William Franco observa impressora 3D no laboratório de inovação da Natura, em pé, de frente para o objeto

William Franco, 40, gerente de engenharia de manutenção, observa impressora 3D no laboratório de inovação da Natura, em Cajamar (SP) – Eduardo Knapp/Folhapress

Apesar de impressoras 3D ainda não serem eficientes para produzir frascos de perfumes em larga escala, elas já proporcionam ganhos financeiros para a Natura.

A fabricante de cosméticos, que começou a usar os equipamentos em 2017, produz neles 30 peças para as máquinas de sua linha de produção.

São impressos componentes de pinça, garras, tampas de motores e peças de plástico que posicionam os frascos a serem embalados na linha de montagem, por exemplo.

Angela Pinhati, diretora industrial, diz que há casos em que, com a impressão em 3D, a Natura gasta menos de um décimo do que desembolsaria importando uma peça.

“Isso permite reduzir estoques de peças, ser mais rápido. Em vez de esperar três ou quatro dias até o fornecedor enviar, resolvemos na hora.”

Hoje, a empresa mantém duas impressoras em um laboratório de inovação inaugurado neste semestre em sua fábrica de Cajamar (SP).

Empresas que vendem impressoras 3D para uso profissional apontam que a demanda no Brasil começa a subir com a lenta retomada da economia.

Rodrigo Krug, fundador da fabricante de impressoras Cliever, diz que a maioria das companhias brasileiras que adotam a tecnologia a usa para testes de seus projetos.

A impressora permite desenhar estruturas complexas e imprimi-las para testes, sem precisar investir na criação de moldes nos quais seria injetado plástico derretido para formar o protótipo. Assim as empresas podem avaliar o design e a funcionalidade de suas ideias rapidamente.

Na Thyssenkrupp Elevadores, que tem fábrica em Guaíba (RS), é possível desenhar e experimentar ideias no mesmo dia e com riqueza de detalhes, diz Sergio Roth, gerente de inovação da companhia.

“Isso acelera muito a confecção de projetos. Além de customizar a solução, podemos alterar facilmente o protótipo, adicionar novas características rapidamente.”

Conforme a empresa se habituava ao equipamento, começou a imprimir também peças para reposição de seus elevadores e itens usados na fábrica. Estão na lista botões, suportes e gabaritos (ferramentas para controlar medidas em processos industriais).

Rodrigo Marin, cofundador da Wishbox, que vende modelos de impressoras 3D importadas, diz que essa aceleração no tempo de desenvolvimento de produtos leva a uma redução de custos para empresas, o que resulta em mais competitividade e crescimento.

Por outro lado, ele diz que o preço é uma importante barreira para o avanço da tecnologia. Segundo ele, o problema é agravado pela alta do dólar.

A companhia tem em seu estoque itens que custam de US$ 13 mil a US$ 58 mil (R$ 51 mil a R$ 227 mil).

Também encomenda modelos para impressão em metal que chegam a R$ 7 milhões.

A evolução das impressoras 3D e sua adoção de maneira mais direta na criação de produtos finais pode transformar a logística e influenciar a distribuição da produção.

Isso porque será possível trabalhar com estoques menores. Também pode valer mais a pena ter pontos centros de produção perto de consumidores, em vez de concentrá-la em grandes fábricas de países em que a mão de obra é mais barata, diz Krug, da Cliever.

“Não que a impressora 3D irá substituir a indústria tradicional. Ainda haverá grandes unidades produzindo em grande escala. Mas, quando se fala de itens em escala menor e personalizados, a indústria 4.0 terá grande papel.”

Cláudio Raupp, presidente-executivo da HP para o Brasil, vê a possibilidade de surgirem centros para impressão em 3D sob demanda.

Esses espaços poderiam atender, por exemplo, oficinas mecânicas que precisam de alguma peça de carro ou assistências técnicas de equipamento eletrônico fora de linha.

A empresa vai lançar no Brasil um modelo de impressora 3D a base de jato de tinta em 2019, mirando mercados como o automotivo, o médico e o aereoespacial.

Porém não há unanimidade sobre o tamanho da transformação.

Marin, da Wishbox, vê pouco espaço para diminuição de custos dos equipamentos. Por isso, diz acreditar que sua utilização na confecção de produtos finais ficará restrita a itens de maior valor.

Segundo ele, quando se produzem poucas unidades, é possível economizar com o uso da impressora 3D, pois seria caro fazer um molde para criar em pequena escala no modo tradicional.

Já itens de baixo valor e feitos em grande quantidade, como xícaras, dificilmente seriam impressos a custo viável, diz.

Fonte: Filipe Oliveira, Folha de S.Paulo,

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