Jornais franceses se voltam para os leitores jovens

Os jornais tentaram muitas coisas para evitar uma queda aparentemente inexorável no número de leitores.

Agora a França está abrindo caminho com uma nova estratégia: oferecer jornais gratuitamente para os leitores mais jovens num esforço para transformá-los em consumidores regulares.

Na terça-feira o governo detalhou planos para um projeto chamado “Meu Jornal Gratuito”, de acordo com o qual jovens de 18 a 24 anos receberão uma assinatura gratuita de um ano do jornal de sua escolha.

“Reconquistar os leitores jovens é essencial para a sobrevivência financeira da imprensa, e para sua dimensão cívica”, disse o ministro da Cultura, Frederic Mitterrand.

O projeto é uma entre várias medidas, incluindo subsídios financeiros diretos, anunciadas pelo governo no inverno passado, depois de um estudo sobre os problemas que enfrentam as empresas jornalísticas.

Enquanto os jornais em quase todo lugar do mundo em desenvolvimento estão em crise, afetados por uma queda na publicidade e pela migração dos leitores para a internet, os problemas são especialmente pronunciados na França. Numa base per capita, a França vende apenas metade do número de jornais que são vendidos na Inglaterra ou na Alemanha, de acordo com a Associação Mundial de Jornais e Publicações Noticiosas em Paris.

A leitura na França é especialmente baixa entre os jovens. De acordo com um estudo do governo, apenas 10% dos jovens entre 15 e 24 anos leram um jornal comprado diariamente em 2007, abaixo dos 20% de uma década atrás.

Cerca de 60 publicações estão participando do novo projeto. Além de jornais como Le Monde e Le Figaro, há uma variedade de publicações locais, assim como o International Herald Tribune de Paris, a edição global do The New York Times. Até mesmo o L’Equipe, um popular diário esportivo, está envolvido.

Os custos do projeto estão sendo repartidos pelos jornais e pelo Estado, sendo que o governo destinará 15 milhões de euros, ou US$ 22,5 milhões, ao longo de três anos.

O governo disse que 30 mil pessoas já se inscreveram para receber as assinaturas gratuitas de acordo com um programa de pré-registro feito por cada um dos jornais; um site especial estará disponível em breve para acelerar o processo.

Emmanuel Schwartzenberg, ex-editor de mídia do Le Figaro que escreveu um livro sobre os problemas da imprensa francesa, disse que estava cético em relação ao projeto. Numa época em que os anúncios estão em queda drástica, os jornais deveriam em vez disso buscar formas de aumentar seus rendimentos a partir dos leitores, e não dar jornais de graça, disse.

“Isso apenas reforça a crença de que os jornais deveriam ser gratuitos, o que é uma ideia muito ruim”, diz Schwartzenberg.

Os leitores franceses, jovens e mais velhos, já têm opções gratuitas suficientes pelas quais podem escolher, incluindo sites de jornais na internet ou jornais gratuitos entregues diariamente nos centros das principais cidades.

Alguns blogueiros disseram que o maior apelo do novo programa pode ser para os poucos jovens que já leem, e compram, jornais.

O governo pretende promover o programa com uma campanha publicitária destinada aos jovens leitores e seus pais. Mas, num sinal dos possíveis desafios existentes para atrair jovens leitores ao jornal impresso, o governo disse que o principal lugar de divulgação dos anúncios será a internet.

Fonte: Eric Pfanner, Paris (França), International Herald Tribune, UOL – Tradução: Eloise De Vylder.