Quando fui convidado pela Harvard Business Review Brasil para escrever a coluna “Como eu fiz”, confesso meu constrangimento inicial em falar sobre conquistas que são resultado do esforço de tantas pessoas e histórias, inclusive de algumas muito anteriores à minha. Afinal, a vida é um sistema integrado e colaborativo, não havendo espaço para o eu absoluto. Nesse sentido, onde quer que seja lida a palavra “eu”, peço que seja considerado “nós”.

Em seu ensaio The Crisis in Education, publicado nos anos 50 pela revista Partisan Review, a filósofa Hannah Arendt já alertava: a humanidade passa por uma crise da tradição, vivendo um conflito relacionado ao passado. A lógica de Arendt não poderia ser mais atual. Que o diga o setor da saúde: uma área em que hábitos, costumes e heranças andam lado a lado com a transformação, talvez fazendo da mudança uma questão de sobrevivência.

O Hospital Moinhos de Vento é uma instituição privada e filantrópica, fundada há mais de nove décadas pela comunidade alemã imigrante no Brasil. Um dos cinco hospitais de referência pelo Ministério da Saúde, também é um importante centro privado de educação e pesquisa. No coração de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, construiu uma linda história de pioneirismo, cuidado com a vida e obstinação pela medicina de excelência, tornando-se um dos melhores hospitais da América Latina.

Desde seu princípio, ainda como Hospital Alemão (ou Deutsches Krankenhaus), trabalhou a partir de uma base sólida, apoiada em qualidade e inovação.

Tudo o que existe hoje é resultado de uma trajetória de crescimento construída a muitas mãos. Imigrantes de origem germânica ergueram o hospital e deixaram um legado empreendedor na cidade — sendo responsáveis pela criação de clubes, escolas e outras organizações. Ao longo do tempo, a governança ativa de expoentes empresários dessa comunidade foi fundamental para o desenvolvimento de nosso hospital. E, assim, sempre se buscou a harmonia entre a solidez da tradição e a energia da renovação.

Em alguns momentos de sua trajetória sustentada por conquistas de relevância, no entanto, esse equilíbrio não foi bem dosado. E a instituição colocou-se em risco — seja por estar muito fechada em si mesma, posicionando-se de forma muito tradicional; seja por estar à frente do tempo, em passos que não estava pronta para dar. Para deixar o novo nascer e incorporá-lo às nossas vidas, a crise pode ser a melhor escola. Foi o que aconteceu com o Moinhos: as dificuldades de pouco mais de uma década atrás também foram ambiente fértil para que mudanças ocorressem.

Para ler artigo completo, clique aqui.

Fonte: Mohamed Parrini, Harvard Business Review Brasil.

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