SingularityU Brasil Summit — Dia 2

David Roberts — Foto: Openspace

Se o primeiro dia do SingularityU Brasil Summit foi de sonhar e imaginar, o segundo, e último, mostrou como essas ideias estão sendo colocadas no papel e os obstáculos para que elas possam ser utilizadas.

Os humanos são péssimos com mudanças

“Houve uma época em que os discos de vinil eram importantes, eu tinha vários. Depois lançaram os CDs, e eu comecei uma nova coleção. Aí veio uma empresa californiana que criou um novo formato para a música, que permitia criar playlists e ter milhares de canções em seu computador. E eu comprei minha coleção de música uma vez mais.” Quem conta essa história poderia ser eu, ou você, porque certamente já passamos por isso. Mas foi Larry Keeley, estrategista que trabalha há mais de três décadas para desenvolver métodos de inovação mais efetivos. E continua: “Agora tenho certeza que estão trabalhando em um novo formato que vai me fazer comprar tudo de novo. Não sei o que vai ser, se vão me dar passes para o backstage da Beyonce ou se vou ver as letras das músicas no ar enquanto as escuto. Mas estou convencido que sua estratégia é me fazer comprar todas as 33 mil músicas que eu já comprei uma vez. Mas eu não vou fazer isso. Porque tenho streaming. Posso escolher uma playlist para um jantar ou para me concentrar no trabalho, porque existem milhares de pessoas dizendo pra essa plataforma o que funciona nessas ocasiões.”

Mas por que, depois de completar sua coleção três vezes, ele acha que vai continuar preferindo o streaming que o próximo formato de escutar música? “Bem, o problema é os humanos são péssimos com mudanças”. Porém, além disso, as grandes inovações, segundo ele, seguem sempre o mesmo padrão:

· a nova tecnologia precisa parecer mágica,
· a experiência tem que ser incrível,
· e o preço que pagamos por ela deve parecer justo.

Em sua palestra, que abriu o segundo dia do SingularityU Brasil Summit, Keeley resumiu partes de seu livro Ten Types of Innovation, que você pode ver aqui, e também deu muitas dicas valiosas. “Os ecossistemas são o que importam no mundo moderno. A inovação, hoje, não é criar algo novo e sim juntar várias coisas que já existem e funcionam bem juntas.”

“O olhar que não está amarrado aos paradigmas é o grande impulsionador do processo de inovação”

As ferramentas para isso já estão aí e abertas para qualquer um. Mas sempre que falamos em inovação, pensamos em adolescentes ou gente muito jovem no geral, não? Bem, a palestra seguinte, do empreendedor Plínio Targa, mostra que não é bem assim.

Foi a ideia de um senhor de 80 anos que o levou a criar a Braincare . Tudo bem que esse senhor é o Sérgio Mascarenhas, que já trabalhou com dois prêmios Nobel e fundou a Universidade Federal de São Carlos, mas ainda assim… A empresa é responsável por desenvolver um sensor que conseguiu revelar, pela primeira vez, de maneira não invasiva, o perfil do comportamento da pressão intracraniana durante um ciclo cardíaco. Isso pode não dizer nada para você, mas basta saber que, até então, a única maneira de fazer isso era perfurando o cérebro. A nova tecnologia permite fazer o procedimento de maneira não invasiva, acessiva, fácil e simples. “O olhar que não está amarrado aos paradigmas é o grande impulsionador do processo de inovação”, cravou Targa.

Estamos robotizando as crianças e humanizando os robôs

Finalizando esse bloco, a brasileira Tonia Casarin falou sobre educação, e a mensagem foi basicamente a mesma da Vivienne Ming ontem: estamos robotizando as crianças, preparando-as para testes, e ao mesmo tempo tentamos humanizar robôs, gastando tempo e dinheiro em ambos os processos.

Tonia, que é mestre em Educação pela Universidade de Columbia, em Nova York, centrou seus estudos na teoria de que o que sentimos impacta a forma como pensamos. Portanto, as emoções estão relacionadas com as nossas decisões.

Para entendermos melhor, ela usou o exemplo das crianças que, por volta dos três anos, expressam sua raiva mordendo. Segundo ela, isso acontece porque elas ainda não têm o repertório, o vocabulário, para expressá-la de outra maneira. E para ajudar a resolver esse problema, escreveu o livro Tenho um Monstro na Barriga, que ajuda a nomear as sensações e, com isso, aumenta o bem-estar, o sucesso e a felicidade. Não à toa, exatamente o que todos os pais desejam a seus filhos.

Tecnologia aplicada na geração de impactos positivos

A sexta sessão do SingularityU Brasil Summit trouxe um panorama de como a tecnologia exponencial já está sendo usada para impactar de maneira positiva diferentes áreas do cotidiano.

O antropólogo brasileiro Francisco Araújo, que trabalhou anos na ONG Viva Rio, abriu o bloco explicando os conceitos de escassez social e defasagem cultural. A escassez social, segundo ele, não se refere à indisponibilidade de recursos, mas à distribuição de habilidades: “É um problema de software social, não de hardware.”

Ele explica que o ritmo da inovação hoje faz com que em pouco tempo absorvemos conhecimentos que nossos antepassados levavam anos ou séculos para adquirir. “E mesmo assim algumas civilizações não acompanharam essas novas tecnologias e desapareceram”, diz.

Se antes os ciclos de inovação duravam entre 40 e 60 anos, hoje tudo acontece ao mesmo tempo. Porém, ainda tem sempre alguém que fica para trás. Por isso o termo “defasagem cultural”.

As abordagens tradicionais para lidar com esse desafio já não funcionam, segundo ele. “A linguagem que evolui mais rápido são os algoritmos, pela capacidade de atrair nossa atenção e nosso dinheiro. Mas quando pensamos na área social, não pensamos em utilizar essa linguagem para resolver os problemas. É preciso digitalizar o impacto. É preciso pensar do ponto de vistas dos sistemas”, concluiu.

Na sequência, o engenheiro e biólogo Raymond McCauley mostrou o que podemos esperar da área da biologia digital para os próximos anos. A velocidade das mudanças, aqui, é ainda mais impressionante.

Quando sequenciaram o genoma humano pela primeira vez, em 2001, o custo foi de 3 bilhões de dólares. Hoje, qualquer pessoa pode enviar amostras de seu DNA para uma empresa e descobrir, por apenas alguns dólares, de onde vieram os seus antepassados ou se o bebê de sua mulher é realmente seu filho. Mas a importância disso obviamente não para aí. Ao explorar seus genes você pode detectar doenças que ainda não apresentam nenhum sintoma. “Em 10 anos isso pode potencialmente acabar com o câncer”, diz McCauley. “Você faz um exame de sangue, analisa seu DNA e, se tiver câncer, você faz alguma coisa a respeito!”

O próximo passo, depois de aprender a ler o genoma, é reescreve-lo, “reprogramar a vida”. Hoje já existem centenas de estudos na área da biologia industrial, ou biologia sintética, para criar alimentos e biocombustíveis. Os chamados “organismos geneticamente modificados 3.0”. Segundo ele, o Brasil é um dos países que mais investe nessas novas tecnologias: já está no segundo lugar entre os que mais cultivam OGMs (principalmente cana de açúcar e soja) e é o que mais cresce nessa área.

“Mas o mais interessante pra mim é a agricultura celular: como conseguir bacon sem matar nenhum porco.”, reconhece o cientista. Além da discussão gastronômica — e, principalmente, ética — que levanta essa questão, ela pode responder também por outro problema: a crise de produção de proteína. “Estamos produzindo mais carne, mas não é suficiente, porque conforme os países ficam mais ricos, as pessoas querem comer mais esse tipo de comida. O consumo de carne na China já é o dobro dos EUA, e o Brasil vem logo atrás”, afirma.

Porém, sempre que se fala de tecnologias disruptivas que podem trazer tantos benefícios, é preciso pensar também como ela pode ser usada com objetivos menos humanitários. O que fazer quando se tem acesso à tecnologia potencialmente mais perigosa que a raça humana já criou? “Coloque na mão de uma criança de 5 anos, ensine a ela o mais rápido possível como trabalhar o DNA”, responde ele. “O que estamos tentando fazer é começar uma revolução. Uma revolução científica pacífica. Minha visão é que quando algo de ruim acontecer no futuro, eu quero que existam cem mil pessoas capazes de consertar isso, e quero que sejam nossos filhos.”

Brasil, o país do futuro na geração de energia e alimentos

O primeiro evento da Singularity University no Brasil apresentou diversos exemplos da presença de brasileiros em projetos que estão gerando grande impacto em todo o mundo. Mas nenhuma sessão do SingularityU Brasil Summit mostrou de forma tão clara que podemos, sim, ser o país do futuro como a que juntou Ramez Naam, Mariana Vasconcelos e Fábio Teixeira.

“A revolução energética está aqui e o Brasil está pronto para tomar a dianteira”, afirmou o cientista da computação, futurólogo e autor premiado Ramez Naam, abrindo o sétimo painel do evento. Segundo ele, o preço da energia eólica e solar vem caindo de maneira notável nos últimos anos: “O custo dos painéis solares diminuiu 250 vezes em 40 anos, e a energia eólica é hoje 15 vezes mais barata que há 26 anos”.

E o que isso significa para um país que depende basicamente de hidrelétricas? “O Brasil é um país que tem sol o ano todo, e os ventos aqui também são ótimos”, garante Naam. “Construir uma hidrelétrica é três vezes mais caro que um parque eólico, e traz consequências devastadoras para o meio-ambiente e as populações que vivem nessas áreas”.

A indústria automobilística tem interesse direto nessas novas tecnologias. Nos próximos anos veremos cada vez menos carros e caminhões dependentes dos combustíveis tradicionais, que serão substituídos por veículos movidos a energia elétrica. “Isso afeta diretamente o Brasil, exportador de petróleo e de carros”, assegurou o cientista, que terminou sua participação jogando uma pergunta para a plateia, composta por muitos executivos da área e membros do governo: “Como isso afeta a Petrobras? E a indústria do etanol?”

Considerada umas das cem pessoas mais influentes no agronegócio brasileiro, Mariana Vasconcelos abriu sua palestra afirmando que até 2030 cerca de um terço de todos os alimentos do mundo serão produzidos no Brasil. Além disso, para atender a demanda da população, será preciso aumentar a produção em 70% até 2050. E a tecnologia é quem deve ser responsável por isso.

“Os grandes desafios hoje são as mudanças climáticas, que afetam a produção, e os novos consumidores, que querem saber de onde vem a comida que estão comendo, se a produção é sustentável”, afirmou Mariana.

A solução, segunda ela, é ter uma visão sistêmica do negócio. “O segredo são os dados. Hoje o produtor tem informações em tempo real sobre o ambiente (solo e clima, entre outros) e a operação (máquinas e custos, por exemplo). A partir disso é possível criar modelos para antecipar manifestações de pragas, dizer ao produtor a quantidade de água a usar, prever o clima e desenvolver genéticas melhores que se adaptem ao ambiente.”

O uso da tecnologia para resolver os desafios na produção de água, comida e energia também é o campo de estudos do brasileiro Fábio Teixeira, primeiro indivíduo no mundo a conquistar uma bolsa integral para cursar o prestigiado programa da Singularity University, situada no campus da NASA, na Califórnia.

Em alguns meses, seu projeto, HyperCube, será levado à estação espacial internacional para mapear uma quantidade imensa de dados na Terra (100TB, ou 90 mil filmes em alta definição do Netflix, a cada 90 segundos!) que vão servir para criar modelos para prever e descobrir padrões para o agronegócio, e com isso oferecer subsídios para produzir nas próximas décadas mais comida do que produzimos nos último 10 mil anos. Pragmático, Fábio afirma “o futuro não é algo para se prever, é algo para se influenciar.”

Você prefere ser rico ou feliz?

A maratona de palestras disruptivas do SingularityU Brasil Summit, que foram aumentando exponencialmente a sensação de que o mundo vai ser um lugar cada vez mais incrível, terminou com uma palestra de duas horas de David Roberts, considerado um dos melhores especialistas do mundo em inovação disruptiva e tecnologias de avanço exponencial.

E para alguém com essas credenciais, não causa surpresa que, no dia de sua apresentação, ele tenha acordado cedo e resolvido mudar tudo, trazendo um conteúdo exclusivo para a plateia brasileira. Em “10 Leapfrogs for Brazil” (algo como “10 maneiras do Brasil dar um salto”), ele passou por diversos dos conceitos apresentados durante os dois dias de evento, aplicando-os à realidade brasileira.

Durante cerca de duas horas, Roberts mostrou caminhos possíveis e animadores para resolver os grandes e conhecidos problemas do país. A começar pelo governo. “Quando acontecem coisas ruins, somos o tipo de espécie que transforma isso. Então eu acredito que os desafios que temos com nossos governos, que afetam nossos negócios e vidas pessoais, podem nos dar esperança”, declarou.

Na sequência, mostrou uma série de tabelas comparando o PIB brasileiro com o de outros países, em que aparecemos entre a sétima e a nona posição (“Vocês estão muito bem!”). Depois, chegou ao PIB per capita, e aí o Brasil cai para o 65o. lugar. Porém, segundo ele, essas não são as melhores métricas para se analisar um país. “A felicidade pode ser uma boa medida. Ao olhar através dos anos, o brasileiro se mostra cada vez mais feliz. Você prefere ser rico ou feliz?”, perguntou.

Daí partiu para a receita que considera ideal para o país: focar nas novas tecnologias, e chegar a elas antes dos outros. “Quando eu era pequeno havia muito investimento em infraestrutura nos EUA para levar telefones para todas as casas. E a América do Sul em geral estava muito atrás. Mas quando vieram os telefones celulares, isso não importava mais, porque a nova tecnologia wireless não precisava de fios. Então isso é o leapfrog.”

E como dar esse salto? Aqui estão algumas das ideias de David Roberts para diversas áreas:

· Transporte: “O custo de construir e manter a malha rodoviária é muito alto. Com o país ficando mais rico, as pessoas querem ter carros. E isso gera trânsito, que leva à perda de tempo e dinheiro. Hoje já temos os carros voadores: são os drones! Eles são mais baratos e econômicos que um carro, e não necessitam estradas. Além disso, com a realidade virtual, nem vamos querer ir a lugar nenhum.”

· Dinheiro: “Imagine se o Brasil se juntasse com outros países da América do Sul e criasse uma moeda comum? Lidar com dinheiro é complicado: é difícil de produzir, transportar e guardar. E essas são algumas das razões para usar as criptomoedas. O Brasil pode tomar a dianteira nisso, leapfrog tudo que tem a ver com dinheiro. Seu país é o que tem mais probabilidade de conseguir isso, porque com 200 milhões de habitantes, com certeza seria a moeda mais aceita no mundo.”

· Trabalho, fronteiras e imigração: “Vocês estão cercados por outros países que não são líderes. Sem essa rede, como na Europa, o crescimento é muito mais lento. Como resolver o problema? Com tecnologia. A ideia de que a automação pode roubar o emprego das pessoas é o maior mito em relação à ela. Países com menos automação têm maiores taxas de desemprego. E a tecnologia permite que trabalhemos em qualquer parte do mundo sem sair de nossa casa.”

· Educação: “Estamos ensinando as pessoas da mesma maneira há 100 anos. Temos que começar a estudar as coisas que fazem com que tenhamos uma vida melhor. Harvard tem um curso de como ser feliz, por exemplo.”

· Medicina: “E se construímos vírus do bem? Que cure sua miopia, por exemplo. Quase todas as 30 mil doenças conhecidas poderiam ser curadas assim.”

E para terminar, como leapfrog você mesmo? “Muita gente quer fazer alguma mudança em sua vida, mas diz que não tem coragem. Sabe o que fazer? Cultive a compaixão por um grupo de pessoas — sua família, sua comunidade, seu país — e a coragem vem de graça. Todas as pessoas que mudaram o mundo fizeram isso, sem precisar de dinheiro nem poder. Elas cultivaram seu caráter.”

Fonte: Bradesco Medium

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Inteligência Competitiva Empresas: Bancos fecham recorde de 1,5 mil agências no Brasil em 2017

Após o sistema financeiro do país ter fechado um recorde de quase 1,5 mil agências em 2017, os maiores bancos de varejo no Brasil planejam suavizar o ciclo de redução do número de agências neste ano, enquanto avaliam qual o melhor uso da rede física para gerar mais receitas.

Segundo dados do Banco Central, os bancos encerraram o ano passado com 21.062 agências em funcionamento, 1.485 a menos do que em 2016, a maior redução da série.

O movimento foi liderado pelo Banco do Brasil, que sozinho fechou 670 agências, dentro de um processo de redução de custos que também envolveu um programa de demissão de voluntária (PDV) para cerca de 10 mil empregados.

O Bradesco encerrou 564 agências, em meio ao forte esforço de ajuste após a compra do HSBC, em 2016, operação que acrescentou cerca de 850 postos físicos ao grupo. A rede do Itaú Unibanco diminuiu em 125 postos e a Caixa Econômica Federal encerrou 18 agências. O Santander Brasil foi o único entre os cinco maiores do país a ampliar a rede, com 3 agências a mais.

Embora o pano de fundo desse movimento, o foco no ganho de eficiência e redução de custos, deve seguir uma ênfase dos bancos para este ano, com previsão de que os custos administrativos cresçam no máximo a inflação do período, o ritmo de redução de agências vai diminuir, ou até parar.

“Há uma vantagem competitiva em ter uma rede de agências ampla como a que temos”, disse nesta semana Octavio de Lazari, no dia em que foi nomeado futuro presidente-executivo do Bradesco, cargo que deve assumir em março.

O Itaú Unibanco, que nos últimos anos têm feito investimentos relevantes para multiplicar sua base de agências digitais, que atendem os clientes remotamente, também vai moderar no ajuste da rede física, após ter fechado 380 unidades nos últimos três anos, entre agências e postos de atendimento, mesmo com a incorporação de uma rede de cerca de 70 postos com a compra do Citi, também em 2017.

“Não vamos fechar grande número de agências num futuro próximo”, disse o presidente-executivo do Itaú Unibanco, Candido Bracher, durante apresentação na terça-feira sobre os resultados do quarto trimestre.

O BB, após a forte contração da rede física em 2017, passou a fazer ajustes linha fina na sua estrutura, definindo fechamento ou abertura de agências por questões pontuais, como segurança. A exemplo do que já fizera no ano anterior, o BB fechou algumas unidades em cidades do Nordeste que foram várias vezes alvos de explosões.

“Nestas cidades, continuamos atendendo clientes por meio de unidades do Banco Postal”, disse um alto executivo do banco sob condição de anonimato, referindo-se à parceria que o BB tem com os Correios para serviço de correspondente bancário.

A desaceleração dos bancos no ritmo de redução da estrutura de agência ocorre no momento em que as instituições financeiras têm preferido esperar para decidir qual o melhor uso dessas estruturas. Segundo executivos dos próprios bancos, há limites para negócios financeiros que operam apenas com canais digitais, já que oportunidades de interação com os clientes são perdidas.

Inteligência Competitiva Empresas: O novo presidente do Bradesco

https://i1.wp.com/www.valor.com.br/sites/default/files/imagecache/media_library_560/gn/18/02/foto06fin-101-brade-c8.jpgTrabuco, Brandão e Octavio de Lazari Junior

O Bradesco surpreendeu, mas honrou a tradição ao escolher o seu quinto presidente em 75 anos de história. Octavio de Lazari Junior, indicado para assumir o comando do segundo maior banco privado brasileiro, corria por fora nas bolsas de aposta de quem sucederia Luiz Carlos Trabuco Cappi. Mas reúne as credenciais que o banco costuma apreciar para o cargo.

Lazari é prata da casa – começou a trabalhar no Bradesco aos 15 anos, o que lhe dá quase 40 anos de banco. Foi tirado dos gramados do Palmeiras, onde jogava nas categorias de base, para trabalhar na agência do bairro paulistano da Lapa, onde o pai mantinha conta.

Bem ao estilo do banco com sede na Cidade de Deus, Lazari começou como office boy e foi avançando na carreira até chegar ao comando da Bradesco Seguros, função que, por enquanto, vai manter. Ao assumir o cargo em maio do ano passado, foi promovido à condição de vice-presidente, o que o colocou na linha de sucessão do Bradesco.

Com 54 anos de idade, é um dos mais jovens executivos do primeiro escalão do Bradesco, e isso garante a possibilidade de uma presidência longeva. O limite de idade para ocupar o cargo, alterado para 67 anos na gestão de Trabuco, voltará a ser de 65. “A escolha preserva o modelo de gestão do banco, que é baseado no consenso”, afirmou Trabuco, poucas horas depois do anúncio da decisão sobre a qual se debruçou nos últimos meses.

A sucessão no Bradesco estava prevista para ocorrer apenas em 2019, mas foi acelerada depois de Lázaro de Mello Brandão renunciar à presidência do conselho de administração, em outubro passado. Com a decisão, Trabuco acumulou o cargo com o comando do banco e marcou a data da mudança na presidência para março deste ano.

A indicação foi recebida com total surpresa dentro do Bradesco, segundo apurou o Valor.

Em conversas reservadas, nem mesmo Lazari dizia esperar por uma nova promoção pouco tempo depois de ter assumido o comando da seguradora.

O nome de Maurício Minas, vice-presidente responsável pela área de tecnologia, era apontado como o favorito nos corredores da Cidade de Deus. Porém, se fosse escolhido, interromperia a tradição do banco de ter presidentes Bradesco honra tradição com escolha de Lazari.

Fontes: Talita Moreira, Vinícius Pinheiro e Vanessa Adachi, Valor, 06/02/2018 – 05:00

Inteligência Competitiva: Bradesco lança Next com irreverência

A irreverência, característica que não é associada ao Bradesco, será a principal arma de venda do Next – banco digital que, após um período de quatro meses funcionando apenas para usuários convidados, agora se prepara para um lançamento de massa. Para se relacionar com o público de 18 a 34 anos, a agência R/GA foi atrás de um ícone do deboche: o filme Se Beber, Não Case. A primeira campanha do Next será estrelada pelo ator Ken Jeong, que interpretou o personagem Mr. Chow na trilogia.

O diretor de marketing do Bradesco, Márcio Parizotto, diz que a intenção da campanha foi criar uma identidade de marca independente para o banco digital. “Foi uma opção estratégica. É um posicionamento completamente distinto da marca-mãe”, frisou o executivo. “O Next terá um posicionamento dissociado do praticado pelo Bradesco, mas sem negar que se tratam de empresas do mesmo grupo. O Bradesco vai estar presente no cartão de débito e em outras assinaturas, mas o Next é um projeto distinto, para um público diferente.”

Mídia & MKT
Primeira campanha do Next, do Bradesco, será estrelada por Ken Jeong, do filme ‘Se Beber, Não Case’ Foto: RGA/Bradesco
O Next, segundo o vice-presidente do Bradesco, Maurício Minas, é dedicado aos clientes de idade entre 18 e 34 anos e que passam a maior parte do dia conectados. Segundo ele, nos quatro meses em que o aplicativo funcionou como um “clube fechado” – com 150 mil inscrições, mas apenas 20 mil usuários aprovados –, foi possível perceber que as pesquisas que antecederam o lançamento acertaram o perfil da clientela: 81% das pessoas que já usam o app Next se encaixam na faixa etária projetada.

Embora uma exibição dos filmes na TVcom Ken Jeong não esteja descartada, a intenção do Bradesco é fazer a comunicação do Next pela internet. A partir de hoje, a intenção é que os consumidores que acessarem sites de notícias, navegarem por redes sociais e ferramentas de busca não consigam “fugir” do rosto de “Mr. Chow” apresentando as funções do Next de forma bem humorada.

A produção completa criada pela R/GA tem quase 3 minutos de duração, mas, como é dividida em “capítulos”, será exibida também em versões mais curtas, de 30 e 60 segundos. Segundo Minas, do Bradesco, o público-alvo do Next são os millennials. A instituição calcula que esse perfil reúna atualmente entre 35 milhões e 40 milhões de brasileiros.

Concorrência. O Next chega para disputar o mercado com mais agressividade em um momento em que outros serviços financeiros digitais começam a ganhar musculatura. Embora ainda não tenha se tornado um banco completo, como o Next, a startup Nubank anunciou na semana passada uma conta corrente sem cartão de débito. Por enquanto, o serviço está em fase de testes, mas a empresa pretende abrir a NuConta para todos os seus 2,5 milhões de clientes já nas próximas semanas.

Fonte: Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo, 30 Outubro 2017 | 05h00 

Inteligência Competitiva Empresas: Posicionamento do Bradesco muda para refletir Brasil atual

S11 ARQUIVO 12/04/2017 ECONOMIA Campanha de reposicionamento do Bradesco, feita pela agência Publicis Crédito: Bradesco/Publicis

O Bradesco está fazendo a maior mudança em sua comunicação dos últimos anos. No início deste ano, a instituição financeira abriu uma concorrência para mudar de agência de publicidade – saiu a WMcCann, que tinha a conta desde 2012, e entraram Publicis (atendimento institucional) e Leo Burnett Tailor Made (produtos). Agora, o segundo maior banco privado do País se prepara para lançar um novo posicionamento, calcado na noção de que o brasileiro quer seguir adiante após uma crise aguda, mas com responsabilidade.

É assim que o Bradesco dará adeus à assinatura “Tudo de BRA”, que pautou a marca durante a ativação do patrocínio à Olimpíada de 2016, e estreará uma campanha com o mote “Pra Frente”. O tom, mais sóbrio, propõe uma reflexão em relação aos objetivos de vida, contando histórias de brasileiros que estão buscando alcançar suas metas.

O primeiro filme dessa nova fase, criado pela Publicis, estreou ontem no intervalo do Fantástico, da TV Globo. A ideia é que, na sequência, as propostas de produtos trabalhem o mesmo conceito.

S11 ARQUIVO 12/04/2017 ECONOMIA Campanha de reposicionamento do Bradesco, feita pela agência Publicis Crédito: Bradesco/Publicis

O Bradesco é um dos maiores anunciantes do Brasil – em 2016, de acordo com a Kantar Ibope Media, foi o quarto banco que mais gastou em publicidade, atrás de Caixa, Banco do Brasil e Itaú. Os gastos somaram R$ 925 milhões, ainda segundo a Kantar Ibope, mas os dados não levam em conta os descontos concedidos pelos veículos de comunicação, que não raramente giram em torno de 80% do valor de tabela, segundo fontes de mercado.

Pé no chão. De acordo com Márcio Parizotto, diretor de marketing do Bradesco, o banco acredita que o brasileiro tem condições de superar o mau momento atual – depois de dois anos de recessão que elevaram o desemprego a 13,5% –, mas decidiu evitar o discurso vazio de otimismo. “Acho que o brasileiro vai ver esse novo período de ascendência de forma mais responsável, consciente e madura”, diz o executivo. “A campanha é uma voz de comando do próprio brasileiro, que se vê hoje sem outra opção senão seguir adiant”.

Na avaliação do Bradesco e da Publicis, o novo discurso tem sintonia com o posicionamento do banco. “Nossa avaliação, ao fazer o planejamento, foi que o Bradesco passou por todo tipo de situação no Brasil em 74 anos, das maiores crises aos principais momentos de expansão”, ressalta Hugo Rodrigues, presidente da Publicis. O executivo do Bradesco lembra que a compra do HSBC foi fechada durante o turbulento ano de 2015. Foi a maior aquisição feita pelo banco em sua história, ao custo de R$ 16 bilhões. A instituição nacional bateu concorrentes como Itaú e Santander na disputa pelo ativo.

Outra característica histórica do banco que também reflete a posição “Pra Frente”, na avaliação do presidente da Publicis, é o fato de ter a tradição de criar talentos dentro de casa – a maior parte de seus principais executivos, incluindo o presidente Luiz Carlos Trabuco, que tem 40 anos de casa, fez a maior parte da carreira na instituição. Seria mais um indício de que a instituição valoriza o trabalho construído aos poucos, em vez de grandes saltos de expansão.

Trajetórias. Além do filme que dará o pontapé inicial na campanha, o Bradesco também usará histórias de vida de brasileiros em vídeos que serão exibidos online. Serão relatos sobre pessoas que estão se arriscando para realizar projetos de vida. “A ideia é mostrar um brasileiro que toca seus projetos, mas de uma forma mais pragmática.”

Fonte: Fernando Scheller,  O Estado de S.Paulo, 17 Abril 2017 | 05h00

Inteligência Competitiva Bancos: Bradesco prepara banco digital para brigar com startups do setor financeiro

Bradesco Next

Foto: Filipe Araújo|Estadão

Na Cidade de Deus, como é conhecida a sede do Bradesco, em Osasco, um projeto que está sendo gestado há mais de um ano deve chegar ao mercado até o fim de 2016: uma nova operação bancária, totalmente digital, voltada ao público jovem. Segundo apurou o ‘Estado’, a iniciativa – que deve ter a marca Next, já usada pela instituição em espaços conceito em shopping centers e em algumas páginas de sua versão online – será a forma de o Bradesco rejuvenescer sua marca e, ao mesmo tempo, lutar contra startups da área financeira, chamadas de fintechs, que vêm tirando clientes dos bancos tradicionais.

Segundo uma fonte a par do assunto, cerca de 150 profissionais estão envolvidos na criação do novo banco, que será focado nos chamados millennials, justamente o público mais refratário à oferta “engessada” do setor bancário. A ideia seria atender a pessoas de renda limitada, que têm dificuldade para chegar ao fim do mês com o próprio salário. Por isso, uma das apostas será o conteúdo educativo, focado em sonhos do público jovem, como comprar um carro ou fazer uma viagem.

Fonte: Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo, 11 Agosto 2016 | 05h00