A dificuldade de encontrar profissionais qualificados continua a atrapalhar empresas no Brasil, segundo pesquisa global da empresa de recrutamento Hays. A incompatibilidade entre as necessidades das companhias e as habilidades disponíveis no mercado e a falta de flexibilidade na legislação, apesar da reforma trabalhista, pressionam os resultados brasileiros.

Produzido anualmente em parceria com a Oxford Economics, o “Hays Global Skills Index” mede as pressões no mercado de trabalho de profissionais qualificados em 33 países.

O crescente descompasso entre as habilidades dos trabalhadores e as exigências das companhias está presente em quase metade dos mercados pesquisados. Em 16 dos 17 países europeus incluídos no levantamento, aumentou o número de vagas que não são preenchidas por falta de profissionais com a experiência e habilidade necessárias.

Na média global, a nota que representa essa discrepância cresceu de 6,4 para 6,6 – na pesquisa, os índices vão de 0 a 10, com 0 indicando estabilidade no mercado e 10 apontando alta pressão.

É a nota mais alta entre todos os elementos analisados na pesquisa, que inclui a participação no mercado de trabalho, pressão salarial e educação.

No Brasil, a discrepância entre habilidades buscadas e disponíveis recebeu a nota 8,7. Embora tenha apresentado leve melhora na comparação com o ano passado, a nota segue alta para um país com taxa de desemprego de mais de 12%, na opinião de Jonathan Sampson, CEO da Hays no Brasil. “Não temos as habilidades que os empregadores brasileiros precisam, e isso pode desacelerar o crescimento e prejudicar a recuperação da economia”, diz.

Para o executivo, durante a crise econômica as empresas ampliaram a busca por profissionais que combinam habilidades – um exemplo são companhias que diminuíram equipes e passaram a pagar salários um pouco maiores para funcionários mais qualificados. “Se você combina isso com a necessidade de novas habilidades digitais, é um momento desafiador para o mundo todo que é intensificado pela situação delicada do Brasil.”

A nota mais alta no Brasil ainda é a que denota a falta de flexibilidade da legislação trabalhista, apesar das mudanças decorrentes da reforma aprovada em 2017. A nota ficou em 9,3, sendo 10 o máximo. Para Sampson, ainda há resistência das empresas a adotar mudanças. “As pessoas estão preocupadas com a insegurança da legislação e querem ver alguns casos serem testados antes de desenvolver suas próprias práticas”, diz.

Fonte:  Letícia Arcoverde, Valor Econômico

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