CEO da Daimler é ousado na maior mudança desde a venda da Chrysler

 — Foto: Krisztian Bocsi/Bloomberg
Foto: Krisztian Bocsi/Bloomberg

O CEO da Daimler AG, Ola Kallenius, está fazendo um movimento dramático para conquistar investidores que criticaram a fabricante por manter suas operações de carros de luxo e veículos comerciais sob o mesmo teto.

A fabricante da Mercedes-Benz planeja distribuir a maior fatia de sua unidade de caminhões Daimler Truck aos acionistas até o fim do ano, esperando que a divisão se qualifique rapidamente para o índice de ações de referência da Alemanha. Sua marca mais icônica também se tornará o nome da empresa de automóveis, um movimento que ressalta o desejo do CEO de uma separação clara dos dois negócios, anunciada ontem.

Para Kallenius, é uma divisão em mais de um aspecto. A decisão de mudar fundamentalmente a estrutura da empresa marca uma grande ruptura com seu predecessor, Dieter Zetsche, que foi pressionado após o divórcio da Daimler da Chrysler para fazer mudanças mais profundas.

Zetsche rejeitou a ideia de separação entre carros e caminhões, argumentando que uma presença industrial mais ampla ofereceria mais proteção contra oscilações em segmentos de mercado individuais. Kalenius defendeu na quarta-feira que carros e caminhões passarão por tendências tecnológicas divergentes nas próximas décadas. Enquanto os carros de passeio estão mudando rapidamente para a energia elétrica a bateria, o hidrogênio provavelmente terá um papel maior no futuro dos veículos comerciais.

Os investidores aplaudiram o plano elevando as ações da Daimler em quase 9%, para seu maior fechamento em quase três anos.

“Este é um momento decisivo para a Daimler”, disse em nota Tom Narayan, analista da RBC Capital Markets. “Esta é a chave para obter uma avaliação adequada.”

Os ganhos e o preço das ações da Daimler começaram a definhar no final da gestão de 13 anos de Zetsche à frente da empresa, e Kallenius teve que emitir vários alertas sobre os resultados após se tornar CEO em maio de 2019.

O executivo sueco de 51 anos começou a deixar sua marca traçando planos para reviver os retornos ao se concentrar em carros maiores, como o sedã classe S, e cortando custos. Kalenius também aprofundou a parceria com a Aston Martin Lagonda Global Holdings Plc e fez parcerias com empresas de tecnologia para impulsionar as operações de software da empresa.

Até o final da década, a Mercedes pretende que mais da metade dos veículos que vende globalmente sejam eletrificados.

As divisões de carros Mercedes e caminhões Daimler “são negócios diferentes, com grupos de clientes, caminhos de tecnologia e necessidades de capital específicos ”, disse Kallenius. “Eles serão capazes de operar de forma mais eficaz como entidades independentes, dotadas de forte liquidez e livres das restrições de uma estrutura de conglomerado.”

A unidade de caminhões Daimler poderia valer cerca de 29 bilhões de euros (US$ 35 bilhões) se avaliada em múltiplos semelhantes à Volvo A AB, embora precise melhorar substancialmente os retornos para justificar essa avaliação, disseram analistas do Deutsche Bank no mês passado.

A estimativa da Sanford C. Bernstein é ainda maior, de 35 bilhões de euros.

O diretor financeiro Harald Wilhelm disse a repórteres que vê “um potencial significativo para uma reclassificação” da Daimler, que terminou a quarta-feira com um valor de mercado de 69 bilhões de euros.

Fonte: Bloomberg/Valor, 04/02/2021.

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