Bradesco tem lucro recorrente de R$ 6,5 bi no 1º trimestre, salto de 73% sobre 2020

Notas De Banco Sortidas
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Bradesco teve lucro líquido recorrente de R$ 6,515 bilhões no primeiro trimestre, com alta anual de 73,6%. Na comparação com o quarto trimestre, houve queda de 4,2%. O resultado ficou acima da média das projeções dos analistas consultados pelo Valor, que apontava ganho de R$ 6,223 bilhões.

O lucro contábil foi de R$ 6,153 bilhões no primeiro trimestre, alta de 81,9% ante igual período de 2020.

A rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio trimestral (ROAE) atingiu 18,7%, de 20,0% no quarto trimestre e 11,7% no primeiro trimestre de 2020. O índice de Basileia ficou em 15,4%, de 15,8% e 13,9%, respectivamente.

As despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD) ficaram em R$ 3,907 bilhões no 1º trimestre, com recuo de 14,5% no trimestre e de 41,8% em 12 meses

A margem financeira somou R$ 15,578 bilhões, com queda de 6,5% no trimestre e alta de 7,4% em 12 meses.

A receita de serviços somou R$ 8,067 bilhões, queda de 7,5% no trimestre e 2,6% em 12 meses. As despesas operacionais totalizam R$ 11,204 bilhões, queda de 2,4% no trimestre e de 4,7% em 12 meses.

As linhas do balanço indicam que as incertezas do cenário estão em arrefecimento, segundo o presidente executivo do Bradesco, Octavio de Lazari Jr. “Estamos trocando as dúvidas sombrias por uma narrativa virtuosa”, afirma em nota. “Em termos objetivos, os bancos estão preparados para enfrentar o cenário desafiador da pandemia. E os resultados alcançados neste início de ano indicam isso”.

Lazari destaca que a principal razão do bom desempenho do Bradesco no primeiro trimestre foi uma mudança para melhor nos fluxos financeiros e de negócios das empresas e pessoas físicas, principalmente com o crescimento e consolidação da economia digital. Nesse cenário, há reflexos positivos na originação do crédito, especialmente financiamento imobiliário e via aplicativos, e nos produtos de seguros.

Segundo ele, o posicionamento estratégico adotado no início do ano passado, quando a pandemia chegou ao Brasil, “se mostrou tempestivo e oportuno, protegendo a instituição na travessia da crise aguda e, agora, permitindo uma posição robusta no relançamento da economia”.

Ainda assim, Lazari afirmou que o ritmo de vacinação precisa ser intensificado. “Estamos chegando aos 20% da população vacinada em primeira dose, no ritmo possível. Isso pode ser intensificado. A mudança da velocidade da vacinação é a peça-chave para a construção mais rápida de um cenário positivo da economia”, afirma.

Fonte: Álvaro Campos, Valor — São Paulo, 04/05/2021, 18h24.

Bradesco cria vice-presidência de clientes e nomeia presidente para banco digital Next

Bradesco cria vice-presidência de clientes
Joá Souza – 27.jan.2021/Folhapress

O Bradesco anunciou nesta segunda-feira (1º) a criação de uma vice-presidência de clientes e indicou um presidente para o banco digital Next, em estratégia para fazer frente aos “desafios desta década”, que incluem aumento da competição no setor financeiro e efeitos econômicos da pandemia.

Entre as mudanças, o Bradesco também indicou Oswaldo Tadeu Fernandes como vice-presidente financeiro e afirmou que Felipe Thut foi confirmado para o cargo de diretor do Bradesco BBI.

O banco criou a vice-presidência para abrigar o cargo de CCO (Chief Customer Officer), diretor do cliente, em tradução livre, que terá a função de aprofundar o conceito do cliente como centro das decisões. A visão é investir na melhor experiência do cliente com o banco”, afirmou o Bradesco em comunicado à imprensa.

A nova área será comandada por Rogério Câmara, que foi promovido da diretoria-executiva. Sob a gestão de Câmara estarão as áreas de desenvolvimento de sistemas, arquitetura de TI, gestão de dados, CRM e Bradesco Experience. A promoção do executivo amplia de quatro para cinco o número de vice-presidentes do Bradesco.

A presidência do banco digital Next, criado em 2017 e hoje com 4 milhões de clientes, ficará a cargo de Renato Ejnisman, que será o primeiro a ocupar o posto.

Fonte: Reuters. Publicado na Folha de S.Paulo, 1/3/2021.

Com empurrão da crise, ativos de grandes bancos chegam a R$ 7,363 bi e superam PIB

5 grandes bancos
5 grandes bancos – Foto: Montagem Estadão

Os cinco maiores bancos brasileiros têm em mãos recursos equivalentes à toda a economia brasileira. Turbinado pelo aumento de crédito para suprir a demanda maior durante a pandemia de coronavírus, o volume de ativos totais das instituições financeiras atingiu R$ 7,363 trilhões ao fim de março, superando, pela primeira vez, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que foi de R$ 7,3 trilhões em 2019, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicados em março. 

O resultado ocorreu em meio à expansão do crédito, enquanto a economia brasileira tenta ganhar tração. Do fim de 2017 para cá, a correlação crédito/PIB subiu de 47,1% para 48,9%, segundo o Banco Central. Se for considerado apenas o crédito livre, com o qual os grandes bancos atuam, o avanço foi ainda maior: subiu de 23,6% para 28,8%.

O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, afirmou que o aumento na proporção entre ativos dos bancos e o PIB tem correlação direta com a expansão do crédito vista no País nos últimos anos, frente ao desempenho econômico. “Esse aumento na relação crédito/PIB não é sinônimo de maior rentabilidade ou lucro”, diz.

Além disso, em momentos de crise os bancos atraem maior volume de depósitos, uma vez que o investidor busca mais segurança, de acordo com Claudio Gallina, diretor sênior de instituições financeiras da Fitch Ratings para América Latina. “Assim, a liquidez do sistema (que já vinha muito boa e robusta) aumenta mais”, disse. “Isso indica que os bancos teriam até mesmo mais dinheiro para emprestar.”

Com a crise, o crédito ganhou impulso adicional com a explosão da demanda em cima dos grandes bancos. O saldo conjunto dos empréstimos nos cinco maiores bancos brasileiros cresceu quase R$ 176 bilhões no primeiro trimestre em relação ao fim de dezembro, totalizando R$ 3,312 trilhões. Em um ano, o aumento foi de quase R$ 348 bilhões.

O salto nas carteiras foi capitaneado, principalmente, por empréstimos a grandes empresas, que precisam de liquidez para enfrentar a crise. O movimento foi acompanhado por uma enxurrada de críticas aos grandes bancos, por restringirem o crédito e elevarem juros em meio à turbulência, a despeito da injeção de R$ 1,2 trilhão de liquidez em medidas do Banco Central para apoiar o sistema financeiro no enfrentamento da covid-19.

Os bancos anunciaram uma série de medidas de apoio financeiro, mas admitem que, diante da piora do risco na economia, é natural maior rigor no crédito.

O presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, afirmou esta semana não ser possível o crédito crescer no mesmo ritmo da demanda, que deve se reduzir daqui para frente. “O crescimento do crédito será muito mais baixo, se é que haverá crescimento em 2020”, disse, durante transmissão ao vivo.

Os bancos já concederam mais de R$ 540 bilhões em créditos na pandemia, segundo balanço da Febraban, considerando novos empréstimos, renovações e postergações de parcelas. Para os próximos meses, a expectativa é de que o crédito novo ceda espaço a uma onda de renegociações de dívidas e reestruturações por parte de empresas que viram seu faturamento despencar.

“Um dos principais riscos para os bancos ainda é, naturalmente, a situação financeira das empresas, ou seja a dificuldade na previsibilidade em termos de geração de caixa”, disse Gallina, da Fitch.

No segmento de pessoa física, a demanda por crédito caiu no primeiro trimestre, mudando a dinâmica vista até então. Esse movimento deve continuar, com o aumento do desemprego e a perda de renda.

A queda, principalmente no financiamento imobiliário, obrigou a Caixa Econômica Federal a rever suas projeções. “De fato, a crise muda toda a dinâmica. A demanda de crédito vem sendo totalmente diferente. Estamos avaliando”, afirmou Pedro Guimarães, presidente do banco público, em coletiva de imprensa, para comentar os resultados do banco no primeiro trimestre.

Proteção contra calote

A pandemia também fez os bancos ampliarem os recursos reservados para compensar perdas, com temor quanto ao impacto futuro na inadimplência. A leitura, ao menos até aqui, é de que a crise será bem mais severa que as anteriores, incluindo a desencadeada pela Operação Lava Jato e ainda a turbulência financeira de 2009.

O reforço nas provisões custou mais os bancos. No primeiro trimestre, as despesas com provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs, passaram dos R$ 30 bilhões, um salto de cerca de 45% em relação aos três meses anteriores.

Dos cinco grandes, somente Santander e Caixa não fizeram o movimento de criar colchões para perdas adicionais por conta da crise. “O balanço da Caixa é, continua e continuará extremamente sólido”, afirmou Guimarães.

Como consequência de uma postura mais conservadora por parte da maior parte dos bancos, o lucro líquido combinado de Itaú, Bradesco, Satander, BB e Caixa encolheu 25,6% no primeiro trimestre, para menos de R$ 18 bilhões, na comparação com o mesmo período de 2019, quando foi de mais de R$ 24 bilhões. “Mesmo mantendo níveis confortáveis de solidez, liquidez e capitalização, a atual crise também atingiu o setor bancário”, afirmou Sidney.

Em uma perspectiva de médio e longo prazo, o CEO e fundador da Mauá Capital e ex-diretor do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, vê maior pressão por parte das fintechs na disputa por recursos com os grandes bancos, que foi comprometido na crise. Os próprios pesos pesados do setor admitem que a trégua é temporária.

“Com os reflexos do juro mais baixo, mais decente, e uma maior concorrência vinda das fintechs, o Brasil está se tornando mais normal, mas a crise atrapalhou”, disse.

Fonte: Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo, 22 de maio de 2020 | 10h27.

Maiores bancos privados do País tiveram lucro 15% maior em 2019

Bancos privados - Bradesco/Itaú/Santander
Bancos privados no Brasil. Bradesco, Itaú e Santander Foto: JF Diorio/Estadão / Daniel Teixeira/Estadão / Edgar Garrido/Reuters

Os três maiores bancos privados do País encerraram o último trimestre do ano com um ritmo de crescimento menor frente aos períodos anteriores, o que ainda assim não os impediu de apresentar projeções de desempenho otimistas para 2020. O resultado positivo foi puxado, principalmente, pelo crescimento do crédito para pessoas físicas e pequenas empresas, cujas margens são melhores, e maiores receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias, ainda que pese uma maior concorrência com fintechs. 

No total, o lucro líquido recorrente de Itaú UnibancoSantander Brasil Bradesco foi de R$ 17,667 bilhões no quarto trimestre, alta de 12,44% em relação ao mesmo período de 2018. No ano, porém, os resultados apresentaram crescimento maior. A cifra foi de R$ 68,8 bilhões, expansão de 15,25% frente aos R$ 59,695 bilhões registrados em 2018.

Para analistas do mercado, 2019 pode marcar o último ano de crescimento anual de dois dígitos para os grandes bancos de capital aberto no País, que cada vez mais veem suas margens serem comprimidas e seus clientes serem abocanhados por players novos. Em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast na semana passada, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, rebateu essa visão. “Para nós, pode ter certeza que não é. Nós vamos crescer”, disse, ao ser questionado se o banco conseguiria entregar expansão de dois dígitos no lucro de 2020.

A concorrência com fintechs, as startups do setor financeiro, e diversos outros players – como os varejistas, que a cada dia colocam mais os pés no setor financeiro – é crescente. Assim, repetir as projeções de anos anteriores já é sinal de otimismo em um cenário de maior competitividade e mudanças regulatórias por parte do Banco Central.

Depois de ver seus empréstimos aumentarem 10,9% em 2019, o Itaú espera que sua carteira de crédito cresça de 8,5% a 11,5%. O impulso no ano passado veio da operação brasileira, com empurrão das famílias e pequenas empresas. Na operação da América Latina, o crescimento foi de apenas 1,9%, evidenciando o impacto da onda de manifestações no Chile e a queda dos empréstimos na ArgentinaParaguai e Colômbia.

O rival Bradesco é levemente mais otimista e projeta aumento de 9% a 13% na carteira de crédito neste ano. O  Santander Brasil segue com a projeção de elevar sua carteira acima dos 10% até 2022.

Do lado das receitas, os três bancos privados entregaram expansão de 5,47% em 2019, para menos de R$ 90 bilhões. Ampliar essa linha foi mais difícil no ano passado diante da crescente concorrência com as fintechs. O maior crescimento veio do Santander, com alta de mais de 8% no comparativo anual. No trimestre, porém, os concorrentes apresentaram melhor desempenho.

Os bancos privados também aproveitaram para reforçar suas provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs, em meio ao ganho contábil com a reavaliação ds créditos tributários em decorrência do aumento da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), que passou de 15% para 20% após reforma da Previdência. A cifra somada de Itaú, Bradesco e Santander foi de R$ 11,406 bilhões, sendo praticamente revertida em proteção para eventuais perdas, considerando as novas regras contábeis.

No quarto trimestre também houve reforço em provisões para demandas trabalhistas. No ano passado, com a pressão da concorrência por mais eficiência, os bancos enxugaram suas redes físicas e promoveram programas de demissão voluntária. Assim, a meta para despesas operacionais em 2020 está mais otimista no caso do Itaú, enquanto o Bradesco reiterou suas projeções após ter estourado o intervalo prometido para 2019.

Demonstrando maior preocupação com questões sociais, o Itaú anunciou ações para compensar a emissão de gases de efeito estufa (GEE), dando sequência a uma prática que adota desde 2015. O Bradesco assumiu compromisso amplo de levantar a bandeira da sustentabilidade e tem como meta zerar suas emissões de carbono e usar 100% de energia renovável em todo o conglomerado até o fim de 2020. No ano passado, o Santander anunciou que pretende utilizar energias renováveis em 100% de sua operação até 2025. 

Fonte: Aline Bronzati , O Estado de S.Paulo, 11 de fevereiro de 2020

Inteligência Competitiva: procura Informações Setoriais?

Uma boa fonte de informações para informações setoriais é o site do Bradesco Economia em Dia.

Trata-se de uma compilação dos principais setores da economia, com detalhes estruturais de cada segmento, como sazonalidade, regionalização, cadeia de suprimentos, relação do mercado demandante e fatores de risco.

Ademais, é disponibilizada a evolução dos indicadores conjunturais e as tendências para o setor analisado.

Boletim Diário

Publicação diária com análises breves sobre os principais indicadores econômicos nacionais e internacionais e leitura sobre tendências dos mercados, que possam influenciar as expectativas naquele dia, além de uma tabela detalhada com indicadores do mercado. Editada em português e publicada no início da manhã, antes da abertura dos mercados locais.

Em meio à guerra das maquininhas, Cielo reforça rede física

A Cielo, controlada por Bradesco e Banco do Brasil, inaugura amanhã sua quinta loja física, em um shopping popular de Osasco (SP). Foi a segunda abertura deste ano. As demais unidades já existiam e foram repaginadas. A meta da número um do setor de maquininhas é abrir outras seis lojas até o fim de 2020.

Aposta. A rede física se tornou uma opção de expansão e diversificação em meio à guerra das maquininhas. Ainda com pouca representatividade, o canal é uma aposta da Cielo em sua estratégia de ampliar participação e defender sua liderança dos novos entrantes.

Fonte: Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo, 19 de dezembro de 2019.

Mesmo com PIB fraco não é possível deixar inovação de lado, dizem empresas

Para dirigentes de algumas das maiores empresas do país, apesar do cenário difícil para a economia neste momento, não dá para abdicar do investimento em inovação, sob o risco de poderem ficar para trás quando a recuperação ganhar força.

O vice-presidente do Bradesco André Cano afirmou ontem que a inovação independe de ciclo econômico, está cada vez mais disruptiva e virou necessidade absoluta das empresas, sob o risco de “sucumbirem.”

“No nosso caso específico, continuamos investindo da mesma forma em inovação durante a crise. Sem dúvida, para estarmos bem posicionado na retomada.”

De acordo com ele, a economia não está no ritmo que o banco imaginava no início do ano, mas continua otimista com o país. “Assim que a reforma da Previdência for aprovada, começará um processo de maior confiança, que vai levar à atração maior de capitais, inclusive externos”, afirmou o executivo.

O Bradesco foi vencedor no Valor Inovação Brasil 2019. Para o presidente da credenciadora de cartões Cielo, Paulo Caffarelli, o crescimento da economia abaixo do esperado impacta a empresa mais sob a ótica do volume de captura de pagamentos do que na inovação.

“Sentimos a volatilidade na captura, mas em nenhum momento deixamos de investir em inovação, na criação de novos produtos e serviços. Precisamos fazer bem o dia a dia, mas pensar a empresa no longo prazo”, afirmou.

A Cielo foi uma das premiadas no Valor Inovação. Ele afirmou que a Cielo crescerá neste ano em volume de transações e número de clientes e que a crise e a competição obrigaram a companhia a ser mais eficiente. Empresa de R$ 2 bilhões, a Cielo foca hoje em “market share”, em vez de rentabilidade.

Segundo ele, o Brasil é um celeiro de tecnologia e inovação. “Se conseguir superar os pontos para retomada do crescimento, como a reforma da Previdência, o Brasil não deixa a desejar em nada, principalmente na nossa área de meios de pagamento. Somos referência no mundo pelo trabalho que aqui é desenvolvido.”

Segundo Caffarelli, com a retomada do crescimento, haverá atração de investimentos ao país, seja pela demanda interna represada, seja pelo “pipeline”de projetos para infraestrutura.

No caso da Andrade Gutierrez, outra das ganhadoras, a estratégia foi juntar-se a startups para acelerar o desenvolvimento de novos processos de engenharia. Para o diretor de estratégia, excelência e inovação, Guilherme de Sousa Pinto, é em momentos de crise que a empresa mais busca inovação “para conseguir um processo de melhoria contínua”.

O programa de startups é feito duas vezes por ano e envolve entre cinco e dez empresas novatas. No último, 250 concorreram às vagas. “Em vez de ficarem em laboratórios, as empresas parceiras trabalham no canteiro da obra”, afirmou o executivo.

O presidente do Hospital Albert Einstein, Sidney Klajner, diz que existe uma tendência, nas empresas, de imaginar que a área de inovação será a mais prejudicada numa necessidade de corte de custos. “É claro que é preciso manter a máquina andando, mas, ao mesmo tempo, na área de saúde investir em inovação é uma forma de alcançar eficiência a custos mais baixos”, disse. Segundo ele, nos últimos tempos, o hospital tem investido, em média, 3% da receita em projetos inovadores. “Esse percentual passou a ser aplicado mais recentemente. Hoje estamos cada vez mais focados nessa estratégia.”

Fontes: Flávia Furlan e Marli Olmos, Valor Econômico, 3/7/2019

Inteligência Competitiva – Sinais de Mercado: Presidentes de bancos cobram reforma e falam em união

Bancos

Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do conselho de administração do Bradesco Foto: Hélvio Romero/Estadão

Representantes dos maiores bancos do País se manifestaram após a definição de Jair Bolsonaro como presidente eleito do País. O Itaú, maior banco privado do Brasil, afirmou que, encerrado o processo eleitoral, “é hora de unir a sociedade em torno de objetivos comuns, que visem à superação dos desafios que o Brasil enfrenta em diferentes esferas”, ressaltou em comunicado.

Bradesco cobra “sentido de urgência” do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para fazer o Brasil voltar a crescer de forma sustentada, de acordo com comunicado divulgado na noite deste domingo comentando o resultado das urnas. “A magnitude das tarefas que temos à frente recomenda sentido de urgência na adoção de ações e medidas que nos direcionem para uma vigorosa e sustentada retomada do crescimento”, afirmou o presidente do conselho de administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi.

No mesmo texto, o presidente do banco, Octavio de Lazari Junior, disse que esta foi uma eleição diferente das experiências anteriores que o País teve. “Uma das razões é que ela aconteceu na saída de uma das mais graves crises econômicas já vividas pelo Brasil”, disse ele, destacando que isso amplia bastante a “carga de expectativas” em relação ao aumento dos investimentos e criação de empregos. “O PIB brasileiro nos posiciona entre as economias mais relevantes do planeta”, afirma Lazari.

“Temos uma economia diversificada, empresários competitivos, trabalhadores eficientes e instituições republicanas que funcionam em sua plenitude.” Nesse cenário, o executivo diz que “nos sentimos revigorados para dar início a um novo ciclo de reformas estruturais no sentido da modernização do Brasil”. “Nós, da iniciativa privada, queremos oportunidades para trabalhar, investir e criar empregos”, completou ele.

Ainda no texto, Trabuco destaca que as eleições de 2018 “fortaleceram o Brasil em sua condição de uma das maiores democracias do mundo”. “Todos os candidatos expuseram suas propostas e a população escolheu o novo presidente da República de maneira livre e soberana”, afirmou o executivo, que era presidente do banco antes de Lazari assumir. “Passado com êxito o momento da escolha do novo chefe do Poder Executivo, o Brasil se encontra na posição ideal para superar uma desafiadora agenda de questões econômicas, nas quais o emprego, a geração de renda e a capacidade de investimentos se tornam pontos centrais e consensuais.”

O presidente do Santander no Brasil, Sérgio Rial, afirmou que é preciso união para trazer o Brasil rapidamente para o século 21 e “abandonar dinâmicas doutrinárias do século passado”.

Fonte: Altamiro Silva Junior, O Estado de S. Paulo, 28 Outubro 2018 | 22h40

SingularityU Brasil Summit — Dia 2

David Roberts — Foto: Openspace

Se o primeiro dia do SingularityU Brasil Summit foi de sonhar e imaginar, o segundo, e último, mostrou como essas ideias estão sendo colocadas no papel e os obstáculos para que elas possam ser utilizadas.

Os humanos são péssimos com mudanças

“Houve uma época em que os discos de vinil eram importantes, eu tinha vários. Depois lançaram os CDs, e eu comecei uma nova coleção. Aí veio uma empresa californiana que criou um novo formato para a música, que permitia criar playlists e ter milhares de canções em seu computador. E eu comprei minha coleção de música uma vez mais.” Quem conta essa história poderia ser eu, ou você, porque certamente já passamos por isso. Mas foi Larry Keeley, estrategista que trabalha há mais de três décadas para desenvolver métodos de inovação mais efetivos. E continua: “Agora tenho certeza que estão trabalhando em um novo formato que vai me fazer comprar tudo de novo. Não sei o que vai ser, se vão me dar passes para o backstage da Beyonce ou se vou ver as letras das músicas no ar enquanto as escuto. Mas estou convencido que sua estratégia é me fazer comprar todas as 33 mil músicas que eu já comprei uma vez. Mas eu não vou fazer isso. Porque tenho streaming. Posso escolher uma playlist para um jantar ou para me concentrar no trabalho, porque existem milhares de pessoas dizendo pra essa plataforma o que funciona nessas ocasiões.”

Mas por que, depois de completar sua coleção três vezes, ele acha que vai continuar preferindo o streaming que o próximo formato de escutar música? “Bem, o problema é os humanos são péssimos com mudanças”. Porém, além disso, as grandes inovações, segundo ele, seguem sempre o mesmo padrão:

· a nova tecnologia precisa parecer mágica,
· a experiência tem que ser incrível,
· e o preço que pagamos por ela deve parecer justo.

Em sua palestra, que abriu o segundo dia do SingularityU Brasil Summit, Keeley resumiu partes de seu livro Ten Types of Innovation, que você pode ver aqui, e também deu muitas dicas valiosas. “Os ecossistemas são o que importam no mundo moderno. A inovação, hoje, não é criar algo novo e sim juntar várias coisas que já existem e funcionam bem juntas.”

“O olhar que não está amarrado aos paradigmas é o grande impulsionador do processo de inovação”

As ferramentas para isso já estão aí e abertas para qualquer um. Mas sempre que falamos em inovação, pensamos em adolescentes ou gente muito jovem no geral, não? Bem, a palestra seguinte, do empreendedor Plínio Targa, mostra que não é bem assim.

Foi a ideia de um senhor de 80 anos que o levou a criar a Braincare . Tudo bem que esse senhor é o Sérgio Mascarenhas, que já trabalhou com dois prêmios Nobel e fundou a Universidade Federal de São Carlos, mas ainda assim… A empresa é responsável por desenvolver um sensor que conseguiu revelar, pela primeira vez, de maneira não invasiva, o perfil do comportamento da pressão intracraniana durante um ciclo cardíaco. Isso pode não dizer nada para você, mas basta saber que, até então, a única maneira de fazer isso era perfurando o cérebro. A nova tecnologia permite fazer o procedimento de maneira não invasiva, acessiva, fácil e simples. “O olhar que não está amarrado aos paradigmas é o grande impulsionador do processo de inovação”, cravou Targa.

Estamos robotizando as crianças e humanizando os robôs

Finalizando esse bloco, a brasileira Tonia Casarin falou sobre educação, e a mensagem foi basicamente a mesma da Vivienne Ming ontem: estamos robotizando as crianças, preparando-as para testes, e ao mesmo tempo tentamos humanizar robôs, gastando tempo e dinheiro em ambos os processos.

Tonia, que é mestre em Educação pela Universidade de Columbia, em Nova York, centrou seus estudos na teoria de que o que sentimos impacta a forma como pensamos. Portanto, as emoções estão relacionadas com as nossas decisões.

Para entendermos melhor, ela usou o exemplo das crianças que, por volta dos três anos, expressam sua raiva mordendo. Segundo ela, isso acontece porque elas ainda não têm o repertório, o vocabulário, para expressá-la de outra maneira. E para ajudar a resolver esse problema, escreveu o livro Tenho um Monstro na Barriga, que ajuda a nomear as sensações e, com isso, aumenta o bem-estar, o sucesso e a felicidade. Não à toa, exatamente o que todos os pais desejam a seus filhos.

Tecnologia aplicada na geração de impactos positivos

A sexta sessão do SingularityU Brasil Summit trouxe um panorama de como a tecnologia exponencial já está sendo usada para impactar de maneira positiva diferentes áreas do cotidiano.

O antropólogo brasileiro Francisco Araújo, que trabalhou anos na ONG Viva Rio, abriu o bloco explicando os conceitos de escassez social e defasagem cultural. A escassez social, segundo ele, não se refere à indisponibilidade de recursos, mas à distribuição de habilidades: “É um problema de software social, não de hardware.”

Ele explica que o ritmo da inovação hoje faz com que em pouco tempo absorvemos conhecimentos que nossos antepassados levavam anos ou séculos para adquirir. “E mesmo assim algumas civilizações não acompanharam essas novas tecnologias e desapareceram”, diz.

Se antes os ciclos de inovação duravam entre 40 e 60 anos, hoje tudo acontece ao mesmo tempo. Porém, ainda tem sempre alguém que fica para trás. Por isso o termo “defasagem cultural”.

As abordagens tradicionais para lidar com esse desafio já não funcionam, segundo ele. “A linguagem que evolui mais rápido são os algoritmos, pela capacidade de atrair nossa atenção e nosso dinheiro. Mas quando pensamos na área social, não pensamos em utilizar essa linguagem para resolver os problemas. É preciso digitalizar o impacto. É preciso pensar do ponto de vistas dos sistemas”, concluiu.

Na sequência, o engenheiro e biólogo Raymond McCauley mostrou o que podemos esperar da área da biologia digital para os próximos anos. A velocidade das mudanças, aqui, é ainda mais impressionante.

Quando sequenciaram o genoma humano pela primeira vez, em 2001, o custo foi de 3 bilhões de dólares. Hoje, qualquer pessoa pode enviar amostras de seu DNA para uma empresa e descobrir, por apenas alguns dólares, de onde vieram os seus antepassados ou se o bebê de sua mulher é realmente seu filho. Mas a importância disso obviamente não para aí. Ao explorar seus genes você pode detectar doenças que ainda não apresentam nenhum sintoma. “Em 10 anos isso pode potencialmente acabar com o câncer”, diz McCauley. “Você faz um exame de sangue, analisa seu DNA e, se tiver câncer, você faz alguma coisa a respeito!”

O próximo passo, depois de aprender a ler o genoma, é reescreve-lo, “reprogramar a vida”. Hoje já existem centenas de estudos na área da biologia industrial, ou biologia sintética, para criar alimentos e biocombustíveis. Os chamados “organismos geneticamente modificados 3.0”. Segundo ele, o Brasil é um dos países que mais investe nessas novas tecnologias: já está no segundo lugar entre os que mais cultivam OGMs (principalmente cana de açúcar e soja) e é o que mais cresce nessa área.

“Mas o mais interessante pra mim é a agricultura celular: como conseguir bacon sem matar nenhum porco.”, reconhece o cientista. Além da discussão gastronômica — e, principalmente, ética — que levanta essa questão, ela pode responder também por outro problema: a crise de produção de proteína. “Estamos produzindo mais carne, mas não é suficiente, porque conforme os países ficam mais ricos, as pessoas querem comer mais esse tipo de comida. O consumo de carne na China já é o dobro dos EUA, e o Brasil vem logo atrás”, afirma.

Porém, sempre que se fala de tecnologias disruptivas que podem trazer tantos benefícios, é preciso pensar também como ela pode ser usada com objetivos menos humanitários. O que fazer quando se tem acesso à tecnologia potencialmente mais perigosa que a raça humana já criou? “Coloque na mão de uma criança de 5 anos, ensine a ela o mais rápido possível como trabalhar o DNA”, responde ele. “O que estamos tentando fazer é começar uma revolução. Uma revolução científica pacífica. Minha visão é que quando algo de ruim acontecer no futuro, eu quero que existam cem mil pessoas capazes de consertar isso, e quero que sejam nossos filhos.”

Brasil, o país do futuro na geração de energia e alimentos

O primeiro evento da Singularity University no Brasil apresentou diversos exemplos da presença de brasileiros em projetos que estão gerando grande impacto em todo o mundo. Mas nenhuma sessão do SingularityU Brasil Summit mostrou de forma tão clara que podemos, sim, ser o país do futuro como a que juntou Ramez Naam, Mariana Vasconcelos e Fábio Teixeira.

“A revolução energética está aqui e o Brasil está pronto para tomar a dianteira”, afirmou o cientista da computação, futurólogo e autor premiado Ramez Naam, abrindo o sétimo painel do evento. Segundo ele, o preço da energia eólica e solar vem caindo de maneira notável nos últimos anos: “O custo dos painéis solares diminuiu 250 vezes em 40 anos, e a energia eólica é hoje 15 vezes mais barata que há 26 anos”.

E o que isso significa para um país que depende basicamente de hidrelétricas? “O Brasil é um país que tem sol o ano todo, e os ventos aqui também são ótimos”, garante Naam. “Construir uma hidrelétrica é três vezes mais caro que um parque eólico, e traz consequências devastadoras para o meio-ambiente e as populações que vivem nessas áreas”.

A indústria automobilística tem interesse direto nessas novas tecnologias. Nos próximos anos veremos cada vez menos carros e caminhões dependentes dos combustíveis tradicionais, que serão substituídos por veículos movidos a energia elétrica. “Isso afeta diretamente o Brasil, exportador de petróleo e de carros”, assegurou o cientista, que terminou sua participação jogando uma pergunta para a plateia, composta por muitos executivos da área e membros do governo: “Como isso afeta a Petrobras? E a indústria do etanol?”

Considerada umas das cem pessoas mais influentes no agronegócio brasileiro, Mariana Vasconcelos abriu sua palestra afirmando que até 2030 cerca de um terço de todos os alimentos do mundo serão produzidos no Brasil. Além disso, para atender a demanda da população, será preciso aumentar a produção em 70% até 2050. E a tecnologia é quem deve ser responsável por isso.

“Os grandes desafios hoje são as mudanças climáticas, que afetam a produção, e os novos consumidores, que querem saber de onde vem a comida que estão comendo, se a produção é sustentável”, afirmou Mariana.

A solução, segunda ela, é ter uma visão sistêmica do negócio. “O segredo são os dados. Hoje o produtor tem informações em tempo real sobre o ambiente (solo e clima, entre outros) e a operação (máquinas e custos, por exemplo). A partir disso é possível criar modelos para antecipar manifestações de pragas, dizer ao produtor a quantidade de água a usar, prever o clima e desenvolver genéticas melhores que se adaptem ao ambiente.”

O uso da tecnologia para resolver os desafios na produção de água, comida e energia também é o campo de estudos do brasileiro Fábio Teixeira, primeiro indivíduo no mundo a conquistar uma bolsa integral para cursar o prestigiado programa da Singularity University, situada no campus da NASA, na Califórnia.

Em alguns meses, seu projeto, HyperCube, será levado à estação espacial internacional para mapear uma quantidade imensa de dados na Terra (100TB, ou 90 mil filmes em alta definição do Netflix, a cada 90 segundos!) que vão servir para criar modelos para prever e descobrir padrões para o agronegócio, e com isso oferecer subsídios para produzir nas próximas décadas mais comida do que produzimos nos último 10 mil anos. Pragmático, Fábio afirma “o futuro não é algo para se prever, é algo para se influenciar.”

Você prefere ser rico ou feliz?

A maratona de palestras disruptivas do SingularityU Brasil Summit, que foram aumentando exponencialmente a sensação de que o mundo vai ser um lugar cada vez mais incrível, terminou com uma palestra de duas horas de David Roberts, considerado um dos melhores especialistas do mundo em inovação disruptiva e tecnologias de avanço exponencial.

E para alguém com essas credenciais, não causa surpresa que, no dia de sua apresentação, ele tenha acordado cedo e resolvido mudar tudo, trazendo um conteúdo exclusivo para a plateia brasileira. Em “10 Leapfrogs for Brazil” (algo como “10 maneiras do Brasil dar um salto”), ele passou por diversos dos conceitos apresentados durante os dois dias de evento, aplicando-os à realidade brasileira.

Durante cerca de duas horas, Roberts mostrou caminhos possíveis e animadores para resolver os grandes e conhecidos problemas do país. A começar pelo governo. “Quando acontecem coisas ruins, somos o tipo de espécie que transforma isso. Então eu acredito que os desafios que temos com nossos governos, que afetam nossos negócios e vidas pessoais, podem nos dar esperança”, declarou.

Na sequência, mostrou uma série de tabelas comparando o PIB brasileiro com o de outros países, em que aparecemos entre a sétima e a nona posição (“Vocês estão muito bem!”). Depois, chegou ao PIB per capita, e aí o Brasil cai para o 65o. lugar. Porém, segundo ele, essas não são as melhores métricas para se analisar um país. “A felicidade pode ser uma boa medida. Ao olhar através dos anos, o brasileiro se mostra cada vez mais feliz. Você prefere ser rico ou feliz?”, perguntou.

Daí partiu para a receita que considera ideal para o país: focar nas novas tecnologias, e chegar a elas antes dos outros. “Quando eu era pequeno havia muito investimento em infraestrutura nos EUA para levar telefones para todas as casas. E a América do Sul em geral estava muito atrás. Mas quando vieram os telefones celulares, isso não importava mais, porque a nova tecnologia wireless não precisava de fios. Então isso é o leapfrog.”

E como dar esse salto? Aqui estão algumas das ideias de David Roberts para diversas áreas:

· Transporte: “O custo de construir e manter a malha rodoviária é muito alto. Com o país ficando mais rico, as pessoas querem ter carros. E isso gera trânsito, que leva à perda de tempo e dinheiro. Hoje já temos os carros voadores: são os drones! Eles são mais baratos e econômicos que um carro, e não necessitam estradas. Além disso, com a realidade virtual, nem vamos querer ir a lugar nenhum.”

· Dinheiro: “Imagine se o Brasil se juntasse com outros países da América do Sul e criasse uma moeda comum? Lidar com dinheiro é complicado: é difícil de produzir, transportar e guardar. E essas são algumas das razões para usar as criptomoedas. O Brasil pode tomar a dianteira nisso, leapfrog tudo que tem a ver com dinheiro. Seu país é o que tem mais probabilidade de conseguir isso, porque com 200 milhões de habitantes, com certeza seria a moeda mais aceita no mundo.”

· Trabalho, fronteiras e imigração: “Vocês estão cercados por outros países que não são líderes. Sem essa rede, como na Europa, o crescimento é muito mais lento. Como resolver o problema? Com tecnologia. A ideia de que a automação pode roubar o emprego das pessoas é o maior mito em relação à ela. Países com menos automação têm maiores taxas de desemprego. E a tecnologia permite que trabalhemos em qualquer parte do mundo sem sair de nossa casa.”

· Educação: “Estamos ensinando as pessoas da mesma maneira há 100 anos. Temos que começar a estudar as coisas que fazem com que tenhamos uma vida melhor. Harvard tem um curso de como ser feliz, por exemplo.”

· Medicina: “E se construímos vírus do bem? Que cure sua miopia, por exemplo. Quase todas as 30 mil doenças conhecidas poderiam ser curadas assim.”

E para terminar, como leapfrog você mesmo? “Muita gente quer fazer alguma mudança em sua vida, mas diz que não tem coragem. Sabe o que fazer? Cultive a compaixão por um grupo de pessoas — sua família, sua comunidade, seu país — e a coragem vem de graça. Todas as pessoas que mudaram o mundo fizeram isso, sem precisar de dinheiro nem poder. Elas cultivaram seu caráter.”

Fonte: Bradesco Medium

Inteligência Competitiva Empresas: Bancos fecham recorde de 1,5 mil agências no Brasil em 2017

Após o sistema financeiro do país ter fechado um recorde de quase 1,5 mil agências em 2017, os maiores bancos de varejo no Brasil planejam suavizar o ciclo de redução do número de agências neste ano, enquanto avaliam qual o melhor uso da rede física para gerar mais receitas.

Segundo dados do Banco Central, os bancos encerraram o ano passado com 21.062 agências em funcionamento, 1.485 a menos do que em 2016, a maior redução da série.

O movimento foi liderado pelo Banco do Brasil, que sozinho fechou 670 agências, dentro de um processo de redução de custos que também envolveu um programa de demissão de voluntária (PDV) para cerca de 10 mil empregados.

O Bradesco encerrou 564 agências, em meio ao forte esforço de ajuste após a compra do HSBC, em 2016, operação que acrescentou cerca de 850 postos físicos ao grupo. A rede do Itaú Unibanco diminuiu em 125 postos e a Caixa Econômica Federal encerrou 18 agências. O Santander Brasil foi o único entre os cinco maiores do país a ampliar a rede, com 3 agências a mais.

Embora o pano de fundo desse movimento, o foco no ganho de eficiência e redução de custos, deve seguir uma ênfase dos bancos para este ano, com previsão de que os custos administrativos cresçam no máximo a inflação do período, o ritmo de redução de agências vai diminuir, ou até parar.

“Há uma vantagem competitiva em ter uma rede de agências ampla como a que temos”, disse nesta semana Octavio de Lazari, no dia em que foi nomeado futuro presidente-executivo do Bradesco, cargo que deve assumir em março.

O Itaú Unibanco, que nos últimos anos têm feito investimentos relevantes para multiplicar sua base de agências digitais, que atendem os clientes remotamente, também vai moderar no ajuste da rede física, após ter fechado 380 unidades nos últimos três anos, entre agências e postos de atendimento, mesmo com a incorporação de uma rede de cerca de 70 postos com a compra do Citi, também em 2017.

“Não vamos fechar grande número de agências num futuro próximo”, disse o presidente-executivo do Itaú Unibanco, Candido Bracher, durante apresentação na terça-feira sobre os resultados do quarto trimestre.

O BB, após a forte contração da rede física em 2017, passou a fazer ajustes linha fina na sua estrutura, definindo fechamento ou abertura de agências por questões pontuais, como segurança. A exemplo do que já fizera no ano anterior, o BB fechou algumas unidades em cidades do Nordeste que foram várias vezes alvos de explosões.

“Nestas cidades, continuamos atendendo clientes por meio de unidades do Banco Postal”, disse um alto executivo do banco sob condição de anonimato, referindo-se à parceria que o BB tem com os Correios para serviço de correspondente bancário.

A desaceleração dos bancos no ritmo de redução da estrutura de agência ocorre no momento em que as instituições financeiras têm preferido esperar para decidir qual o melhor uso dessas estruturas. Segundo executivos dos próprios bancos, há limites para negócios financeiros que operam apenas com canais digitais, já que oportunidades de interação com os clientes são perdidas.