Inteligência Competitiva: TV paga registra queda de 105,40 mil assinantes em janeiro

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) registrou em janeiro de 2017 um total de 18,69 milhões de assinantes de TV paga no Brasil, o que corresponde a uma diminuição de 105,40 mil assinantes em comparação com dezembro de 2016, menos 0,56%. Dos grupos acompanhados pela Agência, a Oi e a Cabo apresentaram crescimento de 1,06% e 0,24%, respectivamente. Todos os outros grupos apresentaram redução.

Nos últimos doze meses, a redução foi de 364,46 mil assinantes, menos 1,91%. Neste período, a Oi apresentou crescimento de 12,03% com mais 141,55 mil assinantes. Todos os outros grupos apresentaram redução, destaque para a Blue com queda de 30,66%, redução de 46.116 assinantes.

Em relação às tecnologias, entre dezembro de 2016 e janeiro de 2017, a fibra ótica apresentou crescimento de 0,22% devido à adição de 485 usuários. No entanto, em 12 meses, esta tecnologia apresentou crescimento de 27,35% com a entrada de 47, 59 mil assinantes. Todos os outros serviços apresentaram queda, em termos absolutos a maior redução foi registrada por usuários de satélite, menos 353,67 mil assinantes (-3,2%).

Nos estados brasileiros, no último mês o Ceará liderou a redução percentual nos números de usuários de TV paga, menos 1,73%, seguido pelo Amazonas com redução de 1,62% e Amapá com menos 1,54%. Piauí apresentou crescimento de 0,19% e Maranhão de 0,06%, entre dezembro de 2016 e janeiro de 2017.

Nos últimos doze meses, Pernambuco liderou a redução percentual nos assinantes no país, menos 8,02%, seguido de Rondônia com queda de 7,98% e Amapá com menos 7,58%. Lideraram o crescimento da TV paga no Brasil os estados do Piauí com 7,47%, Sergipe com 4,26% e Maranhão com 4,08% de aumento no número de assinantes.

Fonte: Agência Nacional de Telecomunicações

Inteligência Competitiva: Na banda larga, Anatel abre chance para teles e enfurece consumidores

SÃO PAULO ­ A decisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de proibir que as operadoras bloqueiem a conexão de banda larga fixa do cliente quando atingir o limite de dados contratado não é uma punição às companhias, como poderia parecer num primeiro momento. A agência, na verdade, está abrindo uma janela para que as teles possam preservar seus investimentos, disciplinando o uso da internet fixa.

É longa a discussão sobre o uso da rede mundial e há muitas resistências por parte de internautas sobre qualquer tipo de disciplina ou regra nessa “terra” que parece ser de ninguém. Mas quando o uso da infraestrutura ameaça comprometer no futuro a qualidade do serviço e a receita, as donas dessas redes reagem e buscam proteção para seus investimentos. Na banda larga móvel, as teles já praticam a redução da velocidade quando o cliente chega próximo do limite de seu plano.

Existem até aplicativos para o usuário baixar no celular que o avisa sobre o consumo e dá alertas de gasto próximo do limite. O presidente da Anatel, João Rezende, tem repetido que “não existe almoço de graça”, um bordão usado para mostrar que o que é grátis está sendo cobrado de alguma outra forma. Nessa linha, se a operadora oferece internet com uso ilimitado, o custo excedente será repassado de algum outro modo

As próprias operadoras acostumaram os usuários com os planos ilimitados, oferecidos inicialmente para cativar e reter os clientes. A adesão cresceu nos últimos anos, o tráfego vem se multiplicando, incentivado por serviços de vídeo sob demanda e acesso a redes sociais. Nesse ponto, os planos ilimitados não interessam mais aos planos de negócios.

Os provedores desses serviços de conteúdo são como hóspedes que inicialmente foram bem­vindos, mas que têm usado por muito tempo a infraestrutura. Com a informalidade inicial para atender os usuários, não houve um acordo direto com as teles. O pretexto dessas empresas de conteúdo é que atraem clientes, os quais já pagam às teles para terem seus planos de internet. Os consumidores, habituados à tecnologia, não querem pagar mais por isso, embora o volume de tráfego que geram venha crescendo rapidamente.

Estudo da Cisco indica que o tráfego da internet no Brasil em 2019 será equivalente a 399 vezes o volume de toda a internet brasileira de 2005. O tráfego por protocolo internet duplicará de 2014 a 2019, crescendo a uma taxa de 19% e atingindo 53 exabytes/ano, informa o estudo.

Nas redes sociais e nos sites de entidades de proteção do consumidor há milhares de reações dos internautas contra o corte ou a redução da velocidade por consumo de dados na banda larga fixa. No Senado Federal, mais de 20 mil pessoas assinaram digitalmente, de 13 a 18 de abril, o programa Ideia Legislativa, que propõe “proibir expressamente” o corte ou a redução da velocidade.

“Suspeita­se que o real motivo seja outro: o consumidor, sem a limitação por consumo, pode fazer uso livre e irrestrito de serviços como o Netflix, WhatsApp, Skype e outros, que, por suas excelentes qualidades e preços, concorrem com os serviços de TV por assinatura e de comunicações das próprias prestadoras”, diz o texto publicado no portal e­Cidadania.

O senador baiano Walter Pinheiro (sem partido) critica a proposta das teles, que considera absurda. Para ele, trata­se de “uma violência ao Marco Civil de Internet”, que proíbe a discriminação de conteúdo na rede. Isso porque as empresas poderiam dizer que estão cortando quantidade de dados, não conteúdo.

A Oi informou que atualmente não pratica redução de velocidade ou interrupção da navegação após o fim da franquia de dados de seus clientes de banda larga fixa. “O limite é por consumo de dados mensal, proporcional à velocidade contratada e informado no regulamento da oferta”, afirmou a empresa.

Na Vivo, quem contratou o serviço de banda larga Speed até 4 de fevereiro ou o Vivo Fibra e GVT fibra até 1º de abril, que preveem acesso ilimitado, continuarão sem qualquer alteração, informou a companhia. Os contratos após essas datas já preveem franquia, não são mais ilimitados. Mas a operadora afirmou que não vai aplicar as cláusulas de franquia “por tempo indeterminado”. “Além disso, quando e se vier a implantar o modelo de franquia para banda larga fixa, a Vivo fará uma ampla campanha de esclarecimento, em diversos meios de comunicação”, avisou a operadora.

A TIM não comercializa planos com franquia mensal de dados limitada do serviço TIM Live e não prevê mudanças nas ofertas atuais, segundo a empresa. Os planos são ofertados de acordo com a velocidade de conexão (de 35 Mega a 1 Giga de velocidade) e com navegação livre. Para o presidente da Algar Telecom, Jean Carlos Borges, a oferta de banda larga fixa ilimitada poderá estrangular as redes das empresas no médio e longo prazo. “Daí, vão ter que limitar [o acesso], porque o sistema todo vai colapsar”, disse. O executivo comparou a infraestrutura de internet com uma rodovia com cinco pistas. Se a quantidade de veículos crescer demasiadamente, sem tempo para escoar o tráfego, o trânsito para. O mesmo acontece com a internet, que pode parar com o excessivo tráfego de dados e vídeo.

A Algar não tem limitação de franquia e, segundo ele, está bem “equacionada”no curto e médio prazo.

“As empresas não podem manter seus planos ilimitados não pelo seu teor [conteúdo], mas pela quantidade de dados e o compromisso com a qualidade, que fica comprometido para todos os usuários”, afirmou Borges, para tentar separar o tema da questão da neutralidade de rede. No entanto, destaca que as teles deveriam poder determinar quais pacotes de dados teriam prioridade para transmissão. A ideia é oferecer melhor qualidade a quem remunera melhor o serviço.

Nesse cenário, é importante o papel de empresas de conteúdo (provedores over­the­top, ou OTTs), como Google, Facebook, WhatsApp e Netflix, por exemplo. O serviço que oferecem demanda alto tráfego nas redes, mas ainda não se encontrou um modelo viável para atender a todos os participantes desse jogo: teles, OTTs e usuários.

“As OTTs destroem receita de SMS e de voz. Elas capturam uma fatia do caixa das empresas ou do bolso do consumidor. Em vídeo, impactam o serviço de TV por assinatura”, disse Borges. Em sua opinião, o governo e a Anatel deveriam desonerar as teles para dar isonomia com as OTTs.

A Net informou que não houve qualquer alteração nas políticas e características dos planos de banda larga fixa por ela comercializados. “Permanecem as mesmas desde que o serviço foi lançado. Estão em total conformidade com as obrigações e regulamentos do setor”, afirmou a empresa, que está analisando o teor da decisão cautelar recebida da Anatel ontem.

Fonte: Ivone Santana, Jornal Valor Econômico, 19/4/2016

Inteligência Competitiva Telecomunicações: Digitalização exige criação de novas estratégias de cobertura

Revisar o marco legal das telecomunicações é apenas o começo de uma discussão necessária: as novas prioridades de atendimento e políticas públicas eficientes para a digitalização.

O alerta vem de Ércio Zilli, sócio da consultoria TeleAZ. “O momento político deve dificultar o processo. A Anatel tem limitações para realizar mudanças e dependerá do Poder Executivo”, diz. Por isso, é importante ter em mente os interesses do país, entender o funcionamento do setor e continuar a promover a concorrência ­ uma das bases estabelecidas pela Lei Geral das Telecomunicações (LGT).

“O fato é que o serviço de telefonia fixa deixou de ser essencial”, diz. Se as leis atuais não atendem mais ao interesse público, Zilli indica o estabelecimento de regras genéricas para o setor. Elas teriam uma base mais moderna e tratariam, primordialmente, da concorrência e da qualidade dos serviços. “A universalização é tema para programas específicos, de cunho social e econômico”, afirma. Ricardo Distler, diretor­executivo da Accenture, diz que a concessão nas telecomunicações é um instrumento raro hoje no mundo. “O usual são as licenças de autorização, privilegiando a ampla concorrência entre redes e serviços.” De fato, os contratos de concessão transferem o monopólio público para o privado, trocando a concorrência por obrigações em mercados com pouco interesse para as empresas privadas.

A saída para garantir a universalização de serviços, em áreas sem viabilidade econômica, tem sido as parcerias público­privadas. “Na Austrália, o governo constrói as redes e licita a operação. Utiliza, para isso, recursos de fundos de universalização.”

Os subsídios para operação também são instrumentos nos países desenvolvidos. No Brasil, o Fundo de Universalização das Telecomunicações (Fust) ­ formado pela contribuição de 1% da receita das operadoras de telecomunicações e de TV por assinatura ­ só pode ser utilizado para a telefonia fixa. Além disso, os recursos são sistematicamente contingenciados.

“Estender o uso do Fust para banda larga é alternativa viável”, defende Distler.

Mas é necessário liberar os recursos. Segundo Distler, é preciso estabelecer regras considerando ainda a atuação agressiva das empresas Over The Top (OTT), que oferecem conteúdo, serviços e aplicativos para os consumidores. Elas concorrem em serviços com a operadoras e não estão sob as mesmas regras.

“Não se trata de regular e restringir essas empresas. Isso desmotivaria a inovação. É necessário dar as mesmas condições a todos”, diz. Levantamento feito pela Accenture mostra que lucro líquido somado do Google, Amazon, Facebook, Alibaba e NetFlix (com total de US$ 48,22 bilhões), equipara­se ao número registrado pelas operadoras de telecomunicações AT&T, Verizon, America Movil, Telefônica e China Telecom ­ cuja soma atingiu US$ 46,14 bilhões no ano passado. “Mas o valor de mercado das OTTs supera o das operadoras em 2,6 vezes”, comenta.

“O tratamento desigual é que nos incomoda, não a concorrência”, destaca Jean Carlos Borges, presidente da Algar Telecom. Para ele, fortalecer o setor de telecomunicação é algo bom para o consumidor. Com assimetria na concorrência, a qualidade dos serviços melhora, por uma questão de mercado, e os preços caem.

“Sem infraestrutura não existe conteúdo e nem conexão em banda larga. Temos a missão de melhorar o ambiente de investimentos”, afirma.

Fonte: Ediane Tiago, Valor, 23/03/2016 ­ 05:00