Ações norteadas por 20 desafios econômicos, administrativos e acadêmicos visam superar paradigmas corporativistas e edificar uma universidade sustentável e conectada ao século XXI

A administração superior da Unesp concluiu em setembro e já apresentou à universidade para discussão o conjunto de três documentos que compõem seu planejamento estratégico, centrado em ações para reestruturar a universidade, que hoje atende a aproximadamente 53 mil alunos de graduação e de pós-graduação em uma rede de 34 unidades universitárias localizadas em 24 cidades paulistas.

A partir de 20 desafios acadêmicos, econômicos e administrativos, amplamente debatidos pela atual gestão da universidade ao longo da construção das propostas, os documentos que tratam da “Sustentabilidade para a Unesp” foram elaborados com o objetivo principal de propor reformas e de criar condições necessárias para superar tais desafios na perspectiva de uma universidade pública moderna e sustentável.

Para retomar o equilíbrio em suas contas e mantê-lo, sugere-se, a partir de ampla análise, além de ações junto aos poderes executivo e legislativo para equacionar a insuficiência financeira, a adoção de parâmetros de sustentabilidade orçamentária e financeira relacionados ao comprometimento do orçamento com despesas de pessoal e à recomposição da reserva financeira, fundamental para a sustentação do financiamento público das universidades estaduais paulistas.

Na perspectiva de diversificar receitas, contribuindo para o reequilíbrio financeiro, propõe-se, entre outras ações, estimular a prestação de serviços, fortalecer parcerias com o setor privado, tendo como base o novo Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação, e criar um fundo patrimonial (endowment) específico para a Unesp.

No que tange à parte administrativa, a proposta de reestruturação está norteada para o conjunto da Unesp, contrapondo-se às estratégias anteriores de buscar soluções pontuais frente aos problemas estruturais que apareciam à medida que a universidade se expandia. Criada em 1976, a partir da aglutinação de institutos isolados de ensino superior distribuídos pelo estado, a Unesp passou por três ciclos de expansão, o último iniciado nesta década, o que culminou em uma estrutura administrativa assimétrica e redundante.

Nesse modelo, coexistem câmpus complexos e simples (em relação ao número de unidades universitárias), bem como câmpus recentemente consolidados e câmpus experimentais, cada um com suas diferentes estruturas administrativas, dificultando uma gestão integrada e voltada à superação de desigualdades. Propõe-se assim novo modelo de gerenciamento das atividades-meio, com a reorganização de unidades administrativas e a constituição de centros de serviços compartilhados (CSC), mecanismo concebido para integrar o uso dos recursos e aprimorar os processos de trabalho de forma contínua e assim superar a existência de replicação e de redundância de estruturas.

Com o compartilhamento de serviços, pretende-se reduzir os atuais 37 centros administrativos da universidade a 12 CSCs, locais ou regionais, com redução de custos operacionais e melhor aproveitamento dos sistemas institucionais, visando agilidade e efetividade nas ações administrativas, sem demissões.

Na parte acadêmica, para manter e para impulsionar seu nível de excelência, considera-se ampla lista de ações, que sugerem para a graduação desde o aperfeiçoamento do exame vestibular e a reformulação de currículos até a revisão ou a redução da oferta de formações com baixa demanda e alta evasão. São listadas também estratégias que fomentem a interdisciplinaridade, o compartilhamento de disciplinas por mais de um curso e a incorporação de práticas pedagógicas inovadoras, com favorecimento da internacionalização e da mobilidade física e virtual, entre professores e estudantes de diferentes campus universitários e de outras instituições, no país e no exterior.

A personalização da formação do estudante é um dos pontos inovadores da proposta. No diagnóstico feito pela universidade, verificou-se que, em alguns cursos oferecidos, o número de créditos é muito maior que o exigido pelo MEC, em uma estrutura curricular baseada na concentração da quase totalidade das atividades em disciplinas obrigatórias. Assim, nessa proposta, é defendida a redução criteriosa da quantidade de atividades obrigatórias comuns, aumentando as possibilidades de escolha do estudante em função de seu perfil e de seus interesses profissionais. Nesse contexto, atividades acadêmicas realizadas fora da sala de aula, fora do campus de origem, no país ou no exterior, por exemplo, poderiam ser reconhecidas como créditos para os estudantes.

Uma maior aproximação entre os universos da graduação e da pós-graduação também está proposta. Tal mudança de paradigma na formação dos alunos foi pensada para deixar a trajetória acadêmica mais atraente e alinhada às novas dinâmicas da sociedade contemporânea, possibilitando maior conexão dos estudantes com as transformações em curso na sociedade e no mundo do trabalho.

Referência nacional em formação de professores, com 37% das 183 opções de entrada na universidade ligadas às licenciaturas, a Unesp também planeja possibilitar a formação docente em mais de uma habilitação a partir de uma entrada única na universidade, assim como ocorre em algumas instituições brasileiras e é comum em universidades europeias, oferecendo-se percurso formativo mais amplo e que abriria ao professor recém-formado mais oportunidades de trabalho. Por exemplo, o aluno faria um curso em ciências exatas e se tornaria habilitado para lecionar física, química e matemática.

Na pós-graduação, o foco está em ações para reduzir a fragmentação e a redundância de programas, por meio de fusões e maior articulação de expertises, contribuindo para o aumento da proporção dos programas de excelência. Para ampliar o impacto do conhecimento gerado, são propostas ações estratégicas, com destaque para a internacionalização da pesquisa, a partir do “Plano Estratégico de Internacionalização 2018-2021”, e para maior articulação entre a pesquisa e a extensão universitária, principalmente em temas associados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pela Organização das Nações Unidas em sua Agenda 2030.

Outras ações se apresentam na direção de ampliar o impacto social e econômico da universidade, por meio do estabelecimento de incubadoras de empresas, de espaços para aprimoramento de tecnologias, de startups e spin-offs e do desenvolvimento de uma cultura empreendedora e de inovação. É proposto, ainda, fortalecer a articulação da extensão universitária com a gestão pública, promovendo um diálogo focado em temas de interesse social para proposição de políticas públicas.

Esses grandes desafios acadêmicos, que, para serem suplantados, exigem articulação e transversalidade entre diferentes dimensões do trabalho na universidade, indicam a necessidade de se repensar a estrutura departamental. Propõe-se que o papel acadêmico-científico dos departamentos, em alguma medida enfraquecido face à criação das coordenações de cursos de graduação e de programas de pós-graduação, seja reassumido, a partir de um processo de planejamento e de avaliação departamental.

Assim, a mudança substancial do sentido dos departamentos, antes “de ensino” e agora voltados também à pesquisa e à extensão, deve pautar-se em critérios institucionais multidimensionais, para que o processo de reestruturação seja feito com qualidade e favoreça a superação da fragmentação e a diminuição das desigualdades na Unesp. Em síntese, a estrutura departamental deve conduzir a uma maior coesão, segundo critérios acadêmico-científicos e com respeito às especificidades das áreas de conhecimento.

Fonte: Assessoria de Comunicação e Imprensa – Unesp

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