Em sua coluna de hoje na Folha de S.PauloContardo Calligaris,traça um paralelo entre os tempos de Lampião, Maria Bonita e a realidade brasileira atual, a partir da biografia de Maria Bonita escrita por Adriana Negreiros (“Maria Bonita – Sexo, Violência e Mulheres no Cangaço”, ed. Objetiva).

O livro lembra que o mito do casal cangaceiro nasceu quando os dois ainda estavam em vida e em atividade. A existência cotidiana deles talvez não fosse tão invejável assim, mas (compensação pelas durezas do cangaço) eles já habitavam os sonhos de muitos.

Negreiros escreve: “A famosa violência dos cangaceiros não desestimulava algumas sertanejas a querer entrar para o grupo. Reduzidas a uma vida em que sóis se punham e nasciam sem que nada de extraordinário movimentasse suas existências, muitas moças sonhavam com a rotina de ouro, dança e aventura que permeava o imaginário popular sobre o cangaço“.

Uma cangaceira diz a uma candidata: “Você não queira saber o que é dormir no molhado, andar no espinho, subir saltada, correndo, tomando tiro”. Tanto faz: “Quando uma jovem decidia se amancebar a cangaceiro, não havia conselho que a fizesse demover da ideia” (pág. 122).

Entender o Brasil e os brasileiros é por vezes revisitar a história. E o momento atual, exige isso.

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