Analysis Without Paralysis: 12 Tools to Make Better Strategic Decisions by Babette E. Bensoussan and Craig S. Fleisher

Since the publication of the original edition, the importance of interpreting business data has become mission critical for professionals in all types of businesses. 

These professionals have discovered the benefits of business analysis to address their organizations most crucial strategic and tactical challenges. 

The Second Edition of this successful guide to business analysis, shows readers how to apply analytical tools without having to mire themselves in advanced math or arcane theory. Analysis Without Paralysis teaches readers the fundamentals of business analysis through the use of 12 core tools.

Each tool will make the way readers assess and interpret their business’ data more effective, accurate, and actionable. 

Accessibly written, the authors walk readers through the entire business analysis process and then explain each of today’s most valuable analysis tools so business professionals will be able to make better decisions about their company’s strategy and operations–and achieve better results. 

The Second Edition includes three new analytical tools and updates all of the prior edition’s data and examples. For each tool, the authors present clear descriptions, context, rationales, strengths, weaknesses, step-by-step instructions, and case study examples.

“This title should be on any business manager’s shelf wanting to make better decisions using analysis.” 

UK Competitive Intelligence Forum (UK CIF)

34% dos cargos de professor da rede estadual em SP estão vagos

deficit de professores nas escolas da rede estadual de São Paulo é de 80 mil profissionais. Esse número representa 34% do quadro de docentes paulistas. É o que aponta o balanço mais atualizado da Secretaria de Estado de Educação, divulgado pelo “Diário Oficial do Estado” em abril. De acordo com o levantamento, o quadro completo é formado por 248.233 profissionais, mas apenas dois terços dos cargos estão preenchidos.

deficit foi calculado pelo Fiquem Sabendo a partir da soma do total de professores efetivos, ou seja, aprovados em concurso, e de docentes temporários.

Os cargos não preenchidos poderiam ser ocupados pelos professores temporários. No entanto, em agosto deste ano, havia cerca de 30 mil profissionais contratados sob esse regime de trabalho, número bem inferior aos 114 mil cargos vagos.

A Secretaria de Educação, no entanto, afirma que não faltam professores para nenhuma disciplina em nenhuma escola do Estado de São Paulo. O Fiquem Sabendo solicitou à secretaria informações acerca de como a pasta chegou a essa conclusão, mas não obteve nenhum retorno diante desse questionamento. 

Alunas sofrem com a falta de professor em sala de aula

Fiquem Sabendo entrevistou duas alunas que perderam aula por causa da falta de professor no 9º ano, o último ano do ensino fundamental. Sofia*, 14, aluna da Escola Estadual Professor Architiclino Santos, no Parque Continental, na zona oeste da capital, relata ter estudado sozinha em casa para não perder o conteúdo do ano letivo. “Em 2017, fiquei o ano inteiro sem Geografia, foi horrível porque eu tinha muita aula vaga e eu sentia que estava ficando pra trás”.

A estudante afirmou ainda que em alguns casos, professores de outras matérias são escalados para substituir o titular que se ausenta. “Esse ano aconteceu muito isso, os professores pegaram aula dos outros educadores que estavam ausentes no dia e deram suas aulas normais, ou seguiam um esquema que o professor deixou no dia. Os alunos não gostam nem um pouco disso”.

A demora para achar um professor substituto adequado também incomoda a amiga Luiza*, 14, que cursa o 9º ano da Escola Estadual Professor José Monteiro Boanova, no Alto da Lapa. “Esse ano eu fiquei quase um mês sem história, pois a minha professora se aposentou e demoraram a achar um professor. A direção do colégio falava que não tinha muito o que fazer, diziam que estavam procurando um professor novo”, lamenta. 

Secretaria de Educação não tem métrica para calcular a falta de professor

A busca por essa informação, que deveria ser facilmente acessível, se mostrou bastante complicada. Primeiro, fizemos um pedido bastante simples através da Lei de Acesso à Informação. No dia 18 de julho, solicitamos à Secretaria de Educação: “Hoje, há a falta (deficit no quadro das escolas estaduais) de quantos professores (número absoluto) em cada uma das disciplinas de ensino na rede estadual de São Paulo?”.

A resposta foi que “não se aplica falarmos de falta de professores”, pois “caso seja constatada a necessidade de um docente de qualquer disciplina, motivada em decorrência de um afastamento por licença saúde, por exemplo, novas atribuições de aulas são feitas”. No entanto, o poder público não forneceu nenhum dado para sustentar a afirmação.

Pedimos então o número de professores por disciplina e por escola em todo o Estado de São Paulo. O setor técnico da Secretaria respondeu com os dados organizados e em planilha aberta. Agora tínhamos acesso à quantidade de professores atuando na rede; restava descobrir quantos deveriam ter.

Todo órgão obrigatoriamente tem que publicar um balanço de cargos ao final do período de um ano. O mais recente, de 2017, foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) em 28 de abril de 2018. Segundo esse documento, a falta de professores ultrapassa 100 mil profissionais.

Com essas informações voltamos a questionar a Secretaria de Educação. A pasta afirmou que os cargos previstos no balanço do DOE são “uma construção histórica, que já não representa mais a realidade do sistema”, uma vez que este teria diminuído ao longo do tempo. Afirmaram que esse dado também não poderia ser usado por contabilizar apenas os professores concursados e estáveis e não incluir os professores temporários. Perguntamos então quantos professores temporários existiam e quanto diminiui o sistema. Não souberam responder.

Duas semanas depois a Secretaria de Educação forneceu o número absoluto de professores temporários ativos em agosto de 2018. São 29.901 profissionais. Agora, tendo em mãos o número de professores concursados, estáveis e temporários podemos concluir que faltam 84.376 professores na rede estadual de São Paulo, levando em conta a previsão de cargos publicada no Diário Oficial e a informação fornecida pela própria secretaria. Uma vez que a instituição não apresentou nenhum outro documento mais atualizado sobre a previsão de cargos, esse será o padrão comparativo utilizado.

Fizemos um novo pedido de nota e a secretaria insiste em negar a existência de qualquer deficit de professores na rede estadual, alegando ser incorreta a métrica usada pela reportagem. Questionamos então, qual seria a métrica adequada e qual eram os dados usados para afirmar que não existe deficit de professores nenhum. Mais uma vez, foi dito que esse dado simplesmente não existe. Fica a questão: se não há o levantamento dessas informações, como a secretaria pode afirmar não haver falta de professores? E se a Secretaria de Educação não têm esse controle, quem tem?

Ressalta-se ainda que um pedido similar foi feito pelo jornal Estado de S. Paulo para a Secretaria Municipal de Educação em junho de 2016, que prontamente forneceu os dados organizados em planilha aberta. A reportagem “Déficit de professores cresce na gestão Haddad e chega a 4,7 mil profissionais” foi publicada a partir dessas informações. Chama atenção ainda que a última reportagem na imprensa sobre a falta de professores na rede estadual foi publicada em 2012, pela Folha de São Paulo.

APEOESP confirma a existência de deficit nas escolas do estado

A presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP), Maria Izabel Azevedo Noronha, confirma que faltam professores nas escolas. Em relação às negativas da Secretaria de Educação, disse que “o deficit é, de certa forma, maquiado pelo Estado”. Ela ressalta, inclusive, que o último concurso público teve o prazo de validade expirado antes da nomeação de 15.000 profissionais, que poderiam estar agora cobrindo as lacunas no quadro de professores. Critica ainda existência de contratos temporários: “a forma de contratação é muito desigual e injusta no caso dos professores temporários”. 

Secretaria de Educação diz que não faltam professores na rede estadual

Em um primeiro momento, a Secretaria de Educação enviou a seguinte resposta ao Fiquem Sabendo:

“A publicação no DOE (Diário Oficial do Estado) se refere a um balanço da situação de cargos da Pasta em 2017. Os quadros providos/preenchidos correspondem ao número de servidores da rede estadual e os quadros de cargos vagos se referem às posições excedentes, portanto não se trata de deficit.”

A partir de novos questionamentos por telefone, enviaram a nota reproduzida aqui na íntegra:

“Não há deficit de professores na rede estadual. Ao todo, são 201.037 educadores contratados pelo Estado, sendo 29.901 temporários. Além dos efetivos e os temporários, a Secretaria da Educação conta ainda com um cadastro de educadores eventuais para suprir licenças e ausências dos titulares de cargos.

Ao contrário do que aponta a reportagem, não existe um ‘quadro previsto’ de professores na rede estadual tampouco um ‘quadro completo’.  Ao analisar o balanço de cargos – documento público e disponível para consulta –, a reportagem confunde cargo vago – posição disponível que pode ser preenchida caso necessário e que não onera o Estado – com a ausência de professor em sala de aula.

Lamentamos que, mesmo depois de inúmeras explicações e orientações acerca da leitura correta dos dados, a reportagem tente induzir o leitor ao erro, apresentando dados incorretos e inexistentes”.

Fonte: 04 dez 2018, Maria Vitória Ramos, Fiquem Sabendo

Autoridades brasileiras debatem gestão pública e educação

Entre os dias 25 e 30 de novembro, 65 autoridades brasileiras (governadores, parlamentares, especialistas, empresários e terceiro setor) se reuniram em um encontro para debater gestão pública e educação na Universidade de Oxford. De forma propositiva e com visões plurais, o objetivo era buscar consenso sobre as prioridades e possíveis ações para os dois temas. O encontro foi promovido pela Fundação Lemann e contou com o apoio da Fundação Brava e da Blavatnik School of Government da Universidade de Oxford para o pilar de gestão pública e do Todos pela Educação para a agenda de educação. 

Gestão de pessoas no setor público

A primeira parte do encontro debateu a gestão de pessoas no setor público, que é fundamental para que governos possam entregar serviços de qualidade à população. “No Brasil, ainda precisamos enfrentar o desafio de atrair, reter e desenvolver as pessoas melhor preparadas para atuar em cargos de liderança para o governo”, diz Denis Mizne, diretor-executivo da Fundação Lemann. “Estamos criando um ambiente de respeito, troca de experiências e pluralidade de ideias para que atores-chave para o desenvolvimento do país incluam esse desafio na agenda nacional.”

Para a conversa, contamos com relatos de experiências internacionais de especialistas como Dustin Brown (Diretor de Administração da Secretaria da Fazenda do Gabinete da Presidência dos EUA), Thomas Shannon (Subsecretário de Estado para Assuntos Políticos que coordenou a transição governamental Obama-Trump), Graeme Head (Comissário de Serviço Público de New South Wales, Austrália), e Kate Josephs (Diretora de Operações Nacionais, Departamento de Educação do Governo Britânico). 

Quem participou

A pluralidade e a diversidade de ideias, trajetórias e pensamentos marcaram o encontro, reafirmando um dos nossos valores fundamentais: apenas com diálogo e com diferentes perspectivas poderemos construir caminhos mais completos para resolver desafios complexos do país. Por isso, convidamos ao evento pessoas filiadas a vários partidos políticos, pessoas que não pertencem a nenhum partido, especialistas no tema, acadêmicos e organizações do terceiro setor. Tudo para garantir um debate plural e construtivo. Membros da equipe das equipes de transição do atual Governo e do Governo eleito também foram convidados. 

Mais informações, Fundação Lemann

Why does 5G have everyone worried about Huawei?

Photo: Reuters

ON DECEMBER 1st Meng Wanzhou, the chief financial officer of Huawei, a big Chinese telecoms firm—and the daughter of the company’s founder—was arrested in Canada, from where she may well be extradited to America.

The arrest has touched off a diplomatic firestorm. China has accused America of “hooliganism” and demanded her release; Western technology executives fret about the possibility of retaliation if they were to visit China themselves.

The charges against Ms Meng have not yet been made public. They are thought to be to do with violating American sanctions against Iran (a charge which Huawei denies). But this particular diplomatic grenade has detonated amid a broader argument about China’s increasing reach in advanced technology, from semiconductors to artificial intelligence. 

One particular bone of contention has been over super-speedy “fifth-generation” (5G) mobile-phone networks. Upgrading to 5G will require telecoms firms around the world to spend plenty of money on new kit. Huawei—along with rivals such as Ericsson, a Swedish firm, and Nokia, a Finnish one—aims to be one of the principal suppliers.

That is seen, increasingly, as a worry. Huawei has long been dogged by suspicions that it co-operates rather too closely with China’s government. Ren Zhengfei, its founder, used to be in the People’s Liberation Army. Western spooks have mused publicly about the risk that Huawei’s kit might be siphoning valuable data back to Beijing, or that it comes with “back doors” that would allow state-sponsored hackers to eavesdrop on, or even disrupt, another country’s communications.

The firm has always denied any improper links with the Chinese state, and researchers have never found any evidence of such back doors. But sceptics wonder how possible it is for even a well-intentioned firm to avoid forced co-operation with the Chinese government. Given that America’s government is not above implanting bugs into kit made by its own technology firms, it would be a leap to assume that China’s intelligence services were not at least exploring similar possibilities.

The looming transition to 5G provides an obvious peg on which to hang such worries. 5G networks offer greatly increased capacity and snappy response times. For that reason it is often seen as a vital enabling technology for the “Internet of Things”, in which all manner of devices, from cars and industrial robots to toasters and children’s toys, will talk to each other, and to the internet at large. This, in turn, will supposedly usher in a “fourth Industrial Revolution” in which data and autonomous decision-making will mark the biggest change in business life since the last one. The more connected the world becomes, the argument runs, the greater the risk of allowing a Chinese firm to be in charge of the infrastructure upon which it all depends.

In recent days the leaders of spy agencies in Britain and Canada have both spoken publicly about the risks associated with 5G. New Zealand has prevented one of its telecoms firms from buying Huawei’s kit; Australia’s government has implemented a similar ban; Japan is considering one. (French and German ministers, by contrast, have said that Huawei is still welcome in their nations.)

Such concerns are not idle. Yet, like the technology itself, they can be overhyped. For the foreseeable future, 5G networks will be used much like existing ones. Most analysts believe the biggest driver of adoption will be consumers keen to watch even more streaming video on their smartphones. Deployment will be limited at first to city centres, and then spread more slowly to the rest of the world. The more systematic changes driven by 5G will take longer to materialise. 5G has become a lightning-rod for concerns about Chinese technology. But the hyperconnected future is not as imminent as you might think.

Source: The Economist, Business and finance, Dec 7th 2018

Reconhecimento facial: é hora de agir, por Brad Smith, presidente da Microsoft

Em julho, compartilhamos nossos pontos de vista sobre a necessidade de regulamentação governamental e de medidas responsáveis do setor para abordar o avanço da tecnologia de reconhecimento facial.

Conforme discutimos, essa tecnologia traz benefícios sociais importantes e até empolgantes, mas também o potencial de abuso. Notamos a necessidade de um estudo e discussão mais amplos sobre essas questões.

Nos meses seguintes, discutimos essas questões ainda mais, conversando com tecnólogos, empresas, grupos da sociedade civil, acadêmicos e funcionários públicos em todo o mundo. Aprendemos mais e testamos novas ideias. Com base nesse trabalho, acreditamos que é importante ir além do estudo e da discussão. Chegou o tempo para a ação.

Acreditamos que é importante que os governos comecem a adotar leis para regulamentar essa tecnologia em 2019. O gênio do reconhecimento facial, por assim dizer, está emergindo da garrafa. Se não agirmos, corremos o risco de acordar daqui a cinco anos para descobrir que os serviços de reconhecimento facial se espalharam de formas que exacerbam os problemas da sociedade. Passado tanto tempo, esses desafios serão muito mais difíceis de enfrentar.

Em particular, não acreditamos que o mundo será mais bem atendido por uma corrida comercial até as últimas consequências, com as empresas de tecnologia obrigadas a escolher entre responsabilidade social e sucesso de mercado. Acreditamos que a única maneira de proteger contra essa corrida é construir um piso de responsabilidade que suporte a concorrência saudável do mercado. E um piso sólido exige que garantamos que essa tecnologia, e as organizações que a desenvolvem e usam, sejam regidas pelo estado de direito.

Embora não tenhamos respostas para todas as possíveis perguntas, acreditamos que existem respostas suficientes para uma legislação inicial boa nessa área, que permitirá que a tecnologia continue avançando, protegendo o interesse público. É fundamental que os governos acompanhem essa tecnologia, e essa abordagem incremental permitirá um aprendizado mais rápido e melhor em todo o setor público. Resumimos nossas ideias abaixo e priorizaremos esse tópico em nossas discussões sobre políticas públicas em estados e países selecionados.

Acreditamos também que, embora seja melhor abordar esses problemas de maneira ampla, não devemos esperar pela ação dos governos. Nós e outras empresas de tecnologia precisamos começar a criar salvaguardas para abordar a tecnologia de reconhecimento facial.

Acreditamos que essa tecnologia pode atender nossos clientes de maneiras importantes e amplas e, cada vez mais, não somos apenas incentivados, mas inspirados por muitos dos aplicativos de reconhecimento facial que nossos clientes estão implantando. Mas mais do que outras tecnologias, essa precisa ser desenvolvida e usada com cuidado.

Após discussões e revisões substanciais, decidimos adotar seis princípios para gerenciar esses problemas na Microsoft. Estamos compartilhando esses princípios agora, com um compromisso e planos de implementá-los até o final do primeiro trimestre de 2019.

Também lançaremos novos materiais e recursos de treinamento para ajudar nossos clientes a usar essa tecnologia de forma responsável. Especialmente no atual estágio de desenvolvimento e mais do que em muitos outros produtos, a tecnologia de reconhecimento facial exige que empresas de tecnologia e clientes trabalhem juntos para implantar esses serviços com sucesso. Estamos comprometidos a trabalhar de perto com os clientes nos setores público e privado.

Os governos e o setor de tecnologia desempenham um papel vital para garantir que a tecnologia de reconhecimento facial crie amplos benefícios sociais ao mesmo tempo que reduz o risco de abuso. Embora muitas das questões estejam se tornando cada vez mais claras, a tecnologia é jovem.

Precisamos abordar as questões iniciais agora e aprender enquanto avançamos, desenvolvendo mais conhecimento e experiência à medida que a tecnologia evolui e a experiência do setor público se aprofunda. É possível e talvez provável que etapas adicionais sejam necessárias com o tempo. Mas, como Mark Twain observou certa vez, “o segredo de seguir em frente é começar”. A hora de começar é agora.

Oportunidades de reconhecimento facial

Tal como acontece com todas as novas tecnologias, os usos do reconhecimento facial estão se multiplicando de maneira previsível e surpreendente. Mas está cada vez mais claro que muitos desses usos criaram muitos benefícios novos e positivos para as pessoas em todo o mundo.

É impressionante ver a amplitude dessa inovação. A polícia de Nova Deli, na Índia, recentemente testou a tecnologia de reconhecimento facial e identificou quase 3.000 crianças desaparecidas em quatro dias. Historiadores nos Estados Unidos usaram a tecnologia para identificar soldados desconhecidos em fotografias da Guerra Civiltiradas na década de 1860.

Pesquisadores usaram com sucesso um software de reconhecimento facial para diagnosticar uma doença genética rara em africanos, asiáticos e latino-americanos. E em outubro, o Banco Nacional da Austrália criou uma prova de conceito para permitir que os clientes retirem dinheiro de um caixa automático usando reconhecimento facial e um PIN.

A Microsoft é uma das várias empresas que desempenham um papel importante no desenvolvimento da tecnologia de reconhecimento facial. Estamos trabalhando com clientes em todo o mundo e, ao mesmo tempo, atuamos de forma agressiva em esforços para melhorar a capacidade dessa tecnologia reconhecer rostos com diversas idades e tons de pele. 

No mês passado, uma nova avaliação conduzida pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia, ou NIST, verificou o progresso que fizemos no desenvolvimento da tecnologia de reconhecimento facial, que agora está no topo do setor de TI. Os algoritmos que a Microsoft submeteu a essa avaliação foram consistentemente classificados como os mais precisos ou próximos dos mais precisos dos 127 testados. Acreditamos no futuro da tecnologia de reconhecimento facial e no papel positivo que ela pode desempenhar.

Problemas que precisam ser abordados

Ao mesmo tempo, precisamos estar atentos aos riscos e ao potencial de abuso. À medida que continuamos a avaliar para onde essa tecnologia está indo, acreditamos que há três problemas que os governos precisam resolver.

Primeiro, especialmente em seu estado atual de desenvolvimento, certos usos da tecnologia de reconhecimento facial aumentam o risco de decisões e, mais genericamente, de resultados tendenciosos e que, em alguns casos, violam leis que proíbem a discriminação.

Segundo, o uso disseminado dessa tecnologia pode levar a novas intrusões na privacidade das pessoas.

E terceiro, o uso da tecnologia de reconhecimento facial por um governo para a vigilância em massa pode invadir as liberdades democráticas.

Acreditamos que todos esses três problemas devam ser tratados por meio de legislação, conforme descrito abaixo.

Abordando o preconceito e a discriminação

Primeiro, especialmente no estado atual de desenvolvimento, certos usos da tecnologia de reconhecimento facial aumentam o risco de decisões, resultados e experiências que são tendenciosas e até mesmo violam leis de discriminação.

Pesquisa recente demonstrou, por exemplo, que algumas tecnologias de reconhecimento facial encontraram taxas de erro mais altas ao buscar determinar o gênero das mulheres e das pessoas de cor. Isso torna especialmente importante que a Microsoft e outras empresas de tecnologia continuem o trabalho necessário para identificar e reduzir esses erros e melhorar a precisão e a qualidade das ferramentas e serviços de reconhecimento facial.

Este trabalho está em andamento e estamos fazendo um progresso importante. É igualmente importante que trabalhemos de perto com os clientes para garantir que os serviços de reconhecimento facial sejam implementados de maneira adequada, de forma a reduzir esses riscos. Com o tempo, acreditamos que forças de mercado que funcionam bem podem incentivar a inovação tecnológica necessária.

Mas também acreditamos que novas leis são necessárias nesta área e por duas razões distintas. Primeiro, as forças de mercado só funcionarão bem se os clientes em potencial estiverem bem informados e forem capazes de testar a tecnologia de reconhecimento facial quanto à precisão e aos riscos de influências injustas, incluindo desvios que surgem no contexto de aplicativos e ambientes específicos.

Atualmente, as empresas de tecnologia variam em sua disposição de disponibilizar sua tecnologia para esse fim. Como resultado, alguns testes acadêmicos desses serviços omitiram alguns dos líderes de mercado. E quando importantes organizações de defesa tentaram realizar testes, enfrentaram quase imediatamente rejeições e críticas de alguns provedores que afirmam que o teste é deficiente.

Como sociedade, precisamos de uma legislação que coloque grupos de testes imparciais, como o Consumer Reports e seus colegas, em uma posição na qual possam testar os serviços de reconhecimento facial com precisão, de maneira transparente e imparcial.

Acreditamos que novas leis podem atender essa necessidade com uma dupla abordagem:

  • Exigir transparência. A legislação deve exigir que as empresas de tecnologia que oferecem serviços de reconhecimento facial forneçam documentação que explique os recursos e limitações da tecnologia de uma forma que clientes e consumidores possam entender.
  • Permitir testes e comparações de terceiros. As novas leis também devem exigir que os fornecedores de serviços de reconhecimento facial permitam que terceiros, envolvidos em testes independentes, conduzam e publiquem testes razoáveis de seus serviços de reconhecimento facial para que os resultados sejam mais precisos e não tendenciosos. Uma abordagem sensata é exigir que as empresas de tecnologia que tornam seus serviços de reconhecimento facial acessíveis na internet também disponibilizem uma interface de programação de aplicativos ou outra capacidade técnica adequada para essa finalidade.

Há uma segunda razão para acreditarmos que é necessária uma nova legislação nessa área, e ela aponta para medidas adicionais que precisam ser contempladas. Embora tenhamos esperanças de que as forças do mercado possam acabar resolvendo problemas relacionados a preconceito e discriminação, presenciamos um risco crescente de que os serviços de reconhecimento facial estejam sendo usados de maneiras que possam afetar negativamente consumidores e cidadãos nos dias de hoje.

Obviamente, é desanimador pensar nas melhorias futuras dessa tecnologia se ela for identificada incorretamente e usada de uma forma que prive você da capacidade de acessar os serviços do governo, conseguir entrada em um evento ou comprar produtos. Esses problemas podem ser ampliados quando as organizações implantam o reconhecimento facial além dos limites da tecnologia atual ou de maneira diferente do que se pretendia quando foram projetados. Acreditamos que uma nova lei pode ajudar a resolver essas preocupações sem impor obrigações onerosas às empresas e outros usuários. Isto também envolve uma abordagem jurídica em duas frentes:

  • Garantir uma revisão humana significativa. Embora os seres humanos não estejam imunes a erros ou vieses, acreditamos que, em determinados cenários de alto risco, é essencial que as pessoas qualificadas analisem os resultados do reconhecimento facial e tomem decisões importantes em vez de simplesmente entregá-las aos computadores. A nova legislação deve, portanto, exigir que as entidades que implantam o reconhecimento facial realizem uma revisão humana significativa dos resultados do reconhecimento facial antes de tomar decisões finais sobre o que a lei considera como “casos de uso consequentes” que afetam os consumidores. Isso inclui onde as decisões podem criar um risco de danos corporais ou emocionais em um consumidor, onde pode haver implicações nos direitos humanos ou fundamentais e onde a liberdade pessoal ou a privacidade do consumidor podem ser afetadas.
  • Evitar o uso de discriminação ilegal. Por fim, é importante que as entidades que implantam serviços de reconhecimento facial reconheçam que não estão isentas de sua obrigação de cumprir as leis que proíbem a discriminação contra consumidores individuais ou grupos de consumidores. Isso fornece uma razão extra para garantir que os seres humanos realizem uma revisão significativa, dada sua responsabilidade contínua e definitiva sob a lei para decisões baseadas no uso do reconhecimento facial.

Protegendo a privacidade das pessoas

Segundo, o uso disseminado da tecnologia de reconhecimento facial pode levar a novas intrusões na privacidade das pessoas. Por exemplo, todos os estabelecimentos públicos podem instalar câmeras conectadas à nuvem com serviços de reconhecimento facial em tempo real.

Curiosamente, o movimento de privacidade nos Estados Unidos nasceu de melhorias na tecnologia de câmeras. Em 1890, o futuro juiz da Suprema Corte Louis Brandeis deu o primeiro passo na defesa da proteção da privacidade quando coescreveu um artigo com o colega Samuel Warren na Harvard Law Review defendendo “o direito de ser deixado sozinho”. Os dois argumentaram que o desenvolvimento de “fotografias instantâneas” e sua circulação pelos jornais para ganhos comerciais criaram a necessidade de proteger as pessoas com um novo “direito à privacidade”.

A tecnologia atualmente dá um novo significado às “fotografias instantâneas” que Brandeis e Warren provavelmente nunca imaginaram. A partir do momento em que se entra em um shopping, é possível não apenas ser fotografado, mas ser reconhecido por um computador onde quer que se vá. Além das informações coletadas por uma única câmera em um andar, os históricos de longo prazo podem ser reunidos ao longo do tempo a partir de várias câmeras em diferentes locais. O proprietário de um shopping pode compartilhar essas informações com todas as lojas. As lojas podem saber imediatamente quando você as visitou pela última vez, o que você viu ou comprou e, ao compartilhar esses dados com outras lojas, eles podem prever o que você deseja comprar na sua visita atual.

Nosso ponto não é privar os estabelecimentos comerciais dessa nova tecnologia. Ao contrário, estamos entre as empresas que trabalham para ajudar as lojas a usar com responsabilidade essa e outras tecnologias digitais para melhorar as compras e outras experiências do consumidor. Acreditamos que um grande número de compradores receberá e se beneficiará de melhorias no atendimento ao cliente que resultarão da novidade.

Mas as pessoas merecem saber quando esse tipo de tecnologia está sendo usado, de modo que possam fazer perguntas e exercer alguma escolha sobre o que desejam.  Na verdade, nós acreditamos que esse tipo de transparência é vital para a construção do conhecimento e da confiança pública em tecnologia. A nova legislação pode oferecer isso em uma abordagem direta:

  • Garantir o aviso. A lei deve exigir que entidades que usem reconhecimento facial para identificar os consumidores em lugares de compra comuniquem claramente que esses serviços estão sendo usados.
  • Esclarecer o consentimento. A lei deve especificar que os consumidores concordam com o uso do serviço de reconhecimento facial quando entram nas instalações ou usam serviços online que têm este tipo de aviso claro.

Essa abordagem vai significar que as pessoas terão a oportunidade de votar com seus pés – ou com seus teclados ou dedões. Estarão informadas, poderão fazer perguntas ou levar seus negócios para qualquer outro lugar se quiserem.

Avaliamos que alguns, incluindo grupos de consumidores, vão argumentar que a lei deva ir mais longe, especialmente quando se trata da questão do consentimento do consumidor.

Na Europa, isso já acontece. É importante considerar essas visões. Por exemplo, consentimento para usar o serviço de reconhecimento facial poderá ser plano de fundo para os princípios da privacidade, assim como limitações no uso de dados além da definição proposta inicialmente, e os direitos dos indivíduos de acessar e corrigir seus dados pessoais.

Mas, da nossa perspectiva, essa também é uma área, talvez especialmente nos Estados Unidos, onde o novo regulamento pode levar a uma etapa rápida e então nós todos poderemos aprender com as experiências antes de decidir se devemos seguir etapas adicionais.

Protegendo liberdades democráticas e direitos humanos

Terceiro, o uso da tecnologia de reconhecimento facial por um governo pode interferir nas liberdades democráticas e nos direitos humanos. A democracia sempre dependeu da habilidade das pessoas de se reunir, encontrar e conversar e até de discutir suas visões tanto em particular quanto em público. Isto por sua vez depende da capacidade das pessoas de se mover livremente e sem vigilância constante do governo.

Existem muitos usos governamentais da tecnologia de reconhecimento facial que protegerão a segurança pública e promoverão melhores serviços para o público sem gerar preocupações. Já existe um número crescente desses serviços em alguns lugares, e devemos encorajar a subordinação a outras proteções descritas aqui.

Mas existe um uso potencial da tecnologia de reconhecimento facial que poderia colocar nossas liberdades fundamentais em risco. Quando combinada com câmeras onipresentes, alto poder de computação e armazenamento em nuvem, um governo pode usar a tecnologia do reconhecimento facial na vigilância contínua de indivíduos específicos. Pode seguir qualquer pessoa em qualquer lugar ou todas as pessoas em todos os lugares. Pode fazer isso a qualquer momento ou a todo momento. Esse uso da tecnologia de reconhecimento facial poderia desencadear uma fiscalização em massa numa escala sem precedentes.

Sem precedentes, mas não inimaginável. Como George Orwell descreveu em seu livro “1984”, uma visão do futuro exigiria que os cidadãos devessem burlar a vigilância do governo encontrando sua maneira secreta, em um quarto escuro, de tocar em código de sinais de mão nos braços uns dos outros – porque senão câmeras e microfones iriam capturar e gravar seus rostos, vozes e todas as palavras. Orwell esboçou essa visão há quase 70 anos. Hoje, a tecnologia possibilita esse tipo de futuro.

Mas não é inevitável.

Devemos garantir que o ano de 2024 não pareça como uma página de “1984”. Um princípio democrático indispensável sempre foi o de que nenhum governo está acima da lei. Hoje, isso exige que nós garantamos que o uso governamental da tecnologia de reconhecimento facial permaneça sujeita às leis. A nova legislação pode nos colocar nesse caminho:

  • Limitar a vigilância governamental contínua de indivíduos específicos. Para a proteção contra o uso do reconhecimento facial em prejuízo da liberdade democrática, a legislação deve permitir que agências de aplicação de leis usem o reconhecimento facial para se envolver na vigilância contínua de indivíduos específicos em espaços públicos somente quando:
    • um tribunal de justiça permitir o uso do serviço de reconhecimento facial para determinado monitoramento; ou
    • onde houver uma emergência envolvendo um perigo iminente ou risco de morte ou uma pessoa com um ferimento físico sério.

Isso será importante para que os legisladores considerem os padrões para a obtenção de ordens judiciais nesta área. Para a maior parte, nós acreditamos que isso deva ser baseado nas regras tradicionais como causa provável para mandados de busca. Mas pode haver outras circunstâncias que também devam ser permissíveis, como usos apropriados para ajudar a localizar pessoas desaparecidas.

É importante notar que essa abordagem se baseia em decisões recentes da Suprema Corte dos EUA. Em junho, a corte decidiu que o governo não pode obter gravações de celular sem um mandato de busca, e consequentemente as localizações físicas para as quais alguém viajou. Em Carpenter v. United States, o presidente do tribunal, John Roberts, escreveu para a maioria da corte que o indivíduo tem “legítima expectativa de privacidade no registro de seus movimentos físicos” que são gravados no celular.

Apesar de circularmos com nossos telefones em público e compartilharmos nossa localização com nosso provedor de telefonia celular, a Suprema Corte concluiu que nossos registros de localização estão cobertos pela Quarta Emenda à Constituição americana e sua proteção ao nosso direito de estar seguros em nossas “pessoas, casas, papéis e efeitos, contra buscas e apreensões injustificáveis”. Portanto, o tribunal decidiu que o governo não pode rastrear nossos movimentos através de nossos telefones e registros dos locais, a menos que obtenha de um juiz independente um mandado de busca com base na causa provável para acreditar que cometemos um crime.

Nesse contexto, o reconhecimento facial levanta uma nova questão constitucional: nossas faces merecem a mesma proteção que nossos celulares? De nossa perspectiva, a resposta é um sonoro sim.

Como empresa, a Microsoft moveu quatro ações jurídicas contra o governo americano desde 2013 para proteger os direitos de privacidade das pessoas em uma época em que novas tecnologias podem permitir a vigilância em massa. Procuramos repetidamente preservar proteções duradouras – e, em nossa visão, valores atemporais – que estão incorporadas na Primeira e Quarta Emendas da Constituição dos EUA. Do nosso ponto de vista, é importante agir antes que o uso excessivo da tecnologia de reconhecimento facial coloque a nossa liberdade em risco. E enquanto esses problemas chegam à Suprema Corte dos Estados Unidos, como um dos nossos quatro casos em fevereiro passado, eles deveriam começar com as pessoas que são eleitas pelo povo para proteger nossos direitos – nossos legisladores nas capitais dos estados e Washington DC.

Olhando além da lei e da regulamentação

Acreditamos que novas leis e regulamentações são indispensáveis, mas reconhecemos que elas não são substitutas para a responsabilidade que precisa ser exercitada pelas empresas de tecnologia. Em julho, anunciamos que trabalharíamos para avaliar e desenvolver princípios adicionais para governar nosso trabalho de reconhecimento facial. Hoje, avançamos num importante aspecto desse trabalho, publicando os princípios que iremos adotar para o trabalho de reconhecimento facial da Microsoft e enviando feedback para guiar nossas implementações.

Nos últimos seis meses, passamos um tempo considerável buscando informações e conselhos de nossos funcionários, clientes, funcionários públicos, acadêmicos e grupos da sociedade civil. Nos beneficiamos das discussões nos Estados Unidos e ao redor do mundo. Decidimos dar o próximo passo agora, adotando seis princípios que abordam as preocupações que acreditamos que os governos também precisam ter. São elas:

  • Justiça. Trabalharemos para desenvolver e implantar a tecnologia de reconhecimento facial de uma maneira que se esforce para tratar todas as pessoas de forma justa.
  • Transparência. Vamos documentar e comunicar claramente os recursos e limitações da tecnologia de reconhecimento facial.
  • Prestação de contas. Incentivaremos e ajudaremos nossos clientes a implantar a tecnologia de reconhecimento facial de modo a garantir um nível adequado de controle humano para usos que possam afetar as pessoas.
  • Não-discriminação. Proibiremos em nossos termos de serviço o uso de tecnologia de reconhecimento facial em discriminação ilegal.
  • Aviso e consentimento. Incentivaremos os clientes do setor privado a fornecer notificação e consentimento seguro para a implantação de tecnologias de reconhecimento facial.
  • Vigilância legal. Defenderemos proteções para as liberdades democráticas das pessoas nos cenários de vigilância de aplicação da lei e não implantaremos a tecnologia de reconhecimento facial em cenários nos quais acreditamos que colocarão essas liberdades em risco.

Na próxima semana, publicaremos um documento detalhando esses princípios, e trabalharemos nos próximos meses para coletar feedback e sugestões de indivíduos e grupos interessados ​​sobre como podemos implementá-los da melhor forma.

Ao darmos este passo, estamos cientes da necessidade de criar políticas, processos e ferramentas para tornar esses princípios eficazes em toda a nossa empresa. Continuaremos com este trabalho e lançaremos formalmente estes princípios antes do final de março de 2019.

Assim como as questões regulatórias discutidas aqui, estamos adotando uma abordagem incremental com a adoção desses princípios. Reconhecemos que ainda não temos todas as respostas. Dado o estágio inicial da tecnologia de reconhecimento facial, nem sabemos todas as perguntas. Mas acreditamos que adotar uma abordagem baseada em princípios fornecerá uma experiência valiosa que nos permitirá aprender mais rápido. Ao fazê-lo, estamos comprometidos em compartilhar o que aprendemos, talvez mais especialmente com os nossos clientes através de novos materiais e recursos de formação que lhes permitam adotar o reconhecimento facial de uma forma que dê às partes interessadas e ao público a confiança que merecem.

Fonte: Brad Smith, presidente da Microsoft, Microsoft News Center Brasil | 7 Dezembro , 2018 às 6:33 pm |

Chamada para publicação: Revista Inteligência Competitiva 2019

Apresentação 

A Revista Inteligência Competitiva tem como proposta ser um veículo acadêmico para a produção na área de Inteligência Competitiva, Competição e Competitividade. Está aberta a professores, pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação para a divulgação de artigos científicos, ensaios e estudos de caso didáticos, cujos temas sejam de interesse à Inteligência Competitiva, Competição, Competitividade tais como: 

– Estratégia e Inteligência Competitiva
– Campos e Armas da Competição – CAC
– Análise da Cadeia de Valor
– Análise de Cenários
– Criação e implantação de Programas de Inteligência de Classe Mundial
– Fontes de Inteligência e Técnicas de Coleta
– Inteligência Tecnológica
– Pontos Cegos (Competitive Blindspots)
– War Game

A lista tem como objetivo ilustrar, não restringir. A revista abre espaço para artigos de discussão teórica, de caráter bibliográfico ou ensaístico, entendendo que a reflexão crítica na área é tão importante quanto a pesquisa empírica. 
Pelo trabalho voluntário iniciado e premiado pela Strategic and Competitive Intelligence Professionals – SCIP em 2003 no Brasil, a revista disponibiliza os artigos à comunidade sem ônus para o leitor. 

Os artigos submetidos sofrem avaliação de pares titulados pelo sistema blind review. A revista publicará artigos em Português. Esperando com isto contribuir com o aprofundamento da discussão nesse campo de estudos tão importante para o país, os editores e o comitê científico aguardam as submissões dos colegas da área. 

A submissão é realizada através desse link 

Prof. Dr. Alfredo Passos
Editor Chefe

Inteligência Competitiva: para Facebook, futuro dos anúncios está na interação por vídeos

Ana Paula Paiva/Valor
 
David Fischer, terceiro na hierarquia mundial do Facebook: “O comportamento do consumidor muda antes das empresas”. Foto: Ana Paula Paiva/Valor

Oito anos e meio atrás, David Fischer começou a colocar em prática no Facebook uma estratégia que ajudaria a redesenhar o mercado de publicidade digital,reforçando a fatia da rede social nesse negócio.

Foio executivo quem, primeiro, convenceu os anunciantes a publicarem propaganda no canal de notícias da rede social. O resultado mostra o acerto da medida. Hoje,Facebook e Google, onde Fischer trabalhou anteriormente, detêm 58% dos anúncios digitais nos Estados Unidos, mantendo uma larga distância dos concorrentes,segundo a consultoria eMarketer.

Agora,o número três na hierarquia do Facebook – abaixo do fundador Mark Zuckerberg e de seu braço direito, a executiva de operações Sheryl Sandberg – tem uma nova missão pela frente.

Vice-presidente global de parcerias de marketing e negócios, cabe a Fischer mostrar que o futuro está nas interações diretas entre pessoas e marcas, por meio da troca de mensagens e vídeos curtos, um recurso conhecido no Facebook como “stories”.

De acordo com o executivo, que foi chefe de gabinete do Departamento do Tesouro dos EUA na administração Bill Clinton, o novo mundo de interações por “stories” e mensagens vai exigir mudanças na forma como as companhias se comunicam com o público.

“As grandes marcas dominam como fazer um comercial de 30 segundos, mas vão ter de construir nova musculatura para usar os stories”, disse. O Facebook tem 90 milhões de empresas com perfil em sua rede em todo o mundo, sendo que 60 milhões compram anúncios.

Perguntado se as empresas têm se mostrado confortáveis diante da necessidade de aprender uma nova forma de fazer publicidade, Fischer disse que as mudanças fazem parte do processo. “O comportamento do consumidor muda antes das empresas. Então temos que nos adaptar a isso”, afirmou.

Entre os investidores, o novo modelo proposto pelo Facebook tem gerado cautela. A avaliação em Wall Street é de que ainda há muita incerteza em torno de formatos tão novos.

Muitos avaliam que as oportunidades de venda de publicidade sob esses formatos será menor, limitando o potencial de crescimento. Essas dúvidas, aliadas à recente onda de críticas em torno do Facebook e à possibilidade de regulação dos serviços de internet em alguns países, têm afetado o preço das ações da empresa.

No ano, o papel da companhia acumula queda de quase 23%. No mesmo período, o índice Dow Jones Industrial Average mostra avanço de 4,04%. De acordo com Fischer, o Facebook merece crédito por manter um histórico de forte crescimento- de 2010 a 2017, a receita saltou de US$ 1,9 bilhão para US$ 40,6 bilhões – e por ter cumprido promessas feitas no passado.

Em meados de 2012, Zuckerberg disse que a companhia, que até então não vendia um dólar sequer de anúncios em dispositivos móveis, se tornaria uma empresa”mobile first”. Um ano depois, essa linha de receita já era o carro-chefe.

O Facebook enfrenta um cenário de críticas crescentes e questionamentos sobre a transparência nos números de resultados de publicidade. A companhia está adotando medidas para garantir a privacidade dos dados dos usuários e combater a postagem de conteúdo ofensivo, outros pontos considerados críticos.

“Me sinto mal pelos erros que cometemos. É doloroso. Ninguém gosta de cometer erros. Mas temos investido para corrigí-los e evitar que sejam cometidos de novo. Ninguém pode duvidar dos nossos esforços”, disse o executivo, ontem,na sede da companhia em São Paulo.

“Ninguém está parado esperando 2018 passar para acabar essa onda de notícias ruins e começar a trabalhar em 2019.” O executivo passou dois dias na cidade conversando com clientes e conhecendo iniciativas da companhia, como o laboratório de inovação no bairro de Heliópolis, zona Sul de São Paulo.

Segundo Fischer, as dúvidas sobre como o Facebook tem reagido às críticas apareceram nas conversas, mas não foram tema central. “Nessas apresentações eu busco falar disso de forma pró-ativa. Mas a conversa é muito no sentido de como as marcas podem usar o Facebook”, disse.

O executivo afirmou que a empresa está adotando medidas reduzir os problemas. O Facebook investiu em inteligência artificial para fazer a análise automática de conteúdo, o que ajudou a derrubar 2,1 bilhões de contas falsas e tentativas de criação de contas suspeitas em nove meses neste ano.

Também contratou 20 mil pessoas para complementar o trabalho das máquinas. “Mas essas não são guerras que você ganha”, disse Fischer.

Como acontece em outras áreas, a exemplo do setor financeiro, você está sempre lutando contra os caras maus. É um progresso. Mas nos sentimos bem com os investimentos e o que temos feito até agora”, afirmou.

Fonte: Gustavo Brigatto, Valor Econômico, 05/12/2018 – 05:00

Inteligência Competitiva – Sinais de Mercado: cliente quer experimentar, mas falta ousadia às marcas


Festival de Inovação e Cultura Empreendedora (FICE), realizado em São Paulo, discutiu as novas tendências de consumo. Foto: Nilani Goettems/Valor

O consumidor está mais aberto à experimentação, mas muitas empresas ainda não estão preparadas para aproveitar essa oportunidade ou não têm ousadia suficiente para personalizar produtos e serviços.

A avaliação é da TrendWatching, agência inglesa que pesquisa tendências de consumo.

Segundoa consultoria, exceções são as globais Coca-Cola, Nestlé e Ikea e as brasileiras Magazine Luiza, Via Varejo (dona das redes Casas Bahia e PontoFrio), e a Via Quatro, operadora da linha amarela do metrô de São Paulo, que investem em tecnologia para entender o comportamento do consumidor.

A Coca-Cola, por exemplo, estuda o mercado de infusões à base de cannabis. Aideia seria usar componentes não psicoativos da maconha para criar bebidas funcionais associadas ao bem-estar.

“É um nicho de mercado que as empresas não podem mais ignorar”, disse Lisa Feierstein, estrategista de tendências sênior da TrendWatching, durante painel do Festival de Inovação e Cultura Empreendedora (FICE), iniciativa das revistas “Pequenas Empresas & Grandes Negócios” e “Época Negócios” e do jornal Valor.

Emsua segunda edição, o evento será realizado até quinta-feira na Unibes Cultural em São Paulo. Feierstein também citou o exemplo da suíça Nestlé, que criou no Japão um serviço que auxilia pessoas a montar uma dieta personalizada, com auxílio da inteligência artificial. Já há 100 mil usuários.

A partir de uma amostra de sangue, a multinacional avalia a propensão para doenças como diabetes e colesterol, analisando a comida ingerida pelo participante,que envia fotos dos alimentos e bebidas que consome por meio de um aplicativo.

A TrendWatching lista anualmente as tendências de consumo que vão influenciar o próximo ano. Outro destaque são os “pontos de venda mágicos”. Feierstein explica que ferramentas como reconhecimento facial e realidade aumentada possibilitarão diversão e praticidade ao consumidor nas lojas.

A varejista de decoração sueca Ikea, por exemplo, utiliza a realidade aumentada para ajudar o cliente a escolher o melhor móvel para casa. É possível visualizar como ficará uma poltrona em sua sala de estar, por exemplo. Recurso semelhante foi criado pela startup brasileira Decora, que usa cenários de decoração em 3D.

Em março, a empresa foi vendida para a americana CreativeDrive por US$ 100 milhões. Outra possibilidade curiosa é explorada pelo Inkhunter, um aplicativo gratuito desenvolvido para ajudar quem pretende fazer uma tatuagem.

A ferramenta mostra como ficará o desenho escolhido, uma forma de evitar arrependimentos posteriores. Algumas experiências com personalização usando análise de dados – outra chance de negócio citada pelas agências -, foi usada por empresas brasileiras.

A Via Varejo instalou câmeras em lojas para avaliar, usando recursos tecnológicos, se o cliente está satisfeito com as ofertas. O metrô paulistano instalará portas digitais nas áreas de embarque e desembarque que vão identificar a reação das pessoas às propagandas exibidas, em tempo real.

“Todas essas possibilidades são muito interessantes, mas é preciso ser transparente com o consumidor sobre a coleta de dados”, observa Feierstein. Nos Estados Unidos, a Adidas personalizou vídeos de 30 mil participantes que percorreram os 42 km da maratona de Boston com auxílio da agência Grow.

Alguns dos pontos de verificação acionavam o chip RFID na roupa de cada corredor. Para a diretora para Américas do Sul & Central da TrendWatching, Luciana Stein, o “posicionamento das marcas” é um fator muito relevante. “Essa postura também precisa ser política, mas a maioria das empresas ainda tem medo da reação dos consumidores. A marca que fala com todos acaba não falando com ninguém.”

Iniciativas do Magazine Luiza contra a violência doméstica e a favor da participação feminina na política estão entre os casos citados pela agência. “As marcas precisam se aproximar mais da complexidade do mundo real. Essa ideia é difundida, mas não aplicada na escala necessária”, disse Stein.

Fonte: Alexandre Melo, Valor Econômico, 05/12/2018 – 05:00

Futuro do Trabalho: o desafio de quem precisa ensinar e buscar conhecimento em tempos de grandes mudanças

David Blake, CEO da Degreed, fala sobre o desafio de quem precisa ensinar e buscar conhecimento em tempos de grandes mudanças

Futuro do Trabalho: O conhecimento será a nossa moeda de troca (parte 1)

Futuro do Trabalho: Aprender é tarefa para a vida toda (parte 2)

Inteligência Competitiva: uma agenda para a produtividade na AL, por Raquel Balarin

Leilane é babá, com carteira assinada. Já teve que faltar várias vezes ao trabalho porque não tinha onde deixar o filho Pedro, de quatro anos. Moisés trabalha em uma distribuidora de frutas e legumes na Ceagesp, em São Paulo. Volta e meia tem dificuldade para chegar ao trabalho, seja por causa de um temporal que alaga as marginais, importantes vias rodoviárias de São Paulo, seja por causa de um viaduto que cede quase 1,6m sem que ninguém saiba o porquê.

O que liga as histórias de Leilane e Moisés é o efeito que suas ausências ou atrasos no trabalho têm na produtividade. O jornalista Michael Reid, da revista “The Economist”,classificou essas dificuldades de “entorno do trabalho” – uma das oito grandes questões que, segundo ele, têm contribuído para que a produtividade na América Latina patine nas últimas décadas (ver quadro).

Apesar de diferentes governos e economias diversas, a América Latina carrega o traço comum da baixa produtividade, mesmo quando os números da região são comparados aos de outros países emergentes ou a setores em que o bloco tem vantagens competitivas, como mineração. “A média do produto por trabalhador na região está abaixo de 50% em relação à média dos Estados Unidos em nove de dez setores estudados”, diz Pablo Sanguinetti, vice-presidente de Conhecimento do CAF, Banco de Desenvolvimento da América Latina.

O CAF lançou há menos de um mês um dos mais amplos estudos sobre a região, “Instituciones para la productividad“, disponível (em espanhol), aqui. Para o banco, o tema é chave para o crescimento econômico e social da América Latina nos próximos anos, já que a região enfrenta o fim do “boom” das matérias-primas – que teve participação importante nos 4,1% de crescimento da região entre 2003 e 2012 (0,9% entre 2013 e 2017) – e uma mudança demográfica relevante,com redução da força de trabalho até 2040.

Informalidade atinge 50% da PEA da América Latina

Em reunião com jornalistas latino-americanos promovida pela Fundação Gabriel García Márquez (FNPI) em Bogotá, na Colômbia, no início de novembro, Michael Reid sintetizou o que é tratado de forma profunda no relatório do CAF. E apresentou uma agenda de produtividade para a América Latina, com oito questões que devem ser atacadas: 

  1. Falta de capital humano -Empresas latino-americanas informam que têm dificuldade de contratar trabalhadores capacitados. Na região, apenas 10% dos trabalhadores recebem algum curso de capacitação ao ano, em comparação com 50% nos países desenvolvidos. A educação é outro problema. Não basta aumentar o número de alunos nas escolas. É preciso melhorar a qualidade do ensino.

2. Falta de capital físico – A região reduziu nos últimos anos seu investimento em capital fixo, para 18,7% do PIB entre 2015 e 2017. Para um crescimento de 6% ao ano, seria necessário investir em capital fixo 25% do PIB.

3. Falta de estrutura logística -A região tem um volume de investimentos em infraestrutura abaixo do necessário.”Há falta de capital, mas, sobretudo, há falta de capacidade de execução”, diz Reid. Para avançar com a construção do gasoduto do Sul, no Peru, por exemplo, foram necessárias 4.102 permissões diferentes, o que ampliou o custo do projeto e atrasou sua execução. O investimento em infraestrutura na China é de 9% do PIB; na Índia, de 6% do PIB; e, na América Latina, de 3%.

4. Falta de concorrência – Com exceções como o Brasil, a região tem mercados nacionais pequenos. Muitas empresas que operam na América Latina detêm o monopólio em seus setores ou são oligopolizadas. Regras complexas e informalidade impedem crescimento de pequenas e médias e inviabilizam o surgimento de competidores para as grandes companhias. Faltam regulações antimonopólios. No estudo do CAF, há ainda uma avaliação crítica da concentração do setor financeiro brasileiro.

5. Falta de inovação – Investimento em pesquisa e desenvolvimento na América Latina é de 0,8% do PIB.Na China, 1,8% do PIB. O Brasil está melhor que a região – com 1,2% do PIB.

6. Informalidade/ilegalidade – O dado é alarmante: cerca de 50% da População Economicamente Ativa (PEA) daregião está na informalidade. Trabalhadores informais têm produtividade menor e não recebem capacitação. Reduzir o altamente regulado mercado de trabalho é indicado como uma das saídas, mas a questão é bastante complexa porque envolve traços culturais latino-americanos.

7. Dificuldades no entorno da empresa – Falta de creches, dificuldade para se chegar ao trabalho e, em alguns casos, falta de terrenos para expansão de empresas são questões pouco estudadas, mas com impacto importante na produtividade.

8. O problema político – Partidos e políticos da região têm foco no curto prazo, enquanto a produtividade envolve problemas que não podem ser resolvidos do dia para a noite. A conscientização dos políticos de que a manutenção de avanços sociais alcançados neste século na região depende da melhora da produtividade é essencial.

O início de novos governos em boa parte da região (Brasil, Colômbia, Peru e México) pode ser uma boa oportunidade para dar início aos trabalhos.

Fonte/autora: Raquel Balarin, diretora de Conteúdo Digital, Valor Econômico, 04/12/2018 – 05:00