Competição entre operadoras é aposta da Amdocs para reforçar presença no Brasil

Patrick McGrory está animado com o aumento da competição entre as operadoras de telefonia no Brasil.

O que atrai o executivo americano é a expectativa de que esse movimento possa render bons frutos à Amdocs, empresa que fornece software e serviços às teles.

Principal executivo da companhia na América Latina, McGrory avalia que a disputa entre as operadoras brasileiras começa a forçá-las a investir mais na prestação de serviços, numa tentativa de evitar a perda de assinantes para a concorrência.

É aí que McGrory enxerga oportunidades de negócios para a Amdocs.

A empresa, de origem israelense, desenvolve software para aplicações diversas em telefonia – de programas para gerenciar a cobrança das contas até sistemas que permitem às operadoras fornecer conteúdo multimídia aos clientes.

“O mercado brasileiro e o da América Latina de forma geral estão mudando para um novo patamar de sofisticação. Isso requer que as operadoras invistam mais na qualidade de seus serviços”, afirma o executivo.

Essas transformações têm movimentado o centro de desenvolvimento que a Amdocs mantém em São Paulo, onde trabalham cerca de 150 pessoas.

Quando chegou ao país, há dez anos, a companhia trouxe na bagagem seus produtos mais tradicionais – programas para tarifação e para ajudar as empresas no relacionamento com os clientes, os chamados CRM.

Desde então, muita coisa mudou no setor. Na telefonia fixa, o ritmo de vendas de linhas recuou e forçou as empresas a investirem pesadamente na banda larga.

Na móvel, viu-se uma expansão incessante nas habilitações de celulares, que já somam quase 155 milhões de linhas.

No meio desse processo, inovações tecnológicas criaram novas funções para os aparelhos móveis – que agora têm capacidade, por exemplo, para fazer e transmitir vídeos.

Segundo McGrory, as operadoras brasileiras têm procurado a Amdocs para implantar sistemas de cobrança e gestão mais eficientes e, ao mesmo tempo, estão em busca de serviços que as ajudem a tirar proveito das novas tecnologias digitais. Claro, TIM e Brasil Telecom (agora controlada pela Oi) são os principais clientes da empresa no país.

A transição pela qual passa o mercado brasileiro já foi acompanhada pela Amdocs em outros mercados e, de certa forma, evidencia um caminho que a própria empresa atravessou. “Aprendemos muitas lições em outros países”, observa McGrory.

Fundada em 1982, a Amdocs ganhou corpo na década seguinte fornecendo software de cobrança para os anúncios exibidos nos sites da Yellow Pages (empresa de listas telefônicas). Hoje, a companhia aposta em programas voltados a tornar mais amigável a relação do consumidor com os serviços de telefonia – desde ferramentas para simplificar a forma pela qual o cliente de uma operadora acessa um conteúdo multimídia até o momento em que ele precisa ligar para o call center.

Para se adaptar aos novos tempos, a companhia fez uma série de aquisições nos últimos anos. E mais compras estão em pauta. Brian Shepherd, presidente da divisão de interatividade, afirmou na semana passada que a Amdocs está interessada em empresas que prestem serviços a operadoras de TV a cabo e de satélite – segmentos que, segundo ele, atravessam a recessão de maneira “relativamente saudável”.

A Amdocs fechou o primeiro trimestre com lucro líquido de US$ 80,6 milhões e receita líquida de US$ 711,1 milhões. Os dois indicadores recuaram na comparação com o mesmo período de 2008 por causa da crise econômica.

Fonte: Valor Online(com Bloomberg, de Washington)

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Relatório de Competitividade Brasil 2009

Rio de Janeiro – Burocracia excessiva, corrupção, atraso em investimentos em infra-estrutura e ineficiência da força de trabalho são alguns dos fatores que dificultam o ambiente de negócios no país, de acordo com o Relatório de Competitividade Brasil 2009 do Fórum Econômico Mundial. O documento foi lançado ontem (16), último dia da edição latino-americana do Fórum.

“Os fatores que geram mais problemas para o Brasil são históricos”, resume Carlos Arruda, professor de Inovação e Competitividade da Fundação Dom Cabral, instituição co-responsável pelo relatório.

O país está em 64º lugar entre os 134 que constam do ranking de competitividade global do Fórum de 2008-2009, o que revela uma piora em relação ao período 2005-2006, quando o Brasil ocupava o 59º lugar no Índice de Competitividade Global.

Entre os chamados doze pilares de competitividade, o pior desempenho é o da estabilidade macroeconômica (122ª posição no ranking mundial). O ambiente institucional também está entre as grandes desvantagens do país (91º lugar).

“Temos no Brasil uma história de instituições frágeis e uma tradição de clientelismo. Isso vem sendo superado, mas ainda estamos na adolescência, não somos confiáveis nem aos olhos externos nem sequer no nosso próprio julgamento”, avaliou Cláudia Costin, secretária de Educação no município do Rio de Janeiro, que também contribuiu com o relatório.

O fortalecimento das instituições, segundo ela, é essencial para a promoção da competitividade. Nesse sentido, é necessário enfrentar questões como desperdício de dinheiro público, corrupção, má gestão pública, falta de transparência na formulação de políticas públicas, falta de independência das agências reguladoras e baixa qualidade do ensino básico, com ênfase excessiva em humanidades em detrimento da formação técnica.

“Um plano de ação para promover a competitividade deve continuar consolidando a democracia e o império da lei, desburocratizar o Estado agressivamente, desenvolver instrumentos para medir o impacto das políticas públicas, continuar combatendo a pirataria e profissionalizar as agências reguladoras para garantir sua independência”, enumera.

Cita, ainda, fatores como a definição clara dos papéis dos governos federal, estadual e municipal, o realização da reforma política e a universalização do acesso ao ensino médio, entre outros. Coordenador do Núcleo de Infra-estrutura e Logística da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende, defende mais investimentos em infra-estrutura.

No seu entendimento, o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal não dá conta das demandas do país. “O PAC não vai resolver nossa questão de crescimento. Ele não vai acelerar nada, é um programa de recuperação de crescimento”, avalia.

Como exemplo, menciona que a necessidade do país em linhas de distribuição de energia, por exemplo, é de investimentos da ordem de US$ 10 bilhões, e o PAC prevê apenas US$ 5,6 bilhões. Em rodovias, o PAC prevê US$ 14 bilhões, frente a uma necessidade de US$ 25 bilhões. Em portos, há investimentos previstos de US$ 5 bilhões e são necessários US$ 15 bilhões.

“Os projetos de infra-estrutura precisam ter continuidade no longo prazo, não interessa quem será o próximo presidente do Brasil”, recomendou Paulo Resende.

Apesar das carências, o Relatório de Competitividade do Fórum Econômico Mundial revela que o Brasil tem, como pontos a seu favor, a capacidade de inovação e, principalmente, o tamanho do mercado.

“Apesar de todos os problemas institucionais, o Brasil é um país atraente para investimentos, é um país favorável aos negócios tanto das empresas estrangeiras quanto brasileiras”, concluiu o professor de Inovação e Competitividade da Fundação Dom Cabral, Carlos Arruda. <!– .replace('

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Fonte: Agência Brasil.