Para Bill Gates, países ricos devem comer apenas carne sintética

Para Bill Gates, países ricos devem comer apenas carne sintética
Bill Gates: combater as emissões da agricultura é um dos problemas climáticos mais difíceis de resolver (Thierry Monasse/Getty Images)

Em seu novo livro, Bill Gates defende que os países ricos devem consumir apenas carne sintética para enfrentar a crise climática. Em “How to Avoid a Climate Disaster”, publicado esta semana, o fundador da Microsoft oferece um guia sobre como reduzir o aquecimento global, com foco em soluções de tecnologia.

Em entrevista, o filantrópico reconheceu que combater as emissões da agricultura, em particular da pecuária, é um dos problemas climáticos mais difíceis de resolver e, para isso, os países desenvolvidos deveriam rever seus hábitos alimentares.

“Não acho que os 80 países mais pobres comerão carne bovina sintética. Eu realmente acho que todos os países ricos deveriam mudar para carne 100% sintética ”, disse ele, acrescentando que o “sabor será ainda melhor com o tempo”.

Apesar de considerar a mudança da carne bovina para uma proteína alternativa seja possível para nações ricas e de renda média, seria politicamente desafiador.

Existem cerca de 1,4 bilhão de bovinos no planeta, constituindo a segunda maior fonte de emissões de gases de efeito estufa agrícolas, depois do desperdício de alimentos. Junto com outros animais de pasto, o gado representa cerca de 40% do orçamento anual global de metano, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação.

Gates disse que, embora haja inovações na alimentação que levem as vacas a produzir menos metano, não será uma redução significativa o suficiente.

O bilionário americano também enfatizou que a inovação tornará mais barato e viável para todas as nações cortar ou prevenir as emissões. Entre as soluções apresentadas está o alto preço do carbono, padrões de eletricidade limpa e combustível limpo e grande financiamento de pesquisa. O livro também sugere que os governos quintupliquem seus investimentos em tecnologia limpa, que somariam US$ 35 bilhões nos Estados Unidos.

Fonte: Isabela Rovaroto, EXAME. Publicado em: 17/02/2021 às 11h02. Alterado em: 17/02/2021 às 12h43

Bill Gates: “O mundo não está acostumado a esse vácuo de liderança”

Bill Gates: “Eu sou um estudante eterno, e o pouco que eu conheço é minúsculo” (Jeff Pachoud/AFP)

Seria bom o planeta se beneficiar de alguns grandes avanços — entre eles uma vacina para combater o novo coronavírus e inovações para atenuar o impacto das mudanças climáticas. O cofundador da Microsoft fala de sua paixão pelos dois temas, do pesadelo da desinformação e das diferenças entre Elon Musk e Steve Jobs, nesta conversa com Erik Schatzker, da Bloomberg.

O presidente Trump não esconde o desejo de ver em breve uma vacina para a covid-19, idealmente antes da eleição de novembro. Quão preocupado você está com a possibilidade de a política atrapalhar o processo de liberação de uma vacina?
Bem, seria uma tragédia. Qualquer insinuação de que um político ajudou a criar a vacina ou de que ela foi feita mais depressa por causa de um político é algo muito perigoso. Com o caso dos anúncios desmentidos sobre trata­mentos com plasma, vimos que, quando você começa a pressionar as pessoas para que digam coisas otimistas, isso pode sair totalmente do controle. A FDA [sigla em inglês de Food and Drug Administration, a vigilância sanitária americana] perdeu muita credibilidade ali.

Você ainda confia na FDA?
Historicamente, assim como o CDC (sigla em inglês do Center of Disease Control, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos) era considerado o melhor do mundo, a FDA tinha a mesma reputação de ser um órgão regulador de primeira linha. Mas estão aparecendo algumas rachaduras em algumas das coisas que eles têm dito.

E quanto ao CDC?
O CDC está em grande medida sendo deixado de lado. Há pessoas na Casa Branca que não são epidemiologistas dizendo que vêm fazendo um ótimo trabalho. Não é mais um grupo de especialistas. E o CDC na verdade cometeu alguns erros, especialmente no modo como eles conceberam os testes.

Um dos grandes riscos da politização é a confiança pública. Pesquisas mostram que um terço dos americanos vai se recusar a ser vacinado e que a maioria dos americanos crê que uma vacina esteja sendo feita às pressas. O estrago já foi feito?
Espero que não. Essas empresas são muito profissionais, e os benefícios de uma vacina são muito drásticos, não só na linha de frente do setor de saúde como também na linha de frente da economia e da educação. Precisamos pôr um fim a esta pandemia. Felizmente temos essa especialização do setor privado que podemos transformar em um bem público que chegue a todo o planeta. Algumas pessoas talvez tenham uma atitude de esperar para ver, mas acredito que, com o tempo, conseguiremos alcançar a maioria da população e chegar a um nível em que a transmissão desacelere drasticamente.

Dada a linha do tempo acelerada com que essas vacinas vêm sendo desenvolvidas, quão confiante você está de que elas não só serão eficazes como também seguras?
Não existe muita vantagem em termos de lucro para a maioria das empresas envolvidas, inclusive aquelas que terão as vacinas mais escaláveis e de menor custo. Estaremos todos de olho nos dados. Mas é bem provável, creio eu, que uma vacina segura saia desse trabalho de pesquisa e desenvolvimento.

Países ricos estão gastando bilhões de dólares para colocar seus cidadãos nos primeiros lugares na fila da vacina. Onde isso deixa o restante do mundo?
Essa questão é muito importante porque, seja do ponto de vista humanitário, seja de liderança estratégica, ou mesmo para prevenir que a epidemia continue voltando, precisamos de um plano para enviar a vacina ao mundo inteiro. Os Estados Unidos têm investido bastante no financiamento de pesquisa e desenvolvimento para os testes. O que os Estados Unidos não têm feito é participar da criação de fábricas e liberar recursos para aquisições para o resto do mundo. Algo entre 8 bilhões e 10 bilhões de dólares financiaria essas atividades internacionais.

Você vem falando em criar uma coalizão de governos, empresas e bancos de fomento para organizar e financiar vacinas para os países pobres. Quão realista é isso?
O único país que não tem comparecido a essas discussões são os Estados Unidos. O Congresso sempre fez dos Estados Unidos uma liderança em saúde global. Nós erradicamos a varíola, enfrentamos o HIV. As pessoas ainda esperam que preenchamos esse vácuo. Os outros países, inclusive os líderes europeus, têm dado passos à frente com contribuições generosas. Mas não é o suficiente sem os Estados Unidos. Precisamos de tudo isso junto, e quanto antes melhor. O mundo não está acostumado a esse vácuo de liderança.

Estou presumindo que você se aproximou do governo Trump em busca de apoio para esse plano de produção e distribuição mundial. Quão receptivo o governo americano tem sido até o momento?
Tenho falado com republicanos e democratas, com o Congresso e o Executivo. Quando parecia que sairia uma lei complementar, a impressão era que pelo menos 4 bilhões de dólares para a vacina entrariam nessa proposta. Agora não está mais claro se vai mesmo haver uma lei complementar, o que é uma pena. Quando falamos em acabar com a epidemia americana, essa peça global tem de ser parte ­integrante do quadro geral. Você precisa literalmente gastar bilhões para salvar trilhões. Vai ser a parte de maior impacto de qualquer alocação [de recursos] que seja feita.

A Fundação Gates vem documentando a catástrofe econômica que a covid-19 está produzindo. E se estivermos diante de uma recuperação em K, com algumas pessoas emergindo da pandemia no topo e outras ainda mais enfraquecidas e ficando mais ainda para trás?
Enquanto a doença estiver à solta, várias pequenas empresas vão ser impactadas de modo desproporcional. E há a desigualdade disso — seja entre cidadãos deste país, trabalhadores do setor produtivo ou administrativo, seja negros tendo uma taxa de contaminação muito mais alta do que o resto da população —, os países pobres não conseguem fazer empréstimos e gastar dinheiro como os Estados Unidos e outros países ricos têm feito. Quase todas as dimensões da desigualdade estão sendo acentuadas aqui. Temos de dar um basta a essa doença e voltar para onde estávamos.

Seria fácil ignorar os teóricos da conspiração que acreditam que você ajudou a criar e propagar o coronavírus se não houvesse tantos deles. Essa fama está se tornando um impedimento para seus esforços ou para o trabalho da fundação?
É tão maluco sugerir o contrário. Nós fazemos vacinas, e isso está salvando milhões de vidas. Dizer que uma vacina é de algum modo maligna ou que as mortes não estão acontecendo de verdade… para mim, é surpreendente quanto isso é interessante e como se espalha mais depressa do que a verdade. Como essas plataformas de mídias sociais deviam tentar evitar se tornar a fonte dessas invenções estranhamente interessantes? Esse é um debate ou discussão que teremos de continuar a promover.

Uma vítima da pane na relação da América com a China é a colaboração na pesquisa do vírus e na contenção da epidemia. Você compartilha da desconfiança em relação às intenções da China?
Para mim, há casos em que podemos ter uma situação ganha-ganha, em termos de resolver problemas médicos, ou trabalhar juntos em inovação contra mudanças climáticas. Eu odiaria ver o que algumas pessoas propõem, de levar adiante essa separação completa. Isso seria um cenário perde-perde.

Há sobreposições entre o desafio de combater a pandemia e lutar contra o aquecimento global. Que passos o governo pode tomar para abordar os dois problemas ao mesmo tempo?
A pandemia ilustra que o governo não cuidou de nós, apesar dos alertas terem sido feitos. O mesmo paradigma vale para o clima. Infelizmente, o problema só piora, e não há uma solução como uma vacina, em que você pode gastar dezenas de bilhões de dólares e botar um fim ao problema. O caso das mudanças climáticas é ainda pior. O dano feito a cada ano será muito maior do que temos visto durante esta pandemia.

Joe Biden tem um plano ambicioso e caro para combater as mudanças climáticas e mudar o fornecimento de energia americano para fontes renováveis. O que você acha dessa abordagem?
Ignorar as mudanças climáticas é um erro gigantesco. É um problema muito difícil de resolver, e algo cujo trabalho precisa ter início várias décadas antes de quando se quer aplicar determinada solução, porque estamos falando em mudar a maior parte da economia mais física do mundo. Transportes, indústrias, edifícios, eletricidade, todas essas coisas ­— e a agricultura — colaboram para as emissões. Para muitas dessas fontes de emissões, nós não temos soluções.

Quão realista é a meta de Biden de 100% de energia limpa até 2035?
Acho que vai ser muito difícil de atingir, mas é uma meta excelente. Sem inovação, e muita inovação, não vamos conseguir chegar lá.

O plano Biden tem um custo de 2 trilhões de dólares. É um bocado de dinheiro para gastar em quatro anos. Você tem confiança de que o governo americano consiga fazer isso de modo responsável e eficiente?
A parte que eu entendo melhor é a de pesquisa e desenvolvimento, que utilizaria parte desse dinheiro. Se nós gastarmos o mesmo volume que destinamos à pesquisa na área da saúde por meio dos NIH [National Institutes of Health, os Institutos Nacionais de Saúde], um custo de cerca de 35 bilhões de dólares por ano, se tivéssemos um instituto nacional de energia e do clima, consigo imaginar esse dinheiro fazendo uma diferença enorme e criando todo tipo de empresas que poderiam exportar suas inovações.

O dinheiro do contribuinte é mais bem gasto implementando tecnologias limpas existentes, ou seria melhor investir em novas tecnologias?
Só a inovação focada nos problemas mais complexos nos dá chance real de chegar a zero [emissões]. Nós temos focado nos problemas que ainda são complexos mas não supercomplexos, como veículos de passeio.

Está claro que o clima estará nas urnas em novembro. O que mais está em jogo para você nesta eleição?
É um contraste e tanto. Eu não revelo em quem vou votar por causa de meu trabalho com a Fundação Gates. Adotamos o compromisso de trabalhar com qualquer governo. Tivemos ótimas relações com os dois partidos. Penso que, em termos de clima, você teria mais foco e mais conhecimento especializado com Biden do que com o governo atual.

Ou seja, você não vai apoiar nenhum candidato?
Acho que minhas convicções são bastante óbvias. No entanto, quero poupar minha voz em termos de influenciar as pessoas.

Um dos pontos em comum tanto da pandemia quanto do aquecimento global é uma desconfiança crescente na ciência. Onde este país vai parar se os eleitores não acreditarem no que os dados científicos mostram e no que os modelos científicos indicam?
Ninguém conhece toda a ciência. Eu sou um estudante eterno, e o pouco que eu conheço é minúsculo. Nós deveríamos escolher alguém que acredite em especialistas, que possa admitir erros e esteja disposto a apresentar um plano de longo prazo. Dizer apenas “nós somos um país egoísta” talvez funcione para algumas coisas; para outras que exigem cooperação global, porém, é um enorme problema.

Você é um célebre investidor em tecnologia energética. Onde considera que está a maior promessa hoje em termos de avanços genuínos?
Todos os avanços serão de alto risco. Eu perdi muito dinheiro em empresas de baterias. Creio que não devíamos descartar a fissão nuclear porque os projetos das próximas gerações podem ser bastante seguros e econômicos. Isso se encaixaria perfeitamente em nossa situação. Mesmo coisas consideradas fora da curva, como fusão, [são áreas em que] deveríamos continuar a investir porque têm um potencial enorme. Estamos para trás em aproximadamente duas dúzias de grandes inovações. Como podemos melhorar o modo de produzir aço? Ou cimento? Não são problemas simples. Porém, se você apoiar 20 ou 30 abordagens para cada um desses problemas, sua chance de sucesso é bastante grande, na verdade, particularmente se você criar um mercado inicial e tiver um produto com preço totalmente competitivo, como baterias para carros ou painéis solares.

O armazenamento claramente seria um divisor de águas na questão da mudança para energias renováveis, como eólica e solar. Nós estamos atualmente mais próximos do que você chamou de milagre do armazenamento?
Não. É só pegar Tóquio durante um período de duas semanas quando acontece um tufão. Nenhuma das fontes renováveis está disponível. É mais energia do que todas as baterias que o mundo já construiu, multiplicada por um número enorme. No caso das baterias automotivas, sim, nós temos feito um ótimo trabalho e o tipo de avanço incremental que claramente virá acompanhado disso permitirá aos carros elétricos de passeio ir dos poucos por cento atualmente existentes para algo muito mais popular na próxima década ou duas décadas. Isso é a notícia superboa. Mas esse é só um pedaço do problema dos transportes. Os aviões são muito, muito mais difíceis [de resolver] do que os carros de passeio. Olhando para armazenamento, temos de admitir que, quando se fala em armazenamento em termos de painéis, há uma grande possibilidade de nunca chegarmos a ter um avanço desses. Temos de buscar caminhos alternativos para fornecer energia de modo totalmente limpo, confiá­vel e drasticamente ampliado.

Você acabou de descrever carros elétricos como a “parte fácil” da economia sustentável. Isso quer dizer que talvez não haja tanto valor em empresas como a Tesla e a Nikola, como sugere o mercado de ações?
O fato de Elon Musk e outros terem criado um excelente carro elétrico é uma contribuição enorme aos esforços de combate ao aquecimento global. Ele fez isso com qualidade. Ainda é um pouco caro, mas ele pegou aquele mercado inicial, e esse mercado vai crescer, e outras empresas automobilísticas, vendo o sucesso dele, entrarão no segmento. A pergunta sobre qual o lucro por veículo e qual a participação de mercado da Tesla eu deixo para quem mexe com ações. Não é um problema relacionado ao aquecimento global de modo algum. A dificuldade em outras áreas é muito maior, e não estou de jeito nenhum menosprezando a necessidade de aumentar a participação de mercado dos veículos elétricos, mas, em termos relativos, esse é um setor muito mais simples do que o da economia industrial, em que nosso progresso é minúsculo. Ainda temos bastante subinvestimento nessas áreas­ mais complexas.

Elon Musk construiu uma empresa de carros elétricos. Ele fabricou foguetes reutilizáveis. Ele é um inovador até mesmo em tecnologia de túneis. Algumas pessoas o descreveram como o novo Steve Jobs. Você conheceu Jobs. Elon Musk é o novo Steve Jobs?
Quando você conhece alguém pessoalmente, esse tipo de simplificação grosseira parece esquisito. Elon é mais um engenheiro que põe a mão na massa. Steve era um gênio em design, seleção de pessoas e marketing. Ninguém entraria em uma sala e confundiria os dois.

Hoje, você ainda se impressiona tanto com as coisas de ponta que as pessoas criam em tecnologia industrial quanto teria ficado há 20 anos?
A inovação hoje é mais rápida. As ferramentas da tecnologia digital, que gente como eu e Steve Jobs teve sorte o suficiente para estar envolvida na criação, na prática permitiram compartilhar informação e cooperação global em problemas difíceis para melhorá-los. Temos visto isso na velocidade com que estamos desenvolvendo estas vacinas. Não poderíamos ter feito isso 10 anos atrás. Com o clima, precisamos de toda essa velocidade extra e mais. Precisamos de políticas econômicas, precisamos de mais dinheiro para pesquisa e desenvolvimento, precisamos de mais capital de risco em função de todas essas áreas complexas. Mas sim, a inovação está acelerando, e esse é o único motivo pelo qual dá para ser otimista quanto ao aquecimento global.

Fonte: Erik Schatzker (Bloomberg Businessweek). Publicado em: 08/10/2020 às 05h29. Alterado em: 09/10/2020 às 15h42. Exame.

Esta entrevista foi realizada durante o Festival Verde Bloomberg

2020 summer book recommendations by Bill Gates

Bill Gates at LinkedIn

Bill Gates recomenda: os 5 livros para você ler em 2020

Foto: Gates Notes

Duas vezes por ano, Bill Gates compartilha a sua lista de livros preferidos lidos no ano. Recentemente, o cofundador da Microsoft renovou suas recomendações que podem servir de inspiração para você ler – ou presentear alguém – em 2020.

As dicas, como de costume, são variadas e trazem temas que vão desde o comportamento humano até a história dos Estados Unidos.

“Por ser um cara dos dados, gosto de olhar para a minha lista de leitura e ver se alguma tendência surge”, escreveu em seu blog.

Confira as obras indicadas por Gates na lista abaixo.

Um casamento americano, de Tayari Jones

O livro foi indicado pela filha de Gates e conta a história de um casal negro, cujo casamento é dilacerado por um incidente. Segundo Gates, a autora da obra é capaz de fazer com que você tenha empatia com os dois personagens principais, mesmo depois que um deles toma uma difícil decisão.

“O assunto é pesado, mas instigante, e fui sugado pela trágica história de amor de Roy e Celestial”, disse o executivo.

These Truths, de Jill Lepore

O livro cobre toda a história dos Estados Unidos em apenas 800 páginas. Para Gates, mesmo que você já tenha lido muito sobre o assunto, provavelmente aprenderá algo novo durante a narrativa.

“É o relato mais honesto e inflexível da história americana que eu já li”, afirmou Gates. O livro ainda não conta com tradução em português.

Growth, de Vaclav Smil

Vaclav Smil é um dos autores favoritos de Bill Gates. O livro traz uma investigação sistemática sobre o crescimento da natureza e da sociedade, desde microorganismos até as trajetórias das civilizações.

“Como sempre, eu não concordo com tudo o que Smil diz, mas ele continua sendo um dos melhores pensadores, documentando o passado e ohando para o cenário geral.”

Ainda sem tradução para o português.

Prepared, de Diane Tavenner

A obra fala sobre a preparação de crianças e adolescentes para a vida. A autora, que criou uma rede com algumas das escolas com melhor desempenho nos Estados Unidos, criou um guia sobre como tornar esse processo o mais tranquilo e produtivo possível.

“Ao longo do caminho, ela compartilha o que aprendeu sobre ensinar às crianças não apenas o que elas precisam para entrar na faculdade, mas como viver uma vida boa”, comentou Gates.

Why We Sleep, de Matthew Walker

Gates conta que ao longo deste ano leu alguns livros sobre comportamento humano, e que “Why We Sleep” foi um dos mais interessantes. A obra explica o significado de uma boa noite de sono e dá dicas para você melhorar os seus hábitos para uma vida mais saudável.

“Walker me convenceu a mudar os meus hábitos de sono para melhorar a minha saúde”, completou.

A edição ainda não conta com versão em português.

Fonte: Redação Computerworld, 13/12/2019 às 9h06.

Not enough people are paying attention to this economic trend By Bill Gates

By the second semester of my freshman year at Harvard, I had started going to classes I wasn’t signed up for, and had pretty much stopped going to any of the classes I was signed up for—except for an introduction to economics class called “Ec 10.” I was fascinated by the subject, and the professor was excellent. One of the first things he taught us was the supply and demand diagram. At the time I was in college (which was longer ago than I like to admit), this was basically how the global economy worked:

Capitalism Without Capital book review

There are two assumptions you can make based on this chart. The first is still more or less true today: as demand for a product goes up, supply increases, and price goes down. If the price gets too high, demand falls. The sweet spot where the two lines intersect is called equilibrium. Equilibrium is magical, because it maximizes value to society. Goods are affordable, plentiful, and profitable. Everyone wins.

The second assumption this chart makes is that the total cost of production increases as supply increases. Imagine Ford releasing a new model of car. The first car costs a bit more to create, because you have to spend money designing and testing it. But each vehicle after that requires a certain amount of materials and labor. The tenth car you build costs the same to make as the 1000th car. The same is true for the other things that dominated the world’s economy for most of the 20th century, including agricultural products and property.

Software doesn’t work like this. Microsoft might spend a lot of money to develop the first unit of a new program, but every unit after that is virtually free to produce. Unlike the goods that powered our economy in the past, software is an intangible asset. And software isn’t the only example: data, insurance, e-books, even movies work in similar ways.

The portion of the world’s economy that doesn’t fit the old model just keeps getting larger. That has major implications for everything from tax law to economic policy to which cities thrive and which cities fall behind, but in general, the rules that govern the economy haven’t kept up. This is one of the biggest trends in the global economy that isn’t getting enough attention.

If you want to understand why this matters, the brilliant new book Capitalism Without Capital by Jonathan Haskel and Stian Westlake is about as good an explanation as I’ve seen. They start by defining intangible assets as “something you can’t touch.” It sounds obvious, but it’s an important distinction because intangible industries work differently than tangible industries. Products you can’t touch have a very different set of dynamics in terms of competition and risk and how you value the companies that make them.

Haskel and Westlake outline four reasons why intangible investment behaves differently:

  1. It’s a sunk cost. If your investment doesn’t pan out, you don’t have physical assets like machinery that you can sell off to recoup some of your money.
  2. It tends to create spillovers that can be taken advantage of by rival companies. Uber’s biggest strength is its network of drivers, but it’s not uncommon to meet an Uber driver who also picks up rides for Lyft.
  3. It’s more scalable than a physical asset. After the initial expense of the first unit, products can be replicated ad infinitum for next to nothing.
  4. It’s more likely to have valuable synergies with other intangible assets. Haskel and Westlake use the iPod as an example: it combined Apple’s MP3 protocol, miniaturized hard disk design, design skills, and licensing agreements with record labels.

None of these traits are inherently good or bad. They’re just different from the way manufactured goods work.

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Source: Bill Gates, August 14, 2018