Inovação é com a Embraer, mas…

Embraer vende filé e terá que melhorar resultado do ‘osso’

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Pelo terceiro ano consecutivo, a Embraer é a líder do ranking das empresas mais inovadoras do país, de acordo com o anuário Valor Inovação Brasil, produzido em parceria com a Strategy&, consultoria estratégica da PwC.

A empresa aplica cerca de 10% do faturamento, de US$ 6 bilhões anuais, em pesquisa e desenvolvimento (P&D).

Cerca de 50% de nossa receita hoje é gerada por produtos e serviços criados nos últimos cinco anos”, aponta o diretor de estratégia de inovação da Embraer, Sandro Valeri.

Esse é um dos ativos que levaram a líder mundial da indústria aeroespacial, a americana Boeing, a formalizar uma proposta de sociedade com a concorrente do Brasil.

O modelo de parceria, que ainda está em negociação, envolve a equipe de engenheiros da fabricante brasileira, um time que conseguiu, por exemplo, tirar do papel e colocar em operação uma nova família inteira de jatos de passageiros, a E-2, em menos de cinco anos.

Distribuição do lucro operacional – Contribuição de cada segmento para o Ebit da Embraer – em milhões de reais

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O que fica na Embraer

Com o anúncio da venda de 80% da divisão de jatos comerciais para a Boeing, por US$ 3,8 bilhões, a Embraer vai reter dois segmentos de negócio que lhe deram prejuízo operacional de R$ 350 milhões no ano passado, ante um lucro de R$ 198 milhões em 2016.

Apesar de representarem 45% da receita da companhia entre 2013 e 2017, os segmentos de defesa e de jatinhos executivos da Embraer, que vão ficar com a empresa, responderam por apenas 10% do lucro operacional acumulado nesse período de cinco anos.

Do ponto de vista do acionista da Embraer na bolsa, é substancialmente esse negócio de margem e retorno apertados que vai restar.

A participação de 20% na divisão comercial deve proporcionar dividendos e ser contabilizada como equivalência patrimonial — ou seja, a cada 100 de lucro líquido da empresa de baixo, 20 entrarão na demonstração de resultado da Embraer.

O retorno sobre ativos das áreas de defesa e executiva, calculados pela divisão do lucro operacional pelos ativos do respectivo segmento, tem oscilado entre o azul e o vermelho desde 2013, ficando numa média de apenas 1%.

Esse índice, que não é sustentável no longo prazo, se compara com o retorno médio de 26% do negócio que está sendo vendido. No curto prazo (embora somente após a conclusão do negócio, o que deve levar alguns meses), o que se espera é que o valor pago pela Boeing, ao comprar a fatia de 80% do negócio de aviação comercial, se transforme em remuneração para os acionistas da Embraer, seja em dividendo extraordinário ou em recompra de ações, embora a companhia não tenha dito se todo o valor será distribuído, e de que forma.

Fonte: Fernando Torres | Valor, 05/07/2018 às 13h51

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