Bancos tradicionais vão sobreviver às fintechs, diz Ferreira

Ferreira, da MOS: torcida para não ver “muito amadorismo” dos novatos na bolsa — Foto: Claudio Belli/Valor
Ferreira, da MOS: torcida para não ver “muito amadorismo” dos novatos na bolsa — Foto: Claudio Belli/Valor

Os grandes bancos devem sobreviver à investida das fintechs, mas algumas dessas startups financeiras também vão se tornar empresas gigantes, disse ontem o gestor Guilherme Affonso Ferreira, sócio-fundador da Teorema Capital, rebatizada recentemente de MOS, durante a “Live” do Valor.

Ferreira defendeu o investimento em empresas boas pagadoras de dividendos, como os bancos e as concessionárias de rodovias. “Ainda hoje os bancos tradicionais, que são poucos no Brasil, são excelentes pagadores de dividendos.

Agora, será que vão sobreviver às fintechs? Esta é uma ótima pergunta e eu sou da turma que acredita que sim, embora muitas fintechs vão virar empresas grandes”, afirma.

Apesar do entusiasmo com o investimentos em empresas de tecnologia, Ferreira se mostrou um tanto cético e mais adepto da economia tradicional. “Tecnologia certamente é e vai ser importante, mas nos fundos da MOS a posição mais importante é Rumo, mais tradicional impossível”, disse.

O gestor destacou o potencial do segmento de petróleo, apesar de reconhecer que a participação na matriz energética será menor nos próximos anos. Ele acredita que haverá demanda, no mínimo, até o fim da década de 2030, mencionando projeções da própria Petrobras.

Na live, Ferreira comemorou os juros em 2% e a evolução do número de pessoas físicas na bolsa, que passou de 3 milhões. Porém, ponderou sua torcida para que não exista “muito amadorismo” dos novos entrantes, pois podem “tomar pancada e nunca mais voltar”. Ferreira disse que não vê com entusiasmo o interesse desse investidor por “day trade” e “torce para que as besteiras sejam poucas”, porque, segundo ele, não é possível um recém-chegado ao mercado achar que vai operar e ganhar dinheiro no mesmo dia.

Em relação à sua história de investidor com estratégia fundamentalista, Ferreira lembra que o negócio da empresa sempre foi o mais importante, sendo a oscilação de preços no mercado uma consequência. “Em toda a minha carreira, a gente errou uns três casos, e mais no começo, nada que comprometesse”, diz.

Para o gestor, a pandemia com os juros baixos resultou em aumento de gastos dos governos pelo mundo. Mas ele afirma que ainda há tempo para correções. O lado positivo, disse, é que haverá setores com melhor desempenho, em que estarão oportunidades.

Ferreira, que também é membro do conselho da Aliança pelos Investimentos eNegócios de Impacto, defende os chamados investimentos de impacto, que abrangem empresas que geram benefício social e ambiental. “É um vetor que foi colocado, não é um quadro de força que vai enquadrar todas as empresas. Hoje, as empresas têm muito mais preocupação do que no passado com o envolvimento social”, afirma.

Fonte: Marcelle Gutierrez, Valor, 12/11/2020.

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