CEO da Movida (MOVI3) vê 5 anos de crescimento agressivo para aluguel de carros

Renato Franklin, CEO da Movida. Foto: Rodrigo Rosenthal

A pandemia da covid-19 impôs severas medidas de restrições sociais e afetou quase todos os setores da economia, principalmente aqueles dependem principalmente da circulação das pessoas. Um deles, que é o segmento de aluguel de carros, no entanto, conseguiu atravessar bem a crise e até se beneficiou dela.

Com três grande players no setor, Movida (MOVI3)Localiza (RENT3) e Unidas (LCAM3), as duas últimas empresas já divulgaram seus balanços referentes ao 3T20 e apresentaram bons resultados. A Localiza registrou lucro líquido de R$ 325,5 milhões, alta de 59% ante o mesmo período de 2019, e a Unidas de R$ 124,2 milhões, crescimento de 44,4% na mesma base de comparação.

Segundo Renato Franklin, CEO da Movida, a companhia não deve ficar para trás e também irá ter fortes resultados referentes ao terceiro tri de ano – que está programado para ser reportado em 10 de novembro após o fechamento do mercado. “Estamos melhorando mês a mês e o 3T20 vai mostrar a continuidade da nossa evolução”, diz Franklin.

Confira os principais trechos da entrevista exclusiva do CEO ao E-Investidor:

E-Investidor: Como a pandemia afetou o setor e qual a sua avaliação do atual momento dele?

Renato Franklin – O setor como um todo engloba as viagens de turismo e corporativa e também pelo uso do carro por assinatura para pessoa física e jurídica. Então, no começo da pandemia nós tivemos impactos em cada um desses nichos.

Viagens sofreu bastante no começo, mas apesar dos voos ainda não terem voltado a demanda para este segmento já estão maiores do que no início da crise. As pessoas estão valorizando as viagens de curta distância e a procura está muito forte.

O carro por assinatura também cresceu forte, por conta das pessoas querem fazer mais caixa ou se modernizar e as empresas trabalhar com uma frota terceirizada. Além disso, a gente lançou nosso e-commerce para o carro com assinatura e isso nos impulsionou.

E esse movimento não foi só com a Movida, o setor inteiro está em um bom momento. O mercado de aluguel de carros vem crescendo cerca de 20% ao ano e eu acredito que vamos continuar apresentados resultados tão fortes quanto nos próximos cinco anos.

E-Investidor: O que sustenta essa boa perspectiva para o mercado nos próximos anos?

Franklin – Apenas 3% das pessoas habilitados na País já alugaram carro, então a penetração ainda é muito baixa e tem muito espaço para crescer. A partir do momento que a pessoa descobre que pode alugar carro para fazer viagem, isso entra na rotina dela. Além disso, o carro por assinatura também vai crescer muito e esse esse segmento vai ser nosso maior mercado.

Eu acredito em um mercado potencial de 400 mil carros de assinatura por ano no Brasil. Obviamente não temos capacidade de absorver tamanho demanda. Então, vamos o ver o setor como um todo apresentando fortes resultados com todos os players crescendo.

Vai ser uma competição racional e saudável entre as companhias, não vai ser uma contra a outra. Ainda, eu acredito que nos próximos anos vamos ter competição além das três, ou possivelmente duas, que têm agora no mercado. É um setor muito grande, com crescimento e retorno muito alto.

E-Investidor: Qual a estratégia da Movida para aproveitar o potencial do mercado e se destacar?

Franklin – Nosso plano de crescimento se passa pelas bases da companhia. Sempre crescemos muito se posicionando no mercado digital. Mais de 65% das nossas vendas já são neste canal, o que é muito a mais do que o resto do mercado.

Então, esse é nosso posicionamento e é onde vamos focar em crescer ainda mais. Temos três modalidades diferentes para assinatura de carros para oferecer a melhor comodidade para os clientes e só na Movida é possível fazer todo o processo on-line e só ir na loja para retirar o carro.

Ainda, colocamos uma solução totalmente on-line para os seminovos e vendemos muito carros nesta modalidade, chegando até a bater recordes mesmo com as lojas fechadas.

Outro ponto que buscamos é o e-commerce, que foi impulsionado pela pandemia e nós fomos a primeira do setor a entrar nesse mercado. Vamos apostar cada vez mais nele para crescer junto.

Para isso, lançamos um novo produto, o Movida Cargo, que é voltado para entregas e fechamos um primeiro acordo de exclusividade com a Magazine Luiza. É um mercado gigante, queremos penetrar mais nele e será uma avenida de crescimento forte para nós.

Ademais, ainda tem a a gerência de frota terceirizada de empresas empresas. Na pandemia diversas companhia refizeram as contas e viram que tem benefícios não ter frota própria. Nós conseguimos ter mais eficiência nesse gerência e estamos posicionados de uma forma robusta para entregar uma solução eficiente.

E-Investidor: A pandemia atrapalhou de alguma forma essa estratégia de crescimento?

Franklin – A pandemia foi muito triste e ruim para o mundo inteiro. Porém, no ponto de vista do nosso negócio foi positivo. Conseguimos melhorar a companhia, a gestão, a eficiência operacional e ampliar a margem de crescimento.

A Movida sai mais forte da crise e teremos um 2021 melhor agora do que seria se a pandemia não tivesse acontecido, tanto no ponto de vista de crescimento e de rentabilidade.

Dito isso, enxergamos uma avenida de crescimento muito boa e estamos preparados para um novo ciclo de crescimento ainda mais forte do que já entregamos. Estamos muito animados para os próximos anos.

E-Investidor: Os resultados do 3T20 da Movida devem vir fortes como a de suas concorrentes?

Franklin – A Movida sempre teve um crescimento grande, mas tínhamos uma limitação de crescimento do balanço pois nossa alavancagem era muito alta. Hoje, nosso alavancagem é bem baixa e estamos melhorando ela ainda mais.

Isso porque a pandemia nos permitiu focar bastante no nosso negócio e melhorar a operação. Então, vamos ter um ganho de margem, que vai se refletir no aumento do Ebtida, que diminuiu ainda mais a alavancagem e aumenta a capacidade de crescimento. Então, no ponto de visto da balanco, nosso gargalo de crescimento foi resolvido.

Os resultados virão fortes, estamos melhorando mês a mês e o 3T20 vai mostrar a continuidade da nossa evolução. Vínhamos de nove trimestres consecutivos de evolução clara, tivemos um negativo que foi a pandemia e agora recuperamos o ‘normal’ e vamos entregar novamente trimestre após trimestre um bom desempenho.

E-Investidor: O acordo de incorporação de ações da Unidas (LCAM3) pela Localiza (RENT3) alterou o planejamento da Movida e podemos esperar algum movimento parecido da empresa?

Franklin – Esse movimento não afeta nosso planejamento de forma nenhuma. Temos três pilares essenciais e mantemos eles, que são: ter o melhor NPS, o menor custo por carro e nos tornar uma plataforma on-line.

Então, a estratégia permanece igual, só aumenta nosso compromisso de crescer a companhia. Como já comentei, provavelmente vamos ter novos players no mercado e se a Movida for a preferência dos clientes, nós seremos escolha natural desses empresas para possíveis alianças.

Esse movimento não está descartado e possibilidade disso acontecer é grande. Hoje não há nada de concreto nessa linha, mas no futuro pode-se imaginar algo como uma joint venturerevenue share ou até a Movida como prestadora de serviço.

Não tem como saber quais empresas vão entrar neste mercado, mas podem ser bancos, montadoras e até empresas de tecnologia. Porém, eles não tem capilaridade ou não conseguem prestar os serviços necessário.

A Movida pode ser uma parceira destas companhias e todas vão escolher quem tem a preferência do cliente. Então, no momento não buscamos ser os maiores, mas sim os melhores.

Fonte: Estadão, mateus.apud@estadao.com

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