Pelo Mundo 2: Entre Índia e China, uma rivalidade unilateral

MUMBAI, Índia – Parece ser uma obsessão nacional aqui: medir o desenvolvimento econômico do país com o chinês.

A China, um vizinho com quem a Índia tem um longo relacionamento espinhoso, é uma das poucas economias que, como a indiana, teve 8% ou mais de crescimento anual nos últimos anos.

Mas a rivalidade parece existir principalmente de um lado só.

“Os indianos são obcecados pela China, mas os chineses prestam pouca atenção à Índia”, disse Minxin Pei, um economista que nasceu na China e escreve uma coluna para o jornal diário nacional The Indian Express.
(Não há economistas indianos conhecidos por ter uma coluna regular em publicações chinesas.)

A maioria dos chineses não se preocupa com a Índia, porque prefere comparar a China com os Estados Unidos e a Europa, disse Pei, um professor do Claremont McKenna College, na Califórnia.

Liu Yi, dono de uma loja de roupas em Pequim, repetiu os sentimentos de uma dúzia de chineses que rejeitam a ideia de que os países podem ser comparados.

Sim, ele disse que a Índia é um “líder mundial” em tecnologia da informação, mas tem muitos “lugares atrasados, subdesenvolvidos”.

“A economia da China é especial”, disse. “Se o desenvolvimento chinês tem um modelo, é o americano ou o inglês.”

Poderia ser natural que os chineses se espelhassem nos EUA, agora que é a única nação com uma economia maior (a Índia está em nono lugar). E embora a China seja o maior parceiro comercial da Índia a maioria das exportações chinesas vai para os EUA.

Assim como a Índia, a China tem uma população de mais de 1 bilhão. Mas tem lições a dar, porque começou a transição para uma economia mais aberta e competitiva dez anos antes da Índia.

Os indianos comparam virtualmente cada aspecto de seu país com a China. A infraestrutura (admite-se que a China está muito à frente); as forças armadas (a China é mais poderosa); universidades (a China investiu mais em suas instituições); a indústria de software (a Índia está muito à frente); o domínio da língua inglesa (a Índia leva vantagem, mas a China a está alcançando).

As cidades indianas estão cheias de restaurantes chineses. Mas existem poucos restaurantes indianos em Pequim ou Xangai.

Em 2009, mais de 160 mil indianos visitaram a China, segundo o governo chinês. Apenas cerca de 100 mil turistas chineses fizeram o trajeto inverso.
Prakash Jagtap, que é dono de uma firma de engenharia em Puna, esteve na China cinco vezes. Ele elogia a diligência chinesa: “Precisamos modificar nossa cultura de trabalho”.

A declaração de Jagtap reflete uma visão adotada pelos indianos de que a China superou seu país em grande parte porque o sistema de partido único chinês é mais “disciplinado” que a vibrante mas confusa democracia indiana.

Mas o fascínio da Índia pela China também é simplista, segundo Pei. Enquanto o regime de partido único pode ter ajudado o país na construção de sua infraestrutura e suas fábricas, também foi responsável pelo Grande Salto à Frente e a Revolução Cultural, quando milhões de pessoas passaram fome, foram mortas ou perseguidas.

As opiniões da Índia também foram moldadas por uma guerra em 1962 que terminou com a China capturando parte do estado de Caxemira, no norte da Índia.

Raghav Bahl, um executivo da mídia indiano, disse que seus conterrâneos “abrigam um grave sentimento de humilhação” pela guerra, que foi ampliado pela ascensão econômica da China.

“Existe uma sensação de que esta é uma corrida em que poderíamos ter nos saído muito melhor”, disse Bahl, que escreveu Superpower? The Amazing Race Between China’s Hare and India’s Tortoise [Superpotência? A incrível corrida entre a lebre chinesa e a tartaruga indiana].

Mas ele acrescentou que os indianos recuperaram a confiança recentemente, em consequência da robustez econômica de seu país. Muitos sugeriram que a Índia poderá em breve crescer em um ritmo mais rápido que a China. A economia chinesa, de US$ 5,9 trilhões, é cerca de 3,5 vezes maior que a indiana, mas a população chinesa é mais velha.

Na China, porém, a Índia não é vista como ameaça. Segundo Pei, muitos chineses não têm ampla compreensão da Índia. Os conservadores comunistas acreditam que “a democracia prejudica o desenvolvimento da Índia”, disse.

Mas vários entrevistados na China admitiram uma concorrência inerente entre os países. “Isso é bom”, disse Hu Jun, 40, um professor em Xangai. “Se competirmos nas áreas de alta tecnologia, beneficia todo o mundo.”

Na Índia, Shrayank Gupta, 21, estudante no Instituto Indiano de Tecnologia, em Mumbai, concordou: “Haverá uma corrida, porque somos naturalmente competitivos e o mundo vai depender dos dois países”.

Fonte: VIKAS BAJAJ, Folha de S.Paulo, The New York Times, 19/9/11

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Pelo Mundo 1: Alemanha e uma subclasse de empregados mal remunerados

BERLIM – O baixo índice de desemprego e o crescimento constante, apesar da recessão global, fizeram da Alemanha motivo de inveja entre seus parceiros europeus menos robustos.

Mas, escondida atrás do chamado milagre econômico alemão, existe uma subclasse de empregados mal remunerados cuja renda pouco se beneficiou da estabilidade do país e até encolheu em termos reais na última década.

E, por causa das políticas do governo destinadas a manter os salários baixos para desencorajar a terceirização e incentivar o aprendizado técnico, a renda desses trabalhadores provavelmente não vai aumentar tão cedo.

Isso, por sua vez, significa que eles provavelmente continuarão dependendo dos programas de ajuda do governo para pagar suas contas, o que custa aos contribuintes 11 bilhões de euros por ano.

Essa situação ocorre porque a Alemanha não tem um salário mínimo federal.

Mas também tem origens na política recente do país, que favoreceu medidas para conter o desemprego e conquistar apoio dos empregadores.

Enquanto o rendimento líquido máximo dos alemães de renda média-alta, geralmente definidos como os que ganham 3.400 euros por mês (R$ 7.820), aumentou ligeiramente em termos reais de 2001 a 2010, a renda líquida da população de baixa renda, os que ganham 960 euros por mês (R$ 2.208) ou menos, caiu 10%, segundo estudo de Markus Grabka, do Instituto de Pesquisas Econômicas da Alemanha (DIW).

E apesar dos esforços de combate à inflação da Alemanha, que mantiveram a taxa em 1,7% ao ano em média entre 2000 e 2010, mais alemães de baixa renda precisam contar com a ajuda do Estado para pagar as contas.

Em nenhum lugar esse abismo crescente é mais visível que em Berlim-Mitte, o próspero centro da capital, onde centenas de homens e mulheres faziam fila recentemente no departamento de empregos do distrito.

Maria Müller, 63, trabalha em uma clínica em Berlim que cuida de idosos deficientes. “Eu ganho 900 euros brutos por mês”, ela disse. “Não tive um aumento de salário desde 2002. Mal consigo sobreviver, apesar de o governo dizer que a economia vai bem.”

Segundo o Instituto de Pesquisas do Emprego, 1,37 milhão de pessoas que trabalham em tempo integral, parcial ou são autônomos dependem do Estado para complementar sua renda.

A história de sindicatos fortes na Alemanha permitiu que o Estado se mantivesse fora das negociações salariais. O sistema ainda funciona para setores como a construção, onde um trabalhador não qualificado ganha 11 euros por hora. Mas no setor de serviços alguns ganham apenas 640 euros por mês. O salário mensal médio na Alemanha foi de 2.366 euros (R$ 5.441) em 2010.

A Confederação de Associações de Empregadores da Alemanha diz que a adoção de um salário mínimo aumentaria os custos trabalhistas e o desemprego. Mas economistas dizem que se os salários continuarem baixos o Estado terá de subsidiar esses trabalhadores não qualificados.

“Eu adoraria a ideia de um salário mínimo”, disse Thorsten Schulz, um mecânico de 60 anos, enquanto estacionava sua bicicleta.Ele ganha 7 euros por hora, em um trabalho temporário. “Se eu tivesse um emprego com um salário decente, poderia até pegar o ônibus”, ele disse.

Fonte: JUDY DEMPSEY, Folha de S.Paulo, The New York Times, 19/9/2011

Anhanguera compra a Uniban por R$ 510 mi

Aquisição é a nona feita pelo grupo desde dezembro do ano passado

Estratégia agora será de integração e deve haver pausa em aquisições, diz Alexandre Dias, presidente da empresa

Encerrando um segundo ciclo de forte expansão por aquisições, a Anhanguera Educacional, maior grupo de educação superior do país, fechou a maior compra de sua história.

A empresa pagou R$ 510 milhões pelo grupo Uniban, de São Paulo. O valor inclui 12 unidades distribuídas na região metropolitana de São Paulo, Cascavel (PR) e São José (SC), além de três imóveis operacionais.

O negócio representa a nona aquisição da Anhanguera desde dezembro de 2010. As compras foram possíveis graças a uma oferta de ações que captou R$ 840 milhões no ano passado e fazem parte da estratégia de expansão nacional do grupo, que espera ter 1 milhão de alunos em 2015.

Com os 55 mil estudantes da Uniban, a empresa passa a ter 400 mil alunos. Destes, 100 mil vieram das aquisições deste ano.

Na primeira etapa de compras, iniciada em 2006 e alimentada pela oferta inicial de ações, em 2007, foram adicionadas cerca de 30 instituições e 150 mil alunos.

“A Uniban é estratégica para a Anhanguera e seu modelo de negócios baseado em escala”, afirma Sérgio Duque Estrada, da consultoria Valor Max. Segundo ele, o negócio torna a Anhanguera uma das maiores instituições de ensino do mundo.

De acordo com o presidente da empresa, Alexandre Dias, o grupo fará agora uma pausa no ritmo de aquisições.

“Não diria que não faremos [mais aquisições]. É um foco maior agora em uma disciplina interna de integração do que na continuidade desse ciclo de aquisição”, diz.

Ainda assim, ele garante manter conversas com outras instituições do setor e uma equipe de 12 pessoas focada em novas oportunidades.

“O grande desafio agora vai ser a consolidação das aquisições recentes. Integrar sistemas, pessoas e currículos requer muita energia e investimentos.”, diz Estrada.

Segundo ele, a fase de consolidação no ensino superior está longe de acabar. “Há ainda muitas oportunidades, sobretudo no Nordeste.”

Falta à Anhanguera ter unidades nessa região, onde já disse ter elevado interesse devido ao potencial do modelo de negócios, voltado para as classes C e D em ascensão.

A compra da Uniban também tem apelo geográfico. “São Paulo é um mercado muito importante. Vínhamos nos aproximando (…) e agora ingressamos pesadamente”, afirma Dias.

Fontes: GABRIEL BALDOCCHI e MARIANA BARBOSA, Folha de S.Paulo, 19/9/2011

MAR6B ESPM: Inteligência Competitiva Refrigerantes: Ice Cola x Coca-Cola

Turma:

Ler, compreender e aplicar conceitos de Inteligência Competitiva, apresentados em sala de aula, a esta leitura para o dia 4/10/2011 (estudo de caso 1).

Presente no interior do país, Ice Cola estuda iniciar, em 2013, construção de fábrica de US$ 25 mi em São Paulo

Empresa pretende entrar na capital paulista em dois anos e alcançar 12% do mercado até 2015

Para ler mais, clique aqui.

Fonte: Folha de S.Paulo – Mercado, MARIANA BARBOSA, 18/9/2011.

Chegada da Geração Y ao mercado transforma programas de trainees

A mudança de perfil dos jovens talentos e a crescente dificuldade das empresas para atrair profissionais alinhados à sua cultura estão transformando os programas de trainee no país.

Nos últimos anos, companhias de grande porte estão inovando nesse tipo de seleção, mudando a forma de atrair candidatos, e até mesmo na trajetória dessas pessoas dentro da organização.

A decisão de reinventar os programas de trainee foi motivada pelo aumento da rotatividade dos profissionais após o fim do treinamento.

A mudança, segundo Sandra Cabral, gerente da Cia de Talentos, especializada no recrutamento de jovens, começou a acontecer com a entrada da Geração Y, cujos integrantes têm até 30 anos, nesse tipo de seleção.

Conhecidos como ambiciosos e ansiosos, esses jovens se frustram com a falta de crescimento rápido na carreira e logo abandonam a empresa em busca de desafios maiores. “Isso gerava uma decepção muito grande nas companhias, pois elas investem alto nesse tipo de treinamento”, afirma Sandra.

No Santander, a rotatividade dos trainees chegou a atingir metade dos profissionais em 2008, segundo Lílian Guimarães, vice-presidente de RH do banco.

“A gama de possibilidades de carreira foi crescendo e, ao mesmo tempo, a fidelidade do jovem foi diminuindo”, analisa.

No ano seguinte, a instituição eliminou o recrutamento de recém-formados por meio do programa de trainee. Hoje, a contratação de jovens profissionais tem a internet como principal porta de entrada, por meio do site Caminhos e Escolhas, que tem esse público como alvo.

No portal, eles ganham ‘milhas’ ao aprofundar seus conhecimentos sobre a instituição. Após algum tempo de relacionamento virtual, o candidato pode ser chamado para eventos, visitas e até mesmo entrevistas no banco. “Já contratamos mais de 800 pessoas com esse método e a rotatividade caiu para pouco mais de 10%”, comemora Lilian.

Personalizar a trajetória dos jovens tem sido uma das opções das empresas para atualizar seus programas de trainee. Segundo Sandra Cabral, da Cia de Talentos, a ideia é fazer com que cada profissional tenha um caminho particular dentro da empresa.

“Os modelos antigos, que tinham como objetivo fazer com que todos tivessem as mesmas experiências, ficaram no passado. O que essa geração mais valoriza é a customização”, diz.

Rosana Tavares, gerente de negócios da consultoria de desenvolvimento organizacional Across, afirma que uma das principais mudanças tem acontecido no desenvolvimento de carreira do jovem após o final do treinamento.

“Enquanto no passado a formação de gerentes era um objetivo claro, hoje não existe mais esse foco. Algumas companhias chegaram a eliminar de seus programas o nome ‘trainee’, que já está muito vinculada a cargos de gestão”, afirma.

Na Construtora Camargo Corrêa, a estratégia foi reformular o programa de recrutamento para recém-formados. Após sofrer com o alto índice de desistência de jovens que, no momento das entrevistas presenciais, não se identificavam com o dia a dia da carreira, a empresa decidiu, no ano passado, ser mais direta na comunicação.

“Alguns achavam que iriam trabalhar em grandes centros e se desanimavam quando descobriam que seriam destinados para obras em regiões distantes”, afirma Fábio Busato, gerente de desenvolvimento organizacional.

Com vídeos de divulgação apresentados logo no momento da inscrição para o programa, a empresa pretende deixar claro como é a carreira na construtora.

“Se o profissional não se identificar com essa rotina, ele já é desclassificado”, diz. A expectativa é de que o índice de desistência na etapa presencial, que chegou a ser de 30% até 2009, caia a partir deste ano.

Fonte: Vívian Soares | Valor