Estudo relaciona o tamanho do rosto do presidente-executivo ao sucesso da empresa

HÉLIO SCHWARTSMAN

ARTICULISTA DA FOLHA


Vai investir na Bolsa? Consiga uma foto do presidente-executivo da empresa em cujas ações está interessado, pegue uma régua e calcule a razão entre a largura de sua face e a altura. Se obtiver um número maior do que 2, indicativo de um rosto largo, compre os papéis sem hesitação. 


Parece loucura, mas essa é a mensagem de um estudo que será publicado na edição de novembro do periódico “Psychological Science”, do qual a Folha conseguiu uma cópia antecipada. 


De acordo com a pesquisadora Elaine Wong, da Universidade de Wisconsin, há uma correlação positiva entre a largura da face do presidente-executivo e o desempenho econômico da empresa. 


Ela chegou a essa conclusão depois de comparar a razão facial de 55 executivos-chefes de empresas listadas na Fortune 500 e os resultados de suas companhias. Se quiser dar um rosto ao experimento, pense em Herb Kelleher, ex-presidente-executivo da Southwest Airlines, apontado como responsável pelo sucesso da firma, e em Dick Fuld, que levou à bancarrota o Lehman Brothers. 


A explicação plausível para o achado, que só vale para homens, está nos níveis de testosterona, hormônio que, além de alargar o rosto, aumenta os níveis de agressividade, na vida e nos negócios. Já se sabia, por exemplo, que jogadores de hóquei com face mais quadrada tendem a receber mais punições por jogo violento. 


O que Wong e seus associados fizeram foi estender a correlação cara-comportamento para o mundo corporativo. É evidente, porém, que as coisas não são tão simples. O presidente-executivo comanda uma empresa, mas não a carrega nas costas. 


Os pesquisadores avaliaram o estilo cognitivo dos executivos seniores das empresas e concluíram que o efeito do formato do rosto do chefe era mais acentuado nas firmas que adotavam uma visão mais simplista do mundo. Quando os principais administradores analisavam a realidade de forma mais nuançada, as consequências da testosterona do chefe eram menores.


LIMITAÇÕES

Como todo trabalho científico, o estudo apresenta limitações. Para começar, considerou só empresas que já deram certo. 
É razoável imaginar que haja um bom número de ex-firmas cujos donos de rosto largo eram tão agressivos e se expunham a tanto risco que elas foram à glória. 
Outro problema epistemologicamente mais relevante é o do viés das disciplinas. Trabalhos que ligam características e sinais físicos a doenças e traços comportamentais se tornam populares na medicina e na psicologia e começam a ser extrapolados para o mundo dos negócios. 
Mas, se perguntarmos a físicos e matemáticos que estudam o caos qual é o papel de um presidente-executivo no desempenho da empresa, não hesitarão em dizer que é mínimo. 
Quem tem razão, psicólogos ou matemáticos? 
Pensando bem, na hora de comprar ações, além de medir fotografias, talvez seja bom tirar um cara ou coroa, só para garantir.


Fonte: Hélio Schwartsman, articulista da Folha, publicado na Folha de S.Paulo em 28/8/2011, assinantes aqui.