Chris Goodney / Bloomberg

“Advice and Dissent: Why America Suffers When Economics and Politics Collide” Alan Blinder. Basic Books (importado)

Alan Blinder, de Princeton, argumenta que os políticos usam os economistas para obter apoio, e não para esclarecimento, e, portanto, ignoram os ensinamentos da economia, mesmo quando corretos. O código tributário americano é um exemplo dos terríveis resultados.

Neste livro lúcido, o professor Blinder aponta para como o relacionamento poderia melhorar se os políticos entendessem por que os economistas têm coisas úteis a dizer e se os economistas entendessem por que os políticos os ignoram.

“American Default: The Untold Story of FDR, the Supreme Court, and the Battle Over Gold” Sebastian Edwards. Princeton University (imp.)

Sebastian Edwards, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, é especialista em economia monetária, e, dado seu profundo conhecimento da América Latina – ele é chileno de nascimento -, sobre calotes governamentais.

Os EUA, assim julga a maioria das pessoas, nunca agiriam assim. Mas a maioria das pessoas está totalmente errada. Neste livro, Edwards analisa o calote que se seguiu à decisão do presidente Franklin D. Roosevelt, em 1933, de desvalorizar o dólar em relação ao ouro.

A lição é que nenhuma dívida é absolutamente segura, mesmo a da principal nação credora do mundo, como os EUA à época. A história é fascinante e as lições, eternas.

“The Populist Temptation: Economic Grievance and Political Reaction in the Modern Era” Barry Eichengreen. Oxford University Press (importado)

Barry Eichengreen escreveu um livro caracteristicamente lúcido sobre a ameaça contemporânea do populismo, definido como “movimento político com tendências antielite, autoritárias e nativistas”.

Tanto os EUA como a Europa são vulneráveis: os EUA, porque sua ideologia dominante se opõe a uma reação política eficaz aos infortúnios impostos por um livre mercado desenfreado; a Europa, porque o nacionalismo alimenta a hostilidade às restrições impostas por uma União Europeia (UE) tecnocrática, embora a criação da UE tenha sido uma reação sensata à ruína causada pelo nacionalismo desenfreado do início do século XX.

“Saving Britain: How We Must Change to Prosper in Europe” Will Hutton e Andrew Adonis. Editora Abacus (importado)

Neste livro, baseado em argumentos apaixonados, o parlamentar trabalhista Andrew Adonis e o jornalista Will Hutton argumentam que “uma vitalidade da democracia é que ela permite que as decisões sejam reconsideradas”.

As mudanças no ambiente geopolítico – especialmente a eleição de Donald Trump, a ausência de qualquer plano sensato para o Reino Unido pós-Brexit e a oposição da sociedade à economia ultra desregulamentada desejada pelos mais destacados defensores do Brexit – constituem um ponto de vista esmagador para que o Reino Unido reverta seu desastroso curso, por meio de um segundo referendo sobre o Brexit.

“Se a democracia não for capaz de refrear o capitalismo, correrá o risco de se subverter e dar lugar a regimes neofascistas que fingirão administrar o mercado, mas que, mais frequentemente, aliam-se a grandes grupos empresariais e adotam símbolos ultranacionalistas e bodes expiatórios em lugar de promover reformas”.

Isso está absolutamente certo. O problema não é o comércio liberal, mas uma forma descontrolada de capitalismo globalizado. Os democratas precisam enfrentar esse perigo agora, argumenta Kuttner, para que o sistema político que eles prezam possa sobreviver.

“The Value of Everything: Making and Taking in the Global Economy”. Mariana Mazzucato. Allen Lane (importado)

Neste livro instigante, Mariana Mazzucato, professora da University College London, argumenta ser demasiadamente fácil, para quem opera na economia de mercado contemporânea, enriquecer extraindo valor dos que realmente o criam, e não o agregando eles mesmos. Para compreender isso, precisamos retornar à questão inicial da economia: o que cria valor? Quando respondermos adequadamente a essa indagação, perceberemos que uma parte importante da resposta é: o governo, e não grande parte do mundo financeiro contemporâneo.

“EuroTragedy: A Drama in Nine Acts” Ashoka Mody. Oxford University (importado)

Ashoka Mody escreveu o equivalente, para a economia, de “J’accuse” (Eu acuso), a diatribe de Émile Zola em reação ao caso Dreyfus, campanha antissemita na França do século XIX. Mody argumenta que a elite europeia implementou um plano francês inexequível para a união monetária, não apenas desprovido dos fundamentos políticos para ter êxito, mas que também enfraqueceu inevitavelmente esses fundamentos. O resultado foram crises destrutivas, enormes divergências econômicas e grande animosidade. Além disso, argumenta ele, a Itália está na linha de fratura da zona do euro. Tudo isso parece depressivamente convincente hoje.

“Straight Talk on Trade: Ideas for a Sane World Economy” Dani Rodrik. Princeton University Press (importado)

Dani Rodrik, de Harvard, é há muito tempo o crítico mais perspicaz dos acordos comerciais contemporâneos. Seu argumento mais contestador é que devemos dar aos países mais espaço para que possam fazer suas escolhas de política econômica, mesmo quando equivocadas. Se a democracia for colocada numa camisa de força muito apertada, o resultado será populismo autoritário de direita. Esse perigo já está muito presente. Precisamos torcer para que não seja tarde demais para voltar atrás.

 “The National Debt: A Short History” Martin Slater. Hurst (importado)

Martin Slater, de St Edmund Hall, Oxford, escreveu um livro inestimável sobre um dos mais notáveis instrumentos de poder do Reino Unido: a dívida nacional. Sem a capacidade do governo britânico de tomar empréstimos, o Reino Unido não teria conseguido derrotar a França e a Alemanha, nem criar seu império. Apesar da histeria em alguns setores, a carga de endividamento é, hoje, relativamente baixa, em comparação com os padrões históricos. Questões maiores são a rapidez com que a economia crescerá e quão disciplinados serão os políticos no futuro.

“The Marshall Plan: Dawn of the Cold War” Benn Steil. Simon & Schuster (importado)

Benn Steil, do Council on Foreign Relations, produziu uma análise profundamente informada e extremamente informativa sobre o Plano Marshall (1948-1951). O livro deixa claro que suas consequências políticas foram ao menos tão importantes quanto as econômicas, especialmente a bem-sucedida reintegração da Alemanha Ocidental, nos dois aspectos. Em última instância, a reconstrução da Europa Ocidental e a contenção da União Soviética produziram a vitória do Ocidente na Guerra Fria. Como o atual presidente dos EUA parece ver a Europa democrática como inimiga, o livro também é tristemente oportuno.

“Termites of the State: Why Complexity Leads to Inequality” Vito Tanzi. Cambridge University Press (importado)

Vito Tanzi, ex-alto funcionário do Fundo Monetário Internacional, escreveu uma análise profunda e historicamente fundamentada sobre o atual descontentamento nas democracias de alta renda. Nossos governos estão debilitados e, sob alguns aspectos, disfuncionais. No entanto, surgiu também uma elite plutocrática, ameaçando minar nossa democracia e nossa economia competitiva. Isso deve-se em parte à desregulamentação e à globalização, mas deve-se também, em parte, à regulamentação. Então, governo é problema ou solução? Tanzi conclui que precisamos de uma “nova sabedoria” para nossa nova era.

“Unelected Power: The Quest for Legitimacy in Central Banking and the Regulatory State” Paul Tucker. Princeton University (imp.)

Em certas áreas significativas, os políticos delegaram a tecnocratas econômicos a tarefa de tomar decisões de política econômica politicamente relevantes. Os exemplos mais importantes manifestam-se em política monetária e regulamentação financeira, ambas quase universalmente determinadas por bancos centrais independentes. Neste importante livro, Paul Tucker, ex-vice-presidente do Banco da Inglaterra, analisa onde e como delegar essas e outras responsabilidades, e onde e quando essa delegação pode comprometer a própria legitimidade democrática.

Fonte: Martin Wolf, Financial Times/Valor. Tradução de Sérgio Bloom, 13/07/2018 às 05h00

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