Brasileiros têm medo de admitir desemprego, mostra pesquisa

Brasileiros dizem que estar sem trabalho é visto como desvantagem na hora de buscar uma oportunidade — Foto: Agência Brasil
Brasileiros dizem que estar sem trabalho é visto como desvantagem na hora de buscar uma oportunidade — Foto: Agência Brasil

Levantamento do LinkedIn com 2 mil pessoas mostra que existe um tabu para contar para pessoas próximas e o medo de que a informação prejudique a busca por trabalho

Contar para a família e pessoas próximas que está desempregado é um tabu para os brasileiros. Em pesquisa realizada pelo LinkedIn com 2.012 pessoas que ficaram desempregadas antes ou como consequência da pandemia, entre outubro e novembro de 2020, 45% dos profissionais disseram que já esconderam o fato de estarem sem emprego para alguém próximo. E 55% admitiram que ter mentido por vergonha. Nove em cada dez pesquisados acreditam que existe um estigma associado ao desemprego.

Mais do que um motivo de constrangimento com os conhecidos, para 49% dos entrevistados estar sem trabalho é visto como desvantagem na hora de buscar uma oportunidade e 27% acreditam que essa informação diminui as suas chances de conseguir um novo emprego.

A busca por emprego é motivo de estresse e preocupação para 36% dos entrevistados, 30% não tiveram retorno das empresas e 17% disseram que se sentem derrotados por terem sido rejeitados em processos seletivos. Metade dos pesquisados já deixou, inclusive, de se candidatar em até 5 oportunidades de emprego que desejavam porque sentiram que não possuíam as habilidades necessárias. Investir na formação para tentar ampliar seu conhecimentos por meio de cursos gratuitos foi um recurso usado por 41% dos entrevistados.

“Mentir tem um efeito na autoestima desses profissionais que acaba sendo desmotivador na busca por emprego”, diz Ana Claudia Plihal, Executiva de Soluções de Talentos para o LinkedIn. “Temos uma forte cultura no Brasil em que o desemprego é, muitas vezes, considerado como uma consequência do desempenho do profissional e não devido à falta de oportunidades do mercado”, afirma. Para ela, o levantamento surpreendeu e mostrou a necessidade de mudar este viés inconsciente tanto do ponto de vista do profissional, quanto das empresas. “Em países como o Reino Unido e a França, por exemplo, a porcentagem de pessoas que afirmam terem mentido chega a 38%, enquanto, no Brasil, temos quase 50%. Não que não aconteça, mas acaba sendo encarado com mais naturalidade”.

“Passar por essa experiência do desemprego também gera aprendizados e oportunidades de desenvolvimento que quando trabalhadas de forma coerente no momento de contar a sua história profissional, ressalta o fortalecimento de importantes habilidades comportamentais (soft skills) como resiliência, superação, gestão de crise e empatia, que estão sendo cada vez mais valorizadas na hora de se contratar um candidato”, afirma. O trabalho informal aparece como uma opção para 38% e 29% passaram a atuar como freelancers ou aceitaram um emprego temporário.

A rede social profissional, que reúne atualmente 49 milhões de usuários brasileiros, vai promover lives com especialistas em carreira nos dias 18 e 25 de maio com o objetivo de ajudar os profissionais e proprietários de pequenas e médias empresas a entenderem o mercado de trabalho pós-crise. Os eventos on-line serão comandados por Cristiano Santos, consultor de mídias sociais e marketing digital. Na sequência, o LinkedIn lança um e-book gratuito com ferramentas, dicas e recomendações dadas pelos especialistas.

Fonte: Stela Campos, Valor, 14/05/2021.

Trabalho, renda e moradia: desigualdades entre brancos e pretos ou pardos persistem no país

Quatro entre dez pessoas extremamente pobres eram mulheres pretas ou pardas – Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias

Resumo

Um dos principais indicadores do mercado de trabalho, a taxa de desocupação foi, em 2019, de 9,3%, para brancos, e 13,6% para pretos ou pardos.

Entre as pessoas ocupadas, o percentual de pretos ou pardos em ocupações informais chegou a 47,4%, enquanto entre os trabalhadores brancos foi de 34,5%.

A população ocupada de cor ou raça branca ganhava em média 73,4% mais do que a preta ou parda. Em valores, significava uma renda mensal de trabalho de R$ 2.884 frente a R$ 1.663.

O rendimento-hora de brancos com nível superior era de R$ 33,90, enquanto pretos e pardos com o mesmo nível de instrução ganhavam R$ 23,50 por hora trabalhada.

Entre as pessoas abaixo das linhas de pobreza, 70% eram de cor preta ou parda. A pobreza afetou mais as mulheres pretas ou pardas: 39,8% dos extremamente pobres e 38,1% dos pobres.

45,2 milhões de pessoas residiam em 14,2 milhões de domicílios com algum tipo de inadequação. Desta população, 13,5 milhões eram de cor ou raça branca e 31,3 milhões pretos ou pardos.

A situação no mercado de trabalho, a renda e as condições de moradia são desiguais no país conforme a cor e raça dos brasileiros. Com base nos dados da PNAD Contínua 2019, o estudo Síntese de Indicadores Sociais, divulgado hoje (12) pelo IBGE, mostra que pretos ou pardos tem maiores taxas de desocupação e informalidade do que brancos, estão mais presentes nas faixas de pobreza e extrema pobreza e moram com maior frequência em domicílios com algum tipo de inadequação.

Um dos principais indicadores do mercado de trabalho, a taxa de desocupação foi, em 2019, de 9,3%, para brancos, e 13,6% para pretos ou pardos. Entre as pessoas ocupadas, o percentual de pretos ou pardos em ocupações informais chegou a 47,4%, enquanto entre os trabalhadores brancos foi de 34,5%. O resultado reflete a maior participação dos pretos e pardos em trabalhos característicos da informalidade, como por exemplo atividades agropecuárias, que tinha 62,7% de ocupados pretos ou pardos, construção, com 65,2%, e serviços domésticos, 66,6%.

“A informalidade para pretos ou pardos é uma característica histórica, que percebemos em todos os anos da série da Pnad Contínua, que se inicia em 2012 e vai até 2019. É um grupo que requer atenção, é um grupo mais vulnerável, que não vai poder ter aposentadoria por tempo de serviço, que não tem direito a licenças remuneradas por afastamento por motivo de saúde ou licença gestante, então são mais vulneráveis em termos de pessoal ocupado”, explica o coordenador da SIS, João Hallak.

A definição de informalidade utilizada na Síntese é recomendada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e inclui cinco modalidades de posição na ocupação: empregado sem carteira, trabalhador doméstico sem carteira, conta própria não contribuinte, empregador não contribuinte e trabalhador familiar auxiliar.

A maior inserção de pretos ou pardos em atividades informais, como serviço doméstico sem carteira assinada, que em 2019 tinha rendimento médio mensal de apenas R$ 755, contribui para diminuir a renda média desse grupo populacional. A população ocupada de cor ou raça branca ganhava em média 73,4% mais do que a preta ou parda. Em valores, significava uma renda mensal de trabalho de R$ 2.884 frente a R$ 1.663, em 2019.

A população ocupada branca também recebia rendimento-hora superior à população preta ou parda segundo qualquer nível de instrução, sendo a diferença maior na categoria Superior completo, R$ 33,90 contra R$ 23,50, ou seja, 44,3% a mais para brancos.

A Síntese mostra que a extrema pobreza no país cresceu 13,5%, passando de 5,8% da população, em 2012, para 6,5%, em 2019, segundo a linha internacional fixada pelo Banco Mundial em US$ 1,90 por dia em termos de paridade de poder de compra (PPC). Já pela linha de US$ 5,50 PPC (pobreza), houve redução na proporção de pobres da ordem de 6,6%, caindo de 26,5% para 24,7% da população, nesse período. Entre os que se declararam brancos, 3,4% eram extremamente pobres e 14,7% eram pobres, mas essas incidências mais que dobravam entre pretos e pardos.

Entre as pessoas abaixo das linhas de pobreza do Banco Mundial, 70% eram de cor preta ou parda, enquanto a população que se declarou com essa característica era de 56,3% da população total. A pobreza afetou ainda mais as mulheres pretas ou pardas: eram 28,7% da população, mas 39,8% dos extremamente pobres e 38,1% dos pobres.

“A população de cor ou raça preta ou parda está mais presente na informalidade, possui menos anos de estudo, está em atividades que remuneram menos, então tudo isso contribui para que a renda do trabalho seja menor. Certamente, todos esses elementos tanto do mercado de trabalho quanto de fora do mercado de trabalho fazem com que tenham um rendimento domiciliar per capita inferior e se insiram relativamente mais nessas categorias de pobreza e extrema pobreza”, analisa Hallak.

A desigualdade também aparece nos indicadores de moradia. O estudo mostra que 45,2 milhões de pessoas residiam em 14,2 milhões de domicílios com pelo menos uma de cinco inadequações – ausência de banheiro de uso exclusivo, paredes externas com materiais não duráveis, adensamento excessivo de moradores, ônus excessivo com aluguel e ausência de documento de propriedade. Desta população, 13,5 milhões eram de cor ou raça branca e 31,3 milhões pretos ou pardos.

“Não é possível elencar um único indicador como mais importante em termos de desigualdade. Percebemos uma desigualdade estrutural que ocorre ao longo dos anos da série em vários indicadores, e não apenas em 2019. Eu entendo que a análise conjunta das informações é que tem sua força para mostrar a desigualdade”, conclui João Hallak.

Fonte: IBGE, 12/11/2020.

Brasileiros não acreditam ter as habilidades que precisam

Brasileiros | Ediouro

Um relatório recente da Udemy – “Global Skills Gap Report”, que mapeou a visão de 5 mil profissionais em cinco países (Brasil, Índia, México, Espanha e França), mostra que o Brasil é o país em que mais profissionais consideram que existe uma lacuna de habilidades no mercado de trabalho (cerca de 94% dos trabalhadores em tempo integral versus 83% na média global).

Além disso, 75% dos trabalhadores brasileiros acreditam que essa lacuna de habilidades os afeta diretamente – em 2017, esse percentual era de 66% – e 91% que tiveram que aprender novas habilidades para fazer seu trabalho com eficácia.

No Brasil, foram entrevistados cerca de 1.000 profissionais, trabalhadores em tempo integral, com mais de 18 anos.

Oitenta por cento dos brasileiros entrevistados acham que as habilidades requeridas no seu trabalho irão mudar nos próximos cinco anos, um percentual que só fica atrás dos profissionais da Índia entrevistados.

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Brasileiro ainda mantém dieta à base de arroz e feijão, mas consumo de frutas e legumes é abaixo do esperado

Arroz e feijão juntos são importantes, não há o que negar ...

Na análise do percentual de pessoas que consumiram qualquer quantidade dos alimentos informados nas 24 horas anteriores à entrevista, as maiores frequências de consumo alimentar foram do café (78,1%), arroz (76,1%) e feijão (60,0%).

Os alimentos com as maiores médias de consumo diário per capita foram café (163,2 g/dia), feijão (142,2 g/dia), arroz (131,4 g/dia), sucos (124,5 g/dia) e refrigerantes (67,1 g/dia).

De 2008-2009 a 2017-2018, a frequência de consumo de feijão caiu de 72,8% para 60,0%, de arroz de 84,0% para 76,1%, enquanto a salada crua passou de 16,0% para 21,4%. A queda do consumo do arroz foi observada no Sudeste, Sul e Centro-Oeste e foi mais acentuada no quarto de renda mais alto.

A frequência de consumo de frutas, verduras e legumes é menor entre adolescentes do que entre adultos e idosos, exceto para açaí e batata inglesa. Os adolescentes consomem o dobro de sanduíches, quatro vezes mais pizzas, nove vezes mais bebidas lácteas e 20 vezes mais salgadinhos que os idosos.

 A frequência de consumo para carne bovina diminuiu para adolescentes, adultos e idosos, no mesmo tempo em que houve aumento da frequência para aves e suínos nestes grupos etários.

A frequência de consumo da farinha de mandioca no Norte é duas vezes maior que a do Nordeste e dez vezes maior do que nas demais regiões. O consumo médio diário per capita de refrigerante no Sul é duas vezes maior do que o do Norte e Nordeste. O percentual de consumo de vinho fora de casa no Norte é cinco vezes maior que o do Sul. 

Tanto a frequência de consumo quanto o consumo diário médio per capita de arroz, feijão verde/corda, preparações à base de feijão, milho e preparações à base de milho, pão de sal, peixes frescos e farinha de mandioca foram maiores para os quartos de renda mais baixa, com acentuada diferença entre o primeiro e o último quartos de renda. 

A maior parte da quantidade consumida de cerveja (51,0% do total consumido) ocorre fora do domicílio. Alto percentual de quantidade consumida fora do domicílio, em relação ao total consumido, também foi observado para as bebidas destiladas (44,1%) e salgados fritos e assados (40,1%). A frequência de consumo de cerveja foi de 3,5% entre os adultos. Salgados fritos e assados tiveram frequência de 12,1% entre os adolescentes. 

Mais da metade (53,4%) das calorias consumidas vem dos alimentos in natura ou minimamente processados, 15,6% de ingredientes culinários processados, 11,3% de alimentos processados e 19,7% de alimentos ultraprocessados.

Alimentos ultraprocessados fornecem, em média, cerca de 27% do total de calorias diárias dos adolescentes, enquanto para a população com 60 ou mais de idade é de 15,1%.

A frequência do consumo alimentar fora do domicílio no Brasil caiu entre 2008-2009 e 2017-2018, passando de 40,2% para 36,5% da população. E a maior contribuição percentual para o consumo energético foi observada para a Região Centro-Oeste, com 16,0%.

A adição de sal a preparações prontas foi referida por 13,5% da população e era mais frequente em homens adultos (16,5%). A adição de açúcar foi referida por 85,4% da população e as mulheres idosas eram o grupo com a menor proporção (69,2%). 

A ingestão de sódio acima do limite aceitável foi referida por 53,5% da população. De 2008-2009 para 2017-2018, a participação das proteínas, carboidratos e gorduras na ingestão de energia da população pouco variou. Mas a participação das gorduras saturadas nessa ingestão recuou, provavelmente devido à redução do consumo de carne bovina.  

Essas informações fazem parte da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018: Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil, que traz dados sobre a ingestão alimentar individual das pessoas de 10 anos ou mais de idade, por sexo, idade, renda familiar mensal, situação urbana ou rural e por Grandes Regiões. 

A pesquisa foi realizada em convênio com o Ministério da Saúde.

Café, arroz e feijão são os mais frequentes na mesa dos brasileiros

A análise da frequência de consumo alimentar (percentual de pessoas que consumiram qualquer quantidade dos alimentos informados, nas 24 horas anteriores à aplicação do questionário) observou que as maiores frequências foram do café (78,1%), arroz (76,1%) e feijão (60,0%), seguidos do pão de sal (50,9%) e óleos e gorduras (46,8%).

Na divisão por sexo, os homens apresentaram menores frequências de consumo de todas as verduras, legumes e frutas (exceto a batata inglesa) e as mulheres apresentaram maiores frequências de consumo para biscoitos, bolos, doces, leite e derivados, café e chá.

Homens consomem, em média, três vezes mais cerveja do que as mulheres

Os alimentos com maiores médias de consumo diário per capita foram o café (163,2 g/dia), feijão (142,2 g/dia), arroz (131,4 g/dia), sucos (124,5 g/dia) e refrigerantes (67,1 g/dia). As mulheres apresentaram médias mais altas para a maioria das verduras e frutas, enquanto os homens tiveram estimativas mais altas para quase todos os demais alimentos.

A média diária per capita de consumo de cerveja entre os homens é mais que o triplo da média feminina (54,5 g/dia contra 16,4 g/dia).

Mais da metade da quantidade consumida de cerveja fica fora do domicílio

A maior parte do consumo de cerveja é adquirida e consumida fora do domicílio (51,0%). Alto percentual de quantidade consumida fora do domicílio, em relação ao total consumido, também foi observado para as bebidas destiladas (44,1%), salgados fritos e assados (40,1%), outras bebidas não alcoólicas (40,1%), sorvete/picolé (37,2%), salgadinhos chips (32,7%), bolos recheados (32,6%) e refrigerantes (31,1%).

Os homens apresentaram maior percentual de quantidades consumidas fora do domicílio, em relação ao total consumido, para a maioria dos alimentos. As maiores diferenças foram encontradas no grupo das outras bebidas não alcoólicas, onde o consumo fora de casa dos homens era o dobro do das mulheres.

Área rural consome duas vezes mais peixes, farinha de mandioca e mortadela

As frequências de consumo de alimentos foram maiores na área urbana do que na área rural para a maioria dos alimentos. Já as frequências de consumo de feijão verde/corda, manga, farinha de mandioca, peixes frescos, outros tipos de carne e mortadela na área rural foi o dobro da observada na área urbana.

Na área urbana, os alimentos com maior percentual de consumo fora de casa foram: cerveja (50,1%), salgados fritos e assados (40,6%), outras bebidas não alcoólicas (40,4%), bebidas destiladas (39,1%), sorvete/picolé (37,8%), bolos recheados (31,7%) e salgadinhos chips (31,5%).

Na área rural, os alimentos com maior proporção de consumo fora de casa foram as bebidas destiladas (72,8%), cerveja (63,8%), bolos recheados (42,9%), salgadinhos chips (42,9%), outras bebidas não alcoólicas (38,8%), salgados fritos e assados (34,4%), sorvete/picolé (31,3%). O percentual de consumo fora do domicílio dos refrigerantes foi idêntico para as áreas urbanas e rurais (31,1%).

Frequência de consumo de farinha de mandioca no Norte é duas vezes a do Nordeste

Entre as principais diferenças regionais na frequência de consumo, destacam-se a farinha de mandioca (40,6% na Região Norte, 20,1% no Nordeste e, no máximo, 4% no Sul, Sudeste e Centro-Oeste), o açaí (12,4% da população no Norte e por até 1% nas demais regiões) e o peixe fresco (16,6% no Norte, 8,2% no Nordeste e menos de 4% nas demais regiões).

O consumo de milho e preparações à base de milho foi relatado por 25,8% da população, enquanto nas demais regiões o consumo variou entre 6,2% e 8,6%. O consumo de feijão foi mais frequente no Centro-Oeste (72,8%), contra 44,1% (Norte) e 64,9% (Sudeste).

Consumo diário per capita de refrigerante no Sul é duas vezes o do Norte e Nordeste

O Centro-Oeste registrou o maior consumo médio per capita de arroz, feijão, carne bovina e leite integral. Sul e Sudeste concentraram as maiores médias de consumo per capita para a maioria das frutas e verduras, enquanto o Nordeste destacou-se por médias per capita mais altas de consumo de milho e preparações à base de milho e feijão verde/corda.

Já a Região Norte apresentou médias mais elevadas para o consumo de açaí, farinha de mandioca, peixe fresco e preparações à base de leite em comparação com as demais regiões. O consumo de refrigerante foi maior no Sul, sendo o dobro do consumo estimado para as Regiões Norte e Nordeste. A região Sul destacou-se também por médias elevadas de consumo per capita de massas, macarrão e preparações à base de macarrão, café e chá.

Frequência de consumo de frutas, verduras e legumes é menor entre adolescentes, exceto para açaí e batata inglesa

A frequência de consumo por grupos de idade mostrou que o percentual de adolescentes que relataram o consumo de frutas, verduras e legumes, em geral, foi menor em relação a adultos e idosos, com exceção do açaí e batata inglesa.

Já o consumo de macarrão instantâneo, biscoito recheado, biscoito doce, salgadinhos chips, linguiça, salsicha, mortadela, presunto, chocolates, achocolatados, sorvete/picolé, sucos, refrescos/sucos industrializados, refrigerantes, bebidas lácteas, pizzas, salgados fritos e assados e sanduíches foi maior em adolescentes do que em adultos e idosos. Além disso, o consumo de leite, café, chá e sopas e caldos foi mais frequente entre idosos, frente a adultos e adolescentes.

Adolescentes consomem nove vezes mais bebidas lácteas e 20 vezes mais salgados que os idosos

O consumo médio per capita da maioria das frutas, verduras e legumes o consumo foi menor entre adolescentes do que em adultos e idosos, assim como de leite desnatado, pão integral, café, chá e sopas e caldos.

Inversamente, o consumo per capita foi maior entre os adolescentes para marcadores de dieta de baixa qualidade nutricional, com destaque para: (a) biscoitos recheados, cuja média de consumo foi quase quatro vezes maior entre adolescentes (9,7 g/dia) do que em adultos (2,5 g/dia) e 16 vezes maior que a dos idosos (0,6 g/dia); (b) refrigerantes, para o qual a média de consumo foi 3,7 vezes maior entre adolescentes do que entre idosos; (c) bebidas lácteas, para as quais a média de consumo per capita em adolescentes foi 4 vezes a observada em adultos e quase 9 vezes maior que a estimada para idosos; (d) salgadinhos do tipo chips, cuja média de consumo entre adolescentes foi 4 vezes maior que a de adultos e 20 vezes a estimada para idosos; (e) sanduíches, para esse item, o consumo médio de adolescentes foi o dobro do observado para idosos; e (f) pizzas, cujo consumo médio estimado para adolescentes foi 4 vezes o de idosos.

Brasileiros com menor renda consomem mais arroz, feijão, milho, açaí e farinha

Tanto a frequência de consumo quanto o consumo diário médio per capita de arroz, feijão verde/corda, preparações à base de feijão, milho e preparações à base de milho, pão de sal, peixes frescos e farinha de mandioca foram maiores para os quartos de renda mais baixa, em comparação com os de renda mais alta, com acentuada diferença entre o primeiro e o último quartos de renda. A frequência de consumo de café diminuiu com o aumento do nível de renda, mas a média de consumo aumenta até o 3° quarto, com redução no último extrato.

Para a maioria das frutas, verduras e legumes observou-se incremento das frequências de consumo e valores per capita de consumo com as classes de renda, chegando a diferenças de até oito vezes maiores entre o último quarto em comparação com o primeiro quarto para a frequência de consumo de abacaxi e de mamão e de até dez vezes maiores para a média de consumo de pepino e abacaxi.

O consumo per capita de marcadores negativos da qualidade da dieta, como doces, pizzas, salgados fritos e assados e sanduíches também foi maior na faixa de renda mais elevada. Além disso, o consumo per capita de arroz, feijão e milho e preparações à base de milho foi maior na menor categoria de renda e o de açaí, farinha de mandioca, carnes salgadas e mortadela foi três vezes maior no primeiro quarto do que o do maior quarto de renda.

Há uma tendência de aumento de consumo fora do domicílio com o aumento da renda para muitos itens, com destaque para algumas verduras e frutas, refrigerantes (40,7% entre os de maior renda, enquanto as demais faixas de renda apresentaram percentuais inferiores a 30%); carnes bovinas e biscoitos salgados (consumo mais que o dobro entre os de maior renda comparados aos de menor renda) e peixes frescos (consumo seis vezes maior entre os de maior renda comparados aos de menor renda). Porém, o consumo fora de casa foi maior nas primeiras faixas de renda para presunto, iogurtes, salgadinhos chips e pizza.

Mais da metade das calorias consumidas vem de alimentos in natura ou minimamente processados

Considerando a classificação NOVA, que classifica os alimentos segundo o grau de processamento, pouco mais da metade (53,4%) das calorias consumidas pela população de 10 ou mais anos de idade foi proveniente de alimentos in natura ou minimamente processados, 15,6% de ingredientes culinários processados, 11,3% de alimentos processados e 19,7% de alimentos ultraprocessados.

Dentre os alimentos in natura e minimamente processados, o arroz correspondeu a 11,1% das calorias totais, vindo, a seguir, com 7,4%, a carne bovina, com 6,6% o feijão e com 5,4% carne de aves. Dentre os ingredientes culinários processados, o óleo vegetal correspondeu a 7,7% das calorias totais, seguido pelo açúcar, com 5,8%. Dos alimentos processados, o grupo de maior contribuição para as calorias totais foi o de pães (8,2%), seguido de queijos (1,6%). Já entre os alimentos ultraprocessados, a margarina correspondeu a 2,8% das calorias totais, vindo, a seguir, com 2,5%, biscoito salgado e salgadinho “de pacote” e com 2,1% os pães.

Na avaliação por faixa etária, observou-se que a participação dos alimentos in natura ou minimamente processados, assim como de ingredientes culinários processados e de alimentos processados, foi menor entre adolescentes, intermediário entre adultos e mais elevado entre idosos. Por outro lado, os alimentos ultraprocessados representaram 26,7% do total de calorias em adolescentes, 19,5% em adultos e 15,1% em idosos.

85,4% da população adicionam açúcar a café, sucos e outras preparações prontas

Além da avaliação detalhada do consumo alimentar, também foram avaliadas características gerais do consumo alimentar da população brasileira, como a adição de sal às preparações prontas, o uso de açúcar ou edulcorante artificial para adoçar alimentos, o uso de suplementos alimentares no período de trinta dias anteriores à pesquisa e a realização de algum tipo de restrição alimentar.

A adição de sal a preparações prontas foi referida por 13,5% da população e foi mais frequente em homens adultos (16,5%) e o açúcar de adição por 85,4% da população e as mulheres idosas eram o grupo que referiram o uso do açúcar em menor proporção (69,2%).

De modo geral, 19,2% das pessoas referiram o uso de pelo menos um suplemento alimentar no período de trinta dias anteriores à pesquisa, sendo 10,1% entre adolescentes, 19,2% em adultos e 34,0% em idosos. As mulheres apresentaram maior consumo, particularmente, as mulheres idosas (41,0%) que referiram em maior proporção o uso de suplementos com cálcio (21,3%) e com vitaminas (19,5%). Suplementos à base de proteínas e outros suplementos para atleta foram referidos por 1,7% da população geral.

Cerca de 13,9% da população estavam em restrição alimentar, e as prevalências mais altas eram as do sexo feminino. Restrições alimentares para emagrecer foram mais frequentes nas mulheres adultas (9,4%) e restrições alimentares relacionadas às doenças crônicas ou distúrbios metabólicos (hipertensão, hipercolesterolemia, diabetes mellitus ou doença cardiovascular) foram referidas por 26,8% das mulheres idosas e 19,1 % dos homens idosos.

Em dez anos, cai o consumo de feijão e arroz, e aumenta o de salada crua e sanduíches

Na comparação entre o consumo alimentar individual registrado na POF 2008-2009 e na atual pesquisa, observou-se que o consumo de feijão variou de 72,8% para 60,0%, enquanto as preparações à base de feijão variaram de 3,0% para 12,0%. A frequência de consumo de arroz variou de 84,0% para 76,1% e as preparações à base de arroz variaram de 1,4% para 2,8%. Houve aumento expressivo na frequência de consumo de salada crua, que passou de 16,0% para 21,8%, e para sanduíches, que variou de 8,3% para 13,8%. Aumentos de menor magnitude ocorreram para outros legumes (de 4,4% para 8,5%), aves (de 27,0% para 30,8%) e preparações à base de aves (de 0,6% para 3,6%). A frequência de consumo de carne bovina passou de 48,7% para 38,2% e a de refrigerantes caiu de 23,0% para 15,4%.

As diferenças de consumo entre as áreas urbanas e rurais, observadas em 2008-2009, se repetiram em 2017-2018. Nos dois períodos, a frequência de consumo de farinha de mandioca foi quase três vezes maior na zona rural do que na zona urbana. O consumo de salada crua aumentou tanto na zona urbana (de 17,1% para 23,0%), como na rural (de 10,2% para 14,7%). A frequência de consumo de pão integral foi de 2,1% para 4,2% na zona urbana e de 0,9% para 1,1% na zona rural. Houve aumento na frequência de consumo para a carne suína de 3,7% para 6,2% na zona urbana e de 6,3% para 9,9% na zona rural, enquanto a carne bovina teve queda de frequência de consumo em ambas as áreas.

Consumo de arroz cai no Centro-Oeste, Sul e Sudeste

Na análise por região, no Centro-Oeste, Sul e Sudeste houve uma redução na frequência de consumo de arroz de aproximadamente oito pontos percentuais, com aumento das preparações à base de arroz de 3,3% para 6,1% no Sul e de 1,5% para 4,0% na Região Centro-Oeste. O consumo do feijão verde/corda no Nordeste aumentou de 9,8% para 13,5%. A frequência de consumo de açaí no Norte foi de 9,0% para 12,4% no período, com as outras regiões apresentando ligeiro aumento, exceto a região Sudeste, que manteve o percentual. A carne bovina teve redução em todas as regiões. Para as aves houve aumento nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste, com redução no Sul e Centro-Oeste.

Consumo de frutas cai entre adolescentes

Na análise por faixas de idade, destaca-se a redução no consumo de feijão, frutas, leite e derivados, carne bovina, refrescos e refrigerantes e o incremento do consumo de aves e suínos, salada crua e sanduíches e pizzas nos três grupos etários. A diminuição no consumo de feijão e carne bovina foi similar para todos os grupos. A diminuição no consumo de frutas foi mais acentuada entre os adolescentes. Para leite, laticínios e preparações leite e derivados a queda mais significativa na frequência foi entre os adultos e a diminuição mais intensa no consumo de refrescos e refrigerantes foi observada para os idosos.

Queda no consumo de arroz é mais acentuada no extrato mais alto de renda

Houve redução na frequência de consumo de arroz em todos os quartos de renda, mas a redução mais acentuada foi no último quarto de renda: de 79,9% para 67,1%. O consumo de arroz integral também se reduziu nos três primeiros quartos de renda, mas aumentou de 4,7% para 5,2% no último quarto de renda. Algumas hortaliças como alface, tomate e batata inglesa apresentaram reduções em todas as faixas de renda, mas para repolho, batata-doce, salada crua e outros legumes houve alta em todos os extratos.

Houve redução de consumo em todas as faixas de renda para abacaxi, laranja, maçã e tangerina e aumento em todos os quartos de renda para o açaí. Para banana, mamão e outras frutas, o consumo cresceu somente nos dois quartos de renda mais alta e, para manga, somente no último quarto. Para o pão de sal houve redução geral de consumo e a mais expressiva foi na faixa de renda mais alta: de 67,3% para 48,4%. Para pão integral, a frequência quase dobrou no quarto de renda mais alta, passando de 5,2% para 9,6%.

Carne suína e aves apresentaram aumento de frequência de consumo em todas as faixas de renda. Já para o peixe fresco e os ovos só houve aumento da frequência de consumo no último quarto de renda, com redução nas demais faixas. A frequência de consumo de sucos aumentou nos dois menores quartos de renda e se reduziu nos dois maiores quartos de renda. A frequência de consumo de refrigerantes se reduziu em todas as faixas de renda, mas a redução foi mais intensa nas faixas de renda mais elevada, passando de 31,2% para 17,7% no último quarto, enquanto no primeiro quarto passou de 14,4% para 11,5%.

Cai a frequência do consumo alimentar fora de casa

O consumo alimentar fora do domicílio caiu no Brasil entre 2008-2009 e 2017-2018, passando de 40,2% para 36,5% da população. A maior redução foi observada no Norte, onde o percentual do consumo alimentar fora de casa passou de 42,6% para 30,5%. No Sudeste, a redução foi de 43,7% para 36,1% e no Sul, de 40,7% para 38,5%. Já na região Centro-Oeste, houve aumento de 42,0% para 47,7% e no Nordeste, de 33,5% para 34,8%. A contribuição média do consumo alimentar fora de casa para a ingestão diária de energia no país caiu 22% entre 2008-2009 e 2017-2018, com quedas em todas as grandes regiões.

Tanto em 2008-2009 como em 2017-2018, o consumo alimentar fora de casa foi maior entre adolescentes do que entre adultos e idosos. Os idosos apresentaram as menores proporções, ainda que tenham aumentado em cerca de 20% o consumo. Adolescentes e adultos tiveram quedas (10% e 8%, respectivamente). Além disso, a contribuição do consumo alimentar fora de casa para a ingestão diária de energia sofreu diminuição nos três estratos etários, sendo mais elevada em adultos (redução de 21%) do que em adolescentes (18%) e idosos (14%).

O consumo fora de casa na área rural foi menor do que na área urbana, entretanto, a diferença que era de 15 p.p em 2008-2009 passou a ser de 10 p.p. Essa redução se deu porque, entre os dois períodos, praticamente não houve mudança na área rural, enquanto na área urbana houve redução da ordem de 11%, tendo diminuído de 42,8% para 38,0%. O mesmo comportamento se observou quanto à contribuição percentual do consumo fora de casa para a ingestão energética total.

População ingere menos gordura saturada, mas também menos fibras

A ingestão energética média da população foi similar nos dois períodos analisados. Para a população masculina, em 2017-2018, variou de 1.709,0 kcal a 2.022,7 kcal e de 1.680,0 kcal a 1.996,6 kcal em 2008-2009, segundo os grupos de idade. Na população feminina, essa variação foi de 1.409,8 kcal a 1.681,8, em 2017-2018, e de 1.410,0 kcal a 1.752,0 kcal, em 2008-2009.

A contribuição percentual das proteínas, carboidratos e gorduras para a ingestão total de energia também foi similar nos dois períodos, variando entre 17% e 19% para proteínas, 53% e 57% para carboidratos e 28% e 30% para gorduras em ambos os sexos.

Destaca-se a redução do conteúdo em fibra da dieta, com maior intensidade entre as mulheres idosas, passando de 20,5g em 2008-2009 para 15,6g em 2017-2018. Essa redução pode indicar a deterioração da qualidade da alimentação, sendo compatível com a diminuição de consumo de feijão, que é um dos alimentos da dieta brasileira que proporciona grande parte das fibras alimentares.

Por outro lado, observou-se mudança positiva no consumo de ácidos graxos saturados cuja contribuição para a ingestão de energia apresentou redução e permaneceu abaixo de 10% nos dois sexos e nas três faixas etárias. Essa redução pode ser atribuída à redução no consumo de carne bovina.

Já o consumo médio diário de açúcar de adição (açúcar de mesa e o adicionado a preparações e alimentos processados e ultraprocessados) aumentou na comparação dos dois períodos nos três grupos etários em ambos os sexos, tanto em valores absolutos quanto proporcional ao consumo de energia, sendo mais elevado entre os adolescentes.

No entanto, a proporção de pessoas que disse usar açúcar caiu de 85,4% para 80,3%. Nesse período, aumentou de 1,6% para 6,1% da população a referência a não usar nem açúcar nem adoçante para adoçar alimentos e bebidas e o uso de edulcorantes artificiais aumentou de 7,6% para 8,5%.

Mais da metade da população ingere sódio acima do limite aceitável

A frequência da ingestão de sódio acima do limite aceitável foi de 53,5% em 2017-2018, mais elevada em homens adultos (74,2%) e reduzida em mulheres idosas (25,8%).

A POF também analisou o percentual de indivíduos com consumo abaixo da necessidade média para os minerais cálcio, magnésio, fósforo, ferro, cobre e zinco e as vitaminas A, tiamina (B1), riboflavina (B2), piridoxina (B6), cobalamina (B12), D, E, C e folato.

Cerca de 85% dos adolescentes de ambos os sexos consumiam pouco cálcio, vitamina D e vitamina E, e entre 50% e 85% deles ingeriam pouco magnésio, fósforo, vitamina A e piridoxina.

Entre os adultos, os nutrientes com inadequação maior que 85% foram cálcio, vitamina A, piridoxina, vitamina D e vitamina E, para ambos os sexos. Magnésio, vitamina A, tiamina e riboflavina apresentaram inadequação entre 50% e 85%.

Para os idosos de ambos os sexos, os nutrientes com prevalências de ingestão inadequada acima de 50% foram cálcio, magnésio, vitamina A, tiamina, piridoxina, vitamina D e vitamina E. Para idosos do sexo masculino, em 2017-2018, a prevalência de inadequação de ingestão de magnésio também foi expressiva (80,5%), e, para as mulheres idosas, chama atenção a ingestão inadequada de folato, que chegou a 50,2%.

Fonte: Agência IBGE Notícias, 21/08/2020 10h00 | Última Atualização: 21/08/2020 10h00.

Pessimismo com economia aumenta e 2 em cada 3 brasileiros temem crise, diz Datafolha

Funcionários medem temperatura de clientes antes de entrar em shopping em Brasília – Evaristo Sá – 27.mai.2020/AFP

A percepção de que a crise causada pelo coronavírus terá efeitos negativos duradouros sobre a economia do país disparou no último mês.

Pesquisa realizada pelo Datafolha nos dias 25 e 26 de maio revela que dois em cada três brasileiros —68% dos 2.069 entrevistados pelo telefone— acreditam que a pandemia afetará a atividade produtiva por muito tempo.

A parcela representa um aumento substancial em relação aos 56% que tinham essa visão em abril.

No primeiro levantamento em que essa pergunta foi feita, em março, metade dos entrevistados achava que o efeito econômico da pandemia seria de longo prazo.

Naquele momento, 44% ainda apostavam que a atividade seria afetada por pouco tempo. Agora, apenas 27% disseram acreditar nesse cenário menos pessimista.https://s.dynad.net/stack/928W5r5IndTfocT3VdUV-AB8UVlc0JbnGWyFZsei5gU.html

A piora de percepção pode ser motivada pelo fato de que muitos já têm sido, diretamente, afetados pela crise.

A pesquisa mostra que, entre os brasileiros que possuem trabalho, 59% relatam terem amargado redução de jornada e renda em consequência da pandemia.

Por trás do número expressivo, há diferenças segundo o tipo de inserção do entrevistado no mercado laboral.

A parcela dos que foram atingidos por cortes de jornada e rendimentos é de 48% entre os que atuam no setor formal e 72% entre os empregados no segmento informal.

Há também distinções de acordo com o tipo de ocupação.

Entre os empregados com carteira assinada, 43% disseram estar trabalhando e ganhando menos. Essa fatia cresce para 51% entre os empregados sem registro e dispara para 78% entre autônomos, profissionais liberais e empresários.

Alguns segmentos da população são, especialmente, críticos à resposta econômica do governo à crise da Covid-19.

A percepção de que as ações nessa área têm sido insuficientes chega a 52% dos brasileiros de 25 a 34 anos, caindo para 41% entre aqueles com mais de 60 anos.

Entre a população com ensino superior, 57% do total acham que o governo faz menos do que deveria. No grupo com ensino fundamental, a fatia dos mais críticos é de 37%.

No recorte por renda, a visão negativa em relação à resposta econômica da gestão Bolsonaro à crise é maior entre os que ganham mais.

Mais da metade dos brasileiros com rendimento familiar mensal acima de cinco salários mínimos acham que o governo tem feito menos do que deveria. Entre os que recebem até 2,5 salários mínimos, os que compartilham dessa visão somam 43% do total.

Fonte: Érica Fraga, Folha de S.Paulo, 29.mai.2020 às 12h00.

Crise trazida pela pandemia acelera o empobrecimento do brasileiro

Em 2000, renda no Brasil era 9% maior que a média mundial; neste ano, deve ser 19% abaixo da média

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crise econômica causada pelo novo coronavírus deverá acelerar o empobrecimento do brasileiro em relação à média da população mundial, iniciado em 2015.

Segundo dados da consultoria britânica EIU (Economist Intelligence Unit), a renda per capita do Brasil recuará de US$ 16.670, no ano passado, para US$ 15.910, em 2020.

Esses valores são aferidos em paridade do poder de compra (PPC), medida que considera e nivela as diferenças nos custos de vida dos países para permitir comparações internacionais.

Se a projeção da consultoria se confirmar, a renda média do brasileiro encerrará este ano 18,6% abaixo da média mundial, que deverá cair para US$ 19.550, um pouco abaixo dos US$ 19.730 registrados no ano passado.

A diferença reflete uma forte reversão ocorrida nos últimos anos. Em 2000, a renda per capita do Brasil (em PPC) era 9% superior à do cidadão global médio. Essa vantagem relativa se manteve
—ora maior, ora menor— até 2014, quando teve início uma das mais severas recessões da história do país.

A crise colocou o Brasil em uma espiral de empobrecimento tanto absoluto —a renda per capita em reais caiu— quanto relativo, levando o poder aquisitivo de países diversos, como China, Costa Rica, Botsuana e Iraque, a ultrapassar o do brasileiro.

A lenta retomada da economia a partir de 2017 não foi suficiente para alterar esse processo de distanciamento entre a renda brasileira e a de outros países, e, com a crise econômica provocada pela pandemia de Covid-19, a situação tende a piorar.

A EIU, braço do grupo que publica a revista The Economist, foi uma das primeiras a reduzir, drasticamente, sua projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, após a eclosão do coronavírus. A consultoria espera uma contração de 5,5% da atividade econômica do país neste ano.

Logo em seguida, o Banco Mundial e o FMI (Fundo Monetário Internacional) também ajustaram significativamente suas estimativas. As duas instituições multilaterais projetam recuos de 5% e 5,3%, respectivamente, do PIB brasileiro em 2020.

Entre os analistas brasileiros, as projeções, compiladas pelo Banco Central, vêm se deteriorando semana após semana e, atualmente, indicam uma recessão de 3,3%.

“Esse foi um golpe terrível justamente quando o Brasil parecia se levantar de novo e caminhar para um crescimento superior a 2% de forma mais sustentável”, diz Robert Wood, economista-chefe da EIU para a América Latina.

Ele destaca que, embora o cenário do país ainda fosse frágil, o desemprego vinha caindo lentamente e havia alguma perspectiva de reformas estruturais, como a tributária, apesar do ruído político.

Agora, afirma o analista, o Brasil terá algum poder de fogo para mitigar o efeito da pandemia, mas não tanto quanto outros países.

“Por isso, o sofrimento, particularmente dos mais pobres, será mais severo no Brasil”, diz Wood.

“E há o desafio extra de implementar os programas de assistência anunciados,
como os vouchers [de R$ 600] para os mais vulneráveis, em um contexto de alta informalidade e fraquezas institucionais”, completa ele.

No primeiro trimestre do ano, 1,218 milhão de pessoas ficaram desempregadas
—dois terços deles atuavam na informalidade—, levando a taxa de desocupação a subir para 12,2%, segundo o IBGE.

De acordo com Wood, o cenário brasileiro é complicado também pela falta de consenso e coordenação em relação às medidas de afastamento social contra a Covid-19.

“Isso é algo problemático, que não tem sido tão visto em outros países onde há maior unidade de propósito, incluindo até os Estados Unidos”, afirma o especialista.

A fraqueza anterior da economia brasileira, somada à turbulência institucional recente e à falta de coordenação nas respostas à pandemia, pode agravar a crise econômica.

A queda de 5,5% esperada pela EIU para o Brasil é mais do que o dobro da contração de 2,5% projetada para a economia global.

Isso contribuirá para aumentar o crescente hiato de renda que separa o Brasil da média mundial e de outros emergentes, como a China.

Segundo a consultoria britânica, apesar de sofrer uma forte desaceleração, a atividade econômica no país asiático encerrará 2020 com uma pequena expansão de 1%.

Com isso, o poder aquisitivo do brasileiro (em PPC) ficará quase 30% abaixo do chinês neste ano. Essa distância representa uma mudança brutal em relação ao verificado no início da década de 1980, quando a renda per capita brasileira era 15 vezes maior do que a chinesa.

Segundo o economista Samuel Pessôa, mesmo se considerados apenas os últimos anos, o distanciamento entre os dois países foi significativo. Isso porque o PIB per capita chinês (em PPC) atingiu o mesmo nível que o brasileiro apenas em 2016.

“Essa abertura de quase 30% de diferença em apenas quatro anos é muito grande”, diz ele, que é colunista da Folha e pesquisador do Ibre-FGV.

“Isso é fruto da nossa tragédia e do desempenho espetacular da China”, afirma.

O economista ressalta que há limites para a replicação das políticas adotadas no país asiático, que vive sob um regime autoritário, em nações democráticas, como o Brasil.

“Eles têm atrasado o processo de urbanização e, portanto, o crescimento desordenado das cidades, porque restringem a mobilidade das pessoas”, cita o economista.

No entanto, há aspectos reproduzíveis do desenvolvimento de países asiáticos, como a valorização da educação e a preocupação com a poupança.

“Nesses países, não há servidores públicos com renda como a do Brasil, não tem criança não estudando, o consumo é mais moderado e as famílias têm reservas”, diz.

Na América Latina, alguns desses fatores que conduzem ao crescimento não são tão presentes como na Ásia. No Brasil, tanto a taxa de poupança quanto a de investimento estão, há anos, estagnados em patamares muito baixo e a qualidade da educação permanece baixa.

Mas, de acordo com Pessôa, há países na região que têm conseguido melhor desempenho relativo, como Chile, Colômbia e Peru.

Para analistas, o fato de o Brasil ter sido atingido pela pandemia com a economia ainda desequilibrada poderá complicar o cenário de recuperação do país mais do que o de outras nações.

Wood, da EIU, diz que uma de suas preocupações é o impacto negativo que o inevitável aumento da já elevada dívida pública brasileira terá sobre as finanças do governo.

Outra é o risco de que muitas pequenas e médias empresas sejam afetadas de forma permanente e acabem falindo. Esses dois fatores, diz o analista, limitarão o potencial de crescimento do Brasil nos próximos anos.

De acordo com especialistas, seria positivo se os efeitos devastadores da crise criassem ímpeto para a realização de reformas necessárias que vinham sendo discutidas antes da pandemia, como a tributária.

“Há frentes nas quais podemos avançar, como aumentar os impostos pagos por profissionais de renda alta que atuam como PJs [pessoas jurídicas]”, afirma Pessôa.

Wood acrescenta que, após a pandemia, os investidores observarão o avanço do Brasil em sua agenda de reformas. Mas, para ele, a proximidade do ciclo eleitoral de 2022 e o cenário político conturbado tornam as perspectivas de progresso nessa frente mais sombrias.

Fonte: Érica Fraga, Folha de S.Paulo, 3/5/2020.

Brasileiro voltou a comprar mais do que produtos básicos, revela pesquisa da Nielsen

O consumidor brasileiro conseguiu retomar a compra de produtos além dos itens mais básicos. A constatação é do estudo da Nielsen 360° Consumer View, realizado entre os meses de outubro de 2018 e setembro de 2019, e cujos resultados acabaram de ser divulgados. Esse movimento havia sido interrompido desde 2015, influenciado pelo longo período de recessão, desemprego alto e renda em queda.

A principal razão para a retomada da compra de itens não básicos por parte dos brasileiros é a busca pelo trabalho informal como alternativa para complementar os ganhos ou mesmo como fonte principal de renda. “Lares com renda informal retomaram a compra de mimos graças à alternativa de renda. Antes o consumidor vivia apenas reduzindo despesas e enxugando o orçamento. Está havendo uma mudança de comportamento”, analisou Ricardo Alvarenga, especialista da Nielsen.

De acordo com a pesquisa 360° Consumer View, quatro em cada dez brasileiros estão na informalidade, seja exclusivamente ou como alternativa de complementação da renda. Isso significa que, neste ano, 16 milhões de lares recorrem ao trabalho informal em seus rendimentos, sendo que em 7 milhões desses domicílios nenhum morador possui emprego formal.

O estudo, baseado principalmente na pesquisa realizada junto ao Painel de Lares da Nielsen, composto por 53,4 milhões de domicílios, mostra que o apoio da renda informal ajuda os consumidores a colocar no carrinho de compras produtos e marcas que haviam sido retirados. Essa renda adicional, claro, ajuda no pagamento de dívidas, mas também influencia maior desembolso com gastos secundários e supérfluos, o que inclui manicure, lazer, vestuário e calçados. “O cenário ainda não é de retomada total do consumo, mas há uma diminuição das restrições de gasto e uma redução do aperto que verificamos nos últimos anos”, pondera Alvarenga, da Nielsen.

(Fonte: SA Varejo, 06 de novembro de 2019)