Ambiente político do Brasil assusta matrizes, diz presidente da Anfavea

 — Foto: Silvia Costanti / Valor
Foto: Silvia Costanti / Valor

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes, disse nesta quarta-feira que o “ambiente político do país assusta as matrizes” das montadoras. Segundo o dirigente, várias questões preocupam.

A aprovação do Orçamento de 2021 é uma delas. O maior “desapontamento” com o Orçamento, segundo disse, é que as despesas obrigatórias deveriam ter sido aprovadas no ano passado. “A subestimação das despesas criou espaço para emendas pensando nas eleições de 2022”, afirmou.

“Brasília deveria pensar mais no Brasil”, destacou o presidente da Anfavea, logo depois de apresentar os resultados da indústria automobilística no primeiro trimestre.

“É um absurdo o que estamos passando”, disse Moraes. Para ele, o quadro da crise sanitária no país poderia ser “menos dramático”. “Mas por incompetência ou falta de visão” isso não aconteceu.

Ao ser questionado se estava prevista sua participação em jantar que está sendo organizado entre o presidente Jair Bolsonaro e empresários de São Paulo, nesta quarta-feira, Moraes disse que não foi convidado. “Não tenho saído de casa e, aliás, tenho até que lavar a louça, o que não está fácil”, disse.

Fonte: Marli Olmos, Valor, 07/04/2021.

Venda de veículos novos cai 16,7% em fevereiro no Brasil, com crise e falta de insumos

 — Foto: Silvia Costanti /Valor/Arquivo
Foto: Foto: Silvia Costanti /Valor/Arquivo

crise e falta de insumos na indústria tiveram reflexo negativo nas vendas internas de veículos em fevereiro. De acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o mercado de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus caiu 16,7% em fevereiro para 167,4 mil veículos ante mesmo mês de 2020.

No acumulado do ano, a retração foi de 14,2% no bimestre na comparação com o mesmo mês do ano passado. Foram licenciados 338,5 mil veículos em todo o país.

Os estoques continuam baixos. Com 98 mil unidades, indústria e concessionárias têm volume de veículos suficiente para 18 dias de vendas.

A indústria automobilística registrou, em fevereiro, queda de 3,5% na produção, com 197 mil veículos. No acumulado do ano, no entanto, houve ligeira melhora, com alta de 0,2% para 396,7 mil unidades.

Ao divulgar os dados de desempenho do setor no primeiro bimestre, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, apontou a escassez de componentes que afeta o ritmo das linhas de montagem. Segundo ele, além dos semicondutores, um problema que afeta o setor em todo o mundo, as montadoras têm enfrentado escassez de outros insumos, como plásticos, borracha, pneus e aço.

Moraes queixou-se, ainda, da pressão nos custos dos fretes, marítimo e aéreo, como consequência da “desorganização” logística mundial provocada pela pandemia.

“Viveremos ainda momentos de muita emoção porque não vemos a solução desses problemas no curto prazo”, destacou.

O nível de emprego continua em queda na indústria automobilística nas comparações anuais. As montadoras de veículos fecharam fevereiro com 104,6 mil funcionários, uma queda de 2,4% na comparação com um ano atrás.

Mas, na comparação com janeiro, houve acréscimo de vagas, puxada principalmente pela indústria de caminhões. Houve um crescimento de 1,2% no quadro efetivo do setor na comparação com o mês anterior.

Exportações

Com 33,1 mil unidades, as exportações de veículos registraram, no mês passado, o menor volume embarcado no mês de fevereiro desde 2015.

O volume representou uma queda de 12,2% na comparação com fevereiro de 2020. A receita, por outro lado, cresceu 10,4%, com US$ 607,9 milhões. O aumento do valor se deve, segundo a Anfavea, ao maior volume de exportações de caminhões.

No acumulado do ano, a exportação somou 58,1 mil veículos, uma alta de 0,2% na comparação com o primeiro bimestre de 2020. Isso representou receita de US$ 1,06 bilhão, alta de 15,9% antes mesmo período do ano passado.

Fonte: Marli Olmos, Valor — São Paulo, 05/03/2021

Produção de veículos cresce 4,2% em janeiro, mas ainda sofre efeitos da pandemia – Folha de S.Paulo

Com 199,7 mil unidades produzidas, a fabricação de veículos no Brasil teve alta de 4,2% em janeiro na comparação com o mesmo mês de 2020. O dado divulgado nesta quinta-feira (4) pela Anfavea (associação das montadoras) contabiliza carros de passeio, comerciais leves, ônibus e caminhões.

Os resultados mostram mais os efeitos da pandemia da Covid-19 sobre a indústria do que propriamente a sua recuperação: o desarranjo da cadeia automotiva modificou períodos de férias coletivas e gerou distorções. É o caso da queda de 4,6% na produção na comparação com dezembro.

“Não gosto de olhar apenas para um mês isolado e achar que será um reflexo do ano. O jogo começou agora, ainda é o primeiro pedaço do primeiro tempo e queremos sentir um pouco mais como 2021 vai se desenrolar”, diz Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea.

O executivo afirma que fatores como o andamento da campanha de vacinação irão definir o ano da indústria, que se inicia com o mesmo problema de 2020: dificuldades pontuais no fornecimento de componentes.

Com o avanço da pandemia no Brasil e em países que são fornecedores da indústria automotiva nacional, ainda há falta de peças para abastecer algumas linhas de montagem, o que deve levar à oscilação na produção no primeiro semestre.

Moraes diz que foram registradas faltas pontuais de alguns tipos de aço e de pneus.

A falta de componentes gera atrasos na entrega de carros novos, o que influi nos dados de venda. Os emplacamentos de modelos novos caíram 11,53% na comparação entre os meses de janeiro de 2020 e de 2021. Em relação a dezembro, houve retração de 29,85%.

Foram comercializadas 171.153 no último mês, número que inclui carros de passeio, comerciais leves, ônibus e caminhões.

O estoque segue baixo, com carros suficientes para atender a 18 dias de vendas. Para Moraes, esse é um cenário que deve se consolidar, já que está ocorrendo um novo planejamento da cadeia automotiva global, processo acelerado pela pandemia.

O fechamento das fábricas da Ford, anunciado no dia 11 de janeiro, ainda não se reflete nos dados sobre emprego. Houve alta de 2,1% no número de trabalhadores entre dezembro e janeiro, com 2.200 contratações.

Muitos desses funcionários têm contratos temporários, estabelecidos principalmente nas linhas de produção de veículos pesados.

A produção de ônibus e caminhões em janeiro registrou alta de 19,4% na comparação com o mesmo mês de 2020, mas houve queda de 18,4% em relação a dezembro.

“Enfrentamos uma série de dificuldades desde o início da pandemia com vários materiais diferentes em falta, mas o agronegócio continua pujante”, diz Gustavo Bonini, que é um dos vice-presidentes da Anfavea.

O executivo afirma que o setor varejista também tem colaborado para o bom momento dos veículos pesados, e que já vê sinais de estabilidade nas vendas.

Uma das preocupações do setor é o impacto das seguidas altas nos preços dos veículos leves e pesados. O presidente da Anfavea considera que houve três ondas de reajustes: a alta do dólar, o aumento no custo dos insumos e a mudança nas alíquotas de ICMS (Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) no estado de São Paulo.

Apesar dos aumentos, as montadoras se queixam da perda de rentabilidade e procuram se defender de críticas sobre os benefícios tributários recebidos no Brasil.

Moraes afirma que o setor automotivo recolheu R$ 268 bilhões em impostos entre os anos de 2011 e de 2017. No mesmo período, a desoneração do setor foi de R$ 24 bilhões.

Segundo o presidente da Anfavea, grande parte dos benefícios tributários recebidos foram destinados à área de pesquisa e desenvolvimento, com geração de empregos de melhor remuneração e formação de mão de obra qualificada.

Moraes afirma que o desequilíbrio fiscal penaliza a indústria da transformação. Segundo cálculos apresentados por ele, a carga tributária que incide sobre um automóvel produzido no Brasil chega a 44% de seu valor.

Na Europa, os tributos somados atingem aproximadamente 20%. Nos Japão e nos EUA, os impostos equivalem a 13% e 7% do valor do bem, respectivamente.

Fonte: Folha de S.Paulo, Eduardo Sodré, 4/2/2021.

Indústria automobilística começa 2021 mal e pede fim do “custo Brasil”

ANFAVEA/divulgação

Após ter um péssimo 2020 por causa da pandemia do coronavírus, a indústria automobilística esperava um bom início de ano no Brasil. No entanto, o balanço de janeiro volta a soar o alerta vermelho no setor. Logo no primeiro mês de 2021 houve queda de quase 30% nos licenciamentos, além de um recuo de 35% nas exportações em relação a dezembro.

Segundo a Anfavea, a representante das montadoras de veículos, é normal que janeiro tenha números menores que dezembro, que costuma ser um mês forte em vendas. A queda na comparação com janeiro de 2020, por exemplo, foi de 11,5%. Entretanto, a associação considera o resultado preocupante. E começa 2021 sem fazer as tradicionais projeções.

“Temos questões indefinidas da pandemia, tais como a falta do abono emergencial, o déficit fiscal, possíveis aumentos da taxa de juros, problemas com fornecimento de matérias-primas. Ainda não dá para tirar conclusões. Historicamente, janeiro fica abaixo de dezembro. Vamos acompanhar os próximos meses para entender o ano. Continuamos com neblina”, resume Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea.

“Custo Brasil” é maior entrave

A Anfavea dedicou a maior parte da coletiva falar, não dos números da indústria, mas do sistema tributário brasileiro — que resulta no chamado “custo Brasil”. A apresentação trouxe dezenas de números e comparou o percentual de tributos pagos nos carros aqui e em vários outros países.

O levantamento da Anfavea aponta que a carga tributária sobre o automóvel no Brasil chega a 44% do valor do veículo em modelos com motor acima de 2.0 litros, que pagam IPI maior. Contudo, tem um detalhe: este percentual não inclui outros impostos, como o IPVA e o IOF cobrado no financiamento. Ou seja, essa carga de tributos é ainda maior.

“Está prejudicando as montadoras? Não. Está prejudicando também o fornecedor, o concessionário e toda a cadeia. E quem está pagando por isso é o consumidor. Enquanto cidadãos, pagamos uma carga tributária absurda para comprar um carro. Então, por favor, não duvidem dela. A carga tributária no Brasil é insuportável, ninguém aguenta mais. Nós queremos um sistema tributário mais equilibrado, simplificado e transparente para toda a sociedade”, desabafa Luiz Carlos Moraes.

Anfavea propõe seguir a Europa

Segundo o presidente da Anfavea, se o Brasil estabelecer um sistema tributário equivalente ao praticado nos países da Europa, com 22% de tributos sobre os veículos, então já será razoável. Em nome da indústria, Moraes pediu também a simplificação dos tributos. “Se quisermos ter o país crescendo, precisamos de um sistema tributário mais simples. Temos estudos sobre isso”, pontuou.

Um dos slides da apresentação mostra que o custo das empresas com os departamentos financeiros no Brasil supera a despesa com áreas de pesquisa e desenvolvimento. Por causa do avanço dos carros elétricos e das leis de emissões, e de tecnologias como a condução autônoma, os centros de P&D são, portanto, os que mais recebem investimentos atualmente.

“Eu tenho certeza de que, com uma carga tributária aceitável, o volume de vendas será bem maior. Muito mais brasileiros poderão comprar um carro ou investir em veículos pesados. E certamente o valor arrecadado pelo Estado será maior. O Brasil tem a maior carga tributária, e não é só. Tem ICMS diferente para cada estado, 11,6% de PIS/COFINS, um absurdo! Sem falar no IPVA e no IOF”, enumera Luiz Carlos Moraes.

Empregos temporários em alta

No início de janeiro, a Ford encerrou a produção de veículos no Brasil. Dessa maneira, a indústria no país fechará cerca de 5 mil empregos diretos, a maioria na fábrica de Camaçari, na Bahia, onde eram produzidos a linha Ka e o SUV EcoSport. Entretanto, estas demissões ainda não constam no balanço da Anfavea, já que os sindicatos negociam a rescisão com a Ford.

Por ora, o ano registra alta de 2,1% nos contratos em relação a dezembro de 2020. Contudo, Luiz Carlos Moraes explica que grande parte das vagas abertas são temporárias. Por isso, não há como prever o ano de 2021 e as consequências do fechamento das fábricas da Ford.

“O impacto é enorme quando vem o investimento, e também quando se perde uma grande fábrica. Sabemos que as autoridades estão se movimentando, governadores, prefeitos, sindicatos. Esperamos que isso ajude a resolver a situação da Ford”, espera Moraes.

Para o presidente da Anfavea, o Brasil não pode sair do mapa da indústria de carros. O levantamento da representante das montadoras mostra que, de todos os setores da economia, o automobilístico é o que gera mais empregos, principalmente com pesquisa e desenvolvimento.

“É o setor que puxa a pesquisa, o que mais gera empregos de qualidade, com treinamento. Para cada vaga perdida na indústria automobilística, outros oito postos de trabalho são fechados. O Brasil não pode perder a indústria de transformação”, conclui Luiz Carlos Moraes, da Anfavea.

Fonte: Estadão, Jornal do Carro, Diogo de Oliveira, 4/2/2021.

Brasil precisa decidir se vai continuar fechando fábricas, diz presidente da Anfavea

 — Foto: Silvia Costanti / Valor
Foto: Silvia Costanti / Valor

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes, decidiu nesta quarta-feira se pronunciar a respeito da decisão da Ford de fechar suas fábricas no país.

Segundo ele, já faz mais de dois anos que a entidade se queixa dos problemas macroeconômicos que afetam o setor, como o que ele chama de “manicômio tributário”. “O Estado é muito pesado; é impossível desenvolver uma indústria com a atual carga tributária”, destacou.

Segundo o dirigente, a indústria automobilística vai investir nos países que forem competitivos. E relembrou estudo já apresentado pela entidade que indicou que produzir carros no Brasil sai 18% mais caro que no México.

Moraes disse também estar preocupado com a perda de competitividade do Brasil no cenário global. “No jogo da competição global vamos entrar sem chuteira, com a bola murcha e a camisa rasgada”, destacou.

Ele disse que antes da pandemia a indústria automobilística trabalhava com ociosidade de mais de 50%. O Brasil tinha capacidade para produzir 5 milhões de veículos por ano, o dobro do necessário hoje. Mas cinco fábricas foram fechadas – quatro da Ford e uma da Mercedes-Benz. Ele calcula que a capacidade agora está entre 4,5 milhões a 4,7 milhões.

Fonte: Marli Olmos, Valor, 13/01/2021.

Inteligência Competitiva automóveis: Venda de carros cresce nos primeiros cinco meses de 2017, diz Anfavea

Hyundai HB20, 7.934 unidades. Eduardo Anizelli 18.out.2016/Folhapress

O mercado automotivo deve voltar a ter um indicador positivo. Dados parciais levantados pela Anfavea (associação nacional das montadoras) mostram que as vendas acumuladas nos primeiros cinco meses de 2017 vão superar igual período do ano passado.

Os números computados até a manhã desta sexta (26) registram alta de 0,2% nos emplacamentos de veículos de passeio e de 0,8% nos de comerciais leves entre janeiro e maio.

Ao fechar a conta total, que inclui veículos pesados, há queda de 0,4%: ônibus e caminhões puxam o número para baixo.

A Anfavea acredita que os resultados dos próximos dias úteis de maio serão suficientes para superar o total dos cinco primeiros meses de 2016, quando foram licenciados 811,7 mil veículos.

Apesar da crise política, a entidade afirma manter as conversas setoriais com os ministérios para implementar a agenda chamada Rota 2030, que busca dar mais previsibilidade ao setor industrial no Brasil.

As discussões passam por mudanças tributárias (incluindo o modelo de cobrança do IPVA), suporte aos fornecedores locais de peças e definição de metas de eficiência energética.

Fonte: EDUARDO SODRÉ, COLUNISTA DA FOLHA, 26/05/2017, 16h43