Método desenvolvido por pesquisadora da Universidade da Virgínia amplia e desmistifica a prática empreendedora. Para Saras Sarasvathy é possível ensinar qualquer um a ser um grande empreendedor

Originária de uma família de classe média baixa na Índia, Saras Sarasvathy, hoje professora da Darden Graduate School of Business da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, abriu com mais ou menos sucesso suas próprias empresas.
Mas foi ao se interessar pela atividade do ensino que criou algo novo: um método ao qual chamou de effectuation [realização, em tradução livre] para entender a forma como os empreendedores pensam e tomam decisões.
As conclusões da pesquisadora derrubam alguns mitos. Segundo Saras, os empreendedores realmente pensam diferente das demais pessoas, mas eles não são natos: é possível aprender a ter um espírito empreendedor.

Na entrevista concedida à revista Ensino Superior durante sua vinda ao Brasil para participar da Rodada de Educação Empreendedora Brasil (REE Brasil), em Águas de São Pedro (SP), Saras explicou o que é o effectuation e como o modelo pode ser aplicado no ensino superior, tanto para desenvolver as próprias instituições de ensino, como para ensinar os alunos a serem empreendedores.

No site http://www.effectuation.org/ é possível encontrar as experiências de quem já aplica a teoria em sala de aula de diversos países, além de material para uso de instrutores. Professores têm acesso livre.

Ensino Superior – A senhora criou um mecanismo para tentar mensurar o comportamento empreendedor. No que consiste esse modelo, chamado de effectuation?
Saras SarasvathyO effectuation descreve a forma como os empreendedores mais experientes pensam, raciocinam, tomam decisões e se comportam. Chamamos effectuation pela relação de causa e efeito. Quando avaliamos a forma como os empreendedores especialistas tomam suas decisões e comparamos o método deles com o de gerentes em geral identificamos frequentemente que a lógica é quase ao contrário. Ou seja, um administrador de uma grande empresa normalmente parte do efeito que quer gerar e depois busca a forma de alcançá-lo. Os empreendedores fazem o contrário: eles partem do que dispõem, das suas próprias identidades, do que sabem e de quem conhecem para, a partir daí, se perguntarem que tipo de efeito pode ser criado. Dessa forma eles acabam criando inovação, porque não começam a partir de uma meta pré-estabelecida.
ES: Como esse raciocínio empreendedor pode ser aplicado nas instituições de ensino superior e no aprendizado dos alunos?
A tentação em muitos cursos de empreende­dorismo é falar para os alunos: ‘tal setor é   de suma importância, então é melhor vocês aprenderem a abrir uma empresa nesse segmento’, ao invés de perguntar qual a bagagem desses alunos e o que está disponível no seu ambiente local para, a partir desses dados, promover e encorajar a abertura de empresas locais com vantagens competitivas singulares. Um dos pontos que eu saliento é que, mesmo nos países mais pobres, temos mais recursos do que acreditamos. Outro mito comum é pensar ser preciso ter dinheiro antes de fazer algo. Os empreendedores especialistas pensam que podem começar qualquer coisa a partir de quem você é, do que você sabe e de quem você conhece para gerar algo mais interessante, que tenha valor para outras pessoas. Isso faz a sua empresa crescer. Acredito que isso também pode ser feito na educação.
E S: A senhora pode citar um exemplo?
A ideia é não pensar apenas em termos de dinheiro ou instalações físicas, mas pensar os seres humanos como o próprio recurso. Dentro da universidade, o aluno poderia ser visto como um recurso que pode ajudá-la a se desenvolver. Eles são os melhores recursos que a universidade dispõe. O modelo de effectuation indica que os recursos estão disponíveis em toda parte, a questão é enxergar de forma diferente. Não é preciso ficar preso ao ponto de vista dualista de corpo docente e corpo discente. Fazendo o exercício de escapar dessa visão convencional é possível identificar mais pontos como recursos e formas inovadoras de desenvolver seus cursos.
E S: É possível determinar as principais características de uma atividade empreendedora?
Uma das coisas que eu descobri por meio de pesquisas é que isso não existe. Qualquer um pode ser empreendedor. Uma das analogias que eu gosto é pensar o que o otimista e o pessimista fariam em termos de invenção. O otimista inventaria um avião, e o pessimista um navio de batalha. Todos podem aprender a ser empreendedores se assim o desejarem, mas o tipo de empreendedor que você vai ser vai depender de quem você é, de quem conhece e com quem trabalha. Então, não há uma característica específica. Mas se fosse escolher uma eu diria que, se você realmente detesta trabalhar com outras pessoas, aí é melhor não tentar ser empreendedor. Fora isso, qualquer tipo de ser humano pode ser um empreendedor.
ES: Por outro lado, o empreendedorismo ainda é visto como uma característica da atividade de negócios. Como levar esse modelo para outras áreas?
Da mesma forma como o pensamento científico não pertence apenas ao ramo da tecnologia, o método do empreendedorismo pode ser aplicado a vários programas humanos e não apenas àqueles relacionados a questões empresariais. O empreendedorismo é um assunto muito interessante porque utiliza a administração como uma tecnologia, como um instrumento para resolver uma variedade de problemas. Vários de meus alunos utilizaram o effectuation para construir alguma mudança social, por exemplo.
ES: Mas como ensinar essa forma de pensar na escola ou na universidade?
Quando frequentamos a escola, aprendemos sobre ciência e uma forma de se raciocinar a respeito de alguma coisa. Talvez nós nunca nos tornemos cientistas, mas sabemos o que significa pensar de forma científica. Mais de 200 anos depois de as pessoas começarem a entender o método científico e a ensiná-lo foi possível toda a evolução tecnológica do século 20. Como Alfred North Whitehead falou no século 19, quando a intenção era a invenção propriamente dita, “todo mundo pode aprender a ser um inventor, um cientista”. Nós estamos num momento semelhante hoje com relação ao empreendedorismo, porque o empreendedorismo também é um método que produz um efeito e pode ser ensinado para todos. Eu acredito que, no fim das contas, as pessoas vão utilizar isso de forma interessante, porque nem todos vão querer abrir uma empresa. Algumas pessoas simplesmente vão utilizar esse método para resolver problemas sociais, outros vão trabalhar para outra empresa e outras pessoas simplesmente vão servir aos empreendedores.
Então vamos acabar construindo um mundo mais empreendedor, da mesma forma como nós tivemos esse mundo científico e tecnológico. Muito do que fazemos hoje na universidade é tentar construir uma compreensão mais ampla, em que todos podem aprender a se tornar empreendedores.
E S: Qual o papel do professor no desenvolvimento do método empreendedor? Ele também precisa de treinamento?
Sem dúvida. Porque, mais uma vez, inicialmente quando as pessoas começaram a entender como a ciência funcionava era preciso observar o trabalho dos engenheiros, artesãos etc. É a mesma coisa que estamos fazendo aqui, observando empreendedores, tirando lições, aprendendo sobre essa lógica. O ensino em empreendedorismo exige treinamento, instrução e entendimento. Mas é um pouco diferente do que simplesmente a prática, pois para ser um bom professor você tem de aprender mais, além de ser capaz de fazer.
Fonte: Luciene Leszczynski, Revista Ensino Superior, para ler mais, clique aqui.

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Crise leva empresa britânica a lançar cama-cofre

Um fabricante de móveis da Grã-Bretanha lançou no mercado uma cama-cofre, destinada ao consumidor que, nesta época de crise, prefere guardar suas economias literalmente debaixo do colchão do que eu um banco.

“A confiança nos bancos atingiu seu nível mais baixo e as pessoas parecem realmente preocupadas com a segurança de seu dinheiro”, disse Robbie Feather, diretor da fabricante Feather & Black.

Ele admitiu que a ideia surgiu como “gozação”. “Mas agora estamos confiantes que o produto vai atrair as pessoas que querem guardar dinheiro ou pertences valiosos em um local seguro.”

O cofre vem disfarçado na base da cama e inclui uma tranca e uma caixa. “Coberto com um lençol ou uma colcha, o cofre pode ficar escondido dos olhares dos predadores”, afirmou a empresa.

A cama está disponível nos tamanhos solteiro, duplo e king size.

O tamanho duplo custa 949 libras (pouco mais de R$ 3,2 mil).

No início deste ano, uma pesquisa mostrou que a venda de cofres caseiros aumentou por causa da crise econômica global, que viu os mercados caírem e vários bancos entrarem à beira de um colapso.

Fonte: BBC Brasil.

Taxa de empregados que inovam nas empresas é muito baixa

Brasília – No Brasil a cultura do intra-empreendedorismo ainda precisa ser mais bem assimilada. Segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2008, realizada pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP) e que tem o Sebrae como um dos parceiros, a taxa de intra-empreendedorismo no Brasil é de apenas 0,6%.

Intra-emprendedor ou empreendedor corporativo é o funcionário que exerce liderança e estimula a inovação dentro das empresas. Ele está à frente de processos como criação de novos produtos e serviços, abertura de filiais e planejamento de ações no mercado.

Ao diferenciar a figura do intra-empreendedor do empreendedor, a GEM coloca argumentos que talvez expliquem a pequena difusão do empreendedor corporativo no meio empresarial brasileiro. Segundo o estudo, ao atuar como intra-empreendedor, o empregado está subordinado à cultura corporativa de onde trabalha.

De acordo com o gerente nacional de Atendimento do Sebrae, Enio Pinto, “as empresas precisam criar ambientes adequados ao surgimento do intra-empreendedor”. “Muitas pessoas nascem empreendedoras, mas são tolhidas ao longo da vida pela sociedade”, ressalta.

A pesquisa também destaca que 64% dos intra-empreendedores participam de atividades a convite ou dos superiores ou de colegas de trabalho. Essas novas atividades assumidas reúnem os intra-empreendedores em duas fases do processo: concepção de uma idéia (85%) e planejamento e execução do projeto (68%).

Conforme a GEM, os intra-empreendedores tendem a desempenhar um papel um pouco menos expressivo no desenvolvimento das idéias. As pessoas ouvidas pela pesquisa sinalizam que é mais significativo o momento do planejamento e da exploração das idéias (70%).

O estudo ainda mostra que 70% das pessoas entrevistadas não acreditam existir risco pessoal de se envolver com uma nova atividade. Outro ponto informado é que a principal inovação desenvolvida pelos intra-empreendedores pesquisados se relaciona a atividades usuais na empresa (94%), de caráter predominantemente incremental, típico das atividades empreendedoras desenvolvidas no País, como aplicação de ferramentas de gestão da qualidade, mudanças em política de Recursos Humanos e melhoria em produtos, como mudança de embalagem.

Metodologia

A pesquisa GEM é executada há nove anos no País pelo IBQP com patrocínio do Sebrae e do Sesi-Senai, apoio técnico da Universidade Positivo, apoio institucional da PUC do Paraná e coordenação internacional da London Business School, do Babson College e da Gera (pessoa jurídica responsável pela pesquisa GEM).

A GEM mede as taxas de empreendedorismo mundiais, reunindo dados estatísticos de 43 países. O estudo é referência internacional. Seus conteúdos contribuem para o desenvolvimento de ações em benefício dos empreendedores no mundo inteiro.

Para avaliar o nível da atividade empreendedora de cada país, entrevistam-se membros da população adulta (18 a 64 anos de idade), selecionados por meio de amostra probabilística de cada país participante. Os empreendedores identificados são classificados conforme seu estágio empresarial, sua motivação para empreender e suas características demográficas. Em 2008, foram entrevistadas duas mil pessoas no Brasil e 124.721 pessoas no mundo.

Fonte: Marcelo Araújo/Agência Sebrae de Notícias. Foto: Ronaldo Guimarães.

Brasil é um dos três mais empreendedores do G-20

São Paulo – O Brasil é o terceiro mais empreendedor entre os países que fazem parte do G-20, atrás apenas da Argentina e do México. A informação consta da edição 2008 da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor, a GEM 2008, que mede as taxas de empreendedorismo mundial. A Rússia é o país com a menor Taxa de Empreendedores em Estágio Inicial (TEA) entre todos os membros do G-20.

A Argentina obteve uma taxa de 16,5%; em seguida, o México, com 13,1%; e o Brasil, em terceiro, com 12,02%. A Rússia registrou taxa de 3,49%.

Pela primeira vez em nove anos, a GEM Brasil opta por utilizar o G-20 como recorte analítico. A escolha foi motivada pela posição do País como presidente atual do G-20, que é formado pelos ministros de Finanças e presidentes de Bancos Centrais de 19 países: África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coréia do Sul, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos. A União Européia também é membro, representada pelo presidente rotativo do Conselho da União Européia e pelo presidente do Banco Central Europeu.

Juntos, os países-membros representam cerca de 90% do Produto Interno Bruto mundial e 80% do comércio internacional (incluindo o comércio interno da UE), e 81,24% do total de pessoas empreendendo no mundo.

Não participaram da pesquisa Austrália, Canadá, China, Indonésia, Arábia Saudita e União Européia (que tecnicamente não é um país, mas tem assento no G-20). Para o diretor-técnico do Sebrae Nacional, Luiz Carlos Barboza, a utilização dos países do G-20 permite uma análise mais consistente do empreendedorismo no País, já que a comparação é realizada com países que têm crescimento e desenvolvimento muito parecidos com o Brasil, os chamados emergentes.

“O Brasil já passou pela fase de altas taxas de empreendedorismo, característica de países muito pobres, como Bolívia, Peru, Angola. Nós estamos no mesmo patamar do México, Chile e Uruguai”, afirma o diretor. A TEA apresentada pelo Brasil em 2008 (12%) ficou próxima das taxas obtidas por Uruguai (11,90%) e Chile (13,08%) e semelhante também às apresentadas por Índia (11,49%) e México (13,1%).

Os países representados pelo G-20 possuem uma característica que também é encontrada no conjunto total de países da pesquisa GEM 2008. Os países considerados mais desenvolvidos obtiveram taxas de empreendedorismo mais baixas que os países do grupo com desenvolvimento relativamente menor. Os Estados Unidos são a exceção, pois é desenvolvido, mas apresenta taxas de empreendedorismo semelhantes às dos países de estágio de desenvolvimento intermediário, como o Brasil. O G-20 apresenta uma TEA média de 8,4%, enquanto a média geral da pesquisa GEM é de 10,5%.

“É uma pena que a China não tenha participado da pesquisa este ano. Os chineses representam metade dos empreendedores em todo o mundo”, diz Luiz Carlos Barboza. Segundo ele, o empreendedorismo no mundo dependerá nos próximos anos do contingente de desempregados e de políticas para a criação de empreendimentos inovadores. “Com um grande desemprego, as pessoas irão empreender por necessidade, o que não é nada bom. Precisamos incentivar a inovação e a educação empreendedora”.

México

Talvez por isso, o México tenha sido um dos destaques da pesquisa. Num curto período de apenas dois anos, o nível de empreendedorismo em estágio inicial no México subiu expressivamente, de 5,3% em 2006 para 13,3% em 2008.

Outra mudança importante ocorreu no nível de empreendimentos já estabelecidos (mais de 3,5 anos no mercado), que subiu de 2,3% em 2006 para 4,9% em 2008. O empreendedorismo em estágio inicial alcançou 13,3% (9,3% de empreendedores nascentes e 4% de novos empreendedores), enquanto os empreendimentos já estabelecidos alcançaram 4,9% da população adulta. Os empreendedores nascentes são aqueles que estão à frente de negócios em implantação e os novos, aqueles cujos negócios já estão em funcionamento e geram remuneração por pelo menos três meses.

Muito deste crescimento se deve, segundo os organizadores da pesquisa, às políticas públicas do governo mexicano. O Congresso do México aprovou recentemente três importantes reformas estruturais que vinham sendo adiadas nos últimos anos. A primeira é a reforma tributária, que possibilitará ao governo aumentar a arrecadação e evitar a sonegação. A segunda é a reforma do Instituto de Seguridade Social para Funcionários Públicos (SSSTE), que o transformou numa organização economicamente sustentável. A terceira foi a reforma da Pemex, estatal petrolífera mexicana, que deu independência para a empresa tomar suas próprias decisões de investimento.

Além disso, nos últimos anos, o governo fortaleceu as políticas públicas para incentivo ao empreendedorismo e às médias e pequenas empresas. O Sistema Nacional de Incubadoras de Negócios foi avaliado e incrementado para apoio na adoção das melhores práticas do mercado internacional.

Novos países

O Brasil continua com uma TEA superior à média dos países observados pela pesquisa GEM, que foi de 10,48%. Ao analisar a média histórica do Brasil em relação à média dos demais países participantes da pesquisa, a TEA média brasileira de 2001 a 2008 é de 12,72%, contra uma TEA média de apenas 7,25%. Isso reforça que o Brasil é um país de alta capacidade empreendedora e que, na média entre 2001 e 2008, o brasileiro é 75,6% mais empreendedor que os outros.

A entrada de novos países no ranking mundial de empreendedorismo realizado pela GEM 2008, como Bolívia, Angola, Macedônia e Egito, fez com que o Brasil, pela primeira vez desde que a pesquisa foi iniciada, ficasse fora do grupo dos dez países com maiores taxas de empreendedorismo. O Brasil em 2008 passou a ocupar a 13ª posição no ranking geral mundial (entre os 43 países pesquisados).

O Luiz Carlos Barboza destaca que a Taxa de Empreendedores em Estágio Inicial (TEA) brasileira está relativamente próxima da média histórica brasileira, que é de 12,72%. “Não caímos no ranking porque continuamos tendo uma TEA entre 12 e 13%, como nos anos anteriores”.

Os países da América Latina e Caribe foram os mais empreendedores na rodada da Pesquisa GEM em 2008. A Bolívia ficou em primeiro lugar, com uma TEA de 29,82%, o que significa que um em cada três bolivianos desempenhou alguma atividade empreendedora. O Peru ocupou o segundo lugar no ranking, com uma TEA de 25,57%, ou seja, um em quatro peruanos realizou atividades empreendedoras. No outro extremo do ranking, pode-se observar que os últimos lugares foram ocupados por países desenvolvidos, como a Bélgica em último lugar, precedida por Rússia e Alemanha.

Número de empreendedores

Um dado interessante é em relação ao número de empreendedores estimado para cada país. Quando se considera essa abordagem, a posição dos países no topo e na base do ranking se altera. A Índia é o país com a maior população de indivíduos desempenhando alguma atividade empreendedora. São 76,04 milhões de empreendedores. Em seguida vêm os Estados Unidos com 20 milhões e, em terceiro, o Brasil, com 14,6 milhões. Por características do próprio povo, os Estados Unidos são o único país desenvolvido que figura entre os cinco primeiros no quesito número de empreendedores.

Do outro lado do ranking, está a Islândia, com 18 mil empreendedores, a Eslovênia, com 86 mil e a Letônia, com 96 mil pessoas empreendendo. A pesquisa mostra também que para cada empreendedor na Islândia existem 4.224 empreendedores na Índia e 813 empreendedores no Brasil.

Metodologia

A pesquisa GEM é executada há nove anos no País pelo IBQP com patrocínio do Sebrae e do Sesi-Senai, apoio técnico da Universidade Positivo, apoio institucional da PUC do Paraná e coordenação internacional da London Business School, do Babson College e da Gera (pessoa jurídica responsável pela pesquisa GEM).

A GEM mede as taxas de empreendedorismo mundiais, reunindo dados estatísticos de 43 países. O estudo é referência internacional. Seus conteúdos contribuem para o desenvolvimento de ações em benefício dos empreendedores no mundo inteiro.

Para avaliar o nível da atividade empreendedora de cada país, entrevistam-se membros da população adulta (18 a 64 anos de idade), selecionados por meio de amostra probabilística de cada país participante. Os empreendedores identificados são classificados conforme seu estágio empresarial, sua motivação para empreender e suas características demográficas. Em 2008, foram entrevistadas duas mil pessoas no Brasil e 124.721 pessoas no mundo.

Fonte: Beth Matias/Agência Sebrae de Notícias. Foto: Enio Tavares.

Jovem brasileiro é o terceiro mais empreendedor do mundo

Brasília – Os jovens brasileiros estão empreendendo mais. É o que revela a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2008. Do total de jovens entre 18 e 24 anos no Brasil, 15% empreendem, o equivalente a 3,82 milhões de pessoas. Para se ter uma idéia do crescimento, a taxa média de empreendedorismo jovem entre 2001 e 2008 ficou em 11,9%. Do total de empreendedores brasileiros, 25% são jovens, o que coloca o País em terceiro lugar no ranking mundial, atrás apenas do Irã (29%) e da Jamaica (28%).

Outro dado muito importante é que 68% dos jovens empreendem por oportunidade e 32% por necessidade, o que aponta uma qualificação maior dos mais novos ao entrar no mercado para abrir uma empresa.

Na interpretação de Enio Pinto, gerente de nacional de Atendimento Individual do Sebrae, o alto índice de jovens empreendendo por oportunidade aponta que esses candidatos a empresários ascenderam a um patamar qualitativo. “Os jovens estão identificando melhor nichos de atuação e refletindo mais sobre como empreender”, diz o gerente.

Enio assinala a sintonia do Sebrae na criação de produtos para o público jovem, como o jogo virtual Desafio Sebrae, que incentiva o empreendedorismo entre universitários por meio da gestão de uma empresa virtual; o Prêmio Técnico Empreendedor, que contempla iniciativas de empreendedorismo em instituições de ensino técnico e tecnológico; e o Junior Achievement, que leva o conhecimento sobre empreendedorismo para grades curriculares das escolas de ensino médio e fundamental.

Para Simara Greco, do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade, responsável técnica pelo estudo, a alta taxa de jovens empreendedores aponta a importância de ações específicas para o grupo. “Há um espaço aberto para o desenvolvimento de políticas públicas, pois os jovens que empreendem estão entrando com muita força no mercado”.

De acordo com a GEM 2008, em países que apresentam baixo nível de distribuição de renda, o jovem é obrigado a entrar cedo no mercado de trabalho para aumentar a renda familiar. Nesses lugares, há predominância do jovem empreendedor por necessidade, em atividades de baixa produtividade. Por falta de emprego formal, esse jovem busca no empreendedorismo uma opção de trabalho e renda.

Perfil

A GEM 2008 mostra que o jovem empreendedor por necessidade tem renda concentrada na faixa de um a três salários mínimos e nível de escolaridade de cinco a 11 anos. Eles desempenham principalmente serviços orientados ao consumidor (70%), em segmentos como comércio e alimentação, seguidos do setor de transformação (30%), em trabalhos como pequenas atividades de manufatura e industriais.

Enquanto isso, o jovem empreendedor por oportunidade diferencia-se por dispor de uma renda maior (36% até três salários mínimos; 34% de três a seis salários) e uma escolaridade maior, sendo que 25% estão cursando ou já terminaram o nível superior. Em geral, iniciam seus negócios com atividades mais especializadas, por conta de um nível maior de qualificação e renda.

Os jovens empreendedores por oportunidade participam com mais intensidade de serviços orientados à empresa (19%), uma vez que esse tipo de trabalho exige maior nível de qualificação e formação. “O jovem universitário, por exemplo, frente à escassez do trabalho formal, abre seu negócio em serviços especializados, tais como contabilidade, apoio jurídico, suporte de informática e outros”, exemplifica Simara Greco, responsável técnica pela pesquisa GEM.

Mais velhos

Em contrapartida à significativa presença de empreendedores jovens na economia, o Brasil possui um dos menores índices de participação do adulto de meia idade (55-64 anos) no empreendedorismo (3%). Coloca-se na 40ª posição entre os 43 países analisados na GEM. Essa faixa etária também apresenta reduzida participação em países como os da América Latina e BRIS (Brasil, Rússia, Índia e África do Sul).

Conforme o estudo realizado pelo IBQP, esse é um segmento que não se lança no empreendedorismo de risco, por conta de fatores como o baixo nível de renda, a baixa escolaridade, a qualidade de vida precária e a aposentadoria ou poupança acumulada comprometida com o orçamento familiar e a manutenção de filhos e netos. A tendência de universalização da Previdência Social é outro fator que desestimula o empreendedorismo nesta faixa etária, pois garante a sobrevivência do grupo.

A taxa de empreendedorismo na faixa etária de 55 a 64 anos em 2008 é de 3%, inferior à média do período entre 2001e 2008 que foi de 5,5%. O adulto de meia idade, que em 2001 compunha 10,5% dos empreendedores brasileiros, hoje representa somente 3,4%.

Metodologia

A pesquisa GEM é executada há nove anos no País pelo IBQP com patrocínio do Sebrae e do Sesi-Senai, apoio técnico da Universidade Positivo, apoio institucional da PUC do Paraná e coordenação internacional da London Business School, do Babson College e da Gera (pessoa jurídica responsável pela pesquisa GEM).

A GEM mede as taxas de empreendedorismo mundiais, reunindo dados estatísticos de 43 países. O estudo é referência internacional. Seus conteúdos contribuem para o desenvolvimento de ações em benefício dos empreendedores no mundo inteiro.

Para avaliar o nível da atividade empreendedora de cada país, entrevistam-se membros da população adulta (18 a 64 anos de idade), selecionados por meio de amostra probabilística de cada país participante. Os empreendedores identificados são classificados conforme seu estágio empresarial, sua motivação para empreender e suas características demográficas. Em 2008, foram entrevistadas duas mil pessoas no Brasil e 124.721 pessoas no mundo.

Fonte: Marcelo Araújo/Agência Sebrae de Notícias. Foto: Divulgação.

Brasil precisa continuar com alta taxa de empreendedorismo

Presidente do Sebrae Paulo Okamotto, durante lançamento da pesquisa GEM em São Paulo

São Paulo – O Brasil precisa continuar mantendo uma taxa de empreendedorismo nos próximos anos em torno de 12% porque é um país onde há oportunidades de negócios, acredita o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto. O desafio, segundo ele, é manter essa taxa com elevados índices de empreendimentos por oportunidade e inovadores.

“O Brasil está muito bem na foto em termos de empreendedorismo. Precisamos agora investir em políticas para ajudar os empreendedores a serem inovadores também. Somos diferentes de países subdesenvolvidos, que têm altas taxas de empreendedorismo por falta de políticas de emprego”, afirma o presidente do Sebrae, que esteve em São Paulo nesta terça-feira (17) para participar da divulgação da pesquisa Global Entrepeneurship Monitor, a GEM 2008, que mede o nível de empreendedorismo em 43 países no mundo.

De acordo com a GEM, a Taxa de Empreendedores em Estágio Inicial (TEA) brasileira manteve-se em torno de 12%, índice semelhante ao de nações como os Estados Unidos e outros países desenvolvidos. De 2001 a 2008, a TEA média brasileira foi 75% mais alta do que a média de todos os países participantes do estudo. Entre os 15 países do G-20 – grupo das 20 maiores economias do mundo – presentes no levantamento, o Brasil ocupou a terceira posição em empreendedorismo.

O diretor-técnico do Sebrae, Luiz Carlos Barboza, acredita que utilização dos países do G-20 permite uma análise mais consistente do empreendedorismo no País, já que a comparação é realizada com países que têm crescimento e desenvolvimento muito parecidos com o Brasil, os chamados emergentes.

A pesquisa revela também que, pela primeira vez em nove anos (desde que foi criado o estudo no Brasil), inverteu-se a proporção entre as pessoas que empreendem por necessidade e oportunidade. Para cada brasileiro que empreende por necessidade, há dois que o fazem por oportunidade.

Para o economista da Fundação Getúlio Vargas Marcelo Néri, que comentou a pesquisa, o aumento na qualidade do empreendedorismo revela um amadurecimento do empreendedor brasileiro. “Depois de tantas crises vividas, o brasileiro está mais acostumado a enfrentar os desafios. Somos como o Ayrton Senna (tricampeão mundial de automobilismo, morto em 1994): corremos melhor na chuva. Eu imagino como está agora um empreendedor na Islândia”.

A crise econômica que assolou grande parte do mundo, de acordo com Okamotto, pode gerar novas oportunidades para alguns setores da economia brasileira. “A crise está afetando alguns setores, mas está gerando emprego em outros, como o setor de supermercados”.

Fonte: Beth Matias/Agência Sebrae de Notícias. Foto: Vinícius Fonseca

Empreendedor brasileiro não investe em inovação

Brasília – A inovação ainda permanece distante das empresas brasileiras, conforme demonstra a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2008, realizada há nove anos no País pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP) e que tem o Sebrae como um dos parceiros.

Entre os países que realizaram a pesquisa em 2008, o Brasil possui uma das mais baixas taxas de lançamento de produtos novos (desconhecidos para o consumidor) e de uso de tecnologias disponíveis há menos de um ano no mercado.

Em uma lista de 43 países, considerando os empreendimentos iniciais (até três anos e meio no mercado), o Brasil ocupa o 42º no ranking. Quando avaliados os empreendimentos já estabelecidos (com mais de três anos e meio no mercado) o Brasil ocupa o 38º lugar.

Do total de empreendedores ouvidos pela pesquisa GEM, somente 3,3% afirmam que seus produtos podem ser considerados novos para os clientes.

Apesar das evidências pouco expressivas sobre o papel da inovação nas empresas brasileiras, pela primeira vez a GEM reúne informações quanto às preferências de consumo da população por novos produtos e serviços.

Há dados otimistas que mostram que 33% dos entrevistados, entre não-empreendedores, comprariam produtos novos. Trinta e seis por cento desse contingente também experimentariam produtos ou serviços que usam novas tecnologias.

As informações da GEM apontam que, caso as empresas invistam em novos produtos, podem ampliar muito sua clientela. A pesquisa traz informações referentes aos próprios empreendedores e como pensam a inovação.

O estudo diz que a faixa de empreendedores em estágio inicial que mais se destaca favoravelmente em relação à absorção de novos produtos e serviços é a de pessoas com idade entre 25 a 34 anos.

Nessa faixa etária, 75% dos empreendedores consideram que as novidades podem melhorar seus negócios. América Latina e BRIS Observando a realidade da América Latina, percebe-se o contraste do Brasil com os países próximos, pois os empreendimentos iniciais da região estão entre os primeiros no ranking de lançamentos de produtos novos para os consumidores.

No Chile, 36,4% dos empreendimentos iniciais lançam produtos novos; na Argentina e Uruguai, 30%; e no Peru, 29%. Para os empreendimentos já estabelecidos, a posição se altera, mas continua elevada para esses países. O Chile é o primeiro do ranking, com 37% de empreendedores lançando produtos novos; a Argentina tem 28%, e o Peru, 21%.

Em relação ao BRIS (Brasil, Rússia, Índia e África do Sul), a comparação também não favorece o Brasil. Rússia e África do Sul apresentam taxas de lançamento de produtos novos para todos os consumidores acima de 20%, estando também entre as dez primeiras posições nesse ranking entre os países pesquisados pela GEM 2008.

Somente a Índia apresenta baixa participação de produtos novos lançados no mercado (10%), embora a proporção seja bem superior à do Brasil (3%).

O Brasil também apresenta baixa proporção de uso de tecnologias novas: 1,7% dos empreendimentos iniciais e 0,7% estabelecidos usam tecnologias disponíveis há menos de um ano.

No caso de uso de novas tecnologias, o Chile atinge 33%. Nos países do BRIS, a Índia apresenta uma proporção de 28%; a África do Sul tem 25% de empreendimentos que usam tecnologias novas.

A pesquisa GEM aponta que instituições como o Sebrae, cooperativas de produção e Arranjos Produtivos Locais (APL) “são alternativas promissoras para enfrentar essas questões”.

Para o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, é preciso disseminar a cultura da inovação nas micro e pequenas brasileiras. “Esta cultura precisa estar presente no dia-a-dia das empresas. Significa um desafio para o governo, para o Sebrae e para outras instituições fazer com que a inovação se torne parte da realidade de nossas empresas”, ressalta Okamotto.

O gerente nacional de Atendimento do Sebrae, Enio Pinto, destaca que a Instituição tem desenvolvido ações para disseminar a inovação.

O Sebrae criou o Projeto Agentes Locais de Inovação. Por meio da iniciativa, profissionais de diferentes especialidades levam conceitos de inovação para dentro de micro e pequenas empresas.

Em maio, o Sebrae lança um programa de rádio integrado ao Portal Sebrae e à Central de Relacionamento da Instituição (0800 570 0800). Serão 120 episódios com casos de sucesso, informações e orientações para quem deseja inovar.

Metodologia

A pesquisa GEM é executada há nove anos no País pelo IBQP com patrocínio do Sebrae e do Sesi-Senai, apoio técnico da Universidade Positivo, apoio institucional da PUC do Paraná e coordenação internacional da London Business School, do Babson College e da Gera (pessoa jurídica responsável pela pesquisa GEM).

A GEM mede as taxas de empreendedorismo mundiais, reunindo dados estatísticos de 43 países. O estudo é referência internacional.

Seus conteúdos contribuem para o desenvolvimento de ações em benefício dos empreendedores no mundo inteiro.

Para avaliar o nível da atividade empreendedora de cada país, entrevistam-se membros da população adulta (18 a 64 anos de idade), selecionados por meio de amostra probabilística de cada país participante.

Os empreendedores identificados são classificados conforme seu estágio empresarial, sua motivação para empreender e suas características demográficas. Em 2008, foram entrevistadas duas mil pessoas no Brasil e 124.721 pessoas no mundo.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias/Marcelo Araújo