Bancas de jornal são alvo de iniciativa para reforma e capacitação

banca de jornal
Detalhe de banca de revista e jornal em São Paulo; projeto nacional do banco Santander quer emprestar dinheiro para ajudar a revitalizar negócio.  Foto: Werther Santana/Estadão-12/6/2015

Os últimos 10 anos apresentaram uma queda de 25,3% no número de bancas de jornais e revistas somente em São Paulo. Em 2010, eram 3.178 bancas com termos de permissão de uso (TPUs), enquanto em 2020, são 2.374, segundo a Secretaria Municipal das Subprefeituras. Para sobreviver, esses negócios precisam encontrar uma forma de se reinventar. Contudo, com a pandemia do novo coronavírus, esse processo torna-se ainda mais complicado.

Para ajudar os donos de bancas de jornais de todo o País, o banco Santander lançou a iniciativa A Gente Banca, em que financiarão uma reforma estrutural e conceitual no estabelecimento, adicionando outra atividade no local, que poderá ser costura, manicure, assistência técnica de celular, florista ou chaveiro, além de fornecer um curso que capacitará esse pequeno empreendedor para desenvolver a atividade no local.

Na cidade de São Paulo, o decreto nº 57.704, de 2017, garante que a comercialização de revistas e jornais seja a principal atividade das bancas, com o objetivo de evitar a descaracterização do negócio – que é levar informação e entretenimento por meio de produtos do segmento editorial. Por isso, 75% do espaço interno útil da banca deve ser destinado à exibição de materiais editoriais.

Para Tiago Abate, superintendente executivo do Santander Microfinanças, o novo projeto é importante para continuar fomentando esse mercado. “As bancas geram pelo menos dois empregos e geram uma cadeia de consumo”, diz ele.

Os financiamentos do banco podem variar entre R$ 15 mil e R$ 60 mil, podendo até um terço do valor ser arcado pelo próprio banco. Em troca desse abatimento, a instituição financeira ganha espaço publicitário em uma tela de LED (prevista na reforma e que ficará dentro da banca), enquanto o contrato for vigente. O prazo de pagamento do financiamento é de até 24 meses, com juros a partir de 2,49% ao mês.

“A ideia é que nessa nova renda o empreendedor comprometa até 30% do lucro, no máximo, para pagar as parcelas”, afirmam Igor Puga, diretor de marketing do Santander.

As inscrições para o processo de seleção para participar do A Gente Banca estão abertas para empreendedores formais e informais, sendo possível que até mesmo aqueles que possuem alguma restrição de crédito consigam participar. A ideia da campanha é ser o mais abrangente e o menos restritiva possível, informa o banco.

Um dos pré-requisitos é ter um faturamento anual de até R$ 200 mil, ter alvará de funcionamento e preencher o formulário no site. Em até cinco dias, um dos agentes do projeto entrará em contato para avaliar a concessão do crédito e, caso a resposta seja positiva, todo o processo dura até quatro semanas. 

Fonte: Anna Barbosa, O Estado de S.Paulo, 18 de maio de 2020. * Estagiária sob a supervisão da editora do Estadão PME, Ana Paula Boni.

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