Interrupção das aulas na pandemia pode reduzir PIB brasileiro em até 23%

Interrupção das aulas na pandemia pode reduzir PIB brasileiro em até 23%
Foto: Pixabay

A interrupção das aulas durante a pandemia do novo coronavírus pode reduzir o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro de 5,3% a 23% pela perda de renda que os jovens sofrerão com o déficit de aprendizado desse período. O cálculo foi feito por economistas do Insper.

O estudo calculou o impacto da perda de aprendizado neste ano ao longo da vida dos estudantes. A projeção é de que os jovens podem perder R$ 42,5 mil de renda se os conteúdos não forem repostos e eles seguirem para o mercado de trabalho com esses déficits.

Com 34,8 milhões de estudantes na educação básica, a perda de renda dessa geração teria um impacto de R$ 1,48 trilhão na economia do país, o que representa 23% do PIB. A projeção faz parte do estudo “Estamos fechando escolas: essa é uma decisão sábia?”, feito por professores da instituição.

Outro cenário calculado é do impacto financeiro caso os sistemas de ensino decidam ampliar o calendário letivo para repor as aulas perdidas, ou seja, o atraso em um ano para a conclusão da educação básica e a entrada dos alunos no mercado de trabalho.

Segundo a projeção, os estudantes perderiam R$ 10 mil de renda ao longo da vida ao adiar o término dos estudos. O atraso da entrada desses jovens no mercado de trabalho causaria um impacto de R$ 350 bilhões na economia brasileira, 5% do PIB nacional.

O cálculo do impacto na renda foi feito considerando o rendimento médio dos brasileiros por ano de escolaridade. “A simulação que fizemos é considerando que o mercado vai olhar para essa geração e, ao invés de considerar que quem concluiu a educação básica estudou por 12 anos, enxergar como sendo 11 anos. Por saber que, por um ano, ele não aprendeu”.

Minimizando os impactos
Para o economista, o estudo indica que medidas estudadas por alguns Estados para a reposição das aulas, ainda que ampliem a jornada escolar, podem minimizar os impactos da pandemia. São Paulo e Maranhão, por exemplo, estudam lançar o 4º ano do ensino médio para recuperar o que foi perdido neste ano.

“A perda para esses alunos e para o país tão grande, que não vale a pena fingir que ela não aconteceu. Temos que convencer os jovens de que estudar por mais um ano não é um atraso na vida”, afirmou o economista.

Barros destacou que, caso as aulas presenciais possam ser retomadas em breve, ainda é possível a recuperação dos conteúdos escolares sem a ampliação de mais um ano escolar. Segundo ele, a ineficiência do sistema de ensino brasileiro joga a favor nesta situação.

“Os alunos brasileiros aprendem muito pouco em um ano letivo. Se a gente conseguir encontrar formas de o ensino ser mais eficiente, podemos ensinar o mesmo conteúdo em menos tempo. Nós temos espaço para isso. É diferente da situação de países como Cingapura e Coreia do Sul, que atuam com alta eficácia.”

Fonte: Isabela Palhares, da Folhapress — São Paulo, 13/06/2020 11h34. Publicado no Valor Econômico.

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