Restrição ao acesso gratuito a textos


“Se não há produto para vender, como a empresa vai manter os empregados? Nesse caso a demissão não pode ser considerada arbitrária nem sem justa causa”
Ives Gandra da Silva Martins, advogado e professor emérito da Universidade Mackenzie, Folha.

Matéria do New York Times, destaca que “Mídia dos EUA prepara cobrança de conteúdo on-line”, como reflexo da crise em grupos como Hearst Newspapers, New York Times Co. e Time Inc.

Segundo o NYT, estes grupos estudam restringir acesso gratuito a textos.

Uma vez que após queda na receita de publicidade on-line, o desafio será convencer leitores a ampliar participação no financiamento da mída.

A ampliação dos serviços


Eric Johnson, professor na escola de administração de empresas da Universidade Columbia, diz que se espanta pelo fato de as empresas de mídia continuarem ampliando seus sites com mais e mais serviços gratuitos. “Antes de acrescentar alguma coisa a um site, os responsáveis deveriam considerar que esses recursos deveriam ser parte de um pacote pelo qual seja possível cobrar.”

Anunciantes x Leitores

Trata-se de um conceito estranho para muitos dos veteranos da mídia, que cresceram em um mundo no qual as notícias e boa parte do restante do conteúdo da TV e rádio eram gratuitas, e os jornais faturam muito mais com os anunciantes do que com seus leitores.

Antes da recessão, os executivos de mídia apostavam que o futuro era a publicidade on-line, que crescia entre 25% e 35% ao ano. Mas, no ano passado, os gastos com publicidade na internet cresceram 10,6% e apenas 3,5% para as redes de TV, de acordo com um relatório do Interactive Advertising Bureau e PricewaterhouseCoopers. Para a Newspaper Association of America, que congrega os jornais dos EUA, a receita on-line caiu 1,8% em 2008.

Conteúdo gratuito x conteúdo pago

O debate sobre “conteúdo gratuito” versus “conteúdo pago” é recorrente. O “Wall Street Journal” começou a cobrar pelo acesso ao seu site em 1996, pouco depois que ele entrou em operação e antes que uma audiência de massa pudesse se ter acostumado a lê-lo de graça.

O site do “Financial Times”, o FT.com, tinha mais de 1 milhão de usuários registrados em 2001, quando começou a cobrar por boa parte de seu conteúdo, ainda que muitos de seus artigos continuem livres.

“Um ano mais tarde, tínhamos 50 mil assinantes”
, diz Rob Grinshaw, o diretor-executivo do FT.com. Passados oito anos, o quadro de assinantes subiu para 109 mil, disse, uma pequena proporção do número total de visitantes do site.

“É preciso educar as pessoas para que aceitem como norma o acesso pago”
, disse Richard Honack, professor da Escola Kellogg de Administração de Empresas, na Universidade Northwestern.

Mark Mulligan, vice-presidente da Forrester Research em Londres, disse que até mesmo setores que já conseguiram sucesso em cobrar por acesso on-line, como o de música, descobriram que era necessário identificar os nichos corretos. Honack afirma que será necessário tratar a audiência e os produtos como uma série de nichos, e adaptar as ofertas aos consumidores.

Fonte: Richard Pérez-Penã, Tim Arango, New York Times/Folha de S. Paulo (Tradução de Paulo Migliacci), 12/4/2009. Leia matéria completa ao clicar aqui.

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