Inteligência Competitiva: No Quênia, Uber vira rival dos motoristas do Uber

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Motoristas dizem que plano do Uber de criar serviço com desconto vai erodir ainda mais sua renda (Adriane Ohanesian para The New York Times)

NAIRÓBI, Quênia — James Njoroge, um motorista de Uber em Nairóbi, ganha pouco mais de US$ 5 após um exaustivo dia de dez horas transportando passageiros pelo pesado tráfego da capital do Quênia. Agora, há um novo concorrente na praça que ameaça erodir sua já limitada renda.

Surpreendentemente, seu rival é seu próprio empregador.

No Quênia, onde o Uber já pratica uma das tarifas mais acessíveis do mundo, os fregueses da capital Nairóbi pagam uma tarifa mínima de US$ 2,90.

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A concorrência entre os serviços de contratação de corridas em Nairóbi é acirradíssima, até mesmo entre mototáxis, ou boda-bodas (Adriane Ohanesian para The New York Times)

O Uber pretende reagir aos serviços concorrentes reduzindo ainda mais seus preços. Em abril, a empresa anunciou que ofereceria um serviço ainda mais barato, por metade do preço (US$ 1,45), aceitando que os motoristas usem carros muito mais velhos e de qualidade pior.

Os motoristas dizem que estão arcando com o prejuízo dos cortes no preço. Em fevereiro, fizeram greve para protestar contra os cortes nas tarifas que, segundo eles, dificultavam chegar ao fim do dia no azul. O novo valor é ainda mais baixo que aquele.

A perspectiva de perder uma renda que já é escassa deixaNjoroge, de 29 anos, nervoso.

“Trabalhamos tanto para eles, mas agora eles estão nos sacrificando”, disse ele, reduzindo a velocidade do seu Toyota, modelo de sete anos atrás que, apesar de não ser novo, está em condições melhores que as dos carros que começarão a fazer parte da frota do novo serviço, uberGO. “Os quenianos sempre procuram a opção mais barata e, por isso, estou preocupado”, disse ele. “Não sei o que fazer.”

O Uber se expandiu rapidamente em partes da África, onde o serviço é visto por aqueles que se inscrevem como motoristas (ou “parceiros”, na terminologia da empresa) como uma rara oportunidade de trabalho num continente onde o desemprego é muito alto.

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Com o alto desemprego na África, o Uber é uma rara oportunidade de trabalho para motoristas como Jeremiah Kamu, 29 anos (Adriane Ohanesian para The New York Times)

Mas o serviço levou a um debate sobre até que ponto a tarifa pode baixar, e a empresa enfrentou uma série de greves da África do Sul até Lagos. No mês passado, motoristas de Lagos, a maior cidade da Nigéria, entraram em greve depois que a tarifa foi cortada em 40%.

Os críticos dizem que diante da concorrência de outros aplicativos de serviço de motoristas, o mais novo serviço do Uber no Quênia colocaria seus próprios motoristas concorrendo entre si numa espécie de corrida pelo pior negócio, erodindo o pouco que eles ganham.

“É muito difícil viver em Nairóbi”, disse Njoroge em seu lar em Umoja, bairro sujo e animado dos arredores de Nairóbi. “É preciso trabalhar duro em todas as frentes. Se não tivermos muitos clientes, teremos de encontrar outras opções de trabalho”.

O Uber insiste que o novo serviço permitirá aos motoristas poupar com o combustível e outras despesas, tornando o trabalho mais rentável.

“Talvez a receita não aumente, mas o custo será mais baixo, de modo que o lucro será maior”, disse Alon Lits, gerente geral do Uber para a África Subsaariana. “Acreditamos que nosso modelo econômico faz sentido”, ponderou, acrescentando que a empresa estava pesquisando a opinião dos motoristas para questionar suposições antes de seguir adiante.

Fonte: KIMIKO de FREYTAS-TAMURA, New York Times International, Estadão, Junho 6, 2017 

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