Big Ideas 2021: as 20 grandes tendências que definirão o próximo ano

Ribeirão Preto terá treze feriados ao longo de 2021 - Economia - ACidade ON  Ribeirão

Ninguém previu como seria 2020. No final de 2019, economistas nos EUA falaram sobre a perspectiva de pleno emprego, esperávamos que o Brexit dominasse as manchetes na Europa, apostava-se na recuperação econômica do Brasil e o Japão estava prestes a abrir suas portas para o mundo como anfitrião dos Jogos Olímpicos.

Em vez disso, aconteceu a pandemia da Covid-19.

O coronavírus, descrito pela primeira vez em janeiro como uma doença misteriosa parecida com uma gripe que se espalhava pela China, paralisou a economia global. Milhões de pessoas perderam seus empregos – e mais de 1,5 milhão de pessoas perderam a vida. Muitos de nós fomos para casa e lá ficamos.

O ano de 2020 testou nossa resiliência, forçando o mundo a mudar rapidamente o modo como vive e funciona. Ao nos aproximarmos de 2021, com a tênue promessa de um pacote de vacinas, enfrentamos um novo teste: precisaremos decidir que tipo de mundo pós-pandemia queremos construir, para nós mesmos e para as gerações futuras.

Todo mês de dezembro, os editores do LinkedIn pedem à nossa comunidade de colaboradores frequentes para compartilhar os grandes temas que eles acreditam que definirão o ano seguinte. Em 2020, à sombra de um tipo de pandemia que ocorre uma vez por século, oferecemos uma seleção de previsões e pensamentos sobre nossos rumos a partir daqui – no trabalho, em casa e em qualquer lugar entre os dois.

Esta não é uma lista completa, e nós convidamos você a se juntar a nós! Quais grandes temas você acha que surgirão no próximo ano? Compartilhe suas ideias nos comentários ou publique uma postagem, um artigo ou um vídeo no LinkedIn com a hashtag #BigIdeas2021. — Scott Olster.

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1. Novos métodos de construção vão absorver – e não emitir – CO2

Em 2017, a ONU calcula que prédios, métodos de construção e suas fontes de energia responderam por 39% das emissões globais de dióxido de carbono relacionadas à energia. Esse número é alarmante, na visão de Kate Simonen, chefe do departamento de arquitetura da Universidade de Washington. No entanto, ela é otimista quanto a alternativas para aliviar a carga sobre o meio ambiente – e reduzir essa porcentagem.

Resíduos da agricultura ricos em carbono, tais como cascas de arroz, podem ser usados no interior de carros ou como material para substituir o cimento, o que permite “sequestrar” o carbono de forma segura. Outra opção: pesquisar bactérias capazes de criar novas variações para o concreto. A comercialização em grande escala desses tijolos e blocos verdes (eles realmente são verdes) ainda pode demorar anos, segundo Simonen, mas projetos de laboratório já mostraram que os processos biológicos necessários para a sua realização funcionam bem. Como um primeiro passo para 2021, ela prevê que pelo menos mais um estado norte-americano vai se somar à Califórnia na adoção de padrões para calcular o impacto incorporado do carbono em grandes projetos de construção. 

No Brasil, cerca de 1450 edificações são certificadas pelo LEED, selo para construções sustentáveis concedido pela organização não-governamental United States Green Building Council. Em 2019, o país ocupava o 4º lugar entre dez países e regiões fora dos Estados Unidos com maior área certificada pelo selo.

2. Ondas de calor terão nomes, assim como furacões e ciclones

 A última década foi a mais quente da história e, só nos últimos meses, vários recordes de calor foram quebrados ao redor do mundo: Death Valley, nos Estados Unidos, superou 54,4 graus Celsius; a Sibéria e a Europa atingiram várias vezes temperaturas 7 graus e 2 graus Celsius acima das suas médias, respectivamente; e ondas de calor extremo na Austrália causaram as piores queimadas já vistas no país. O Brasil registrou uma onda histórica de calor em 2020 entre o fim de setembro e a primeira quinzena de outubro, e a maior temperatura já registrada oficialmente no país foi atingida nos dias 4 e 5 de de novembro de 2020, em Nova Maringá (MT), onde os termômetros marcaram o recorde de 44,8°C.  

Na virada do século, sem medidas preventivas, as ondas de calor deverão afetar 75% da população mundial e mais de 3,5 bilhões de pessoas até 2070, das quais 1,6 bilhão viverá em densas áreas urbanas nas quais a superfície construída de prédios intensifica a exposição ao calor. Nenhuma parte do planeta estará a salvo dos efeitos.

As ondas de calor não arrancam “dramaticamente” os telhados dos prédios: o que elas deixam em seu rastro não pode ser fotografado e nem transmitido pela TV como ocorre com queimadas, furacões ou enchentes. Porém, os seus efeitos não são menos nocivos. Nos Estados Unidos, por exemplo, o calor extremo mata mais pessoas do que qualquer outro evento climático anualmente. 

Desde os anos 1950, nós damos nomes às tempestades tropicais e aos furacões. Batizar ondas de calor deve criar uma cultura de conscientização e preparação para os riscos e impactos do calor, além de estimular a busca por recursos necessários para proteger e salvar vidas. Em 2021, nós vamos chamar ondas de calor por nomes, assim como fazemos com tempestades e furacões, e o calor extremo deixará de ser um causador silencioso de mortes. — por Kathy Baughman McLeod, diretora do Adrienne Arsht-Rockefeller Foundation Resilience Center do Atlantic Council.

3. Nós iremos alterar o mapa das cidades…

A pandemia vai mudar a cara das cidades e deve remodelar esses espaços para tornar a vida urbana mais sustentável. Prefeitos ao redor do mundo estão começando a colocar o modelo da “cidade de 15 minutos” no centro dos seus planos de retomada. A premissa por trás do modelo é que os moradores da cidade tenham tudo de que precisam (locais de trabalho, bares, restaurantes, lojas, escolas, saúde e lazer) nos limites de uma viagem de 15 minutos – a pé ou de bicicleta – a partir das suas casas. A quarentena imposta pela pandemia provou que o home office é possível, e desafiou a ideia de que as cidades precisam ser divididas em áreas para trabalhar ou para morar. Além disso, uma parte da população urbana experimentou uma vida com menos carros e mais bicicletas nas ruas. 

A partir de agora, “o gênio saiu da garrafa”. No ano que vem, poderemos ver ciclovias temporárias ou outras mudanças na infraestrutura que foram implementadas de forma provisória durante a pandemia se tornarem permanentes. Ideias “de nicho” como os super blocos para pedestres de Barcelona podem virar mainstream. “Acredito que uma nova filosofia de trabalho acabará se misturando com ideias para cidades inteligentes. As empresas terão espaço de trabalhos menores, mais próximos das casas das pessoas”, diz Frederik Anseel, professor de gestão na Universidade de New South Wales. Isso irá virar a ideia tradicional da cidade — na qual pequenas comunidades se formam ao redor de um único centro — de cabeça para baixo. “Grandes cidades como Paris, Londres e Sydney poderão se tornar vastas áreas urbanas constituídas de algumas comunidades menores, cada qual com o seu próprio centro”, explica Anseel. “E, como vai haver menos concentração em uma única área central, os preços dos imóveis deverão ser ajustados”. 

Em entrevista ao UOL, o professor Victor Andrade, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que não há exemplos no Brasil que oficialmente usem o título de “cidades de 15 minutos”, mas que há iniciativas nesse sentido no país, como o plano diretor em São Paulo. Incentivos a fachadas ativas e estímulos à moradia no centro, por exemplo, já estão em curso, ainda que sem uma diretriz nacional.

4. …e começar a planejar cidades para refugiados escaparem das mudanças climáticas

No ano que passou, o mundo ficou concentrado na pandemia e seus efeitos para as vidas de todos nós, e por um bom motivo. Mas uma ameaça ainda maior pode mudar nosso modo de vida – inclusive no Brasil – de uma forma menos rápida, porém mais permanente: a mudança climática. O aquecimento global já força cerca de 20 milhões de pessoas a fugir de suas casas todos os anos. Combinado com o crescimento da população, o aumento das temperaturas pode levar três bilhões de pessoas — um terço da população estimada do planeta – a viver em condições “impróprias para a vida” até 2070. 

O resultado inevitável será a migração em massa para “refúgios climáticos” ou para cidades protegidas dos extremos climáticos com capacidade para crescer. A preparação para esse futuro não pode mais ser adiada. Líderes políticos, membros da comunidade científica, ONGs e organizações de jovens vão se reunir para discutir o assunto na primeira Cúpula de Adaptação Climática já realizada no mundo em janeiro de 2021. À medida que as cidades pelo mundo desenvolvem planos de ação para o clima, deveremos ver mais projetos imobiliários no modelo “zero carbono” e mais cinturões verdes substituindo o asfalto. “A pergunta que deveríamos estar nos fazendo agora é sobre como proteger os cidadãos mais vulneráveis”, diz Greg Lindsay, diretor de pesquisa aplicada na ONG NewCities Foundation. “Precisamos pensar em como desenvolver mecanismos de estímulo para atrair as pessoas para longe das áreas de alto risco”.

5. A retomada econômica em “K” fará as empresas cortejarem os mais ricos

A pandemia criou um “conto das duas cidades”, diz o investidor e filantropo David Rubenstein ao LinkedIn Notícias: “As pessoas no topo estão se dando incrivelmente bem; as demais estão ficando cada vez mais e mais para trás”. 

No Brasil, estudos mostram que a pandemia acentuou ainda mais o abismo social: os 40% mais pobres perderam 32% da renda com a pandemia, enquanto a queda para os 10% mais ricos foi de 3%, de acordo com um levantamento da PUCRS em parceria com o Observatório das Metrópoles e Observatório da Dívida Social na América Latina.

Como essa bifurcação na forma da letra “K” deve continuar ocorrendo no período pós-pandemia, as empresas serão obrigadas a “seguir o dinheiro” se quiserem crescer – ou mesmo sobreviver. Como manter salas de cinema que têm ficado praticamente vazias? Projeções particulares podem ser a saída, como indicam os testes feitos pela norte-americana AMC e outras redes de cinema. Redes de hotéis estão buscando se aproximar de profissionais com alto poder aquisitivo que buscam escritórios privados com vista para a praia, uma tendência que pode continuar ao longo dos anos. Até lojas especializadas em vender produtos baratos passaram a mirar consumidores mais ricos. “A demanda por esse tipo de loja é muito relevante hoje, e deve continuar a crescer”, afirma Emily Taylor, diretora de merchandising da norte-americana Dollar General, a respeito da nova marca do grupo, chamada Popshelf, direcionada a clientes com maior poder aquisitivo. 

À medida que as empresas buscam consumidores endinheirados, as suas estruturas operacionais também devem mudar, de acordo com David Hunt, CEO da PGIM, empresa de investimentos de US$ 1,4 trilhão. “Empresas ao redor do mundo estão abandonando recursos que historicamente as definiram – fábricas, máquinas, escritórios regionais transbordando de funcionários”, diz ele ao LinkedIn Notícias. A partir de agora, os negócios deverão investir cada vez mais em propriedade intelectual, softwares, plataformas online, dados protegidos e algoritmos – o que for necessário para acompanhar e encontrar os consumidores do futuro onde quer que eles estejam. Os dados do LinkedIn mostram as contratações de executivos dedicados a encontrar esses clientes, tais como chief growth officers e chief revenue officers, estão em alta.

6. A pandemia levará mais mulheres à diretoria das empresas

A crise da Covid-19 tem sido catastrófica para as mulheres – sobretudo para aquelas que pertencem a minorias, têm baixa renda ou são mães solo. As demissões têm se acumulado em setores que empregam proporcionalmente mais mulheres e o fechamento das escolas levam muitas mães economicamente ativas a abandonar seus empregos. No Brasil, em meio à crise, a participação das mulheres no mercado de trabalho atingiu o menor patamar em 30 anos.

Porém, em meio a essas dificuldades, surgem sinais de uma mudança na liderança das empresas. Segundo dados do LinkedIn, mais mulheres têm sido alçadas a posições de comando executivo durante a pandemia, apesar da queda nas contratações para esse nível hierárquico. Essa tendência deve continuar, já que a pandemia demonstrou a importância de liderar com empatia e necessidade de apoiar a diversidade de talentos. “Às vezes nada acontece por décadas, e às vezes décadas acontecem no espaço de uma semana. Estamos nessa situação”, afirma Lorraine Hariton, CEO da Catalyst, sobre o progresso que está vislumbrando para o futuro. 

Também há mais CEOs mulheres do que nunca na lista Fortune 500. Durante a pandemia, Jane Frase se tornou a primeira CEO mulher de um grande banco de Wall Street, enquanto Karen Lynch virou CEO da maior empresa do mundo no setor de saúde, a CVS Health. No Brasil, exemplos recentes incluem Andrea Napolitano, que se tornou a 1ª mulher a assumir a presidência da Gomes da Costa, e Michele Robert, que se tornou a 1ª vez a mulher no comando de uma das operações industriais da Gerdau

Segundo especialistas, esses casos mostram que colocar mais mulheres em posições de liderança se tornará uma prática obrigatória para as corporações mais competitivas. “Não vamos voltar ao normal”, diz C. Nicole Mason, CEO do Institute For Women’s Policy Research. “Queremos ver mudanças na visibilidade das mulheres no ambiente de trabalho. Nós somos metade da força de trabalho”.

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7. Os escritórios vão precisar nos conquistar de volta

Depois de um ano de trabalho remoto, as dinâmicas de poder mudaram. As empresas precisarão dar aos funcionários um motivo para voltar ao escritório. Uma opção disponível? Espaços desenhados para aquilo de que todos estamos sentindo falta: conexão humana, e talvez um pouco de descanso e relaxamento também. 

“As pessoas sentem falta de outras pessoas. O contato presencial entre as pessoas tem um valor inestimável”, diz Liz Burow, ex-VP de estratégias para o ambiente de trabalho da WeWork. Segundo Burow, os escritórios irão funcionar de duas maneiras principais: como espaços em que as pessoas se reúnem para desenvolvimento pessoal, liderança e cultura; e como ‘clubes’ em que elas se juntam para colaborar e confraternizar. De qualquer maneira, não vamos mais nos encontrar cinco dias por semana como no passado. 

A transformação não será apenas filosófica; ela também será física.  

Lugares designados para se sentar deixarão de existir, afirma Brittney Van Matre, diretora de estratégias e operações para o ambiente de trabalho da Nike. Pesquisas da Nike mostram que os funcionários querem trabalhar em um escritório, mas só duas vezes por semana. E, quando voltarem, eles desejam que o espaço seja colaborativo. Segundo ela, o design dos escritórios precisa acomodar esse modelo de “trabalho baseado em atividades” – o termo para ambientes flexíveis que se adaptam a diversas necessidades.

Mas espaços colaborativos podem não ser suficientes para atrair as pessoas de volta, alerta Van Matre. Ela acredita que as empresas deveriam conquistar os funcionários seja com “escritórios fantásticos com muitos mimos e uma experiência realmente agradável” ou com “uma experiência única que você não pode encontrar em nenhum outro lugar”. Van Matre sugere que as empresas considerem instalações alternativas em locais incomuns, como áreas rurais ou com paisagens mais associadas ao lazer, que criem um “espaço de alívio” capaz de atrair os funcionários.

8. A rotina de trabalho será mais remota e flexível

Os líderes empresariais estão repensando como suas empresas trabalharão em um mundo pós-pandemia. Uma das maiores questões que eles enfrentarão é onde – e quando – os funcionários poderão trabalhar. 

Quando for seguro voltar ao escritório, muitos colaboradores terão passado um ano ou mais trabalhando em suas casas – e muitos têm aproveitado o tempo extra e a flexibilidade que o home office oferece. As empresas poderão deixar os funcionários trabalharem de casa dois ou mais dias por semana, ou optar por três dias no escritório, dois dias remotos e depois dois dias de folga – uma semana de trabalho 3-2-2, destaca Ashley Whillans, professora da Harvard Business School. Alguns empregadores podem até reduzir a jornada de trabalho para apenas quatro dias.

“Os funcionários desejarão maior flexibilidade e as organizações exigirão isso”, disse Whillans. “O aspecto desta flexibilidade irá variar dependendo do setor e da localização geográfica. Mas, espera-se que, se fizermos isso corretamente, as viagens de ida e volta ao escritório se tornem ultrapassadas”.

Dados recentes do Índice de Confiança do Trabalhador do LinkedIn mostram que 46% das pequenas empresas no Brasil têm chance de adotar um modelo híbrido de trabalho no futuro pós-pandemia. Entre negócios de maior porte, com mais de 10 mil funcionários, a taxa é de 29%.

9. Mergulharemos ainda mais no ambiente virtual

2020 ficará marcado como o ano em que muitos de nós nos inserimos no mundo virtual por necessidade, já que o distanciamento social forçou milhões de pessoas a trabalharem, estudarem e se relacionarem remotamente. Espere que 2021 leve a tecnologia a outro nível, com um crescimento contínuo e aceitação de mundos digitais como substitutos viáveis para experiências e conexões presenciais. Empresas como a Epic, com o seu popular jogo Fortnite, bem como a empresa de experiência imersiva Unreal, trarão eventos sociais como shows e esportes em larga escala para o mundo virtual através da tecnologia de realidade aumentada. Ambientes colaborativos de jogos e programação, como Roblox, reunirão comunidades em busca de conexão social.

Podemos esperar que o crescimento e a maturidade dos ambientes virtuais também influenciarão a atividade econômica. Os ativos digitais baseados em blockchain ganharão força, incentivando a crescente adoção de mercados financeiros descentralizados para pagamentos e comércio. A realidade virtual aumentada também ganhará uma adoção mais ampla, especialmente à medida que a Apple se aproximar do lançamento de seus próprios óculos AR. E as transações financeiras serão elaboradas nestes sistemas de hardware, mudando a natureza dos bancos e as expectativas dos consumidores. — por Lex Sokolin, co-diretor global de fintech da ConsenSys e autor da newsletter The Fintech Blueprint

10. O turismo seguirá o caminho da Netflix

A pandemia causou danos à indústria de viagens em 2020. As viagens internacionais foram praticamente interrompidas em muitos países e algumas companhias aéreas entraram com pedido de proteção contra falência. Pontos turísticos tradicionais ficaram vazios. A indústria de viagens foi forçada a rasgar seu livro de receitas e começar de novo. 

Uma ideia que está ganhando força? Viagens por assinatura. A americana Costco fez uma parceria com a WheelsUp para oferecer uma assinatura anual de jato privado por US$17.499,99. A Tripadvisor está lançando um serviço de assinatura anual chamado Tripadvisor Plus por US$99, que oferece acesso a ofertas de viagem e outras vantagens. E algumas companhias aéreas também começaram a experimentar serviços de assinatura, onde oferecem voos com tarifas fixas em troca de uma fonte de receita segura e contínua. 

“No sudeste asiático, já vimos companhias aéreas testando este conceito”, diz Hannah Pearson, fundadora da empresa de consultoria de viagens Pear Anderson, sediada em Kuala Lumpur. “A AirAsia lançou um passe ilimitado para vôos domésticos na Malásia no início deste ano – e tendo em vista que eles já o implementaram na Tailândia, Filipinas e Indonésia, podemos deduzir que tem sido um sucesso”. 

Outra aposta de Pearson são as assinaturas para trabalho, onde “cadeias de hotéis oferecem reservas flexíveis e benefícios para os clientes ficarem e trabalharem em qualquer um de seus hotéis em todo o país”. A ideia já acontece em países como Cingapura, onde empresas de hospedagem estão agora oferecendo pacotes de trabalho específicos.

11. O streaming vai engolir – e transformar – os cinemas

Este foi um ano devastador para os cinemas. Enquanto isso, o cenário para os serviços de streamings foi positivo, já que se tornaram praticamente a única alternativa para Hollywood e para os espectadores este ano. Os estúdios lançaram filmes muito aguardados, como Mulan, da Disney, direto no streaming. Neste Natal, Mulher Maravilha chegará aos cinemas e simultaneamente será lançado na HBO Max nos Estados Unidos por um mês.

Quando a crise da Covid-19 passar, os cinemas poderão conquistar de volta os corações e carteiras dos consumidores? Sim, mas serão necessários alguns ajustes.

Comidas melhores e poltronas e pisos mais limpos provavelmente não serão suficientes. “O que um cinema pode oferecer que você não consegue na sala da sua casa? Outras pessoas”, diz Scott Galloway, professor de marketing da NYU. “As comédias são mais engraçadas, os suspenses têm mais emoção e os filmes de terror são mais assustadores na multidão. Os cinemas precisam se reinventar como locais de encontro, como espaços sociais. Um novo filme da Marvel pode ser um evento com concursos de fantasias e exibições de maratonas de filmes anteriores, por exemplo”.

Os serviços de streaming devem apoiar esse processo. “Alguém precisará fornecer capital para que os cinemas possam superar a pandemia e investir no futuro da indústria”, diz Galloway. “O suposto interesse da Amazon na rede de cinemas AMC é interessante. Ela poderia atender os clientes do cinema no Prime, por exemplo, e dar a eles a chance de ver os novos lançamentos primeiro nos cinemas”.

12. Os millennials transformarão o mundo de investimentos

Wall Street foi construída para os seus pais e avós: conversas telefônicas, resmas de declarações e registros em papel, e uma visão de que o retorno para o acionista vale mais do que qualquer coisa.

No entanto, os millennials estão prontos para transformar o setor financeiro. Quatro tendências principais, destacadas recentemente pela revista The Economist, estão se acelerando para impulsionar essa mudança:

A geração dos millennials – nascida entre 1981 e 1996 – está prestes a entrar nos anos de pico de renda de suas carreiras. À medida que eles crescem no mundo corporativo e substituem os baby boomers que se aposentam, seu poder aquisitivo aumentará quase 75% nesta década, de acordo com a pesquisa do Bank of America.

Os boomers não estão apenas se aposentando – eles também estão morrendo. O fluxo de dinheiro de herança para as gerações mais jovens deve dobrar de ritmo na próxima década, segundo a empresa de pesquisas Cerulli Associates.

A tecnologia está cada vez mais presente na vida diária dos millennials. Quando se trata de investir, “uma geração criada com smartphones tem tanta probabilidade de confiar em um aplicativo quanto em um corretor bem sucedido”.

As gerações mais jovens querem mais do que apenas um retorno financeiro quando investem. Uma pesquisa do Morgan Stanley aponta que aqueles com menos de 35 anos têm duas vezes mais chances de vender uma ação se considerarem uma empresa insustentável ambientalmente ou socialmente. “Acredito fortemente que o foco em fatores ambientais, sociais e de governança veio para ficar”, disse ao LinkedIn Notícias Kristina Hooper, estrategista-chefe de mercado global da Invesco, gestora de ativos de US$ 1,2 trilhão.

A indústria financeira será forçada a se adaptar para seguir o dinheiro. Isso significa fusões e aquisições, parcerias com fintechs, um influxo de talentos voltados para a tecnologia e, segundo Hooper, “inovação de produtos mais rápida e responsiva”.

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13. A pandemia vai desencadear uma nova onda de empreendedores

A Grande Recessão da última década desencadeou uma onda de empreendedorismo nos Estados Unidos, já que o alto desemprego encorajava os futuros empresários a perseguir suas ideias em vez de depender de um mercado de trabalho turbulento. Podemos esperar o mesmo quando a poeira da crise da Covid-19 baixar. 

Embora a pandemia tenha devastado as economias locais em todo o mundo e deixado milhões de pessoas desempregadas, ela desencadeará um renascimento empresarial. “Vamos começar a ver mais pessoas saindo das empresas e iniciando seus próprios negócios. Talvez a um ritmo acelerado como nunca vimos antes”, destacou Lucy Chow, uma senadora representante dos EAU no Fórum Mundial de Investimento de Business Angels.

A transformação de empregado para empregador já começou. Com dezenas de restaurantes e varejistas fechando permanentemente, seus antigos funcionários estão abrindo pequenos comércios, criando delivery de comidas e apostando na venda de artesanatos online. No Brasil, a abertura de novos negócios cresceu durante a pandemia: só no primeiro quadrimestre de 2020, foi registrada a abertura de mais de um milhão de empresas.

14. Prepare-se para a Recessão Global, Parte II

Os economistas já estão sinalizando uma grande surpresa para 2021: esta recessão global pode ser apenas o começo do problema.

Para o economista Ernie Tedeschi, a crise econômica causada pelas paralisações globais sincronizadas à medida que a pandemia proliferou, levou a condições que agora expõem uma recessão mais profunda e sólida. Os sinais? Indústrias que não foram diretamente afetadas pela crise sanitária agora estão enfrentando perdas de empregos, falências de negócios e quedas nos gastos; mais dispensas que foram originalmente classificadas como temporárias estão sendo classificadas como permanentes; e a taxa de desemprego de longa duração – uma característica preocupante da Grande Recessão – está aumentando.

Assim, uma recessão de duplo mergulho é o maior risco para 2021, de acordo com o economista Campbell Harvey. O economista Mohamed El-Erian concorda, considerando o risco de uma recessão subsequente, com base em dados globais que ele está observando dos setores de manufatura e serviços.

Esse jargão econômico tem implicações humanas. As Nações Unidas estão pedindo US$ 35 bilhões para apoiar seu trabalho humanitário, projetando que um recorde de 235 milhões de pessoas precisarão de sua ajuda em 2021 – um salto de quase 40% em relação a este ano. “Não teremos uma segunda chance de fazer a escolha certa”, disse Mark Lowcock, subsecretário-geral da ONU para assuntos humanitários.

“A recessão será desigual, incerta e sujeita a contratempos”, disse Kristalina Georgieva, chefe do Fundo Monetário Internacional, ao LinkedIn Notícias. “O caminho para um crescimento forte, sustentável, equilibrado e inclusivo será longo e difícil”.

15. Sim, teremos uma vacina. Não, ela não vai acabar com o distanciamento social

Todos esperam que 2021 traga alívio para a crise da Covid-19, e especialistas em saúde pública acreditam que há um motivo para ser otimista. “O potencial de ter um grande impacto sobre esta pandemia é muito real”, disse Michael Osterholm, epidemiologista do Centro de Políticas de Pesquisa e Doenças Infecciosas da Universidade de Minnesota. “E tudo está focado em uma vacina”.

Mas existem algumas ressalvas. Embora as primeiras vacinas candidatas já estejam passando pelo processo de aprovação, é provável que veremos duas ou três gerações de vacinas nos próximos anos. Uma vacina precisa não apenas ser eficaz, mas também durável – e as pessoas devem estar dispostas a aceitá-la.

Os tratamentos e diagnósticos também devem melhorar, o que significa que as taxas de mortalidade devem continuar caindo. Mas o próximo ano também deve trazer um pouco de frustração. “O lançamento da vacina vai demorar mais do que o esperado”, disse Greg Martin, especialista em saúde pública do Health Service Executive de Dublin, que estimou que provavelmente levará de seis a nove meses após a aprovação para o público em geral ter acesso ao imunizante. “Temos que ter certeza de não tirar o pé do acelerador”, diz Martin.

16. Para os líderes, o caráter será prioridade

Diante dos esforços para superar uma pandemia global e uma recessão econômica, o caráter dos líderes será tão importante quanto sua competência. Em 2021, a liderança servidora será uma vantagem competitiva.

Para a psicologia, ficamos mais preocupados com a precariedade e o propósito quando encaramos ameaças aos nossos empregos e nossas vidas. Assim, procuramos um senso de confiança de que nossos empregos estão seguros e um senso de contribuição para uma causa maior do que nós. Isso dará aos líderes servidores uma vantagem no recrutamento, motivação e retenção de talentos.

Os líderes-servos são doadores, e colocam nossos interesses acima dos deles. Eles reconhecem que as pessoas não são o recurso mais importante em uma empresa: eles são a empresa. Eles não vão nos despedir nos primeiros erros, mas farão tudo o que puderem para salvar nossos empregos. Eles não nos manterão presos a um escritório ou horário, mas nos darão liberdade e flexibilidade para trabalhar onde e quando for necessário. Eles não se tornarão microgerenciadores. Eles não vão nos manter presos em empregos sem saída, mas criarão oportunidades de crescimento e avanço. E eles se importarão o suficiente para nos apoiar a encontrar um caminho seguro. — por Adam Grant, psicólogo organizacional da Wharton, apresentador do podcast WorkLife e autor de “Think Again: The Power of Knowing What You Don’t Know

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17. Espere um acerto de contas das Big Techs

Nos Estados Unidos, depois de anos andando em círculos, Washington está prestes a pegar pesado com as empresas de tecnologia. A seção 230 da Lei de Decência nas Comunicações, que dá às empresas de tecnologia ampla autoridade para decidir como moderar o conteúdo em suas plataformas e as isenta de responsabilidade pelo que os usuários postam, é o alvo do momento das autoridades americanas.

Enquanto os republicanos estão tensos com o poder sobre as vozes apresentadas que as empresas de tecnologia retêm, a preocupação dos democratas é de que a desinformação seja disseminada nas plataformas sem consequências.

Enquanto isso, ativistas nos EUA estão pedindo a Comissão Nacional de Tecnologia e Democracia para fazer recomendações concretas ao Congresso e aos reguladores sobre outras formas de controlar as Big Tech. Essas discussões orientarão as mudanças feitas por meio de agências como a Federal Trade Commission – que pode propor um processo contra o Facebook –, e o Departamento de Justiça – que abriu um processo contra o Google.

No Brasil, o STJ lançou uma página especial com informações sobre a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, atendendo à Recomendação 73/2020 do Conselho Nacional de Justiça, que orienta os órgãos do Poder Judiciário a divulgarem em seus sites informações de fácil acesso ao cidadão a respeito das novas regras.

18. Tecnologia do momento? Qualquer coisa que nos faça sentir mais seguros

Esqueça “mais rápido, melhor, mais novo e diferente”. A lista de desejos de tecnologia e inovação do próximo ano se concentrará em produtos e serviços que nos fazem sentir mais seguros – como o oxímetro de pulso. Dessa forma, se qualquer um de nós contraísse Covid-19, poderíamos verificar nossos níveis de oxigênio no sangue para determinar a gravidade de nossa doença. Agora, o mais recente Smart Watch da Apple pode detectar os níveis de oxigênio no sangue.

Essa demanda por segurança também se estenderá aos métodos que as grandes empresas de tecnologia usam para proteger seus usuários de assédio. Ficamos cada vez mais preocupados com os riscos que o uso indevido e a desinformação de dados representam para as pessoas que usam esses serviços – e para a sociedade em geral. Com a comercialização generalizada de tudo, desde reconhecimento facial a tecnologia de voz, a tendência é confiar em reguladores governamentais e anunciantes comerciais para pressionar essas empresas a lidar com nossos dados de forma responsável.

19. Todos os holofotes na China em 2021

Apesar de uma pandemia global ter tido origem em seu território, a economia chinesa se recuperou rapidamente, crescendo 4,3% no terceiro trimestre deste ano. Seus cidadãos estão levando uma vida basicamente normal graças aos rígidos lockdowns que pararam o vírus e o país aderiu a um dos maiores pactos comerciais do mundo. Enquanto isso, os Estados Unidos, a Europa e o Brasil estão se preparando para passar 2021 possivelmente contendo ondas de infecções que paralisaram grande parte de suas economias.

Tudo isso coloca a China em uma posição privilegiada para garantir um lugar como superpotência dominante no mundo nos próximos anos. Mas vai ser difícil ganhar entusiastas.

Durante anos, a China usou seu poderio econômico como moeda de troca para obter acesso a novos mercados ou para acalmar as críticas sobre as denúncias de violações dos direitos humanos. Embora as empresas tenham muito a perder caso a China feche suas fronteiras para elas, os líderes governamentais relutam em ceder mais influência a um país que demonstrou uma abordagem quase nula nas relações diplomáticas. O sentimento negativo em relação à China está aumentando na Austrália, Alemanha, EUA, Coreia do Sul e Canadá, entre outros, de acordo com uma pesquisa do Pew Research Centre. “A China estará à frente de todos economicamente. No entanto, sua reputação global não vai melhorar”, disse James McGregor, diretor para assuntos chineses da empresa de RP APCO Worldwide. “A liderança do Partido Comunista Chinês parece ter decidido que, se a China não pode ser amada, também pode ser temida”.

20. A prevenção da pandemia vai muito além da medicina

A pandemia da Covid-19 deixou claro que nossa saúde está ligada a questões ambientais maiores. O aumento da densidade populacional, viagens globais, desmatamento e agricultura em larga escala desorganizou os habitats dos animais, aproximando-os dos humanos. Isso aumentou o risco de surtos de doenças zoonóticas mais frequentes e, portanto, um maior potencial para outra pandemia.

No século passado, havia apenas um punhado de doenças relacionadas aos animais. Mas esses números se aceleraram na última década. Nem todos os surtos zoonóticos levam a pandemias. Mas “se estivermos lançando os dados com frequência, você terá uma chance alta”, afirma Greg Martin, especialista em saúde pública do Health Service Executive. “Estamos jogando com as probabilidades.”

A pandemia também mostrou que a saúde é uma questão de justiça e desigualdade racial, com a crise causando um impacto desproporcional nas comunidades negras e indígenas, por exemplo. Isso tem pressionado os governos a combater os fatores socioeconômicos que influenciam quem fica doente e quem se recupera.

Quais Big Ideas você acompanhará no próximo ano? Compartilhe nos comentários ou publique um post, artigo ou vídeo no LinkedIn usando a hashtag #BigIdeas2021.

Fonte: Rafael Kato Editor-chefe para América Latina e Espanha no LinkedIn Notícias

Com reportagens deGeorge AndersChris AndersonDevin BanerjeePieter CranenbroekJordyn DahlCaroline FairchildClaudia Gasparini, Adam GrantJessi HempelSusy JacksonLiza JansenBeth KutscherKathy Baughman McLeodGuilherme Odri, Siobhan MorrinAndrew SeamanCallie SchweitzerLex Sokolin e Paulo Balint TobiasDireção de arte deGreg Lee

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