Atoladas em dívidas, a Livraria Cultura e a Saraiva pressionam o mercado de livros. O futuro das editoras, que dependem das duas grandes redes, é incerto

Quando a septuagenária rede de livrarias Laselva entrou com um pedido de recuperação judicial em 2013, com dívidas acumuladas em R$ 120 milhões, poucos imaginavam que aquilo seria um presságio de maus tempos para o setor editorial brasileiro.

A empresa, que chegou a ter 83 pontos de venda – a maioria em aeroportos –, não conseguiu arcar com o plano traçado para a sua recuperação, deixando mais de 600 credores e centenas de funcionários na mão. Como consequência, a Laselva teve de fechar suas últimas três lojas em março deste ano, data em que a Justiça de São Paulo decretou sua falência.

Durante esse mesmo período de declínio da tradicional rede, os dois principais nomes do mercado, Cultura e Saraiva, experimentavam uma expansão acelerada pelo País, financiada por linhas de crédito do BNDES e empréstimos com os bancos privados.

A aposta no crescimento, no entanto, deu errado. Desde o fim de 2013, o setor editorial acumula perdas consecutivas, com um decréscimo de R$ 1,73 bilhão em suas receitas. Com dívidas elevadas, Saraiva e Cultura lutam para manter as portas abertas. “Isso era uma crise anunciada, pois existe uma pressão de custos que é insuportável, tanto fiscal quanto operacional”, diz Bernardo Gurbanov, presidente da Associação Nacional das Livrarias (ANL).

“O mercado de livros vai ter que voltar às origens. Esse efeito sanfona de expansão e retração está mostrando os seus limites.” Voltar às origens significa trabalhar com menos lojas e com espaços reduzidos, mas mantendo o foco em livros, uma alternativa possível para voltar a crescer.

A Saraiva, por sua vez, também apresenta problemas financeiros de longa data. Uma análise dos resultados trimestrais dos últimos dez anos mostra que as margens da atividade principal vêm encolhendo de maneira gradual, mas irreversível. No segundo trimestre de 2008, ao faturamento – corrigido pela inflação – de R$ 343 milhões corresponderam um lucro bruto de R$ 140 milhões, com margem de 40,8%. A última linha do balanço, porém, já mostrava um prejuízo líquido de R$ 22,3 milhões, decorrente de um salto nas despesas administrativas naquele trimestre.

Fonte: ISTOÉ Dinheiro, Felipe Mendes, 

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