Volume negociado na B3 pode chegar a 96% do PIB do Brasil até o fim do ano

 (Arte/Exame)

O volume de ações negociadas na bolsa brasileira vem crescendo ano após ano e está se aproximando do valor do PIB do país — um bom sinal, pois indica o amadurecimento do mercado de capitais. Até o início de outubro, foram 4,9 trilhões de reais em compra e venda no mercado à vista da B3, considerando a negociação por lotes de ações, e não por frações.

De acordo com um levantamento feito pela consultoria Economatica a pedido da EXAME,­ esse valor corresponde a 72% do PIB brasileiro de 2019 — marca inédita na série histórica compilada desde 1995. “O volume financeiro em 2020 já é o maior da história da bolsa brasileira”, diz Einar Rivero, gerente de relacionamento institucional da Economatica.

As empresas que lideram a movimentação financeira na bolsa neste ano até o momento são Petrobras, Vale, Via Varejo, Itaú Unibanco, Bradesco e Magazine Luiza — todas figuram entre os destaques de MELHORES E MAIORES 2020, edição especial que será publicada em novembro.

No atual ritmo, a Economatica projeta que o total movimentado na B3 deve chegar a 6,5 trilhões de reais até o fim do ano, o equivalente a 90% do PIB brasileiro de 2019 — ou 96% do PIB deste ano, que deve sofrer retração em consequência da pandemia.

A marca coloca a B3 mais perto do patamar de países como os Estados Unidos e a Suíça, onde o total negociado na bolsa é superior ao valor do PIB do país. “Em países com o mercado de capitais desenvolvido, como os Estados Unidos, o cidadão comum vê as ações como parte de seu hábito de poupança”, diz Rivero.

Isso leva a uma presença muito maior dos investidores pessoa física e a uma movimentação mais intensa na bolsa. No Brasil, apenas cerca de 10% do patrimônio da indústria de fundos está alocado em ações. A maior parte está aplicada em ativos de renda fixa, de perfil mais conservador.

Outro fator para o volume expressivo negociado na B3 neste ano é a alta do preço das ações, especialmente com a volatilidade observada nos piores momentos da pandemia. Esse crescimento vem se sustentando desde 2015, em parte pela política atual de juros baixos, que tende a incentivar os investimentos na bolsa.

“A dúvida é se este cenário é sustentável no longo prazo, porque é difícil manter os juros e a inflação baixos sem uma situação fiscal sob controle”, afirma Livio Ribeiro, pesquisador sênior de economia aplicada do Instituto Brasileiro de Economia, ligado à Fundação Getulio Vargas.

Segundo Ribeiro, apenas uma economia que poupe mais e tenha uma política fiscal sustentável pode operar com juros baixos. “A pandemia pode tornar mais difícil manter essa situação de equilíbrio, já que pressiona o governo a gastar mais para conter a crise social e de saúde.”

Fonte: Bárbara Nór. Publicado em EXAME: 22/10/2020 às 05h26. Alterado em: 21/10/2020 às 22h00.

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