças nas condições de vida restritas.

Fonte: FMCG E VAREJO, 01-09-2020

REFERÊNCIAS

1 The Conference Board® Global Consumer Confidence Survey conduzida em colaboração com a Nielsen, Q2 2020
2 Nielsen Global Survey “The New Shopper Normal” conduzida em Maio 2020

Procon notifica Netflix sobre aumento de reclamações dos clientes

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O Procon-SP notificou a Netflix para que a empresa explique sobre o aumento de reclamações de seus assinantes. 

Segundo o órgão de defesa do consumidor, clientes da empresa relatam práticas como duplicidade de cobranças, alteração de plano de assinatura, entre outros. O Procon afirma que a Netflix tem responsabilizado o próprio cliente por tais problemas.

Com a notificação, a Netflix terá de informar quais medidas adota para impedir contratações mediante fraude e utilização indevida de dados; quais os critérios usados para aferir negligência ou culpa exclusiva do consumidor; e qual procedimento adotado para resolver as demandas dos problemas citados acima e também as demandas registradas no Procon-SP.

A empresa deverá também esclarecer se providenciou medida específica para atendimento do aumento de contratações e demandas geradas durante a pandemia. Com a notificação, a Netflix tem 72 horas para responder. 

Procurada pela EXAME, a Netflix afirmou que a segurança dos assinantes é prioridade para a empresa e ressalta que não houve comprometimento de dados nem do sistema da empresa. “A segurança das contas de nossos assinantes é uma prioridade para nós, e estamos trabalhando para melhorar a forma como lidamos com questões como essas.”

A Netflix destacou ainda que disponibiliza uma página na internet com dicas de segurança. O endereço é https://help.netflix.com/pt/node/13243.

Fonte: Karla Mamona, EXAME. 18/08/2020 às 15h29. Alterado em: 18/08/2020 às 15h59.

Compras em mercadinhos de bairro e pequenos varejos crescem em meio à pandemia, segundo Kantar

Supermercado em Campinas, que montou uma estrutura para proteger funcionários e clientes do novo coronavírus (foto: WAGNER SOUZA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO)

Influenciado pelas medidas restritivas impostas para conter o avanço da pandemia, o consumidor brasileiro passou a fazer compras em mercadinhos de bairro, pequenos varejos e varejos tradicionais (mercearias, bares e padarias) para evitar aglomeração, de acordo com o estudo Consumer Insights, da consultoria Kantar.

Mais de 2 milhões de lares passaram a comprar em pequenos comércios e pouco mais de 1,2 milhão em varejos tradicionais, no primeiro trimestre de 2020, em comparação com o último de 2019. O crescimento nas compras também foi verificado nos supermercados de bairro: pouco mais de 200 mil entrevistados direcionaram seu consumo para esses estabelecimentos.

Para 60% dos consumidores, a mudança aconteceu para evitar aglomerações; 59,6% recorreram às lojas de bairro e ao pequeno comércio para não ter grandes deslocamentos, e 53,5% para buscar preços mais acessíveis. Antes da pandemia, as compras se concentravam principalmente em atacarejos.

O estudo revelou também que na comparação anual, o primeiro trimestre de 2020 registrou um crescimento de 7,7% no gasto médio em bens de consumo massivos (bens não duráveis, como alimentos, enlatados, produtos de higiene) e um aumento de preços de 4,8%. No período, o consumidor foi mais vezes aos pontos de venda – um aumento de 4,6% na frequência, enquanto a quantidade de unidades compradas por viagem diminuiu 1,7%.

Cestas

Com a mudança no hábito de consumo do brasileiro, os produtos mais adquiridos durante a pandemia também registraram mudanças.

No pré-isolamento, a Kantar identificou uma preferência por produtos de limpeza e alimentos, com uma característica peculiar ao momento já que o consumidor buscava fazer uma grande estocagem. Mas já no final do mês de abril, a cesta de alimentos e bebidas se destacou e o setor de higiene e beleza passou para segundo plano.

Na semana de 4 de maio, em comparação com a de 9 de março, os brasileiros preferiram opções mais indulgentes dentro de casa. O consumo de produtos das categorias de doces e bebidas alcoólicas cresceu, com destaque para: leite condensado (61%), creme de leite (45%), cerveja (42%) e leite (39%). Na outra ponta, os itens que registraram queda de vendas foram: queijo, fraldas e frangos.

O fechamento de bares, restaurantes e lanchonetes impulsionou a compra de cervejas, que cresceu 9% durante os finais de semana no primeiro trimestre de 2020 em relação ao mesmo período do ano passado. Já o consumo de vinhos cresceu ainda mais: subiu 19% durante a semana e 6% aos sábados e domingos.

Fonte: InfoMoney, Pablo Santana, 9 jun 2020, 18h00.

Paulistanos fazem fila para matar saudade de shopping

Antes mesmo de as portas serem abertas, consumidores já formavam fila em frente ao Shopping Metrô Santa Cruz – Adriano Vizoni/Folhapress

Pelo comportamento, o paulistano estava com saudade dos shoppings. No primeiro dia de reabertura na capital paulista, consumidores fizeram fila para entrar e bater perna nos centros de compras mais populares, enquanto nas lojas de alta renda, as vendas chegaram a superar às registradas em dias normais.

Segundo a Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), 53 estabelecimentos abriram nesta quinta-feira (11) na capital.

Dos 182 shoppings do estado de São Paulo, 76 já estavam abertos, 44 abrem a partir do dia 15 em municípios que passam da fase 1 para a fase 2 na Grande São Paulo e na Baixada Santista e outros 8 em municípios como Barretos, Presidente Prudente, Bebedouro e Ribeirão Preto ainda não estão autorizados a abrir.

Ainda segundo a associação, um shopping em Paulínia também não abriu ainda, apesar de já estar na fase 2.

No Shopping Metrô Tatuapé, na zona leste, por exemplo, filas de consumidores já se formavam nos primeiros minutos de reabertura. O complexo tem acesso ao metrô, o que facilita a chegada de um grande número de pessoas.

Como se costuma fazer em shows, faixas da isolamento marcaram o caminho em ziguezague para colocar ordem na entrada. No início da fila, um segurança controlava o distanciamento mínimo de um metro entre as pessoas, na porta, outro funcionário direcionava consumidores para medir a temperatura e receber sua máscara e sachês de álcool em gel.

Apesar do movimento nos corredores, as lojas estavam parcialmente vazias nos primeiros 20 minutos. A exceção eram as grandes varejistas de moda. O segurança na porta das Lojas Renner já contabilizava 150 pessoas no estabelecimento. Outros 40 formaram fila para esperar a C&A abrir.

As jovens Andressa Martins, 22, e Juliane Tocachellis, 26, de sacolas nos braços e máscaras com estampa de camuflagem, afirmaram ter ido no shopping para fazer uma compra específica, mas acabaram levando outras coisinhas pelo caminho.

“Viemos principalmente para gastar e bater perna, mas também para ver a movimentação. Temos algumas compras específicas para fazer, mas vamos vendo as outras lojas”, diz Tocachellis.

Em algumas lojas, os clientes foram atrás de presentes para o Dia dos Namorados. Segundo Elen Guimarães, 27, gerente da loja do Boticário, boa parte de quem entrou e comprou foi para presentear a pessoa amada nesta sexta-feira (12).

“Logo nos primeiros minutos de shopping aberto, já fizemos três vendas. O dia teve um momento menor que em um dia normal, mas esperamos que termine bem. As pessoas vão voltando gradualmente”, afirmou. Na loja, apenas metade dos funcionários estão trabalhando.

Nos Shoppings Cidade São Paulo e Eldorado, as medidas de prevenção na entrada dos estabelecimentos eram as mesmas, com aferição de temperatura e álcool em gel em mãos. O movimento, no entanto, já era bem menor.

“Nunca vi um shopping tão vazio”, disse Marcelo Latres, 19.

Ele, que também foi ao shopping para compras pessoais, afirmou que se sentiu seguro.

“Eu precisava comprar algumas coisas pra mim e aproveitei para vir aqui. Ainda não me sinto seguro em andar na rua por causa do coronavírus, mas aqui é outra história. A percepção que eu tenho é que os shoppings vão voltar a ser o que eram em um pulo”, afirmou.

Nas lojas, não havia consenso na percepção de volta à normalidade.

“Eu fiz duas vendas nas duas primeiras horas de abertura. Esperava bem menos hoje, tanto que a meta diária que temos normalmente foi extinta nesse primeiro momento, exatamente para ver como vai ser a volta do consumidor”, disse Patrícia Lima, 26, vendedora da loja Melissa no Cidade São Paulo.

No Eldorado, apesar de algumas lojas ainda estarem fechadas, as compras também começam a voltar ao normal.

“Vim fazer uma compra para o dia dos namorados e também ver como estaria esse retorno. Não tive receio de vir” afirmou o consultor Felipe Costa, 33.

No Shopping Iguatemi, dedicado à alta renda, os clientes voltaram com vontade e surpreenderam os gestores, que escalaram equipes menores à espera de um movimento mais tímido no primeiro dia.

Vendedores de lojas de marcas de luxo, como Gucci e Chanel, afirmaram que o movimento foi bem maior do que o esperado, chegando a superar as vendas de dias normais.

Uma vendedora da Chanel disse ainda que além da demanda voltada para o dia dos namorados, também houve uma busca por reposição de produtos.

Um consumidor do Shopping Iguatemi que preferiu não se identificar disse acreditar que apesar de ter presenciado alguma confusão entre funcionários sobre os horários de funcionamento do shopping e abertura das lojas, a tendência é que a volta seja bem mais rápida do que o esperado.

O casal Fábio Eduardo Nogueira, 37, e Fernanda Antonnini, 31, também alimentam a esperança de uma volta tranquila à normalidade.

“Nós viemos ao shopping pra sair de casa, não aguentávamos mais. Fizemos a compra do Dia dos Namorados antes, pela internet, mas nada mais me impede de ir aos shoppings, agora que reabriram. A economia precisa girar”, disse Nogueira.

Fonte: Isabela Bolzani, Folha de S.Paulo, 11.jun.2020 às 23h15.