Vendas do varejo têm queda recorde de 16,8% em abril

Reabertura do comércio em São Paulo
Loja da Rua 25 de Março, no centro de São Paulo, reabre no dia 10 com fila de consumidores na calçada. Foto: Werther Santana/Estadão – 10/6/2020

Sob os efeitos das medidas de distanciamento social tomadas para conter a disseminação do coronavírus, as vendas do varejo restrito tiveram queda de 16,8% ante março, na série com ajuste sazonal, a maior da sua série histórica, iniciada em janeiro de 2001, informou nesta terça-feira, 16, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

O resultado veio pior que a mediana das expectativas de 33 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, de queda de 11,5% – as estimativas iam de retração de 28% a recuo de 6,09% no volume de vendas em abril ante março, com mediana de queda de 11,5%. 

Na comparação com igual mês de 2019, o recuo também foi de 16,8%. No acumulado de 12 meses, o resultado é de alta de 0,7%.

Em março, as vendas do varejo restrito caíram 2,51% na comparação com o mês anterior e 1,2% frente a março de 2019.

O varejo ampliado, que inclui vendas de veículos e material de construção, recuou 17,5% em abril ante março. Em relação a abril do ano passado, a queda foi de 27,1%, recorde da série histórica, iniciada em janeiro de 2004.

Segundo a Fenabrave, federação que reúne as concessionárias do País, foram vendidas 55,7 mil unidades em abril, em soma que considera os veículos leves (automóveis e comerciais leves) e os pesados (caminhões e ônibus). É o menor volume para o mês desde o início da série histórica da instituição, em 2003. Na comparação com abril de 2019, a queda foi de 75,9%.

Com a piora dos condicionantes de crédito e mercado de trabalho, a analista Isabela Tavares, da Tendências Consultoria Integrada, afirma que o varejo ampliado deve ter dificuldade de se recuperar mesmo com a normalização da atividade com o relaxamento do isolamento social, principalmente devido ao setor de veículos. Para 2020, ela projeta recuo de 9,3%.

Recuperação será lenta

Isabela acredita que o varejo restrito tenha recuperação tímida em maio e junho, ganhando maior tração apenas no segundo semestre. Frente ao mesmo período do ano passado, porém, as quedas devem continuar até o fim do ano. “No fim de 2021, o nível do varejo ainda deve estar um pouco abaixo do pré-crise. Os efeitos sobre o consumo de bens duráveis são mais prolongados, mas a piora no mercado de trabalho deve prejudicar o varejo como um todo.” Para 2020, a expectativa de Isabela é de queda de 5,9% do varejo restrito.

Para o economista-chefe da Parallaxis, Rafael Leão, a recuperação do setor será longa. “Abril deve ter sido o pior momento, mas as vendas do varejo vão estabilizar em um nível muito baixo e nós devemos demorar de dois a três anos para retomar o que havia no final de 2019”, avalia o economista, que projeta queda de 10% para as vendas do setor neste ano.

Os segmentos de supermercados e farmácias devem continuar com expansão das vendas, limitando a queda do varejo restrito em meio à pandemia de coronavírus, acredita o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini. “Maio deve continuar com essa mesma dinâmica, só deve mudar em junho, com a liberação do funcionamento de mais setores.” Agostini projeta queda de 4,1% do varejo restrito em 2020.

Fontes: Daniela Amorim, Cícero Cotrim e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo, 16 de junho de 2020.

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